Notas iniciais
É, Caramelinhas, só foram oito coisas fofudas que quiseram o capítulo, mas, em homenagem a elas, vou postar mesmo assim. Esse teve ajuda da queridíssima KhaaneBernardes que me ajudou com o bloqueio de criatividade louco que eu tinha. Beijocas e curtam!

POV Renesmee



Eu dirigia pelas ruas de LA tentando não atropelar ninguém. Minha mente girava e parecia que dirigir trinta minutos até a casa dos meus pais me mataria. Peguei a Stewart St e segui pela Yale Avenue até a California State Route 2, quando virei á direita para a Carmelina Avenue, onde ficava a residência dos Cullen.


Parei em frente á casa de padrões claros tão conhecida por mim e senti um aperto o peito. “Papai e mamãe”. Saí do carro e peguei as sacolas e as malas e minha bolsa no bagageiro e arrastei até a porta. Não sabia o que diria para eles. Eu não queria ter que explicar tudo agora, mas acho que não teria opção. Eu só queria que Esme me abraçasse sentada no sofá e me oferecesse biscoitos. Eu queria que Carlisle pegasse seu bastão de baseball e dissesse que ia matar Alec. Eu queria as pessoas que me amavam de verdade me apoiando.

Apertei a campainha e ouvi passos se aproximarem da porta.

– Nessie? – mamãe atendeu e me olhou assustada.

Ver seu rosto desencadeou uma reação estranha em mim. Eu imediatamente comecei a chorar. Meu peito inflava com o sentimento de reconhecimento, eu estava em casa. Agarrei-me a Esme e minhas lágrimas ensopavam sua camisa, uma rodada de histeria iniciando-se bem ali.

– Minha filha, o que houve? – mamãe perguntava, alarmada, enquanto passava as mãos por minhas costas e meus cabelos. – Querida, entre. Não sei o que há de errado, mas tudo vai passar quando comer um biscoito. Como quando era criança, lembra?

Sorri em meio ao choro. Era disso que eu falava. Eu me sentia bem agora. Mas não podia negar que o vazio em meu coração doía. A cena de Alec e Rosalie ia e voltava em minha mente, como um fita cassete rebobinando na minha cabeça.

Senti a cabeça de Esme se esticar sobre meu corpo. Ela soltou um suspiro. Acho que tinha visto minhas malas.

– Querida, eu sinto muito. Quando quiser conversar sobre isso, estou aqui. Vamos, seu pai vai pegar suas coisas. Seu quarto continua do jeito que deixou. – mamãe nos virou e gritou — Carlisle, Nessie está aqui. Pegue as coisas dela na porta, por favor.

Subimos as escadas e eu enterrei o rosto na curva da clavícula de Esme. Aspirei seu cheiro e só senti algo novamente quando encostei-me em algo macio. Minha cama.

– Deite e descanse, Nessie. Qualquer coisa, eu e seu pai estamos lá embaixo, ok? – mamãe beijou o alto de minha cabeça e eu me remexi em afirmação. Ouvi o baque surdo da porta quando ela a fechou.

Encolhi-me como uma bola e as imagens voltaram a me atormentar.

“Alec, seu filho da puta! Como pôde?!”

Eu dediquei sete anos da minha vida áquele salafrário pra ele me trair na nossa cama? Eu amei aquele homem! Eu tive meu primeiro beijo, minha primeira vez, meus primeiros tudo com ele e ele me troca por uma loira aguada que não fazia nem oito meses que ele conhecia?!

Eu tinha sido sua melhor amiga, sua mulher, por sete fodidos anos! Eu estava lá quando Jane, a irmã dele, morreu num acidente de carro, e eu enfrentei a depressão de Alec com ele. Eu estava lá o apoiando quando ele não passou de primeira no vestibular e ficou se remoendo por dias dizendo que era burro. Eu estava lá ajudando com o pânico dele de agulhas quando teve que levar pontos porque abriu um talho na cabeça tentando dar um mortal na piscina de casa. Eu estava com ele todo esse tempo, em todos os momentos, e nem assim ele soube pensar duas vezes antes de me trair.

