Sweet Prisoner
21 Verdades
Notas iniciais
"Você viu aquela coisa meio louca que passou na tevê? Um cientista diz que ser ignorado ativa a mesma parte do cérebro que a dor física, ou seja, ser ignorada causa a mesma coisa que ser ferida, gozado isso, não?"
Essa declaração Sakura havia ouvido — Sem a mínima intenção — De uma dupla de enfermeiras, enquanto tomava água, e ela mesma teve vontade de se virar e retrucar:
"Dói tanto quanto uma espada te atravessando"
E ela sim poderia dizer ter total confiança no que dizia, pois, realmente, uma espada já havia lhe atravessado, e ela conhecia bem a dor de ser esquecida entre papéis e coisas melhores.
E além de tudo, aquilo tudo, como, não ter mais com quem falar sobre isso, Tsunade trabalhando, Naruto treinando, Ino a uma longa viagem que atravessava um deserto escaldante. A pessoa mais perto ao qual ela poderia considerar uma conhecida, era a Ruiva Uzumaki — Ou seria melhor Uchiha? — Que estava sempre rebolando de um lado ao outro do hospital com aquele traseiro abundantemente enorme, e aqueles saltos agulha que, toda santa vez que a mesma passava pela Rosada, ela se perguntava como era possivel a coluna daquele ser não ser quebrada a cada passo.
Muitas vezes, enquanto a Uzumaki — Ou Uchiha — Passava por ela, mascando seu chiclete enquanto sorria daquela maneira que ela tinha a impressão de ser a mesma que uma Striper fazia quando recebia uma grande quantidade de dinheiro, com seus saltos batendo com força no chão, os longos e perfeitos cabelos de fogo amarrados em um rabo alto, mesmo assim, lhe caiam além da metade das costas, e aqueles olhos vermelhos como o inferno, lhe mirando por breve segundos, lhe lançando o pior olhar de desprezo, antes de mirarem algum outro ponto mais significante, ela se perguntava:
"Se uma pessoa tinha uma Deusa perfeita em sua cama, por que haveria de procurar se esquentar sob outros lençóis?"
Ela nunca soube a resposta, no entanto, mesmo assim lá estava ele, quase que todas as noites, entrando por sua janela e arrebatando novamente seu coração.
O Vingador, o último da linhagem do Clã mais corrupto e poderoso que ela já ouvira falar, aquele ao qual ela não se importaria de dar o corpo, a alma, os pertences e mais o que fosse para poder ter para sempre ao seu lado.
Uchiha Sasuke.
No começo, ela não achava que era real — Não conseguia acreditar que era real — E quando ele passava seus braços em torno de seu pequeno corpo sem maiores atraentes e tomava seus lábios para si, a levando a própria cama logo em seguida. Quando acordou na cama no dia seguinte, mesmo com a mancha vermelha em seu lençol, continuou não acreditando.
O amor da sua vida, o tão poderoso Uchiha Sasuke, pulando uma janela para deflorar a garotinha que lhe amava durante a infância, sendo que a Srta. Uzumaki (Ou Uchiha) dona do corpo mais perfeitamente esculpido que qualquer enfermeira poderia querer, estava lá, o esperando muito provavelmente com um conjuntinho de lingerie mínimo e extravagantemente sexy em casa?
Não.
Aquilo era apenas a mais pura loucura da sua mente já enfraquecida pela solidão.
E sua mente continuou, noite após noite, lhe fazendo ter uma esperança doentia, ao qual morria de maneira tortuosa e digna da mais pura pena, já que toda maldita vez que o Uchiha colocava seus pés dentro do hospital e ela o atendia para curar algum ferimento — Ao qual geralmente era causado pelas enormes queimaduras por culpa do uso continuo que o Chidori causava, do que por um inimigo ter conseguido lhe aceitar — Ele sequer olhava para seu rosto, ou fazia mais do que acenar minimamente com a cabeça quando ela pedia — Implorava para ser mais exata — Para o mesmo tomar pelo menos mais um pouco de cuidado ao utilizar tal técnica tão desgastante.
