Sweet Happiness
35 Capítulo 35 - O dia seguinte
Notas iniciais
– Anna?! — Emma diz baixinho surpresa por ver a garota alí sentada no chão aparentemente adormecída com as costas apoiadas contra a porta do apartamento.
Com as chaves na mão sacudindo-as levemente e com os olhos postos em Anna, Emma agacha-se em frente à menina questionando-se mentalmente o que a irmã de Elsa poderia estar fazendo alí daquela forma tão cedo e o que ela poderia estar querendo com essa aparição.
Fechou os olhos brevemente soltando um gemido de insatisfação ao seguir a lógica e concluir que Anna só poderia estar alí se fosse para falar de Elsa, pois com os sucessos da noite passada e a sua rápida visita na casa das Frozen, não poderia esperar outra coisa se não a irmã menor vir intercerder por Elsa.
Emma esfregou as têmporas já sentindo a sua pouca paciência que restara acabar de vez. Não estava com nenhum humor para ter que enfrentar uma possível recriminação e um castelo de argumentos de defesa vindo de Anna sobre Elsa uma hora daquelas.
Pousou uma das mãos sobre o ombro da garota sacundindo-a levemente a chamando e assim que Anna acordou apressou-se em se pôr de pé passando as mãos pelas roupas tratando de arrumá-las.
Ver Emma na sua frente a fez ter conciência de onde estava e o porquê.
– O que você faz aqui, Anna?
– Eu... Eu preciso falar com você, Emma. Você teria uns minutos para mim?
– Eu não sei, Anna, eu não sei se é uma boa idéia uma conversa uma hora dessas, eu estou cansada e bem estressada.
– Eu sei, me desculpe ter vindo assim, mas eu realmente preciso saber algumas coisas, então não vi outra alternativa para isso, por favor eu serei breve e não tomarei muito do seu tempo. — diz seguindo Emma, que naquele momento acabara de destrancar a porta adentrando o apartamento.
Emma retira os saltos os jogando em um canto da sala, abre os três primeiros botões da camisa e prendendo o cabelo em uma liga transparente. Era notável o quão estava exausta.
Suspirou cedendo.
– E o que espera então para começar? — pergunta seca, não que quisesse verdadeiramente ser grossa com Anna, mas os acontecimentos da noite passada ainda refletiam em sí.
– É que... eu... eu sei que você estava na minha casa horas atrás, sei que estava com minha irmã no quarto dela e eu ouvi boa parte do que foi dito lá dentro e ouvi também o que você fez à ela. — o tom de voz de Anna não era acusatório, era um tom receoso e duvidátivo, o que fez Emma olhar para Anna com mais cuidado de atenção.
– E o que ela fez à mim você ouviu? Porque eu espero que sim.
– Eu ouvi vocês repetindo muito a palavra video, e pareceu que a minha irmã mostrou não sei para quem esse video e você ficou aborrecida por isso, mas onde isso faz sentido? Porque você agrediria a Elsa por causa de um video bobo? Qual é o problema disso?
Emma riu fraco negando com a cabeça não acreditando no quão ingênua Anna podera ser.
– E porque ao invés de perguntar diretamente para ela você teve todo esse trabalho de se deslocar de sua casa para vir até mim? Acredito que perguntando à ela seria muito mais fácil para você.
– Acredite, eu tentei. — Anna se acomoda em uma cadeira próxima. — Quando você saiu, eu esperei ela sair do banho para falar com ela, mas quando eu apareci no quarto dela, ela não se importou em ser grossa comigo ao me expulsar e exigir que eu a deixasse em paz, e sinceramente, não sou uma pessoa muito paciente quando necessito de respostas ainda mais quando isso se trata da Elsa, pois toda essa situação me preocupa. Então minha única alternativa foi vir até aqui!
– Hum, compreendo.
– E então?
– Primeiro me diga o que é que você sabe exatamente.
– Emma, eu não sou burra, não é porque vocês parecem querer maquiar as coisas que eu não posso exergar além disso. Desde que a Elsa disse que gostava de meninas, muitas coisas clarearam na minha mente e muitas hipóteses eu levantei sobre essa garota que ela estava apaixonada, e de todas que eu avaliei mentalmente, você foi a mais próxima, até porque ela não é uma pessoa que cultiva muitas amizades, mas com você foi diferente e ontem, ontem ela estava com uma cara de boba apaixonada quando deixou escapar o seu nome e sorriu...
– Queira resumir e chegar de uma vez ao ponto, por favor. — interrompeu Emma cansada daquela enrolação.
– Ah, sim... Hum... Eu sei que a minha irmã está apaixonada por você.
– Não é amor o que sua irmã sente por mim, é capricho. Por que pessoas que amam outra não fazem o que ela fez, não ferem como ela me feriu sem nem medir consequências.
– E o que exatamente que ela fez? — perguntou confusa e triste pela forma enojada que Emma se referia à sua irmã.
– Anna, sua irmã usou de artíficios baixos para me separar de Regina e ela conseguiu, desgraçadamente ela conseguiu, e eu fui na sua casa apenas para deixar bem claro que jamais voltaria a ter alguma coisa com ela, nem que ela apronte contra a minha felicidade centenas e centenas de vezes, nada nesse mundo me faria voltar a tocar em Elsa.
– Espera, espera... O quê? Separar você e Regina? E ahm? Voltar a ter algo com a minha irmã? Vocês já tinham tido algo, é isso? — lança as perguntas sentindo-se perdida entre uma página e outra naquela confusa história.
