Sweet Prisoner
20 Insuficiente
Notas iniciais
Chegava a ser uma coisa engraçada como ela reprimia todos os tipos de emoções que a ligassem as pessoas.
Em geral, ela gostava de botar a culpa disso tudo — Sua falta de jeito com as pessoas, seu afastamento, sua vontade de que tudo se explodisse — Em seu antigo amor de infância que havia partido seu pequeno e, já não mais tão frágil assim, coração.
Uchiha Sasuke.
Aquele que toda garota gostaria de flertar — Menos Hinata, obviamente, essa provavelmente sequer deveria saber que existia outros homens disponíveis no mundo que não fosse seu lindo e Louro noivo de olhos cerúleos — E que todo homem, mesmo que secretamente, tinha pelo menos um pouco de inveja daquela quantidade exorbitante de poder que apenas um homem possuía.
Pelos céus!
Ele não era apenas o ultimo Uchiha, ao qual havia derrotado o maldito Madara, e mais uma dezena de outros inimigos.
Por Deus!
O homem tinha o chakra de Hashirama!
Ate mesmo Naruto, o grande detentor do demônio de noves caudas, deveria teme-lo — Mesmo que o Louro caísse na risada caso alguém lhe falasse isso.
Ele não era apenas uns dos homens de aparência mais magnífica que qualquer garota pudesse ver em toda a sua existência.
Ele também era aquele que sempre ateria seu coração.
Viva ou morta.
Forte ou fraca.
Saudável ou doente.
Livre ou encarcerada.
Com o coração inteiro ou partido.
Agora e para sempre.
Sim, ela ainda o amava, mais do que amava a si mesma ou qualquer outra coisa que poderia existir.
Toda santa vez que tinha a infâmia de lembrar do seu rosto, de sua voz rouca, de seu corpo perfeito...
Meu Deus...
Ela já conseguia sentir seus olhos se inundando e as finas lagrimas escapando.
Ela não era ninguém.
Nunca era suficiente.
Ninguém se lembraria que havia passado por suas vidas.
Ninguém se lembraria da medica baixinha de estranhos cabelos róseos, força descomunal, toque delicado, rosto vazio, e coração partido.
Talvez ate lembrassem.
Mas seria da garotinha de coração puro, que sustentara um amor sem fundamentos e tão solitário quanto à própria lua em uma noite sem estrelas durante anos e anos a fio, acreditando com toda a sua alma, que um dia o sentimento se tornaria recíproco.
E isso era tudo.
Porque ninguém se importava.
Ninguém se importava com o que ou quem ela havia se tornado após isso, ninguém se importava com sua luta ou com suas conquistas, no entanto, todos se lembravam com ardor, todos os seus fracassos, mesmo que seus sucessos excedem o numero de derrotas incontáveis vezes, eles recordavam-se apenas disso.
Às vezes ela tinha a impressão que não havia se esforçado o suficiente, talvez se tivesse lutado mais, socado mais forte, gritado mais alto...
Talvez tivesse deixado uma marca profunda o suficiente para que quando seu nome fosse citado em alguma conversa as pessoas ao redor curvassem os lábios em uma admiração pura e contundente, e não rissem da garotinha de amor não correspondido.
Ela queria poder gritar a pleno pulmões “Eu estive aqui”, e alguém, qualquer um, se importasse.
Mas ninguém se importaria.
No final, ela só queria que alguém reconhecesse que ela havia vivido, amado, chorado, sorrido e dado o melhor que poderia oferecer a todos.
Ela apenas queria que alguém reconhecesse que, ela esteve ali.
Que mesmo apenas que por um segundo, ela tinha enchido o ambiente com sua alma, e como qualquer garota normal, ela também tinha tantos sonhos quanto podia, realizáveis ou não, tanta paixão quanto seu coração poderia agüentar, tanta boa vontade quanto pudesse demonstrar, tantos erros e acertos quanto qualquer um.
Porque ela tinha estado ali.
E se qualquer pessoa sorrisse a sua lembrança, isso tudo iria valer a pena, mesmo que apenas um pouquinho, mas iria valer.
Mas, ninguém se lembraria.