Como era possível um homem que lhe tratava com tanta frieza descabida quando se viam, ser o mesmo que lhe agarrava com aquela força ao qual, ela sentia se derreter sob seus braços um tanto quanto gélidos?
Ela não fazia ideia.
E essa era apenas uma das muitas razões para acreditar que tudo aquilo não passava de uma armadilha de sua mente deturpada para a fazer sentir melhor de uma forma doentia.
E então uma noite, enquanto ele estava sentado ao pé de sa cama, colocando o calçado para ir embora mais uma vez, ela entrou em desespero, não conseguia mais imaginar sua vida sem ele, passando todas as horas do dia esperando de maneira afoita e louca pela noite, pela madrugada que anunciava sua chegada, e em uma crise de medo, de querer que aquilo não tivesse mais fim, ela abraçou as costas largas do homem, e implorou da forma mais desesperada que poderia existir, que ele ficasse, que ele ficasse, pois, se aquilo fosse um sonho, ela não se importaria de dormir pelo resto da eternidade com a presença — Mesmo que fictícia — dele ao seu lado.
E, ignorando suas apelações, ele a segurou pelos finos pulsos e se desvencilhou do corpo pequeno, os olhos de negritude dele perfurando os seus.
— Isso não é sonho — Foram as ultimas, e ao mesmo tempo, as primeiras palavras que a voz rouca ousara direcionar a ela desde o começo de seus encontros — O que estamos começando aqui, vai ir além de um sonho.
E então ela havia ido embora.
Desaparecido na noite.
Ou apenas retomado sua forma de escuridão?
Ela não sabia, todavia, seu coração estava quase que quente novamente, não podia acreditar no que havia ouvido, mesmo sabendo que na verdade, ela não passava da "Outra", a amante, não poderia esperar nem mais um segundo pela próxima noite para ouvir aquela voz rouca novamente e...
... E ela aceitara a missão de Tsunade.
... E ela fora sequestrada.
... E ninguém havia se preocupado em tentar acha-la.
... E ninguém viria.
... E ela quase — Quase mesmo — se sentia feliz por isso.
Sasori, aquele que havia declarando com todas as letras que a queria.
Que a precisava.
Ela sentia-se tão bem quando este a tocava.
Sentia-se tão bem por ouvir de sua boca avermelhada que ele apreciava seu corpo.
Mas, ele não sabia, ela não o merecia, ela não merecia nada disso, mesmo ele sendo um criminoso, um assassino, um monstro, ela sentia que nem para ele era boa o suficiente. E quando sentia os lábios dele de encontro ao seus, não conseguiu segurar as lágrimas.
Ela não merecia ser beijada daquela forma.
Tão doce e calma.
E por isso, colocou as mãos no peito do Ruivo e o afastou sem força para alguns centímetros longe de seus lábios. Ele parou de beija-la, no entanto, não tomou a distância que era esperada pela Garota Rósea, pelo contrario, ele apenas ficou ali, com o rosto perto do seu, enquanto Sakura virava sua face para o lado e soluçava.
— Nã...o... Sa... sori... — Ela começou, sendo entrecortada pelos próprios soluços — Vo... cê não enten... de — Ela declarou em um sussurro enquanto balançava a cabeça em negação, fazendo as mechas rosadas sacudirem e espalharem seu aroma de cerejeiras perto do rosto do Homem — Eu não sirvo para você... Eu... n...ão sou p...ura, Sasori.
Demorou alguns longos segundos para o ex-Akatsuki entender o significado daquela afirmação, e então ele segurou de maneira firme no queixo da Rosada a obrigando a direcionar seus olhos um pouco avermelhados para os dele.
O Akasuna, um dos criminosos mais impiedosos que o Mundo Ninja já havia conhecido, um homem sem escrúpulos, de alma suja, de pecados impagáveis...