– É isso sim, eu estive com Elsa durando uns três meses, e aparentemente ela não superou isso, culminando na maior dor que meu coração já sentiu ao grande êxito que ela teve em me separar de Regina. Elsa é surpreendente, querida, e não digo exatamente para o lado bom.
Anna balança a cabeça mais ainda confusa.
– Mas não pode ser, quando foi isso? E o que a Elsa fez exatamente? E desde quando você e Regina tem algo, vocês não eram tipo melhores amigas e essas coisas? Você nunca sentiu amor por minha irmã?
Emma suspira mais uma vez, cansada.
– Nunca amei a Elsa, sempre amei a Regina e somente a Regina e quanto ao que a Elsa fez, você vai ter que descobrir isso com a própria.
– E por quê?
– Por que ao contrário da sua irmã, eu não jogo baixo... Não quero deturpar a imagem que você tem da Elsa, se for para que você descubra quem é ela de verdade, que seja por ela mesma ou por outra pessoa, mas não por mim.
Emma foi sincera, poderia sim se quisesse contar com riqueza de detalhes o que Elsa fizera, mas naquela história já tinham pessoas envolvidas demais para ter que trazer mais uma para esse lamassal que Elsa construiu, no qual se contasse não iria favorecê-la em nada e só machuraria a outra jovem, que de nada tinha haver com as atrocidades da irmã. Se Anna um dia descobrisse, não seria por intermédio de sua boca.
Por outro lado, Anna insistiu:
– Não Emma, eu preciso muito entender o que está aconteceu e está acontecendo, eu me preocupo com a Elsa e eu quero ajudá-la se por um acaso ela ainda tentar meter-se na sua vida, quero ajudá-la a superar você, não sei, conversar com ela, talvez aconselhá-la a ir em psicólogo, eu não sei, mas para isso eu preciso entender o que aconteceu.
– Não insista Anna, eu não direi, procure saber por outros meios, mas quer um conselho? Evite saber, vai ser melhor para você. E quanto a ajudá-la, faça isso. Leve-a em um ótimo psicólogo, ponha a sua irmã nos eixos, pois se ela continuar assim, os outros é que vão colocar e acredite, não é com palavras doces e conselhos construtivos que os da rua fazem. — levantou-se indo até a porta e abrindo-a. — Agora vá, eu preciso descansar, por favor.
Sentindo frustrada, Anna desiste e assente.
– Tudo bem, Emma, eu entendo, mas obrigada mesmo assim, eu tentarei ver o que eu faço.
Emma força um sorriso maneando a cabeça e quando Anna sai, ela dirige-se ao quarto tratando de tirar a roupa para tomar banho.
Levou um tapa de realidade ao entrar inteiramente dentro do quarto e sentir o perfume de Regina muito presente envolvê-la.
Sentiu que se demorasse mais alí iria derrubar-se mais uma vez em lágrimas e ela não queria isso, não queria mais chorar, não queria mais torturar-se. Regina havia pedido um tempo para pensar, e ela cedeu. Então da mesma forma, ela o faria. Iria dar um tempo de Regina de sí, iria tentar evitar pensar tanto nela, sofrer tanto por ela, e principalmente chorar por ela; Iria tentar viver nesse meio período sem Regina, sem as lembranças que iriam persegui-la, manobrando a dor e desviando a tristeza que tentariam assombrar o seu coração.
Mas iria tentar.
Iria tentar viver sem a presença de Regina.
*SH*
Eram quase 8h da manhã daquele domingo quando David acordou incomodado pelas dores nas costas provocadas pela péssima noite em que fora obrigado a passar no sofá da sala.
Resmungou ao levantar-se esticando a coluna nomeando a esposa por alguns nomes não muito agradáveis por ter permitido que ele passasse a noite no sofá em vez da cama.
Na noite passada ao chegarem em casa, Mary não quis nenhum tipo de conversa entrando de imediato no quarto e trancando a porta dizendo que precisava ficar sozinha.
Não tendo outra opção, e por mais que tivesse tentado conversar com a esposa, David rendeu-se ao sofá completamente frustrado por já não ser mais tão jovem para aguentar comodamente aquele tipo de situação.
Olhou o relógio de pulso percorrendo os olhos pelo apartamento e constatando que Mary ainda estava no quarto, e a confirmação disso foi o barulho de coisas sendo remexidas dentro do quarto do casal e a porta que parecia estar entreaberta.
Moveu-se indo até lá afim de verificar se Mary havia amanhecido melhor e já estava aberta à uma conversa decente, no entanto ao afastar a porta e ver o que estava acontecendo alí dentro, juntou as sobrancelhas querendo entender o porquê de sua esposa ter sobre a cama três malas abertas preenchendo-as com suas respectivas vestimentas e objetos importantes.
– O que você está fazendo?
– Arrumando nossas coisas. — respondeu simplesmente sem parar o que estava fazendo.
– Para quê exatamente?
– Vamos voltar para a Itália. — responde.
– O quê? — pergunta desejando muito que aquilo fosse uma brincadeira.
Mary pára respirando fundo e vira-se de frente para o esposo. Os olhos levemente avermelhados e inchados indicavam que ficara acordada boa parte da noite.
– Eu estive toda a noite pensando sobre tudo o que aconteceu e sobre tudo o que Emma me disse, palavras que me feriram profundamente e que não sei se um dia poderei esquecer, e então conclui que foi realmente um erro termos voltado para cá, David. Emma aparentemente não precisa de nós e isso é tão claro que ela foi capaz de esconder-nos coisas como aquelas e ainda dizer com firmeza tudo o que ela disse. Ela nos quer longe, ela já sabe muito bem o que quer da vida, não precisa de mim, até porque a cada passo que em todo esse tempo eu tentei dar para me reaproximar dela, eram dois ou três que ela dava para trás. Vamos voltar para a nossa casa ainda hoje.
