Sweet Happiness

24 capítulo 24 Ela nao é uma pedra de gelo como aparenta


Notas iniciais
Bom dia/Boa tarde /Boa noite (depende da sua hora de leitura). Como vocês estão, bem? Eu espero que sim ^^ Devido a surpresinha do capítulo passado, este capítulo está focado totalmente em Cora e Zelena. Eu sei que vocês anseiam ler as reações SQ após aquela bela noite, eu sei que vocês querem saber que rumo levará 'Arielle', eu sei que vocês querem saber o que anda Elsa fazendo com Robin e se Neal morre ou não morre, mas a bombinha que eu deixei na semana passada (?) sobre Zelena e Cora merecia ser explicado com algo muito mais além que um simples diálogo. Então aqui está flashback + continuação do diálogo lá no consultório. E ahhhhh, eu queria/quero agradecer de todo o meu coração [mais uma vez] à Wounded Beast pela linda recomendação, eu adorei cada palavrinha sua, de verdade.

~ Cerca de 21 anos atrás ~

"Era tarde da noite, início de uma sexta-feira. Quase todos na mansão White -que passaria a ser Mills anos mais tarde- já estavam dormindo vencidos pelo cansaço de seus afazeres do dia-a-dia. No entanto como bebês desconhecem os ponteiros de um relógio, a pequena Mills, que logo faria um ano de vida, estava bem acordada com seus olhinhos chocolates bem abertos e suas graças bem ativas para aquele horário. Seus ursinhos de pelúcia vez ou outra conheciam o chão do quarto, já que para a pequena parecia ser divertimento jogá-los para fora do berço e logo ter sua mãe colocando-os de volta com o tom repreensivo de "Regina, não faça isso!" e sem entender, a bebê gargalhava com toda aquela graça que contagiava Cora surpreendendo-se ao estar sorrindo junto da filha, mesmo estando totalmente cansada.

– Regina, meu amor... já chega! Sua mãe tem que trabalhar na prefeitura amanhã. Tenha pena de mim, eu preciso dormir e para isso você tem que dormir também. — dizia Cora bem baixinho beijando a pequena mãozinho da filha que segurava seu dedo indicador enquanto era amamentada.

Cora estava sentada na pequena cama que havia colocado no quarto de Regina para poder ficar com ela durante as noites em que ela acordava agitada e dormir ao seu lado. Seus olhos, mesmo que cansados não deixavam de encarar os olhos castanho intenso da filha iguais que os seus. Sorriu constatando que Regina não se parecia em nada com o pai na aparência. Passou as costas de seus dedos da mão livre pela bochecha redondinha da pequena admirando o quanto aquele serzinho era a coisa mais linda que já tinha visto. Tirou os fios castanhos para o lado removendo da testa da menina. Regina parecia já entregar-se ao sono, mas parecia brigar para isso não acontecer já que toda vez que seus olhinhos começavam a fechar, ela os abria e voltava a succionar. Mas ela não resistiria por mais tempo.

Bocejando, Cora estreitou seus olhos para poder visualizar a hora no relógio em formato de coração plantada em cima da cômoda lilás de Regina. 02h42 am.

– Nossa, já é tudo isso?! — exclamou para sí mesma. Lembrava que havia entrado no quarto de Regina quando era mais ou menos meia noite. Não iria poder dormir o suficiente para poder descansar o corpo, uma vez que teria que estar de pé às 06h15.

Olhou para a menina em seu colo e suspirou aliviada vendo que Regina já estava adormecida em seus braços. Com cuidado moveu Regina de posição a deixando confortável para que quando fosse se levantar não despertasse a pequena. O berço era apenas alguns passos de distância da cama, facilitando assim o trabalho para a mulher. Tirou de dentro do berço alguns bichinhos de pelúcia que não iriam fazer falta, deitando a bebê em seguida. Ajeitou a cabecinha na posição mais correta possível e depositou um beijo na testa da filha desejando-a boa noite. Tratou de sair do quarto deixando apenas a fraca luz do abajur ligada.

