Sweet Happiness
26 Capítulo 26 Luz necessária.
Notas iniciais
Depois de muita insistência por parte de Emma, Regina acabou por levá-las à uma sorveteria que há muito tempo não frequentavam.
– Prova, vai... é gostoso. — pediu Emma se inclinando sobre a mesa oferecendo uma colherada do seu sorvete à Regina, que por sua parte fez careta negando com a cabeça e empurrando a mão de Emma que segurava a colher de plástico transparente para longe de sua boca.
– Não Emma, pára! Eu não vou provar isso de jeito nenhum, não sei como você pode gostar tanto desse sabor. — curvou para baixo os lábios apresentando uma clara expressão de repulsa.
Emma deu de ombros levando a colher que antes estava oferecendo a Regina para a sua própria boca.
– É gostoso, simples assim. Melhor do que esse aí de abacaxi que você tá tomando, que ao meu paladar não agrada nenhum pouco... É aguado.
– Como se menta com chocolate fosse o melhor sabor do mundo. — ironizou rolando os olhos. — Fala sério, querida, isso deve ter gosto de creme dental após o café da manhã.
– É refrescante. — sorriu mostrando todos os dentes brincando com a colher dentro da enorme taça de vidro azul. — Eu ainda vou ver você tomando esse sorvete e dizendo que eu sempre estive certa sobre a preciosidade que ele é.
– Nem pagando... — levou a colher à boca demorando-se um pouco com ela entre os lábios escorregando-a levemente pela língua, não notando o quão aquilo podería ser sensual para olhos alheios.
E Emma que acompanhava cada movimento de Regina, se remexeu desconfortavelmente na cadeira cruzando as pernas e soltando um sofrido grunhido.
– Não faz isso. — pediu de um jeito tão dolorido e agoniado que Regina pensou que ela estivesse falando com outra pesssoa.
– Não fazer o quê?
– Isso... com a colher... na sua boca. — disse tentando conter o formigamento que estava sentindo nas bochechas e em outra região também.
Ao tomar conciência do real incômodo de Emma, Regina colocou um sorriso maléfico no rosto perguntado sensualmente:
– Porquê? Estou te incomodando com algo, Swan? — passou a língua entre os lábios fingindo limpar os vestígios da sobremesa, sugando o canto do lábio inferior e segurando-o com os dentes no final soltando o mesmo com uma lentidão completamente descarada.
– Você é como o diabo, Regina... Tentando contra a minha linha de raciocínio coerente. — acusou fingindo estar chateada pela provocação da amiga.
– Eu não estou fazendo absolutamente nada. — tentou reprimir os lábios que lutavam em soltar uma risada. — Seu creme dental em formato de sorvete tá derretendo...
– Oh! — deu-se conta Emma ao ver realmente que seu sorvete agora se parecia mais com um milk-shake do que uma sobremesa congelada. — Você me desconcentrou, essa é a razão.
Pegou dois ou três guardanapos descartáveis que estavam presos no porta-guardanapos e passou pela parte exterior suada da taça para secá-la, mania que a acompanhava desde a infância.
– Sabe, eu pensei que essa sorveteria já tinha sido fechada. Deve ter uns nove anos que eu não venho aqui, eu acho.
– Eu também pensava assim, mas daí um dia passando por essa rua com a Ruby, eu ví que ainda funcionava e aí acabamos parando e tomando sorvete.
Regina enrrugou a testa.
– Quando foi isso?
– Uns meses atrás.
– Você não me contou.
– Não era algo importante para ser contado.
– Mas deveria ter contado.
– Regina, nem eu mesma me fixei nisso...
– Mas eu teria gostado de saber.
– Eu não lembrei. — rebateu revirando os olhos colocando a taça sobre a bandeja na lateral da mesa, indicando que já havia terminado com aquilo.
– Hum... E para onde você iria com a Ruby para ter que passar por essa rua? já que é bem longe do bairro onde moramos.
Emma piscou os olhos algumas vezes olhando Regina tentando ver se realmente ela queria mesmo saber disso, e pelo olhar inquisitivo de sua melhor amiga percebeu que de verdade ela queria saber.
