Sweet Nothing (HIATUS)

4 Varandas e cadeiras de balanço á parte


Notas iniciais
Oi, Caramelas! Se no capítulo passado eu já estava um pinto no lixo de feliz, agora eu tô uma galinha enorme no lixão da mãe Lucinda! Minha gente do céu, a fic ganhou mais duas recomendações! É isso aí mesmo, duas coisas fofudas demais da conta recomendaram! Meu um milhão de obrigadas á linnMERAZ e Sweet Black ! Vamos seguir mais o exemplo minhas flores!
Enfim, esse capítulo está definitivamente fresquinho, porque eu acabei de escrevê-lo não tem nem cinco minutos. Tive um monte de problemas (que ninguém ta interessado em saber), mas espero que curtam as paradinhas que tem hoje aí. Beijocas e aproveitem!
*Fantasmas e demais leitores, por favor, comentem!*

POV Renesmee

Girei o botão do ar condicionado até o 3. Céus, estava tão quente!

Suor escorria de minha testa e eu tinha uma camada fina de água acima dos lábios. Enxuguei-me com as costas da mão e esfreguei a camisa contra o vale molhado dos seios.

Já havia trinta minutos que eu saíra do estacionamento privado da Sunset e dirigia rumo á casa dos meus pais. Eu não conseguia tirar Jacob da cabeça. Eu ouvia sua voz rouca e flashes de seu corpo delicioso me atormentavam durante todo o trajeto até agora.

Soquei o volante. Como eu podia ficar assim só de olhar para um homem?! E um homem desconhecido?! Alec fora o único que despertara desejos e calores em mim, ele fora meu primeiro e nunca outro estivera comigo. Eu conhecia as reações que ele me provocava, mas agora elas se destinavam a outro homem, a um moreno sensual que me fizera arder com somente um olhar.

Eu não controlava mais meu corpo, minhas reações eram exageradas por ele. Jacob Black... Aqueles olhos tão negros, aquele corpo tão definido, aquele sorriso tão branco... Tão sensual. Aquele homem era todo sexo. E meu corpo reagia ao que meus olhos viam. Eu podia sentir minha excitação pingando na calcinha só de relembrá-lo.

Eu estava louca! Só podia! Excitada com um desconhecido cujo carro eu destrocei no estacionamento da agência de modelos em que ele trabalha, que é do meu ex-noivo, que me traiu com a secretária por cinco meses na minha cama! É coisa demais para assimilar. Isso tudo não podia ser mais confuso!

Era isso, eu só estava confusa! Eu estava passando por um processo de separação, eu fora traída e perdera minha referência de homem perfeito. Eu estava apenas impressionada com um rapaz incrivelmente sensual e simpático que me pegara desprevenida. Era só deslumbre.

Eu não sabia quem ele era, não sabia do que era capaz. Se o homem com quem vivi durante sete anos, que eu julgava conhecer, eu descobrira que era um filho da puta de marca maior, imagine um cara qualquer que encontrei na rua!

“É só um deslumbre, Renesmee. Afinal, quantas vezes na vida você veria um homem tão lindo assim e não se encantaria? Qualquer mulher no seu lugar faria o mesmo, relaxe.” – eu garanti a mim mesma.

Talvez, quando eu chegasse em casa e tomasse uma ducha fria, eu esquecesse disso tudo. Sim, eu tinha certeza que esse tesão passaria. Eu só estava há muito tempo sem sexo. Alec e eu tínhamos uma vida sexual bem agitada, mas, de algumas semanas para cá, ele não parecia tão disposto a fazer amor comigo. Há quanto tempo eu não transava com Alec mesmo? Uma semana, talvez duas. Ele sempre tinha alguma reunião, sempre fazia visitas aos pais e sempre tinha algum amigo para ver. É, agora eu sabia bem o que todos esses “compromissos” queriam dizer.

“Rosalie” – minha mente rosnou.

Por que raios Alec ainda não a tinha demitido? Ele me pedia para perdoá-lo, me pedia outra chance e mantinha a puta da secretária com quem ele se juntou para me humilhar? Que espécie de perdão ele esperava de mim com ela ainda em nossas vidas?