O quarto de Regina era exatamente em frente ao quarto do casal Mills, portanto Cora não teria que dar muitos passos pelo corredor e saciar seu sono ao lado de seu esposo; porém uma violenta batida de porta chamou a atenção da senhora Mills. Se ela não estivesse enganada aquele barulho seria a da porta de entrada. Ficou parada diante da porta do seu quarto tentando assimilar o barulho com a causa, entretanto fosse o que tivesse sido, não iria querer saber naquele momento pois seu corpo clamava por cama. Um barulho mais forte acompanhado por coisas caindo e quebrando ecoou pela casa e esse ela não pôde ignorar já que poderia acordar sua filha.

Fechou a porta do quarto que a pouco tinha aberto e seguiu rumo as escadas para ver o que se passava dentro daquela casa. Não poderia ser ladrões já que Storybrooke até aquela época era uma cidade calma e com baixíssimos índices de violência. Pousou sua mão direita sobre o alto do corrimão deslizando por ele a medida que descia degrau por degrau. A mão esquerda era ocupada com o tecido de sua longa camisola que era um pouco erguida para facilitar na tarefa de descer aquela escada. Os longos cabelos castanho escuros e ondulados de Cora caiam sobre seus ombros completando a beleza natural daquela mulher, ainda jovem.

Quando estava no meio da escada, viu o causador daquele desastre na sala de estar. Os sofás estavam desalinhados, o tapete central com uma das pontas enrolada, a mesinha de centro torta e alguns jarros das mesinhas de canto jogados no chão e em pedaços, tendo até, para a sua surpresa porta-retrados de Eva no chão. Parecia que havia passado por alí um terremoto ou um redemoínho.

– Leopold! — chamou quando já estava no meio da sala com os olhos espantados e cheios de perguntas.

Leopold estava sentado no sofá com seus cotovelos sobre suas pernas e a cabeça enterrada entre as mãos. Parecia nervoso e pertubado.

– Vá dormir, Cora.

Quando Leopold falou, Cora pôde perceber que talvez o Prefeito da cidade tivesse ingerido bebida alcóolica no caminho de volta para casa.

– Leopold, o que foi que você fez? Está maluco ou o quê? Você estava bebendo?

O homem forçou suas mãos contra sua cabeça. A voz de Cora parecia perfurar seus ouvidos naquele instante.

– Vá dormir e me deixe em paz. — aquela voz autoritária saiu agoniada por entre seus lábios.

Cora franziu as sobrancelhas. Leopold tínha todo o corpo tenso e estressado e isso ela podia notar pela forma frenética em que ele batia as pontas dos pés no solo da sala.

Já fazia três anos que Eva havia falecido e desde então, Leopold pouco parava dentro de casa por dizer que tudo alí a lembrava e que tudo era doloroso, então segundo ele, aderiu como válvula de escape as noites frías de Storybrooke como amiga, no entanto nunca aparecera tão embriagado e transtornado como aparentava estar naquele momento.

– O que foi que aconteceu, Leopold? Porque você fez isso aqui? — disse abrindo os braços mostrando a 'destruição' da sala. E logo as ocupou em sua cintura.

– Não é da sua conta.

– Aí é que você se engana, querido. — sugou o ar entre os dentes. Impaciente. Efeitos de sua noite sendo perdida. — Quando isso pode atrapalhar meu sono e principalmente o da minha filha, que inclusive só conseguiu dormir agora pouco é muito mais que da minha conta. Se você quer bancar o descontrolado, banque-o na rua.

– A casa é minha! — enjetou sua frustração naquelas palavras subindo o tom de voz ao encarar os olhos de Cora. — Eu faço o que eu quiser nela, pois essa porcaria de casa é minha.

Ao contrário do esperado, Cora gargalhou. Uma risada quase libertina.

– Como você pode ter a pretensão de dizer isso, quando esta casa foi comprada com a ajuda financeira do meu marido? Com a divisão de propriedade? Ai meu caro Leopold, sem nós... Você e sua familia não seriam nada. Sem a influência da minha familia e a de Henry você jamais teria chegado a algum cargo político. Então cale a boca e meça suas palavras quando resolver medir poderes comigo.

