Sweet Happiness
13 Capítulo 13 Revelando por fim.
Notas iniciais
"Eu quase a beijei, céus, eu quase beijei ela."
Enquanto caminhava em direção a porta para abrí-la, Emma não parava de pensar e rever as cenas do momento em que quase beijou sua melhor amiga. Estava tão confusa, mas não confusa por ela, e sim confusa por Regina. Regina havia se deixado levar e não parecia preocupada ou assustada com a possibilidade de ser beijada, não se afastou, não recuou e não tentou impedi-la, pelo contrário parecia querer aquele beijo tanto quanto Emma queria. Poderia Regina sentir algo a mais por ela também?
– Emma? Olá... Terra chamando Emma, tem alguém ai?
Emma estava tão perdida em seus pensamentos que nem se deu conta que já havia aberto a porta e em sua frente estavam August e Henry.
– Ahm... Sim, Olá. — disse tentando recompor sua postura.
– Não vai nos convidar para entrar ou ficaremos aqui mesmo no corredor? — perguntou August
– Não, não... Quero dizer, sim, claro.. Entrem por favor. — Emma abriu um pouco mais a porta dando espaço para que os dois adentrassem o apartamento.
– Emma, minha irmã está com você? — perguntou Henry quando se aproximou de Emma.
Emma sorriu para ele e passeou sua mão pelo cabelo dele dizendo:
– Está sim meu querido, no quarto que ela tem aqui.
– Posso ir vê-la?
– Claro que sim, Henry. — disse inclinando-se e ficando na altura do garoto. — Você sabe que pode fazer o que quiser nesta casa não é? Então não precisa perguntar meu amor, considere essa casa como sua também.
Henry sorriu sentindo-se feliz ao ouvir o carinho que Emma expressava por ele em suas palavras, pela forma como ela falava com ele, a forma como os dois se entendiam tão bem como se realmente tivessem um laço sanguíneo.
– Maneiro. — ele disse fazendo Emma olhar para August de canto de olho.
– Hum... Realmente você anda passando muito tempo com August. — voltou a sua posição normal. — Agora vai lá falar com ela, garoto.
– Está bem.
Henry desapareceu pelo apartamento deixando August e Emma a sós.
– Está diferente. — soltou August girando seu corpo para encarar Emma.
– O que está diferente? — perguntou Emma na defensiva desviando seu olhar do de August.
August analisou bem as feições de Emma.
– O apartamento. — ele respondeu. — Está diferente da última vez que eu vim, está mais a sua cara agora.
– Sim, eu mudei algumas coisas.
– Percebi, mas não é só o apartamento que está diferente. Você também está mudada. Não só você, Regina também... Ela me disse que algumas coisas aconteceram, mas até o momento não tocou no assunto.Então o que está acontecendo de verdade hein Emma?
– August, eu não... não sou a melhor pessoa para te responder isso, eu...
– Você não é a melhor pessoa para me responder? — interrompeu ele se aproximando da loira. — Vocês duas são grudadas uma na outra desde os seus dez anos de idade, você a conhece melhor que ninguém, respira tudo o que envolve ela, são feito imãs, uma atrai a outra para onde estiver... Se você não é a melhor pessoa para me dizer o que está acontecendo, eu não sei mais quem eu sou então.
– O que eu quero dizer é que não cabe a mim te dar essas respostas, isso quem tem que te dizer é a Regina e não eu. E por favor tente se acalmar. — pediu.
August passou a mão por seu rosto coçando levemente sua rala barba.
– Me desculpe, eu só estou preocupado. Essa familia me deixa extremamente confuso e hoje não foi por menos. Sinto que algo de muito errado está acontecendo.
– Ela está no quarto, tente conversar com ela.
August rolou seus olhos até o inicio do corredor que dava acesso aos quartos e então decidiu que já não podia mais aguentar, que não poderiam mais adiar a conversa que deveria ter acontecido desde o dia que ele notou sua prima estranha.
– É isso o que vou fazer. — disse sorrindo de leve para a loira e saindo a procura da prima.
