Sweet Happiness
10 Capítulo 10 Emoções.
Notas iniciais
– Energia é que não me falta meu bem. — provocou Swan aproveitando a posição que Elsa estava acomodada em seu colo e com suas mãos deslisando sobre seu quadril, ela puxa Elsa um pouco mais contra seu corpo.
– Adoro quando suas mãos me apertam assim. — diz Elsa com uma voz rouca passando sua língua sobre o lábio superior de Emma, acendendo novamente a excitação da loira de olhos verdes.
– E eu adoro quando você fica com a boquinha fechada, apenas me obedecendo como uma boa menina que você é. — Emma sela seus lábios nos finos lábios de Elsa em um curto selinho. — Nesse jogo, eu estou perdendo, porque vejo que em teu corpo ainda resta roupas te cobrindo.
Emma toca a fina peça de algodão negra de Elsa. A palma de sua mão fazia uma leve pressão sobre o tecido conseqüentemente molhado pelos fluidos da loira Frozen. dando poderosas descargas de prazer dentro do corpo da outra que estava á ponto de pegar fogo de tão quente.
– Não seja por isso meu doce cisne. — disse Elsa levantando-se vagarosamente do colo de Emma.
Ao ficar de pé, Emma teve a bela visão de uma Elsa semi-nua tendo seus cabelos sensualmente bagunçados. Esse conjunto todo dava um ar totalmente sexy a jovem empresária, principalmente para Emma que estava ali em baixo no chão observando tudo de um delicioso ângulo.
Elsa estendeu sua mão para Swan como um convite e Emma aceitou prontamente erguendo-se e deixando-se ser puxada novamente por Elsa até onde tudo começou naquela noite. O sofá.
Dando mais um beijo nos lábios de Emma, Elsa a faz sentar cuidadosamente no meio do sofá.
– Observe como eu me desfaço dessa última peça.
Elsa se afastou dois passos para trás. Os olhos de Emma não miravam outra coisa que não fosse o esbelto corpo da outra em sua frente. Mordia o lábio como se estivesse dando freio á seus próprios impulsos. Queria possuir Elsa de uma vez e acabar com aquilo, mas visivelmente a outra queria que aquilo durasse a noite toda.
– Elsa, ande com isso, você sabe que paciência não é uma de minhas virtudes. — choramingou Emma ao ver Elsa passear suas mãos por seu próprio corpo e muito devagar encostar las laterais de sua calcinha na intenção de descê-las, mas sempre voltava a subir suas mãos para seus seios.
– Seja paciente como Maomé. — usou as mesmas palavras de Emma, sorrindo sinicamente.
– Acontece que eu não sou ele.
Dito isso, Emma agarra Elsa dando impulso á ela, tirando-a do chão que por sua vez, dá um curto gritinho de exaltação. Era isso o que ela queria. Despertar a parte selvagem de sua loira.
Sem nenhuma delicadeza, Emma joga Elsa deitada no sofá e retira aquela calcinha que á muito tempo já deveria ter desaparecido daquela parte que agora Emma estava ambicionando.
– Isso está errado, eu que deveria está dominando-te. — disse assim que Emma se posicionou entre as pernas de Elsa.
– Querida, quando vai aprender que quem manda aqui sou eu?!
Emma ergueu uma perna da Frozen, se posicionamente alí de uma forma que as duas ficassem perfeitamente encaixadas tendo seus sexos devorando um ao outro.
Elsa fechou os olhos apreciando aquele toque. Sentiu desmanchar-se ao sentir o quão molhada Emma estava.
Juntas começaram um delicioso rebolado.
Gemiam uma tocando os seios da outra. O corpo de Elsa era todo uma escola de samba, sentia vibrações fortíssimas e seu corpo arrepiar com o modo que Emma cavalgava sobre ela. Ora movimentos lentos e ora com movimentos mais fortes e rápidos.
Ainda cavalgando sobre o sexo de Elsa, Emma inclinou-se só um pouco para tomar os lábios de Elsa que estavam entre-abertos, tornando para Emma, algo inresístivel de se provar.
O beijo entre as duas foi mais que selvagem, diria que quase um ato canibalesco. Pareciam que queriam uma comer os lábios da outra. Chupavam e mordiam ao mesmo tempo, fazendo o rebolado de seus quadris serem bem mais rápidos e intensos. O orgasmo já apontava sua aparição.
– Não... pare.. p-por nada nesse mundo, Swan. — falava Elsa entre gemidos e arfadas com suas unhas cravadas na pele das costas de Emma.
– Hummmm. — Gemeu a loira com os olhos fechados, sua mente pouco a pouco deixando de racicionar corretamente.
