Sweet Happiness
21 Capítulo 21 O Jantar enfim
Quando chegou a noite, Mary parecia muito contente com seus feitos para o jantar. Parecia contente com tudo e principalmente percebendo agora que Emma estava mais aberta à ela. Durante o almoço compartilharam muitas lembranças boas e gargalhadas. E isso sem dúvidas enchia seu coração de uma paz descomunal. Como sentia saudades de ver a familia reunida daquela forma, relaxada e descontraída.
Regina também sentía-se mais leve. Passara a tarde inteira com seu pai matando as saudades jogando conversa fora e ajudando-o em determinados problemas do escritório como fazia sempre que encontrava tempo para visitá-lo e para agraciar ainda mais sua tarde, August e o pequeno Mills ao saberem que ela estava no gabinete fizeram questão de vê-la.
Para Emma aquela noite já estava deixando-a desconfortável. Pois como se já não fosse suficiente ela ter dado passagem livre à sua mãe em sua cozinha, Mary também trouxe para Emma mais uma novidade.
– Emma, você poderia me... — começou a dizer Regina entrando no quarto da Emma de sopetão sem olhar direito pelo interior, porém teve que parar quando seus olhos viram a loira em pé diante do espelho delineando seus lábios com um batom vermelho. — Uau! Emma... Nossa, você... Uau!
A loira virou-se ficando de frente para a morena. Emma trazia no corpo um vestido tubinho preto com renda, a deixando incrivelmente sensual, combinando ainda mais com a cor do batom em seus lábios.
– Isso é coisa da minha mãe. — disse um pouco envergonhada alisando as mãos pelo vestido. Não costumava usar vestidos, porque simplesmente não sabia agir com eles como por exemplo não saber onde pôr as mãos quando sentia-se nervosa como agora vendo a forma que Regina a olhava.
Ainda boquiaberta, Regina diz:
– Emma você está linda. — aproximou-se e com gentileza trouxe os cachos loiros para frente deixando-os cair pelos ombros, e dando volume a franja lateral a escorregando para trás. — Você deveria usar mais vestidos assim. — sugeriu mordendo o lábio.
– Ai não, eu não sei me portar bem assim e para ser sincera eu já sinto uma forte vontade de arrancá-lo do meu corpo.
– Não diga essas coisas porque no fim eu acabarei imaginando. — alertou passando a língua entre os lábios olhando sem pudor algum às curvas da loira que ganhava destaque com aquele vestido tão moldado ao corpo.
– Para de me olhar assim, eu fico envergonhada. — pediu sem poder conter o sorriso.
– Só estou admirando ou por um acaso eu não posso?
– Você está me desnudando mentalmente, eu conheço muito bem esse olhar malicioso querida Mills e pode parar viu?
Ainda rindo da carinha vermelha totalmente fofa da loira, Regina complementa:
– Te vendo assim de vestido eu me lembrei de algo que fizemos quando éramos pequenas.
– O quê por exemplo? Fizemos tantas coisas.
– Do nosso casamento debaixo da nossa macieira. Lembra?
– Aiii como eu vou me esquecer disso?! Acho que sua mãe nunca superou esse dia. — divertiu-se recordando a sí própria com um longo palitó e gravata que provavelmente deveriam ser do pai de Regina.
– Você acha? Eu tenho certeza.
Olharam-se com nostalgia e logo cairam em risadas com a chegada das lembranças desse dia que para elas foi um marco na infância.
– Nunca mais usem minhas roupas nessas brincadeirinhas tontas de vocês. — Regina imitou a voz de Cora as repreendendo.
– E não foi por menos afinal você perdeu a aliança de noivado dela. — comentou ainda rindo. — Foram quantos dias de castigo mesmo?
– Não me lembro bem, só sei que foram muitos dias para nós duas.
– Tínhamos onze anos na época ou eu estou enganada?
– Sim, é. Me lembro que você tinha acabado de completar onze e eu já tinha completado dois meses antes.
– Uhum! Você me colocava em cada brincadeira. Mas o que você queria quando entrou?
– Eu só queria uma opinião sobre qual brinco usar, mas eu já sei qual. — mostrou três pequenas caixas de camurças. — Me alegra saber que esse jantar é somente entre agente, porque se vestida com jeans e camiseta você já arranca suspiros alheios, imagina se te vissem desse jeito.
– Hum... E o que tem de mais se me vissem assim? — arqueou a sobrancelha.
Regina fixou seus olhos nos de Emma passando a mão pelos cabelos.
– Nada, Emma. — respondeu por fim. — Nada que te assuste baby. — completou piscando o olho no final.
E durante alguns segundos ficaram naquele jogo de olhares em que palavras eram ditas sem o apoio da voz.