Leopold levantou-se enfadonho fechando o punho e olhando para Cora com fúria, e em nenhum momento a mulher retrocedeu. Um pouco alterado pela bebida e pelo peso de um novo problema, o Prefeito preferiu dar as costas respirando fundo.

– Vá para seu quarto, Cora. — pediu forçando sua calma. — Eu arrumarei essa bagunça aqui, cuide de sua vida e tudo estará certo.

Exausta por vários motivos, Cora não quis mais tentar entender aquele homem. Virou-se para sair daquele espaço destruido e ir tentar ao menos descansar por duas horas, mas algo chamou sua atenção quando a porta de entrada se abriu vagarosamente e uma menina pequena ruiva vestida com um shortinho rosa e uma blusa de manga longa branca apareceu.

– Papai? — a voz infantil da menina preencheu o espaço silencioso daquela parte da casa.

Cora tinha os olhos confusos.

E Leopold a expressão fechada.

– Eu não te falei para ficar no carro garota estúpida? — esbravejou o homem mais velho assustando ainda mais a pequena, que logo contorceu os lábios em uma clara evidência de choro anunciado. Saiu correndo dalí.

"Papai" — essa palavra martelava a cada segundo na mente de Cora que por hora parecia ter sido congelada naquela posição olhando para a porta de entrada da casa.

– Leopold... — murmurou o nome do amigo.

– Cora... eu...

– Aquela menina... é sua?

– Cora... escute...

– Responda homem! — exigiu quebrando o seu modo estático e buscando a resposta para o que acabara de ver.

– Escute, ela é problema meu. Esqueça o que viu aqui.

Cora negou com a cabeça saindo daquela sala e procurando aquela menina ruiva que havia saído correndo. Foi para a garagem apressada, precisava confirmar com seus olhos aquilo.

– Cora, não se meta. — Leopold vinha dizendo atrás, mas para ele já era tarde. Cora estava abrindo a porta traseira do carro do prefeito.

A menina estava deitada sobre o banco traseiro chorando caladinha com as duas mãos esfregando os olhinhos e com a respiração agitada soluçando; e quando ela percebeu a presença dos dois adultos se encolheu na parte lateral de dentro do carro olhando com seus olhinhos azuis assustada para cada um.

– Leopold, ela é sua filha? — indagou mais uma vez Cora, sem mirá-lo. Sua atenção estava voltada toda para menina. — ela deve ter uns cinco anos, como pode?

– Seis. Ela tem seis anos. — respondeu seco. Diante das evidências de nada valeria mais negar, pelo menos para Cora.

– Como ela veio parar aqui?

– A mãe dela faleceu alguns dias e eu não sabia o que fazer com ela. Eu ainda não sei.

Se sua capacidade de fazer contas estivesse em bom estado, Leopold havia traído Eva durante esse tempo todo, já que a menina tinha seis anos e Eva só tinha três de falecida. E ele soube esconder muito bem o resultado de sua infidelidade.

– Ela é tão linda. — Tentava aproximar-se da menina que recuava mais ainda a medida que Cora entrava dentro do carro.

– Ela é um problema que eu tenho que me livrar, isso sim. — retrucou ele.

– Cale a boca Leopold, vá para dentro de casa, eu cuidarei da menina.

– Ninguém pode saber que eu tenho uma filha fora do casamento, seria um escândalo municipal. E não era para você estar sabendo disso também, saia desse carro, eu a levarei para algum lugar.

– Vá para dentro de casa e me espere no escritório. — ordenou a mulher sentindo nojo e raiva pelas palavras de Leopold. — Vá agora.

– Quem você pensa que é para falar comigo assim? — enfureceu-se mais uma vez vendo a audácia no tom de voz da mulher de seu melhor amigo.

– Sou alguém que conhece o seu segredo mais podre, portanto o aconselho a fazer o que eu digo, e pare de gritar que assim você assusta mais ainda a menina. — vociferou.

