Sweet Happiness

20 Capítulo 20 Reaproximando


Notas iniciais
Olá meninas, como vão? Esse capítulo é como de costumeiro quando por inteiro é um capítulo muito grande e eu acabo dividido em dois. Porque que eu divido? Porque eu realmente não gosto de entregar capítulos tão grandes e creio que sejam cansativos. Então.. Sei que todas vocs devam estar esperando o jantar, e dsd já peço desculpas pois o jantar será no capítulo de amanhã que por sinal já está escrito. Tenham uma boa leitura ;)

– Ruby, veja isso. — A senhora Granny chamou a neta para sentar-se junto à ela na mesa mostrando algo no jornal do dia.

– O quê vovó? — perguntou sem ainda olhá-la, estava concentrada visualizando seu reflexo no espelho da sala prendendo o cabelo em um alto rabo de cavalo. Estava se preparando para começar mais um dia no restaurante.

Ajustando bem os óculos em seus olhos a senhora Granny responde:

– Foram abertas vagas para a mesma faculdade que suas amigas fazem cursos. A prova seletiva é somente daqui à dois meses. — comunicou exibindo grande interesse no anúncio.

– A senhora pretende cursar algo? Porque não acho que você tenha tempo para isso. — virou-se ajustando seu short vermelho e a blusa de farda do restaurante. Ao contrário da avó, Ruby não tinha nenhum interesse naquele assunto. — Então como estou?

Granny revirou os olhos.

– Querida, óbvio que eu não tenho tempo, mas você tem... e como tem. — levantou-se levando o jornal e abrindo-o para mostrar a neta focando bem no anúncio onde havia circulado com marca texto azul. — Veja, há vagas para cursos que para mim seria de muito bom agrado que você fizesse como por exemplo este aqui de administração, o que me diz?

– Ai vovó, eu não tenho paciência para essas coisas. — disse gesticulando com as mãos. — estudos nunca foram comigo. Nem sei como consegui terminar o colegial. — dizia enquanto delineava seus olhos com lápiz de olho preto.

Com as mãos na cintura encarando a neta pelo espelho, Granny prosseguiu:

– Ruby, você é inteligente minha querida e é em você que eu aposto para cuidar do restaurante quando chegar a minha hora.

– Credo vó, não fale besteiras ainda mais de manhã tão cedo. — fez careta repreensiva.

– Não é besteira, eu já não sou nenhuma jovenzinha assim como você é... Não durarei para sempre e quando isso chegar, eu quero pelo menos ter que deixar meu trabalho de toda uma vida em mãos de alguém capacitado para isso.

– Não pense nisso vovó. Na realidade você nem tem que pensar nisso agora. — a garota colocou uma de suas mãos no ombro da avó como gesto de carinho. — E aliás eu sempre vi você cuidando disso aqui, sei de tudo o que eu preciso para levar para frente o seu trabalho de toda uma vida, como bem foi enfatizado.

– E como não vou pensar Ruby? Eu quero sentir orgulho de pelo menos um de meus netos. Então eu acho que você deveria tentar esse teste, eu ajudo você a estudar, suas amigas também.

– Eu agradeço o incentivo, mas não quero fazer faculdade, vovó. É chato. — resmungou desinteressada.

– Mas você vai. — retrucou afastou-se da neta dobrando o jornal e anotando o endereço do site para a inscrição. — Já está decidido. Quero uma neta formada e capacitada, então prepare-se para estudar.

– Mas vovó...

– Sem "mas" Ruby. Agora vá para o restaurante porque você já está a mais de vinte minutos atrasada.

Mesmo sentindo-se contrariada, Ruby obedece a avó.

Quando já estava com um pé na rua certificando em seus bolsos se estava com tudo o que precisava, uma moto para bem à sua frente assustando-a em primeiro ato. Com uma mão no peito sentindo o coração desparado, prepara-se para soltar todos os cachorros naquele imprudente motoqueiro, no entanto quando ia verbalizar coisas nada agradáveis de A á Z, sua voz pareceu sumir ao ver o rosto daquele por detrás do capacete preto.

