Sweet Nothing

2 Antes do táxi chegar


Notas iniciais
Eu sei o quanto tudo está precário... Eu prometo fazer a capa e deixar as coisas mais bonitinhas até a semana que vem, ok? Obrigada por ler até aqui... Se vc não gostou, diga, talvez eu possa mudar alguma coisa!

"Talvez eu deva ir agora" — eu disse.

"Eu não iria. Não agora" — ela me disse, ainda sem nome.

Eu fiz a cara mais confusa e estranha, porque nada nela fazia sentido para mim, por isso ela acrescentou, rindo:

"Os seus pais... Lembra?" — Ela ria como se tudo estivesse bem novamente. Eu sabia que não estava , mas o sorriso era só encantador, no sentido literal. Talvez fosse uma máscara, mas ainda assim seria a mais bonita.

"Cla-claro" — Balbuciei — "Eu queria... Ar. Não, queria ar fresco e... Tenho o que fazer"

"Becca...?" Eva perguntou.

"O quê???" — Perguntei, nervosa porque não sabia o que fazer. Não sabia nada sobre aquele lugar, nada sobre Rebecca ou sobre mim. Eu poderia fugir, naquela hora.

"Ok, calma. Você está certa. Está acabada, não é? — perguntou a loira, num tom quase maternal. E eu quase concordava — "Eu te levo até a porta e a gente chama um táxi."

Ela me entregou um agasalho e eu disse a coisa mais sensata que conseguiria dizer: "Mas... Como eu vou para casa nesse estado?"

"Já deveria ter passado o efeito... Não era muito forte. Você já tomou coisas muito piores, então só se controla e reza pra passar até você chegar."

Nós atravessamos o baixo arco dentro do qual a porta abria e andamos pelo corredor.

"Tchau, sra. Roberts!" — ela cantarolou.

"Tchau" — Eu sussurrei e a mulher repetiu, em resposta. Também não disse o nome da garota ao falar com ela.

Nós saímos e ela tirou um celular da bolsa prateada, chamando o táxi.

Eu perguntei porque ela não voltava para a casa, mas não tive uma resposta. Em vez disso, ela pegou a minha mão e me arrastou até o outro lado da casa, nos jogando contra a parede da direita.

Havia um bosque cercando a casa por todos os lados fora a entrada, e um galho passou perto do meu olho.

Primeiro eu pensei que ela tinha algum tipo de doença mental e iria me bater ali, meus olhos se arregalaram. Em vez disso, ela se espremeu contra mim, colando seus lábios nos meus.

"Izzy" — eu expirei o apelido, quase arfando — "Isidora".

Ela me beijou novamente e levantou nossos braços, nossos corpos amassados contra a parede. Era possível ouvir a música dentro da casa, eu até lembrava dela de algum lugar. Era amedrontador, porque se nós as ouvíamos, elas poderiam nos ouvir lá de dentro também. Mas eu não parei, nem ela.

Ela começou a sussurrar a música e cada palavra me fazia pensar em tudo, e depois voltar para aquele estado estranho. Eu me deliciava com cada movimento de sua boca, que repetia: "How could you be all I wanted to see...?"

Eu a girei como se soubesse tudo sobre aquilo, mas sentindo que não sabia de nada e beijei seu pescoço. Sorri quando ouvi o som de um carro, misturado à outra música, que começava agora. Essa eu reconheci. Seu nome era "Think Of You".

Meu reflexo, na janela, era muito real e as batidas do meu coração também. Seu nome era tão óbvio, agora... Entrei no carro, ainda pensando nela e nas merdas pelas quais ela poderia me fazer passar no futuro, como, mais ou menos, o refrão da música dizia.

Eu poderia não aparecer sob o efeito de drogas em casa, mas estaria inebriada e tonta da mesma forma.

Entendi, então, porque ela ficara tão irritada quando eu esqueci seu nome. Pensei em como ela provavelmente nunca diria o meu como eu disse o dela e pensei em outra coisa:

Em como estava apaixonada pela garota de Rebecca.

Notas finais
Talvez você esteja pensando em como "isso" aconteceu de repente. Se sim... Bem, tudo lá é do jeito que ela viu, quis ou imaginou... Eu vou explicar isso depois, ok? Os capítulos vão sair às segundas e quintas e ficar um pouquinho maiores, se estiver tudo bem por vocês. Muito, muito, muito obrigada msm por ter lido até aqui!