Sweet Happiness

28 Capítulo 28 Encontro mais o grande pedido.


Notas iniciais
Me perdoem mais uma vez a demora, mas as provas de fim de semestre estão quase me deixando louca '-' Saudades do tempo do ensino médio (ano passado). Mas aqui estou eu com um capitulo um pouco grandinho... Que contém dois deliciosos curtos flashbacks. Espero que gostem... Bjinhos..

Sexta-feira havia chegado e o autocontrole de Regina já estava quase no límite máximo, tanto que últimamente tudo vinha em dobro para ela, ansiedade, vontades, tédio e principalmente as mudanças de humor, essas que somente Emma conseguía intensificar nela, seja para o modo ruim como para o melhor. E essa regra, -que Regina julgava extremamente tola e desnecessária-, de não se tocarem até o dia de sábado a irritava como nunca. Usou de todos os métodos inimagináveis para que Emma quebrasse o seu próprio jogo, mas de maneira inacreditável, a loira resístia bravamente, usando até mesmo a tranca do seu quarto quando era chegada a hora de cada uma ir para a sua cama.

– Vai continuar mesmo com isso? — perguntou Regina sentando-se de maneira sensual no colo de Emma. — Já fazem uns três dias que eu não sinto você, sabía que é feio ignorar os desejos de uma grávida? — roçou seus lábios pela orelha da loira levando sua mão livre até o ombro de Emma deslizando vagarosamente de cima para baixo e de baixo para cima.

Emma suspirou passando de leve as mãos pelas coxas nuas de Regina, que para a sua tentação, havia posto uma fina, curta e quase transparente camisola preta no corpo, não deixando espaço algum para a imaginação.

– Eu não estou ignorando, o que eu estou fazendo é somente evitando-os até o dia do nosso encontro, que por sinal já é amanhã. E por favor não faz isso, também não está sendo fácil para mim me conter a cada vez que você se aproxima desse jeito.

– Pára de besteiras, Emma... — resmungou começando a selar curtos beijos pela bochecha e pescoço de sua melhor amiga. — Eu não me importo de comermos a sobremesa antes do jantar...

Emma riu com esse último comentário de Regina.

– Mas eu me importo e por isso que não vamos comer sobremesa alguma antes da noite de amanhã chegar, podemos aguentar mais umas horas. — colocou suas duas mãos no rosto da morena fazendo uma leve carícia. — Quero que seja tudo perfeito.

– Para que seja perfeito você não tem o porquê de evitar meus beijos e carinhos, não é como se fossémos fazer isso por primeira vez amanhã. — retrucou erguendo um pouco o corpo colocando agora um joelho de cada lado do corpo de Emma aproximando-se bem mais. Tirou as mãos da loira que estavam ainda em seu rosto e as segurou sobre seu próprio colo, entre o pequeno espaço existente entre as duas. — Você não me deseja mais? — apelou.

– Te desejo a cada dia mais que nunca, Regina. Seu perfume, sua pele, sua voz, seu olhar, seu sorriso, seu jeitinho perfeito de andar... Tudo me faz querer ter você, sempre. — dizia sustentando o olhar com o de Regina. — Sua boca me deixa tão louca e ter ela assim tão perto de mim faz meu coração ficar inquieto e meu corpo estremecer despertando uma insana vontade de te arrastar para o meu quarto e nos trancar dentro dele por uma semana inteira.

– Faz isso então... — sussurrou raspando de leve seus lábios contra os de Emma, provocando-a. — Eu quero muito que faça isso.

– Mas ainda não podemos. — disse apertando-se e segurando-se para não sucumbir aos seus desejos e provocações de Mills.

Frustrada, Regina revira os olhos saindo de cima de Emma em um ato bruto.

– Você me irrita Emma, me irrita como ninguém. — bufou contrariada. — Só você mesma para inventar uma coisa dessas, onde já se viu isso? Mas amanhã você vai me pagar muito caro por isso, Swan, grave muito bem o que estou dizendo. — prometeu finalizando sua sentença com a voz ligeramente baixa e provacativa daquela forma única de ser que apenas Regina contém deixando Emma na sala de estar, e dirigindo-se ao seu próprio quarto.

Emma sorriu negando com a cabeça passando a mão pelo rosto. Era inacreditável como as coisas tinham mudado entre elas, e em como isso, nessas pequenas discussões a faziam sorrir como uma boba apaixonada, não que estivesse longe de ser uma, afinal era mais que evidente o quanto apaixonada por Regina estava.

No dia seguinte, por se tratar de um sábado, ambas podiam dar-se o luxo de dormir até um pouco mais tarde, no entanto Emma tinha planos para aquele dia, e ficar na cama iria apenas atrasá-la. Levantou-se por volta das 7h30 am, tomou um banho rápido colocando uma roupa mais cômoda no corpo, escreveu uma nota endereçada à Regina e colou na porta do microondas lá na cozinha.

Ao sair do apartamento, contrariando suas vontades, decidiu ir até o apartamento de seus pais, que no caso, percebendo bem... ainda não tinha ido visitar, apenas sabía o número da porta.

Quando estava descendo as escadas, viu Walsh com o rosto ainda maquiado e usando umas calças largas azuis.

– Hey Walsh.. Quanto tempo! — cumprimentou ao ter o rapaz mais perto.

Ele ao vê-la sorriu de maneira espontânea parando em um degrau a baixo que ela.

– Opa! bom dia, loirinha... Quanto tempo mesmo hein?! Vai assim para onde uma hora dessas?

– Assim como?

– Apressada. — sorriu mais uma vez.

– Ah, eu vou no apartamento dos meus pais e logo dá uma voltinha por aí, mas e você? Não me diga que está chegando agora...

– Pois digo sim, passei a noite trabalhando... Quero dizer, boa parte dela, a outra metade passei com os rapazes... eu acho que vou deixar esse trabalho... Embora me divirta muito e eu adoro crianças, meio que isso afasta as gatinhas... As mulheres de hoje só querem carinhas que tenham um alto salário. — soltou o ar frustrado.

– As interesseiras sim, mas existem outras que exergam a beleza da alma e do coração e essas não se importam se você é milhonário ou se você é um palhaço. — deu um pequeno sorriso. — Acredite, o amor é o bem mais precioso que um ser humano pode cativar. Cative isso em uma mulher que saiba reconhecer o valor dos sentimentos e não das notas de um dolár.

Um pouco surpreso pelas declarações da vizinha, Walsh a olha enternecido e diz sem abandonar o ar sedutor:

– Você falando assim me deixa ainda mais apaixonado por você, Swan. Quando vai me dar aquela chance que eu te pedi?

Emma revira os olhos deixando escapar uma curta risada.

– Suba e durma um pouco, Walsh... Sua saúde mental já está dando defeito... Até logo.

– Minha saúde mental foi afetada no dia que te conheci loirinha, você me deixa louco.

– Palhaço!

– Oh, isso eu realmente sou. — abriu os braços.

Sem dizer mais nada, Emma apenas deu um leve empurrãozinho no ombro do colega e terminou de descer os degraus parando no andar onde localizava o apartamento dos pais.

Parando de frente ao número do apartamento, Emma bate na porta umas quatro vezes e espera alguma resposta, o que não demora muito.

– Emma?! — É David quem é surpreendido ao ver a filha alí parada em frente. — Aconteceu alguma coisa?

Ela nega desenhando um pequeno sorriso.

– Eu só vim pedir um favor para a minha mãe, posso entrar?

– Claro. — abre mais a porta dando espaço para que a filha passasse. — A próposito, bom dia.

– Bom dia pai. — diz um pouco sem jeito. Ainda tinha na mente as últimas palavras do pai na última vez em que estiveram juntos que foi exatamente na noite daquele fatídico jantar onde pareceu que a relação familiar dos Nolans havia sido mais uma vez arranhada.

Ao fechar a porta, David volta para Emma ficando de frente para ela cruzando os braços acima do peito.

– Antigamente eu costumava ganhar da minha filha um bom dia mais cheio de calor, agora isso também mudou? — pergunta estreitando os olhos em um falso tom de reprovação.

Compreendendo sobre o que David se refería, Emma abraça o pai de uma maneira toda carinhosa apertando-se bem firme contra ele. David também não fica para trás ao expressar seu carinho por sua única filha devolvendo o abraço com um enorme entusiasmo afagando-lhe os cabelos e beijando-a no topo da cabeça.