– Olá morena, quer dar uma voltinha? — convidou o rapaz retirando o capacete.

– A-August? — balbuciou sentindo-se realmente surpresa por vê-lo naquela manhã. Já estava sabendo de seu retorno à cidade, só não esperava vê-lo logo.

– Esse é meu nome. — sorriu. — tem um tempinho para conversarmos?

– Você é louco? Poderia ter me atropelado. — reclamou.

– Eu não iria atropelar você, seria um grande disperdício. — passa seus olhos por todo o corpo de Ruby com aquele sorriso faceiro que para a morena de mechas vermelhas foi no mínimo constrangedor.

– O que você quer?

– Eu já disse, quero conversar. — respondeu simplesmente decidindo agora falar de maneira séria para tentar soar convincente. — Eu realmente preciso conversar com você.

– Sobre? — arqueou a sobrancelha desconfiada.

– Suponho que você deva saber muito bem. — Quando viu a garconete lançando-o um olhar inquisitor, suspirou abandonando o seu lado galantiador. — Ande, vamos... Você sabe que o único motivo que me faria procurar você para uma conversa seria por causa de minha prima. Você também não é uma de minhas pessoas favoritas.

– Você já está sabendo?

– Se estou aqui é porque eu já sei. — piscou o olho. — Venha, suba.

– Não posso, estou atrasada para o restaurante. Quem sabe outro dia. — Agora foi Ruby quem piscou o olho ao negar o convite dando a volta na moto e voltando a caminhar. Não queria conversa com August.

– Tudo bem, eu te sigo até o restaurante e fico lá até você arranjar tempo para conversar comigo, e olha que eu posso esperar o dia inteiro se eu quiser. Você sabe o quanto posso ser persistente. — dizia enquanto conduzia a moto no mesmo ritmo que os passos de Ruby. — Chegaríamos mais rápido se você subísse aqui. — fez sinal com a cabeça para a garupa da moto.

– Não obrigada, gosto de caminhar. — respondeu desdenhosa fitando sempre o caminho à sua frente.

– Não seja orgulhosa, sei muito bem o quanto você adora uma moto, lembra quando nós...

– Stop! pode parar por aí. — cortou secamente o rapaz. — O que você quer saber? Te conheço muito bem. Diga logo o que você quer.

– Primeiramente gostaria que você deixasse de ser tão hostil comigo. E segundo, você só vai saber quando ceder um pouco do seu precioso tempo para conversar comigo como dois bons amigos que somos.

Ela riu com desdém.

– Como um dia fomos você quis dizer, não é mesmo? Não queira transformar em presente o que já se acabou no passado! — Exclamou virando-se para o lado encarando o rapaz, fazendo os olhos de ambos se encontrarem. — Se eu for com você agora, você vai me deixar em paz?

– Você não disse que estava atrasada? — ergueu a sobrancelha apoiando-se sobre o capacete em sua perna esquerda. Como era bom provocar aquela menina.

– Responda apenas minha pergunta. — exigiu sem humor.

– Digamos que por hora eu não te irei perseguir cidade acima cidade abaixo. — estendeu o capacete para a morena.

– Eu odeio você. — bufou tomando o capacete a contragosto e colocando-o na cabeça para em seguida subir na moto e agarrar-se na cíntura do rapaz.

– Eu sei baby, eu sei.- Suspirou desenhando um sorriso vitorioso e ao mesmo tempo aproveitando para espiar a carinha de brava da sua ex-namoradinha de infância pelo espelho retrovisor.

Alguns minutos depois, os dois estavam sentados em uma mesa de uma lanchonete próxima ao Granny's. Pedido feito por Ruby que reclamou dizendo que preferia andar na moto do motoqueiro fastasma do que ter que voltar a andar com August, e acabar sofrendo um acidente de trânsito por causa de um louco que pensa que moto é avião para ter que tentar tirá-la do chão.

– Pare de reclamar garota, desse jeito nem parece a menina gaiata que todos conhecemos.

– Olha August, vamos logo ao ponto, certo? O que você quer conversar? — perguntou sem muita paciência. Aquela manhã estava parecendo que iria de mal a pior.