E agora seu Sasuke.
Seu Moreno dos orbes negros.
Seu amor desde que se conhecia por gente.
Estava nos braços cheios de cicatrizes de mordidas daquela Ruiva ao qual todos amavam, veneravam feito uma deusa, que era tratada como se houvesse caído em suas vidas como a mais maravilhosa das benções.
Ela já estava acostumada a ser empurrada para os cantos escuros, como um brinquedo facilmente esquecível, porque haviam achado algo melhor.
Ela havia se acostumado com a solidão de não poder estar junto, dizendo que também era alguém, também queria deixar suas pequeninas pegadas nas areias do tempo.
Porém, novamente, ninguém se importava.
Ninguém se importava.
Ninguém.
Ninguém jamais se importou.
E agora tinha esse Ruivo.
Esse maldito Ruivo.
Ele era aquele que abalava suas estruturas.
Não daquela forma pura e apaixonada que seu Sasuke fazia consigo desde a infância.
Mas sim de um jeito excitante, atrativo, cheio de uma tensão sexual que ela nunca havia sentido por ninguém.
Quando ela se imaginava na mesma cama que o Uchiha mais novo, imaginava ele acordando enquanto ela olhava em seus olhos de escuridão, e logo depois o mesmo beijando sua testa de forma doce e apaixonada.
Quando se imaginava dormindo na mesma cama que Sasori...
Bom... Podia dizer que não haveria tempo para dormir.
Ele era aquele que a fazia acreditar, que, se havia deixado algo marcante o suficiente em alguém, era nele, no ultimo membro do clã de Escorpiões.
Mesmo que para isso ela teve de matá-lo.
Ela sabia que ele também iria a matar.
Talvez não agora, não hoje, nem amanhã, mas algum dia, não tão longe que ela pudesse pensar poder ter uma vida ao lado dele.
Como se ela quisesse isso.
Mesmo assim, ela já havia investigado cada ato antecipadamente premeditado de seu seqüestro, cada sentimento de vingança e “revanche” que Sasori tinha para com ela, no entanto, a fala que havia sido a ultima peça do quebra cabeça para desvendar o que ele faria com ela, foi:
“— Foi à única maneira de conseguir chegar ate você, Haruno — Ela conseguia se lembrar com perfeição como ele estava calmo e sereno, enquanto ela já estava explodindo em raiva a sua frente, Sasori era tão controlado — Se você não fosse tão teimosa, e tivesse se rendido, não estaria tão fraca.”
Sentiu vontade de rir.
Ela sabia que mesmo se ele tivesse o maior e mais poderoso exercito de todo o planeta, ela não teria feito isso.
Ela era uma Kuinochi de Konoha, não se renderia nem se estivesse com uma adaga prestes a atravessar seu pescoço.
Ela era uma cabeça dura.
Teimosa demais para não contrariar o Ruivo de Suna a cada nova decisão que ele tomava.
Ela era uma Haruno afinal.
Lembrava com perfeição de sua mãe e seu pai em pé de guerra pelos cômodos da casa, sua querida mãe quebrando tudo, enquanto o Sr. Haruno apenas suspirava e esperava o ataque de fúria da esposa passar.
Eles eram perfeitos juntos.
Era uma pena que ela não conseguiria achar alguém perfeito para ela também.
E por mais que quisesse saber como seria o desfecho daquele seqüestro tão esquisito que o Ruivo fizera...
Ela iria embora.
Ainda aquela noite.
O Akasuna fora a cidade havia quatro dias, em busca do absorvente que ele tanto parecia ficar abismado em não saber o que era.
O que não passara de um plano muito bem articulado para tirá-lo de jogo por tempo suficiente para sua fuga magistral.
Ela precisava esperar todo aquele tempo para ter certeza de que ele não voltaria para pega-la em flagrante.
Havia apenas um problema:
As marionetes que ela sabia que estavam a sua espera do lado de fora da porta.
E ela sabia onde encontrar os papéis que mostrariam como burlá-las com maestria.
Ela só precisava dar um jeitinho de arrombar a porta do quarto que o Akasuna sempre tinha a docência de manter bem trancada, tinha quase que absoluta certeza de que encontraria lá todas as armadilhas armadas para si, muito bem descritas nos papéis.
