Sweet Happiness

34 Capítulo 34 - É conversando que a gente tenta se entender


Notas iniciais
Olá amores, eu demorei muito dessa vez não foi? Eu peço perdões, mas eu não estava bem essa semana porque eu perdi um amigo e fiquei muito triste com isso, agradeço as meninas que estiveram comigo conversando, me dando carinho... Nay, Isa, Dry, Michele, Flavinha, Julinha (BabyCute) é inexplicável o quanto eu amo vocês e no quão eu estou agradecida por tudo. Vocês são as melhores amigas que eu poderia ter e agradeço muito por Sweet Happiness ter me presenteado vocês. *----* Sobre o cap. eu espero que tenha ficado bom e aproveitem a leitura. Bjss

Regina não conseguia pregar o olho um minuto sequer, embora o corpo pedisse descanso, a mente não parava de trabalhar um segundo. Imagens embaraçosas surgiam e lembranças do namoro com Emma pulavam a todo momento inflamando mais ainda o coração dolorido. Naquela altura do campeonato já havia se arrependido de ter dado um tapa no rosto de Emma e ter sido tão grossa e estúpida e então chorou mais uma vez naquela noite, lágrimas atrás de lágrimas. Tinha a conciência de que o que fizera foi errado, nunca tinha levantado a mão para Emma, nem mesmo quando eram crianças impulsivas e agiam inconsequentemente. Gemeu baixinho de dor imaginando Elsa e Emma aos beijos entregando-se aos prazeres carnais por suas costas e sentindo como se o coração estivesse sangrando a cada flash de memória sobre essas cenas deste maldito video que persistiam em aparecer somente para torturá-la mais ainda.

Sentia-se desconfortável naquele quarto que não era o seu, numa cama que não era a sua e sentindo falta de um corpo alí abrançando-lhe e passando maravilhosamente calor e ternura da maneira em que somente Emma fazia.

Estava em uma dúvida cruel em ligar ou não ligar para Swan. Queria muito acabar de uma vez com aquela agonia e dar um fim nessa história, teria que tomar uma decisão à respeito do relacionamento das duas e sobre o rumo que isso levaria, afinal de contas Belle tinha razão, as duas necessitavam de uma conversar.

Desistiu de tentar dormir e decidiu tomar ar. Colocou o robe por cima do pijama logo saindo do quarto.

Ao passar pela sala não surpreende-se ao ver Belle falando ao telefone ao mesmo tempo em que digitava algo no seu portátil e sem querer interrompê-la, ela vai direto para a cozinha tomar um pouco de água.

– Você tá melhor? — perguntou Belle minutos depois adentrando a cozinha preocupada.

– Queria poder dizer que sim, mas infelizmente essa não seria a verdade. — disse dobrando os braços abrançando-se a si mesma. — Mas e você, porque não está dormindo?

– Estava denunciando alguns posts maldosos sobre a inauguração. O dia nem amanheceu e o pessoal já está com a língua solta... É nessas horas que eu odeio o ser que inventou a internet. — rola os olhos.

Regina riu fraco.

– Bem, quanto ao isso teremos grandes pontos negativos com respeito ao movimento nos próximos dias no F&M, no entanto, e por incrível que pareça eu não irei me abater quanto à esta questão porque embora esse acontecimento tenha estropeado a inauguração, tivemos a chance de provar a nossa qualidade nos ponto mais exatos que dignificam um empreendimento como próspero... Teremos nossos dias ruins, isso é inevitável pelo visto, mas sei que conseguiremos consertar isso.

Belle assente sentindo-se aliviada por ver otimismo ao menos nesta parte em Regina.

– Você tem razão! Regina, humm... eu estava falando com Ariel até poucos minutos atrás e eu... — Belle interroumpeu-se ao ouvir batidas nada suaves contra a porta de entrada da casa. — Você ouviu?

– Ouvi o quê? — Regina estava destraída enchendo mais um copo com água. Seu corpo estava alí, mas sua mente não.

