Sweet Mel
4 24 Horas
Voltando no tempo, enquanto Mel vivia novas experiências, seus irmãos também se aventuravam mundo afora.
No meio da manhã, após o fim das filmagens, todos saem para suas vidas menos Douglas que está aprensivo com uma conversa no celular. Não se sabe quais suas intenções, mas vê-se seus sorrisos e sente-se sua malícia e após muito digitar e pouco dizer ele coloca seus óculos de sol, pega suas chaves, vai pro carro, coloca um bom som e segue rumo ao desconhecido.
Chegando lá, apresenta seu RG e segue de encontro a um loiro alto, nem magro nem gordo, que faz a mente de Douglas imaginar o inimaginável. Entre quatro paredes, com uma banheira e uma taça de champanhe os dois conversam:
—Quando sua mãe vai ficar sabendo, Dô?, questiona o loiro.
—Honey, não se preocupe com mamãe...ela não é burra e já sabe de tudo, só falta eu contar.
E após os risos, os dois se aventuram por seus corpos diante da banheira e dos móveis como testemunhas. Douglas encontra a essência humana, se sente tão feliz que suas palavras são sons que só os dois sentem, aquele era o momento de liberdade. E em movimentos de vai-e-vem o mundo se movimenta numa velocidade prazerosa, com intensidade questionável mas boa, gira, gira, desce:
—…..!
—!!!!!!!
—!!!!.....!!!!!.!.!.!.!.!.!......
Ecstasy. Não há português para isso.
No fim da aventura, deitados na cama enrolando a volta à realidade, Douglas digita no celular que vai encontrar alguém em meia hora.
Um beijo, e lá vai ele.
Do outro lado da cidade, seu carro entra no Instituto de Artes, onde havia pessoas rodeadas por uma fumaça que trazia alegria, não felicidade, e de onde saiu uma conhecida.
—Pronta, Paola?
—Estou bem D, deixa o cheiro passar e vamos lá.
O carro sai carregado de momentos de alegria.
—Como foi seu encontro?
—Você sabe né minha irmã, fiz o que faço de melhor. Fui um foguete e levei ele pra Lua, nos levei hahahaa!..E você? Tem que parar com essa maconha…
—Meu cigarro não é da sua conta. Mamãe não sabe de você e não sabe de mim, segredos bem guardados? -coxixa Paola.
—Sim.
—Agora vamos servir comida pros desabrigados. Somos santos da TV brasileira.- debocha Douglas.
—Eu gosto disso, é digno e dignifica. Aliás, meu batom está bom?
E lá vão os dois, alimentar quem necessita e engordar o ego que os move diariamente.
Num outro ponto da cidade, Cris Mary está a planejar algo com alguém não identificável até agora, mas que obedece fielmente a dama:
—Então, eu soube que a minha rival dentro da TV está querendo acabar com meu programa…–Esse é o sonho dela desde sempre, My Lady.
—Então, é melhor acordar antes que isso vire um pesadelo.
—Devo dar à ela o “sono final”?, pergunta o tal.
—Preciso pedir duas vezes. -exclama CR enquanto toma uma xícara de café forte.
Completando aquela família que se recheia de segredos sérios e às vezes bobos está Antônio Inácio também anda com os seus. Naquele dia ele aciona seu advogado para uma reunião secreta, pois o testamento precisa ser feito sem que ninguém saiba.
—Será isso mesmo? -questiona o empregado.
—Está decidido. -carimba Antônio- O futuro será uma guerra, os mortos desconhecidos, mas as garantias feitas.
No fim do dia todos se encontram ao redor da mesa menos Mel. Os integrantes da família se olham, se admiram, se amam, são verdadeiros e falsos, mal sabem o que cada um esconde. Lá fora o frio é brando e o vento anuncia mudanças tão profundas que darão um novo rumo à vida dos Albuquerques. “A noite é escura e cheia de horrores”, anuncia uma série na TV.
Fale com o autor