Ela segurava com força os cabelos de Elsa, que talvez em outro momento poderia causar dor, mas naquele momento isso só aumentava o tesão entre as duas.
E com mais duas envestidas, com Emma arrastando fortemente seu sexo sobre o de Elsa, sentindo tanto o seu corpo como o de Elsa tremer, tendo seus clitóris em uma gostosa luta, as duas chegam ao seu ápice máximo.
A boca de Elsa fazia um "O" durante o orgasmo e Emma parecia navegar em um mundo parelelo, onde nada se via ou se ouvia, tudo havia parado naqueles maravilhosos segundos de prazer absoluto. O melhor gozo entre elas sem dúvida foi aquele, isso ambas não tinham dúvidas.
Swan deixou seu corpo desabar sobre o de Elsa, totalmente exausta. Sua respiração estava em um ritmo descontrolado e Elsa tentava buscar a voz que parecia ter perdido naquele espetáculo sexual.
– Wow. — conseguiu dizer assim que conseguiu recuperar o fôlego.
– Você acabou comigo, danoninho ice. — brincou Emma dando ênfase no apelido que ela mesma havia colocado em Elsa em seus momentos íntimos.
– Ai, por favor, não comece. — reclamou sorrindo e acariciando as costas nuas de Emma. — Foi a melhor de nossas transas, sem dúvida alguma. Não vejo a hora para repetirmos isso outra vez.
Respirando fundo, Emma sai de cima de Elsa.
– Já está tarde, melhor você tomar um banho e ir para sua casa.
Elsa arrasta-se no sofá sentando-se.
– Eu estava pensando que eu podería passar a noite aqui... Com você.
– Pensou errado, então. Você bem sabe que isso é impossível. — Dizia Emma apanhando cada peça de roupa da Frozen e em seguindo entregando-as á ela. — Vou pegar uma toalha para você. No corredor tem um banheiro, você pode se limpar lá.
Elsa sentindo novamente aquele desconforto em seu estômago e um grande nó na garganta, ela pergunta:
– Porque, Emma?
– Porque o banheiro do meu quarto vai está ocupado comigo dentro.
– Não pergunto por isso, pergunto porque eu não posso dormir com você. Porquê?
As duas já se encontravam-se dentro do quarto de Emma.
– Você sabe o porquê, eu não tenho que repeti-lo. — dizia Swan entrando no banheiro e tirando de dentro do pequeno armário embutido uma toalha branca. — Aqui está.
Elsa recebe a toalha desdobrando-a e enrolando-se com ela.
– Por causa dela não é? — insiste.
– Sim, é por causa dela. — responde Emma sem olhar para Elsa, pois já se encontrava adentrando o banheiro de seu quarto mais uma vez.
– Hum. — suspira a loira deixando o quarto e indo também tomar banho, só que infelizmente para ela, esse banho seria em outro banheiro.
Enquanto Elsa estava usando o banheiro praticamente ao lado, Emma estava inclinada sobre a parede e debaixo do chuveiro, deixando que a água fría escorregasse por todo o seu corpo. Seus melhores momentos de reflexões aconteciam no banho e naquele instante, ela estava tentando tomar uma decisão. Decisão que talvez não fosse agradar uma outra loira, mas para Emma não havía jeito, aquilo que já estava incomodando-a a algum tempo tinha que acabar e logo.
Saiu do banho, com uma toalha em volta de seu corpo e outra enrolada em sua cabeça tendo seu cabelo totalmente abraçado pela toalha.
– Com quem você deixou sua irmã, quando veio para cá? — perguntou Emma assim que voltou para a sala de estar, fazendo Elsa notar sua presença.
– Ela não está em casa. Me pediu para dormir na casa de uma amiga chamada Valentina. — respondeu Elsa abotoando os botões de sua blusa. — Porque a pergunta?
– Porque sendo você uma irmã super protetora, me admira que esteja tão despreoucupada assim.
– Não é fácil para mim, você sabe... desde a morte dos meus pais, eu venho criado a Anna e isso naturalmente me fez ter esse cuidado exagerado com ela, mas últimamente eu tenho tentado depositar mais confiança nela.
– Apesar do gênio forte, Anna é uma excelente menina, você tem feito um ótimo trabalho com ela.
Ambas sorriram sinceramente uma para a outra.
– Eu sei. — Elsa caminha até Emma, coloca suas mãos no rosto da loira e aproxima seus rostos, acabando a distância e tocando seus lábios dos dela e quando Elsa tentou aprofundar o beijo, sente Emma recuando, afastando até mesmo o rosto do de Elsa.
– O que foi minha linda? — perguntou acariciando o rosto de Emma com a ponta de seus dedos carinhosamente.
– Elsa, nós precisamos conversar sobre algo.