“Ele espera que você aceite ser a corna mansa! É isso o que ele espera, sua idiota! Ele não vai se livrar de Rosalie, ele vai manter vocês duas! Por isso, nem cogite voltar para ele, Renesmee Carlie Cullen! Nem pense nisso!” – eu vociferei para mim mesma.

A raiva já voltava a turvar minha visão. Respirei fundo. Eu tinha que me controlar. Não podia bater com o carro duas vezes no mesmo dia. Eu não teria sorte de o motorista ser tão condescendente e deixar o prejuízo por menos como Jacob fizera.

Jacob... Raios, por que eu sempre voltava a pensar nele?!

Avistei a casa dos meus pais ao final da rua e suspirei. Eu só queria um bom banho e depois me afogaria em toneladas de papéis. Nada melhor do que trabalho pra desviar a atenção da minha vida sentimental lastimável.

Dirigi apressada e estacionei no meio-fio. Eu não pegara minhas coisas no apartamento que já fora meu e de Alec, já que ele se recusara a me dar as chaves, mas eu passaria lá antes do trabalho. Contrataria um chaveiro ou arrombaria a porta. Tanto faz. Eu precisava dos meus documentos, eu não podia ficar sem trabalhar por caprichos de Alec. Eu não seria demitida da única coisa que ainda prestava na minha vida. Meu emprego era tudo o que eu tinha agora.

Entrei em casa e subi as escadas direto, passando como um furacão até o banheiro do meu quarto. Arranquei minhas roupas e tomei uma ducha. Vesti minha saia-lápis cinza e uma camisa de seda azul lazuli. Arrumei o cabelo num coque frouxo e fiz uma maquiagem leve. Coloquei saltos grafite claro e peguei as poucas pastas que tinha conseguido trazer do apartamento.

Desci e fui até a cozinha. Não encontrei ninguém. Carlisle era médico, devia estar no hospital. Era o chefe do West L.A. Hospital e era tão dedicado! Era reconhecido por seu empenho e competência. Ele nunca errava um diagnóstico e sempre atendia os pacientes com destreza. Ele consultava pobres e ricos da mesma forma e, quando alguém não tinha dinheiro para pagar pelo atendimento, ele fazia tudo de graça. Quando eu era criança, tinha muita raiva dos meus aniversários que ele perdia por estar de plantão. Quando mais velha, eu entendi. Era mais importante salvar a vida das pessoas. Eu não me ressentia mais do trabalho de meu pai. Eu tinha orgulho dele, da pessoa incrível que ele era.

Esme era arquiteta. Seu escritório era há quatro quadras de casa. Era uma das melhores que Los Angeles já vira, e eu não digo isso só porque ela é minha mãe. Esme é incrivelmente competente e criativa. Quase todas as obras que L.A. teve de uns vinte anos pra cá tem a assinatura dela. Sempre que eu mencionava seu nome, as pessoas reconheciam. Quando eu estava na faculdade, e tinha alguns amigos da área, era só eu falar em mamãe que seus olhos brilhavam e tudo era motivo pra perguntas sobre ela. Na época, eu achava ridículo todo aquele alvoroço por causa da minha mãe, mas, hoje, eu só tinha admiração pela profissional que ela era.

Peguei um iogurte de frutas vermelhas na geladeira e fui até o escritório de Carlisle. Disquei o número do ramal de sua sala e esperei.

- Escritório do Doutor Cullen. – Victoria, a secretária de papai, atendeu. Ela trabalhava com Carlisle já havia uns bons quinze anos. Victoria tinha sessenta anos e ainda assim mamãe tinha ciúmes dela. Sacudi a cabeça. Esme não tinha motivos, mas eu também ficaria esperta com secretárias de uma forma geral a partir de agora. Alec me provara que aquela má fama que tinham as profissionais dessa área era verídica.

- Victoria, é Renesmee. Eu gostaria de falar com meu pai, por favor. – eu pedi.

- Claro, eu vou repassar a ligação. Só um instante.

Ouvi um clique e a ligação ficou muda por alguns instantes.

- Olá, fofinha. Aconteceu alguma coisa? – a voz de Carlisle soou preocupada, mas, ainda assim, carinhosa.

Fiquei com vergonha. Como eu diria que amassei a traseira do carro toda? Ele provavelmente se zangaria e diria que eu era uma irresponsável. Resolvi que falaria tudo de uma vez, bem rápido. Contar aos poucos seria um baque atrás do outro e ele se aborreceria mais.