– Ruby me obrigou a acompanhá-la numa loja que vendia uma cópia exata do vestido que Jolie usou no Grammy de 2012.
– O vermelho?
– Não, o preto. O vermelho acho que foi do ano de 2010, não?
– Eu não faço a mínima ideia.
– Tampouco.
Sorriram juntas sentindo os músculos faciais relaxarem e um delicioso clima as rodearem.
– Então... — Emma começa a dizer suspirando forte. — Terminou? — apontou para o sorvete da amiga.
– Uhum, terminei. — fez o mesmo que Emma com a sua taça.
– Bem... — Emma puxou o ar criando coragem para tomar a palavra e dizer o que queria, mas não houve tempo porque é Regina quem o faz.
– Hoje eu errei um prato na aula prática, troquei fermento por amido. — contou sorrindo esfregando as mãos pela saia do vestido freneticamente e isso era um ato que demonstrava inconcientemente que ela estava ficando nervosa. — E daí se pode tirar que não ficou um sabor legal...
– Sério? você nunca errou um prato. — disse Emma estranhando aquele comentário não vendo lógica no que talvez ela quisesse dizer.
– Para você ver, não é? E a culpa é inteiramente sua.
– Minha? Porque minha?
– Por que se você não estivesse na minha cabeça durante todo o tempo eu teria me concentrado direito e teria acertado a fazer o prato, mas não, você tinha que está lá com seu lindo corpo e seus incríveis beijos passando de um lado para o outro na minha mente, me deixando de um jeito totalmente desconcertante e inapropriado para aquele horário me fazendo ter a mais plena certeza de que você e uma cozinha não combinam de nenhuma maneira. — disse tudo de uma vez gesticulando com as mãos sobre a mesa. Se não fosse pelo sorriso que Regina esboçou no final, Emma poderia jurar que ela a estava repreendendo por ter passado a manhã inteira pensando nela.
– Se serve de consolo eu nem lembro o que foi dito ou feito hoje na sala, a única coisa que eu conseguia pensar era em como ter estado com você foi uma das experiências mais bonitas que eu já vivi e senti em todo meu tempo de existência.
Como foi doce a forma como Emma disse essas palavras e como era vísivel no brilho de seus olhos toda uma verdade e sinceridade. Nada era por meio, nada era por pouco e nem exagerado, era de uma proporção tão unicamente intensa e singular que se caso Regina ainda à altura do campeonato tívesse alguma dúvida de que Emma realmente a amava, esta seria a mais leal confirmação desses sentimentos. Não somente os de Emma para ela, mas como os dela para Emma, porque tudo o que sentia e estava sentindo por Swan estava crescendo de um jeito tão absurdo que poderia crer que iria transbordar a qualquer segundo para fora de seu peito.
Juntou as mãos com as de Emma como sempre quando sentia a necessidade de tocá-la e senti-la e disse com seu olhar cravado nos olhos de Swan:
– Foi tão especial e significativo para mim que eu não consigo te explicar em palavras o quão maravilhosa você foi comigo e o quão amada você me fez sentir em seus braços. — fez uma pausa para deixar um longo suspiro passar, uma maneira de conter a emoção que implorava a gritos para ser liberada. — Emma, meu Deus, eu realmente não sei te explicar, mas tudo isso... Tudo o que vem acontecendo entre agente durante esse tempo, mexeu e está mexendo tanto comigo que você não tem nem idéia. É diferente. Sim, é diferente de tudo o que eu já viví e pude sentir... E eu posso te confirmar que eu estive errada todo esse tempo sobre como era o amor, porque com nenhuma outra pessoa eu senti o que eu estou sentindo por você durante esses últimos dias, ninguém cuidou e cuida de mim, como você. E agora eu não sei te ver sem sentir vontade de te tocar, te beijar ou te ter próxima de mim e isso é tão forte que eu me pergunto como isso ocorreu tão rápido ou se na verdade já estava acontecendo e era somente eu que não enxergava, mas não deixa de ser intenso e enloquecedor, sabe? Talvez possa a ter ser os hormônios da gravidez me deixando mais emotiva, mas tudo isso aqui é real. Essa paixão, esse amor é de verdade. — terminou de dizer engatando a voz que teimava em quebrar a cada vez que sentia que já não estava aguentando segurar a emoção por estar falando tão abertamente sobre seus sentimentos com a própria causadora deles.