Elsa desce suas mãos pela cintura de Emma -que ainda estava enrolada pela toalha- e a aperta puxando um pouco para si e vai depositando beijos na curva do pescoço de Swan.
– Tem que ser agora?
Resistindo bravamente contra as caricias de Elsa sobre seu corpo, Emma se separa de Elsa ficando uns cinco passos a frente da outra.
– Sim, tem que ser agora, Elsa.
– Tudo bem. — resmungou frustrada pelo rompimento de suas caricias em Emma. — Sou toda ouvidos.
Criando coragem, Emma vira de costas se apertando um pouco mais na toalha, e então começa a dizer:
– Elsa, o que houve aqui... Hoje... Foi..
– Foi maravilhoso, eu sei. Na próxima vez, me lembre de brincar mais um pouquinho com sua paciência. — soltou um sorrisinho.
– Elsa, não haverá uma próxima vez. — foi direta, estava nervosa demais para ter que enrolar.
– Como? — perguntou Elsa juntando as sobrancelhas. Não havia entendido o que Emma queria dizer com "não haverá uma próxima vez."
– Hoje, foi a minha despedida para isso que temos. Não haverão mais próximas vezes. — disse convicta.
Elsa sorriu sem humor.
– Você só pode está de brincadeira, não é? Porque não é possivel que você queira romper o que temos depois de tanto tempo e depois de tudo o que vivemos.
– Eu falo sério Elsa e não foi tanto tempo assim, não houve tempo para aprofundamentos. É delicioso está com você, você é incrivel em todos os sentidos, mas... — respirou fundo fechando os olhos.
– Mas?
O coração de Elsa nesse momento parecía nem mais existir, ela não o sentia bater e a cada nova palavra de Emma, Elsa sentia-o doer cada vez mais.
– Mas isso não é o certo.
– Não é o certo? — Elsa já dizia com a voz alterada e embargada por causa do choro que já estava iniciando. — E o que é o certo para você, Swan? Não, melhor, me diga o que há de errado. Me diz, Emma.
– Eu! — exclamou virando-se ficando cara a cara com Frozen. — Eu sou a parte errada disso, não é justo com você. Você merece alguém que te dê bem mais que sexo em encontros casuais. Alguém que te valorize por toda obra e conjunto que você é. Alguém que te admire pela mulher sublíme que você demontra ser, não que eu não admire porque eu admiro e como admiro, mas tem que ser alguém que não tenha correntes em seu coração como eu tenho, alguém que não tenha medo de arriscar... Alguém que seja livre em todos os aspectos. Uma pessoa que assuma com orgulho a namorada excepcional que você será... Alguém que não seja eu.
– Mas eu não busco outro alguém, Emma, eu só busco você. Eu só quero você. Por favor, não rompa comigo.
As lágrimas de Elsa banhava todo o rosto dela, sentía-se machucada e não conseguia entender o porque dessa atitude de sua amante, porque a horas atrás elas pareciam muito bem.
– Temos que fazer isso, antes que alguém saia ferido nisso. Me entenda por favor. Você merece alguém que te complete de verdade e que acima de tudo seja completa para você.
– Você é surda ou o quê?! Eu já disse que eu não quero outro alguém. Eu pertenço somente a você. — gritou fechando os punhos e indo na direção de Emma, que inconcientemente deu mais dois passos para trás.
– Nos envolvermos dessa maneira foi um erro.
– Nada foi um erro. — vociferou a loira soluçando. — Te ter em meus braços foi uma das melhores coisas que já me aconteceu na vida. Emma, eu te amo, te amo de verdade.
– Mas eu não posso te corresponder como tal porque eu não sinto o mesmo, eu não te amo desse jeito. — tenta se aproximar de Elsa. — Olha... Podemos continuar sendo amigas.
– AMIGAS? Eu não quero ser sua amiga, eu quero ser sua mulher. A dona do teu corpo e de teus pensamentos, a dona de teus suspiros e única ouvinte de teus gemidos. A única a possuir-te.
– Elsa... não torne isso mais dificil. Eu não quero mais, eu não posso mais... Entenda. — suplicou Swan também já permitindo que suas lágrimas se fizessem presente.
– Então está dizendo que acabou? Assim do nada?
– Não é bem assim, não é como se eu decidisse de uma hora para a outra. Isso já não estava bem a alguns meses e-
– Poupe-me de suas palavras, Swan. — disse agora totalmente fria tomando sua bolsa com brutalidade encaminhando-se até a porta.
– Elsa, por favor, não vá sem antes entender.
– Eu entendi, Swan. Quem não está entendendo é você.
– O que está querendo dizer? — Emma sem notar segurava o braço de Elsa, que por sua vez o puxou de volta.
