Sweet Happiness
27 Capítulo 27 Primeiro belo momento.
Notas iniciais
Durante o trajeto até o consultório, Mary não parava de fazer perguntas e colocar-se entre qualquer conversa que surgia entre Emma e Regina, o que fazia Emma comprimir os lábios, rolar os olhos e respirar fundo para não pedir a própria mãe que calasse a boca. E quando chegaram, Zelena estava no laboratório, no entanto a sala estava liberada pela própria doutora à elas, afim de que a esperassem alí dentro.
– Nossa, como é chique! Olha só essa decoração... pelo visto ela se tornou uma excelente doutora porque um gosto assim não é barato. — dizia Mary passando seus olhos por toda a sala de Zelena, observando cada detalhe encontrado alí dentro e sentando-se no divã colocando sua bolsa ao lado que sentara. — A familia dela deve ter ótimas condições financeiras, porque olha... acho que esse é um dos consultórios médicos mais bem decorados que eu já vi. Muito bonito mesmo.
– Zelena não sería orfã? — perguntou Regina já sentada na costumeira cadeira frente a mesa da Dr. Müller com Emma ao seu lado.
– Não, ela tem uma mãe... só que ela nunca me falou sobre ela, a única coisa que eu sei é que a mãe dela é a pessoa mais especial da vida dela, segundo a própria, fora isso, eu não sei mais de nada.
– Toda mãe é a pessoa mais especial da vida de um filho, assim é e deveria ser. — murmura Mary olhando para Emma, que percebendo a indireta mais que direta desvia o olhar inspirando vagarosamente deixando-se cair no encosto da cadeira enrolando os fíos da ponta da sua trança com seus dedos moldando em um único cacho dourado.
– Hum... Será que ela vai demorar muito? — questiona Regina passando a mão por dentro dos cabelos penteando-os com seus longos dedos. Um toque nervoso. — Esse silêncio clínico está me dando uma agonía.
Emma sorriu sabendo bem o porquê dessa agonia.
– Eu queria muito poder prever o futuro para saber como você vai encorajar o seu filho para ir tomar vacina ou qualquer outra coisa que envolva um hospital sem deixar parecer que por dentro você é quem estará morrendo de medo.
– Ora, Simples... você vai estar comigo e vai ser assim... — buscou a mão de Emma com a sua unindo-as. — vai ser assim que eu terei coragem e encorajarei o nosso pequeno. Você me dá coragem para tudo, Emma. — disse isso sussurrando e trazendo a mão de Emma até os lábios pressionando um casto beijo na região. Emma sorriu amavelmente apreciando o gesto sustentando seu olhar com o de Regina.
Mary observava aquela cena das duas pelo canto dos olhos dissimulando ainda avaliar alguns quadros das paredes na sala. Desde o primeiro momento, depois de seu retorno à cidade, em que viu Emma e Regina interagindo percebeu que agora as duas pareciam estar bem mais próximas e muito mais íntimas do que o costume. Sempre estavam em contato físico e trocavam olhares que duravam mais segundos que o normal e nesses olhares havia um brilho novo, um brilho que ainda não tinha percebido entre as duas até então ou talvez ainda não fosse existente. Em sua cabeça a mais provável possibilidade poderia ser a gravidez de Regina mexendo com ambas, já que Emma sempre gostou de crianças e Regina parecia estar nas nuvens com a chegada desse bebê, mas havia algo mais também... Algo que Mary ainda não conseguía dizer com as palavras certas ou algo que talvez até temesse já estar identificando.
O pequeno barulho de porta se abrindo capturou a atenção das três que direcionaram seus olhares para a mesma direção em que o corpo de Zelena ganhava visão.
Como sempre, a ruiva trazía no rosto um sorriso simpático e mesmo estando cansada pelo dia cheio que naquele dia tivera, ela nunca abandonava aquela expressão meiga e delicada que já tinha virado sua marca entre os conhecidos. Os olhos azuís da doutora pararam primeiro em Emma e Regina devido essa ser a primeira visão recebida à quem chegava de fora para dentro pelo motivo de que a mesa ficava bem mais próxima à porta.
– Olá garotas, boa tarde. — disse fechando com cuidado a porta atrás de sí girando sobre seus saltos e encaminhando-se ao seu lugar como doutora obstetra, no entanto uma fígura a mais dentro de sua sala chamou-lhe a atenção fazendo-a perder o sorriso por alguns segundos somente pelo impacto da surpresa e incompreensão dada à aquela presença inesperada, mas logo o recolocando em seus lábios e agora exibindo com mais amplitude que o anterior. — Senhora Nolan?! Que prazer tê-la conosco.