Emma se deixou cair no sofá ligando a TV em seguida. Mal prestava atenção no que estava passando na tela do televisor, sua mente novamente estava se perdendo nas milhares de dúvidas que lhe vinham surgindo a cada momento que pensava no momento em que quase sentiu os lábios de sua amada nos seus. Suspirou quando imaginou isso acontecendo e sua barriga dar aquele costumeiro frio quando ela imaginava tocando Regina como queria, como desejava desde muito tempo. Fechou os olhos revendo em sua mente a maneira tão entregue da amiga em seus braços.
"Chegamos tão perto."
– Porque vocês tem a mania de ficarem com os olhos fechados mesmo estando acordadas?
Emma abriu os olhos e viu Henry sentado ao seu lado com a cabeça sustentada por sua mão encarando-a.
– As vezes esse é o melhor jeito para refletir.
– De olhos fechados?
– Sim, de olhos fechados. Quando fechamos os olhos conseguimos nos desligar do mundo a fora e nos conectamos com o nosso mundo interior.
– A mente?
– Uhum, esse é nosso mundo interior. — disse acariciando o rosto dele. — Te expulsaram do quarto não foi?
– Quase isso. — ele respondeu sorrindo.
– O que quer fazer enquanto esperamos os dois terminarem a conversa?
– Eu não sei, podemos jogar alguma coisa.
– É, podemos. O que quer jogar?
Henry deu de ombros.
– O que você tem ai?
– Vamos ver. — Emma levantou-se com Henry e foram até uma gaveta que ficava situada no mesmo móvel que estava localizada a TV. — Veja o que mais agrada você.
– Definitivamente todos. — disse o menino pegando todos os jogos e levando para o sofá. — Eu só não sei qual destes colocaremos primeiro.
– Hum.. Que tal se escolhermos... — Foi interrompida por violentas batidas na porta. — Mas o que será que aconteceu com o porteiro desse prédio que não mais avisa quando alguém está subindo? — reclamou bufando.
– Deve ser porque é alguém conhecido. — comentou o garoto perdido na escolha dos jogos.
Emma, por sua vez, foi até a porta se posicionando sobre ela para olhar pelo olho mágico e quando conseguiu visualizar a imagem da pessoa, encheu o pulmão para logo soltar o ar com desgosto. Abriu a porta com um olhar nada receptivo.
– O que faz aqui? — perguntou assim que seu olhar cruzou com o da mulher a sua frente.
– Boa tarde para você também senhorita Swan. — disse irônica. — Não sabia que tratava assim suas visitas com esse tamanho afeto, caso contrário teria vindo antes e trazendo deliciosos bombons de chocolate para adocicar mais ainda seu humor.
– Mas uma vez, o que você faz aqui, Cora? — perguntou impaciente.
– Vim buscar o que é meu. Saia da minha frente. — tentou atravessar a porta, mas foi impedida pelo corpo da loira.
– Regina não vai a lugar algum com você.
– Ah querida, não me referia á ela, me referia a meu filho que foi trazido para cá por aquele cúmplice de meu marido.
– Você também não levará Henry, como você disse, ele foi trazido por August e então ele só vai sair daqui com ele. — Emma disse bem séria usando o corpo tampando a passagem para dentro. — Volte para a sua casa primeira dama.
– Deixe de agir feito uma criança estúpida querida e me deixe entrar para que eu possa pegar meu filho.
– Você não é bem-vinda na minha casa, vá embora.
Cora forçou um sorriso voltando a aproximar-se de Emma.
– E porque tanta hostilidade comigo, senhorita Swan?
– E você ainda pergunta? O que você fez e disse para a Regina foi crueldade, nenhuma mãe fala para uma filha o que você falou para a sua. Foi covardia sua declará-la como renegada. Você me toma como estúpida, mas quem age com estúpidez e insensatez é você querida primeira dama. — rosnou. — Agora aproveite a pouca paciência que me resta e vá embora antes mesmo que eu esqueça o pouco de respeito que lhe tenho.
– Saia da minha frente. — exigiu a mulher mais velha pegando Emma pelo braço e tentando puxá-la para fora de sua vista ignorando totalmente as palavras que a loira as jogou na cara.
– Emma, eu já escolhi. — Henry apareceu na porta com um enorme sorriso, mas desaparecendo aos poucos ao ver que a pessoa que estava conversando com Emma, se tratava de sua mãe.