Elsa desenhou um sorriso malévolo no rosto. Um que Emma nunca tinha visto em seu rosto nem com ela e nem com ninguém. Uma expressão desafiante ganhando cada traço á medida que seus olhos tomaram um tom azul bem mais forte.
– Emma Swan, você é minha, e isso só acaba quando eu disser que acabou. Por isso, aconselho-te a reconsiderar o que disse aqui, porque caso contrário... Você verá uma Elsa Frozen que você nunca viu na sua vida.
Com essas últimas palavras que foram mais como uma forma de aviso, Elsa sai do apartamento de Emma fechando a porta com violência fazendo ecoar por todo o apartamento o impacto do madeira.
Completamente surpresa pelo que acabara de viver, Emma vai até a porta trancando-a e volta para seu quarto sentando-se na beirada da cama. Estava bem pasmada pela atitude de Elsa. Sabia que ao comunicar sobre o fim do "relacionamento" delas, provavelmente Elsa iria ficar aborrecida, mas não sabía que sería a tal ponto de não querer aceitar o fim e dizer coisas que particularmente á Emma causou estremecimentos.
Se deixou cair sobre a cama e como se algo a quisesse atormentá-la mais ainda, um certo flash de memória veio á sua mente como alerta.
"- Quantas vezes eu vou ter que dizer para você não se aproximar dessa mulher, Emma? Que parte do PERIGOSA, você nunca entendeu?"
As palavras ditas por Regina dias anteriores lhe fizeram arregalar os olhos fazendo-a sentar-se novamente na cama, só que agora um pouco mais inquieta.
– Naaah, porque é que eu estou me preocupando? Tudo isso é conciência pesada, Emma Marie Nolan Swan? Eu hein. — dizia para si mesmo ao pegar uma nova camisola dentro do guarda-roupa juntamente com uma nova calcinha. — Acabou, tudo acabou. Agora deixe de besteira. Elsa está chateada, mas logo ela entrará em razão.
Vestiu-se mais uma vez e deitou em sua cama decidindo que não mais pensaria naquela confusão toda, porque mesmo isso tenha sido realmente uma enorme confusão, Emma sentía-se agora bem mais aliviada.
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Sentada na beirada da cama do irmão, Regina o olhava dormindo profundamente. Sempre antes de dormir, ela ia no quarto dele e ficava ali durante longos minutos só velando o sono do irmão. Muitas vezes, era ela quem o cobria quando a coberta estava fora do lugar. Era ela quem guardava os livros que ele deixava cair da cama quando pegava no sono e era ela sempre que silenciosamente lhe dava o último beijo da noite. E como toda noite, ela saiu do quarto sem fazer barulho algum ao fechar a porta.
Ainda no corredor ela viu a porta do quarto de seus pais entre-aberta e recordou que mais cedo, Cora havia lhe chamado para uma conversa.
Ao chegar perto da porta, ela ver seu pai saindo com várias pastas entre as mãos e usando seu habitual óculos para leitura, sinal de que com certeza o pobre homem iria passar a noite com a cara enfiada naqueles papéis.
– Papai, o senhor não deveria está com isso em mãos uma horas dessas. — chegou perto do homem e depositou um beijo na bochecha dele.
– Bem que eu queria não passar a noite com esses documentos, mas nem tudo é como agente quer meu amor, principalmente quando se ocupa um cargo político como o meu. — ele dizia fazendo carinho no ombro da filha. — E você, estava no quarto do Henry?
– Nunca entendi direito porque logo o senhor aceitou ser o prefeito daqui. O Senhor nunca foi dado á politica. — ela sorri. — E respondendo a sua pergunta, sim, eu estava no quarto do Henry, fui ver se ele estava bem.
– Me alegra ver esse carinho entre vocês dois. E realmente minha filha, eu nunca fui muito chegado á política, mas esse foi o último pedido que Leopold fez á mim antes de morrer, então eu não tive como negar, afinal não se nega um pedido á um homem em pleno leito de morte, principalmente sendo nosso saudoso Leopold White.
– É verdade, ás vezes eu estranho muito a Emma não falar nele, ela nunca fala dele.
– Talvez seja para não doer, não falar ás vezes é o melhor remédio para não cutucar lembranças ruins, lembre-se de que todo aquele acontecimento deixou uma marca dolorosa nela. — disse o homem dando um beijo na testa da filha.
– Acho que ela ainda pensa que ela foi a causa da morte do tio Leopold. — disse suspirando tristemente.
– Mas todos sabemos que isso não é verdade, que a culpa não foi dela. Agora deixa eu ir antes que eu desista. Boa noite minha filha.
– Boa noite papai.
O homem ofereceu um sorriso gentil e se afastou da filha seguindo para uma outra porta no qual estava localizado seu escritório particular.