– Olá! É um prazer para mim também estar aqui acompanhando as meninas. — disse educadamente olhando Zelena e estampando um sorriso amigável. Para ser sincera, Mary estava muito admirada com a beleza da ruiva que aos seus olhos só engradeceu com o passar do tempo, embora não tívesse em sua mente uma forte recordação dos traços da ruiva à alguns anos atrás.
– Eu espero que não seja um problema ter a trazido, Zelena. — Emma diz.
– Ah imagina, não há problema algum... Eu entendo que a família queira participar desses momentos. — Zelena diz puxando sua cadeira e sentando-se frente à Regina e Emma. Seu coração desparado ainda estava tentando acostumar-se com a presença de Mary. Retirou seus óculos de leitura olhando diretamente para as mulheres à sua frente: — Então, como foi a semana de vocês?
– Foi boa. — responde Emma abrindo um delicioso sorriso, o que fez Zelena sorrir também.
– Muito boa. — completou Regina apertando sutilmente a mão de Emma, que ainda estavam unidas.
– Isso, muito boa. — encremou a loira.
– Que maravilha então... isso é muito bom. Trouxe o seu diário, Regina?
– Sim, claro. — Regina confirma desfazendo-se da mão de Emma para pegar sua bolsa e tirar de dentro a agenda/diário e entregando para a obstetra.
– Obrigada. — diz recebendo a agenda rosa e abrindo-a na página onde estava gravada sobre a consulta do dia de hoje e sobre os exames que seriam realizados e as petições que também haviam alí, fora as recomendações que Zelena havia escrito na página. — Última refeição?
– Às 06h40, eu acho... foi logo que eu saí de manhã com Emma. — responde a morena. — E eu estou realmente morrendo de fome, então sugiro que façamos isso logo.
Zelena sorriu pegando o seu carimbo médico e pressionando no extremo da página e logo depois rubricando sua assinatura sobre a marca carimbada.
– Não vamos demorar muito com isso, mas primeiro vamos ver como esse pequeno aí está aí dentro, se está tudo certinho com ele, okay?
– Certo.
– Inclusive você já pode ir deitando-se sobre a maca para já darmos ínicio — disse Zelena apontando para o local onde estava a maca.
– Tudo bem. — assente suspirando levantando-se e indo até o local indicado que ficava do lado da parede, sentando-se primeiro tirando seus saltos e por fim deitando-se em seguida fixando seus olhos no teto.
Quando Emma pensou em ficar ao lado de Regina, viu Mary adiantar-se e passar carinhosamente sua mão pela perna de Regina dedicando à ela um sorriso que passava tanta calma, tanta tranquilidade que foi impossível para Regina não pensar no quão especial para ela seria se Cora estívesse alí também fazendo o mesmo que Mary.
Sem deixar que percebessem, Zelena acompanhava cada movimento de Mary e de como Emma olhava para a mãe, e em como também Mary deixava um sorriso triste apontar toda vez que seus olhos pousavam em Emma, o que acontecia de minuto em minuto. Com isso pôde perceber que havia algo errado entre as duas, um desentendimento talvez. Suspirou fechando a agenda de Regina e colocando no rosto seus óculos de leitura mais uma vez. Naquele momento sentiu-se tão impontente nesta questão. Queria muito poder ajudar, saber o que estava acontecendo, mas dada a situação, isso poderia ser visto pelas duas como uma intromissão desmedida, principalmente conhecendo o quão retraída Emma é quando o assunto pode ser algo muito pessoal e familiar.
Levantou-se indo até Regina, abrindo um sorriso reconfortante ao ver a expressão nervosa da filha de sua mãe adotiva. Que irônia aquilo podería ser... de uma maneira ou de outra, aquelas três mulheres dentro da sua sala eram sua família, mas nenhuma tinha noção disso, além dela mesma.
– Vamos lá então Regina, levante o vestido até a altura do seu estômago. — disse despreocupada ligando o aparelho de ultrassonografia.
Regina corou ligeiramente ao perceber que ficaría parcialmente desnuda na frente da doutora. Correu seus olhos para Emma, e viu a loira do mesmo jeito que ela, com as bochechas coradas e talvez até mais desconcertada que ela.
– Mesmo?
– Sim, por favor. — disse já pegando o gel e esperando Regina fazer o que pedira, no entanto ao perceber a expressão envergonhada da morena, entendeu o porquê da voz ter saido mais nervosa ainda. — Oh, não se preocupe meu bem, eu não irei reparar em nada que não seja o seu bebê... acredite.
– E inclusive somos todas mulheres, Regina... fique tranquíla. — foi Mary quem disse passando a mão pelo rosto de Regina.
