Sweet Happiness
36 Capítulo 36 - Uma possível interessante amizade
Notas iniciais
– Regina, que saudades de você! — diz ele atrevendo-se a tocá-la no rosto.
– O que significa isso? — perguntou afastando a mão dele. — O que ele está fazendo aqui? — perguntou para Belle, que parecia ser a mais nervosa e incomodada com a presença de Graham dentro da casa.
– Regina, eu... ele simplesmente apareceu aqui pedindo para falar com você. — tentou explicar, e era verdade mesmo. Quando estava se despedindo de Ariel ainda na varanda foi tomada completamente pelo susto ao ver de longe Graham se aproximando da casa e mais ainda quando este exigiu falar com sua amiga, mesmo ela explicando sobre a ausência da morena até então, porém isso não o deteve afirmando que a esperaria nem que fosse sentado nos degraus da varanda.
– Precisamos conversar, meu amor. — diz ele.
– Nós não temos nenhum tipo de assunto comum para conversarmos, tudo o que precisava ser dito aconteceu a meses atrás.
– Eu entendo que esteja chateada comigo pelo que houve, mas eu vim me explicar com você, tentar consertar as coisas. — ele a olhou com uma expressão abatida tentando mais uma vez tocá-la, e mais uma vez sendo repreendido por Regina, que afastou-se dele ficando ao lado de Belle.
Quando Regina viu Graham sentiu-se surpresa e impactada pela presença inesperada dele dentro da casa, pois imaginava que nunca mais teria o desprazer de cruzar com ele novamente em sua vida em uma esquina qualquer e que dirá na casa de Belle.
Toda a mágoa e repulsa regressaram com força quando ouviu ele a chamando de "meu amor" tão livremente e tão descaradamente como se tudo estivesse da mesma maneira que antes. Sentiu-se enojada com esse termo carinhososo direcionada à ela por ele, por que claramente Graham já não tinha mais o direito de usá-los com ela.
– Temo que não haja explicações e muito menos conserto, Graham.
– Mas há sim. — rebateu ele. — Eu estou arrependido pela forma que eu agí com você e... e com o nosso filho. — deixa seus olhos cairem sobre a barriga de Regina e sorri brevemente emocionado.
– Pouco me importa se você está arrependido ou não, você fez a sua escolha quando foi embora da cidade me deixando completamente inconsolável, não dando a mínima para o que eu sentiria e enfrentaria dalí para frente. — disse diretamente nos olhos dele com passos firmes e frieza. — Você fez a sua escolha quando sugeriu que eu tirasse o meu filho, você escolheu ter sua participação na minha vida e na do meu filho apagada quando disse que nossas carreiras eram muito maiores do que o nascimento desta criança, então não ouse dizer nosso filho novamente, porque esse bebê que cresce aqui dentro de mim é meu, somente meu, você já não tem nada haver com o meu filho!
– Não fale assim comigo, Regina... eu tive os meus motivos, eu estava assustado. Nunca planejei ser pai assim tão cedo, eu não estava pensando direito... eu fui preciptado.
– Você não foi preciptado, você foi covarde, um cafageste, estúpido e não vai ser só por que você reapareceu dos infernos que eu vou fingir que nada aconteceu.
– Eu te amo, Regina, acredite em mim. — declara ele voltando a dar mais passos para frente.
Regina riu incrédula pelo que estava ouvindo.
– Me ama? Suspeito que você não saiba nem o significado da palavra amor, Graham. — riu em desdém.
– É claro que eu sei, eu sinto... eu sinto quando estou perto de você, me sinto novamente como aquele garoto que tirou você para dançar naquela festa. Olha isso! — ele pega a mão de Regina e a coloca sobre seu peito. — Meu coração só bate assim por você, eu continuo te amando e sei que você também me ama, só está magoada comigo. Mas eu posso consertar as coisas.
Regina ficou em silêncio encarando fixadamente os olhos castanho de Graham. Deu um pequeno sorriso lateral.
– Sabe o que eu acho, Graham?
– O quê?