Já Regina, entrou no quarto de seus pais, avistando Cora sentada em uma poltrona com as pernas cruzadas e com os olhos perdidos em um livro.
– Ainda quer conversar comigo? — perguntou a morena ainda no marco da porta com a mão segurando a maçaneta da porta.
– Pensei que teria que ir atrás de você como eu fazia quando você era apenas uma criança. — dizia ela fechando o livro e agora fitando sua filha mais velha. — Entre e feche a porta por favor.
Regina obedece. Entra no quarto completamente e fecha a porta em seguida.
– Sobre o que quer falar? — perguntou cruzando os braços sobre seu peito.
– Sente-se aqui minha filha, não acredito que você pensa que eu vou conversar com você parada ai. Venha, sente-se aqui. — chamou Cora, sinalizando a cama que estava bem ao lado de onde esta mesmo estava sentada.
Revirando os olhos, Regina atende o pedido de sua mãe e senta-se bem perto dela.
– Muito bem... E onde está August?
– Certamente dormindo.
– Hum... August com certeza vai movimentar a cidade. As jovens da sua idade com certeza irão se mostrar bem prestatívas á ele. Creio que até suas próprias amigas.
– Mamãe, pode parar de enrolar e ir direto ao assunto, por obséquio?
Cora olha para a Regina. Só olha por um bom tempo. Olha de uma maneira como se a estivesse analisando-a, como se quisesse reconhecer ou encontrar alguma coisa nas expressões que denunciase algo.
– Hoje eu estava no salão de beleza da Úrsula e muitos assuntos foram abordados, coisas interessantes e outras nem tão interessantes... — Cora fez uma pausa para acomodar-se melhor na poltrona. — E um dos assuntos que mais me chamou a atenção foi a conversa entre duas jovens, creio eu que sejam da mesma faculdade que você e deva participar do mesmo grupinho de amizades que você também.
– E o que conversavam? — perguntou um pouco perdida porque ainda não havia encontrado a parte em que ela poderia se encaixar naquilo.
– Conversavam sobre o que todas as garotas conversam quando estão juntas... Nada mais e nada menos que rapazes.
– Passo a entender menos aonde você quer chegar com essa conversa.
– Logo você entenderá, só não me interrompa. — disse firme. — Comentaram sobre diversos rapazes da cidade entre eles, até o filho de Sidney foi citado, Killian, certo?
– Certo, Prossiga.
– Em determinado ponto da conversa, elas comentaram algo que me chamou muito a minha atenção e pude ver que finalmente você recobrou o juízo antes que eu pudesse... Fazer algo.
– Mas o que eu tenho haver com isso?
– Vejamos. — com um sorriso ingmático, Cora levantou-se e se pôs a caminhar pelo quarto, precisamente ao redor da cama de casal. — Elas disseram que um certo filho de um banqueiro falido e neto de uma dona de um restaurante, se é que aquilo pode ser chamado de restaurante, foi visto deixando a cidade dias atrás.
Regina sente seu coração desparar e seu sangue gelar com a imagem da pessoa a quem Cora se referia lhe surgir a mente. Sem nenhuma dúvida, sua mãe estava se referindo a Graham, e a pergunta que Regina se fazia era:
"- Porque ela quer falar do Graham?"
Por outro lado, Cora observava atentamente Regina. Observava cada detalhe, cada mínima reação que o corpo de Regina teve ao ouvir a mensão do rapaz. Cora não era tonta, ela nunca fazia nada ou falava algo sem premeditações, e a forma como Regina se portou só fez confirmar mais ainda suas suspeitas.
– Graham? — perguntou como se aquele nome não significasse nada para ela. Como se fosse qualquer nome entre os muitos da cidade.
Cora riu, mas foi um riso seco, porque achou o cúmulo Regina realmente pensar que ela era tola demais para não perceber as coisas.
– Este mesmo... Graham. — pronuncionou o nome com enfâse. Encostou-se na cômoda do quarto com os braços cruzados sem perder nenhum momento o contado visual com sua filha. — Me alegra saber que você colocou sua cabeça para funcionar.
– Mamãe, eu não estou entendendo nada e muito menos o motivo dessa conversa... Eu... Eu vou para meu quarto, já está tarde.
Regina levantou-se um tanto nervosa indo em direção á porta.
– Não ouse sair desse quarto até que eu tenha terminado essa conversa, Regina. — usou um tom mais que autoritário. — Não ordenei que saísse, portanto sente e ouça o que eu tenho para falar.
– Então vá direto ao ponto. — pediu Regina já não tão segura se queria ouvir o que Cora tinha a dizer, sendo que agora o nome de seu ex-namorado foi citado.
