Sweet Mel

5 Swallowed in the sea


Notas iniciais
Especial

Após a grande novidade de Alice, Mel começou a ver as coisas com "outros olhos", sempre ouvia baboseiras da amiga sobre o suposto Michael, pensava "Por que será que eu não quero isso?", e se achava uma garota estranha visto que a maioria das meninas da sua escola na sua idade, 15, já desenvolvia um interesse sexual pelo sexo oposto, mas com certeza Mel fazia parte da minoria como em toda sua vida.
Saiu da sua reflexão quando ela e Alice foram abordadas por um garoto, Renan, que era uma espécie de super crush da escola.
— Oi meninas, então, vai rolar uma festinha lá em casa amanhã e eu gostaria de saber se vcs querem ir?
As amigas se olharam por alguns segundos como se estivessem conversando e realmente estavam, era incrível a sintonia que elas tinham.
— Aaah então Renan, precisamos ver com nossos pais, mas você pode nos dar seu número ai mais tarde confirmamos — Mel falou pelas duas.
—Aah sim claro, pode me emprestar seu celular? — O garoto perguntou com um pouco de receio.
— Claro.
— Pronto, mais tarde vocês me confirmem. — Sorriu e saiu andando.
Alice que prestou atenção na interação dos dois logo falou em tom de ironia:
— Acho que ele gosta de você.
— O que? Claro que não, nossa não — Respondeu alterando um pouco a voz.
— Ok, ok, não tá mais aqui quem falou — Disse Alice com os braços erguidos em forma de rendição.
Logo era hora de ir pra casa, as amigas se despediram e Mel partiu com seu motorista pra casa.
A garota chegou e estranhamente topou o pai, pois aquele horário ele estaria na empresa.
— Pai, o que vc tá fazendo aqui? -Perguntou com a maior cara de confusa.
— Oi pequena, eu resolvi me dar uma dia de folga. — Sorriu o mais velho.
— Aah ok então, mas o senhor tá bem?
— Estou sim.
Mel apenas acenou com a cabeça e foi subir as escadas quando lembrou da festa.
— É Pai — Chamou atraindo a atenção do Sr Albuquerque — Bom, um garoto me chamou pra ir na festa dele e bem eu queria saber se posso ir? Eu ia pedir pra mamãe mas...
— Um garoto? — Perguntou António cortando a fala da filha.
— É Pai, um garoto, mas ele chamou a Alice pra ir também e ela não quer ir sozinha — Mentira, ela nem sabia Alice iria — então eu posso ir?
O velho encarou a menina por uns 30s.
— Que horas vc vai voltar?
— Eu não sei, mas pretendo antes das 23.
— Hum, ok filha, você pode ir.
— ISSO — A garota correu em direção ao pai e abraçou — Obrigada meu Pai.
Subiu correndo pro quarto e colocou celular no carregador.
"Alice, Alice?" MA
"Oi miga" AM
"Pedi pro meu Pai deixar eu ir a festa e ele deixou" MA
"Sério? Adivinha?"AM
"Seríssimo. Você também vai?" MA
"SIIIIIIIM" AM
"Vamos numa festa" MA
"Vamos" AM
As meninas estavam ansiosas pra irem a primeira festa, Mel confirmou a presença das duas com Renan.
Num passe de mágica o dia do comentado evento chegou e Mel estava ansiosa por querer impressionar inconscientemente Alice, e a recíproca era verdadeira.
A festa estava marcada pra 19 hrs e nesse horário as amigas se encontraram, ao colocar os olhos em Alice, Mel sentiu uma coisa estranha.
Alice estava vestida com um vestido rodado azul claro e nos pés tinha um tênis converse azul também porém marinho, o cabelo estava solto jogado pro lado direito — Vo... Você... — Gaguejava toda envergonhada. — Alice você tá linda — Falou sorrindo.
A menina imediatamente corou e ela sorriu sem graça.
— Você também.
Mel vestia uma camiseta com vários personagens da Marvel p&b, uma calça jeans escura apertada, um tênis preto estilo skatista, seu cabelo estava preso do lado esquerdo.
Mel deu o braço esquerdo e prontamente Alice pegou e elas entraram na festa. Chegando lá viram um bando de adolescentes bebendo e se pegando e bebendo de novo. Logo Renan chegou perto delas.
— Ei vocês vieram mesmo, nossa Mel eu adorei sua camiseta. — O garoto falou empolgado apesar de achar as roupas dela um pouco "masculinas".
— A obrigada.
— Bom podem ficar a vontade.
— Esse cara quer muito te beijar — Alice falou depois que Renan saiu de perto.
— Eu já disse que não tem nada a ver — Falou brava e puxando seu braço.
— Ei ei espera, eu tava brincando.