– Que você deveria fazer algumas visitas ao cardiologista por que isso aqui é ansiedade e não amor. — retira a mão com força dando as costas para ele.
– Eu amo você! — diz ele mais uma vez.
– Isso é problema seu e não meu!
– Mas você não negou quando eu disse que você ainda me ama. — disse sentindo-se esperançoso segurando-a de leve pelo braço fazendo com que estejam cara a cara novamente.
– Ah isso?! eu nem tinha reparado. — sorri ironica soltando-se dele. — Sinto lhe informar meu querido, mas eu não amo você, e para ser sincera eu acho que nunca cheguei a te amar de verdade.
– Você está mentindo! — ataca pondo-se nervoso.
– Iluda-se então.
– Temos uma história!
– Não temos não, e se tínhamos acabou! Você mesmo escreveu o último capítulo dessa história e afirmo que ela não há e nunca haverá uma sequência.
– Eu não posso acreditar, e sabe por quê? Por que temos uma conexão que nos ligará para o resto de nossas vidas querendo você ou não, eu sempre estarei presente na sua vida. Eu fiz esse bebê em você, ele possui meu sangue... ele também é responsabilidade minha e você não vai me impedir de participar no crescimento dele. Eu estou disposto a reconquistá-la, enfrentar a sua familia e pedí-la em casamento como eu deveria ter feito. Eu voltei por você, Regina, por nós... por nossa família! Não faça as coisas serem dificieis.
– O que eu não acredito é nos absurdos que eu estou sendo obrigada a ouvir, você acha que eu sou o quê para você me destruir, fugir e voltar assim do nada que é só estalar os dedos, abrir esse sorriso e chegar com um par de desculpas que eu vou pular em seus braços passando uma borracha em tudo? Você está inteiramente enganado, meu querido! E pare de usar o meu filho como um método de aproximação, isso não vai funcionar e não invente de tentar me reconquistar porque para você isso já é tarefa impossivel, outra pessoa já me conquistou, outra pessoa já tem meu coração e é somente para essa pessoa que eu irei voltar sempre para os braços, então pare de dizer insanidades.
Graham fechou os olhos alguns instantes passando a mão pela barba rala desenhada no rosto. Abriu-lhes e para a sua infelicidade compreendeu que aquela Regina era uma Regina completamente diferente da garota que era apaixonada por ele e ele por ela. No entanto desistir não era uma opção para ele.
– Você me ama, eu sei disso e eu vou lutar por nosso amor e dessa vez eu não irei a lugar algum. — retruca.
Dito isso ele dá dois passos para trás dando meia volta e saindo da casa sem dizer mais nada.
Regina encara a porta por onde ele acabara de sair boqueaberta.
– Isso só pode ser uma grande palhaçada que o universo está fazendo comigo porque não pode ser possivel tantas desgraças estejam recaindo sobre mim em um único final de semana. — coloca as mãos no quadril visivelmente frustrada. — Você viu isso? Eu realmente tenho que aturar isso também?
– Eu estou tão espantada com a aparição dele quanto você, Regina. — diz Belle soltando ar. — Mas mais ainda, eu estou espantada com a sua reação.
Regina a olha sem entender.
– Por que diz isso?
– Eu imaginei que você talvez iria ser mais branda com ele, já que vocês tiveram algo...
– Ele não merece nenhum tipo de brandura de minha parte, e além disso, o que tívemos no passado foi apagado completamente da minha mente quando ele me deixou sozinha. E também... — ela sorriu um tanto boba no final.
Belle a olhou esperançosa, conhecia aquele sorriso.
– E também...? — quis saber.
– Eu não tenho tempo e nem espaço mais para me preocupar com Graham, embora a presença dele me deixe completamente desconfortável, eu não vou me importar com ele, apenas me importarei efetivamente com duas pessoas. Meu bebê e com... Emma.
– Oh minha nossa... — Belle saltou com alegria. — Você...
– Sim, eu pensei bem, e meu lugar é ao lado da Emma, independente dos problemas que poderemos enfrentar, independente do que aconteceu, independente de tudo, é ela quem eu amo de verdade. E eu não serei estúpida ao ponto de deixá-la escapar de mim. — diz, orgulhosa de sí própria.