– Regina, diga-me, de quem você é filha? — perguntou se aproximando da jovem.
– O quê, do que é que você está falando?
– DIGA. — alterou a voz.
Regina assustou-se, dando um passo para trás.
– Henry e Cora Mills. — respondeu ela e naquele momento Regina sentía-se como se tivesse voltando a ser a criança que Cora sempre controlou.
– Então minha querida, sendo você minha filha, você deveria saber que eu a conheço muito bem e que quando se trata de você, nada passa despercebido aos meus olhos. — ia dizendo "calmamente" voltando a sentar-se na poltrona. — Você não imagina a surpresa que foi para mim ouvir aquelas meninas dizendo que seu amado já não estava na cidade.
"Amado?"
Regina abriu a boca fechando logo em seguida, caindo a ficha do que poderia sair naquela conversa. Tomou conciência de que Cora estava querendo lhe dizer que ela já estava intereirada do seu envolvimento com Graham, e isso a deixava mais nervosa ainda.
– A-amado? Eu não sei do que você está falando.
– Ah por favor Regina, não me tome como burra ou cega. — disse já cansada de toda aquela enrolação. — Durante dois anos eu observei você se encontrando ás escondidas com aquele rapaz. Durante dois anos eu ouvi suas desculpas descabíveis devido ás suas frequentes saídas. E bem, você não é boa em mentir, chegando a ser fácil demais para mim descobrir em que você estava envolvida.
Regina estava como uma estátua em pé, ouvindo tudo sem dizer uma palavra, não sabia o que dizer, as palavras simplesmente haviam desaparecido.
– Dois anos me perguntando no que eu havia feito de errado, para que minha filha estivesse metida entre os braços de um.. um.. qualquer. — Sua boca fez um movimento contraido com os lábios. Sinal claro de que estava controlando suas emoções.
– Mãe, eu... — conseguiu dizer algo arrastando-se para a cama e sentando-se ali um pouco mais afastada de Cora do que no inicio desta conversa.
– Quieta! ainda não te dei brechas para respostas. — interrompeu totalmente ríspida e fixando novamente seu olhar em Regina. — Dois anos vendo como meu trabalho ardúo de vinte anos estava indo por água á baixo por um simples romancizinho adolescente estúpido. Dois anos Regina, dois anos vendo até quando você seguiría me tomando por ingênua achando que eu estava acreditando em suas mentiras mal fabuladas. Agora eu pergunto á você, o que foi que deu de errado no seu paraíso amoroso, querida?
Regina não respondeu.
– Responda. — ordenou.
Regina continuava calada olhando para sua mãe. Se sentia confusa, amendrontada e receosa. Sabia que se Cora realmente sabia do namoro que ela teve com Graham e se ela nunca mencionou durante esse tempo todo, era porque no fundo ela nunca julgou a relação dos dois importante ou porque tinha planos para por fim nisso, porém os olhos de Cora a deixavam encurralada, como se ela esperasse uma resposta do qual já sabia.
– Eu não sei. — respondeu por fim. — Ele e eu... Não... não era para ser.
– Você está mentindo, Regina. — Cora levantou-se e com certa força pegou Regina e puxou-a pelo braço fazendo as duas ficarem frente á frente. — Ah não querida, não faça isso. Mentir para mim é o mesmo que confirmar o que eu já desconfío.
A jovem Mills já sentia seus olhos arderem, e curtas lágrimas rolarem para fora deles.
– O que você quer que eu diga? — perguntou se livrando do agarre de Cora. — Quer que eu diga que eu me enganei com ele? Que ele não é o homem que eu esperava que ele fosse? Porque se for isso, eu digo Mãe.. digo em alto e bom som. Ele não é o homem que eu julguei ser e eu me enganei completamente. Satisfeita?
A resposta veio tão rápida que Regina mal teve tempo de vê-la, apenas sentí-la e ouvir o som de um tapa ecoar pelo quarto.
Cora havia lhe golpeado com um tapa em seu rosto.
– Não use esse tom comigo garota estúpida. — disse com a voz cortante e visivelmente irritada. — A dois anos eu venho esperado para te dar esse tapa bem merecido e sabe qual é o pior, Regina? Eu sei que esse infeliz deixou algo para trás com você. Dentro de você.
Com a mão em seu rosto e agora deixando que suas lágrimas tomasse espaço, Regina a olha bem mais assutada, com medo do que Cora poderia está insinuando.
– Do que você está falando?