– Certo, vamos ao ponto então. — acomodou-se bem na cadeira arrastando-a para mais perto de Ruby, o que a fez tensar-se. — Onde está o teu irmão?

– O meu.. quê? Eu acho que não ouvi bem...

– Ah você ouviu sim. Onde está teu irmão, Ruby? E não me venha dizer que não sabe porque eu não sou tonto e nem besta, sei perfeitamente que você mantêm contato com ele.

Ruby encarou o rapaz seriamente com a boca entreaberta. Quem ele pensava que era para falar assim com ela?

– Ôh meu querido, você está ficando louco ou o quê?!

– Ruby, não tente me enrolar, você nunca conseguiu isso e não vai ser agora que conseguirá não é mesmo? Então, me diga, onde o inresponsável do seu irmãozinho está hum? Porque creio que ele e eu temos contas a acertar.

– Eu não sei. — respondeu dando ênfase em suas palavras. — Eu não falo com ele desde que ele próprio decidiu ir embora da cidade, e afinal de contas, o que você tem haver com isso? Isso é coisa entre meu irmão e a Regina, somente eles podem resolver essa questão.

– Essa questão. — repitiu ironizando com um sorriso enconstando-se na cadeira e cruzando as pernas sem nunca deixar de lado o contato visual com Ruby. — A questão é que existe uma criança nesse meio. A questão é que existe um coração quebrado nesse meio. A questão é que existe uma só pessoa que está carregando esse peso e uma só pessoa sofrendo com as consequências. — deu uma pausa. — A partir do momento em que isso causou problemas na minha familia, deixou de ser somente questão entre seu irmão inresponsável e minha prima.

– Quer parar de chamar o Graham assim? Eu sei que ele fez besteira, mas ainda assim é meu irmão. — semicerrou os olhos girando o corpo. — Ele agiu de uma maneira incorreta isso eu sei, mas eu sei também que ele ama a Regina e que voltará quando se der conta da burrada que fez, pelo menos para assumir o filho.

– Ah é? Ele disse à você que voltaria? — indagou analisando a expressão da jovem.

– Ahm? não.. Eu, eu já disse que não sei nada dele. — irritou-se com o olhar analítico de August sobre sí, parecia que vê-la irritada o estava divertindo muito.

– Ruby coloquemos as cartas sobre a mesa. Existe muitas coisas erradas e estranhas acontecendo na minha familia. Ter minha prima grávida sem o apoio do pai da criança pesará muito.

– Pesará o quê? Porque eu não estou te entendendo August, seja mais claro por favor.

– Não é certo Regina estar sozinha nisso, ela não fez esse bebê sozinha. Não é certo essa criança nascer sem um pai. — expôs sua opinião.

– Olha August, Regina está bem com isso, agora ela está. Ela é uma mulher segura de si, e conseguiu se recuperar sem sua entromissão, porque para mim é isso o que você está sendo, um entrometido. E só para te esclarecer uma coisa, ela não está sozinha nisso porque ela tem a mim, tem a minha avó, tem o pai dela, que pelo que estou sabendo encarou a situação de uma maneira bem positiva apesar dos fatos, e com tudo isso ela tem também a Emma. — sem aviso algum levantou-se da cadeira e antes que August dicesse mais alguma coisa, ela adicionou. — E querido, acredite em mim... Eu posso até afirmar que meu irmão ama a Regina e que poderá um dia voltar, mas quanto à ela isso já me parece diferente. Então não se meta onde você não sabe.

– Mas do que é que você está falando? Eu também estou aqui para ajudá-la. — disse tentando alcansá-la.

– Conhece aquele ditado de que ajuda muito quem não atrapalha?! Então... medite sobre isso meu filho. — disse ao longe quando já atrevessava o outro lado da avenida.

August por sua parte nada pôde fazer. A conversa não havia resultado da forma como queria, mas por um lado foi impossível negar o quanto foi agradável rever e mesmo que de contra vontade de Ruby, ter algum tipo de conversa com ela.

Ainda encarando a avenida pelo qual a sua ex-namorada desapareceu, deixou escapar um breve sorriso satisfeito imaginando qual seria seu próximo passo para ao menos quebrar aquela barreira que claramente Ruby colocou entre eles dois.