Em nenhum momento Emma ousou interromper a declaração de Regina, cada palavra dita por sua amada a estava deixando de uma maneira tão desalinhada emocionalmente, tão estática diminuindo até a velocidade da respiração parecendo cada vez mais que seu cérebro iria desligar essa função do seu corpo que parecia ter sido paralisada alí naquela cadeira, naquela troca de olhares.
– Eu sonhei tanto com você me dizendo isso, Regina. Há tanto tempo eu venho fantaseando que um dia você poderia me correponder, poderia sentir o mesmo que eu, que agora ouvindo tudo isso de você parece que não passa de um dos meus sonhos no qual acordo sempre no momento em que estou na melhor parte. — se deteve por uns segundos tomando ar à medida que deixava suas emoções serem expressadas por curtas gotas de água que deslizavam para fora de seus olhos. — Foram três anos amando você calada, mais de quarenta e seis meses respeitando acima de tudo nossa amizade e nosso companherísmo, sabe? Sufocando os muitos sentimentos que apareciam toda vez que eu estava com você e sufocando também, ainda que esses tenham sido os piores de todos, meus ciúmes. Meus ciúmes que apareciam sempre que você tinha um interesse amoroso por outra pessoa. — pausou suspirando sentindo um nó maior ainda na garganta pelo o que viría a confessar. — Como eu desejei insanamente tantas vezes a morte de Graham quando ele tocava em você, quando ele te afastava de mim, quando ele fazia você descordar de mim e dar razão à ele... O invejava quando ele beijava você daquele jeito despudorado na frente de todos, quando ela fazia questão de gritar que você era dele, isso... isso me deixava desolada porque mesmo negando ao meu coração, eu sabia que ele tinha razão porque você demonstrava gostar dele e estava feliz e eu? O que eu poderia fazer? Nada! Eu só tinha que aceitar e tentar me contentar com sua felicidade, mesmo não sendo eu a causadora dos seus sorrisos e suspiros... Mesmo não sendo eu a pessoa que estaria te dando rosas no dia dos namorados, não sendo eu a pessoa que prepararia um jantar especial para você no dia do seu aniversário e não sendo eu a pessoa que te seguraria a sua mão quando você sentisse medo dos filmes de terror no cinema e tampouco seria eu que te roubaria beijos entre uma cena e outra do filme...
– Emma... — Regina sussurrou o nome da amiga emocionada por tudo que estava ouvindo. Sentindo um aperto no peito por imaginar como horrível foi para Emma presenciar tudo aquilo sem dizer nada e agora sentindo-se culpada.
– Não, deixa eu continuar. — pediu quando viu Regina abrir a boca na intensão de palavrear. — Eu me conformava mesmo assim, sabe? porque eu prefería perder tudo o que eu tinho e tenho na vida, a ter que arriscar a dizer sobre meus sentimentos e ver você se assustar, sentir nojo, repulsa e aos poucos se afastar de mim até que eu já tivesse noção de que tinha te perdido de vez. E eu não aguentaría, não podería sobreviver sem você, Regina... Porque nessa minha vida, você foi a melhor coisa que me aconteceu, foi o melhor presente que Deus me deu por meio dos meus pais. Eu não suportaría de nenhuma forma perder sua amizade, seu carinho, seu abraço, seu sorriso, seu cheiro, seus olhos nos meus... Eu não sobrevivería, Regina, eu morrería... — dito isso as lágrimas banharam o rosto de Emma com mais força, sem limítes e sem freios. — Você é minha luz e sem você eu enxergaria tudo preto, sem cores... Eu me perderia.