– Bom dia papai. — repete ela agora de maneira mais doce.

– Ahh agora sim isso é um bom dia de verdade. — separou-se pouco coisa de Emma sorrindo-lhe de uma maneira toda afetiva aproveitando para beijá-la na testa. — Vamos lá, sua mãe está na cozinha preparando o café da manhã. Onde está Regina?

– Ela ainda está dormindo... geralmente nos fins de semana ela acorda um pouco mais tarde.

Balançou a cabeça como se estivesse concordando com a filha enquanto caminhavam juntos para a cozinha.

– Entendo... E os projetos do restaurante, vão bem?

– A ponto de ser inaugurado.

– Isso que são boas notícias, desejo muito sorte para ela.

– Obrigada!

Ao entrarem na cozinha, Mary estava sentada com uma xícara na mão olhando com uma expressão de tédio para o jornal do dia e ao ouvir a voz de Emma surpreende-se com toda uma razão.

– Olha só quem veio nos presentear com sua presença explendida?! — diz David parando em frente a mesa e puxando uma cadeira para Emma. — Vem querida, sente-se conosco.

– Emma, aconteceu algo? — indagou Mary preocupada. Ver Emma alí na sua casa, baseando-se nos últimos acontecimentos dos dias anteriores só lhe faziam crer que algo tivesse acontecido, porque nem com todos os convites mais sinceros de uma visita vindos de sua parte, Emma aceitou. E agora ela estava alí. Das duas, uma: Regina estava passando mal e Emma não estava sabendo lidar com a situação ou Emma talvez quisesse fazer as pazes. E sinceramente, queria muito acreditar que a resposta sería a última opção.

– Não aconteceu nada. — Emma nega sentando-se ao lado da mãe. — Na verdade, eu vim pedir um pequeno favor para você.

Mary sorriu carinhosamente para a filha. Não era o que estava pensando, mas isso já era um começo.

– Peça-me querida e eu farei com todo prazer.

– Eu tenho que passar boa parte do dia fora e eu não quero deixar Regina sozinha por muito tempo e vendo que vocês se tornaram bem amigas, eu pensei que você poderia ficar com ela por enquanto... Não sei, levar o café da manhã para ela. Conversar sobre experiências de uma gravidez.. Enfim... Fazer companhía. Esses días ela anda bem nervosa...

– Não se preocupe querida, David e eu ficaremos com ela, aliás, Regina mesmo tinha combinado comigo de irmos ao shopping esta manhã comprar algumas roupas novas. — levantou-se indo até a parte alta do armário pegando uma xícara e posicionando em frente a Emma. — Tome café conosco.

– Obrigada, mas essa ida ao shopping não seria só semana que vem?

– Essa era a idéia, mas ontem ela esteve aqui e decidiu que precisava comprar um vestido novo para uma ocasião especial e me convenceu de ir acompanhá-la. — explicou tranquilamente.

Emma maneou a cabeça dando a entender que havia entendido. Ao bebericar o café oferecido por Mary, naquele exato momento em que sentiu o sabor do líquido quente e se dando conta da situação em que se encontrava naquela mesa com seus pais, sentiu uma nostalgia tão grande dentro do peito que parecía estar voltando cerca de doze anos atrás no tempo quando era apenas uma menininha desfrutando da sua primeira refeição do dia com seus amados pais. E de certa forma, ela voltou à esses doze anos atrás em um piscar de olhos.

" — Ai papai, pára, pára.. eu vou vomitar. Mamãe socorrooo... — gargalhava a pequena Emma sendo rodopiada no ar por um David todo bricalhão.

– Quem foi a meninininha linda do papai que não fez xixi na cama essa noite, hum? Como é o nome dela? — Ele trazia Emma nos braços quase correndo pela sala de estar indo até a cozinha.

– EMMAAA. — gritou sorridente jogando as mãozinhas no ar.

– Isso mesmo... Minha menininha tá ficando grandona já, olha só como já está ficando pesada.

David sentou na cadeira com Emma em seu colo arrumando o cabelo rebelde da filha e tentando desamassar o pijama branco com estampas do desenho animado do Mickey Mouse soltando beijos para Minnie. Se tinha algo que David amava mais que tudo na vida, era poder sempre compartilhar cada momento da vida da filha, e para ele sempre era um enorme prazer ter o trabalho de acordá-la e brindá-la com essas brincadeiras que já eram algo tão particular dos dois. Os dois eram tão iguais.

– Papai?

– Diga meu amor.

– Quando eu for bem grandona, bem grandona mesmo igualzinha ao senhor, vai ser eu que vou levantar o senhor quando eu abraçá-lo.

David sorriu beijando a testa da pequena.

– É mesmo?

– Uhum, o senhor vai ver. Vou ser bem foooorte que nem o Hulk, só que não verde, cor de pele verde é feio. — fez carinha de desagrado contorcendo os lábios voltando a sorrir depois.

– Parece que nosso pequeno leãozinho dourado acordou bem tagarela hoje hein?! — Mary diz aparecendo na cozinha trazendo o jornal para o esposo e aproveita para pegar Emma no colo e a beija delicadamente na bochecha afastando os cachinhos rebeldes do rosto da menina. — Bom dia, princesa.

Emma estava com as perninhas envolta da cintura de Mary feito um mini koala.

– Bom dia mamãe... — disse com um sorriso fofo infantil brincando com o cabelo solto da mãe. — Mamãe, um dia eu vou ser tão bonita quanto a senhora?

– Oh meu amor, claro que vai ser e vai ser muito mais que eu, vai ser a garota mais linda do mundo... Na verdade, você já é a garota mais linda do mundo. — beijou-lhe os cabelos antes de colocá-la sobre uma cadeira ao redor da mesa.

– Ouviu isso, papai? — perguntou olhando para o pai toda animada.

– Ouvi sim minha pequena, e eu estou de pleno acordo com sua mãe. Vocês duas são as garotas mais lindas do mundo, eu sou um homem muito sortudo por isso. — diz ele tocando de leve o nariz da pequena.

Após arrumar a mesa do café da manhã, Mary senta-se ao lado do esposo e lhe oferece uma generosa xícara de café como David adorava em cada manhã.

– Obrigada, querida. — agradece ele dobrando o jornal e colocando sobre a mesa cruzando as pernas e ajeitando-se melhor na cadeira.

– Mãe, eu também quero café. — resmunga Emma fazendo biquinho, que por sinal estava marcado por uma fina trilha de leite.

– Você ainda é muito novinha para tomar café Emma, não está gostoso o seu leite?

– Está, mas eu quero café... Tem um cheirinho tão bom, tem cheirinho de sorriso.

Mary e David sorriem.

– Como seria um cheirinho de sorriso, meu leãozinho? — pergunta David.

– Ahhh eu não sei direito, só sei que quando o senhor toma café sempre sorrí e daí eu sinto o cheiro do café e fica um cheirinho de sorriso. — tenta explicar a pequena da sua maneira, que para ela era muito lógico.

– Tem sentido... — dá apoio o pai da garotinha. — Vem cá, vou colocar um pouquinho só para você provar.

– Tá.

– David?! Ela ainda é muito pequena. — repreende Mary.

– Deixe de ser rabugenta, só vai ser dois golinhos...

– Rabugenta? — olha-o descrente. -Ok, depois quando ela estiver passando mal, vai ser o senhor "dois golinhos" que vai virar as noites cuidando dela, tá ouvindo? — Mary retruca sentindo-se chateada por David estar contrariando suas idéias.

David joga a mão no ar não importando-se com o que a esposa dissera, não perderia a oportunidade de ver a filha provando uma das coisas que particularmente ele adorava muito."

Aquela lembrança tão longínqua fez Emma sorrir contra a xícara por longos segundos, ainda conseguia conservar boas recordações de sua infância ao lado dos pais, mesmo que essas fossem quase escassas.

– Querida?

– Sim? — Emma olha para Mary. — disse algo?

– Perguntei onde você vai estar durante o dia.

– Vou organizar algo importante com um amigo, que inclusive, já deve estar a minha espera... então melhor eu já ir. — colocou a xícara sobre a mesa de volta e levantou-se. — Obrigada mais uma vez.

Mary e David acompanharam-na até a porta.

– Venha sempre que desejar, meu leãozinho. — foi David quem disse pousando carinhosamente sua mão sobre o ombro de Emma. — Aqui também é sua casa, nunca esqueça disso.