Fuzilou Cora com o olhar sem argumentos algum mediante aquela arma que agora a mulher possuía contra ele. Foi-se obedecendo-a.

– Agora somos só você e eu. — Cora disse sorrindo, tentando mostrar-se amigável. — Fique calma, sim?

A menina nada dizia, olhava Cora com medo. Já não chorava tanto. Mas estar perto de uma desconhecida era algo que a estava assustando.

E percebendo isso, Cora mais uma vez tentou contornar e ganhar a confiança daquela ruivinha tão linda. Nem mesmo ela sabia porque tinha tanto interesse na pequena.

– Não tem o que temer minha criança, eu só quero saber como você está. — ela quis tocar na menina, mas regressou o gesto quando viu a ruiva encolher-se mais ainda. — Eu não vou machucar você. Olha, vamos começar de novo, certo? Meu nome é Cora e o seu?

A garotinha olhou para Cora desconfiada. Enxugou as lágrimas do rosto parecendo agora ceder um pouco.

– Zelena. — disse por fim, com o timbre de voz fraco e receoso.

– Oh, Zelena. — Cora desenhou um singelo sorriso arrastando-se um pouco mais para perto da menina, que quase parou a respiração com a aproximidade. Cora percebeu. — Certo, próximas demais, né?

A menina balançou a cabeça positivamente.

– Você sabia que é uma menina muito bonita?

– Sim. — respondeu simplesmente deixando que seus olhos agora curiosos percorressem por toda aquela mulher estranha a sua frente.

– Hum, quer dizer que você é conciente de sua beleza?

– Eu sou con... quê? — perguntou a pequena confusa.

– Conciente. Bem, vamos simplificar... — girou a mão no ar buscando palavras. — Eu queria dizer que você já sabe que é linda. Muito linda. — aumentou o grau de elogio.

– Minha mãe disse que eu sou a menina mais linda de todo o mundo.

– E ela não mentiu. — inclinou a cabeça para o lado. O que Leopold disse sobre a mãe da menina caiu-lhe com pesar agora vendo a menina dar um meio sorriso ao mencionar a mãe. — Você sabe o que aconteceu com sua mãe?

A pequena Zelena assentiu baixando o olhar.

– Ela 'tá dormindo com meu anjinho da'guarda. Agora ela me protege ao lado dele e para isso ela precisa dormir e ficar invisível igual ele, mas eu não queria isso, eu queria que ela ficasse comigo. Eu sinto a falta dela. — disse com a voz baixinha e chorosa colocando a cabeça por cima de seus joelhos flexionados. Os cabelos ruivos fazendo cortinas pelas laterais do rosto.

Cora engoliu a seco, sentindo um nó na garganta.

– Mas ela sempre vai ficar com você.

– Vai? — ergueu a cabeça fitando os olhos castanhos de Cora.

– Vai sim, você mesma disse que ela está com seu anjinho. Aposto que ela deve estar aqui conosco e não deve estar nada satisfeita vendo a menininha dela assim tão tristonha.

– Ela está aqui?

– Uhum, e sabe onde mais ela está?

– Onde?

Cora aproximou-se da menina e como dessa vez ela não recuou, aproveitou esse espaço concedido e levou a mão ao coração da pequena.

– Aqui. — disse apontando para o orgão. — Ela sempre estará aqui e mais... toda vez que você sentir seu coração bater lembre-se que sua mãe está e estará te amando a cada segundo mais e mais.

– É sério? — os olhinhos da menina se abriram deixando os olhos azuis em destaque.

– Sim, sério.

– Então ela me ama muito porque meu coração bate toda hora. — sorriu tocando o peito esquerdo sentindo o coração bater bem forte.

– E assim será por toda a sua vida. Sua mãe reafirmando o quanto ama você em cada batida de seu coração.

– Eu também amo ela.

– Ela sabe disso meu bem.

Zelena abriu um largo sorriso e Cora perdeu-se admirando-o. Era a coisa mais linda sorrindo. Sua mão subiu tocando o rosto da menina e acariciou a bochecha rosada da menina.