– Você só pode estar brincando, Mary... De onde você tirou que Emma não precisa de nós? É claro que ela precisa, somos os pais dela e principalmente agora é que temos que estar com ela. Eu também estive quase toda a noite pensando sobre o que aconteceu e vi que fomos pesados demais com ela, e que certamente ela está muito machucada com o que houve, então devemos nos mostrar compreensíveis e tentar conversar com ela para que possamos entender o que de fato aconteceu.
– Não David, eu tentei ser compreensiva com ela esse tempo todo e o que eu ganhei? Indiferença! A nossa filha é indiferente aos nossos sentimentos, às nossas preocupações e às milhares de vezes que tentamos reconquistá-la. De que valeu termos voltado? De nada valeu. Nós a perdemos, David. A perdermos quando a deixamos aqui em Storybrooke e agora vejo que é tarde demais para obtê-la de volta... Ela transformou-se em uma mulher totalmente diferente do que eu desejava que ela fosse e a prova disso foi ontem. Emma se relaciona com mulheres e isso é totalmente ao contrário do que eu queria para ela.
David riu sem humor colocando as suas mãos sobre o quadril, não estava acreditando no que Mary estava dizendo.
– Você está querendo dizer que somente porque Emma não é a mulher que você esperava que ela fosse devemos abandoná-la? Mais uma vez?
Mary fecha uma das malas colocando de frente ao guarda-roupa e trata de fechar a outra também.
– Não estamos abandonando-a, estamos dando o que ela quer. Ela não pediu para você me levar para bem longe dela? Assim faremos. — diz dando de ombros.
David entrecerra os olhos aproximando-se da cama pegando as malas e tratando de desfaze-las jogando as roupas e tudo o que tinha dentro para fora não importando-se onde caíam.
– Hey, o que você está fazendo? — pergunta Mary empurrando David.
– Você está sendo estúpida, Mary Margaret. — vocifera ele. — Não vamos a lugar algum, não vamos repetir o mesmo erro de anos atrás, não dessa vez. Eu não permitirei!
– Abaixe o tom de voz comigo, David. — diz Mary chateada pelo alto tom de voz usado pelo esposo contra ela.
– Tudo o que você disse é um absurdo sem tamanho, se Emma freia qualquer aproximação conosco é unicamente culpa nossa, nós traímos a confiança dela nos ausentando por tanto tempo da vida dela. Erramos em ter deixado ela aqui, eu errei ao ter dado ouvidos a você e ter deixado que minha filha crescesse longe dos meus olhos, mas dessa vez não. Dessa vez eu não irei deixar Emma para trás, não quando eu sei que ela precisa de mim, e queira acreditar ou não, ela também precisa de você.
– Então porque diabos ela não diz isso? Porque razões ela não me permite me aproximar dela? Abraçá-la e dizer que eu a amo e que quero cuidar dela? — diz aos gritos perdendo o controle.
– Porque você está fazendo errado, e agora mais ainda querendo sair mais uma vez da vida dela. Quantos anos você tem, Mary? Até parece que você quer competir com ela, fugir nunca foi a solução certa para se resolver os problemas, ainda mais quando isso se diz respeito aos filhos, à nossa única filha.
Mary deixa-se cair sentada na cama trastornada entregando-se a um sofrido choro descontrolado.
– Eu não sei como acertar com Emma, tudo o que eu faço para ela parece absurdo e abusivo demais, eu sei, eu fui exagerada e usei mal as palavras ontem com ela, mas me entenda, David, Emma é o fruto do nosso amor, como ela pôde deixar-se envolver por esse tipo de coisa mundana? Eu sempre sonhei em ver a minha filha casando de branco na igreja com um homem respeitoso e digno da nossa menina e depois netos. — deixou um sorriso lateral se formar. — Sim, netos preenchendo a nossa casa com os risos, brincadeiras e tudo isso que as crianças fazem. Sempre sonhei com Emma sendo feliz.
David passa a mão pelo rosto sentando-se ao lado da esposa aquietando-se e tentando ser mais compreensível com ela, mas sem deixar de colocá-la na linha certa.
– Não sei como e nem quando Emma começou a se interessar por garotas, não sei nem exatamente quando foi que ela passou a deixar de brincar com bonecas e passou a usar batom, trocar os vestidos por calças, trocar o jeitinho de menininha para falar como uma mulher segura de sí, não sei mesmo, e lamento muito por isso, mas eu sei que independente do que ela tenha se tornado hoje, se ela se interessa por rapazes ou moças, ela ainda continua sendo o fruto do nosso amor, nossa filha. Ainda é a menina que eu passei a amar como nunca assim que eu a tive em meus braços a primeira vez; ainda é aquela loirinha que acreditava que magia era quando o algodão doce sumia dentro da água em poucos segundos, você lembra disso? — sorriu enxugando as lágrimas de Mary. — Independente das escolhas que ela fez hoje, ela ainda é a Emma, a nossa Emma. Nosso leãozinho que precisa de nós dois ao seu lado, mesmo não admitindo e nos enxotando. Então porque abandoná-la mais uma vez quando temos a possibilidade de fazer dessa vez tudo diferente com ela? Hum?
Mary deixou a cabeça cair no ombro de David suspirando fundo.
– Você sabe que vai ter que arrumar toda essa bagunça que você fez, não é mesmo?
David riu vendo a esposa ceder aos seus argumentos. Passou a mão carinhosamente pelo braço dela.