– Oh Regina, eu fico tão contente por você, aliás por vocês duas. — diz isso ao mesmo instante em que a abraça. — Mas tem algo que está me inquietando.
– E o que seria?
– Você saiu com sua mãe tem algum tempo e ainda não me disse nada sobre o que houve entre vocês duas. — disse, e podia-se ver a apreensão refletida através dos olhos azuis de Belle.
– Vamos para o seu quarto que eu te conto tudo, preciso tomar banho e descansar um pouco. — entrelaça seu braço com o de Belle da mesma forma como faziam quando eram pré-adolescentes caminhando por entre os corredores da escola. Essa recordação fez Regina sorrir com ternura. — Onde está seu pai, aliás?
– Advinha...
– Vergara.
– Uhum, exatamente!
Sorriram cúmplices e embora Belle estivesse apreensiva com o que poderia vir tanto pela presença de Cora como o retorno de Graham, ver Regina muito mais leve e tranquila lhe dava a certeza de que as coisas poderiam encontrar seu ponto de encaixe e dar-lhes enfim a tão felicidade desejada e merecida.
*SH*
Ruby estava inquieta, olhando sem parar a tela do celular buscando de minuto em minuto alguma notificação, alguma mensagem, alguma chamada, algo que indicasse onde poderia ter se enfiado o cabeça dura do seu irmão.
Haviam combinado de se encontrar em frente ao hotel onde o rapaz estava hospedado, contudo Graham já estava a mais de duas horas atrasado causando imensas preocupações na irmã. Ela já tinha perdido até as contas do número das chamadas que tinha feito para o número do irmão e de quantos mensagens havia mandado perguntando onde raios ele estava, e não havendo resposta nem por um lado e nem para o outro, sua única alternativa foi sentar e esperar não importando-se com o tempo que isso poderia levar.
Olhou mais uma vez para o relógio digital do celular vendo que faltava pouco mais de vinte minutos para as onze horas da noite, resmungou uma promessa de morte ao irmão se ele a fizesse esperar mais uma hora alí.
E foi olhando para o celular que ela se fixou na foto de bloqueio de tela. Não soube o que sentiu exatamente.
A foto estampava os rostos sorridentes de Killian, Emma, Regina e o dela própria em uma selfie que ela mesma tirou no dia da inauguração do restaurante.
Suspirou passando o indicador pela imagem de cada um dalí principalmente no de Emma. Gostava tanto de cada um alí, eram como se fosse seus irmãos, tinha tanta confiança e lealdade nesses três.
Killian era tão sem juizo como ela e ao mesmo tempo tão singular, tão diferente e especial. Emma era sua grande amiga, confiava nela cegamente, sentia um amor incondicional por ela. Regina era a mais séria, mas a mais sensível e possuia uma sinceridade sem igual, a adorava sem medidas, mas aparentemente esses três, ou melhor dizendo essas duas, não a viam da mesma forma. A amizade parecia não ser recíproca, pois ao saber que Emma e Regina estavam juntas sentiu que essa confiança e essa lealdade construídas nessa amizade de tantos anos eram apenas vía única, vía que somente ela percorria.
Foi nas configurações de tela do celular e removeu a foto.
Ao erguer os olhos viu Graham entrando mais mal que bem pela porta dupla do hotel, obviamente ele tinha bebido.
– Graham, onde você estava? Sabe a quanto tempo eu estou te esperando seu idiota? — perguntou se posicionando na frente dele e logo sentiu o cheiro forte de bebida.
– Maninha! — ele sorriu largamente anestesiado. — Você é tão... azul!
– Azul?! Ai meu senhor, sério que você estava bebendo, Graham? Eu estava preocupada por você! — diz, ajudando-o a caminhar e acompanhando-o na subida das escadas que levaria até o quarto onde estaria ele instalado.
– Me desculpe. — diz ele sentindo-se tonto. — Espera, espera... eu preciso me sentar. — ele abaixa-se sentando em um dos degraus da escada.