– Não esquecerei. — sorriu sem graça, naquele momento aquele apelido não lhe era tão bem-vindo. — Bem, até depois, e mãe... Acredito que daqui a uma hora Regina já vai estar acordada, Então...

– Pode ficar tranquila, eu irei lá ajudá-la com o café da manhã.

– Certo, obrigada então... tchau.

– Tchau.

Após os três terem se despedido, Emma entrou no elevador e David e Mary entraram de volta no apartamento com uma sensação maravilhosa no peito. Principalmente Mary, que em seu modo de ver, estava finalmente ganhando espaço para reconquistar a confiança da filha e não iria deixar nenhuma oportunidade para isso escapar.

*SH*

Tinha quase quarenta minutos que Killian ouvia atentamente cada palavra saída da boca de Emma. Quase quarenta minutos sentado na sua cama com Emma também sentada na ponta tentando convencê-lo de participar do que ela estava propondo-lhe. Quase quarenta minutos ouvindo aquilo que a muito tempo já sabía. Não porque alguém havia dito, mas sim porque era um rapaz observador e conhecia muito bem os amigos que tinha, principalmente Emma.

– Você é muito traíra, Swan. — diz jogando um travesseiro na amiga. — Eu te dei tantos espaços para você me contar, e só agora que eu fico sabendo? E ainda mais em forma de um resumão? Eu estou muito decepcionado com você.

Emma sorri devolvendo o travesseiro e se arrastando mais para o amigo deitando no colo dele.

– Eu só queria ter certeza que isso realmente estava acontecendo, sabe? Eu queria estar segura de que era de verdade e que não era um sonho antes de dividir isso com você. Ah qual é Kil?! Você sabe como eu sou...

– Mas deveria ter me contado antes... eu sempre tive minhas suspeitas que entre Regina e você existia uma conexão mais forte que só uma simples amizade, um fogo que precisava devorar as duas juntas... Algo incomum para os outros, mas que só olhando para as duas fazia sentido. Eu não sei te explicar bem, mas sei com certeza que vocês duas combinam muito. — falou mexendo no cabelo da loira. — Eu só não entendo uma coisa.

– O quê?

– O que você pretende?

Emma franziu a testa em sinal de incompreensão.

– Como assim o que eu pretendo?

– Vocês agora sabem dos sentimentos uma da outra, já trocaram beijos, já dormiram juntas e agora estão tentando iniciar uma nova fase na história das duas, mas o que isso significa? Você vai pedi-la em namoro ou algo assim? Já pensou no que isso vai pesar se a familia Mills descobrir? E agora tem na bagagem o bebê...

Suspirando, Emma ergue o olhar encarando os olhos azuis do moreno e diz com toda uma certeza:

– Se depender de mim Killian, e se ela quiser, Regina futuramente será minha esposa... — sorriu convicta piscando o olho para o amigo. — Eu estou pouco me importando com a familia Mills, eles mesmos... quero dizer, Cora Mills mesma disse que não queria saber nada do que possa envolver Regina, então ela não tem nada que opinar sobre a nossa vida. E o bebê... É inacreditável o que eu vou dizer, mas já amo com todo o meu coração o bebê da Regina, e eu morro de vontade de vê-lo, de segurá-lo... Você não tem noção do quanto isso é grande em mim. Eu cuidarei dele e de Regina e não permitirei ninguém fazer mal à eles dois, ninguém.

– E seus pais?

– O que tem eles?

– Não se importará com a opinião deles?

– Eles nunca se importaram com a minha, porque eu me importaria com a deles? Eu amo muito meus pais, mas eles já não tem poder algum sobre mim, portanto nada que disserem poderá mudar algo na minha vida. — disse firme.

– É Swan, a Evil Queen te fisgou mesmo, não é? — brincou mordendo o lábio. Estava bem contente por ver Emma daquela forma tão entregue aos seus sentimentos e essa era a primeira vez que via a loira falar de coração aberto com ele sobre alguém que realmente gostava, e isso era de grande prazer para Killian.

– Hey não chame ela assim. — protestou saindo do colo do amigo e batendo de leve no ombro dele.

Ele gargalhou gostosamente.

– Ok, Ok... Mas voltando ao assunto que nos levou até aqui... O que eu ganho em troca ao aceitar o que estava me propondo?

– Eu compro três livros da Sylvia Day para você, incluindo a série crossfire. — disse com esperteza sabendo bem o quanto o amigo adorava a escrita da famosa best-seller internacional.

Ele arqueou a sobrancelha.

– Que miserável, Swan. Apenas três?

– Quatro, e com dois autografados por ela. É pegar ou largar.

– Está bem, trato feito. — sorriu. — Então vamos logo preparar tudo para que antes das dezenove horas tudo esteja pronto, seguramente quando chegarmos lá, Ester deva estar limpando a casa como sempre. — foi dizendo enquanto pegava a carteira, as chaves e o celular e colocando dentro dos bolsos. — Só uma perguntinha. — girou com o dedo indicador erguido.

– Faça.

– Regina sabe que você vai levá-la para lá?

Com um grande sorriso de uma garota apaixonada, Emma responde:

– Vai ser surpresa!

*SH*

Como prometido e com um verdadeiro entusiasmo, Mary havia estado a manhã inteira com Regina acompanhando-a no café da manhã e logo mais na ida ao shopping, que contou com a presença de David também. E agora os três estavam na praça de alimentação almoçando com calma. Regina vez ou outra perdia-se da conversa dos Nolans olhando de em dez em dez minutos em seu celular esperando algum sinal de vida vindo de Emma. Não que estivesse todo aquele tempo sem notícias de Emma, porque essa mesma além da nota deixada na cozinha comunicando de sua saída e os motivos, havía também ligado duas vezes para saber se Regina estava bem, mas o costume de estarem sempre juntas e estarem em contato uma com a outra a cada minuto havia deixando-a viciada pela presença de Swan e a cada instante sem ela, era algo tão vazío.

Vinte minutos mais tarde após o fim do almoço, David decidiu que iria passar pela sessão masculina e comprar algumas peças novas de roupas para ele enquanto Mary e Regina circulavam pelas várias vitrines que víam pela frente.

– Regina, que tipo de evento é esse? — pergunta Mary do nada quando Regina sai do provador com mais um vestido no corpo.

– Não é um evento, é apenas um jantar. — responde simplesmente observando atentamente o seu reflexo no espelho. Abriu um sorriso satisfeito, após muitas trocas, havia achado finalmente o vestido perfeito para o encontro com Emma.

Mary observava sentada em uma das poltronas toda a expressão corporal de Regina. Aparentemente aquele jantar seria algo bem especial.

– Com Emma? — lança a pergunta tentanto soar o mais normal possível. Não sabia o porquê, mas sentiu que sua filha pudesse ser a causa dos sorrisos que vía Regina esboçar através do reflexo do espelho a cada momento que a morena passava suas mãos pelas laterais do vestido e sobre a barriga.

Quando deu-se conta do que poderia levar aquela conversa, Regina sentiu o corpo tensar-se e só não foi pior porque logo David apareceu com um sorriso muito largo, deixando Regina aliviada e uma Mary sem resposta.

– Regina, feche os olhos. — ele pede com um ar misterioso aproximando-se da morena. Suas mãos estavam jogadas para trás escondendo algo.

– Fechar os olhos? Mas porquê? — questiona confusa olhando para David e Mary.

– Ande logo menina, feche os olhos. — incetiva super excitado.

Mary vendo a empolgação do marido, levanta-se e ao chegar perto consegue ver o que o esposo tinha nas mãos e ao indenticar o objeto, desenha um sorriso muito afetuoso.

– Confie Regina, você vai gostar. — também incentiva a senhora Nolan.

Dando de ombros, Regina fecha os olhos.

– Pronto.

– Estenda as mãos. — pede David.

E assim Regina o faz estendendo as mãos na direção de David Nolan.

Trocando um olhar cúmplice com a esposa, David coloca o presente sobre as palmas das mãos de Regina.

Eram algo par.

Macío.

Pequeno.

Regina pôde constatar isso, sem ainda abrir os olhos.

– Posso abrir os olhos agora?

– Deve. — responde o casal Nolan.

Vagarosamente abrindo primeiro um olho, Regina vai retomando a visão e ao tê-la completamente e ver que em suas mãos estavam um lindo e delicado parzinho de sapatinhos de lã branca abre um maravilhado sorriso.