Ao virar o rosto para poder visualizar Henry, Emma acaba não percebendo quando Cora consegue empurrá-la para o lado e entrar no apartamento.
– Venha Henry, vamos para a casa.
O menino foi dando passos para trás a medida que Cora caminhava em sua direção.
– Não, o papai me deixou vim.
– Você já veio, agora é hora de voltarmos para casa.
Emma revirou os olhos ao ouvir a maneira seca que a mais velha falava com o próprio filho.
– Mas eu acabei de chegar. — disse acoado.
– Cora, não insista, ele não vai. — Emma se colocou na frente de Henry.
– Eu sou a mãe dele. — vociferou irritada. — E já estou cansada desse joguinho Swan, saia da minha frente.
– Primeiro, abaixe o tom de voz, esta é minha casa e você me deve respeito, segundo, você não levará ninguém a força independente de você ser a mãe dele ou não, se ele não quer, ele não vai.
Cora riu debochada.
– Olha só quem resolveu dar uma de Leopold White exibindo toda uma postura autoritária... ah! me poupe disso querida. — Cora habilidosamente conseguiu desvencilhar-se dos olhos de Emma e conseguiu pegar Henry pela mão o puxando, mas antes o garoto consegiu se agarrar a uma perna de Emma que imediatamente conseguiu desequilibrar-se fazendo ela, por sua vez arrastar Cora consigo e como consequência as duas cairam deitadas no sofá com Cora em cima de Emma.
– Mamãe. — ouviram a voz de Regina. — O que está acontencendo aqui?
Imediatamente Cora conseguiu recuperar sua postura olhando friamente para Emma.
– Isso é ultrajante. — respirou fundo. — E respondendo a sua pergunta querida, eu vim buscar meu filho.
– Mas não vai. — Emma disse também ficando de pé.
– Emma. — chamou Regina. — Não vale a pena discutir com ela.
– Mas Regina, o menino não quer ir.. E..
– Ouça sua amiga senhorita Swan, aparentemente ela ainda tem um resquício de discernimento.
– Gina! — o menino se voltou para a irmã com os olhinhos suplicantes.
– Me desculpe Henry, mas você tem que ir com ela.
– Ninguém vai sair daqui até que eu saiba exatamente o que está acontecendo. — Henry Mills entra no apartamento e fecha a porta atrás de si pegando todos de surpresa com sua presença, todos menos Cora que previu que seu esposo tivesse saído atrás de seus passos assim que saiu da mansão.
– Papai. — Regina sussurra sentindo seu coração acelerar pelo nervosismo que agora a estava consumindo.
– Ora essa, eu já disse que quem tem que falar alguma coisa aqui é sua filha, agora dei-me licença que eu tenho mais o que fazer. — Cora pegou Henry pela mão e tentou sair do apartamento, mas sendo mais uma vez impedida de fazer o que queria, pois o Prefeito decidido pegou-a pelo braço sem nenhuma delicadeza e a levou até a cadeira mais próxima a fazendo sentar com certa força.
– Ninguém vai sair daqui. — exasperou olhando para sua esposa. — Henry, saia, pelo visto isso não é conversa para que crianças estejam envolvidas, vá para o cômodo mais afastado dessa sala.
O garoto atendeu o pedido.
– Eu não admito que me trate assim Henry, eu sou sua esposa. — disse Cora indignada pela forma que foi pega pelo marido.
– E é por isso mesmo. Quero explicações, não, melhor... Exijo explicações. Eu não sou nenhum menino Cora, eu controlo uma cidade inteira, mas parece que não estou conseguindo controlar uma familia, vou dormir achando que tudo está bem e quando acordo acabo descobrindo que minha filha saiu de casa e minha esposa grita aos quatro ventos que ela já não pertence a nossa familia, e antes que eu perca a cabeça nessa confusão, eu gostaria muito que me explicassem o que aconteceu para tudo isso levar a este ponto em que estamos.
– Papai. — Regina chamou aproximando-se do homem afim de acalmá-lo. — Por favor, mantenha a calma.
Ela o trouxe para sentar-se junto á ela no sofá. Trocou um olhar angustiado com Emma que rapidamente também sentou ao seu lado. August que estava mais afastado dos quatro, lentamente a curtos passos vai em direção á uma cadeira arrastando-a até o meio da sala e sentando bem confortavelmente com as pernas abertas encarando cada um. Já Cora, encontra-se milagrosamente calada.