"É meu amigo, terei que inventar mais dessas conversas."

*SH*

Como Emma não fora para a faculdade também, Regina mudou o seu primeiro plano do dia que seria ir ao Granny's, juntando-se assim à sua amiga na mesa do café da manhã na cozinha.

– Você não tem noção de como eu amo isso, ainda não acredito que foi você quem fez, Emma. — dizia Regina deslumbrada com o doce sabor dos Blueberries nas panquecas postas à mesa.

– Ah qual é? Não sou tão ruim assim na cozinha. Quer mais suco? — estendeu a jarra oferecendo-se para servir a amiga.

– Não, obrigada. — fez sinal negativo com o talher. — Nem é que eu esteja dizendo que você é ruim meu bem, mas digamos que você não consegue manejar muito bem coisas que se levam ao fogão.

– Nem todos nascem com esse mesmo talento que você, porque diga-se de passagem cozinhar e muito bem são para poucos, mas agora quem sabe tendo você morando comigo as coisas não evoluem para o meu lado hein?

– Possívelmente muitas coisas irão evoluir. — olhou para Emma com um brilho insinuante mordendo o lábio inferior. — na verdade, acho que já estão evoluindo.

– Eu acho que esses papéis estão invertidos. — comentou sorrindo ao levar a louça para a pía.

– Que papéis? — fez-se de desentendida. — Nem sei do que você está falando.

– Você sabe sim, era para mim está tentando seduzir você e não você à mim.

Quando terminou de dizer isso sentiu como mil formiguinhas estivessem andando por seu rosto. Nunca imaginou-se está dizendo isso à Regina sem ser em um tom de brincadeira.

– Estou conseguindo te seduzir?

Ela estava muito perto de Emma. Colou seu corpo em um abraço por trás envolvendo a cintura da loira com seus braços e seus lábios raspando suavemente pela orelha da amiga.

– Você consegue isso até dormindo. — murmurou sentindo como se o ar faltasse em seus pulmões. Regina fazia mais pressão ainda entre os corpos. — Regina... O que você está fazendo?

As mãos da morena ultrapassaram o límite da barra da blusa de Emma, invadindo aquele espaço e tocando a pele quente e lisinha da loira. Suas unhas deslizando pela barriga da melhor amiga causando assim arrepíos em Emma que por sua parte foi obrigada a se apoiar um pouco mais na pía.

Regina sorriu contra a orelha da sua 'amiga' vendo o efeito que estava causando nela.

– Nada. — sussurrou. — Eu ainda não estou fazendo absolutamente nada.

– Eu não conhecía esse seu lado tão... atrevidinha.

– Porque antes isso era diferente. — seus lábios buscaram espaço pelo pescoço de Emma e quando encontrou não duvidou em pressionar um casto beijo por essa região, causando mais arrepíos na loira. — Tenho muitos lados que você ainda não viu.

Só Deus sabia o quanto Emma estava lutando contra seu próprio instinto para não acabar virando-se de frente, agarrar Regina em seus braços e arrastá-la para o quarto e de lá não sair tão cedo. Estava lutando contra seu próprio autocontrole. Não queria que as coisas fossem assim, não queria que o que tanto seu corpo estava exigindo e sendo provocado por sua morena acontecesse assim. Com Regina tínha que ser diferente.

– Regina... — murmurou quando sentiu as mãozinhas invasoras da amiga chegando ao tecido de seu sutiã. — Pára porfavor.

– Parar com o quê? — morria de vontade de penetrar aquele sutiã para que pudesse sentir com suas mãos a maciez daquela parte do corpo de Emma. Parte que sempre admirou secretamente.

Para o alívio de Emma e frustração de Regina, alguém resolveu interromper aquele momento.

– Eu vou atender. — se prontificou Regina separando-se a contragosto do corpo de Emma.

No meio do caminho, Regina parou e sugeriu:

– Hey Emma, o que me diz de fazermos uma vísita para Belle esta noite? — não tinha certeza, mas gostaria muito de dividir essa novidade com sua outra amiga, com certeza ela teria muito o que dizer sobre essa nova fase ou melhor dizendo, descoberta sobre sí.