– Contanto que seja para recolocar de volta nos seus lugares anteriores, estarei muito feliz em poder fazer isso.
Mary ergueu a cabeça e de um jeito todo gentil pousou seus lábios sobre os de David.
– Obrigada por existir na minha vida. Eu amo tanto você.
– Eu também amo você, Mary, mesmo algumas vezes você me dando enormes dores de cabeça.
Ela rir.
– E é porisso que te amo mais ainda, por conseguir me suportar, mesmo eu sendo uma pessoa completamente dificil e chata.
– Eu sei disso. — sorri convencido.
Mary revira os olhos voltando a apoiar-se em David.
– Me desculpa?
– Eu desculpo, mas você sabe que não é propriamente à mim que você tem que pedir desculpas, não é?
– Eu sei, e eu estou com medo disso. — confessa.
– Faremos isso juntos.
Mary assente.
– David? — chamou erguendo a cabeça e fitando os olhos azuis do esposo.
– Sim?
– Talvez... nós ainda possamos ter netos. — diz sorrindo.
– Ah sim?
– Uhum, só devemos esperar que as coisas se acertem corretamente. — diz, e por incrivel que parecesse ao aceitar a realidade sentia-se mais leve consigo mesma. — Agora, trate de arrumar a bagunça que você fez, senhor todo enfurecido. — bate de leve na perna de David levantando-se e indo até a mala fechada e a abrindo.
– Como queira senhora toda complicada e chata.
Trocaram olhares e risos contentes de que por mais que tenham passado mais de vinte anos de casados ainda nutriam e mantinham amor e compreensão da mesma forma quando ainda eram apenas dois novatos na dificil tarefa de levar um relacionamento adiante. E que ainda ao olhar um para o outro tinham a plena certeza de que jamais poderiam ter esse êxito no matrimônio se tivessem feito outras escolhas.
*SH*
– Um reino por seus pensamentos. — Ariel diz à Belle acariando gostosamente a mão da namorada.
Belle sorri docemente.
– Meus pensamentos não valem tudo isso minha vida.
– Creio que sim, você estava fazendo aquela carinha de quando algo te deixa chateada, como aquelas planilhas que você faz sempre do restaurante.
– Eu só estou preocupada com Regina. — diz.
– E não é para menos, foi horrível o que aconteceu ontem... Sabe o Jeff? Encontramos ele desmaiado na salinha de produtos de limpeza, ele disse que vieram dizer que Emma estava precisando da ajuda dele e daí ele já não lembra de mais nada do que ocorreu depois. Pensamos até em chamar a polícia, mas Emma achou melhor não, pois já tinhamos atenção demais sobre o restaurante.
– Ao menos não apareceu nenhuma nota no jornal de hoje mencionando sobre o ocorrido, nunca agradeci tanto aos céus por Regina ser filha do Prefeito e assim contar com a ajuda dele.
– Você falou com ele? Como ele está sobre tudo isso? Ele já com Regina? — dispara Ariel.
– Não falei diretamente com ele, falei com August pedindo ajuda quanto a isso, e aí August falou com o Prefeito que teve a delicadeza de ligar pessoalmente para o dono do jornal pedindo que ordenasse que nenhuma nota sobre o que aconteceu no restaurante fosse publicado e aqui temos. — ergueu o jornal mostrando que em nenhuma página tinha algo escrito sobre o escândalo do video. — É um problema a menos, graças a Deus! E sobre o pai da Regina eu acho que ele ainda não entrou em contato com ela, talvez esteja esperando a poeira baixar.
– Hum... Entendi! Talvez seja isso mesmo. — diz. — Agora mudando um pouco o rumo da conversa, eu tenho uma proposta para fazer para a senhorita. — disse animada saindo da mesa indo até a sala de estar e pegando a bolsa.
Belle observou atentamente a namorada ir e vir toda empolgada. Gostava muito do jeitinho todo espontâneo que Ariel tinha todos os dias, não importando-se com que tipo de problemas estas estivessem enfrentando.
Ariel sentou-se no colo de Ariel estendendo um panfleto com letras gigantes escrito "Férias".
– O que é isso meu amor?
– Ofertas de viagens. — responde sorrindo.
– E porque você tem um panfleto de ofertas para viagens? Pretende viajar?
– Pretendo nos levar à uma viagem. Uma viagem romantica no próximo mês, o que acha? Olha tem pacotes bem acessíveis para lugares incríveis, amor.
– E por que no próximo mês?
– Porque no próximo mês iremos fazer quatro meses de namoro e eu queria comemorar com você em um lugar especial, ainda mais que estamos de férias da faculdade, achei muito oportuno. — responde virando o rosto e beijando com amor os lábios de Belle.
Belle acaricia de leve a perna da namorada.
– Deixe o panfleto aqui comigo e depois eu verei com cuidado e atenção sobre isso, está bem?
– Só se você prometer que vai pensar com carinho. — diz a ruiva fazendo biquinho
– Eu prometo pensar com carinho e com amor.
Ariel sorri satisfeita e beija mais uma vez os lábios de Belle.
Moe pigarreia ao entrar na cozinha se deparando com os amassos do casal.
– Bom dia. — diz ele todo gentil, não se incomodando nenhum pouco com as demonstrações afetivas trocadas entre sua filha e Ariel.
– Bom dia, pai. — diz quando o homem a beija no rosto.
– Bom dia senhor French. — Diz Ariel quando Moe bagunça seus cabelos ruivos como sempre que fazia quando se juntava à ele naquela casa.
– Vejo que acordaram feito beija-flor. Isso é bom, amor de jovens é bom de se ver. — diz sentando-se à mesa enchendo uma xícara com café. — E onde está a outra? Já tomou café?