Não aguentando mais o que estava sentindo, Regina levantou-se da cadeira puxando Emma pela mão até o banheiro feminino do estabelecimento e assim que entraram, Regina lançou-se nos braços de Emma apertando-a com toda a força que pudesse transportar.
Juntas choraram.
– Me desculpa, eu não sabia... Eu não sabia! — balbuciava Regina entre as lágrimas. — Me dói saber que te causei tudo isso, me dói saber que fiz você sofrer mesmo que tenha sido indiretamente... ou quem sabe diretamente mesmo. Eu jamais teria te deixado, Emma... Eu jamais teria sentido nojo como você diz, poxa! Até parece que você não me conhece... Minha vida girava em torno de você, sempre foi assim... Como pôde pensar que eu sentiria nojo e que eu me afastaría? Você sempre foi o meu equilíbrio... Como eu poderia fazer isso, Emma? Como? Meu Deus, você sempre foi minha metade, meu ar, meu chão e meu arco-iris, lembra? Lembra disso?
Emma assentiu.
– Eu tinha medo. — soluçou com a cabeça enterrada na curvatura do pescoço da amiga. — Eu só não queria perder você de vez. Você era de algum jeito a única familia que eu tinha, a única que ainda não tinha me abandonado... a única com quem se importava comigo de verdade e que cuidava de mim... Então eu não podería... não poderia aguentar se você me rejeitasse e fosse embora da minha vida.
Desmanchando pouca coisa do abraço, Regina colocou suas duas mãos no rosto de Emma limpando as lágrimas aproximando vagarosamente seu rosto de Emma. Beijou com carinho as pálpebras descendo pelas bochechas sentindo nelas o sabor salgado das recém lágrimas da loira. Levou sua boca até os lábios de Emma e os beijou. E diferente dos outros beijos anteriores, este tinha outro sabor. Um sabor de entrega total, de liberdade, de alívio e de amor por inteiro, um amor com a certeza de ser inteiro e único.
Os lábios se tocavam com suavidade a cada atrito e pressão. A cada vez que se esfregavam uns nos outros sempre que se encaixavam e se demoravam alí por segundos apenas sentindo a maravilha que era sentir os sabores dos sorvetes ainda presentes se misturando.
Separaram-se mantendo ainda os olhos fechados.
– Eu te amo, Emma. — disse esboçando um sorriso genuíno. — Me deixa fazer agora por você o que eu não pude fazer quando você me amou primeiro e eu não sabia. Me permita agora amar você.
Emma abriu os olhos lentamente tendo o sorriso mais largo que um dia recordava de já ter posto.
Juntou suas duas mãos com as de Regina e disse:
– Eu amo você de uma maneira tão inexplicável e incrível que tudo o que eu mais quero nessa vida é viver esse amor sem correntes alguma e cuidar de você e desse pequeno panda que está por vir. — colocou sua mão sobre a barriga de Regina acariciando de leve.
– Ou pequena panda. — disse apoiando sua mão sobre a de Emma. — E então?
– Ou pequena panda. — sorriu docemente. — Eu deixo sim, Gina, mas eu quero fazer as coisas direito.
– Como assim?
– Quero começar algo com você que tenha direito a tudo que se tem um relacionamento normal... Por etapas.
– Já passamos por muitas etapas, Emma.
– Mas não da forma que deveria ser.
– E como deveria ser?
– Eu quero que você me conheça e eu à você.
Regina sorriu.
– Já nos conhecemos a quase onze anos, Emma.
– Não o lado passional, bem... Não do modo lento. — disse mordendo o lábio sorrindo de forma marota para Regina.
– Eu gosto do modo rápido. — jogou um olhar malicioso empurrando com sutileza Emma para a parede do banheiro a encurralando e colando mais uma vez os corpos. — Você não?
– Eu amo, e ontem eu amei cada minuto e cada segundo. — selou os lábios de Regina. — Mas vamos agora no modo lento.
– E como vai ser esse modo lento?
– Vamos ter um encontro. Nosso primeiro encontro. Sábado, às 20h. — contou.
– Sério? — levantou as sobrancelhas.