Eu não era nada mesmo pra ele! Nem consideração de acabar nosso relacionamento antes de resolver ficar com Rosalie ele teve!

Eu sentia tanta raiva, tanto ódio! Magoada, ferida. Eu não tinha espaço para mais nada em meu corpo que não fosse dor.

Ouvi meu celular tocar na bolsa. Não lembrava de ter trazido minha bolsa aqui para cima, acho que mamãe a arrastou para cá. Puxei-o de um dos buracos menores e olhei o visor.

“Alec”, piscava seu nome na tela. Olhar a foto de nós dois fez a bile subir por minha garganta. Não consegui aguentar e agarrei o cesto de lixo ao lado da cama. Vomitei tudo o que tinha no estômago em golfadas. Coloquei a lixeira um pouco distante da cama e olhei o celular novamente.

Imagens do dia em que tiramos aquela fotografia vieram á mente. Era um dia claro de sol forte e Alec e eu estávamos na cozinha tentando fazer um bolo. Eu era péssima cozinheira e mais atrapalhava que ajudava.

Eu ria de Alec tentando bater a massa e ele jogava farinha em meu cabelo. Voava chocolate em pó e fermento pra todo lado. A foto foi batida quando sentei no colo dele e ele disse que estávamos um nojo, e que precisávamos registrar aquele momento para envergonhar os filhos que ainda teríamos um dia.

“Pára, Nessie. Pára de pensar e desliga esse celular.”

Olhei a tela novamente. “She Will Be Loved”, do Maroon 5, era a marcha fúnebre da minha dor. O toque era a música que Alec escolhera para a nossa primeira vez, quando tínhamos dezessete anos.

Deslizei o dedo até o End e encerrei a chamada. Olhei a tela e a inbox piscava. Apertei a tela e a caixa de mensagem revelou 34 não lidas. Abri a primeira.

“Nessie, por favor. Eu amo você. Sei que isso não redime nada do que eu fiz, mas você é a mulher da minha vida. Rosalie...Ela não significou nada. Você é meu tudo, Renesmee. Não sei viver sem você. Aquilo tudo foi um erro. Juro que, se me perdoar, eu nunca mais faço nada daquilo. Só me dá mais uma chance.. Por favor.Eu te amo.”

Eu quase podia ouvi-lo. Eu formava quadros mentais dele digitando essa mensagem. Eu sabia que ele estaria deitado na cama, olhando pro teto. Seus cabelos estariam esparramados no travesseiro, os lábios prensados numa linha fina e uma de suas pernas jogada para fora do colchão. Provavelmente estaria sem camisa, os sapatos perdidos em algum lugar perto do banheiro. Era sempre assim que ele ficava quando queria tratar de algum assunto sério.

Ri, amarga. Eu o conhecia bem.

“Não, você não conhece. Se conhecesse, não estaria com ele. Teria percebido que ele te traía e teria saído dessa há mais tempo.”

Passei pelas outras mensagens, mas não abri. Eu podia ler o início delas “Eu te amo..” “Por favor, atende o telefone, Nessie” “Deixa eu explicar”. Eu não queria mais ler. Eu queria que ele sumisse, que eu sumisse, que tudo sumisse. Eu queria acordar na nossa cama e perceber que tudo não passou de um pesadelo.

Eu queria poder voltar ao passado e nunca conhecê-lo, queria nunca ter me apaixonado por ele, nunca ter me envolvido.

Fui até as ligações perdidas. 51. E meu correio de voz tinha 13 mensagens. Não ousei ouvir. Não sabia o que faria ao escutar sua voz novamente.

Tranquei o teclado e depositei o celular no criado-mudo.

TOC TOC TOC

–Nessie, fofinha, posso entrar? – ouvi a voz grave de papai soar preocupada. Odiei-me mentalmente. Não queria que meus pais ficassem mal por minha causa. Eu nem tinha explicado nada a eles ainda, e eu devia isso.

– Claro, papai – não reconheci minha própria voz. Estava embargada e rouca. Fina e quase inaudível. Limpei a garganta e tentei de novo. – Entra, papai. A porta está aberta.