– Hey meninas. — Mary entrou no quarto e tal como Regina ficou maravilhada com a filha. — Nossa, eu sabia que ficaria perfeito em você esse vestido. Você está linda minha querida. — elogiou.
– Obrigada mãe, eu só não entendo o porquê de tudo isso para um jantar em familia e ainda mais aqui em casa.
– Porque se trata de um jantar comemorativo, e isso pede que estejamos em estilo comemorativo. — explicou passeando sua mão pelo rosto da loira. — Bom, como você já está arrumada, quero que me ajude na decoração da mesa e você Regina, nem preciso dizer o quanto você está linda com esse vestido.
Abandonando os vestidos colados de sempre, Regina optou por um vestido mais soltinho na cintura e com o comprimento acima do joelho, a deixando com um aspecto muito mais Jovial.
– Eu já quero me acostumar com os vestidos mais soltos, hoje eu pude sentir que algumas roupas já estão me apertando... então logo mais vocês me verão assim boa parte do tempo. — explicou dando uma voltinha em torno de sí.
– Você fica linda com tudo Regina! — foi Emma quem disse com o olhar encantado sobre sua amiga.
– Concordo plenamente com minha filha, mas acredito que sua barriga só vá aparecer quando você estiver em torno de uns três meses e poucas semanas, querida.
– Eu não vejo a hora disso acontecer. — suspirou a morena emocionada imaginando-se de barrigão.
– Nem eu, certamente será a mamãe mais linda de todo o planeta.
– Vou parecer um panda. — brincou.
– Ainda sim será o panda mais lindo do mundo.
Emma aproximou-se de Regina e pôs a mão sobre a barriga de sua amada a olhando de um jeito todo apaixonado e por uns instantes as duas esqueceram-se da presença de Mary, que por sua parte deixou seus olhos fixados nas duas por um bom tempo.
– Hum... Isso é estranho. — murmurou Mary mais para si do que para as duas que pareciam terem entrado em uma bolha particular. — Emma?
– Hum?
– Vem me ajudar na mesa e deixe Regina terminar de se aprontar.
– Ah sim, claro. Vamos.
– Ótimo.
Mary esperou que Emma fosse na frente. Compartilhou um breve sorriso com Regina adicionando no final que a esperava com os outros e logo saiu do quarto e no segundo seguinte Regina fez o mesmo indo para o seu próprio quarto terminar de aprontar-se.
[...]
Logo depois de terem arrumado a mesa impecávelmente, reuniram-se na sala de estar para conversarem sobre diversos temas, desde os projetos de vida até as muitas viagens que Mary e David realizaram nesse meio tempo em que presentiaram-se com uma segunda e terceira lua de mel.
– A última foi Bogotá, né amor? linda cidade, voltarei lá em outra oportunidade. — comentou David dentro da conversa sobre as viagens que fizera junto a esposa.
– A cidade é linda, mas as pessoas de lá são um tanto desconfiadas, lembra que eu te falei que aquela menina da recepção não parava de olhar para mim? Me olhava atravessada.
– Era impressão sua meu amor. Na prómixa vez vamos para Cartagena, soube que lá o povo é todo festeiro. — disse muito animado. — Um dia levaremos vocês duas para conhecer a Colômbia.
– Um dia quem sabe né pai?! E enfim o que estamos esperando para começarmos logo esse jantar? — Emma estava impaciente e inquieta desde que aquela noite começara, porque inexplicavelmente já estava desejando o fim dela.
– Só mais cinco minutos Emma. — Mary disse olhando para o relógio de pulso. Estava tranquila e confiante de que suas convidadas iriam dar o ar da graça e que tudo daria certo.
– Quando irá nos apresentar um namoradinho seu hein Emma? — perguntou David a primeira coisa que lhe veio na mente para tentar quebrar o silêncio.
Emma revirou os olhos contorcendo os lábios incomodada por novamente David ter tocado naquele assunto.
– Pai, eu já disse que não tenho namoradinho algum e nem quero ter, tá'? Que saco!
– David, eu acredito que Emma está melhor sem um namorado porque assim ela pode se dedicar melhor aos estudos o que é prioridade nesse momento, certo? — Regina entrou na conversa quase como sentenciando o fim para aquela história. Olhou para Emma para que ela concordasse juntamente.
– Exatamente. — Emma disse. Satisfeita e ao mesmo tempo sentindo-se confusa com Regina. Como assim ela era melhor sem um namorado? Ninguém nunca a tinha visto com um namorado para saberem disso, bom, exceto Neal. A não ser que Regina estivesse de alguma maneira sublimar mandando uma mensagem. Seja como fosse logo descobriría.
– Chegaram! — Mary disse levantando-se quando a campaínha foi tocada.
– Chegaram? Quem? — indagou Emma sem entender. Até onde sabia não esperavam visitas naquela noite ou informada sobre.