– Nossa, é... é tão lindo, tão pequeno. — dizia acaricando com as pontas dos dedos os sapatinhos. — É tão gostoso... — sorriu olhando para David. — Obrigada, obrigada mesmo. Esse é o primeiro par de sapatinhos do bebê, eu ainda não tinha pensado em comprar as coisinhas dele, não agora... Ai, eu nem sei o que dizer... Obrigada! — abraça David, que em troca retruibue calorosamente o abraço.

– Que isso menina?! Quando ví esse parzinho não resisti em comprá-lo, esse será apenas o primeiro de muitos presentes, eu garanto.

– Eu adorei, obrigada! Emma com certeza vai adorar quando vê-los também. — sorri mais uma vez agradecida.

– Eu me lembro que o primeiro par de sapatinhos da Emma foi azul. — comenta Mary começando a achar graça. — E foi você mesmo quem comprou David.

– Para mim essas coisas de cores são besteiras, eu vi, gostei e comprei... E a Emma adorou. — disse ele em sua defesa passando o braço pelos ombros da mulher apertando-a com amor.

– Eu acho que lembro... Tem uma foto da Emma com esse sapatinho em algum lugar do quarto dela... Eu não sei exatamente em que canto. — Regina diz após ter entrado e saído do provador.

– Com certeza deve ser a que ela está no berço dormindo... Então, já tem o escolhido, Regina?

– Sim, já tenho. Vou só alí no caixa pagar e já venho para irmos embora.

– Tudo bem.

Quando Regina fora fazer o pagamento das compras, David percebeu a mulher um pouco pensantiva e com um semblante preocupado.

– Tá tudo bem? Você parece preocupada.

– Ah não, apenas estou cansada!

– Apenas isso?

– Sim, apenas isso. — girou o rosto passando a mão pelo rosto do esposo beijando-o delicadamente nos lábios. — Quero apenas ir para casa e descansar meus pés.

– Eu também quero muito isso... Nunca é uma boa idéia acompanhar mulheres ao shopping, vocês são extremamente indecisas, já tinha me esquecido desse sofrimento. — sorriu suspirando no final.

– Tonto. — Mary diz abraçando-se mais ao marido.

– Vamos então? — aparece Regina carregada de sacolas.

– Vamos, mas deixe-me ajudá-la com essas sacolas. — David se dispõe a ajudar a filha do prefeito pegando para sí quatro sacolas das mãos da Mills.

– Obrigada!

Desceram do terceiro piso do shopping pelas escadas rolantes rumo ao estacionamento. Mary e David conversavam coisas aleatórios pelo caminho, enquanto Regina repassava em sua mente se tinha comprado tudo o que havia planejado para aquela manhã. Quando baixou seus olhos para o chão e os erguendo novamente, algo ou melhor dizendo, alguém chamou-lhe a atenção em um ponto mais afastado.

Ela parou subitamente sentindo seu coração quase parar pelo susto tomado. Na verdade ela não podia crer que estivesse vendo certo, só poderia ser sua visão lhe traíndo. Porque não podería ser certo o que tinha visto, em realidade quem tinha visto parado em uma das portas de saída do shopping.

– Regina, você está se sentindo bem? Aconteceu algo? — pergunta Mary ao ver Regina empalidecer-se e com os olhos focados em um ponto distante, no qual não havia nada que pudesse ganhar tanta atenção assim.

– Ahm... É, sim... eu estou bem... Eu só pensei ter visto alguém... Acho que é melhor irmos de uma vez para casa. — respondeu com uma voz fraca e baixa agora sentindo uma dor de cabeça atingi-la.

– Você não me parece bem... — tomou o restante das sacolas de Regina e com uma mão livre a colocou em volta de sua cintura transformando-se assim em um apoio para a melhor amiga de sua filha.

– Eu estou bem, apenas uma chata dor de cabeça, logo vai passar. — força um sorriso tranquilizador.

Mary olha para Regina desconfíada, duvidosa de que aquele pequeno mal estar pudesse ser só uma dor de cabeça. Quando estão todos acomodados dentro do carro, ela pergunta:

– Não quer que ir ao médico só para darmos uma avaliadinha em você, querida?

– Realmente não há necessidades, é somente o cansaço.

– Tudo bem então, mas qualquer coisa nos diga, está bem?

– Uhum. — Regina balança a cabeça positivamente respirando fundo.

Sentada no banco de trás, ela repassa a cena em sua mente várias e várias vezes e conclue que estava estressando-se a tôa, porque lembrando-se bem das palavras de seu ex-namorado na última vez em que estiveram juntos, Graham jamais voltaria para Storybrooke e com certeza o rapaz que vira de relance na porta de saída do shopping não se tratava do homem que um dia a fez sofrer e que a abandonou sozinha. Com certeza não era Graham Humbert e com certeza o que viu foi apenas um reflexo de seu cansaço.

*SH*

A noite havia chegado e a ansiedade e nervosismo haviam tomado posse do coração de Emma a deixando inquieta, com as mãos frías e um monte de borboletas criavam vida dentro do seu estômago a cada vez que olhava para os ponteiros do relógio em formato de sereia acima da mesinha de cabeceira de Ariel, que naquele momento já estava marcando 19h30.

– Ai Emma fica parada um minuto pelo amor de Cristo, assim eu nunca vou terminar de maquiar você. — reclamou Ariel um pouco inclinada sobre Emma tentando finalizar o traço do delinear nos olhos de Emma.

Emma grunhe apertando o quadril de Ariel.

– Você tá demorando muito com isso, não tem como ser mais rápida? Minha bunda já tá dormente de tanto ficar sentada aqui, eu vou acabar me atrasando.

– Você tá parecendo uma menina que por primeira vez vai a um parque de diversões... A Regina não vai a nenhum lugar sem você, Emma, então fica tranquila. Estou quase acabando.

– Estou quase acabando... — imita a voz da amiga. — Já tem quase uma hora que você diz isso.

Ariel sorri achando graça da clara impaciência da amiga.

– Maquiar é arte, querida.. ou você quer chegar no seu encontro com Regina parecendo uma circense? Eu acho que não, né? Então fique paradinha e caladinha só mais um minuto. — Ariel afasta-se um pouco de Emma e tira de sua necessaíre um batom. — Ergue um pouco mais o rosto para mim, por favor.

Emma o faz, e assim Ariel finaliza a maquiagem.

– Prontinho Swan. — diz a ruiva separando-se de Emma.

– Finalmente.

Ao olhar-se no espelho, Emma fica admirada com sua própria imagem refletida. Usava um vestido liso azul royal marcando bem suas curvas combinado com um decode não muito aberto, mas que ainda assim ganhava destaque. O cabelo estava preso em um alto rabo de cavalo deixando os pesados cachos cairem sobre o ombro como em uma cascada, a franja lateral estava solta e uma fina trancinha foi feita do lado direito. Tudo combinando com uma maquiagem suave marcando bem os olhos verdes esmeraldas de Swan terminando com um delicado tom rosa pintado nos lábios.

– Wow, essa é a minha Sailor Moon? Que deslumbrante... Olha, se eu gostasse de loiras... — Killian entra no quarto e não perde a oportunidade de brincar com Emma ao vê-la alí parada e tão bem arrumada.

Ela vira para ele, e não sabe o porquê , mas o que faz é abraçá-lo.

– Eu estou tão nervosa, até parece que eu vou casar. — diz brincando no final, resultando nos dois caindo na risada.

– Vai dar tudo certo meu bem, e posso apostar que vocês nem ficaram por muito tempo com roupas.

Ela belisca o braço dele.

– Deixe de palhaçadas e vamos logo.

– Eu só estou dizendo a verdade, querida. — dá uma piscadela.

– Desnecessário. — retruca mas sem deixar o belo sorriso que trazia no rosto desde o ínicio da manhã. Vai até Ariel e abraça também. — Obrigada pela paciência comigo.

Ariel retribrue o abraço.

– Apenas façam as coisas certo e combinemos logo de uma vez essa saída de casais. Belle e eu adoramos muito saber que vocês também sentem esse sentimento tão maravilhoso que é o amor. Vocês combinam muito.

– Foi exatamente o que eu disse isso para ela hoje. — Killian diz enquanto aproveitava para arrumar a gravata admirando-se no espelho. — E pelo visto eu estarei fora dessa saidinha de casais, não? — lamenta.