– Acho que tem alguém na porta. — e como confirmação outras batidas são escutadas. — É, pelo visto temos realmente visitas.

Sabendo muito bem quem poderia ser, Belle se disponibiliza a abrir a porta para receber a visitante, porém pára ao sentir Regina segurando-lhe o braço empedindo-a de dar mais passos.

– Bel... — sussurra em um fio de voz.

– Regina, nós duas sabemos que isso mais cedo ou mais tarde iria acontecer.

– Mas eu ainda não estou preparada para conversar com ela, não agora.

– Quanto antes vocês terem essa conversa, melhor será. — disse suave. — Por favor, me deixe recebê-la.

– Eu não sei Bel, não acho uma boa idéia, não agora.

Belle passou a mão pelos cabelos soltos assumindo um olhar compreensivel em respeito à recusa de Regina, mas Belle tinha em mente que o quanto mais aquilo perdurasse, mais dor iria ser causada tanto em Regina como em Emma, por isso mais uma vez naquela noite ela resolveu fazer sua amiga raciocinar começando a dizer serenamente:

– Não veja as coisas somente por seu lado, imagine que para ela tudo isso também não está sendo fácil... Conhecendo Emma como somente a gente conhece podemos facilmente imaginar que ela deve estar sofrendo tão ou mais que você, pois embora você esteja querendo fazer as coisas dificieis, ela te ama mais que qualquer coisa nessa vida e a prova é isso... ela veio, veio tentar mais uma vez falar com você, então respira fundo, senta naquele sofá alí e civilizadamente tente conversar e ouvir o que a sua namorada tem a dizer.

– Ela não é mais minha namorada. — constata isso relembrando que havia terminando o relacionamento das duas na frente de todos e sem importa-se com nada. Sentiu o rosto corar estampando a vergonha.

Belle nega.

– Geralmente quando se termina um relacionamento com alguém, retiramos do dedo o anel de compromisso, mas o seu... eu ainda estou vendo ele muito bem encaixado no seu dedo. — diz com um pequeno sorriso olhando para a mão de Regina que ainda estava pressionada no seu braço.

Neste instante Regina solta o braço de Belle com a atenção igualmente direcionada ao anel.

– Eu... eu não...

– Você o adora, mas não porque ele é lindo e tudo isso e sim porque foi Emma quem deu a você e o adora principalmente pelo que ele representa para as duas, o significado e a razão por ele estar aí. — passa a mão pelo braço de Regina com carinho. — E você não vai tirá-lo porque você melhor do que ninguém sabe que nunca quis de verdade terminar com Emma, você a ama tanto quanto ela ama você, então porque não tenta, hum? Ouça o que ela tenha a dizer e foque-se somente nesses anos em que ela foi para você uma fortaleza e você o mais seguro refúgio para ela.

Novas batidas.

Regina morde a parte interna da bochecha, suspira e balança a cabeça positivamente.

– Tudo bem. — diz. — Se for mesmo a Emma, eu a estarei esperando-a no seu quarto, está bem?

– Como preferir.

Assim combinado, Regina voltou para o quarto e Belle foi receber a pessoa impaciente que esperava ser atendida do outro lado da porta.

Ao abrir a porta, Belle estranha ver ao lado de Emma a tão famosa obstetra que Regina tanto disparava elogios a cada vez que embarcavam no assunto da gravidez. E olhando a doutora de perto não pôde descordar nenhum pouco da amiga ao dizer que a ruiva estampava uma beleza sublime e destinta.

Se cumprimentam com leves acenos de cabeça para somente então Belle dar acesso livre às duas.

– Me desculpa se eu acordei você, Belle, mas você deve ter conciência do porquê eu estar aqui uma hora dessas. — disse Emma não escondendo o nervosismo e ansiedade nas expressões que fazia ao explicar-se.

– Não tem problemas, eu nem ao menos estava dormindo... Acho que para todas nós está sendo dificil conciliar o sono depois do que ocorreu mais cedo. — diz sincera exergando com clareza o quão Emma parecia estar abatida. Sentiu dó sabendo perfeitamente a dor que a loira poderia estar sentindo com todos essas desgraças que devastaram-nas pesadamente.