– Começemos então. — August tomou a palavra. — Regina, não há mais como evitar essa conversa, até porque devido a toda essa situação já não existe razões para evitá-la ou ocultá-la.
– Eu sei. — disse a morena com a cabeça baixa.
Henry gentilmente pega as mãos da filha e a faz olhá-lo nos olhos.
– Minha filha, diga-me o que está acontecendo. Tudo isso aqui e todo esse mistério está me deixando terrivelmente preocupado, por favor confie em mim, o que está acontecendo, Regina? Seja o que eu for eu saberei ouvir.
– Ai papai. — a respiração de Regina estava ficando cada vez mais intensa denunciando o começo de um choro. — Eu... Eu não sei como o senhor vai reagir quando eu lhe disser.
Ele pousou uma mão no rosto da filha enxugando uma lágrima, deslizando seus dedos até o queixo erguendo o rosto dela, voltando novamente a encarar aqueles olhinhos que lhe encantavam tanto desde o primeiro momento que a teve em seus braços quando ainda era somente um bebê.
– Como eu já disse, seja o que for eu vou saber ouvir. — reafirmou.
– Eu não sei por onde começar.
– Que tal se formos pelo começo, onde tudo gerou para que pudessemos estar aqui e agora? — sugeriu.
Regina apertou a mão do Prefeito buscando a coragem para revelar toda a verdade.
Respirou fundo.
– Eu estava namorando um rapaz há algum tempo, um longo tempo na verdade...
– Eu não sabia que você tinha um namorado.
– Se prestasse mais atenção saberia. — murmurou Cora enquanto fingia mexer no celular.
Ambos ignoraram-la.
– É, resolvemos que ainda não era o momento para contar sobre nosso relacionamento para vocês, por causa de alguns conceitos que sua esposa dita. — disse deixando trasparecer mágua contra a mãe.
– E como é o nome do seu namorado? Se esse for o problema podemos arrumar isso agora mesmo, sou um pouco ciúmento isso eu tenho que admitir, mas se esse rapaz faz você feliz minha filha, eu realmente não vejo problemas em permitir o namoro de vocês.
Cora revirou os olhos se remexendo incomodada com as palavras que estava ouvindo do seu marido.
"Como se eu fosse permitir também. Que ingênuo!" — pensou negando com a cabeça.
Regina o olhou e por um momento desejou que realmente fosse só esse o "problema".
– O nome dele é Graham, mas ele já não é meu namorado.
Henry sentia-se perdido cada vez mais.
– Seja mais clara por favor, porque cada vez mais você me confunde. Se o problema não é o namorado, o que então?
Regina abaixou a cabeça e deixou que suas lágrimas banhasse seu rosto mais uma vez. Sentia tanto medo de decepcionar seu pai, de que com isso, com a novidade de que ela teria um filho causasse o mesmo efeito que causou em Cora. Que o fizesse afastar-se dela. Que ao olhar para seus olhos não pudesse mais encontrar todo aquele amor e carinho paternal que ele despejava por ela. Sentia tanto medo, tanto medo disso acontecer que seu corpo se tensava cada vez mais e seu choro que antes era algo silencioso, agora estava bem audível. Emma tinha o coração bastante apertado, queria muito acolher a sua amada em seus braços, mas sabia que naquele momento não lhe era permitido esse gesto. August trocou um olhar preocupado com Emma, pois ele naturalmente imaginava o que a prima poderia está sentindo, ele era o maior conhecedor do grande amor que a morena sentia por seu pai e ele sabia também que a possibilidade dela ser uma decepção na vida dele, a cortava de um jeito angustiante.
Henry não compreendendo porque o choro da filha se voltava cada vez mais desesperado, acabou por trazê-la para seus braços acariciando-lhe as costas com intensão de fazer a filha reduzir o pranto.
– Regina, este rapaz fez algo com você?
– Sim, ele fez. — respondeu com a cabeça pousada sobre o ombro do Prefeito.
– O que ele fez? Diga-me.
– Me engravidou. — revelou fechando os olhos com força.
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