– Ainda está no banho. — responde Belle.
– Ah como é bom ter a casa cheia de jovens bonitas. — sorri amavelmente. — Dá até outra cara na casa, outro aspecto...muito bom mesmo!
Ao terminarem de tomar café, Moe sai para caminhar como toda manhã na agradabilíssima companhia da senhora Vergara e logo Belle juntamente com a Ariel trataram de limpar a cozinha e acertarem o cardápio para o almoço.
Um tempo depois Regina aparece na cozinha usando roupas leves e o cabelo levemente molhado.
Parecia estar um pouco melhor depois do banho.
– Olá, meninas.
– Oi Regina, bom dia, você me parece melhor do que ontem.
– Eu também acho que sim. — suspira sentando-se. — Acho que para o momento eu só precisava mesmo era tomar um gostoso banho e trocar de roupas.
– Hum... Entendi, olha eu preparei uma vitamina do jeito que você gosta, tem torradas prontas na mesa. E é bom que coma, pois existe mais alguém aí que precisa ficar forte. — aponta para barriga da morena.
– Obrigada, Belle. Querendo ou não eu tenho que comer mesmo. — agradece. — E Ariel, como vai você?
Ariel que estava até aquele momento lavando a louça, vira-se rapidamente para responder a amiga.
– Eu estou indo bem, Gina, e olha, é mentira da Belle, porque quem fez a vitamina para você fui eu.
– Olha só... mas que dedo duro! — Belle sorri em bom nivel.
– Ué, você que quer tomar os meus créditos sua espertona. — mostra a língua.
Belle revira os olhos.
– Obrigada então Ariel, está do jeito que eu gosto mesmo e quero agradecer também por ter ido pegar para mim algumas roupas no apartamento da Emma.
– Sem problemas.
Belle arrasta uma cadeira para perto de Regina adotando uma expressão suavemente séria. A olhou de forma analítica confirmando que a amiga estava internamente lutando contra seus próprios sentimentos, contudo de uma forma completamente diferente da luta que ela havia travado na noite passada, essa parecia ser uma luta contra sí mesma, contra suas palavras, contra seus pensamentos, contra seus reais desejos, impulsos e principalmente contra seu próprio coração. Era fácil para Belle desvendar Regina apenas com olhar, pois quando se tratava de sentimentos, Regina ficava completamente transparente. Vê-la calada e com os olhos baixos indicava que algo a atormentava; quando fechava os olhos com força, ficava claro que era um pedido mudo para que essa tormenta desistisse de incomodá-la.
No entanto essa tormenta tinha nome e sobrenome, um corpo, olhos verdes e um grande espaço no coração da filha do prefeito, e tanto Regina como Belle tinham plena conciência de que essa tormenta jamais desistiria de Mills e tampouco, falando com toda a sinceridade, queriam que isso acontecesse.
Regina ergueu os olhos encontrando os azuis de Belle sobre sí. Não era preciso perguntas, a constatação era evidente.
– Você sabe que eu te amo muito, não é mesmo?! E que independente do que decida eu estarei aqui para apoiá-la, certo? — fez a pergunta docemente aproveitando para acarinhar a mão de Regina, que apenas assente adquirindo um breve sorriso lateral. — E que também estarei aqui para oferecer meus abraços e querendo ou não dando minha opnião sem desrespeitar as suas, não é?! Então poderia me responder por que você pediu esse tempo quando vejo nitidamente você lutando contra sí mesma para não ir agora mesmo ao apartamento de vocês duas?
– Eu não quero falar sobre isso agora, me desculpe. — desvia o olhar.
– Fugir do tema não é uma opção, Regina. Aliás, fugir dos problemas nunca foi Regina Mills. Você nunca deixou nada mal resolvido, essa não é a mulher que eu conheço. Esse tempo que você pediu para Emma foi realmente necessário? Por que eu temo que não. Você sempre soube o que quis, sempre esteve certa dos seus passos, bem localizada, sempre muito ponderada...
– Belle, uma coisa não tem nada haver com a outra... eu ainda sei muito bem o que eu quero e o que eu espero, no entanto o meu coração precisa respirar, eu preciso digerir tudo o que aconteceu e pela segunda vez em um curto espaço de tempo o meu mundo desabou diante dos meus olhos, e reeguer-lo não é uma tarefa de apenas algumas horas, então sim, esse tempo que eu pedi foi e é realmente necessário. Por favor, faça apenas como você disse, apenas me apoie, não me questione... não posso te dar respostas que todavia não as tenho.
Belle aperta de leve a mão de Regina retirando-a em seguida assentindo o pedido da amiga.
– Está bem, Regina, seja como você preferir. — disse ela.
– Obrigada, de verdade!
– Ah deixe-me te contar, conheci ontem a sua obstetra. — sorriu travessa.
– Zelena?
– A própria e olha, você não exagerou em nada quando disse que ela era uma mulher bastante bonita e atraente.
– Quem é bastante bonita e atraente? — pergunta Ariel pondo-se ao lado de Regina enxugando as mãos com o pano de prato e encarando a namorada com um olhar inquisitivo.
– Aparementemente minha obstetra. — Regina disse divertindo-se com a carinha séria que Ariel estava estampando no rosto, não era segredo para ninguém o quanto a ruiva poderia ser ciumenta com Belle, porém nada além do que pudesse resultar boas risadas posteriormente.
– Ah sim? — pergunta Ariel.