A expressão de Regina era todo um poema ao ceder e subir o vestido até onde foi pedido pela doutora.
Cuidadosamente, Zelena passou o gel por toda a região em que era preciso. Trouxe o aparelho do ultra e deslizando pela barriga de Regina focando seus olhos no visor do aparelho. Regina e Mary também tinham seus olhos presos na tela, embora tudo o que vissem fossem apenas borrões.
Emma também já estava mais próxima da maca e podia-se dizer que ela estava mais nervosa que a própria Regina para saber o que Zelena estava vendo e sendo assim, não demorou a perguntar:
– Então?
Zelena manteve-se calada continuando com o seu trabalho. Seu semblante era sério, seus sorrisos naquele momento não tinham nem rastros. Viram-na contorcendo o lábio respirando fundo, o que deixou Regina nervosa.
– Há algum problema com meu bebê?
E foi aí que Zelena abriu aquele tão conhecido sorriso convidativo olhando para as três mulheres.
– De forma alguma. — respondeu e levou seu dedo indicador até a tela mostrando um pontinho branco mesclado com preto que pareciam bem mais vibrantes. — Apresento-lhe o seu futuro furacãozinho ambulante. — todas sorriram com a demonimação. — Não há nada de errado com o bebê, pelo contrário, tudo está conforme deve se estar... Os orgãos formando-se corretamente e ele está totalmente encaixadinho dentro do últero, e sabem o quê mais? Escutem isso.
O silêncio que durou menos de dez segundos foi absorvido por um som gostoso ritmado, uma pequena melodía que sem demoras foi mais que reconhecida.
Muito emocionada com o que estava ouvindo, Regina diz toda boba:
– É o coraçãozinho dele, meu Deus, como bate forte.... é tão lindo.
Emma estava parada ao lado de Regina, aproveitando que Mary havia dado espaço, seus olhos brilhavam tanto quanto os de Regina, estava sentindo uma sensação tão boa dentro do peito escutando por primeira vez o coraçãozinho do bebê da mulher da sua vida, sentia-se tão maravilhada, que se não fosse pela presença de Mary alí, ela provavelmente levada pela emoção do momento estaría dando um gostoso beijo na barriga de Regina, como se quisesse dizer ao bebê que ela estava alí com ele e para ele. Nem entendia como poderia sentir-se assim.
– É tão forte... eu.. eu não entendo... Como algo tão pequenininho assim pode ter essa força? É incrível. — disse Emma sem desfarçar sua grande excitação. — É só uma pena que não dê para ver direito, eu não sei, só vejo traços em preto e branco.
– Não se preocupe Emma, nos próximos meses veremos com mais nitidez, apenas bastam ter paciência. — Zelena diz encerrando a ultra e entregando à Regina uma caixinha de lenços úmidos para que pudesse limpar-se. — Quando você terminar, sente-se naquela cadeira, querida, iremos fazer o exame de glicemia.
Regina fez um gesto afirmativo com a cabeça, enquanto Emma a ajudava a ficar de pé novamente.
– White? Seu nome tem White, doutora? — essa foi Mary perguntando assim de repente.
Quando a pergunta teve significado em seus ouvidos,
Zelena sentiu seu coração parar por um segundo e retomar o passo mil vezes mais rápido que o normal tendo a capacidade de quase lhe tirar o ar.
Buscou Mary com seus olhos e a viu parada diante da parede com os olhos presos em um determinado quadro.
– O quê?
– Zelena Sophie Müller White. — disse apontando para o quadro no qual estava lendo vagarosamente todo o nome da doutora. — Seu diploma de medicina.
– Ahh, sim é. — disse recompondo-se e indo até Regina que se sentara para realizar o exame. Tinha que recompor-se, não poderia deixar transparecer que aquela pergunta de Mary a inquietou.
– Bonito nome. — elogiou a mãe de Emma virando o corpo e olhando para Zelena com um pouco mais de atenção agora.
– Obrigada. — agradeceu sem olhar para a mulher mais velha. Precisava realmente recompor-se.
– Eu não te acho com cara de Sophie. — comentou Emma rindo.
– Eu também não te acho com cara de Marie, no entanto... — rebateu acompanhando os sorrisos de Emma enquanto colocava luvas nas mãos.
– Como sabe que eu tenho Marie no meu nome? Não me lembro de já ter dito a você. — questionou confusa.
– Hum... Acho que uma vez você me disse. — apressou-se em dizer enquanto iniciava o processo do exame. — Vamos terminar com isso então, senhorita Mills?
– Porfavor.
