Sweet Poison
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Vi as mãos dele tremerem um pouco e eu tentei acalmar-me. Não queria que a nossa primeira conversa depois de tanto tempo corresse desta forma. Aproximei-me dele e olhei-o nos olhos com toda a seriedade possível, “Mike, afasta-te de mim para a tua própria segurança. De certeza que a minha casa está debaixo de olho devido às cartas que mandei para o Lincoln, e eu não quero que voltes para a cadeia.”, aproximei-me mais um pouco e segredei-lhe ao ouvido, “se para estares seguro, significa que tens que estar longe de mim, então esquece-me”.
Apesar de a noite estar um pouco fria, a respiração dele contra o meu pescoço parecia fogo que me aquecia o corpo todo. Comecei a corar, e a ficar um pouco apreendida.
Ele encostou a boca dele à minha orelha e sussurrou bastante lentamente, “Eu mesmo que quisesse, nunca te conseguiria esquecer, Amy.”, dito isto, começou a dançar com os seus dedos pelo meu cabelo, descendo-os até ao meu queixo, que o puxou para eu ficar de modo a contemplar os brilhantes olhos azuis dele. O meu coração parou e deixei de sentir as minhas pernas.
Justo quando os nossos lábios se iam tocar, ele afasta-se docemente, muito lentamente. Seguida pelo toque da sua respiração, ele beija-me muito levemente no queixo.
Engoli em seco. Isto é tortura… Se ele me beija, eu não sei se me vou controlar. Não posso ceder.
“Não posso…”, pensei para mim.
Fechei os olhos, e com a minha maior força contraditória de sempre, afastei-o de mim.
“Amy?”, questiona-se Mike bastante confuso.
Ele colocou as mãos na minha cintura, aproximando-se de novo.
Sem dizer nada, retirei-as de mim, virei-lhe costas e dirigi-me para a saída do parque de estacionamento. Ele seguiu-me, agarrou-me num braço, aproximou a minha cara da dele, e encostou os nossos narizes. Sem hesitar, colocou as mãos na minha cara, apoiando de seguida a testa dele na minha. Não disse nada. Apenas suspirou. Nem precisava de falar, os actos dele falavam por mil e uma palavras.
Como é que é possível resistir a isto?
“Scofield, vou para casa, tenho que descansar para amanhã, e tu tens um longo dia de fuga. Deixa-me ir antes que perca o último autocarro da noite.”
Larguei-o sem pensar no meu acto. No momento em que o fiz, uma sensação gélida apoderou-se do meu corpo. Não gostava, pelo contrário, odiava, mas tinha que ser.
Virei-lhe costas, andei uns passos e virei-me de novo para ele, “Michael, esquece-me, por favor.”
Virei-me de novo o mais rápido possível, e voltei a fazer-me ao caminho. Sem olhar para ele uma última vez, segui para casa.
Pela noite adentro, só se ouvia os meus passos. Sei que ele não me seguiu. Passei o caminho todo a pensar na irrealidade do que se tinha passado, e tinha uma certeza, no momento em que ele me tocou, parei de respirar.
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