Emma se conteve em apenas assentir tristemente.

– Você... Ela... Ela está acordada? — perguntou referindo-se à Regina.

– Seria estranho se ela tivesse conseguido dormir porque de todas ela é a que mais está confusa e perdida com isso, Emma. Ela está no meu quarto esperando por você, já imaginávamos que você fosse aparecer. — diz, entretanto antes de Emma dirgir-se ao quarto, ela adverte: — Emma, olha, seja honesta e verdadeira, não ominta e não minta mais para ela, pois por mais que a verdade seja dolorosa e sangrenta, ela ainda é curável, já uma mentira, seja o tamanho que for deixa cicatrizes e cicatrizes feias, então não recue e responda tudo o que ela perguntar e exigir saber com sinceridade mesmo que esta sinceridade dôa.

– Não se preocupe com isso, Belle, já tenho isso muito bem em mente.

– Isso me alegra então.

Antes de Emma deixá-las sozinhas, Zelena vai até ela e a detêm segurando-a pelas mãos fazendo um delicado carinho e dizendo com doçura:

– Eu espero que tudo ocorra bem e que vocês consigam se entender, eu estarei aqui esperando por você... Ou melhor dizendo por vocês duas. — sorriu cúmplice. — Seja a forma que for eu estarei aqui, e Emma, eu quero que saiba que, pode parecer estranho para você eu dizer isso, talvez um dia o que eu direi agora fará sentido, eu não sei... mas quero que saiba que você para mim é como se fosse um membro da minha familia. Você e Regina. Gosto verdadeiramente das duas e me preocupo de todo o coração com o bem estar de ambas, então não importa o dia ou a hora eu sempre estarei disponível para qualquer coisa que você precisar, está bem? imagine-me como... como uma tia... Isso, uma tia muito legal do tipo que encobre as travessuras dos sobrinhos.

Emma rir baixinho e repentinamente abraça Zelena muito forte, tão forte e com tanto carinho e agradecimento que foi impossível para a doutora segurar a emoção e naquele instante, naquele contato tão reconhecedor sentiu que já não podia mais com aquilo, que devia contar toda a verdade para Emma, pois era injusto estar as escuras e não poder cuidar livremente de Emma sem que isso parecesse estranho ou que aos olhos alheios isso parecesse ter outros interesses, entretanto sabía que essa não era a hora e muito menos o momento.

– Obrigada de verdade, você nem tem obrigação para estar agindo assim comigo, mas ainda o faz, não sei como compensar tanto carinho e amizade de sua parte.

Zelena escorrega as costas dos dedos pela bochecha da loira.

– Vá conversar com Regina e como Belle disse, seja honesta e abra seu coração... Use como apoio o amor que vocês tem uma pela outra e logo verá que tudo dará certo, meu anjo.

Emma assentiu sentindo-se mais confiante e foi-se deixando Zelena e Belle sozinhas.

Belle que ficou observando desde a cozinha a interação das outras, oferece à doutora uma xícara de café e a convida para unir-se à ela na cozinha para conversarem e se conhecerem melhor enquanto Regina e Emma estivessem tentando acertar aquele nó de confusões no qual somente cabiam as duas desatarem.

[...]

Regina sentou-se na cama quando ouviu os tão conhecidos passos de Emma se aproximarem cada vez mais do quarto. Subiu um pouco mais na cama encostando-se na cabeceira e ficou alí encarando a maçaneta da porta, que segundos mais tarde, depois que o barulho dos saltos de Emma cessaram, foi girada fazendo a porta de madeira ir cedendo espaço e entrada para a visitante.

Ergueu o queixo quando ainda vacilante Emma entrou.

Quando seus olhos encontraram com os verdes de Emma, toda aquela raiva e decepção que sentiu no momento exato em que compreendeu realmente o que estava acontecendo, reavivaram, porém precisava manter a calma e ouvir as explicações da loira, se é que existiam.