- Bati o carro, pai. Foi um incidente e preciso que o senhor chame um mecânico para olhá-lo. Vou deixar o carro no meio-fio e as chaves na mesa da sala. Posso pegar o Volvo emprestado? – eu mordi os lábios, esperando pelo sonoro “Não!”.

Ouvi um suspiro do outro lado da linha.

- Eu sabia que não deveria ter deixado você sair daquele jeito de casa de manhã. O Volvo está na garagem, abasteci ontem, o tanque está cheio. Por favor, não acabe com meu carro também. – ele pediu, divertido. – Você está bem, não está? Sente alguma coisa? – sorri. Lá estava o Dr. Cullen entrando em ação.

- Estou bem. Saí ilesa, nenhum arranhão. Já o meu pobre bebê... – deixei em suspenso.

- Eu vou mandar o Seth até aí e ele vai dar um jeito no seu carro.

- Tudo bem. Tenho que ir agora. Vou passar no apartamento do Alec e depois vou trabalhar. Não me espere para o jantar. Tenho toneladas de contratos para analisar. – eu avisei. Era ridículo, depois de anos que me tornei uma mulher adulta e bem sucedida, ter que dar satisfações a meus pais, mas eu não queria preocupá-los. Eu sabia que, se não avisasse onde estaria, ás onze da noite Esme ligaria para a polícia e diria que estou desaparecida.

Carlisle bufou. Eu sabia que a questão Alec era um incômodo para ele. Também era para mim, mas eu não podia parar minha vida porque tinha sido chifrada. Eu sofria pra caramba, mas eu não fui a primeira nem a última mulher a ter acessórios de alce na cabeça.

- Tchau, fofinha. Qualquer coisa, ligue. – eu entendi o que ele queria dizer. “Taco de baseball”. Papai queria me lembrar que, se Alec bancasse o engraçadinho, era só eu contar que ele era um cara morto.

Sorri e balancei a cabeça.

- Tchau, pai. – e coloquei o telefone no gancho. Catei minhas coisas e rumei para a garagem.

A chave do Volvo de Carlisle estava num pote em cima de uma prateleira embutida na cozinha de casa. Peguei-a e entrei no carro. Assim que sentei, lembranças vieram á tona em minha mente.

FLASHBACK ON

“ — Hum, Alec! – eu gemia, rebolando em seu colo. Sentia seu pênis enrijecido embaixo de meu sexo e aquilo me deixava fora de mim. Saber que eu o deixava duro fazia eu me sentir poderosa, única! Como se eu fosse realmente uma mulher, e não somente uma menina.

Eu sabia que era arriscado dois adolescentes quase se comendo na garagem dentro do carro do pai da garota, mas tínhamos dezesseis anos! Perigo era excitante!

- Isso, Nessie! – Alec apertava forte minha cintura, de olhos fechados. Ia me deixar roxa, mas eu não me importava. Eu era dele, ele podia me marcar o quanto quisesse.

Ele pressionava sua intimidade contra a minha e arfávamos como se realmente estivéssemos fazendo alguma coisa.

Ainda estávamos de roupas. Nunca tínhamos transado, mas eu sabia que era com ele que eu perderia minha virgindade. Mais cedo ou mais tarde, mas não agora.

Eu passava minhas mãos pelo seu peitoral e me deliciava com a pele macia e tonificada sob meus dedos. Roçei meus lábios em seu pescoço e fui distribuindo chupões naquele pedaço de corpo branco. Mordi o lóbulo de sua orelha e o senti estremecer debaixo de mim.

Alec abriu o fecho de meu sutiã e tomou meus seios livres para si. Arrepiei-me com o contato de sua língua com o bico duro de meu peito. Alec sabia como mamar. Sugava forte e num ritmo alucinante. Mordicava e lambia como se eu fosse o melhor doce do mundo.

Suas mãos desceram para dentro da minha calça e eu senti seus dedos em minha intimidade. Os movimentos circulares que ele fazia em meu clitóris enlouqueciam-me. Meu corpo todo se contraía e se arrepiava e eu não conseguia conter os gemidos abafados. Eu rebolava em sua mão e em seu pau como uma cadela no cio.