– Claro, não temos nada programado para esta noite então tudo bem por mim.

– Certo.

Ao abrir a porta, Regina logo foi abraçada por uma Mary eufórica e sorridente, vindo mais atrás David.

– Regina, que saudades!

– Olá Mary. — Ainda surpresa com com o abraço inesperado tentava correpondê-la do mesmo modo. — Bem?

– Ótima. Onde Emma está?

– Na cozinha. — fechou a porta quando foi liberada do abraço. — Olá David.

– Olá querida. — como saudação, David apenas passou a mão pelo rosto de Regina carinhosamente.

– Venha querido vamos levar as compras para cozinha. — Mary disse.

Até aquele momento Regina ainda não tinha percebido as excessivas sacolas que David trazia nas mãos. Passou seus olhos por entre os dois que pareciam já conhecer bem o apartamento.

Já Emma que ainda tentava recuperar-se do sucesso acontecido alí diante da sua pia desperta-se quando ouve as vozes de seus pais vindo ao seu encontro.

– Mas que tantas sacolas são essas? — apontou com a mão para as muitas sacolas que via Mary preenchendo sobre a mesa de vidro. Não estava entendendo aquilo, porque pelo que se lembrava em nenhum momento havia pedido algo para a sua mãe no dia anterior.

– Coisas. — respondeu animada. — Coisas para o jantar que faremos. Que eu farei aqui.

– Jantar? — questionou confusa. — Você vai dar um jantar no seu apartamento é isso?

– Não, será aqui. — disse calmamente e sem pedir autorização alguma passou para o interior da cozinha guardando as compras em seus devidos lugares como se há muito tempo vivesse naquele apartamento. — Decidimos fazer um jantar em comemoração, já que agora todos estamos juntos mais uma vez.

– Decidiram? — seu olhar inquisitor correu entre Mary e David que inclusive estava sentado na mesa comendo uma maçã ao lado de Regina, que também como a loira estava com o semblante franzido não perdendo um movimento sequer de Mary fazendo zig zag pela cozinha.

– Sua mãe quem decidiu, isso é somente idéia dela. — David deu de ombros como se quisesse tirar seu timinho de campo de toda aquela confusão de informações.

– E você apoiou pelo visto. — acusou revirou os olhos e parando de frente à Mary. — Mãe, não poderemos fazer um jantar hoje e muito menos aqui, Regina e eu planejamos sair esta noite, você não pode chegar dizendo que realizará um jantar em minha casa assim do nada, porque diabos você não avisou isso antes? — não queria ser grossa, mas aquela situação não lhe estava agradando nenhum pouco. Não estava gostando daquela invasão de espaço de seus pais ou melhor dizendo de sua mãe.

– Olha o linguajar mocinha! não foi assim que te criamos. — tentou repreender.

Emma levantou as duas sobrancelhas encarando a mulher a sua frente deixando escapar um sorriso incrédulo apoiando sua mão esquerda no quadril e a outra levantou ao ar em um gesto acusatório.

– Realmente não foi assim que vocês me criaram porque no fim das contas não foram vocês que me criaram, recorda mamãe? — ironizou. Nem queria fazer a propósito, mas tudo aquilo lhe tinha pegado de surpresa.

– Emma! não diga isso. — pediu sentindo o coração apertar. Conseguiu sentir na voz da filha mesmo que de longe uma pequena quantidade de amargura direcionada à ela. — Eu lamento por isso, e é porisso também que sinto a necessidade de estar perto de você.

– Bom, estar perto é uma coisa, ultrapassar os limites do meu espaço pessoal é outra bem diferente. — retrucou ainda no mesmo tom que o anterior. — Poxa mãe, você não poderia ter me avisado? Não é que eu não goste de estar com vocês, não pensem que seja isso porque eu adoro muito estar com vocês, mas é que eu tinha planos esta noite, eu ao menos pretendia.