Carlisle abriu a porta e o olhar em seu rosto me dizia que eu não estava nada bem. Era o famoso olhar de piedade de Carlisle Cullen.

Ele caminhou a passos largos até minha cama e senti seu corpo afundar meu colchão. Papai passou os braços por minhas costas e eu aninhei meu rosto em seu peito.

– Quer conversar, fofinha? – ele perguntou, relutante, receoso.

Reuni toda a coragem que tinha e fiz as palavras amargas saírem da minha boca.

– Alec me traía, papai. – senti seu corpo inteiro se retesar, e suas mãos se fecharem em punhos nas minhas costas – Descobri quando cheguei em casa mais cedo do trabalho sem avisar e ele estava na nossa cama com a secretária. – ouvi Carlisle trincar os dentes e senti meu corpo ser recolocado na cama. Olhei ao redor, sem entender.

– ONDE ESTÁ ESSE FILHO DA PUTA?! EU VOU MATÁ-LO! EEEEEESME! PEGA O MEU BASTÃO DE BASEBALL! É HOJE QUE EU ACABO COM A VIDA DAQUELE IMBECIL! – assustei-me, eu nunca tinha visto meu pai assim. Ele andava de um lado pro outro e agitava os braços para cima, exasperado. Tive medo. Medo do que ele poderia fazer com Alec nesse momento. Eu sabia que ele merecia qualquer punição que meu pai pudesse lhe dar, mas, querendo ou não, ele ainda era o homem que eu amava, e só de pensar em vê-lo todo quebrado, meu coração se apertava.

“Você é muito idiota mesmo, Renesmee! Ainda tem pena dele?! Você realmente merece o chifre que levou!” – minha mente gritava para mim.

Esme entrou no quarto em um rompante.

– O que está acontecendo? Ouvi a gritaria lá de baixo! – ela falou, pausadamente, com as mãos nos joelhos, tentando respirar.

Papai, com o rosto vermelho, virou-se para ela, com o maxilar trincado.

– Aquele filho da puta do Alec traiu a Nessie! Na cama deles! Com a secretária! Eu quero matá-lo! É bom ele rezar para não encontrar comigo na rua ou não vai sobrar nenhum pedaço dele para contar a história! – ele rosnou, ameaçadoramente.

Mamãe abriu a boca, em choque. Eu podia ouvir o estalo em sua cabeça quando ela compreendeu as palavras de papai. Esme abriu a boca umas duas vezes e fechou-a. E então eu senti o baque de seu corpo sobre o meu.

– Oh, querida. Eu sinto muito mesmo. – ela falou chorosa. E eu senti as lágrimas brotarem em meus olhos.

Senti outro par de braços me envolver e Carlisle abraçar a nós duas.

– Vamos cuidar de você, fofinha. Aquele canalha não vai mais chegar perto de você. – papai afirmou, convicto. Beijou o alto da minha cabeça e relaxou.

– Vou pegar uns biscoitos para você, querida. Já volto. – Esme partiu, com Carlisle em seu encalço.

Estava tão cansada de chorar, de me lamentar. Meu corpo estava exausto, minha cabeça latejava, mas minha mente não parava de repassar as imagens daquela manhã, da traição e do rompimento.

Senti a escuridão tentando me levar e me rendi. Ouvi ao fundo a voz de Esme, mas não tinha mais tanta consciência para interpretar o que dizia.

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Reuni toda a coragem que tinha pela manhã e soltei a bomba no colo dos meus pais durante o café.

– Tenho que ir á agência do Alec.

Papai engasgou com o suco e mamãe me olhava horrorizada.

– O que quer fazer lá, Nessie? Não, você não vai. O que é isso? Esqueceu de tudo o que aconteceu ontem? – Carlisle estava indignado.

Ignorei a irritação de meu pai. É claro que eu lembrava de tudo. Como eu poderia esquecer? Era como dizer a um cego que ele não enxergava. Completamente desnecessário.