... Esse homem sentiu uma forte fincada em seu coração quando, mergulhados na quase escuridão total, ele enxergou o reflexo de luz amornada nos olhos da Medica-nin ao qual o havia matado alguns anos antes, ele enxergou naqueles olhos o verdadeiro sentimento de dor e sofrimento.
Enxergou a si próprio quando pequeno. Sem pais. Sem amigos. Sem nada. Nada além de pessoas de madeira ao qual ele não conseguia fazer as caricias durarem tempo o suficiente.
Tempo o suficiente para tentar recolocar seu coração no lugar.
Então, lentamente, ele deslizou a mão livre pelo ombro de Sakura, tocando-lhe com delicadeza a pele desnuda e parando na altura de seus seios, a Jovem Kuinochi, que havia fechado os belos olhos por conta do toque, sentia seu coração palpitar acerca da caricia.
E então ele retesou os dedos, parando logo abaixo de seu busto, deslizando a mão novamente, só que dessa vez, ele apertou ali, rente as costelas dela, e conseguiu o que queria.
A pulsação dela.
Feel your every heartbeat
Feel you on these empty night
Calm the ache, stop the shakes
You clear my mind
You're my escape
From this messed up place
'Cause you let me forget
You numb my pain
Sentir cada batida do seu coração
Sentir você nessas noites vazias
Acalme a dor, pare a agitação
Você limpa a minha mente
Você é meu escape
Desse lugar desordenado
Por que você me deixa esquecer
Você paralisa minha dor
— A pureza não se esconde em um coisa que pode ser rompida, Sakura — Ele começou, ainda segurando de maneira firme a lateral de seu corpo franzino, seus olhos ardiam enquanto encontravam os da Medica-nin — Você acalma minha cabeça, para a agitação, você limpa minha mente — Ele fechou os olhos aspirando de maneira profunda, antes de os abrir novamente e preparar para continuar — Você me permite esquecer, paralisa minha dor, sua pureza suaviza o veneno que é continuar vivendo, você é a alma que me faltava.
O ar tensionou entre os dois, sustentando as palavras dele, os olhos não ousavam se desviar, as palavras suspensas entre ambos, como um fio invisivel, que agora, eles sabiam...
Os ligaria para sempre.
A Pequena Ninja se desvencilhou do agarre firme do Akasuna, que apenas continuou onde estava, esperando que a mesma saísse correndo, ou o empurasse para longe, mas, ela não o fez.
Ao invés disso, Sakura passou seus pequenos dedos pelo maximilar do Ruivo, traçando desenhos invisiveis até chegar a sua nuca, ela se aproximou dele, de maneira lenta e cuidadosa, tocou com delicadeza o tecido da camisa acizentada dele, enquanto seus corpos ficavam cada vez mais próximos.
E então ela chegou perto o suficiente, passando os delgados braços alvos pelo pescoço do Ruivo, ela o abraçou com todas as suas forças.
— Preciso de você, Sasori — Ela declarou em um fôlego só, sua clone entrou em seu campo de visão, fazendo-a apertar mais forte o corpo do Nukkenin contra o seu, enterrando seu rosto na curvatura do pescoço dele, não querendo ver a si própria — Sem bonecas, joguinhos, armadilhas ou fugas — Ela cortou a frase ao meio por culpa de mais um soluço — Preciso apenas de você. Preciso apenas de sua pele. Preciso apenas de seu coração. Preciso apenas de você. Preciso apenas de você, e preciso agora.
Ele não sabia exatamente como se sentir, Sasori queria tê-la, mas também queria que ela implorasse por isso, ele queria matá-la, mas também queria que ela fosse a pessoa mais feliz do mundo ao seu lado, ele queria fazê-la pagar por tudo o que havia feito perder, mas, acima de tudo, ele queria abraça-la ainda mais forte, secar suas lágrimas, implorar para que parasse de chorar, beijar sua testa, dividir a mesma cama.
Ele queria...
Ele queria...
Ele não sabia mais o que queria.
Não, ele sabia sim.