Emma pôde notar a tensão percorrer o corpo de Regina ao vê-la e ao contrário da morena, quando a viu sentiu uma forte vontade de jogar-se nos braços de Mills e dizer que tudo iria ficar bem para as duas e que no dia seguinte iriam acordar e ver que tudo passou de um sonho ruim.

Mas a realidade é dura e perfurante e essa veio seca através do tom de voz gélido de Regina ao inquirir:

– O que você faz aqui?

Emma senta-se na ponta na cama com as pernas dobradas, gesto que fez Regina recordar dos momentos em que, ainda crianças, depois de um desentendimento, Emma vinha-lhe com a cabeça baixa, sentava na ponta da cama toda encolhidinha e sussurrava um pedido de desculpas todo choroso para a morena, o que de imediato fazia efeito em Regina, pois sem dizer nem um sim e nem um não, a jovenzinha Mills se lançava em Swan a abraçando forte para logo minutos depois estarem rolando na cama em um alguma brincadeira de pega-pega gargalhando intensificando mais ainda a amizade, entretanto essa era uma situação diferente, uma época diferente e com sentimentos muitos mais fortes que uma simples amizade de duas crianças.

– Vim explicar corretamente como as coisas realmente são, esclarecer o que você não me permitiu fazer.

– Não vejo como as coisas podem ser mais claras, querida. — ironiza.

– Mas podem sim, você só tem que me ouvir e me deixar dizer como as coisas aconteceram de verdade e não deixar que um video qualquer estrague o que construimos juntas todo esse tempo em que nos conhecemos. — diz e ao final engole a seco ao ver Regina olhando-a com fúria.

– Qualquer video? Para você um video em que sua namorada está protagonizando cenas quentes com outra e ainda mais com a mulher que você menos suporta na vida é qualquer video? Para mim não trata-se de qualquer video, Emma. — Regina lutava internamente com seus piores sentimentos para não agir impulsamente contra Emma.

Emma respira fundo e com uma coragem desconhecida arrasta-se sobre o colchão ficando mais perto de Regina.

– Eu não sabia da existência desse video, Regina. Fui tão pega de surpresa quanto você... Não foi obra minha, eu jamais iria fazer isso, não com você.

– Isso eu sei, você não seria idiota de se entregar publicamente assim, isso eu pude concluir depois... Mas a questão é o conteúdo que não deixa espaço para nenhuma dúvida sobre suas aventuras com aquela mulher. Desde quando e até quando você pretendia me enganar com ela, Emma? — pergunta.

– Eu nunca te enganei, Regina. Meu erro foi omitir que algum tempo atrás houve algo entre Elsa e eu, e todo esses encontros que eu tive com ela foram muito antes de você e eu iniciarmos qualquer relacionamento mais íntimo, foi muito antes até de você descobrir estar grávida... Foi em uma época em que eu me sentia emocionalmente sozinha, desesperada com todo esse amor não correspondido por você e não sabia como aliviar tudo isso, daí na festa de comemoração da reeleição do seu pai, Elsa me chamou para tomar um drink e sem que eu percebesse já estávamos na casa dela trocando beijos e...

– Poupe-me desses detalhes. — Regina corta secamente saindo da cama e apoiando-se contra uma cômoda mais ao sul do quarto. Precisava ficar em uma distância segura de Emma para poder conseguir pensar com calma e não agir preciptadamente como fizera dentro do restaurante. — Então quer dizer que mesmo eu pedindo para você não se aproximar da Frozen, você não contentando-se em não só a não me dar ouvidos como também se enfiou na cama dela por diversas vezes?

Emma virou o corpo ainda sentada na cama buscando os olhos agora escuros de raiva de Regina. Via-se a morena travar o maxilar.

– Eu não vía nenhum problema em me relacionar com Elsa, ambas éramos solteiras e eu precisava muito tentar achar um método de esquecer você, porque eu já não tinha nenhuma esperança de que você fosse capaz de um dia me olhar diferente, você parecia feliz com aquele idiota do Graham, então já estava na hora de eu me conformar e encontrar alguém para mim também... E Elsa foi o mais perto de um relacionamento que eu tive antes de você e depois que você suspeitou estar grávida eu pensei que tinha perdido todas as oportunidade de vez. — explicava-se sentindo um nó na garganta.