– Eu tenho uma bebê, gostaria de conhecê-la?

– Uma bebê? A senhora também é mamãe? — aquela informação pareceu animar a pequena ruiva.

– Tenho. Sou mamãe como a sua mamãe. Vem comigo?

A menina assentiu e Cora saiu do carro primeiro estendendo a mão para que Zelena a pegasse e para a surpresa de Cora, o que ela fez foi erguer os braços em sua direção. Tinha como negar? Impossível negar colo para aquela menina que merecia e necessitava de tanto carinho, princialpalmente nessa nova etapa de sua vida.

Pegou Zelena nos braços e voltou com ela para dentro de casa.

– Hey, para onde é que vai com ela? 'Tá doida?

Leopold apareceu saindo de dentro do seu quarto enquanto Cora levava Zelena para o quarto de Regina.

– Vou levá-la para descansar no quarto da minha filha.

– Porquê? O que pensa que está fazendo, Cora?

– Eu sei o que estou fazendo. — disse muito segura. — Vá para o escritório que já desço para falar com você.

– Cora... — sua voz saiu como um alerta.

– Não se preocupe, porque agora seu segredo é meu segredo também.

E dito isso Cora entra de volta no quarto da filha fazendo o mínimo barulho possível para não acordar a bebê que dormia do mesmo jeitinho que havia sido deixada uma hora atrás.

Colocou a menina em cima da cama, a deitando.

– É melhor você dormir, amanhã... Bom, quero dizer, daqui a pouco... daqui a pouco te apresento Regina como se deve, está bem?

– Mas eu não estou com sono tia Cora. — remungou a ruivinha, sendo traída por um bocejo.

– Ah sim, estou vendo que não. — brincou puxando o cobertor por cima do corpinho de Zelena. — Durma só um pouquinho, eu virei cuidar de você mais tarde.

– A senhora vai cuidar de mim?

– Eu vou.

– Promete?

– Prometo.

– Posso contar um segredo? — perguntou e Cora assentiu. — Eu gostei de você. — disse deixando-se ser dominada pelo sono.

Inclinando um pouco o corpo, Cora beijou a testa da ruiva e sussurrou:

– Eu também gostei de você, pequena.

Olhou para menina adormecendo e logo também aproveitou para olhar a filha no berço. Pelo menos nisso Regina herdou do pai, depois que dormiam poderia haver o apocalipse que nem o dedinho do pé eles moveriam.

– Agora me explique tudo e é bom que me diga a verdade. — exigiu Mills assim que entrou no escritório da planta debaixo da casa.

Leopold revirou os olhos enfadado.

– Resumirei o suficiente. — começou a dizer. — Há sete anos atrás Conheci Sofía Müller, uma dançarina de boate muito requísitada pela beleza e desenvoltura em cada show que apresentava em cada noite. Gostei muito dela assim que a ví e não foi dificil levá-la para cama depois.

– Ou seja... Mesmo com Eva viva você a enganou com outra?

– Eu amava e continuo amando Eva, mas um homem tem suas necessidades carnais e Eva já estava fría comigo nesse quisíto.

– E essa dançarina foi a mãe de Zelena? — foi ao ponto que queria. Não queria enrolar na conversa pois estava atenta aos primeiros raios de sol e logo seu esposo estaria acordando. Portanto queria saber apenas os pontos principais.

– Sim, Sofia Müller foi a mãe de Zelena.

– E qual foi a causa da morte dela?

– Um violento câncer de mama. — respondeu pesaroso. — E eu não sei o que fazer com essa menina sendo que nem familia ela tem, porque Sofía era orfã.

– Você registrou ela com seu sobrenome?

Leopold sorriu com desdém.

– Você acha que eu iria fazer isso?

– Pois faça. — disse séria.

– O quê?

– Iremos em um cartório da cidade vizinha e você vai registrar a menina com seu sobrenome.

– Você só pode estar louca pensando que vou fazer isso. E em seguida o quê? Apresentá-la como minha filha em uma conferência pública? Faz-me rir, Cora. Faz-me rir.