– Vem Graham, vamos para o seu quarto, não podemos ficar aqui largados nessa escada. — tenta puxar o braço dele na tentativa de reeguê-lo, mas dada a resistência, isso era uma tarefa perdida. — Okay, vamos nos sentar aqui. — desiste sentando-se no mesmo degrau ao lado dele. — O que aconteceu para você estar assim nesse estado deplorável?
Ele deixa a cabeça cair encostada nas grades do corrimão da escada.
– Regina.
– Você foi atrás dela? — pergunta parecendo estar chateada.
– Eu tinha que ir.
– Não tinha não, você me prometeu que não iria atrás dela, poxa vida Graham, você é um retardado mesmo. — revira os olhos.
– Me deixa, tá legal?! Eu precisava vê-la. Precisava tentar me explicar.
– Explicar o quê? O que você fez não tem explicação.
– Ruby!
– O quê? Não é porque você é meu irmão que eu vou passar a mão na sua cabeça e dizer que você é a vítima dessa história.
Ele balança a cabeça.
– Eu a amo.
– Você tem que esquecê-la. — diz séria. — A única coisa que você tem que fazer é arranjar um bom emprego, dar seu nome para o bebê e ser presente como pai em tudo, por que agora sua única responsabilidade é o filho de vocês. Regina já não te ama, esqueça-se dela.
– Que raiva, Ruby, de que droga de lado você está afinal? — pergunta exaltado tropeçando em suas emoções e no efeito do alcool, permitindo que seus olhos se enchessem de água.
– Eu estou do lado do que eu acho correto. — diz dando de ombros.
– O correto é ela estar comigo, só comigo!
– Ah vá, pensasse nisso antes de dar uma de passarinho e voar para longe quando a possibilidade de ser pai surgiu, agora é tarde meu querido! Vem, levanta dai, eu vou te ajudar no banho.
– Sabe o que ela disse? — perguntou ignorando o que a irmã disse. — Ela disse que o bebê é só dela e que eu nunca vou ter participação na vida do nosso filho, me proibiu até de dizer que o filho é nosso... Ela não me quer perto do bebê, Ruby. — choramingou
– Mas isso é um cúmulo, independente do que aconteceu, você é o pai do bebê e a lei garante os seus direitos, olha, fica tranquilo... eu vou resolver isso por você, agora é sério, vamos para cima, por que você já tá pagando mico nesse chororô todo. — diz puxando-o para cima e agora obtendo sucesso já que ele resolvera ajudar.
– Obrigada, maninha. — ele passa o braço por sobre os ombros de Ruby. — Quando eu vou... poder voltar para casa?
– Eu não sei, você sabe, vovó não quer ver a sua cara tão cedo, ainda mais que você veio acompanhado... então as coisas ficam muito mais complicadas pra você.
– Vocês mulheres... tornam tudo complicado. — resmunga ele.
Ruby rir dando uma cotovelada no irmão.
– Cala a boca que você fica mais bonitinho assim.
– Eu também te amo, maninha.
*SH*
– Você ainda não me disse onde esteve durante essa manhã.
– Eu fui na casa da Valentina. — responde Anna sem olhar para Elsa.
– É mesmo? Que curioso então Valentina ter me ligado e perguntado pela senhorita. — diz entrecerrando os olhos com a clara mentira dada por Anna.
Anna dar de ombros ainda com os olhos postos na TV mudando aleatoriamente de canal, sem disposição alguma a dar atenção à Elsa.
– Então eu não estive com Valentina, fim de história.
Elsa vai até o fio da tv puxando-a da tomada e encarando Anna com um olhar bastante sério e irritado.
– Onde você estava Anna?
– Não é do seu interesse onde eu estive.
– Você está sendo grosseira.
– E você está sendo mentirosa. — acusa em tom seco.
Elsa a fulmina.
– Do que é que você está falando?
Anna suspira, levanta-se do sofá entregando o controle remoto da TV à Elsa e diz:
– No caso, é você quem tem que me dizer e não eu. Vou dormir, não posso chegar atrasada amanhã na aula, tenha uma boa noite. — passa o dedo cuidadosamente sobre o pequeno corte feito no lábio inferior da loira. — Tome cuidado ao fechar a porta, pode ser que você se machuque de novo, não é mesmo?!
