Sweet Poison
2 Capítulo 2
Notas iniciais
“Michael?”
Estava a segurar o meu telemóvel completamente imóvel.
“Vem ter comigo ao parque de estacionamento mais próximo onde trabalhas, no último piso. Não posso falar muito mais, até já.”
No segundo em que ele proferiu aquelas palavras, desligou-me o telemóvel na cara, sem sequer hesitar. Fiquei ainda vários minutos a olhar para o visor deste, intrigada e surpreendida com o que tinha acabado de suceder.
Ponderei seriamente em ir ou não, mas algo é curioso, ele certamente tem muitas questões para me responder, começando por me dizer como sabe onde eu trabalho, o meu número de telefone, mas apesar de tudo… como é que ele saiu da prisão e veio logo ter comigo?
Dirigi-me para lá. Achei que era a decisão mais sensata.
Enquanto ia para lá, comecei a recordar como se tivesse sido ontem, quando vi que ele tinha sido preso. Estava a trabalhar no bar, e vi um jornal pousado no balcão. Olhei para a capa, e tinha como título: “Arquitecto de sucesso assalta um banco.”, e vi o nome “Michael Scofield” no texto. Apenas pensei: “Mike… que raio andas a tramar?”
Finalmente havia chegado ao último piso do parque de estacionamento que ele falara. Tinha 4 pisos, e estar a uma hora tão tardia num local como este é um pouco macabro. Estava um pouco fula por estar a fazer isto por ele. Encostei-me no parapeito que dava para o exterior, e murmurei o nome dele.
“Amy, preciso de falar contigo.”, ouço uma voz relativamente perto de mim.
A minha indisposição aumentou, visto que passado dois anos sem o ver, não me diz nem um simples “Olá”, “Que bom ver-te”, ou uma explicação. É logo a matar.
“Diz-me uma coisa, o que te faz pensar que o facto de eu ter vindo aqui, não irei chamar a polícia? Afinal de contas, és um fugitivo”, referi com um tom determinado.
Ele sorriu de forma irónica, “Porque eu conheço-te Amy. E sei bem que não queres que eu volte para a cadeia.”
Fixei o olhar nele com a minha cara mais séria de sempre, “Pois Michael, em primeiro lugar, eu nunca quis que tu fosses para lá…”
“Pois, às vezes acontecem coisas que não podemos explicar”, murmurou ele interrompendo-me, enquanto eu fechava os olhos ao que ele disse com uma certa indiferença, mas sabendo exactamente ao que ele se referia.
Tentei controlar-me para não comentar o que ele mencionou, “Porque é que o fizeste Michael? Tinhas uma vida demasiado boa para a desperdiçares dessa forma.”
“Isso são detalhes que tenho que te explicar com algum tempo, Amy. Mas tu tens muitos mais para me explicar, começando pela tua pseudo despedida que não fez sentido nenhum.”
“Tal como já ouvi dizer, detalhes.”, retorqui.
“Isso não faz sentido nenhum, Amy.”
“Claro que faz, ou pensas que toda a fome e todas as noites que passamos sem onde dormir foi de ânimo leve?”, respondi um pouco irritada, e com um tom de voz um bocado elevado.
“Passamos?”, ele recuou ao ouvir esta palavra, com uma cara séria, “Ele está óptimo sabes. Ele e o LJ estão a ir para o México sem problemas por enquanto.”
Fechei os olhos para pensar bem no que ia dizer de seguida, “Eu espero que ele me contacte o mais cedo possível… Mas ainda não me respondeste, que estás aqui a fazer, e como sabes onde trabalho, o meu número, etc? Não acabaste de fugir da prisão?”
“Liguei para as Informações e obtive a tua morada e número de telemóvel. O local onde trabalhas foi a tua colega de casa que mo disse quando lá fui.”
“Colega de casa?”, questionei bastante confusa.
“Sim, uma senhora… tornaste-te lésbica nos últimos anos, foi?”
Ri-me do disparate dele e olhei-o com cara de desprezo, “És tão parvo, era a minha vizinha. Ela toma conta de… coisas enquanto estou fora.”
Olhei para ele e reparei que ainda estava com as roupas da cadeia, que por sinal estavam bastante sujas e rasgadas.
“Amy, não fazes ideia das saudades que tive tuas… ”, ele hesitou, aproximando-se de mim, “nem pude perguntar ao Lincoln onde estavas e se estavas bem…”
“Bem, eu escrevi-lhe algumas vezes, daí, ele sabe que estou óptima.”
“E não podias dispensar 10 minutos do teu dia para me escrever também? Ou pensas que eu não quis saber?”
“Michael, o Lincoln é inocente. Eu conheço-o, ele pode ter roubado algumas coisas e pouco mais, mas não é nenhum assassino! O meu coração parou quando soube que ele foi declarado com uma sentença de morte. Ele precisava mais das minhas cartas que tu.”
“Está claro que é inocente… Então e quando soubeste que eu fui preso?”, perguntou um pouco magoado pelas minhas palavras.
“Apenas pensei; que raio está ele a fazer? Vai armar-se em esperto outra vez para ter que salvar o irmão que é um coitado.”, respondi bastante irritada.
Ele desviou o olhar, triste.
“O Lincoln adora-te Mike, mas há alguns que se saem melhor na vida que outros, e ele fez de tudo o que pode para nos ver bem. Tudo o que ele precisava era de um guia, um exemplo para alcançar o teu tipo de sucesso. Mas vê lá, ele até tem quem lhe estrague ainda mais a vida, até para o acusarem de crimes sem noção nenhuma. Isto é que é sair-se bem na vida, não é?”
“Bem Amy, eu sei que fiz a coisa certa. Mas se me detestas assim tanto, porque é que não chamas a polícia então? Não sei do que estás à espera.”, irritado comigo, atira-me esta pergunta ao ar sem medo da resposta.
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