– Minhas convidadas. — respondeu simplesmente.
– Que convidadas? — a pergunta foi feita em uníssono por Emma e Regina que olhavam atentas Mary ir sem demoras abrir a porta.
Sem responder as duas, Mary Margareth destranca a porta e com um sorriso todo acolhedor abre a porta dando imagem agora à duas jovens. Elsa e Anna Frozen.
– Boa noite. — Elsa sauda educadamente. — Espero não termos chegado com atraso.
– Imagina, chegaram no horário combinado. Entrem porfavor. — Mary pede gentilmente dando espaço para que entrassem.
– Obrigada. — de mãos dadas com Anna, Elsa atravessa o portal da porta e quando já está bem a vista dos outros dentro daquele apartamento seus olhos encontram quase que magneticamente com os olhos verdes de Emma, que por sua vez tinha os olhos paralisados olhando para Elsa parada alí a poucos passos de sí.
– Mas o que ela faz aqui? — Regina questiona sem cerimônia alguma. De todas as pessoas que queria ver dentro daquele apartamento, a última que esperava ver era Elsa Frozen, a pessoa que mais detestava no mundo.
– Encontrei-me com Elsa hoje de manhã e quase não a reconheci de tão linda que está agora, e aproveitei a oportunidade para convidá-la juntamente com sua irmã para jantarem com agente. Não é maravilhoso?! — dizia Mary enquanto conduzia as suas convidadas até o sofá mais próximo. — Sentem-se porfavor.
– Boa noite. — David cumprimentou as com um baleceio de cabeça. — Como vão?
– Bem. — Anna respondeu pelas duas com um sorriso infantil sentando-se primeiro e quando Elsa sentou-se ao seu lado imediatamente buscou sua mão com a sua, um hábito que cresceu com ela em toda vez que encontravam-se em lugares que ela nunca tinha ido antes. Era como um meio de criar confiança no ambiente.
– Olá Emma... e Regina. — Elsa sorriu quando Emma desviou seus olhos de Regina e foram em busca dos azuis de Elsa.
Regina não respondeu, não que não tenha ouvido, mas sim porque não quis e pouco estava importando se isso era falta de educação ou não.
– Oi. — disse rapidamente a loira e tão rapidamente sua atenção voltou para Regina. — Gina...
– Vem comigo. — pediu pegando na mão de Emma e a puxando para levantar-se também e acompanhá-la.
– Para onde vão? O Jantar já vai ser servido. — Indagou a Senhora Nolan ao ver as duas levantando ao mesmo tempo.
– Voltamos já. — disse Regina sem olhar para Mary e desaparecer com Emma entre o espaço da sala e o corredor dos quartos.
– Mas o que aconteceu? — questionou-se completamente alheia a tudo aquilo.
– Eu. — Elsa diz um pouco desanimada pela forma distante que aquele "Oi" de Emma soou. Embora esperasse que ao lado de Regina, Emma agísse diferente com ela, aquele cumprimeto tão sem vontade a fez sentir-se idiota por estar ali, mas não iria se deixar abater por aquilo. Sua recompensa com certeza viría no final.
– Como? — Mary olhou perdida para Elsa, não sabendo o que queria a loira dizer.
– O que aconteceu. Minha presença. Regina não gosta de mim e certamente deve está ditando agora mesmo as regras de "não se aproxime de Elsa" uma e outra vez para a sua filha, Senhora Nolan.
– Ela vai encher o saco a noite inteira Elsa Vamos embora? — sugeriu Anna também ciente de que a presença das duas não era nada do agrado da filha do Prefeito.
– Não, ninguém vai embora pelo amor de Deus. — Mary sentou-se ao lado de Elsa. — Mas como é isso da Regina não gostar de você?
– Não sei se você recorda, mas Regina sempre teve incômodo com qualquer proximidade entre Emma e eu. Sempre foi assim desde quando éramos mais novinhas.
– Sim, eu me lembro, mas isso não era ciúminho de crianças quando se vê a amiga fazendo amizade com outra? Isso nunca passou?
– Não só como não passou como piorou. — suspirou. — Acho que Anna tem razão, devemos ir embora para não incomodarmos mais.
– De jeito nenhum, vocês ficam! Não estão incomodando de nenhuma forma, pelo contrário, estamos contentes de que tenham aceitado o convite. — passou a mão pelo braço da loira tentando transmitir carinho por aquele gesto e indicando que ambas eram muito bem vindas para aquele jantar. — David, fique aqui com as meninas... Eu vou chamar as outras e ver o que está havendo.
– Claro querida.
[...]
– Eu não vou sentar à mesa com ela e muito menos você. Certamente a comida nem vai descer olhando para aquela carinha sonsa dela. — Regina dizia andando de um lado para o outro dentro do espaço do quarto de Emma.