– Eu apenas estou confirmando os muitos elogios que vossa senhorita Regina Mills direciona à ela. — diz tranquilamente adorando ver a carinha enciumada da namorada. As vezes quando ficava sozinha reflexionando sobre a própria vida, demorava a acreditar que tinha mesmo conseguido ter para sí a menina que sempre amou e mais inacreditável ainda era ser correspondida de igual totalidade. Sorriu puxando Ariel para o seu colo, que em nenhum momento resistiu. — Ela é tão misteriosa. — disse ainda referindo-se à Zelena.
– Você achou? Eu também acho ela bem misteriosa, mas mais que toda a beleza que ela traz fisicamente, ela é uma mulher incrivelmente fabulosa. — disse Regina.
– Ela é bastante gentil e sabe em quê eu mais reparei também? Ela tem um grande carinho e cuidado com Emma.
– Ah isso é verdade. — confirma Ariel. — Ontem ela não saía um segundo sequer do lado da Emma e quando a Emma do nada saiu em desparada para fora do restaurante, Zelena foi atrás dela no segundo seguinte. Elas estiveram aqui?
– Estiveram sim. — respondeu Belle brincando com os fios desfiados da saia jeans de Ariel.
– Então sobre o restaurante... — Regina murmura tentando desviar o assunto.
– Ah sim, vamos reabrir as portas amanhã pela manhã em horário comercial e veja... — pega o jornal posto sobre a mesa e estende a Regina. — Conseguimos evitar pelo menos alguma nota sobre o escândalo do video.
– Hum... ao menos isso. — suspira folheando o jornal.
Minutos depois, Moe regressa bem mais corado e com um ligero sorriso de satisfação desenhado nos lábios. Sempre era assim quando retornava de suas caminhadas ao lado da Senhora Vergara.
– Êh meninas ainda estão enfurnadas nessa cozinha?! Vocês deveriam estar na praia aproveitando o belo dia que faz lá fora e não aqui dentro. — diz ele, sentando-se também em uma das cadeiras. — Bandeirinha da China pegue um copo de água para mim, por favor?
Ariel entrecerrou os olhos para o sogro ao ouvir o apelido que ganhara pelo próprio. Embora fizesse pose, adorava a forma carinhosa como Moe implicava com ela. Atendeu o pedido indo até a geladeira e enchendo generosamente um copo com água para ele.
– Esse apelido é novo para mim, antes não era pimenta mexicana? — pergunta a jovem French divertindo-se com a boa interação que seu pai e a namorada tinham.
– Hehe... obrigada, querida. — Agradece à Ariel quando recebe o copo. — Mudei no dia em que o time dela estava jogando contra o meu e estava perdendo feio, você tinha que ver como ela estava vermelha de raiva, estava puramente a imagem da bandeira da China. — gargalhou ao relembrar.
– Aii pai... — balança a cabeça apertando Ariel contra sí quando esta voltou a sentar-se em seu colo.
– Ahhh que cabeça a minha meu Deus. — diz ele terminando de beber a água. — Regina, sua mãe está a sua espera na varanda, pediu para avisá-la que precisa conversar com você.
– Minha mãe? — pergunta dobrando o jornal e dando agora total atenção ao homem, que em resposta à sua pergunta, assente.
Não sabia como, mas Regina tinha se esquecido naquele curto tempo da existência da primeira dama e com ela as consquências dos últimos acontecimentos.
Sentiu a cabeça latejar já prevendo o grande estresse que passaria na presença de sua própria mãe.
[…]
Já lá fora, Cora estava encostada contra uma das colunas posicionada na parte da frente da varanda dos French. Os braços cruzados e o salto batendo freneticamente contra o piso indicavam a grande impaciência que estava sentindo nesta enorme demora em entregarem o recado à Regina.
Cansada de esperar, decidiu que ela mesma iria entrar naquela casa e pegar Regina. Quando virou o corpo para colocar em prática sua decisão, seus olhos chocaram-se contra os olhos de Regina tão castanhos quanto aos seus a observando desde o marco da porta pronta para questionar a sua presença alí, no entanto não iria dar espaço para isso.
– Venha comigo. — ordenou, voltando ao ponto onde estava agora descendo os quatro degraus da varanda indo em direção ao carro, que Regina pôde identificar como pertencente ao seu pai.
– Como? — inquiriu incrédula.
Cora destravou as portas do veículo abrindo a porta do carona para que Regina assim que a obedecesse pudesse entrar.
– Quero que venha comigo a um lugar, querida. Venha, entre. — pediu mais uma vez segurando a porta.
Para Regina, aquilo tudo era muito suspeito.
– O que faz você acreditar que vou entrar com você aí sem ao menos saber para onde vai me levar?
Cora sorriu fraco.
– Sou sua mãe e tudo o que eu quero é apenas ter uma conversa com você, não pretendo fazer nenhum mal a você, então por favor, entre aqui, Gina. — disse isso olhando diretamente os olhos de Regina,que diante disso pareceu convencida a entrar e dar à Cora esta conversava que lhe solicitava.
[…]
Quando Cora disse que iria levá-la em um lugar, Regina imaginou que poderia ser desde a mansão Mills até mesmo para o gabinete do seu pai, mas o que lhe apresentava era completamente distinto e inteiramente longe dos límites de sua imaginação.
A primeira dama estacionou o carro em frente á uma pequena casa situada em um bairro de classe média um tanto afastado das principais vías da cidade.
Como se fizesse isso todos os dias, Cora retira as chaves da casa de dentro da bolsa de mão e encaixa a maior dentro da fechadura dando duas voltas para o lado direito e uma para o lado esquerdo. Empurrou a grande porta de madeira maciça para dentro dando espaço e passagem para dentro da casa e tudo isso sobre os atentos olhos de Regina.