– Sabe o que me dá repulsa Emma?! é saber que eu te dei muitas oportunidade para que você me contasse que tinha tido algo com ela, principalemente depois daquele jantar que eu percebi que ela gostava de você e você recuou todas as vezes, escondeu, mentiu... me enganou. — esbravejou.

– Eu tive medo. — admitiu. — Eu temia revelar e você me deixar como você fez e está fazendo agora. Eu não queria arriscar perder o melhor nomento da minha vida com a mulher que eu mais amo na minha vida... Eu não queria e não quero perder a familia que estamos construindo juntas, então porque eu iria contar algo que já tinha acabado a muito tempo, algo que nem significou nada para mim? Eu não queria trazer assuntos do passado para um presente tão maravilhoso em que estávamos vivendo.

Regina sorriu irônica voltando a se aproximar de Emma.

– Você não iria me perder por contar a verdade. — disse com certeza. — Se você tivesse me contado a verdade naquela noite em que eu te perguntei sobre ela e você, eu certamente iria brigar muito com você e iria brigar muito, iria querer matar você e ela da mesma maneira como eu quis e ainda quero só de imaginar vocês juntas, no entanto eu iria considerar a sua honestidade e a sua coragem para me contar mesmo sabendo da minha inimizade com a Frozen e depois de uns dias eu iria dizer que estava tudo bem, que todo mundo tem um passado e que o importante agora era o nosso presente e o futuro e, com certeza eu iria ameaçar arrancar seus olhos e sua língua se eu te visse conversando ou olhando novamente Elsa Frozen, mas hoje, Emma... hoje você foi a pior decepção que eu tive na vida... A forma escandalosa que eu descobri suas aventuras com ela foi humilhante... Não sei como encarar nossos amigos, nossos pais depois disso tudo, porque agora todo mundo sabe que tínhamos algo e que provavelmente eu seja a maior corna de Storybrooke.

– Não, você não é. — Emma apressa em dizer pegando a mão de Regina com a sua e deu graças a Deus por ela não ter recusado o toque. — Regina, me escuta, nesses três meses em que estivemos juntas, em que estivemos concientes uma dos sentimentos da outra eu nunca mais voltei a ver Elsa, até porque antes disso tudo, eu já tinha terminado com ela... lembra do dia que você apareceu no nosso apartamento na madrugada quando a sua mãe descobriu sobre o bebê?

– Lembro.

– Então, naquela mesma noite eu tive um último encontro com Elsa e foi nessa mesma noite também em que eu pus fim no que tínhamos e sabe porquê? Porque eu não a amava, nunca a amei e seria errado estar com ela sem amor sendo que meu coração sempre pertenceu à você. Sempre! — diz e naquele momento lágrimas também já faziam parte daquela conversa. Suas e de Regina.

Regina puxa de volta sua mão sentindo uma nova onda de fúria percorrer o seu corpo ao entender o significado das primeiras palavras que Emma havia dito.

– Espera um momento... último encontro? Vocês ficaram naquela noite no nosso apartamento? — perguntou incrédula.

Emma baixou o olhar assentindo.

– Eu sinto muito.

– Ah você sente? Eu sei bem como você sente! Que nojo, Emma! Não acredito que você levou aquele mulher para a mesma cama em que você e eu compartilhamos. — cerra os punhos sentindo um forte desejo de cair sobre Emma e enchê-la de tapas, na verdade não à Emma, e sim Elsa Frozen.

– Não, não foi para a nossa cama... Eu jamais faria isso.

– Eu jamais faria isso. — imita a voz de Emma. — Poupe-me, Emma.. tem muitas coisas que você dizia que jamais faria e esteve fazendo despreocupadamente sem nem ao menos eu saber. — vira-se repirando fundo colocando as duas mãos na cintura erguendo a cabeça para o alto. Deixou o ar sair tentando controlar a raiva. Deslizou uma das mãos para a barriga e recordando que tinha que manter suas emoções em equilibro para não agitar o bebê.