– Regina, só por hoje... Me escuta, só por hoje esquece essa raivinha que você sente pela Elsa e vamos dar início a esse jantar logo de uma vez para que o mais rápido possível termine.
– Não é simplesmente "raivinha" Emma, você fala como se fosse um capricho meu não gostar daquela loira sem sal, por um acaso você esqueceu o que ela fez comigo?
– Linda, foi um acidente. Ela não quis fazer aquilo, ela não é a pessoa horrível que você pinta. — Emma já nem sabia mais o que dizer. Estava tão cansada desse assunto de Regina versus Elsa. Cansada de sempre ouvir a mesma coisa há tampo tempo.
– Ela não quis? Empurrar uma menina de doze anos que não sabia nadar dentro de uma piscina destinada à adultos para que ela se afogasse para você é o quê, natural? Porque pra mim isso é tentativa de homicidio.
A loira que estava inclinada sobre a mesinha de cabeceira, aproveita que Regina em uma das mil voltas dadas pelo quarto estava mais próxima, a puxa pelo braço cuidadosamente descruzando-os e a trazendo para perto de seu corpo quase em um abraço lateral.
– Naquele dia havia chovido, lembra? O que é bem normal aqui nessa cidade. E todo o clube estava escorregadío, eu mesma caí na parte dos brinquedos, recorda o mico que eu passei caindo da gangorra?! — riu brevemente. — Então... eu vi Elsa escorregando na borda da piscina quando acidentalmente vocês duas se chocaram e você caiu na piscina, e por pouco ela também não cai. Ela não fez por mal, vem.. Deixa esse bico e vamos aproveitar esse jantar sem nenhuma briga.
– Não foi acidente. — relutou em dizer. — Mas parece que se eu continuar com isso vou ser tachada de louca não é? Porque aparentemente ninguém acredita em mim.
– Não é isso meu bem, é que isso já faz tanto tempo que já fica chato recordar uma e outra vez toda vez que nos topamos com ela e ademais foi você quem insistiu para que eu deixasse esse jantar acontecer, então você não tem muito o que reclamar.
Vendo que Regina parecia não dar o braço a torcer, Emma desencosta da mesinha e leva seus lábios ao ouvido da morena e lá sussurra algumas palavras que tão rápido como o toque o efeito é imediato.
– Mesmo? — Pergunta a morena com um largo sorriso.
– Uhum, tem minha palavra. — Emma levanta a mão no ar como se estivesse fazendo um juramento em um tribunal.
E aproveitando a proximidade dos rostos, a loira encosta seus lábios nos lábios de Regina e alí marca um selinho demorado que poderia ter ganhado outras proporções se não tivessem sido interrompidas por duas batidas na porta do quarto.
– Meninas, vocês estão aí?
– Estamos mãe. — Emma responde ao mesmo tempo que afasta-se alguns passos atrás de Regina. — Pode entrar.
– Vim chamá-las para sentarmos a mesa e saber o que houve para terem saído da sala daquele jeito.
– Te explicaremos em outro momento, acho que o quanto antes começarmos esse jantar melhor será.
– Concordo plenamente.
– Uhum... Então vamos. — Mary indicou com a mão a passagem entre a porta e o próprio corpo não deixando de analisar as suas duas meninas notando como as duas tinham também o mesmo rubor no rosto. Seu instinto gritava a todo o momento alertando-a que Emma e Regina pareciam ocultar algo. Algo que logo buscaria encontrar.
[...]
Na mesa, e ao contrário do que se imaginava, o silêncio alí era uma palavra desconhecida principalmente por Mary que não cessava suas perguntas à Elsa e Anna.
– E quando foi que a Ingrid casou? — o rosto de Mary estava estampado o espanto com a notícia que Elsa estava dando sobre uma de suas antigas amigas.
– Não faz muito tempo, ela conheceu esse senhor em uma das viagens realizadas pelas afiliadas da imobiliária e o que eu pude entender disso foi que aparentemente foi amor à primeira vista. — relatou a jovem pausadamente. Sua boca distribuia palavras a Mary, mas seus olhos distribuia brilho toda vez que eles pousavam em Emma. Sentia uma emoção tão deliciosa com ela alí tão perto e mesmo com o ambiente repleto por aromas diferentes, ela conseguia definir o de sua loira preferida sem fazer nenhum esforço.
– Amor? — Mary parecia realmente não acreditar no que estava ouvindo. Ingrid nunca foi dada a ficar com ninguém por amor.
– Amor ou paixão, eu não sei.
– Mas onde ela mora agora? Porque até onde eu me lembro era ela quem iria tomar conta de vocês até que completassem a maioridade.