Exibindo um sorriso superior, Cora aproxima-se de Leopold perigosamente e diz paulatinamente:

– Iremos em um cartório e você irá registrar a sua filha com o seu sobrenome para que você me entregue com sua assinatura uma procuração na qual você me cede toda a responsabilidade da menina em sua ausência até que ela cumpra a maioridade e mês após mês você irá depositar uma quantia em uma conta no nome dela na qual eu mesma irei criar e cuidar.

O prefeito tinha uma expressão caricata. Um pouco espantado pela forma firme que falava Cora e um tanto desacreditado do que estava ouvindo.

– Eu não farei nada disso. O que farei será levar essa menina para um internato na Inglaterra e pronto... resolvido meu problema.

Cora mais uma vez abriu aquele sorriso superior.

– Você fará isso sim. Sabe porquê? Porque eu quero. Porque eu quero cuidar daquela menina, porque eu me responsabilizarei por ela e se não fizer isso eu pego a estrada para Boston e vou correndo dar a notícia a Mary. Notificá-la de que além de ter uma irmãzinha pequena e linda, seu papai adorado enganou a mamãezinha tão pura dela. Já imaginou a decepção que ela irá sentir não só por você ter feito de idiota a mãe que ela tanto preza a memória como também escondeu dela uma irmã? Acredito eu que ao contrário de você, Mary não deixará esse assunto por debaixo do tapete. Ele irá exigir o teste de paternidade e logo isso cairá na boca do povo... E oh! como isso poderia ser ruim para o seu mandato, não é? O que dirão seus fiéis eleitores ao descobrirem que o bondoso e respeitado Leopold White é um homem que não respeita as éticas de um casamento tradicional e um pai insensível que escondeu por seis anos a filha que teve privando-a de tudo que por direito é dela? Nossa, seria um desastre. — o sarcásmo estava vivo em Cora e a raiva mais que ardente nos olhos de Leopold.

Mexer com a vaidade de Leopold sempre lhe era um ponto favorável em qualquer discussão e naquela altura de trocas de olhares entre Leopold e ela, já sabia que a vitória era sua.

– Você não seria capaz. — rosnou entredentes.

– Até parece que não me conhece, querido. — debochou.

– O que você ganha querendo ficar com essa menina?

– Não sei, talvez a maternidade tenha me dado esse sentimento de proteção... Vai saber. Ou pode ser que comigo eu esteja assegurando que toda essa história não escape. Encare isso como uma ajuda para você mesmo.

Vendo-se completamente sem armas para contra-atacar as exigências de Cora, decidiu-se pela melhor escolha, na qual sairía com menos agravantes.

– Dê um jeito de esconder a menina até o meio dia de hoje. Pedirei para minha secretária marcar um horário na cidade mais próxima e lá faremos o que você pede, e amanhã ligarei para meu advogado e logo terá a procuração. Faça o que quiser com ela, contanto que eu não tenha que vê-la mais uma vez, e quanto a conta bancária, assim que você a fizer darei um jeito de automaticamente todo mês cair uma grande quantia de dinheiro para você cuidar do que ela necessitar. — rendido e cansado, ele conclui saindo do escritório.

Completamente vitoriosa, Cora sai em seguida também.

Na manhã seguinte, sem mais ninguém dentro da casa a não ser pelas empregadas e a babá de Regina, Cora vai bem cedo comprar algumas roupas e calçados para o tamanho de Zelena. E quando chegou, tratou de dar banho na maior enquanto a babá cuidava da bebê. Alimentou a ruiva e a arrumou para que quando desse o horário marcado saíssem para o cartório. Não foram mais que duas horas de viagem, e como o horário já havia sido marcado antes, as procedências de um registro cívil não demoraram para entregá-lo pronto.

Quando deu 17h daquele dia, Henry ainda não havia chegado, portanto foi fácil esconder Zelena no quarto da babá que ficava na planta de baixo. E nada parecia fora do normal naquela casa quando Henry chegou ao lado de Leopold. Apenas duas pessoas sabiam de alguma anormalidade e claro, alguns empregados, mas estes não eram malucos o suficiente de falarem algo já que a regra era clara entre eles: Ninguém via, falava ou escutava nada naquela casa, o que era dali ficava ali.