Fechou os olhos voltando a sua série de inspirar e respirar repetidas vezes.

Emma observava a cena atentamente.

E assim por dois longos minutos o silêncio entre elas perdurou e só não foi maior porque Regina voltou a falar.

– Onde foi?

– Onde foi o quê?

– Se não foi na nossa cama, onde foi que você e ela ficaram?

– No sofá.

Regina contorce a face provavelmente imaginando a cena e enojando-se mais ainda.

– Eu nem sei mais o que te dizer, Emma. — diz, cansada.

Então Emma levanta-se, retira o celular do bolso mexendo nele procurando algo e ao achar oferece o aparelho à Regina, que por sua vez arqueia a sobrancelha sem entender.

– Eu sei que talvez agora isso não seja de nada, mas o que tem aí é a confirmação de que tudo o que eu disse até agora é verdadeiro, então ouça, por favor. — pede.

E mesmo sem entender do que aquilo se tratava, Regina atende o pedido e dar play no que parecia ser um tipo de gravação.

Emma encurta a respiração encarando Regina que agora começava a ouvir o conteúdo da gravação.

As vozes por algum tempo eram confusas para Regina até o momento em que ela se concentrou bem e reconheceu que aquele timbre de voz que saia sempre seguida da voz de Emma pertencia à Elsa Frozen.

Entrecerrou os olhos olhando para Emma exigindo uma resposta, e o que conseguiu foi apenas um sussurro da loira dizendo "ouça" e nada mais.

A voz de Elsa parecia rouca como se tivesse ingerido álcool e as palavras saíam um tanto arrastadas.

Regina teve que se esgueirar até a cama para sentar-se pois o que Elsa estava revelando a estava deixando horrorizada principalmente em como ela parecia divertir-se ao contar como plantou o video íntimo no restaurante. Sentiu-se enjoada só em ouvir a voz dela oferecendo-se à Emma. E depois sentiu o coração acelerar ao ouvir o que Emma dizia sobre ela e sobre como ela se sentia à respeito disso tudo. E no segundo seguinte juntou as sobrancelhas não entendendo o porquê de repente a voz de Elsa está entrecortada e aparentemente assustada e logo depois escutou com nitidez estalo de não somente um mas sim dois tapas e para a sua grande surpresa a voz de Zelena surgiu para finalizar a gravação.

Ficou encarando o celular por alguns instantes assimilando tudo o que tinha ouvido, raciocinando e tentando entender corretamente as coisas ao seu redor.

– Você... você estava na casa da Elsa? — perguntou

– Sim, eu estava, quando você saiu com a Belle percebemos que apenas Elsa poderia nos explicar como aquele video surgiu, então Zelena e eu planejamos ir no apartamento dela e tentar gravar uma confissão dela, confesso que eu fui baixa no meu método, mas não teria outra forma para isso... O que me importava era apenas te trazer a verdade. — disse com a voz distante quase como um sussurro.

– Então...

– Foi ela. — ela fala sentando-se ao lado de Regina. — Foi ela a verdadeira causa do desastre dessa noite.

Regina devolveu o celular para Emma, que aproveitando a oportunidade coloca uma mão sobre a coxa da morena.

Regina percebe o contato e fica alí observando por alguns segundos sem dizer nada.

Emma continua:

– Eu nunca enganei você, Regina, nunca quis causar nenhum constrangimento à você e nunca menti... Se eu escondi o que tinha acontecido entre Elsa e eu foi justamente porque já não cabia na nossa história, não tinha espaço para isso... Eu não imaginei que isso fosse acontecer, não acreditava que ela voltaria com esse assunto, pois na minha cabeça tudo estava resolvido entre ela e eu, tanto que eu já nem tinha mais visto ela circulando pela cidade, ou era eu que não me dava conta de sua presença, eu não sei, não me importo... Minha vida se resumia somente a você e ao nosso pequeno, acredite em mim, por favor. — pediu suplicante tirando sua mão da perna de Regina e subindo-a até o rosto da morena colocando o cabelo castanho escuro dela atrás da orelha e escorregando pelo queixo onde puxou de leve para sí fazendo os olhos chocolates de Regina se fixarem nos seus.