Cora rir passando suas mãos por seus cabelos, vira seu corpo dando as costas para Regina e dentro de uma caixinha que estava localizada em cima da mesma cômoda que ela havia se encostado minutos atrás, retira dois pacotinhos verdes. Gira seu corpo mais uma vez ficando de frente á Regina e ergue a mão no ar mostrando os tais pacotinhos e então de forma bruta os joga sobre Regina, que por sua vez ao reconhecê-los, abre os olhos ficando mais surpresa ainda e agora sentindo um frio na barriga, finalmente compreendendo que o inevitável já estava acontecendo.
– O-Onde encontou isso? — perguntou pegando do chão os dois pacotinhos.
– Eu ajudei Henry a encontrá-los para você no seu quarto. — disse novamente se aproximando de Regina. — Eu vi seu irmão entrando no seu quarto e vi ele buscando algo que não encontrava, então simplesmente perguntei o que ele procurava e ele me disse que era algo que você tinha pedido e então quando encontramos, ele levou um desses sachês e eu fiquei com estes e não foi dificil saber para o que serviam. Desde quando, Regina?
Respirando fundo e contendo suas lágrimas, Regina decidiu então que já não havia motivos para omissão.
– Eu não sei exatamente desde quando. — não encarou Cora, seus olhos fitavam apenas o chão. — Fiz o teste recentemente e o resultando foi positivo.
– Não importa, amanhã te levarei para uma clínica e resolveremos isso. — disse Cora bem séria caminhando até a porta do quarto e abrindo-a. — Agora saia, nossa conversa acaba aqui.
Regina olha para Cora com uma expressão confusa e temia que o que tinha entendido não estivesse errado, então tomando ar pergunta:
– O que significa isso de "Resolveremos isso."? — pergunta ainda sentada na cama.
– Isso. — Cora aponta para a barriga de Regina. — Isso que você tem dentro de você não vai seguir adiante minha querida. Amanhã iremos nos livrar disso ai, porque eu não criei uma filha para gerar filho de um ser qualquer e ainda por cima ser mãe solteira porque aparentemente o seu amado usou a pouca sensatez que tinha na cabeça e pulou fora e tal como ele, você também irá pular fora, não irá manchar o nome dos Mills, eu nunca permitirei que isso aconteça.
Completamente em choque com o que acabara de ouvir de sua própria mãe, Regina solta um riso nervoso, negando constantemente com a cabeça, levantando-se da cama e tomando coragem para dizer o que iria dizer com muita clareza para Cora.
– Não, ninguém vai tocar no meu filho, ninguém. — enfatizou. — Eu vou seguir adiante com minha gravidez e vou ter essa criança. Não permitirei que nada e nem ninguém me impeça disso, nem Graham e muito menos você, mamãe.
Cora nunca tinha visto Regina falar daquela forma tão firme e decida. Arqueou uma de suas sobrancelhas e disse:
– Se você seguir por esse caminho Regina, esteja certa que eu te renegarei como filha e você deixará de ser uma Mills, porque não aceitarei ter uma filha sendo a vergonha da cidade. Não aceitarei como neto um filho de um miserável qualquer. — suas palavras continham desgosto e decepção. — É isso o que você quer, Regina?
Naquele momento Regina sentiu seu coração quebrar, porque mais uma vez ela estava sendo coloca em frente á escolhas, e por mais que esta amasse profundamente Cora, seu filho vinha a frente de tudo e de todos.
– Eu lamento então mamãe, porque meu filho está acima de qualquer escolha.
– Então você já deve ter noção do que deva fazer não é mesmo? — perguntou tocando o rosto de Regina, seus olhos a desafiavam, acreditava que Regina não fosse estúpida o suficiente para fazer o que ela mesma estava insinuando.
– Absoluta.
E após dizer isso, Regina sai do quarto de Cora, não mais chorava, mas seu rosto via-se claramente o quanto aquilo estava machucando-a.
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– Eu não consigo, definitivamete eu não consigo dormir. — murmurou Emma rolando pela cama bufando completamente irritada por já ter se passado horas e ela ainda não ter conseguido pregar o olho por mais de quinze minutos.
Sabia que o problema com Elsa a estava incomodando, mas sentia que havia mais que isso porque vez ou outra sentia um desconforto do estômago, sentia seu coração apertar e uma leve apreensão tomar seus sentidos. Não sabia que nome dar á isso, mas sabia que naquela noite algo de muito errado estava acontecendo.
Rolou de novo na cama se enfiando completamente por dentro de seus cobertores e em meio á eles, ela encontrou seu celular, deslizou a tela desbloquendo-o e se assustou quando o relógio digital marcava 03h25 da madrugada. Para a sua sorte, quando amanhecesse não teria que ir pra faculdade, porque já seria inicio de um final de semana, então poderia dormir por toda a manhã de sábado. Enfiou o celular de baixo de um dos travesseiros e foi se ajeitando mais uma vez no lado esquerdo da cama e pela sua cara agora um pouco mais relaxada, pareceu ter encontrado uma posição confortável para dormir. Deixou seus olhos irem se fechando gradativamente, seu sono enfim a embalaria.