Decepcionada com a rejeição da filha, Mary respira fundo abandonando o que tinha nas mãos sobre a mesa começando a dizer:

– Bem... me desculpe então, eu não queria incomodar e nem atrapalhar nada, eu só achei que seria bom termos um jantar em familia como fazíamos antes. Eu não pensei que se chatearia tanto, porque no fim somos seus pais e faz tanto tempo que não ficamos juntos e não passamos um momemto divertido que... Bom, haverá uma outra oportunidade para fazermos isso. — foi até David. — Vamos voltar para casa querido.

– Certamente haverá muitas e muitas oportunidades. — Emma disse sentindo-se um tanto aliviada. Qualquer um diria que estava feliz em se livrar de um momento com os pais, mas no fundo Emma temia que alguma coisa desse errado com Mary planejando jantares em sua casa, como por exemplo: perguntas que a loira não gostaria de responder ou um pretexto para aderir uma conversa que não queria ter.

Vendo a expressão decepcionada de Mary, Regina resolve agir e interceder pela mãe de sua melhor amiga.

– Espera. — segurou o braço de Mary dedicando-lhe um sorriso confiado, e logo foi até Emma pousando suas mãos nos dois braços da Swan. — Emma, nós podemos deixar para irmos à casa de Belle outra noite, sua mãe tem razão; há muito tempo que não temos um momento prazeroso assim todos reunidos, esse jantar seria uma boa, então não vejo motivos para não cedermos. É normal que queiram passar um tempo com você e tentarem começar da melhor forma.

– Regina...

– Porfavor. — pediu estampando um comprido sorriso.

Suspirando fundo Emma assentiu, com Regina lhe sorrindo daquele jeito nada poderia negar à ela.

– Ok. — reafirmou ainda meio incerta se aquilo daria certo. — Pode vim fazer esse jantar, mãe.

Por um momento Regina sentiu vontade de agradecer Emma com um beijo, e quase o fez se não tivesse ouvido da boca da loira a palavra "mãe" a fazendo recordar que não estavam sozinhas. Conteve-se apenas em dar um leve aperto nos braços de Emma.

– Certo. — a voz de Mary saiu mais motivada agora. — Obrigada.

– Agradeça a Regina. — passou pelas duas e saiu da cozinha.

– Eu acho que vou falar com ela. — David disse como de costume em uma exibível calmaría. — ela pode chegar aos trinta anos, mas ainda age da mesma forma emburrada quando tinha dez.

As duas assentiram e segundos depois as mesmas estavam sozinhas naquela cozinha, que para Regina naquele momento pareceu ser uma caixinha de fósforo diante da tensão que se criou entre ela e Mary.

– Obrigada. — repetiu o agradecimento quando sentou-se.

– Não precisa agradecer, Emma só é um pouquinho cabeça dura.

– Ela não era assim. — murmurou cansada. — antes ela era tão receptiva à mim, agora ela demonstra estar tão retraída e isso eu venho percebendo de uns três anos para cá. O que mudou Regina?

– Mary, eu não sei... Emma para mim continua igual, é certo que ela mudou um pouco com os anos, mas isso é normal afinal ninguém é o mesmo que foi no dia anterior. — tentou explicar a sua maneira. — Eu acho que ela acostumou-se tanto a não ter a presença de vocês que agora é um pouco dificil tentar adaptar-se a vocês de volta, isso são só reações de primeira etapa... Tenho certeza que com o passar dos dias isso mudará. — segurou a mão de Mary tentando passar segurança em suas palavras.

– Será?

– Pode apostar que sim. — piscou o olho.

Sorriu tentando se convencer daquilo.

– Falei com sua mãe antes de voltar a cidade. — disse lembrando o real motivo de seu retorno e mudando completamente o clima de conversa.

Regina tensou o corpo soltando a mão da Senhora Nolan fechando o semblante. Tudo o que menos queria naquele momento era ter que falar sobre sua mãe.

– O que ela lhe disse? — indagou imaginando qual assunto Cora fez questão de tratar com Mary.

– Coisas que não chegaram a me agradar minha querida. — seus olhos recairam para a barriga da morena. — Como isso aconteceu Regina?