Seguindo o próximo dia, a procuração foi assinada tanto por Leopold quanto por Cora. E apartir dali, Zelena era responsabilidade da senhora Mills.

– Leopold, preciso daquela casa de campo. — Cora disse sem hesitar.

– Para que você a quer?

– Será lá onde Zelena irá viver até quando eu achar necessário.

– Por mim. — deu de ombros abrindo a gaveta de sua mesa e entregando as chaves da casa. — Faça bom proveito.

– Com certeza. — sorriu pegando o molho de chaves.

As semanas se passaram e Cora começava a viver duplamente, por assim dizer. Não podendo estar com Zelena todo o tempo, contratou uma babá de tempo integral para que ficasse com a menina.

Logo a escola chegou e a menina crescia rapidamente e muito inteligente assim como a sua própria filha, Regina. E mais e mais Cora se afeiçoava à aquela ruivinha.

Quatro anos se passaram voando, e em um determinado dia, melhor dizendo... no dia do décimo aniversário de Zelena, Cora foi presenteada pela jovenzinha da maneira mais gostosa que poderia ser, embora o dia de presentes deveria ser exclusivamente para a ruiva.

– Então... Você gostou? — perguntou esperando a resposta da menina de olhos azuis.

– É para mim mesmo? — estava maravilhada com o presente alí estacionado no jardim da casa.

Cora havia comprado uma bicicleta mediana com cestinha florida e pintada na cor azul celeste como tanto a menina gostava.

– Todinha para você. — sorriu ao ver o largo sorriso da pequena. — Parabéns meu amor. — abraçou a jovenzinha.

– Obrigada mamãe, eu adorei. — disse eufórica.

"Mamãe"

– Você... me chamou... de mamãe? — estava tão emocionada e tão supresa ao mesmo tempo. Foi tão gostoso ouvir aquilo vindo de Zelena para ela.

– Ahm.. Foi. — respondeu agora desconcertada. Saiu tão naturalmente que nem havia se dado conta. — Eu fiz mal? É que... eu sempre quis chamá-la assim, mas...

Cora voltou a abraçar. Dessa vez com mais carinho e bem mais força.

– Eu adorei.

– Mesmo? Eu posso chamá-la assim sempre?

– Sempre que quiser, filha.

– Tudo bem então, mamãe."

*SH*

[...]

– Assistente petulante essa sua hein. — murmurou.

– Se você não chegasse querendo arrombar minha porta talvez fosse melhor tratada. — sorriu aproximando-se da mulher mais velha e a abraçando com muito carinho afagando seus cabelos castanhos, e não demorou para ser correspondida da mesma forma. — Que saudades eu senti de você, mamãe.

– Eu também sentí, querida. Mas nós precisamos conversar.

– Hum... você já descobriu não é mesmo? — desfez o abraço e convidou para sentar-se junto a ela no divã ali no canto da sala.

– Você não acreditava mesmo que eu iria demorar para descobrir, não é?

– Talvez.

– Lena. — seu tom muito bem conhecido de repreensão apareceu. — Pare com isso.

– Parar com o quê?

– Eu sei o que você está tentando fazer. Já conversamos sobre isso a uns anos atrás, não me faça repetir tudo o que te disse quando você insistiu nesta mesma idéia maluca.

Zelena comprimiu os lábios.

– Mas que coisa, mamãe. — resmungou ao rolar os olhos. — Eu já não aguento mais isso.

– Pare de querer se aproximar de Emma.

– Isso é injusto. Eu já não aguento mais ter elas tão próximas de mim e não poder dizer à elas a verdade. Elas tem o direto de saberem que nós três temos o mesmo sangue. Que somos da mesma familia. Quero olhar para Mary e chamá-la de irmã e olhar para a Emma e cuidar dela como uma tia cuida de uma sobrinha e me desculpar com ela por ter chegado tarde na vida dela.