E ao contrário do que era por fora, por dentro a casa era muito bem decorada com um par de cortinas com mesclas de tons pasteis. E o curioso era que em cada ponto em que seus olhos batiam existia um vaso com diferentes plantas.
– De quem é esta casa? — perguntou ainda não encaixando as razões de estar alí.
– Minha! — responde Cora, colocando a chave juntamente com a bolsa e outros pertences sobre a mesinha de centro. — Por favor, sente-se, eu irei preparar algo para almoçarmos, que tal?
– Não, espera... Como assim essa casa é sua? Desde quando? — estava atônica com essa novidade.
– Há algum tempo. — responde.
– Isso não responde totalmente a minha pergunta. Como eu nunca soube da existência dela?
– Por que ninguém sabe sobre a existência dela, querida, não sabem que ela pertence a mim, melhor dizendo. Ninguém exceto você agora. — sorri de lado. — O que você quer para almoçar?
– Nada, não vim para compartilhar uma refeição com você, vim para conceder uma conversa que me pedira, então por favor, para que isso seja mais rápido, vamos direto ao ponto, embora eu tenha uma grande suspeita sobre o tema principal dessa conversa que você quer ter comigo.
Cora suspira sentando-se em frente à Regina.
– E o que você suspeita?
– Ah mamãe sem jogos, por favor.
– Não estou jogando, te fiz simplesmente uma pergunta e desejo ser respondida.
Regina inspirou profundamente soltando o ar vagarosamente.
– Diga-me logo que está decepcionada comigo mais uma vez, que eu sou inconsequente, que deixei o nome dos Mills exposto aos mais rídiculos e vergonhosos comentários alheios. Grite que eu estou quebrando o retrato de familia perfeita, que eu estou prejudicando a reputação de vocês e que eu não sou a filha que você deseja que eu sou. Ande, diga, eu já tenho isso de cor e saltiado. — diz com a voz alterada.
Cora acomodou-se melhor na poltrona cruzando as pernas sem desviar um segundo seus olhos de Regina.
– Isso quem está dizendo é você, e não eu.
– Isso é o que você quer dizer. — rebate.
– É o que você acha, e não o que eu quero. — diz com serenidade e quando Regina ameaçou dizer mais alguma coisa, ela completa soltando: — Você fez um bom trabalho!
Regina que tinha aberto a boca para dizer algo, fica quieta por uns segundos olhando para sua mãe afim de ver se tinha ouvido certo o que pensava ter ouvido.
– O que você disse?
– Você fez um bom trabalho e eu estou orgulhosa de você por isso. — repetiu, e foi completamente sincera.
– O quê? — para Regina estava sendo dificil conciliar aquelas palavras que estavam saindo da boca de Cora à sua real mãe. — Do que você está falando?
Cora arrastou a língua entre os lábios respirando fundo levantando-se e sentando-se ao lado de Regina, que surpresa pelo tamanho da proximidade e da passividade da tão temida primeira dama, evitava até olhar direitamente em seus olhos.
– O seu restaurante. — diz com suavidade e com um tom doce que nunca chegou a ver nem mesmo direcionado à Henry. — O restaurante que você criou é digno de aplausos, Regina. Tem tudo bem ordenado, arquitetado e planejado correspondendo as necessidades de todos os tipos de clientes que possa ter. Eu fiquei impressionada! Parabéns!
– Hum... Bem, Belle também é responsável por isso. — disse receosa, porém sentindo uma emoção pelo reconhecimento de Cora ao seu trabalho.
– Sim, é verdade, ainda surgirá uma oportunidade de parabenizá-la também, mas sobretudo você é a grande mentora.
– Uhum, eu sou... obrigada!
– No entanto aquele video...
– Ah eu sabia! Tinha muito açúcar para ser só isso mesmo. — interrompe Regina revirando os olhos saindo de perto de Cora.
– No entanto aquele video me pegou de surpresa. — direciona um olhar repreensivo à Regina por ter interrompido o que pretendia dizer.
Regina rir sem humor voltando-se.
– Me surpreenderia se tivesse tido efeito contrário.
Cora levanta-se e coloca suas mãos sobre os braços de Regina fazendo uma ficar de frente para a outra.
– Escute, eu já entendi que você já é uma mulher feita e capaz de tomar suas próprias decisões e escolhas... seu próprio caminho. Dessa vez eu não pretendo impor ordens, julgamentos e gritar palavras que ferirão nós duas, pois machucar você é o mesmo que machucar a mim, por que você é carne da minha carne e sangue do meu sangue, então não meu amor, dessa vez eu não te trouxe para exigir explicações e dizer o que você tem ou não de fazer. Eu sou sua mãe e você é minha filha, minha primeira filha, e admito que eu errei em meus excessos e exigências com você, mas você também não pode escapar dos seus erros em relação a minha pessoa. Se temos essa relação complicada e dificil não é resultado de uma completa culpa minha, você também tem porcentagem nisso... Erramos juntas!
– Mamãe...
– Espere, deixe-me terminar. — pediu com os olhos levemente marejados, ocasionando que os de Regina também ganhasse o brilho das pequenas lágrimas refletindo em seus olhos. — Filha, filha minha, filha adorada... — pousou uma mão em um dos lados da face de Regina carinhosamente. — Me desculpa pelas palavras duras que usei contra você, me desculpa pela distância que eu mesma impus entre nós duas e me desculpe pela falta de consideração que eu tive com você todo esse tempo em que você precisou do meu apoio como mãe, como orientadora, como guia, como protetora e princiapalmente por ter feito aquela proposta descabida naquela noite. Por favor, me desculpa?