– Mary, você já ouviu falar de sexo? Não, certamente sim... Já que Emma não é nenhum produto imaginário...

– Regina. — cortou. — Eu entendo que tratar desse assunto não te agrade, mas eu gostaria muito de ser tratada educadamente da mesma forma que estou trantando você, não estou aqui para julgá-la ou recriminá-la, apenas busco entender como uma menina tão ajuízada como você se deixou levar por uma paixonite boba resultando em uma inesperada gravidez.

– Não é preciso que eu tenha que recordá-la que você teve Emma mais ou menos na minha idade, não é?

– Não, não é preciso até porque Emma não foi algo inesperado e eu já estava casada, o que nos leva á uma situação completamente diferente da sua. — Mary buscou as mãos de Regina com suas, estava preocupada com ela e isso era verdadeiro. — O que pensa fazer em relação à isso, Regina? Você ainda é só uma menina, está realmente preparada para cuidar de uma criança? Já pensou nos pros e contras? Ser mãe sozinha não é fácil minha querida, implica tantas coisas.

Regina sentia seus olhos umidecerem, não encarava os olhos de Mary.

– Quando Cora me disse e contou tudo o que havia acontecido, que você resolveu sair de casa e que a relação de vocês duas estava quebrada, eu fiquei pasma... ainda mais quando ela me disse também que quase foi agredida por Emma por causa disso, imagine minha surpresa ao ouvir tudo isso?

– Minha mãe está exagerando. — disse enojada virando o rosto para a mulher de cabelos curtos. — Em nenhum momento Emma ousou qualquer ato parecente à violência, ela só deixou bem claro que minha mãe, que agora faz questão de deixar bem claro que não me quer mais como filha, que é e não será mais bem-vinda neste apartamento. Me Admira muito agora a conceituada primeira dama usar de fofocas para tentar criar intrigas, e ainda mais deturpadas. — disse soltando um sorriso sarcástico. — E quanto a minha gravidez eu posso assegurar com toda convicção que eu tenho dentro de mim que nunca estive tão certa na minha vida. Pode ser sim que tenha vindo em um momento inesperado, mas nunca indesejado. Eu cuidei do Henry durante esses nove anos de vida dele, foi eu e Emma em um bom período em que conviveu na mansão que cuidávamos dele, porque minha mãe parecia não encontrar uma brecha em sua agenda de dama da sociedade um tempo sequer para dedicar ao filho pequeno, então se eu que era somente uma menina pude cuidar do meu irmão, agora estou mais que preparada para cuidar do meu próprio filho, e o que eu não souber, aprenderei... Afinal ninguém sabe de tudo, porém caminhos para se aprender existem.

Ainda com as mãos segurando as de Regina, Mary deixou que algumas lágrimas escapulessem de seus olhos. Amava Regina tanto quanto amava Emma, e essa situação em que se encontrava uma de suas meninas era tão agoniante, no entanto sabia que nada poderia dizer ou resolver, o que estava feito, feito estava.

Sem esperar por mais, Mary levantou-se puxando Regina consigo e pegando de surpresa a estudante, a envolveu nos braços em um abraço apertado, carinhoso e materno. Um abraço que dizia muito mais que algumas palavras travadas na garganta de ambas.

– Não me julgue porfavor. — pediu Regina com a voz sofrida escondendo seu rosto na curvatura do pescoço de Mary, que lhe afegava com ternura.

– Eu não farei isso minha pequena, eu não vim para isso. Eu vou cuidar de você... Eu posso cuidar de você ou melhor, de vocês? — perguntou emocionada, podia sentir Regina tremendo em seus braços igualmente emocionada.

– Porfavor. — assentiu apertando ainda mais a mulher em seus braços. Precisava tanto de um abraço assim, um abraço confortavelmente materno, um abraço em que abrigasse todos os seus medos e receios. Um abraço que só uma mãe saberia dar. Mary não era sua mãe, mas sabia que ela podia agir muito mais do que um dia a sua agiu.

– Eu amo você, sabia? Desde aquele dia em que você estendeu sua mãozinha para apresentar-se a mim. — sorriu sussurando. Sua mão acariciando as costas da jovem Mills.