– E ficou. — respondeu a loira respirando fundo. — Quando eu completei dezoito anos eu resolvi assumir meu lugar na imobiliária e pedí a guarda completa da Anna, embora no inicio tenhamos entrado em conflitos ela acabou concordando que tanto para mim quanto para ela seria melhor assim, tanto que não demorou muito para que ela arranjasse um marido. Ela mora agora em Washington.
– Nossa, mas tão longe.
– Temos uma filial lá e ela cuida de tudo.
– E porque você não se muda para lá também? O certo é estar onde sua familia está, porque pelo que eu sei é lá também onde seus pais estão enterrados. — perguntou Regina não podendo a oportunidade de provocar.
– Regina! — Mary repreendeu quando notou uma passagem de tristeza pelo rosto de Elsa na menção dos pais mortos.
– Tudo bem Senhora Nola. Mas respondendo a sua pergunta Regina, minha familia é onde Anna está e embora nem Anna e eu tenhamos nascido aqui, essa cidade guarda momentos inesquecíveis em que nós duas tivemos com os nossos pais e além disso, tenho interesses em Storybooke. — lançou um sorriso lascivo para Emma, que corou imeditamente entendendo bem a indireta.
– Não me diga que a dama de gelo encontrou alguém para derreter-se?! Incrível. — ironizou gesticulando com a mão.
– Não sei bem do que você está se referindo, mas se o que quer saber é se meu coração encontrou alguém para amar, a resposta é bem clara. — pausou cravando bem seus olhos nos chocolates de Regina, que a desafiavam a todo momento. — Eu encontrei sim.
Anna que até então não tinha dito uma palavra, gira seu rosto para a irmã. Aquilo era novo para ela já que nunca ouviu ou vira a irmã expressar algo que indicasse estar gostando de alguém.
– Você está apaixonada? — perguntou a menina direta ao ponto.
– Sim. — as bochechas de Elsa ficaram vermelhas, pois só naquele momento notou que todos a olhavam fixadamente com aquela afirmação.
Emma já nem mais comia, Elsa a estava deixando terrivelmente nervosa e temia que a qualquer momento ela soltasse algo que desse a entender o que passou entre as duas.
A posição que estava sentada não a deixava livre dos olhos de sua mãe e nem dos de Regina. Seu assento ficava ao lado de sua amiga, em frente a Elsa e mais ao lado da Frozen, estava sentada sua mãe. Nunca tinha orado tanto mentalmente pedindo socorro a todas as entidades salvadoras para que aquela noite acabasse o mais rápido possível.
– E quem é o sortudo? — indagou Mary contente apoiando suas mãos sobre a mesa.
Duvidando em dizer a verdade ou pelo menos metade dela, Elsa passou lentamente seus olhos por Emma parando em Anna. Tinha certeza que o que quer que falasse chocaria a irmã menor, mas porque esconder uma coisa que futuramente seria do conhecimento de todos?
– Não sei se me ter apaixonada é uma sorte, mas afirmo que eu lutaria contra qualquer um para fazer aquela que eu amo eternamente feliz. — declarou-se sem encarar ninguém.
– Aquela? — questionou surpresa Regina. — Como que aquela? Uma mulher?
– Elsa... Você...- Anna balbuciava tentando compreender ou no mais confirmar o que já suspeitava.
– Sim, Anna e Regina... Eu gosto de mulheres. — assumiu sem medo.
– Uau. — David suspirou. Não esperava uma declaração daquelas na mesa. As coisas pareciam ficar tensas quando viu por primeira vez a mulher perder o sorriso durante aquela noite.
Mary com a boca aberta nem sabia o que dizer. Se o que sua capacidade de raciocíonio estava bem mesmo, acabara de ouvir e concluir que a menina Elsa estava assimindo-se ser lésbica, não que tivesse algo contra a dizer, mas no mínimo aquilo para ela era surpreendente.
– Bom... Legal então. — dizia desconcertada. — Ahm... Aguém quer a sobremesa? Eu vou... eu vou buscar. Vão para a sala que já servirei. David meu querido, venha me ajudar, sim?
– Claro.
Assim que Mary e David levantaram-se para ir a cozinha, as quatro voltaram para a sala de estar em um silêncio quase cortante.
Emma querendo sumir, pois quando Elsa declarou-se à vista de todos e praticamente para ela percebeu Regina ficar tensa e fechar-se. Teria ela percebido algo ou encaixado as peças? Ter Regina tão quieta e silenciosa indicava que ela estava pensando, analisando e concluindo coisas, mas a questão era: que conclusões Regina estaria chegando?
Sentaram lado a lado com Elsa e Anna à sua frente. Nenhuma conversa foi iniciada por nenhuma das partes e muito menos entre sí. Todas pareciam muito mergulhadas em suas mentes até que Elsa entrou em ação.