– Preciso pegar as chaves do apartamento para buscar o resto das minhas coisas. Na pressa de ir embora, esqueci delas na cômoda da sala. – expliquei-me – Preciso das minhas coisas. Minhas pastas estão todas lá, não posso trabalhar sem elas. E tem ainda meus sapatos, o resto de minhas roupas. As minhas coisas ainda estão todas lá.

Esme assentiu.

– Tem certeza de que não quer que eu pegue? – papai sondou.

– Eu bem que gostaria, mas o senhor não saberia quais são as minhas coisas e meus documentos são confidenciais por causa da empresa. Além do mais, pai, eu não posso evitá-lo para sempre – eles sabiam de quem eu falava – uma hora eu terei de enfrentar essa situação. Nunca fui de fugir de nada, não é hoje que vou começar.

– Tudo bem, mas deixe o celular por perto. Qualquer coisa, é só ligar e eu estarei lá num segundo com uma arma em punho para estourar os miolos daquele infeliz. – garantiu.

– Eu sei que sim. Obrigada. Com licença, tenho que dar alguns telefonemas.

Fui até um canto isolado no escritório de Carlisle e usei o telefone de casa, precisava informar minha secretária do atraso.

– Jéssica, sou eu, Renesmee. Tive uns problemas e só vou poder ir á tarde. Por favor, transfira as reuniões e coloque aquela papelada que disse que tem pra eu assinar e averiguar que eu olho quando chegar. Ah, e, por favor, se Alec ou alguém ligado á ele chegar aí ou ligar ou sei lá, não passe ligações nem anote recados, muito menos deixe entrar.

– Mas o que houve, Dra. Cullen? – Jéssica parecia preocupada. Era uma boa amiga.

– Alec e eu rompemos. Por favor, só faça o que eu pedi, ok? Não estou num bom momento e vou explicar depois.

Ouvi Jéssica soltar um muxoxo e então suspirar, tristemente. Ela era uma das fãs do meu relacionamento com Alec. Dizia que éramos perfeitos um pro outro. Quando soubesse da história, coitada, iria cair para trás. Alec era, para ela, o príncipe encantado. Agora ela, assim como eu, iria ter a prova de que contos de fadas não existem.

– Oh, sim, claro. Eu sinto muito, mesmo. Espero que fique bem. Estarei esperando-a pela tarde.

Desliguei o telefone e subi as escadas para pegar minha bolsa. Catei meu celular na cômoda e a bolsa e rumei até meu carro, que papai tinha colocado na garagem, já que tinha certeza de que estacionei no meio-fio ontem.

Segui pela Santa Monica Boulevard até uma bifurcação para a Overland Avenue, que era onde ficava Sunset, a agência de Alec Volturi. Não avisei que estaria indo, não queria ter que ouvir a voz de Rosalie no telefone, já bastava ter que vê-la quando chegasse.

Estacionei no privativo e notei que o carro de Alec já estava lá. É claro, já eram nove da manhã. Alec podia ser um canalha de marca maior, mas era um empresário dedicado. Trabalhava muito para que sua agência de modelos fosse a maior e melhor de Los Angeles, e a Sunset era mesmo.

Passei a bolsa pelo braço e fechei a porta, acionando o alarme. Eu estava tremendo. Não sabia onde tinha parado a minha confiança, o meu controle. Meu ego foi completamente arruinado ao perceber que eu não era mulher suficiente para o homem que eu amava, eu era tão pouco que ele precisou comer a secretária.

Sacudi a cabeça.

“Não, Nessie. Não é culpa sua. Você foi sim mulher suficiente. Ele é que não foi. Alec foi um canalha e você é uma mulher incrível. Anda, mexe essas pernas. Ele é só mais um vadio fodido. Você é forte, Nessie. Você consegue pegar a porra das chaves e ir embora”.

Quando dei por mim já estava parada no hall de entrada da agência. Eu vinha pouquíssimas vezes aqui, a última foi quando eu e Alec brigamos por causa de um amigo galinha que ele tinha e que dera em cima de mim na festa dos pais dele, três anos atrás. Não gostava de me meter nos negócios de Alec, assim como ele não enxeria nos meus. Local de trabalho era local de trabalho.