Todos os exames pedidos foram feitos com tranquilidade, nenhuma outra conversa fora dos padrões foi feita e cerca de meia hora depois, as três já estavam se despedindo de Zelena com a promessa de se reverem na próxima consulta que tinha como data marcada para o mês seguinte.
– Zelena é uma excelente mulher. — disse Mary quebrando o silêncio entre as três. — Não reparei se ela tinha aliança.
– Ela não é casada, se é isso o que quer saber, mãe. — Emma respondeu a pergunta mental que se fazia Mary à alguns minutos.
– Mas porquê? Ela é tão linda, tão segura de sí, que não encontro razões para estar sozinha... Deve ter um namorado, com certeza.
– Ou uma namorada. — É Regina quem diz distraidamente brincando com o canudo do copo de seu suco. Ao levantar o olhar ver Mary com uma expressão espantada. Um tanto cômico porderia-se dizer. — O que foi? É normal, ué... Ela é o tipo de mulher que atrai todos os tipos de olhares, tanto de homens como de mulheres, eu não me surpreendería se um dia ela nos apressentasse uma namorada.
– É, pode ser. — falou baixinho Mary passando a mão pelo rosto e aproveitando também para ver as horas no seu relógio de pulso. — Minha nossa, está ficando tarde e eu nem ao menos liguei para David.
– Se quiser já podemos ir, sem nenhum problema. — é Regina quem diz tentando acalmar a mulher á sua frente.
– Ah não, lanchem sem pressa, eu irei ligar para meu esposo daqui mesmo avisando onde estamos e depois eu volto. — foi dizendo Mary levantando-se da cadeira da lanchonete com o celular em mãos. — Eu vou no banheiro e volto já.
– Tudo bem. — disse Emma e Regina juntas.
Quando Mary já estava distante, Emma vira-se para Regina e diz:
– Obrigada. — beija-lhe delicadamente o rosto. — levo horas querendo dizer e fazer isso.
Necessitando também ter algum contanto com Emma, Regina retribue o carinho beijando-a também no rosto.
– Por nada meu amor, mas obrigada pelo quê mesmo?
– Por me deixar participar de tudo isso com você, de me permitir viver esses momentos maravilhosos ao seu lado.
– Obrigada você, Emma. Como eu disse, você me dá coragem para tudo, e se não fosse por seu apaio, seu carinho, sua atenção comigo, eu não sei se eu teria chegado até aqui e... e pára de me olhar assim se não eu não vou conseguir me segurar e te beijarei aqui mesmo. — reclama no final ao perceber como Emma a olhava com uma adoração inresistível. Já era difícil controlar-se, e somando isso à uma Emma direcionando-lhe olhares como esses ficava quase impossível conter-se.
Emma sorriu.
– Eu não concordo com isso, você é uma mulher decidida, firme e sabe bem o que quer... e desde o primeiro momento em que você desconfiou que estava grávida, nunca cogitou a ideia de não tê-lo. Então, você estaría aqui de qualquer forma.
– Mas não com a mesma felicidade e não com a mesma sensação de que agora eu sou e estou completa. E isso se deve muito à você, Emma Swan. — mordeu o lábio inferior aproximando-se sem perceber mais de Emma. — Só com você eu sou assim, Emma... Só com você! Eu t-
– Nossa, conseguí enfim falar com David, ele disse que já está em casa. — Mary diz sentando-se na cadeira sem nem notar a proximidade de Emma e Regina, que diante da chegada da mais velha, tiveram que recompor-se. — Então, o que estavam conversando?
– Acho que já devemos ir. — Emma diz cortante.
– Mas já?
– Uhum, hoje foi um dia cansativo e a Regina precisa descansar.
– Não fale por mim, Emma, eu estou muito bem.
– Emma tem razão, querida. Hoje foi um dia cheio. E eu ainda tenho que preparar o jantar... falando nisso, vocês não querem jantar conosco hoje?
– Outra oportunidade, mãe. — Emma nega o convite levantando-se junto com Regina, e aproveitando para posicionar sua mão na cintura da amiga de uma forma carinhosa e sultil, sem que isso passasse malícia. — Vamos então?
– Vamos.
*SH*
" — Eu não sei senhora, eu acho que não sou capaz disso e eu não quero me meter em encrencas desse tipo, ainda mais com a sua filha. Eu prefiro manter meu corpo fora disso.
– Você fala como se já não fosse acostumada a fazer esses trabalhinhos, querida. Aproveite que estou lhe proporcionando muito mais do que essa questão realmente vale.
– Só que esta questão envolve Regina Mills e eu não estou disposta a arranjar confusão com ela.