– Você está muito linda assim Emma. — elogiu com suavidade. — É impressão minha ou ele é do mesmo estilo daquele que eu te presentiei há um mês atrás?
Ah! como Emma queria fazer Elsa desaparecer naquele momento. Será que ela não percebia o quão inconviente poderia ser aquele comentário?
– Eu não sei. Não me fixo nos modelos dos vestidos. Na verdade nem gosto de vestidos. — respondeu sendo seca e dura. Já não tinha mais nem a intensão de ser simpática, se é que ao menos desde que aquilo tudo começara ela tentou ser.
– Mas porquê? Você fica muito linda assim.
Enjoada com aquela rasgação de seda bem à sua frente, Regina levanta-se.
– Queiram me dar licença, mas terei que me retirar, isso está me proporcionando uma dor de cabeça. Emma, quando tudo isso acabar. — fez gesto com a mão girando pelo espaço entre a sala onde estavam. — Vá para o meu quarto para conversarmos, estarei te esperando.
Antes que a loira pudesse responder alguma coisa, Regina já tinha sumido da sala e o casal Nolan aparecendo com bandeijas entre as mãos.
– Espero que gostem de petit gateau. — disse Mary passando entre os sofás e oferecendo a sobremesa, notando também que faltava mais alguém na sala. — Mas ué, cadê a Regina?
– Foi deitar-se. A cabeça começou a doer. — respondeu a loira Swan.
– Sério? Nossa, depois vou ver como ela está. — colocou a bandeija sobre a mesinha de centro e sentou-se sobre as pernas de David em uma poltrona de esquina.
– Não será necessário, eu farei isso.
– Hum... A Regina está passando uns dias aqui? — perguntou Elsa tentando não transparecer todo o seu interesse naquela pergunta, que desde seu último encontro com Robin aquilo vem atormentando sua mente.
– Agora ela mora aqui. — Mary deu a resposta naturalmente, antes mesmo que Emma elaborasse uma.
Emma fuzilou sua mãe com os olhos, tentando entender como alguém poderia ser tão língua solta como Mary.
– Morando? Porquê? — a loira Frozen lançou a pergunta diretamente para Emma.
– Porque assim eu quero. — falou áspera. — E quer saber, essa noite já deu para mim. — levantou-se do sofá e foi até os pais e beijou cada um. — Já sabe como funciona né mãe? É só fechar a porta por fora que por dentro automaticamente ela tranca. E vocês... — dirigiu-se as convidadas da mãe. — ... Queiram me desculpar, mas eu também terei que me retirar. Tenham uma agradável noite.
– Emma não é educado a dona da casa retirar-se antes dos convidados. — Mary tentou deter a filha quando esta já estava no meio do corredor.
– Mas as convidadas são suas, então se vira você com elas.
– Emma...
– Emma nada mãe. Fazer esse jantar foi obra sua, então termine com isso sozinha sem mim da mesma forma como você decidiu quando inventou esse jantar e convidou pessoas sem me consultar. Mas qual é a surpresa nisso não é verdade?! Você sempre faz as coisas sem me consultar... Sem saber o que o que eu vou achar ou deixar de achar sobre. Tudo o que importa a você é somente a sua opinião.
– Emma não é bem assim...
– Claro que é. — acusou. — E por sua causa agora eu posso estar em problemas, problemas nos quais podem dar fim ao que eu mais desejei ter em três anos. Por sua causa eu posso perder o que eu ainda estou lutando para conquistar. — gritava com fúria. — Porque você voltou afinal? Eu estava bem melhor sem você... Você não faz mais diferença na minha vida, deixou de fazer há muito tempo.
– Emma porfavor, não diga isso. — pediu com a voz trêmula devido ao choro. Tentou tocar a filha, mas esta negou o toque.
– Volta para as suas viagens, mãe. Volta para o seu mundinho perfeito, não finja importar-se comigo... tem dez anos que você deixou de atuar na minha vida como alguém importante.
– Você é a minha menina meu amor.
– Emma. — David chegou atrás de sua esposa a acolhendo em um abraço. — Escute, somos seus pais e te amamos mais que tudo, não julgue nossas escolhas como forma de não importar-nos com você, pois em nenhum momento deixamos de pensar e sofrermos com sua falta. Dizer o que está dizendo e apontar-nos o dedo como está fazendo é crueldade.
– Não, não é. Porque se fosse assim teriam vindo me buscar e não terem me deixado aqui como fizeram.
– Nós não podiamos! — Mary exclamou cortada por dentro pelo tom amargo da filha dirigido à eles, ou mais bem dizendo, para ela.
– Não podiam hum?! Sei. — respirou fundo, cansada e estressada. — Bom, isso não é tema para este momento... As convidadas estão esperando por vocês, não é educado as deixarem sozinhas.