– Sério. — confirmou pousando suas mãos na cintura da sua morena. — E da forma que se deve... Então eu te pergunto: você aceita sair no sábado comigo, Regina Mills?
Estampou um sorriso sereno levando sua boca até o ouvido de Emma respondendo:
– Se no final da noite acabarmos com um delicioso beijo na porta do nosso apartamento, eu aceito sem nem pensar duas vezes. — traçou o caminho pela bochecha até chegar na boca e beijar Emma mais uma vez.
– Não tenha dúvidas.
– Então eu aceito. Às 20h, Swan.
– Só que tem um porém?
– Que porém?
– Agora que você aceitou sair comigo não poderá me tocar ou me beijar até o fim da noite de sábado.
Regina afastou-se olhando séria para Emma.
– Você só pode estar brincando, não é?
– Não. — disse tentando conter o sorriso que queria fazer-se em seus lábios ao ver a cara de Regina se contorcendo.
– Eu não vou cumprir isso, falta muito para chegar o sábado.
– Apenas alguns dias. Por favor Regina.
– Moramos juntas, isso vai ser impossível.
– Eu sei me controlar.
– Pois eu não. — disse com voz firme ligeiramente chateada.
Emma entrelaçou sua mão com a de Regina sorrindo comprovando que a sua morena já estava prestes a mudar de humor.
– Vem, vamos para casa... Lá conversaremos melhor sobre isso... Aliás, amanhã você tem consulta com a Zelena, não é?
– Sim, NÓS temos. — respondeu bem enfatica.
– Bem, já que NÓS temos uma consulta com a Zelena amanhã, eu vou aproveitar e perguntar umas coisinhas para ela.
As duas já estavam quase saindo da sorveteria.
– Que coisas? — questionou elevando a sobrancelha.
– Você verá. — respondeu com um jeitinho todo misterioso, que fez Regina olhá-la desconfiada.
– Bem que você poderia me contar onde exatamente conheceu a Zelena.
– Eu já não fiz isso?
– Não que eu me lembre.
– Hum... Em casa eu conto.
*SH*
Na biblioteca situada justamente debaixo do torre do relógio da cidade, Ruby resmungava, choramingava e acusava todos os deuses possíveis por terem dar à ela beleza e um corpo de matar ao invés de lhe terem dado paciência e gosto para estudar. Estava dentro daquela biblioteca com mais de seis livros abertos apenas a quarenta minutos e já morria de vontade de atirá-los por cima daquela mesa e ir embora para o que realmente gostava de fazer. Divertir-se com suas amigas. Porém não podia. Havia prometido para a sua avó que iria estudar e que iria passar na prova seletiva da faculdade e que iria fazer o curso de administração como tanto ela pedira e desejava. Não gostava de admitir, mas sabia que sua avó estava certa. Já não era mais uma criança, e o tempo de brincar já havia passado e agora era o momento de construir uma vida de verdade. Tornar-se uma mulher com responsabilidades sérias.
O celular que estava sobre a mesa bem ao seu alcanse vibra alertando uma nova mensagem de texto.
Nem precisava ver o nome para saber quem era. Naquele horário da tarde apenas uma pessoa trocava mensagens com ela.
Abriu lendo diretamente a mensagem.
"Caçador chamando chapeuzinho vermelho. Assunto: Saudades imensas. ;)"
Ela rolou os olhos achando aquilo a coisa mais idiota do mundo, mas sorrindo com alegria pela última parte da mensagem.
Respondeu.
"Não se supõe que o caçador esteja uma hora dessas fingindo arrancar o coração da Branca de neve? Saudades imensas também :("
A resposta não tardou em chegar.
"A Rainha Má me despediu do cargo de caçador, agora ocupo a cama dela nas noites solitárias quando ela não está afim de conquistar reinos... Hahaha! Como está tudo por aí?"
Ruby ligou a sua câmera frotal do celular onde poderia pegar um boa visibilidade de sí fazendo careta mostrando os livros abertos. Após capturar a imagem a inviou em forma de multimídia com a legenda: "Conheça seus novos cunhados. #Estudando! :'("
"Finalmente uma boa notícia. Minha garota está crescendo. E a Granny, ainda me odeia?"