Agarrei os cabelos de Alec e enfiei minhas unhas no seu couro cabeludo. Alec gostava de mordidas, arranhões e puxões. Com ele era tudo muito intenso. Traçei o caminho do zíper de sua calça e escorreguei minha mão até seu pau tão duro me esperando.

Dei um aperto firme em seu pênis e senti seus lábios procurarem os meus num beijo faminto. Nossas línguas morriam por um pouco de contato e eu sentia minha sanidade escorrer por meus poros.

Meus movimentos em seu pau tornaram-se mais fortes, mais urgentes. Bombeei-o até senti-lo inchar e se derramar em minha mão. Ele sorria tão lindamente de olhos fechados que eu me sentia a pessoa mais feliz do mundo por poder proporcionar prazer a ele.

Meu coração se inflava e parecia que não caberia no peito toda vez que eu via seu clímax chegar. Era o seu sorriso mais bonito. Sua pele suada e seu cabelo desgrenhado, a respiração falha e o brilho nos olhos, me deixavam orgulhosa de mim.

Eu sabia que, quando resolvesse me entregar a ele, seria o momento mais incrível que eu viveria. Alec sabia me dar prazer como eu achava que nenhum outro pudesse me dar. Eu tinha plena certeza de que fazer amor com ele seria a coisa mais gostosa que eu faria na minha vida.

Sorri, maliciosa. Nossas respirações entrecortadas, nossos corpos tão unidos, nossos batimentos descompassados, tudo era tão bom que parecia certo. Era como se eu pudesse sentir todo aquele tesão sem ter culpa de estar correndo risco de nossos pais entrarem a qualquer momento na garagem e acabarem com nosso namoro, proibindo-nos de nos vermos durante o resto de nossas vidas.

Apesar de toda a aura de sexo que nos envolvia, eu sabia que havia amor naqueles amassos. Eu sabia que cada toque era uma transmissão de tudo o que tínhamos em nossos corações, que ele estava ali pra mim assim como eu pra ele.”

FLASHBACK OFF

Sacudi a cabeça.

“Esquece isso, Nessie! Esquece!” – eu repeti mil vezes pra mim mesma.

Eu tinha que esquecê-lo. Amar Alec só me fazia sofrer. Eu fora corna por muito tempo sem saber, agora que tinha conhecimento de tudo eu não podia simplesmente ignorar e seguir em frente com ele. Eu sempre dissera a Alec que traição era a única coisa que eu não perdoaria, nunca. Ele sempre soube, era o meu discurso habitual.

Eu não conseguiria relevar os chifres que levei. Apesar de todos os outros momentos que tivemos, de todos os anos que fomos felizes juntos, de todas as coisas maravilhosas que vivemos, eu não conseguiria esquecer que o homem que amo me traiu na cara dura por cinco meses na nossa cama. Ele foi canalha demais, e eu não conseguia encarar isso.

Alec sempre fora meu príncipe encantado, era o cara perfeito. Não havia nada nele que me incomodasse o suficiente para que eu considerasse um defeito. Ele era tão incrível, e eu me sentia tão sortuda por tê-lo...

Bufei. Como eu pude me enganar tanto? Ele era um cafajeste como todos os outros! Ele só demorou um pouco mais para mostrar as garras. Ele fez pior do que os outros caras, porque os outros pelo menos assumiam no começo, não esperavam sete anos de dedicação e amor para dormirem com a secretária na cama em que tantas vezes eles se amaram!

Livrei-me dos pensamentos e concentrei-me em dirigir. Dei a partida e saí da garagem, rumando para o apartamento de Alec. Eu tinha que estar muito firme para entrar lá de novo. Tinha certeza de que, no momento em que cruzasse aquela porta, muitas imagens torturantes passariam por trás de meus olhos.

Olhei o relógio no painel do carro e eram 12:46h. Alec já devia estar em casa, eu não precisaria chamar chaveiros nem precisaria de um pé-de-cabra para arrombar a porta. Apertar a campainha já bastaria.

Segui pelas ruas tão conhecidas por mim, e parei na vaga que costumava ser minha quando eu morava ali, até dois dias atrás. Agarrei minha bolsa e entrei no elevador, cumprimentando o porteiro, Sr. Amun, quando passei por ele.

Apertei o botão e esperei parar em meu andar.

As portas se abriram e eu suspirei, tentando reunir forças para enfrentar o que tinha de fazer. Meu estômago se agitava. Eu não queria estar ali.