– Acredito que comigo a questão é muito maior e bem mais arriscada. Lembre-se de que eu sou a esposa do prefeito e eu sou muito influente tanto para construir como para destruir qualquer coisa que eu toque. Me diga, seu pai ainda administra aquele... aquele antro no qual chamam de boate? — perguntou Cora esboçando um sorriso desafiador.
Ao entender o recado, Ashley fecha os olhos em derrota e suspira perguntando o que tanto Cora queria ouvir:
– Quando eu tenho que começar a seduzir o namorado da sua filha?
Com um sorriso mais que vitorioso, Cora inclina-se um pouco sobre a mesa quase como se fosse sussurrar algo e diz:
– Para o seu próprio bem e o do seu pai, que seja o quanto antes, querida. E nem tente me enganar, porque isso sería o pior e maior erro de toda a sua medíocre vida. Estarei atenta a tudo. Como sempre!
Dito isso por fim, Cora levanta-se da cadeira deixando algumas notas sobre a mesa e deixando a cafeteria no qual havia arrastado a jovem Ashley afim de induzi-la a realizar um de seus mais novos própositos em relação à filha."
– Mãe?
Ao ouvir o filho chamando-a, Cora volta a sí saindo de suas lembranças das quais agora pareciam não lhe agradar tanto, girou a cadeira giratória de dentro do escritório que pertencia antigamente a Leopold White dentro da mansão, e o ver parado segurando a maçaneta da porta a olhando-a com aquela expressão infantil dengosa que por muitas vezes, ela mesma se vía admirando e lamentando por não conseguir ser tão próxima do próprio filho.
– Sim, querido... Algum problema? — impulsou a cadeira para mais perto da mesa pousando seus cotovelos sobre a madeira.
Henry caminhou até a mesa sentando-se na cadeira em frente e fixou seus olhos nos olhos escuros de sua mãe.
– Quero pedir algo.
– Peça meu amor.
– Quero passar o final de semana com Emma e minha irmã. Eu sinto saudades das duas. — pediu temeroso.
Respirando fundo, Cora desviou o olhar que mantinha no filho para o notebook que estava alí na mesa.
– Não. — negou o pedido sem vacilar.
– Por favor, mãe. — insistiu sentindo seus olhos arderem. A saudade era tão grande que em sua cabeça, ao ver como sua mãe já não se irritava ao ouvir o nome da irmã dentro da casa, imaginou que seu pedido fosse concedido sem muitos problemas.
– Não, Henry! Era só isso?
– Porquê? Eu não tenho nada haver com essa briga idiota de vocês duas... Eu não posso deixar de vê-la só porque a senhora quer. Ela é minha irmã, é minha família, eu odeio isso, mas que droga! — dizia exaltado levantando-se da cadeira e ficando de pé ao lado da mãe.
– Sim, pode sim. Eu sou sua mãe e você me deve obediência, então se eu não quiser que você a veja, você não irá vê-la e se quiser continuar com sua língua dentro da boca o aconselho a baixar o tom de voz ao falar comigo e retirar de seu vocabulário esse tipo de palavreado. — disse fría e seca sem olhar para o garoto. — Agora se era só isso, queira retirar-se, eu estou um tanto ocupada nesse momento.
Sentindo-se totalmente contraríado pelas palavras de Cora, e principalmente ao ver que ela nem ao menos olhava em seus olhos e sim para o bendito notebook, vira-se para o aparelho pegando-o e em um ataque de fúria jogando-o com toda a sua força contra a parede mais próxima fazendo ecoar pelo escritório um barulhento estralo e certamente quebrando-o.
– HENRY! — grita Cora possessa e boqueaberta ficando de pé ao ver o que o filho tinha feito.
– Eu cansei disso, cansei de tudo isso. Eu casei de você, Cora Mills. Eu odeio você com todo o meu coração. — disse entre as lágrimas e logo saiu correndo para fora do escritório.
Ao ouvir as palavras duras do filho, Cora sentiu-se empalidecer e seu ar faltar. Seu estômago embrulhando e o coração apertar de uma maneira incompreensível.
– Hen-ry... — chamou baixinho sentindo a garganta seca caindo de volta na cadeira giratória colocando a mão sobre o peito.
As palavras do filho ecoavam em sua mente várias e várias vezes em frações de segundos, o peso que elas tiveram caíam sobre sí de uma maneira inimaginável. A garganta deu um nó e uma conclusão veio-lhe: estava perdendo seus dois filhos e não sabía de que maneira recuperá-los. Não, ela sabía sim como recuperá-los, o que não sabia era como passar por cima de sí própria para recuperá-los. Esse era o desafío, o maior que tería que desenrolar, vencer a sí própria.
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