E ela também já tinha a forma de como arrombaria a porta — Já que agora ela não tinha chakra o suficiente nem para arrombar a maldita — Ela conseguira um maravilhoso pé de cabra no mesmo armário que achara a mochila ninja quando fugira pela primeira vez.
Sorveu o ultimo gole da xícara de café já morna, e levantou-se da mesa, colocando a peça de louça com delicadeza dentro da pia, logo após se encaminhou com lentidão para o corredor, parando a frente da porta, onde o pé de cabra já estava esperando pacientemente por a Kuinochi.
Agora seria moleza.
~*~*~*~
Olhou novamente cada uma das paginas.
Estava tudo ali, como havia previsto.
Como cada marionete fora construída, onde se encontravam, quais eram seus pontos fracos, como desativa-las, e onde ficavam as poucas áreas ao qual ele não tivera tempo de colocar segurança.
O Akasuna não era tão inteligente assim afinal.
Saiu do quarto cheio de marionetes e voltou ao seu próprio, onde todas as coisas para sua fuga esperavam pacientemente, colocou todos os papéis em um bolso de fácil acesso da grande mochila de lona negra, caso precisasse os ter em mãos com rapidez.
Voltou-se novamente ao corredor, passado por ali em passadas arrastadas.
Por mais que odiasse admitir.
Para cada canto que olhasse, ela via os cabelos Escarlates, os olhos amendoados, e aquela droga de tatuagem que a fazia querer derrubá-lo na cama e mostrar que também podia ser uma pervertida.
E era por isso que fugiria.
Não pela liberdade.
Mas por que seu coração não aguentaria outra rejeição.
Por que ela sempre seria o melhor exemplo da palavra insuficiente.
Quando passou novamente na frente do quarto das marionetes, captou algo de esguelha.
Deixou sua mochila a porta do quarto e adentrou com desconfiança o recinto, atrás de dezenas de peças de marionetes pendentes do teto, tinha uma pequena silhueta à parede, ela sequer sabia como tinha conseguido avista-la.
Chegou mais perto e correu seus dedos pela silhueta, achando mais abaixo uma delicada e quase inexistente maçaneta intricada.
Girou-a com a mesma delicadeza que ela parecia exercer a si.
Com um pequeno estalo a porta se abriu a uma ante sala pequena e escura, curvou-se e adentrou o pequeno recinto, com um pouco de dificuldade, a porta era menor ainda do que previra.
Como o Ruivo de 1,90 conseguia passar por ali?
Não havia nada ali.
Nada além de uma mesa, e uma cadeira, e um armário, e escuridão.
Rodopiou procurando algo, qualquer coisa que pudesse lhe dar um indicio do porque daquele lugar ser tão escondido.
E continuava não tendo nada.
Tanto o armário quanto a mesa eram de madeira escura e simples, não havendo mais nada de especial em ambos que os delicados e bonitos desenhos intricados na madeira por um eximo artesão.
Passou os dedos sobre a lateral da peça, sentido os relevos magistralmente delineados.
Encarou o armário e foi ate lá, a passos decididos abriu as portas de mogno e deu de cara com um espesso tecido verde escuro.
Um arrepio transpassou sua espinha dorsal.
Sua intuição mandou correr, passar pela pequena portinhola e fugir antes que seu seqüestrador resolvesse dar as caras e ferrar com seu plano de escapar dali.
Mas, como já dito antes.
Ela era uma Haruno, teimosa por sua própria natureza.
Colocou a alva e pequenina mão sobre o tecido grosso e de textura pesada, inspirou o mais profundamente que seus pulmões permitiam, cerrou os olhos, e puxou o mais forte que conseguiu.
O tecido escorregou com lentidão para o chão, como se quisesse que seu coração parasse lentamente.
Não conseguiu comprimir o grito de terror e susto que se propagou por sua garganta, escorregou para trás em um ato desesperado por afastamento, e sentiu quando a quina da mesa lhe acertou em cheio a nuca.
Ela não sentiu o golpe.