– Anna...
– Até amanhã, Elsa. — diz já entrando no quarto.
Desde que Anna chegara por volta do meio dia, Elsa notou a irmã diferente, distante, consumista com as palavras e sem falar que mal a olhava diretamente. Isso não era o normal de Anna, era totalmente o oposto.
Passou as mãos por dentro dos cabelos respirando fundo e jogando o controle da TV em cima de um dos sofás, resolveu que o melhor era tentar dormir também e pensar nos muitos problemas que a rondavam na manhã seguinte, e isso incluia Anna também.
No entanto mudou de idéia quando viu que ainda era onze e meia da noite. Não ira conseguir dormir nesse horário, o que lhe proporcionaria muitas voltas em cima da cama e uma mente bem ativa.
Decidiu então que iria caminhar um pouco, sem pôr o casaco, afinal adorava o frio, ainda mais acompanhado com os mistérios da noite. Sentia que o frio e ela tinham muitas coisas em comum, eram dois fenômenos naturais solitários e aparentemente pouco desejados pelas pessoas.
Saiu do apartamento dando de cara com a vizinha de frente que também estava acabando de sair do seu.
– Boa noite. — diz Rose terminando de vestir-se com o casaco e a encharpe no pescoço.
– Boa noite, hum... Rose, não é verdade? — pergunta tentando ser educada.
Ambas estavam esperando pelo elevador.
– Sim, Rose. — diz sorrindo de leve. — E você é Elsa, certo?
– É, sou eu.
– Hum... acertei então.
– Acertou sim.
Quando o elevador abre as portas, Elsa oferece espaço para que Rose entre primeiro.
– Você vai sair assim sem nenhum tipo de proteção contra o frio? — perguntou ao constatar que Elsa usava apenas um short de tecido social preto e uma t-shirt feminina branca bordada.
– O frio não me incomoda. — diz apoiando-se contra o espelho do elevador quando ele começou a se mover. — E você para onde vai?
– Vou na farmácia comprar um rémedio para combater a gripe da minha irmã.
– Ah é verdade, você tem uma irmã... qual é a idade dela?
– Ela tem 11 anos.
– Ahh entendi, bem pequena ainda.
Rose concorda balançando a cabeça.
Ficam em silêncio até que o elevador abra as portas novamente.
– Você sabe me dizer se tem alguma farmácia aqui por perto? É que eu não quero deixar a Rafaela muito tempo sozinha.
– Rafaela? Você está se referindo a sua irmã?
– Sim, ela mesma. — diz apertando-se com o casaco.
– Tem uma a duas quadras de distância daqui, se você quiser eu posso acompanhar você.
– Eu adoraria muito. — sorri verdadeiramente. — Só que eu não quero atrapalhar você.
– Não estará atrapalhando em nada, eu mesma estava indo apenas caminhar para encontrar o sono.
– Ah então sendo assim, vamos logo de uma vez.
– Vamos, cuidado aí com o degrau. — diz apontando para os degraus finais da calçada ao já estarem fora do prédio.
– Ah obrigada. — agradece.
As ruas estavam vagamente molhadas por causa da breve chuva que tinha caído durante a noite, o que acasionou mais frío ainda e muito mais pessoas buscando refúgio e calor dentro de suas casas deixando as ruas completamente desertas e silenciosas, a única coisa que se ouvia por entre as ruas era o som dos passos de Elsa e Rose.
– Não acredito que você não esteja se incomodando com esse frio todo.
– Eu gosto do frio, já me acostumei com ele, então meu corpo sabe recebê-lo bem.
– Isso é estranho.
– Eu sou estranha. — solta Elsa com pesar tendo as mãos metidas dentro dos bolsos da frente do short.
– Por que diz isso? Não acho você estranha, acho essa sua falta de incômodo ao frio estranho, mas você não é. Seus olhos denotam mistério. Isso, você não é estranha, é misteriosa.
Elsa solta uma risada baixa.