Apesar de tudo, eu tinha um grande orgulho da Sunset. Eu estava aqui quando tudo começou, e boa parte do meu dinheiro na época foi empregado aqui. Era como se fosse minha agência também.

Atrás do balcão, a loura metida a falsa santa, Rosalie ria de algo no telefone, de cabeça baixa. Então ergueu seus olhos e encontrou os meus, frios e cortantes. Paralisou de imediato e ficou muda. Alguns segundos se passaram, ela murmurou algo e colocou o telefone no gancho.

Seu sorriso se fora e ela estava branca como papel. Apostava que estava gelada. Sua expressão era séria.

– Seu patrão está aí? – eu perguntei, da maneira mais arrogante que podia. A ante sala estava lotada de modelos e eu não queria armar um escândalo ali. Por mais que estivesse magoada, eu não era mulher de barracos, e também não queria arruinar a empresa que ajudei a construir.

– S-sim. Ele está em uma reunião agora, e ...

– Ligue para ele e diga que estarei em sua sala. E avise que não vou esperar muito. – eu a cortei.

– Sim, claro. Um instante.

– Eu espero um descafeinado com leite e canela na sala de Alec. Obrigada. – e saí, rumando pelo corredor com o coração aos pulos. Eu nunca tinha sido grossa assim com alguém, exceto quando Alec me tocou no rompimento, e me assustava saber que eu havia gostado de colocar Rosalie no lugar dela, de subalterna. Eu nunca fora uma pessoa ruim, mas, nesse momento, eu sentia muita vontade de ser. Rosalie merecia todo o meu desprezo.

Abri a última porta e sentei-me no sofá que havia no canto. Eu estava tremendo. Pegar chaves nunca fora uma tarefa tão difícil quanto agora. Olhei no relógio, que marcava 09:12h. Mais seis minutos se passaram até Alec irromper pela porta.

– Nessie... – ele suspirou. Olhava para mim como se não acreditasse que eu estava lá. Na verdade, nem eu mesma acreditava.

Levantei-me.

– Vim pegar as chaves do seu apartamento. Tenho que buscar o resto de minhas coisas e esqueci as minhas na cômoda da sala. Trarei de volta amanhã pela manhã. É coisa rápida. Se puder fazer o favor... – gesticulei, tratando logo de encurtar o assunto.

Alec fez uma expressão sofrida e tentou dois passos até mim, ao que eu recuei três.

– Nessie, eu... – sacudiu a cabeça – Apenas me deixe explicar. Eu deixei milhares de mensagens, liguei um monte de vezes. Eu preciso que me ouça. – ele implorou.

– Preciso das chaves, Alec. Se não puder me dar, eu entendo. Vou pedir para um chaveiro tirar o molde da fechadura. Até amanhã minhas coisas sairão de seu apartamento. – eu fui firme, apesar de meus olhos quererem marejar ao ouvi-lo. Ele ainda era o homem que eu amava, afinal.

Peguei minha bolsa, que eu tinha colocado ao meu lado no sofá e caminhei em direção á porta.

– Não! Não, Nessie! Não! – ele gritou, desesperado. – Por favor, me escuta! Por favor! Eu só quero explicar, só isso. Por favor.

Suspirei. Eu sabia o que viria a seguir. Alec não me deixaria ir embora até dizer tudo o que queria.

– Você tem cinco minutos, Alec. – eu disse, fria.

Ele suspirou, aliviado, e eu recuei até o sofá, sentando-me. Ele puxou uma poltrona e arrastou para perto de mim. Perto demais.

– Ali está bom. – apontei para mais longe – Fale logo, não tenho muito tempo.

Ele arrastou-a para o lugar que indiquei e sentou-se também.

– Nessie, eu sei que está magoada, e com toda a razão. Aquilo o que aconteceu foi um erro. O maior erro da minha vida. Rosalie não significou nada. Por Deus, você é minha mulher, estamos juntos há sete anos! É a única pessoa que eu amo!