Ali, escondida dentro de um armário de mogno frio, pertencente a uma ante sala, fria e escura, esquecida atrás de um quarto qualquer, lhe encarando com brilhantes e mortuários olhos de vidro.
Estava ela.
Ela mesma.
Com cabelos caídos ate a cintura, exatamente no tom de seus próprios.
Os mesmos traços.
O mesmo tom de pele.
Um pesado manto da antiga Akatsuki lhe caia sobre os ombros, mas, por baixo conseguia ver com precisão um top e um shorts, negros como a noite, interligados por um intricado desenho de correntes.
Deu-se conta de que ainda gritava.
Tapou a boca rósea com a delicada mão, contendo o som agudo.
O que significava aquilo?
Sua copia ainda lhe encarava com os olhos doentios de um ser inanimado, sentia como se ela fosse sair andando de dentro do armário, e viesse ate si quebrando seu pescoço e tomando seu lugar.
— Você não deviria estar aqui — A voz serena veio da direção da portinhola lhe fazendo tirar seus orbes arregalados e amedrontados, da cópia que lhe encarava.
Assim que o avistou arrastou-se com velocidade pelo chão liso, tomando o Maximo de distancia que o espaço limitado lhe permitia.
Encarou novamente a boneca de show de horrores, ela sustentou seu olhar, com olhos frívolos, como se apenas esperasse o desenrolar da cena a sua frente para tomar seu lugar.
— Por que veio para cá? — O Ruivo indagou ainda sereno, reavendo sua atenção.
— FIQUE LONGE DE MIM! — Gritou com voz falha, grudando-s ainda mais a parede enquanto o Ruivo se aproximava como uma pantera prestes a dar o bote na presa.
Podia sentir o ódio e a aversão subindo por seu corpo como uma chama invisível.
Ela não suportava a ideia de tomarem seu lugar.
E era isso que aquela Boneca faria.
Tomaria tudo para ela.
Sua historia.
Sua aparência.
Suas lembranças.
Seus sonhos.
Seus medos.
Seus amores.
E por fim... Seu Ruivo.
— Você deveria estar no quarto.
— SE AFASTE AGORA! — Ela brandiu, com as lagrimas escorrendo em desespero e ódio.
O que ele queria consigo afinal?
Por que simplesmente não a matava de uma vez?
— O QUE VOCÊ QUER DE MIM, MALDITO?!?
Estava exausta daqueles joguinhos irritantes que partiam de ambas as partes, queria apenas ir embora.
Apenas voltar a sua vidinha de esquecimento e coração partido, onde seus melhores amigos eram os frascos de remédios muitas vezes controlados que ela tinha por toda a casa.
Nem sequer se preocupava mais em escondê-los, ninguém nunca a visitava de qualquer forma, e se visitasse não se importaria mesmo.
Porque ela não era nada para ninguém.
Talvez, as pessoas sentissem sua falta para as grandes emergências medicas, ou talvez apenas tivessem preenchido seu cargo com Karin.
Ela esquecera de mencionar que a Ruiva agora era considerada uma das melhores medicas, assim como ela, a diferença entre as duas, era que a Rosada havia batalhado a vida inteira para ser reconhecida, e a Uzumaki bastarda, simplesmente já nascera com a droga de um dom abençoado.
Sua vida era uma merda.
Ela era apenas um step, uma coisa colocada provisoriamente, esperando algo melhor e mais amado para ser colocado em seu lugar.
Ele agachou-se a sua frente, os olhos grudados aos seus, como se procurassem algo dentro da vastidão esverdeada.
— Eu não quero nada de você. — O Ruivo pronunciou docemente enquanto pegava seu queixo com a mão grande e máscula.
— Então... Por quê? — Sua voz saiu falhada e chorosa, não queria que ele chegasse tão perto.
Seu cheiro.
Seu toque.
Sua pele.
Seu corpo.
Seu rosto.
Tudo nele a tentava.
— Por que, para mim, você é muito mais do que o suficiente.
Ela sentiu seu coração falhar duas batidas seguidas.
Uma pela frase.
Outra pelo beijo que ele prendeu seus lábios a seguir.
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