Caminhei até a porta de madeira e esperei alguns segundos com o dedo pairando sob o interruptor da campainha. Toquei.

Após alguns segundos, ouvi as chaves sendo giradas e a porta se abriu, revelando um Alec atônito. Acho que ele não esperava me ver duas vezes no mesmo dia, especialmente depois da ceninha que protagonizamos ainda há pouco na Sunset.

— Renesmee? – perguntou, ainda confuso. Eu segurei um arfar. Ele estava tão lindo... Camisa social branca dobrada até os cotovelos e aberta dois botões, aquela que nós compramos quando passeávamos na Gare de Leon em Paris na viagem em que ele me pediu em casamento, calça risca de giz preta moldada justa e pés descalços. Era o visual que ele usava quando estávamos sozinhos e ele queria me seduzir. Ele sabia que eu adorava quando ele se vestia daquela forma despretensiosa.

Notei que ele parecia me analisar também e soltei um suspiro leve, recobrando minha consciência.

— Entra – ele pareceu acordar do transe e cedeu espaço na porta para que eu passasse. Atravessei a soleira e ele fechou a porta atrás de si. Senti-me encurralada e parecia que o ar estava faltando.

Eu estava com o homem que eu amo vestido de forma incrivelmente sexy trancada em um apartamento que costumava ser nosso. Afastei os pensamentos e parti para a cozinha, sentindo-o me seguir.

— Vim buscar minhas coisas. – expliquei, indo em direção ao interfone e discando o asterisco, que era o contato da portaria. Pedi que Sr. Amun mandasse um dos carrinhos de supermercado pelo elevador. Coloquei o aparelho no gancho e girei meu corpo, encontrando-o encostado á bancada.

Seus músculos tencionados em contato com o mármore e seu cabelo espalhado ao redor dos olhos. Respirei fundo. Eu não podia me encantar por ele agora, eu não podia esquecer o que ele fez. Eu o amava, era inegável, mas eu tinha que ser forte.

— Eu não vou demorar. Seu quarto está aberto? – perguntei, tentando não colocar amargura na voz. Eu não queria discutir hoje. Estar naquele apartamento já estava me debilitando demais. Eu me segurava para não deixar as lembranças virem porque eu começaria a chorar.

— Nosso quarto – ele frisou bem o “nosso”– está aberto.

Apenas sacudi a cabeça, negando. Aquele já fora meu quarto, já fora o lugar que eu mais amava naquela casa. Hoje eu já não podia concordar com isso. Mas preferi não rebater.

Caminhei até o armário perto de Alec que continha os sacos de lixo e peguei alguns.

— Você pode pegar o carrinho no elevador? Amun já deve ter mandado. – eu pedi, e o vi assentir enquanto eu seguia para a suíte.

Abri a porta e me apoiei na parede, tentando conter as lembranças, as memórias que aquele cômodo guardava. Engoli uma rodada de choro e prendi a histeria na garganta. Eu não queria que Alec assistisse minha humilhação. Não queria dar a ele esse gostinho.

Dei-me alguns segundos para me recompor e comecei a guardar minhas roupas e meus sapatos nos sacos. Fui até o quarto de depósito que mantínhamos no fim do corredor e peguei caixas vazias, colocando minhas maquiagens, minhas jóias e meus documentos.

Puxei tudo para a sala e notei o carrinho perto da porta. Arrumei as caixas e sacolas no interior dele e fui ao banheiro buscar meus cremes e meus objetos de higiene. Fui até a sala novamente. Andei por todos os cômodos procurando minhas coisas e coloquei no carrinho. Quando terminei, quase não cabia tudo.

Procurei por Alec e o encontrei na varanda, sentado numa cadeira de balanço que compramos quando passamos por uma loja de artigos de mobília e ele comentou que ela lembrava uma que o avô Demetri tinha em casa.

Alec estava sentado curvado, com os cotovelos nos joelhos e as mãos nos cabelos.

Suspirei, tomando coragem para ir até lá. Atravessei a sala a passos largos e temerosos e parei junto ás portas de correr.

— Eu já terminei, Alec. Quer que eu feche a porta ao ir embora ou você fecha? – eu perguntei, tentando não soar fria.