Eu ri, amarga. Ouvir aquilo foi como jogar ácido em meu cérebro.

– Exatamente, Alec! Eu era sua mulher, e eu fiquei ao seu lado por sete anos! Mas isso não bastou para você, não é?! Não lembrou de nada disso quando levou aquela vadia para a nossa casa, para a nossa cama!

Um lampejo de algo brilhou nos olhos de Alec. O mesmo lampejo do apartamento, quando o entregador de comida lhe disse aquelas coisas sobre mim. Aquilo que eu achei ser culpa, mas que não confiava o bastante para acreditar.

– Me perdoa, Ness. Por tudo o que é mais sagrado no mundo, me perdoa... Eu não sei viver sem você. Você é a minha vida. Eu te amo! Eu sei que errei, mas eu preciso de uma segunda chance. Preciso de você! – ele se jogou de joelhos aos meus pés.

– Você já teve sua chance. Teve sete anos de chances e jogou tudo fora por causa de uma transa com uma vadia! – lembrei de algo. Ele não tinha me respondido no apartamento se foi só Rosalie ou se houveram outras também. Nem me disse há quanto tempo aquela porra toda rolava. – Isso se foi só uma vez, o que eu aposto que não. Quer me dizer se estou certa, Alec? – eu sorri, irônica. – Quer me dizer quantas vezes comeu Rosalie e há quanto tempo me traía debaixo do meu nariz?

– Nessie, eu..

– Diga, Alec, vamos. Não queria conversar? O que há de errado com essa conversa? Não é exatamente o que esperava, não é? – ele ficou calado – Não tenho o dia todo, Alec. Vai me dizer ou não?

– Cinco meses.

Minha boca se abriu num estalo. Pelos meus cálculos, eram dois meses depois que Rosalie entrou na agência.

– Houveram outras além de Rosalie? – eu perguntei, engasgada, sentindo a bile na garganta novamente.

– Apenas ela. – ele respondeu, num fio de voz. – Mas eu juro, Renesmee, eu juro que nunca mais isso vai se repetir! Nunca! Você é a mulher da minha vida! Eu te...

Desferi um soco no lado direito do rosto dele antes que terminasse. Senti os nós de meus dedos protestarem, mas não pude evitar. Ele não iria mentir mais, não iria me dizer que me amava quando era tudo fingimento.

Alec olhava para mim com olhos arregalados. Eu não me arrependi. Eu o socaria de novo e de novo e de novo. Eu não senti remorso por isso.

– Quem ama não trai – cuspi as palavras que me martelavam. Puxei a bolsa novamente e marchei até a porta. – Você me dá nojo, Alec. Nunca pensei que pudesse ser tão baixo.

Cruzei a porta e ouvi seus passos atrás de mim.

– Renesmee! Por favor, me escuta! – ele berrava. As pessoas olhavam para nós e eu apenas ignorava, tentando juntar forças para não chorar na frente daquela gente toda. Passei por Rosalie, que ostentava uma bandeja com o descafeinado que eu pedira. – Renesmee! Por favor!

Atravessei o hall e fechei a porta da agência atrás de mim. Estava atordoada. Havia letras em neon piscando em minha cabeça : “CINCO MESES”. Meu Deus, cinco meses! Ele me traíra por cinco fodidos meses e eu nunca desconfiei! Eu era mesmo uma idiota!

Caminhei pisando duro até o carro e abri a porta, fechando-a num baque alto. Liguei o carro e dei a ré, e então senti o impacto.

Merda, merda, merda!

Desliguei o carro e desci, batendo a porta com toda a força do mundo. “Bela hora para bater no carro de alguém, Renesmee” – minha mente ironizou.

Olhei o outro veículo atrás de mim. Eu tinha feito um belo estrago. Faróis quebrados, lataria amassada. É, um prejuízo e tanto. Os vidros fumês não me deixavam ver o motorista, mas não demorou muito e a porta do automóvel abriu-se, revelando uma figura alta e musculosa que sorria simpática para mim.

Droga, droga, droga!

Notas finais
Até sabadão, Caramelinhas!