– Elas já não estão mais... Decidiram ir embora. — informou David. — E como percebi a noite inteira seu incômodo com a nossa presença, nós não iremos mais atordoá-lha mais com isso. E quando decidir falar conosco respeitosamente, estaremos de braços abertos como sempre a esperando.
– David...
– Não querida, não é o momento. Melhor irmos. — passou o braço pelos ombros da esposa a puxando junto do seu corpo incitando a dar a meia volta. — Boa noite filha!
– Boa noite!
– Me desculpe Emma, só queria estar mais perto de você, não imaginei que isso acabaria irritando tanto a você. Dê um beijo por mim em Regina. Fiquem com Deus.
Não sabendo se teria exagerado com os pais, Emma nada diz, apenas balança a cabeça em concordância assistindo os dois irem embora. Mas o que poderia dizer quando tudo o que disse era de fato o que sentia? Quando não arrependia-se de nada? Não iria desculpar-se por algo que não era mais que a verdade. Amava muito seus pais e os ter de volta era algo verdadeiramente bom, mas isso não implicava em meterem-se em sua vida ou em sua casa como estavam fazendo. Poderia estar até sendo ríspida e fría, mas não iria fingir ou forçar algo que não conseguia.
Ouviu a porta bater indicando que ambos já não estavam no apartamento. Agora era hora de conversar com a dona do seu coração e encarar os feitos que quele desastroso jantar provocou.
Entrou no quarto tentando não aparentar estar desconfiada.
Regina estava sentada sobre a cama esperando somente a aparição da amiga. Conseguiu sim ouvir a conversa entre Emma e os pais, e teve que segurar-se muito para não ir até eles e dar apoio a loira, e só não o fez porque sabia que aquilo era questão que devia ser desenrolada somente entre os três.
Viu Emma entrar e ir até a ponta da cama sempre mantendo o contato visual com ela.
– Senta aqui. — pediu mostrando um lado da cama.
Tirando os saltos, Emma sentou na cama ao lado de Regina e encostou-se igualmente ela na cabeceira.
– Noite dificil. — murmurou.
– Completamente. — acompanhou no murmuro. — Mas surpreendente. — adiciona.
– Surpreendente como? — pergunta Emma virando o rosto de encontro ao da morena.
Dando de ombros, Regina responde.
– Primeiro, descobrimos que um tubinho fica divino em você, o que alegrou muito meus olhos. — sorriu e deixou que sua mão tocasse a de Emma que estava sobre as pernas cruzadas. — Segundo, soube que seu pai é mais calado do que eu imaginava.
– Eu acho que foi para dar equilibio, já que minha mãe parece não ter um botão para desligar. Ela tem mais palavras na língua do que um dicionário inteiro. — riu tentando relaxar um pouco mais.
– Eu não duvido disso. — trouxe a mão de Emma para o seu colo onde começou a brincar com os dedos da loira. — Bom, mas continuando a númeração de surpresas...
– Sim, claro.
– A terceira e com certeza uma das mais surpreendentes foi a aparição de Elsa Frozen e descobrir também que ela é muito querida por sua mãe. Senti vontade de expulsar aquela mulher no momento em que a vi, mas infelizmente eu não poderia.
– Se você quisesse ninguém poderia te impedir porque, você sabe, esse apartamento é tão meu quanto seu... desde o momento em que eu me mudei para cá.
– Eu sei, e saiba querida que isso passou por minha mente várias e várias vezes inclusive com sua mãe. — confessou. Sua voz nada se parecia com alguém que poderia estar chateada.
– Não te culpo, senti vontade de expulsar minha mãe desde o momento que ela inventou esse jantar.
– Isso era notável. — suspirou deixando os ombros cairem e buscando os olhos verdes de Emma. — Mas sabe o que era bem mais notável ainda durante o jantar?
– O quê?
– O brilho dos olhos de Elsa toda vez que ela olhava para você, ela parecia muito contente em ver você. No começo eu até busquei entender que seria isso o que você, Killian e Ariel sempre buscam me mostrar... de que ela se agarrou à primeira pessoa fora da familia que a tratou com gentileza sem interesses ou por má fé... que ela somente queria uma amizade sincera e como você foi essa pessoa, ela criou essa fixação contigo...
– Regina o que você está querendo dizer? — perguntou sentindo-se agoniada e nervosa com o rumo daquela conversa.
– Chegarei lá meu bem. — sorriu passando a mão pelo rosto de Emma levando a franja caída para trás da orelha. — Você me pediu para deixar essa raivinha da Elsa de lado certo?
– Certo.
– Eu tentei, tentei muito essa noite... E mesmo com meu joguinho debochado, eu estava disposta a deixar de lado para sempre isso, porém conclui algo que me fez entender que jamais poderei deixar essa raivinha por ela de lado, porque se eu estiver mesma errada por um lado, hoje pude ter a certeza que por um outro eu sempre estive certa.