– Nota-se mesmo que você não me conhece.
– Então deixe-me conhecê-la, ué.
– Não queira se arriscar a tanto, posso ser uma pessoa misteriosa do pior tipo.
– Não acho isso. — a olha de perfil. — O que houve com seu lábio?
Elsa olhou para Rose na dúvida se dava meia verdade ou se usava a mesma desculpa que deu para a Anna.
– A Farmácia é ali em frente. — apontou quando chegaram em um cruzamento. — Não é a melhor que temos nesse bairro, mas é a mais perto do nosso prédio, com certeza deve ter o medicamento que você procura, às vezes compro alguns aqui para a Anna quando ela fica molinha.
– Sua irmã é um encanto.
– Ela é, e é também meu maior orgulho. — sorri emocionada, falar de Anna sempre mexia com ela.
– Eu imagino. — Rose sorri.
Elas entram dentro da farmácia. Enquanto Rose indicava ao farmaceutico o que queria, Elsa observava com cuidado sua vizinha. Era estranho conversar com alguém assim tão desconhecido e sentir-se tão bem com pouca coisa. Viu Rose sorrir abertamente para o senhor atrás do balcão quando este mostrou a caixinha do medicamento, e sem notar sorriu também. Rose tinha um sorriso tão sincero e tão bonito.
– Prontinho, vamos? — chamou Rose mostrando a pequena sacolinha.
– Vamos sim. — puxou gentilmente a porta de vidro da farmácia para que Rose passasse primeiro.
Rose achou graça da atitude de Elsa.
– Espera! — Rose parou no meio do caminho fazendo Elsa parar também.
– O que foi? — perguntou estranhando.
Rose desatou a encharpe do seu pescoço e aproximou-se da loira de olhos azuis quase invadindo seu espaço pessoal.
– Eu sei que você não se incomoda com o frio, mas às vezes o frío não é benevolente conosco. — passa a encharpe ao redor do pescoço de Elsa. — Não quero que fique doente.
Elsa fica sem jeito com a proximidade da outra, podia sentir o perfume de Rose por meio do tecido da encharpe ou talvez era a aproximação exagerada entre as duas.
– Não precisa se preocupar comigo. — diz afastando-se.
– Eu sei, mas mesmo assim quero que se proteja e não estamos abertas a discussões. — pisca o olho voltando a caminhar.
Elsa semicerra os olhos com falsa irritação, mas por incrível que parecesse aquilo a fez sorrir com sinceridade.
Voltaram o caminho todo conversando assuntos comuns como o cuidado que ambas tinham com as irmãs. Antes de chegarem ao andar onde moravam no prédio, Elsa descobriu que Rose na verdade é psícologa e morou em Nova York, porém nasceu em Storybrooke. O fato de Rafaela estar morando com ela se dava aos motivos de os pais não confiarem na filha mais velha morando sozinha sem algum tipo de responsabilidade além dela mesmo, então concordaram em deixar Rafaela nas mãos de Rose.
– Bem, chegamos!
– É, chegamos. — diz Rose com um suspiro. — Obrigada por ter me acompanhado, foi muito bom!
– Digo o mesmo.
– Então, boa noite! — diz abrindo a porta do apartamento. — Nos vemos em breve!
Elsa concorda.
– Tou apostando nisso. — diz e surpreende-se ao ouvir-se. — Boa noite Rose.
Elsa entra no apartamento com um ligeiro sorriso nos lábios. Ficou segurando a maçaneta da porta por uns segundos a mais refletindo no que viveu nessa noite.
– Rose. — sussurrou o nome da vizinha baixinho.
Virou-se pondo-se a caminhar pela sala de estar e surpreende-se ao passar de frente a um espelho redondo posto na parede e ver que ainda carregava a encharpe de Rose envolta do seu pescoço.
Retirou a peça admirando-a.
Resolveu que devolveria para Rose somente na manhã seguinte, assim teria uma boa desculpa para interagir com a nova vizinha novamente.
Talvez nesse mundo onde sentia-se solitária e menosprezada, poderia encontrar uma amiga.
Uma amiga chamada Rose Castillo.
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