– Killian você só está solteiro porque quer, pretendentes não faltam...

– Sou gostoso demais para eu ter que me dividir com outra pessoa, baby. — ele sorri descaradamente de um jeito todo convencido terminando de arrumar seu traje de chofer. — Vejam como eu sou incrivelmente lindo até vestido de motorista. — vira o corpo para as duas apontando os dedos para si.

Emma e Ariel se entreolham, caindo em risos logo depois.

– Ai Kil, pare de ser tão modesto e vamos logo. Tchau Ariel.

– Tchau e aproveitem bem a noite hein?!

– Pode deixar e obrigada mais uma vez.

Logo depois de sairem da casa de Ariel, Killian toma a posição de chofer e Emma senta no banco traseiro segurando uma solitária rosa vermelha nas mãos.

– Então senhorita Swan, tomamos caminho?

– Por favor senhor Jones.

Ele dedica um terno sorriso à Emma, arruma melhor o kep e dando em seguida partida no carro. Estaria dando-se inicio agora à primeira parte desse tão esperando encontro com Regina Mills.

*SH*

– Oh meu Deus, eu tenho certeza que quando Emma ver você assim desse jeito, ela não vai conseguir dar dois passos para frente sem cair. Regina, você está linda. — foi Belle quem disse admirada olhando para a amiga, orgulhosa da enorme beleza que Regina sem muito esforço exibia.

Foi até Regina pegando-a pela mão e fazendo a mesma dar um curto giro em torno de seu próprio corpo, e no final ambas sorriram.

– Eu espero muito que Emma goste. Será que ela vai gostar?

– Que pergunta mais boba é essa, Gina? Emma terá provavelmente um infarto ao vê-la assim... Confesse, você vestiu-se assim de próposito ou eu estou enganada?

Regina curvou as ponta dos lábios para cima desenhando um caracteristico sorriso olhando para Belle de uma forma bem sádica e sugestiva sem ocultar a excitação dos seus planos para aquela loira abusada que ousou desafiá-la de todas as maneiras evitando-a dentro daquela semana.

– Quem sabe, hum?! Posso ter meus truques para essa noite. — respondeu de maneira misteriosa.

– E é claro que você vai me contar cada detalhe amanhã, porque você me deve isso.

Como em um gesto carinhoso entre amigas, Regina beija a bochecha de Belle e diz:

– Cada detalhe e um pouco mais.

– Ótimo.

Alguns minutos depois, coisa de vinte minutos a porta é tocada, evidenciando assim que Emma Swan havia chegado.

E antes de abrir a porta, Regina dá uma última olhada no espelho e dirige-se a porta. Respirou fundo ao pousar a mão sobre a maçaneta, estava naquele momento nervosa e tentava a todo custo acalmar as batidas do coração.

Estava morrendo de saudades de Emma, e talvez esse tenha sido o primeiro dia nesses quase onze anos em que ficaram tão separadas uma da outra estando de bem e sem brigas.

Abriu lentamente a porta e o sorriso ao ver Emma só não foi maior porque ficou paralisada contemplando minunciosamente a beleza de sua loira.

Emma estava perfeita aos seus olhos e não existia mulher mais linda que a sua, esse era o pensamento fiel de Regina.

Já Emma não sabia para que canto em Regina parava seus olhos, pois assim que a porta foi aberta sua boca abriu-se incapaz de compreender como Regina conseguia superar sua beleza a cada dia e a cada nova forma de se vestir. Foi impossível não notar o generoso decote em V que se seguia até o final do estômado e na lasca lateral da perna direita. O vestido era longo, preto e desfarçava com perfeição o volume da barriga de Regina, que embora ainda não fosse tão chamativo já estava arredondando-se com rapidez.

Ficaram perdidas uma na outra até que Belle, cansada daquela troca de olhares sem nenhuma ação resolveu se pronunciar.

– Eu acho que o corredor não é o melhor lugar para se ter um encontro romantico, então eu acho que é melhor vocês se deciderem logo.

Após o momento quebrado, Emma finalmente encontra o ponto ON de seu cérebro ativando assim a voz e seus movimentos corporais.

– Você está magnífica, Gina. — suspira olhando-a agora com timidez, estende a mão e oferece-lhe a rosa. — Para você!

Regina pega a rosa acariciando as pétalas com todo um cuidado.

– Obrigada, ela é linda... Só não mais linda que você. — diz tentando segurar a emoção crescente que sentia no peito.

– Awwwwnnn que fofas! — Belle diz olhando para as duas. — Me dá aqui Regina, eu guardo para você. Agora vão.

– Você vai ficar aqui? — pergunta Emma.

Belle respira fundo mostrando com a mão a mesinha de centro carregada de pastas e papeladas soltas.

– Enquanto a patroa tem um encontro, eu tenho que terminar alguns trabalhos do restaurante e dar alguns telefonemas, logo mais voltarei para a minha casa antes mesmo que vocês cheguem a todo vapor. — deu-lhes um olhar sugestivo.

– Você pode ficar, talvez não voltemos essa noite. — Emma diz ao morder o lábio suspirando misteriosamente.

Regina a olha com o semblante intrigado.

– Temos essa possibilidade? — questiona.

– É o que eu espero. — sorriu. — Então, Isabelle?

– Eu adoraria, mas eu tenho que voltar para casa... Não quero deixar meu pai sozinho por muito tempo.

Emma assentiu de maneira compreensiva.

– Certo, mas de qualquer forma o apartamento fica a sua disposição.

– Obrigada!

Com toda uma delicadeza e passos certos, Emma pega a mão de Regina com a sua e a convida:

– Aceita passar uma agradável noite em minha companhía, milady?

– Eu tenho esperado por isso o dia inteiro.

Suavemente Emma puxa Regina e pousa seus lábios sobre a pele macia e delicada da bochecha de sua amada selando um carinhoso beijo.

– Me acompanhe, senhorita Mills.

– Com todo o prazer, senhorita Swan. — entrelaçou seu braço com o de Emma a olhando com uma enorme ternura.

– Tenham uma boa noite, meninas. — Belle diz como despedida preparando-se para fechar a porta.

– Obrigada, querida.

Minutos depois, de frente ao prédio, Regina surpreende-se ao ver Killian ao lado do carro parado vestido totalmente como um motorista as esperando com um brilhante sorriso.

– Killian? O que faz aqui?

Como um ótimo chofer, Killian dirige-se a porta traseira abrindo-a.

– Hoje serei eu o responsável para conduzi-las à pontinha do céu, senhorita. Sou apenas um fiel criado a vossas vontades. — diz o rapaz fazendo pose ereta e até firmando mais a voz.

Regina olha para Emma com uma expressão divertida, mas sem ainda entender.

– O que significa isso?

– Killian fazendo palhaças como sempre, ele só será nosso motorista essa noite. Vem, vamos entrar. — diz a loira dando espaço para que Regina entrasse primeiro no automóvel e assim ela o faz.

Quando ambas estavam sentadas lado a lado, Killian entrega uma venda para Emma, e seguindo as normas de um trânsito, ele diz:

– Coloquem o cinto de seguranças, moças. Não queremos ganhar multas numa noite tão gostosa como essa, certo?

– Claro, mas antes... — Emma vira-se para Regina. — Você confia em mim?

– Ué, confio... Porquê?

– Eu preciso que você tape seus olhos o caminho todo. — respondeu mostrando a venda negra.

Regina pega a venda e olha para Emma confusa.

– Porque disso?

– Porque o lugar em que vamos ficar será de minha parte uma surpresinha, por favor... Faça-o.

– Tudo bem.

Confiando cegamente em Emma, Regina atende o pedido e venda os olhos tendo agora sua visão bloqueada.

– Agora podemos ir. — diz isso diretamente para Kilian que assente dando agora movimento no carro.

Para assegurar a sua amada que tudo estava indo bem, Emma entrelaça sua mão com a de Regina e alí naquele contato, a loira percebe que Regina estava tão nervosa quanto ela. Aperta a mão trazendo para o seu colo.

Sim, Regina estava nervosa e posta agora naquele situação de não poder ver onde estavam conduzindo-a a deixava mais ansiosa ainda. Aquele anseio delicioso que te faz sorrir sem perceber apenas por imaginar situações e naquele momento estava imaginando-se dentro de muitas.