Queria apenas uma coisa, queira Ela, a Boneca mais perfeita, a Flor mais bela, queria a Ninja mais leal, a Médica mais esforçada, a ultima dos Haruno, a Menina que o havia matado, A garota que o havia agarrado quando bêbada, a que nutria uma paixão sem precedências pelo homem que havia matado seu parceiro.
Queria apenas Sakura. Assim como Sakura queria apenas ele.
— Por essa noite, Sakura — Ele sussurrou a ela, olhando seus cabelos cor de rosa com carinho — Esqueça tudo o que já foi, tudo o que você sonha ser, e o que você se arrepende, porque essa noite — Ele afagou o alto da cabeça dela, e a puxou delicadamente para que olhasse para si — Você será apenas minha, sem bonecas, joguinhos, armadilhas ou fugas — Ele suspirou e sorriu a si, de uma maneira que ela nunca havia visto antes, o que fez seu coração vacilar — E por essa noite, pode se considerar abrigada por meu corpo, protegida por minha pele... — Ele vacilou por um curto momento, como se tentando encontrar o lugar onde havia perdido as próximas palavras — E dona do meu coração. Apenas por essa noite.
How can I tell you just all that you are What you do to me
Como eu posso dizer, você é simplesmente tudo o que você é O que você fez por mim
Talvez outra garota se sentisse usada pelo Ruivo ficar repetindo isso a todo momento "Apenas por essa noite", "Apenas por essa noite", no entanto, Sakura entendia.
Entendia que Sasori não era o tipo de homem ao qual vinha lhe visitar com flores, ou iria lhe pegar todos os dias na saída do hospital, nem iria lhe fazer investidas delicadas, ou gentilmente lhe pedir em namoro ou casamento.
Sasori era um homem radical, com princípios que desrespeitavam qualquer outro principio, ele era o tipo de pessoa que era impossível não se sentir atraída, e era impossível não odiar isso. Com ele era tudo ou nada, agora ou nunca.
E ela estava mais do que disposta a aceitar esse agora.
E quando sentiu as mãos dele deslizando por seus braços, e então pela cintura, dedilhando lhe as formas com uma delicadeza desconhecida para si, ela apenas se deixou ser levada, conduzida para o melhor lugar ao qual poderia estar.
Sentiu a respiração do homem de Cabelos Escarlates se aproximando de sua pele, e só pode sorrir com isso, sabia que dessa vez não haveria paradas, não fugiria por essa noite, porque, por essa noite, e apenas por essa noite, eles eram o sequestrador e vitimas mais pertencentes um ao outro em todo planeta.
Os lábios de Sasori lhe encostaram a pele, a deixando mais quente, subindo pela extensão de seu maxilar, e então ela entendeu de uma vez por todas que, se ela só tinha aquela noite como dona do coração do mais belo Nukkenin de Suna, ela tinha de aproveita-la.
Enrolou os dedos nos fios desgrenhados do Homem e o puxou sem delicadeza nenhuma para cima, e antes que ele pudesse reagir, sorriu e selou seus lábios com os dele.
A sensação foi... Como ela poderia explicar?
Divina, ou seria melhor... Demoniaca?
No mesmo momento, Sasori enlaçou sua cintura e lhe puxou para cima, e naquele momento, ela entendeu que ele havia voltado, aquele sim, era seu Sasori. E não pode deixar de sorrir com isso.
Porquê por esta noite ele era dela, e ela não poderia fazer durar para sempre.
Mas, ela faria ser algo impossível de não se lembrar.
You're better than drugs
Your love is like wine
Feel you comin' on so fast
Feel you comin' to get me high
You're better than drugs
Addicted for life
Feel you comin' on so fast
Feel you comin' on to get me high
Você é melhor que drogas
Seu amor é como vinho
Sentir você vindo tão rápido
Sentir você vindo me levar para o alto
Você é melhor que drogas
Viciado por vida
Sentir você vindo tão rápido
Sentir você vindo me levar para o alto
Fale com o autor