Aquela fúria que havia tomado o corpo de Regina agora já não restava mais nem rastros, o que agora preenchia seu coração era uma enorme tristeza; tristeza pelo que ocorreu, tristeza por ver dor nos olhos de Emma, sabendo perfeitamente que ela era causa disso; tristeza por ela mesma ainda estar confusa e perdida com essa situação, ainda que tenha ouvido essas revelações finais.

Os olhos fixos e o silêncio entre as duas iam puxando de modo lento e inconciente uma de encontro à outra.

Emma umideceu os lábios com a lingua quando sentiu seu nariz tocar o naríz de Regina e como na primeira vez, o coração disparou freneticamente desconhecendo totalmente a palavra límites.

A mão desceu para a nuca da morena massageando de leve a região e Regina fechou os olhos apreciando o carinho.

Emma já podia sentir os macíos lábios de Regina roçando contra os seus e iría selar o contato entre as bocas quando no último segundo sutilmente Regina recusou a união.

– Eu preciso pensar, Emma. — disse com a voz baixa. — Me dá um tempo para isso, por favor.

– Tudo bem, eu darei. — disse, estava decepcionada, mas ao menos uma luz de esperança acendou-se no coração.

– Obrigada. — disse virando o rosto.

Emma levantou-se disposta a deixar o quarto, pegou o celular colocando de volta no bolso da calça, se ficasse mais tempo alí com certeza não iria conseguir segurar o pouco de dignidade que ainda tinha e iria implorar à Regina que voltasse com ela para casa, voltar para ela, voltar para a sua vida e para seu braços.

Entretando ao por a mão na maçaneta da porta sentiu ser puxada para dentro de volta e ao final chocar-se contra os lábios de Regina capturando os seus exigindo um beijo faminto.

Embora supreendida, Emma não demorou para corresponder o beijo entregando-se a fundo naquele delicioso deslizar de lábios.

Separaram-se ofegantes.

– É para me ajudar a pensar melhor. — disse respondendo a clara pergunta que Emma fazia por meio do olhar.

Emma riu de lado.

– Eu espero de verdade que ajude.

– Eu também.

Encararam-se ainda meio abraçadas.

– Descanse, durma um pouco, você está precisando disso. — disse acariciando o rosto de Regina, que de leve assentiu dando alguns passos para trás.

– Você também faça o mesmo.

[...]

– Você tem certeza que esse sofá aguenta nós duas? — perguntou Zelena divertindo-se com a situação em que se encontrava.

– Absoluta. — disse segura. — Se você não se mexer muito, ficaremos bem.

Zelena bocejou timidamente.

– Eu realmente preciso dormir, mas não consiguirei fazer isso até saber o que deu na conversa das meninas.

Belle virou com cuidado o corpo ficando de lado e Zelena fez o mesmo afim de dar mais espaço de locomoção para a outra, ambas ficando frente à frente.

– Eu acho que já deve estar dando quase cinco horas da manhã, então se tudo der certo entre elas acho que só iremos vê-las mais tarde, bem mais tarde mesmo.

Zelena suspirou.

– E seu pai não vai estranhar ao acordar e me ver assim deitada com você?

Belle riu baixo.

– Acho que não, no máximo ele vai andar nas pontas dos dedos até a cozinha e fazer de tudo para não fazer barulho, porque talvez ele vai pensar que você é Ariel por causa da cor do cabelo.

– Talvez! Eu a vi no restaurante, ela é muito bonita, vocês formam um belo par.

– Obrigada. — agradece sinceramente com um leve sorriso encarando com atenção os olhos azuis de Zelena, não poderia negar que aos seus olhos a doutora era incrívelmente atraente. — E você? Você ainda não me disse se tem alguém.