Pelo trajeto, ela pôde aguçar mais seus outros sentidos. O barulho de carros e movimento já havia cessado consideralmente, o cheirinho do ambiente já havia mudado para algo mais adocicado e pelo movimento do carro, Regina pôde notar que já não estavam mais sobre o asfalto das vías de Storybrooke.

– Emma, onde estamos indo? — fez a pergunta sussurando o mais próximo de Emma possível.

– À um lugar muito especial para nós duas. Não demorará tanto.

Com essa última informação, Regina se pôs pensativa tentando fazer ligações de onde poderia ser esse lugar, mas nenhum resultado considerável veio-lhe a mente.

Alguns poucos minutos mais tarde o carro pára.

– Vem comigo. — Emma pede com gentileza após ter saído de dentro do veículo dando a volta e abrindo a porta do lado em que Regina estava sentada. — Segure em minha mão e confíe em mim.

Quando já estava de pé e fora do carro segurando a mão de Emma, Regina ouviu um sonzinho peculiar de copas de árvores chocando-se contra o vento frio da noite e um cheirinho de umidade.

– Se eu disser que esse mistério todo não está me assustando, eu estaria mentindo... Onde estamos Emma? Já chega desse mistério. — disse segurando-se firme em sua loira, porque aparentemente estavam caminhando sobre um tapete de gramas.

Logo, o que parecia ser um tapete de gramas, tornou-se degraus de madeira lisa.

– Suba com cuidado, só é apenas quatro degraus.

– Emma...

As mãos de Swan se posicionaram na cintura de Regina pondo-se por trás de sua amada melhor amiga a colocando de frente à algo.

A loira subiu suas mãs pelo corpo de Regina parando na venda.

– Eu espero que goste do lugar. — sussurrou contra o ouvido da morena.

Regina arrepiou-se de leve, deixando um suave sorriso estampar no rosto.

De uma maneira vagarosa, Emma foi desfazendo da venda que cobria os olhos de Regina, e no fim, essa ao ver-se livre foi abrindo os olhos lentamente.

Piscou algumas vezes recuperando totalmente a visão e assim que a obteve por completo, a primeira coisa que viu foi o que por anos, a fascinou como nunca.

Sorriu encantada correndo seus curiosos e saudosos olhos pelo lugar movimentando o corpo.

– Emma, essa é...

– A casa do lago da familia Jones. — completou a loira sorrindo ao ver que havia acertado na escolha.

A casa era enorme, rodeada por um verde lindo florestal, à beira de um lago de tonalidade quase azul. Havia uma longa passarela de madeira dando caminho ao lago e no final desta passarela, havia uma mesa posta para dois decorada com um descreto ramo de rosas em um tranparente jarro e duas velas adornadas com vidro também.

– Meu Deus, Emma... Isso é...

– Lindo, eu sei... Deixe-me nos levar a nossa mesa. — estendeu-lhe a mão que sem nenhuma demora foi agarrada por Regina.

Os saltos de ambas faziam um gostoso eco a cada passo dado sobre a passarela de madeira, que inclusive, nas laterais haviam pequeno jarros de flores de diferentes cores.

– Quem fez tudo isso? — perguntou assim que se encontraram de frente à mesa e de forma cavalheiresca, Emma puxando a cadeira para que Regina sentasse. — Obrigada!

– Killian, Ester e Eu. — respondeu.

– Quem é Ester?

– A moça que cuida da casa. — Senta-se na cadeira em frente a Regina.

– E o que você fez para Killian te dar a chave da casa e ainda servir-nos de motorista?

Emma sorriu.

– Sylvia Day.

Regina soltou uma risada.

– Típico.

– Uhum... — Emma inspirou soltando o ar levemente. — Então, valeu apena o mistério?

– Eu nunca imaginei que você nos traria para cá, Emma... Eu adorei. A última vez que estivemos aqui tínhamos dezessete anos e eu me lembro bem que eu disse que aqui seria perfeito para...

– ... Um perfeito primeiro encontro. — completou sustentando o olhar de Regina. Ambas sorriram. — Eu nunca esqueci disso, foi justamente na época em que eu já estava te vendo de uma outra forma, meu coração já reagia sem controle quando eu te vía e quando você disse isso, eu prometi para mim mesma que se um dia se você também me olhasse como eu te olhava, e quisesse ter um encontro comigo, aqui seria o lugar.

Regina sentiu aquelas estranhas borboletas alçarem vôo no seu estômago ao ouvir Emma confessando aquilo.

Aproveitou que a mão de Swan estava sobre a mesa e colocou a sua por cima da dela.

– Você é tão perfeita, Emma... Eu nem sei explicar todas essas emoções que eu sinto quando estou perto de você e que a cada palavra dita, a cada dia, a cada minuto só aumentam em mim.

– Você me deixa toda boba quando me diz essas coisas porque sempre parece que é um sonho estar assim com você, finalmente.

– É real meu amor, agora é real. — apertou a mão de Emma. — Me responde uma coisa?

– Que coisa?

– Quando foi o momento em que você percebeu que gostava de mim muito mais que uma amiga.

Emma sorriu verdadeiramente com os olhos brilhantes encarando Regina e disse:

– Foi na noite em que você dormiu por primeira vez no meu, que agora é nosso apartamento.

"Após ter completado um ano vivendo sozinha no apartamento dado pelos pais, Emma tinha organizado uma pequena festa entre os amigos da escola para comemorar o último ano do ensino médio e a entrada tanto dela como a de Regina na faculdade. Os convidados eram praticamente os mesmos de toda festa que ela organizava, sendo eles: Ruby, Ariel, Philip, Aurora, Eric, Belle, Sarah, Killian e somente por causa de Ruby, Graham também fazia parte das festas.

E hoje com uma grande insistência, Regina também resolveu participar.

– Hey Ruby, me ajuda aqui com as bebidas. — pediu Emma ao ver a garota de olhos azuis sentada no chão colando fotos da Jolie em um tipo de cartaz cortonando com corações.

– Só um minuto, Emms. Deixa só eu terminar isso.

– Porque você está fazendo isso?

– Eu fui nomeada presidente do fã-clube da Angie daqui de Storybrooke, daí eu tou fazendo esse cartaz para colar no quarto vazio que tem na minha casa onde vão acontecer as reuniões. — respondeu sem olhar para Emma, perdida entre tantas fotos para colar.

– Isso é mesmo necessário? Deixa a Jolie aí e vem me ajudar.

– Não se meta entre a Jolie e eu. — disse sacando a língua, o que fez Emma revirar os olhos. — Pede para a Ari, ela não tá fazendo nada.

Quando Emma olhou para a sala viu Ariel aos beijos com Eric.

– Acredite, ela tá bem ocupada agora.

– Deixa que eu te ajudo, Emma. — foi Belle quem disse chegando perto de Emma, e a olhar para Belle, a loira pôde perceber um semblante cansado, triste...

– Tudo bem, mas aconteceu algo? Você parece abatida.

Belle sorriu negando com a cabeça.

– Acho que são essas músicas da Lady Gaga que estão me afetando.

Emma sorriu baixo levando Belle até a cozinha para a preparação das bebidas.

Pouco tempo depois, todos os convidados já estavam dentro do apartamento divertindo-se, bagunçando quase todo o recinto. A música alto era um pleno convinte para as danças mais loucas e ousadas entre os jovens.

Regina que até aquele momento estava sentada em um canto mais afastado conversando com Aurora sem prestar muita atenção nos outros amigos é surpreendida por afoito Graham tomando-a pela mão sussurando em seu ouvido:

– Sabia que você é a menina mais bonita dessa festa? É uma escultura dívina.

– Ah é? Não me diga... — disse a gorota revirando os olhos tentando soltar-se de Graham, que por sua vez ousou colocando suas duas mãos na cintura de Regina. — Ai me deixa em Paz, Graham.

– Eu sou louco para provar seus lábios, Regina Mills e eu sei que você também quer... Pensa que não vi seus olhos sobre mim? — dizia ele forçando bem mais o corpo de Regina contra o seu. Seus lábios raspando de leve contra o pescoço da jovem subindo pela bochecha e parando a pouquíssimos centimetros dos carnosos lábios de Regina.

– Que... Que idéia absurda! — Ao mesmo tempo em que Regina queria afastar-se daquele rapaz, ela sentia uma enorme vontade de rodear seus braços pelo pescoço dele e ceder aos seus gracejos. Não era de hoje que aos seus olhos, Graham lhe era um rapaz bem atraente.