– Mas foi você que não quis aparecer para elas quando Leopold morreu. Eu te dei a liberdade de ir atrás do que é seu. — apontou a primeira dama cansada pelo discurso melancólico da doutora.

– Ah e sair como a herdeira interesseira? Porquê é muito conveniente a filha escondida aparecer justamente quando o pai morre para receber a herança. — ironizou. — A única forma que eu encontrei foi tentar ser amiga da Emma.

– De qualquer forma não se apresentar a elas foi uma escolha sua. A questão é que essa história não deve ser desenrolada... e você sabe muito bem o porquê.

– Não será assim tão fácil me fazer voltar atrás, principalmente agora que eu cuido da gravidez da Regina e falando nisso... Já aceitou que vai ser avó?

Cora estreitou os olhos.

– Zelena.

– O que foi? Inevitavelmente o filho da Regina é seu neto... nem venha com essa cara. Você não me assusta Cora Mills.

– Você sabe que eu não quero esse neto.

– Desculpe o que irei dizer mãe, mas seu querer não diz nada. Nessa semana ela virá para mais uma consulta. Iremos fazer alguns exames para ver como estar o bebê... Não sente curiosidade de saber como seu netinho está?

– Eu não me importo. — disse fría.

– Quem não te conhece que te compre, Cora. — brincou a ruiva, mas no mesmo instante assumiu ar sério prosseguindo: — Eu acho que sou a única pessoa que a conhece como realmente você é, e você não é essa pedra de gelo toda. Sei que bem aí no fundo do seu coração você quer o bem dessa criança que está chegando, e que só estar agindo dessa maneira seca, porque se sentiu traída por Regina não ter confidenciado a você coisas da vida dela, como eu fiz com você. Coisas que mãe e filha fazem juntas. Como dizer o nome do primeiro amor, dizer como foi a experiência do primeiro beijo ou da primeira relação sexual. Por ela não ter dito a você sobre a gravidez assim que soube e ter deixado que por um descuido você mesma descobrisse. Você até ficaria com raiva.. isso eu não duvido, mas certamente não iria fazer aquele pedido de tirar o bebê, que eu sei que você se arrepende disso, ah! como eu sei e nem adianta negar. — fez uma pequena pausa colhendo ar. — Então como você achou que Regina não te considerou como mãe para tudo isso, você quis revidar não a mais querendo como filha para os próximos passos dela, mas acontecesse que você continua nos passos dela... Se não você não estaria aqui.

Quem visse não acreditaria, mas os olhos de Cora estavam levemente molhados. E ao dar-se conta disso, ela tratou de desfarçá-los. Mas Zelena já tinha visto.

– Você está enganada quanto à isso, querida. Eu só vim alertá-la dos perigos das idéias malucas que você vem construindo na sua cabeça com relação as Swan. E que nessa história você é que mais irá sair ferida.

– Ou será que é porque você teme que descubram que foi você a mulher que me amou e cuidou de mim todo esse tempo e que a primeira dama não é assim um iceberg como todo mundo imagina? Ou será que é medo de pensarem que Leopold e você mantiveram um caso às escondidas para juntos guardarem um segredo desse tamanho? Não quer manchar sua reputação, Cora?

Cora sorriu fracamente.

– Você o odeia tanto que nem percebe que você chega a ser a cópia dele.

– Como?

– Seu pai, querida. A cada dia seus trejeitos lembram mais os dele, até o mesmo tom de irônico. — levantou-se recolhendo sua bolsa. — Eu já vou, tenho outras coisas a fazer.

– Não vai me pedir para passar Regina para outra doutora? Pensei que tivesse vindo para isso também.

Já abrindo a porta da sala de Zelena, Cora suspira e diz:

– Se terei mesmo um neto, que ele seja ao menos cuidado por mãos confiáveis.

Finalizando isso, saiu da sala.

E alí, Zelena deu um meio sorriso constatando o que já sabia muito bem, mas poucos ou quase ninguém tinha conhecimento. Cora não era a pedra de gelo que aparentava.