– Que é..? — instigou
– Sabe porque eu sempre quis você afastada dela? Não, não precisa responder. — disse quando viu Emma abrir a boca para respondê-la. — Aquele olhar dela sobre você sempre gritou o quanto ela admirava você, mas bem mais além dessa admiração e gostar, ela queria mais. Ela queria você, mas não só como amiga, ela queria ir bem mais afrente com isso e hoje naquela declaração isso foi tão encaixável que nem posso entender como sua própria mãe não percebeu isso. — dizia calma.
Já Emma não era a mesma coisa. Seu coração estava tão gelado que estranhava ainda o fato de estar respirando.
– Tenho certeza que você está interpretando mal as coisas, Regina.
– Não, eu não estou e você sabe bem que eu não estou porque você também é conciente de que a mulher por quem Elsa está apaixonada é você, se não você não teria ficado desconcertada e vermelha diversas vezes como ficou diante das desclarações dela na mesa, eu não sou cega.
– Regina...
– Eu poderia estar bastante nervosa e irritada com isso, mas eu não estou... O que em realidade eu estou sentindo é pena.
– Pena?
– Como eu disse, eu poderia estar irritada, muito irritada quando ao chegar a esta conclusão e certamente eu estaria se você não tivesse me dito sobre seus sentimentos por mim, se você não tivesse se aberto à mim... E se eu não tivesse provado em seus lábios o quanto isso é verdadeiro. — com a ponta dos dedos traçava linhas sobre os finos lábios rosados de sua loira. — Se você não tivesse me dado a certeza que seu coração é meu, eu poderia estar agora surtando somente com a idéia de esse sentimento daquela loira sem sal ser recíproco já que você a defende tanto.
– Não, não é. — Emma apressou-se em dizer ficando de frente a Regina, o coração já nem parecia mais ter controle dentro do peito.
– O que não é? Seja clara meu bem.
– Eu não sinto nada por Elsa. — esclareceu. — Como eu disse para você, eu sempre amei você... Nunca na minha vida nenhuma pessoa teve espaço no meu coração. Só houve você e sempre haverá somente você.
Regina sorriu sentando sobre as pernas de Emma e enlaçando suas pernas na cintura da loira.
– É por isso que eu disse que sinto pena. Pena da Frozen, porque infelizmente para ela, você é minha e ela nunca terá seus beijos como eu tenho. — beijou os lábios de Emma. — Ela nunca sentirá seu perfume como somente eu posso sentir. — passou seu nariz pela curva do pescoço da loira. — E ela nunca poderá sentir a maciez e a textura da sua pele como eu sinto e sentirei. — beijou o pescoço de Emma vendo como cada parte daquele suave corpo ficava arrepiado. Suas mãos encontraram pelas costas de Emma o zíper do vestido e vagarosamente o foi descendo. — E sabe porquê?
Se Emma já derretia-se com o tom natural da voz da sua amada, agora mesmo poderia ser comparada à uma geléia humana nas mãos de Regina somente por ouvir aquela voz extremamente sensual e rouca sussurando em seu ouvido.
– Porque você é minha, Emma. — sussurrou deslizando uma de suas mãos por dentro do vestido da loira tocando a pele quente das costas da mulher em seus braços. — Você é minha?
– Completamente sua. — em um fio de voz Emma respondeu deliciando-se com a sensação das mãos de Regina deslizando sobre as suas costas.
Com suavidade Regina afastou um pouco seu corpo do de Emma e do mesmo modo foi puxando a parte de cima do vestido da loira para baixo até a metade da barriga revelando o sutiã preto de Emma.
A respiração das duas estava inregular. Emma ganhando um tom avermelhado e os olhos de Regina ganhando um castanho bem mais escuro encarando aquela pele tão branca em contraste com o tecido preto do sutiã.
– Diga-me... Diga-me que ela nunca teria e nunca terá você como eu tenho e terei. — pediu. Em realidade isso era mais que um pedido.
– Ela nunca me terá como você me tem. — Emma sabia que estava ocultando coisas de Regina, mas não estava mentindo sobre Elsa a ter como Regina a tem. Porque com Elsa nunca passou de atração física, e com Regina sempre foi amor. Amor de verdade.
– Então me mostre. Me ame, Emma. Me ame como eu sinto em seus beijos, me ame como eu sinto em seu braços, me ame como eu sinto em suas palavras, me ame como ninguém nunca me amou.
A resposta não tardou em vir. Com Regina ainda em seu colo, Emma empurrou os dois corpos até estarem completamente deitados sobre a cama. Tomou a boca da dona de seus pensamentos em um beijo urgente, no qual parecia ser um ensaio para o que logo mais aconteceria sobre aquela cama e dentro daquele quarto.
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