– Diga então que você não quer ser beijada por mim, Regina, diga. — desafiou beijando o canto da boca da morena.

Emma que tinha saído do apartamento para comprar mais sorvetes, sente um súbito enjôo ao ver Graham quase beijando sua melhor amiga. Enjôo esse que transformou-se em ira ao ver que Regina parecia nenhum pouco querer evitar aquele contato.

Sem pensar muito, ela vai até o som desligando-o, ganhando vários murmuros de protestos.

– Acabou a festa! — comunica.

Ao ouvir a voz de Emma, Regina recupera o bom juízo e se afasta de Graham.

– Mas agora que são 22:00 horas. — Eric reclama abrindo os braços.

– Sim, e meus vizinhos que pegam trabalho cedo precisam descansar e eu não quero incomodá-los, portanto a festa chegou ao fim. — disse impaciente.

– Ah qual é garota Swan, você nunca se importou com os seus estúpidos vizinhos e agora você está dando uma de compreensiva? Conta outra. -Debochou Graham.

Emma entrecerrou os olhos dirigindo-se até a porta e abrindo-a com força.

– Vai embora da minha casa. — ordendou.

– Sem problema algum, vamos Ruby. — disse ele pegando a jaqueta sobre uma das cadeiras.

– Ué, você caminha com suas pernas e não com as minhas, eu vou dormir aqui. — diz a garota que naquele momento estava deitada sobre as pernas de Belle.

– A vovó sabe disso?

– Óbvio que sabe.

– Certo. — ele deu de ombros e girou para o grupo. — Quem quiser ir a uma festa de verdade, pode vim comigo.

Sendo assim, apenas Ruby e Belle ficaram dentro do apartamento, Regina se uniu a elas no sofá e espantaram-se quando ouviram a porta sendo fechada com força.

– Calma menina, o que te deu? — pergunta Ruby para Emma sentando-se mais comodamente no sofá.

– Nada! — responde secamente.

Tão logo desapareceu da sala deixando as três a olhando sem entender completamente nada.

– As vezes a Emma me confunde... Ela é tão bipolar. — comentou Belle aproveitando para deitar sua cabeça sobre as pernas de Ruby.

– Acho que alguém deve ter sido abusado com ela, ela só fica estressadinha assim quando os meninos ficam lançando aquelas cantadinhas de pedreiro.

Belle sorriu.

– Do tipo, hey gata seu pai é escritor? Porque uma coisa linda dessas só pode ser de outro mundo paralelo.

– Ai que horrível, Bel. — Regina sorriu levantando-se. — Eu vou ver o que aconteceu com a Emma.

– Vai lá amiga, só você mesma para acalmar aquele ferinha.

Dentro do quarto, Emma estava completamente confusa com os sentimentos que lhe estavam consumindo o coração. Sentia raiva, muita raiva por ter visto Graham com as mãos postas em Regina. Sentia decepção e nojo por saber que talvez se ela tivesse chegado minutos mais tarde com certeza teria visto os dois se beijando. Sentia tristeza porque só em imaginar sua melhor amiga sendo beijada por outra pessoa lhe dava um angustiante desespero. Sentia-se traída. Adorava Regina mais que tudo na minha vida e odiava a possibilidade de ter que dividi-la com outra pessoa, ainda mais com Graham, que detestava desde o primeiro momento em que o conheceu. Sentía um forte desejo de gritar e explodir esses sentimentos dentros de sí.

Trancou-se no banheiro sentando-se no chão frio com as costas apoiadas contra a madeira da porta.

O coração doía tanto que nem percebera que já chorava.

Juntou as pernas flexionando-as e as trazendo mais para o corpo apoiando seus braços e cabeça sobre os joelhos.

"Ela não pode beijar ninguém... ninguém... ninguém que não seja eu."

Emma abriu os olhos exagedaramente ao terminar de concluir seus pensamentos, dando-se conta de que era realmente isso que ela pensava e desejava. Não desejava ninguém com Regina porque era a ela quem queria e deveria estar com a sua Regina e não um garoto metido.

Sim, ela deu-se conta naquele momento que seus sentimentos por Regina ultrapassavam os límites de uma amizade e já estava começando a compreender porque as meninas dos filmes e novelas choram tanto quando estão apaixonadas.

"Apaixonada? Eu... Eu estou apaixonada? Oh meu Deus, tudo só piora."

– Emma? Você está aí dentro?

A loira quebrou suas reflexões quando ouviu a voz de Regina dentro do quarto.

– Sim, eu... eu estou tomando banho.

– Porque eu não tou ouvindo o barulho da água caindo então?

– Porque eu estou ocupada com o cabelo.

– Hum... Olha, eu não sei o que aconteceu, mas eu quero saber e nem adianta tentar dizer que não, porque eu quero saber e você vai me dizer o que houve para ter reagido daquela forma. — Regina dizia tudo apoiada do outro lado na porta do banheiro. — Quando você sair daí, eu estarei aqui e vamos conversar, tudo bem?

– Tudo bem. — disse Emma rapidamente levantando-se do chão do banheiro despindo-se e jogando o shampoo no cabelo. — Era.. Era só isso?

– Por enquanto sim, vou me deitar na sua cama e ver se não demora. — desgrudou da porta indo até a cama.

– Ok.

Logo o barulho de água caindo preencheu o silêncio dado pelas duas.

Regina deitou-se na cama da amiga fazendo o prometido. A esperaria para conversar, conversa essa que foi adiada para o dia seguinte e logo sem saber para quase quatro anos depois."

– Então essa foi a verdadeira razão de você ter ficado irritada naquela noite? — perguntou Regina segurando-se para não rir ao fim daquela lembrança.

– Exatamente... Naquela noite eu soube realmente como era sentir ciúmes de alguém que não me pertencia.

Regina trouxe a mão de Emma até seus lábios e beijou.

– Agora estamos em outros tempos, minha querida. Hoje eu sou sua.

Uma jovem mulher surgiu caminhando pela passarela indo até a mesa trazendo consigo sobre uma bandeija duas taças.

– Boa noite senhoritas. — disse educadamente depositando as taças sobre a mesa. -Senhorita Swan, gostaria de saber quando eu posso trazer-lhes o prato principal dessa noite.

– Nos próximos vinte minutos, Ester. — disse ao estender a pequena toalha sobre o colo.

– Com vossa lincença, senhoritas. — retirou-se.

Regina olhava atentamente Ester afastar-se.

– De onde foi que ela saiu?

– Hehe... Tem uma pequena casa por trás desta e é onde Ester mora. — respondeu. — Eu pedi para que ela preparasse o nosso jantar, e eis aqui de entrada um delicioso coquetel primavera e não se preocupe é sem alcóol.

– E uma delícia. — disse após provar.

Envolvidas pelo clima, voltaram a conversar sobre algumas boas lembranças do passado, sobre planos futuros e algumas revelações uma da outra, que embora tivesse todo esse tempo de amizade, ainda existiam coisas que eram desconhecidas para outra. Sorriam, trocavam carinho por sutís toques e curtiam com prazer a companhía uma da outra dentro daquele quadro artístico natural que as rodeavam.

Logo, Ester estava de volta trazendo os pratos servindo cada uma.

– O que temos aqui é filé recheado com castanhas ao molho marchant de vin, purê de batata doce e arroz a piamontese e como acompanhamento suco de laranja natural. — explicou a jovem Ester.

– Obrigada, Ester. — agradeceu Emma.

– Com licença, senhoritas.

Após a saída de Ester, Regina disse:

– Eu quero essa menina na nossa casa, ela é tão educadinha.

– É melhor ela ficar aqui mesmo. — disse Emma.

Depois de comerem e aproveitarem bem aquele riquissimo jantar, Emma limpa as laterais da boca com o guardanapo e levanta-se parando em frente à Regina estendendo-lhe a mão.

– Tá ficando frío, melhor entrarmos.. Eu tenho planos para nós duas dentro da casa. — sorriu misteriosamente sem tirar a expressão apaixonada do rosto.

– O que tem planejado para nós, Swan?

– Algo clichê que acontece em quase todos os encontros, mas que realmente é uma delícia de se fazer quando se estar com alguém que gostamos de verdade. — respondeu síncera.

Uma vez dentro da casa, Emma puxa Regina para um cantinho da sala ficando frente a frente com ela. Na mão esquerda carregava o pequeno controle remoto do aparelho de som.