A morena de mechas vermelhas soltou um suspiro descontente ao terminar de ler a mensagem.
"Ela ainda não perdoou o que você fez, Graham."
"Eu sinto muito, mas eu tive que fazer isso. Eu estava assustado, encurralado... Tudo pesou de um jeito muito negativo para mim. Eu precisava esfriar a cabeça. Por as ideias em ordem. Espero que um dia vocês me entendam."
– Mocinha, não é permitido o uso de aparelhos celulares dentro desta biblioteca. Se você deseja estar aqui, porfavor desligue o seu aparelho. — repreendeu uma funcionária responsável pela biblioteca cruzando os braços dirigindo uma expressão nada amigável para Ruby.
– Oh, me desculpe... eu.. eu não vi, já farei isso. — disse sentindo-se constrangida por estar sendo repreendida por uma estranha que a tinha pegado no flagra.
– Cinco minutos, mocinha. — esticou os cinco dedos da mão no ar. — Passarei aqui novamente daqui a cinco minutos e se eu ver a senhorita novamente mexendo em seu celular eu terei que confiscá-lo e só devolvê-lo quando você se retirar. — avisou para logo dar as custas e sumir da visão da jovem.
O celular de Ruby vibrou mais uma vez e rapidamente ela leu a mensagem, a que seria a última a ler naquele horário devido a ameaça da "policial de livros".
"Sinto saudades de Storybrooke. Augusta não é tão bonita quando as pessoas que você ama não estão nela."
Deu um sorriso triste. Olhou para os lados e imeditamente digitou:
"Volta então. Aqui é sua casa. A vovó é que é nossa familia e não esse homem que você tanto adora. Depois nos falamos. Te amo, irmão. Saudades imensas sempre. Beijos :*"
Jogou o celular dentro da bolsa, abrindo seu caderno de anotações e tentando mais uma vez resolver aquelas tão complicadas e confusas fórmulas de física e matemática. Isso com certeza iria lhe render uma enorme dor de cabeça e isso ela não tinha dúvida alguma como dois mais dois são quatro.
*SH*
Conforme estava anotado em sua agenda, no dia seguinte por volta de 15h, Regina e Emma estavam aprontando-se para irem encontrar-se com Zelena no consultório.
– Pronta? — perguntou Emma terminando de fazer uma trança lateral desfiada no cabelo prendendo a ponta com uma fina liga transparente.
– Pronta! Falta só as chaves do carro... Você viu onde as coloquei? — dizia descolocando as almofadas dos sofás e das cadeiras procurando as chaves por debaixo delas.
Emma virou-se quando terminou seu penteado.
– Está em cima da mesinha de cabeceira no seu quarto. Foi lá onde eu vi por última vez.
Regina bateu levemente a mão na testa.
– Ah é verdade, deixei lá quando chegamos da faculdade. Nossa, que cabeça a minha!
– Está ficando velha, Mills. — brincou sorrindo rebendo em resposta uma almofada voadora no rosto. — Auuu, Regina!
– Dê graças a Deus que foi uma almofada, viu?
– Estamos violentas hoje hein. — soltou um sonoro riso colocando a almofada de volta em cima da cadeira. — Regina, o que você acha de eu cortar meu cabelo do tamanho do seu?
– Nem pensar. — ouviu a voz da sua morena ecoar pelo corredor dos quartos.
– Porque não?
– Adoro seu cabelo comprido, sempre te ví com cabelo longo... Eu estranharia muito, embora eu tenho uma curiosidade enorme de ver como você ficaria de cabelo curto, prefiro seu cabelo comprido. Te deixa com carinha de princesa. Minha princesa. — ia aproximando-se de Emma com a intensão que a loiea já bem conhecia.
Com um sorriso travesso virou o rosto deixando que a sua pretendente beijasse-lhe apenas a bochecha.
Viu Regina suspirar frustrada ao não sentir com seus lábios o que realmente queria.
– É sério isso, Emma?
– Somente no sábado. — relembrou.