Mel saiu com pressa e irritada, foi até a geladeira onde achou uma latinha de cerveja.
— Ei Mel, cadê a Alice? — Chegou Renan com um sorriso no rosto.
— Ah não sei, eu não nasci grudada com ela — Falou de uma forma ríspida.
— Claro... É como vc tá?
— Eu tô bem — Deu um sorrisinho — Sua festa tá legal.
— Obrigado, fico feliz que você tenha gostado — Ele colocou a mão no ombro dela mas tirou rapidamente com o olhar que ela deu — Você quer ir lá fora? Tem um balanço legal lá.
— Vamos sim — Mel percebeu que estava procurando Alice — Só me ajude a achar Alice, ela pode querer me procurar.
— Claro.
Eles saíram andando no meio dos adolescentes até encontrar Alice.
— Ei — Mel tocou o braço da outra garota — Eu vou lá fora com o Renan.
— Achei que não tinha nada a ver — Alice falou com toda ironia do mundo.
— Ainda não tem, não sei porque eu vim aqui te avisar — Mel falou com raiva — Aaaah sim já sei, falei pra se você não quiser ficar sozinha nos procurar, já que o fantasma do seu namorado nunca aparece.
— Não fale assim dele — Alice gritou com um ‘q’ de mentira
— Eu falo do jeito que eu quiser de quem eu nunca vi.
Renan percebeu o tempo fechar e tratou de interromper.
— Meninas calma, Mel você já avisou, vamos?
— Vamos.
Os dois saíram da casa e foram em direção aos fundos.
— Garota idiota, e esse namoradinho — Mel andava de um lado por outro — Tenho uma novidade pra você, o nome dele é Michael — Falava imitando a voz da amiga.
Parou de falar e andar quando foi interrompida por Renan.
— Ei ei, calma, relaxa, vocês são amigas, vão se acertar logo — Ele passava as mãos nos braços da garota. — Sabe Mel, eu sempre te achei muito linda, esses seus cachos — Agora passava uma das mãos no cabelo dela — Eles são lindos, eu acho que vou ...
Renan foi se aproximando, Mel não sabia como reagir, nunca tinha beijado ninguém e nem sabia se queria beijar ele.
O garoto tocou de leve seus lábios nos lábios dela que se assustou um pouco mas não recuou, então ele continuou. Durante os segundos que durava o beijo, Mel conversava com a sua vozinha interior:
"Que porra é essa, ninguém nunca me falou que beijar era tão ruim, mds, quando isso acaba? Ai mds ele quer colocar a língua na minha boca, que nojo, socorro, preciso parar"
A garota empurrou Renan com tudo, queria se afastar dele.
— O que você está fazendo? — Perguntou o garoto com uma cara de quem não tava entendendo nada.
— Eu? Eu não te pedi pra me beijar, e não chega perto ok?
— Você é esquisita — Falou e saiu andando pra dentro da casa.
Mel ficou mais um tempo pensando e percebeu que foi meio babaca com Alice. Voltou pra dentro da casa, tinha que achar a amiga. Quando viu Gustavo-um garoto retardado da escola- perguntou pela amiga:
— Gustavo, você viu a Alice?
— Vi, ela acabou de sair achei até estranho porque ela tava na janela e depois foi embora.
"Que droga garota" Pensou Mel
— Ok, valeu cara.
Mel saiu rápido em direção a casa de Alice, até que avistou a amiga andando enquanto passava a mão pelos muros dos prédios e casas.
— ALICE — Gritou a amiga que olhou pra trás.
Mel correu em direção a ela.
— O que cê tá fazendo? Tá tarde pra ir embora sozinha — Falou ainda ofegante.
— Eu não queria atrapalhar os pombinhos.
— Não, para com isso por favor, se ficasse mais um minuto veria que eu empurrei ele pra longe de mim. — Deu um sorriso de redenção
— Você empurrou ele? — Alice estava rindo agora.
— Sim, você devia ter me falado que beijar garotos era ruim.
— Como eu ia falar se nunca beijei? — Sem querer Alice acabou se entregando. — Quer dizer eu...
— O quê? E seu namorado? Aah e falando nele eu queria pedir desculpa por ter falado daquele jeito, ele deve ter uma vida corrida por isso não nos encontramos ainda.
— Mel, eu preciso te falar uma coisa. — Alice estava tensa
— Ok — A garota agora estava curiosa e ao mesmo tempo preocupada.
— Você tem razão, como sempre tem, o Michael ele não existe de verdade, eu o inventei.
Surpresa era o sobrenome de Mel no momento.
— Como assim Alice, você mentiu pra mim? Tipo todo esse tempo?
— Me perdoe, eu estava com conflito interno, na verdade ainda estou, porque o que eu estou sentindo é confuso e assustado
— Espera, eu não tô acompanhando direito, você inventou esse cara por que está confusa?
— Sim, eu sinto uma coisa que as pessoas podem dizer que é errada mas eu sei que não, pprque é tão puro e tão forte.
— Alice, você tá apaixonada? — Mel continuava surpresa.
— Eu acho que posso chamar assim. — Alice tinha algumas lágrimas nos olhos.
— Tá, e 1 por quem você está apaixonada? 2 O que tem a ver com o falso Michael? E 3 por que pode parecer errado?
— Vou começar respondendo de trás pra frente. — Alice estava tensa — 3 Pode parecer errado pra algumas pessoas porque é uma garota, 2 eu inventei ele porque eu queria ver a reação dela, pois eu queria saber se ela também sentia ou se era coisa da minha cabeça, e 1 ela Mel — Naquele momento o coração de Alice estava batendo tão forte que era quase perceptível ouvi-lo. — Essa garota é você Mel, sempre foi, desde a quinta série.

Além do silêncio, a única coisa que se ouvia era o palpitar de dois corações que batiam desesperados por ações e cobertos por dúvidas. “E nossa amizade?” “eu amo ela tanto, mas será que é isso mesmo” perguntas são rápidas e atrasam o que está por vir, ou o que não virá.