– Dança comigo? — pede carinhosamente passando a mão livre pelo rosto de Regina, que por sua vez fechou os olhos apreciando o toque.

– Me conduza. — sua voz saiu como um sussuro.

Emma deu play na música que escolhera (Angels — The XX) e trouxe Regina para sí unindo os dois corpos que sabiamente se encaixaram e começaram a se mover de acordo com o rítmo da música. Lenta e suavemente.

Com os braços em volta do pescoço de Emma, Regina se deixava guiar pela melodia e pelas mãos da loira que estavam postas sobre sua cintura. Deixou os braços relaxarem deitando sua cabeça sobre o ombro de Swan sentindo assim o embriagador perfume de rosas da estudante de jornalismo.

– Essa música é linda. — sussurrou contra o ouvido de Emma.

E em resposta, Emma se apertou mais ao corpo de Regina e começou a cantarolar o final da música:

– And with words unspoken, a silent devotion I know you know what I mean,
and the end is unknown, but I think I'm ready as long as you're with me. Being as in love with you as I am, being as in love with you as I am, being as in love with you as I am, being as in love, love, love.

E ao final da música, Emma já estava com o nariz roçando contra o de Regina. Ambas com os olhos quase se fechando desejosas do que viria a seguir.

– Me beija, Emma. — pediu baixinho pondo suas mãos no rosto da loira.

Respirando pesadamente, Emma passou a língua entre os lábios e logo depois eliminou de vez o espaço existente entre a sua boca e a de Regina.

Os lábios passaram a se mover uns sobre os outros deslizando com ternura e matando as saudades que uma sentiu da outra através daquele maravilhoso contato.

O beijo ganhou profundeza e mais urgência fazendo assim as duas se apertarem e suspirarem juntas.

Regina segurou com os dentes o lábio inferior de Emma puxando com força, ganhando como presente um delicioso gemido de Swan.

Com um desejo avassalador, Regina resolveu tomar as rédeas agora e com um movimento rápido segurou firmemente Emma pela cintura a jogando contra a primeira parede livre que encontrou. Swan só se deu conta do que estava acontecendo quando suas costas se chocaram contra a parede e uma atrevida perna de Regina se infiltrava com ousadia entre as suas.

– Mas o quê...?

– Cala a boca Emma. — ordenou ofegante fazendo pressão com sua coxa contra a intimidade de Emma. — Eu disse que você iria me pagar por ter me evitado toda essa semana e assim será.

As mãos espertas de Regina subiram o vestido de Emma com rapidez retirando-o por completo, baguçando o penteado da loira quando esse saiu por cima da cabeça.

– Que selvagem! — sorriu Emma maliciosa tentando reverter as posições ainda contra a parede, o que obviamente veio a fracassar.

– Você ainda não viu nada. — deu um gostoso selinho em sua loira a virando de costas, fazendo Emma ter o rosto virado para a parede.

Desfez o rabo de cavalo de Emma liberando todo o cabelo dourado e penetrando seus dedos por entre as mechas segurando e puxando. Com a outra mão livre invadiu certeira a calcinha de Emma tocando-lhe.

– Jesus, Regina! — murmurou Emma fechando os olhos sentindo os habilidosos dedos de Regina tocando sua região mais sensível. Aquela faceta dominadora da morena a estava deixando completamente excitada.

Os lábios de Mills percorria as costas de Emma beijando e mordicando, raspando sua língua pelo ombro e parando no pescoço mordendo com força aquela parte.

Movimentava seus dedos lentamente em Emma enquanto rebolava sensualmente contra a bunda dela a pressionando mais ainda contra a parede.

Emma sentia o corpo esquentar cada mais e seu ar faltar a cada nova envestida de Regina. Não estava tendo forças para contra-atacar, nem sabia mesmo se queria isso... Regina lhe dominando era a coisa mais louca e excitante provada.

A loira já nem tinha controle sobre o corpo, viu-se movimentando o quadril desejando mais contato de Regina.

– Gina...

– Sim? — sussurrou provocando com seus dedos o centro molhado de Emma, entrando apenas com as pontinhas dos dedos.

– Oh meu Deus, Regina, acaba logo... com isso.

Em um gesto pensado, Regina retira sua mão de dentro da calinha de Emma virando-a de volta para a sua frente.

Tomou os lábios da sua amada com força pegando Emma pelos pulsos e segurando-os contra a parede. Invadiu a boca de Swan com a sua língua explorando cada cantinho e por fim chupando a língua saborosa de sua melhor amiga.

Emma estava a ponto de explodir de tanto tesão e Regina parecia se aproveitar disso prolongando mais ainda nas preliminares.

Aproveitando que Regina havia liberado suas mãos, Emma segurou pelas alças do vestido maravilhoso da morena puxando com força rasgando assim a peça.

– Emma, esse vestido era novo. — protesta afastando-se da loira olhando o estrago que Emma fizera.

A filha dos Nolans não pode conter um sorriso maldoso ao contemplar os seios desnudos da mulher da sua vida.

– Você não deveria brincar assim comigo, Regina. — mordeu o lábio puxando-a pelos quadris chocando os dois corpos.

– Você fala demais, Swan. — ao final dessa frase, a morena desabrochou o sutiã da mulher em seus braços jogando a peça intima para um canto qualquer daquela enorme sala iluminada.

Voltaram a se beijar com desespero, com voracidade e com enorme desejo crescente em seus corpos.

Alguns minutos depois, estavam deitadas uma sobre a outra no enorme sofá branco da sala. Regina descia seus beijos molhados e quentes pelo corpo de Emma atacando com sua língua os volumosos seios da sua garota chupando-os e mordiscando de leve. Arrastou a língua pela barriga macía beijando com carinho cada parte também.

Ajoelhou-se no espaço existente entre as pernas da Swan tirando a última peça que cobria-lhe o corpo.

Ansiosa pelo toque íntimo de Mills, a loira Swan já nem sabia mais como era respirar e perdeu o sentido das coisas quando sentiu a língua sedosa e saliente de Regina correr por entre o seu sexo deliciando-se com toda a sua excitação.

E não tardou para que o resultado desses movimentos ousados tivesse sua recompensa.

Regina voltou o caminho beijando a barriga, os seios, ombros e pescoço de Emma unindo os corpos nús e febris.

Quando Emma recuperou-se do maravilhoso orgasmo, beijou a filha do prefeito com todo o amor que sentia no peito.

Os beijos que antes eram ferozes, agora eram representações de amor e carinho. Os toques afoitos e atrevidos, agora era suaves e delicados.

O coração de ambas batia forte, mas não pela excitação de antes e sim pelos fortes e verdadeiros sentimentos que compartilhavam.

Selando os lábios de Regina dando fim à aquele prolongado beijo, Emma suspirou sorrindo e disse:

– Acho que com isso encerramos o nosso encontro.

Regina respira fundo beijando delicadamente a bochecha de Emma e deitando sua cabeça sobre o peito nú da loira.

– Acho que sim. — disse baixinho. — Foi o melhor encontro da minha vida. Obrigada!

– Tudo de melhor para você. — disse fazendo carinho por entre os bagunçados cabelos negros de Regina. — Mas...

– Mas...? — levantou a cabeça encarando Emma.

– Ainda não terminou.

– Ah não?

– Ainda falta algo. — levantou-se do sofá completamente nua.

Regina mordeu o lábio contemplando com descaramento o lindo corpo nú de sua loira fatal sumir por entre um dos cômodos e voltar minutos depois.

– Então?

– Bem, quando eu planejei isso eu esperava que eu estivesse ainda com roupas, mas enfim não pude prever que alguém estaria bem animada antes da hora. — sorriu sentindo as bochechas ficarem vermelhas. Regina assentiu instigando-a a continuar. — Hum... Eu sei que esse é só o nosso primeiro encontro e que se eu fosse seguir as regras eu teria que esperar mais uns dois encontros e um longo jogo de conquista para pedir o que eu estou prestes a pedir, mas tendo em vista que eu já estou nesse jogo de conquista a mais de três anos, acho que já é chegada a hora. — suspirou fundo ajoelhando-se de frente ao sofá onde Regina estava sentada e de trás de sí retirou uma caixinha vermelha revestida em veludo abrindo-a e mostrando um delicado anel com uma pedra azul no centro. — Regina Mills, você aceita ser minha namorada?