– Eu achei você tão linda. — comentou afastando-se também rindo. — Você era a mulher mais bonita que eu já tinha visto.

– Era? Quer dizer que eu não sou mais? — brincou tentando enxugar as lágrimas do rosto de Regina. — Não chore minha pequena. — pediu quando novas lágrimas ressurgiam.

– Desculpa, eu só... estou emocionada. — suspirou e ao mesmo tempo ambas deram risadas.

Quando Regina olhou para o lado que dava acesso a porta da cozinha, viu Emma e David abraçados igualmente emocionados dando a entender que estavam alí tempo suficiente de ouvir toda ou boa parte da conversa das duas.

– Oi. — Emma disse tímida tentando disfarçar o brilho que tinha nos olhos por conta de umas lágrimas. — Ahm.. Já que temos o jantar arquitetado, meu pai e eu pensamos em convidá-las para almoçarmos na Granny's, o que acham?

– Eu adoraria ir, mas combinei de me almoçar com meu pai no gabinete, vocês não se importariam certo?

– Não querida, pode ir... Aproveite e mande lembranças nossas ao seu pai e peça-o que nos faça uma visita. — falou Mary.

– De qualquer forma estaremos todos juntos no jantar de hoje a noite. — disse um David sorrindente passando seus braços pelos ombros de sua esposa, sentindo-se orgulhoso por ela.

– Bom, melhor irmos então, nos vemos mais tarde Regina. — Mary apertou a mão de Regina e logo depois puxou David consigo para fora daquela cozinha deixando Emma e Regina à sós.

Quando enfim encontraram-se sozinhas, não duvidaram em nenhum momento em se procurarem para um abraço.

– Meu coração quase parou quando te vi chorando, pensei que ela estivesse falando coisas desagradáveis para você. — confessou no abraço.

– Por um momento eu pensei que ela iria agir como Cora agiu, eu fiquei com medo, mas me parece que com ela é diferente. — separou-se de Emma levando as duas mãos ao rosto da loira. — Eu sei que para você tê-la de volta pode está sendo dificil, mas ela só quer voltar a ter a menina dela de volta, ela só quer reconquistar seu carinho e seu amor. Dê à ela uma oportunidade, sim? — pediu carinhosamente aproximado seu rosto do de Emma brincando com seu nariz no dela. — Hein?

– Eu acho já estou fazendo isso. — revelou. — Temos que ter cuidado, Regina. — sussurrou quando sentiu o hálito quente da morena bater contra seus lábios.

– Me deixa beijar você. Vai ser bem rapidinho, eu prometo.

Como podia negar isso à mulher que mais queria no mundo? Impossível. Principalmente quando já tinha se atrevido a mergulhar entre aqueles maravilhosos lábios.

Colou seu lábios nos de Regina e juntas iniciariam um gostoso beijo, no entanto não podendo prolongar aquela caricia entre as bocas, finalizaram o beijo e depois cada uma seguiu para caminhos separados prometendo reverem-se no final da tarde.

Notas finais
Vamos esclarecer algumas coisas? Eu acredito que algumas de vocês estejam estranhando a Regina estar tão bem com os sentimentos, se entregando sem medo algum, mas para isso há uma explicação. Como minha amiga Flavinha comentou comigo dias atrás, vocês não tiveram a oportunidade de conhecer uma Regina passional, porque eu já entreguei a Regina sendo quebrada sentimentalmente falando, vocês não conheceram o lado relaxado dela... maaaas agora estamos em outra fase da fic, e agora vocês conhecerão uma Regina sem dramas. Sobre Mary, é como eu sempre venho dizendo a vocês, não vamos julgar nenhum personagem assim a primeiros capítulos, pois eles tem mais a mostrar do que se imagina. Sobre Cora, ela virá.. Logo ela virá. Não achem que ela está quietinha porque quer paz e amor. Logo verão. O Jantar virá amanhã e acreditem em mim, esse jantar não será fácil para Emma. Bom, qualquer dúvida é só me procurarem.. Vocês tem meu número, twitter e tudo mais.. Eu acho e.e rs Bjos e até amanhã.