Ele então me olhou e eu senti meu coração ficar pequeno no peito. Suas lágrimas escorriam grossas pelo rosto e seus lábios estavam inchados. Lembrei do que falávamos um ao outro “Sua dor, minha dor”.

Senti sua mão agarrar a minha e suspirei, temendo pelo contato. Eu não queria que aquilo se tornasse um de nossos momentos românticos, uma de nossas reconciliações. Eu estava indo embora, e era isso o que eu iria fazer.

Tirei meus dedos dos seus delicadamente e neguei com a cabeça.

As lágrimas dele ficaram mais freqüentes ainda.

— Não vai, Nessie. – sua voz embargada pediu. Se fosse outra situação, se fosse só mais uma de nossas brigas por ciúmes, eu teria me jogado em seus braços e enxugado seu pranto com meus lábios. Mas não era. Não era nenhuma discussão boba, não era nenhum pequeno erro. Era a pior coisa que ele já pudera fazer a mim na vida. – Diga o que eu devo fazer pra te fazer ficar... – ele implorou – Eu faço qualquer coisa. – Alec afirmou, em tom de promessa.

— Não há nada que você possa fazer ou dizer que vá me convencer a ficar. – neguei com a cabeça — Eu já tomei minha decisão. – vi seus olhos marejarem mais. Ele sabia que agora tinha me perdido de vez. Depois que eu partia, eu não voltava mais. Ele sabia disso.

Pigarreei para limpar a voz.

— Eu fecho a porta ou você? – perguntei, do jeito mais gentil que eu podia. Vê-lo chorar era sempre muito doloroso pra mim, mexia com um instinto de proteção que eu sempre tivera em relação a ele.

Levantei-me e fui em direção ao carrinho, abri a porta e o empurrei através da soleira. Voltei-me para a bancada de mármore e puxei minha bolsa, seguindo de volta até a porta. Alec caminhou em silêncio até mim e meu coração acelerou. Senti seus dedos alisarem minha bochecha e respirei fundo. Eu ainda não criara imunidade a seus toques. Ainda me arrepiava e sentia minha alma se rasgar. Ele me deu um beijo na testa e suspirou.

— Tchau, Alec. – eu arrastei o carro de compras dali antes que eu fizesse algo de que me arrependesse. Ouvi um murmúrio que julguei ser um “Tchau, meu amor” e entrei no elevador, seguindo direto para o carro e gritando um “Obrigada!” para Sr. Amun.

Arrumei tudo no bagageiro e saí do prédio, tentando não pensar muito no que tinha acontecido ali.

Dirigi até a sede da multinacional para que trabalhava, tirei meus documentos do bagageiro e segui pelos corredores até a recepção da minha sala.

— Sim, senhor. Não, como eu disse para o senhor, ela não está agora. Não, senhor. Gostaria de deixar algum recado, senhor? – Jéssica conversava com alguém ao telefone, impaciente. Parecia que falavam de mim e que alguém estava sendo muito insistente no outro lado da linha. Aproximei-me, fazendo com que ela me visse. – É seu dia de sorte, senhor. Dra. Cullen acabou de chegar.

Fiz sinal para que ela me dissesse quem era e ela girou um bloquinho que papel com algo escrito. Jéssica era uma ótima secretária, mas sua letra era pior que a de Carlisle, que era médico. Quando decifrei o nome, arfei.

“Jacob Black”

Fiz sinal de que estaria na minha sala e pedi para que transferisse a linha. Sentei em minha cadeira e tentei pensar. Meu coração estava pulsando muito rápido no peito. Não era possível que ele já tivesse um orçamento sobre o carro, era? Não se passaram nem oito horas desde o acidente!

Então por quê ele usara o número que eu dera em meu cartão para ele?

O telefone tocou, me despertando de minhas perguntas. Eu atendi, um pouco trêmula.

- Dra. Cullen. – eu o saudei habitualmente, como se atendesse qualquer cliente, como se não soubesse quem era.

- Renesmee? – sua voz soou rouca e incrivelmente erótica do outro lado. Sem permissão, imaginei sua boca pronunciando meu nome. Era tão... Pornográfico. Senti minha pele se arrepiar e meu sexo dar uma fisgada dolorosa. Sacudi minha cabeça, e segurei o gemido.

“Esse homem ainda vai te matar, Renesmee!”

Notas finais
Até sabadão, Caramelinhas!