– O que vocês estão fazendo uma em cima da outra desse jeito nesses sussurros? — pergunta Emma chegando na sala e estranhando a proximidade de Belle e Zelena sobre aquele apertado sofá.

– Ai que susto, Emma. — resmunga Belle levantando-se e ficando de pé. — Não estávamos uma em cima da outra, deixe de ser exagerada, estávamos apenas conversando.

Emma arqueia a sobrancelha.

– Deitadinhas quase coladas no sofá?

– E o que é mesmo que você está insinuando com isso? — retruca olhando para Emma intrigada.

– Hehe... Diga-me você, Isabelle.

Zelena também já estava de pé e nem estava dando-se conta do que poderia Emma estar insinuando ou não, preocupou-se em saber imediatamente o que aconteceu entre ela e Regina.

– E então como foi?

Emma desmachou o sorriso brincalhão e tomou uma expressão séria, no entanto nem triste e nem feliz.

– Eu expliquei tudo o que tinha para explicar, mostrei a gravação e ela me pediu um tempo para pensar.

– Pensar? Pensar em quê? Já não tá tudo claro? — questionou a doutora sem entender.

Emma encolheu os ombros inspirando fundo.

– Ela precisa digerir todas as informações dessa noite, precisa descansar, eu não sei, precisa talvez ficar sozinha por algumas horas pensando e analisando. — disse, virou-se para Belle. — Ahm... Bel por favor, depois de vocês descansarem, você poderia pedir à Ariel que passe no meu apartamento para trazer algumas roupas para Regina trocar-se?

– Claro, eu farei isso... Na verdade vou logo mandar uma mensagem à ela porque ela disse que viria para cá as 9h para tomarmos café da manhã juntas.

– Tudo bem, faça isso. Vamos, Zel ou você quer ficar por aqui mesmo no sofá com a Belle? Só digo que a Ariel é um tanto ciúmenta. — sorriu mais uma vez pegando no pé das duas.

– Argh Emma, cala a boca e vai logo para casa. — dispara Belle impaciente com a loira.

Zelena apenas sorria, pois ao menos Emma parecia um pouco mais leve e não trazia tanta tristeza no olhar e isso foi o suficiente para fazê-la sorrir também.

– Vamos, eu vou te deixar em casa e logo eu irei para a minha, pois também preciso tomar um banho, trocar de roupa e descansar um pouco.

E assim o fizeram, se despediram de Belle, e Zelena conduziu Emma até o apartamento e durante o percurso Emma relatou com detalhes o que tinha acontecido na tal conversa e grande foi a empolgação de Zelena quando Emma contou que Regina a tinha beijado, pois com isso disse que estava quase certa que logo as duas estariam juntas mais uma vez tentando reparar essa desastrosa noite. Já Emma não tinha tanta certeza disso, mas como todo apaixonado, ela tinha esperanças e desejava intensamente que ao final desse tempo que ela dera a Regina, o resultado lhe fosse benéfico e justo.

Despediu-se de Zelena com abraços e prometendo à doutora que assim que possível ligaria informando sobre seu estado calmando assim as preocupações da ruiva.

Ao chegar no andar do seu apartamento, leva um susto ao ver que diante da porta do apartamento, uma certa garota, que nunca esperaria vê-la alí daquela jeito aparentemente à esperando sentada no chão do corredor e encostada na porta levemente adormecida.

Notas finais
Vocês tem me perguntado sobre Cora, pois bem, digo-lhes que no próximo cap. ela estará presente procurando Regina, e no próximo cap. tem também uma briga que provavelmente vai surpreender vocês, mas não para o lado ruim, acho que vocês vão gostar. Sobre Graham, ele já está de volta, já posso afirmar. E o grande mistério dessa fanfic sobre Emma, embora eu não ache tão misterioso, vai chegar ao fim nos próximos capitulos. Era só isso mesmo que eu queria dizer. E Aaaah agradecer as meninas que puxam a minha orelha la no twitter, pois assim me dá mais vontade de ir escrever os capítulos. U.U Agora sim, bjosssss