– Eu não vou aguentar até lá. Porfavor, me deixe beijá-la. — tentou de novo, mas sem sucesso. — Emma!!!
– Vamos fazer o seguinte, me dá aqui o seu celular. — pediu e mesmo não entendendo como aquilo poderia satisfazer suas vontades, entregou o celular. — Obrigada! Agora... veja só. — destravou o celular ligando a câmera do aparelho fazendo uma pose esticando os lábios para frente em um biquinho e flash. Capturou a foto, editou e estampou-a como papel de parede da tela principal do celular de Regina. — Quando você tiver vontade de me beijar... Beije a foto. — mostrou a imagem entregando o celular a dona.
– A foto ficou linda. — sorriu admirando a rica beleza natural de Emma. — Mas eu não vou beijar a tela do meu celular. — reclamou.
– É o que eu estou fazendo. — sorriu pegando o celular do bolso da sua jaqueta e mostrando uma foto de Regina também com um lindo biquinho. — A minha sorte é que eu tenho um monte de fotos suas assim.
– Isso é tortura sabia?
– Quando chegar o fim da noite de sábado prometo fazer você esquecer essa tortura de um jeito bem gostoso, está bem?
– É o mínimo.
Dedicou um sorriso doce para a morena quando já estavam prestes a sair.
– Pegou as chaves?
– Peguei.
– Então vamos.
Quando Swan estava chaveando a porta do apartamento, eis que surge Mary com uma expressão abatida no rosto.
– Olá meninas.
– Olá Mary. — Regina respondeu primeiro indo até a mulher mais velha e a abraçando carinhosamente. — Como tem passado?
– Na medida do possível. — respondeu de maneira vaga notando que Emma ainda nem havia lhe dignado um olhar. — Aonde vão? Eu iria convidá-las para um lanche comigo na minha casa. David saiu e eu não gosto muito de estar sozinha.
– Vamos ver minha obstetra, irei fazer uns exames para ver como o bebê está. — respondeu Regina.
– Vamos Regina? Não devemos chegar atrasadas, Zelena pode não gostar. — Emma disse em um tom sério ainda sem nem cruzar seus olhos com os de sua mãe.
– Zelena?! Não seria essa aquela jovem ruiva que você uma vez me apresentou, é Emma? — Mary perguntou buscando um diálogo com a filha.
– É. — respondeu unicamente e ríspidamente numa rápida troca de olhares. — Agora ela é uma mulher crescida e formada.
– Ah que legal, será que eu poderia acompanhá-las? Eu gostaria muito de revê-la e também acompanhar seus exames, Regina. — pediu diretamente à Regina. — Eu prometi que estaria aqui para o que precisar, não foi? E eu de verdade gostaria disso.
– Eu acho melhor não, Zelena pode não gostar desse tanto de gente na sala dela. Vamos, Regina. — pegou a mão da amiga tentando puxá-la, mas esta puxou a mão de volta lançando um olhar mortal para a loira.
– Será um prazer, Mary. Zelena é um amor de pessoa e tenho certeza que não se importará.
Mary desenhou um belo sorriso assentindo.
– Me esperem na garagem, eu vou pegar a minha bolsa.
– Está bem.
Quando Mary rumou pelas escadas abaixo, Regina soltou:
– Eu sei que você está chateada com sua mãe, mas um 'boa tarde mãe' cairia bem, sabia?
– Ah Regina você sabe que eu não consigo ser gentil quando eu estou chateada com esse alguém. — disse chamando o elevador.
– Mas é a sua mãe.
Rolou os olhos soltando um longo suspiro insatisfeito.
– Não vamos descutir está bem? — entrelaçou sua mão com a de Regina.
– Só não quero que você trate mal sua mãe. Apesar de tudo ela te ama e está tentando reconstruir a relação de vocês duas. Lembre-se de que você disse ontem que eu sou sua luz, então ouça com seriedade o que eu estou dizendo.
Emma olhou de soslaio para Regina curvando a ponta de seus lábios em um quase imperceptível sorriso.
Regina sempre foi sua luz, sua luz necessária para a sua escuridão.
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