Ambas banhavam seus próprios rostos com as ligeiras lágrimas. Regina tinha a cabeça baixa paralisada sentindo o corpo amolecer não sabendo exatamente o que dizer, queria ser forte e dizer que não poderia desculpá-la assim facilmente, no entanto estava tremendamente emocionada e Cora vendo isso não pensou duas vezes mais, a trouxe delicadamente para os seus braços a princípio em um estranho abraço que pouco a pouco foi ganhando encaixe e reconhecimento.
Há quanto tempo não compartilhavam juntas um gesto assim de carinho?
– Eu amo você filha, amo mais que a minha própria vida... amo todos os meus filhos mais que a mim mesma. — confessou passando as mãos pelas costas da morena. — Escute, você não precisa me responder agora, mas por favor não me evite porque eu não evitarei você. — sentiu Regina assentir e sair sutilmente do abraço.
– Está bem. — disse enxugando as lágrimas que caiam. — Eu tentarei.
– Já é um começo. — sorriu suavemente. — Então... você e Emma... hum... estão juntas?
– Vai me recrimar?
– E adiantaria?
– Não. — respondeu segura.
– Então responda somente a minha pergunta.
Regina caminhou até o sofá e sentou-se. Sentia o corpo ainda trêmulo pela emoção causada pelo começo de uma reconciliação com sua mãe.
– É como você viu naquele video.
– Eu não imaginava que você gostava de moças. — diz tentando soar tranquila naquela conversa. Queria agir diferente com Regina e ser mais compreensiva embora essa tarefa fosse bastante dificil de realizar. — Isso poderia ser algum reflexo da decepção que você sentiu com aquele rapaz?
– Eu não gosto de outras moças, eu só gosto da Emma e não, isso não é um reflexo do que aconteceu entre Graham e eu. Isso é amor.. É amor de verdade. — sorriu ao final.
– Suponho então em que tenham se resolvido.
Regina olhou para Cora e podia-se ver claramente o quão aquele assunto parecia ser desconfortável para a grande primeira dama e no quão ela parecia se esforçar para dirigir bem aquela conversa.
– Ainda não, é complicado. — diz. — E se falarmos sobre essa casa e a origem dela? E principalmente o porquê de ter tantas orquídeas aqui.
Viu Cora adquirir uma expressão mais serena sorrindo amplamente. Era difícil acostumar-se a essa nova versão de sua mãe.
– Essa casa foi a primeira que seu pai e eu compramos quando ainda éramos apenas noivos, não morávamos juntos antes do casamento, mas aqui era o nosso lugar de refúgio, nosso lugarzinho especial para nossos encontros amorosos. Quando casamos fizemos um acordo com Leopold e vendemos essa aqui, no entanto, sem seu pai saber, eu a comprei de volta há uns oito anos atrás. E então desde aí eu venho aqui toda semana para cuidar dela, sentir tudo o que eu sentia a anos atrás quando eu ainda era apenas uma mocinha completamente apaixonada por seu pai, não que hoje eu não seja, mas naquela época as coisas eram diferentes, mais simples, mais fáceis e mais intensas. Enchemos essa casa de planos e sonhos... declarações de amor... e foi aqui também que planejamos como seria o nome da nossa primeira filha. Foi aqui onde seu nome surgiu. — sorriu nostalgica. — E as orquídeas... elas representam o meu amor por seu pai, ele costumava me presentear constantemente com elas, tanto que para mim hoje elas têm esse significado especial... o do amor.
Regina sorriu incapaz de acreditar que estivesse realmente de frente à mulher que passou toda a vida ao lado, pois era completamente diferente da Cora que sempre conheceu, ou ao menos ao que lhe foi permitido conhecer até então.
– Você deveria ser assim mais vezes.
– Eu estou tentando... — disse sincera. — De verdade, filha.
E alí naquele espaço tão especial e singular para Cora e tão novo e misterioso para Regina ficou possivelmente marcado a chance de um recomeço de uma amizade entre mãe e filha.
Já era finzinho de tarde quando Regina chegou na casa de Belle, toda aquela conversa com sua mãe a deixou muito mais disposta a enfrentar a sí mesma e a romper essas dúvidas que tinha. Embora não tenham tocado diretamente no assunto do relacionamento que ela levava com Emma, Regina viu sua história com Swan ser refletida no significado que sua mãe dava as orquídeas que cultiva naquela casa onde guardava tantos momentos especiais com seu pai.
O verdadeiro amor sabe superar obstáculos.
Entrou na casa imaginando encontrar Belle e Ariel nos mais melosos carinhos, contudo o que viu na sala de estar a fez perder todo o ar que trazia nos pulmões.
Ao lado de Belle não estava Ariel como imaginava e sim outra pessoa em pé com as mãos metidas dentro dos bolsos da jaqueta de couro marrom a encarando com olhos curiosos e um amplo sorriso mostrando todos os dentes.
Regina estava pálida como se estivesse vendo um fastasma e poderia a qualquer momento perder a força de seu próprio corpo se não reagisse logo.
– Eu ainda suspeito que um dia os ET's vão levar você por que olha, parece ser impossível que a cada dia você fique mais linda do que já é, no entanto... — disse ele, aproximando-se incerto de Regina ficando frente à frente com ela, e como havia sentido falta de olhar esses olhos achocolatados diretamente.
– Graham! — sussurrou o nome do ex-namorado completamente surpresa não podendo acreditar que após vários meses depois de sua partida alí estava ele frente à frente com ela lhe sorrindo como se nada tivesse acontecido.
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