Quando já estava a um pé de mergulhar no mundo desconhecido dos sonhos, Emma sentiu um peso extra do lado direito da cama e seu cobertor ser vagarosamente puxado. Nesse mesmo instante o sono que já estava lhe abraçando sumiu de um jeito que pareceu nunca ter estado ali. Emma com os olhos completamente arregalados desejou que aquilo fosse só obra da sua imaginação ou alucinações que o escuro da noite ás vezes provocava, mas uma nova onda no colchão da cama fez Emma ver que aquilo era bem real. Seu corpo praticamente estava paralizado e sua respiração tal como seu coração pareciam que a qualquer momento iriam parar de funcionar, mas o estranho era que Emma estava sentindo um perfume familiar, e se não estivesse com a mente fervilhando teria parado para tentar indentificá-lo. E quando sentiu um braço envolver sua cintura, não conseguiu mais segurar, pulou da cama dando um agudo grito, saindo do quarto quase correndo e ainda no escuro ao passar pela sala tropessou em algo que a vez cair.
– Mas o que é isso? — sussurou ao ver que havia caído em cima de algo que pareciam ser malas.
"Malas?"
As luzes da sala se acenderam fazendo Emma fechar os olhos por um instante.
– Emma, você está bem?
A loira ao abrir os olhos seguindo aquela voz que conhecia muito bem.
– Regina? É você?
– Claro que sou eu, porque saiu correndo daquele jeito de dentro do quarto? — perguntou Regina ajudando Emma a levantar-se do chão e tirando-a do meio de suas malas.
– O que você acha? Eu fui me deitar sozinha e quando eu menos espero sinto alguém me abraçando por trás. — dizia ainda recuperando-se dos acontecimentos.
– Oh, eu te assustei? — Foi impossivel para Regina não rir.
– Não, só quase fez meu coração parar. — brincou. — Mas o que você faz aqui uma hora dessas? Aconteceu algo? Oh minha nossa é o bebê? Você está sentindo algo?
Emma colocou a mão sobre a barriga de Regina como se quisesse certificar-se de que o bebê estava bem, ato que supreendeu as duas.
– Podemos voltar para o quarto? Eu te conto lá dentro.
Regina entrelaçou sua mão com a mão de Emma que estava posta sobre a sua barriga.
– Claro.
As duas voltaram para o quarto e juntas deitaram na cama. Cada uma deitada de lado, uma de frente para a outra.
– Eu e minha mãe tivemos uma dificil conversa. — começou a dizer, e por mais que quisesse permanecer com o contato visual com sua melhor amiga, o assunto Cora lhe causou uma imensa tristeza.
Emma levou sua mão ao rosto de Regina acariciando-o como sempre fazia quando ficavam sozinhas uma com a outra. Aquele gesto dizia muitas coisas para ambas, era uma demonstração de imenso carinho e respeito, e era isso que Emma estava fazendo, respeitando o tempo de Regina para contar-lhe o que havia acontecido.
Regina deu um sorriso sincero voltando a encarar os olhos de Emma.
– Resumidamente, ela agora sabe da minha gravidez e que o pai é o Graham. E da mesma forma que ele, ela também sugeriu que eu tirasse o bebê.
Emma fechou os olhos com força. Não que estivesse surpresa com a notícia, pois conhecia muito bem Cora e não esperava outra atítude vinda da parte dela. O que doía em Emma era ver o quanto sua amada sofría cada vez mais com isso, porque obviamente Regina lutaria contra tudo e contra todos para ficar com o filho, porém odiava ver sua morena sendo colocada contra a parede dessa forma, em ter que ser obrigada a escolher entre seu filho e outras pessoas que amava.
– E você disse que não iria fazer isso, certo?
– Uhum, eu disse que nada me faria tirar meu bebê e que eu seguirei com meus planos de tê-lo seja a preço que for, e o preço é eu deixar de ser vista como uma Mills.
– Espera... Essa parte eu não entendi. Como assim deixar de ser vista como uma Mills? — questionou puxando de leve Regina para si que com alegria se aninhou nos braços de Emma.
– Minha mãe disse que me renegaria como filha se eu resolvesse ter essa criança, porque eu seria a vergonha da cidade e todas essas coisas de ser mãe solteira. E bom, agora você tem uma nova moradora.
– Ela te expulsou de casa? — Emma perguntou sentindo uma raiva apoderar-se de seu corpo.
– Deu a entender que não me queria mais no mesmo teto que ela. — Estranhamente Regina falava com calma, era evidente que estava triste e com o coração dolorido, mas para ela está com Emma a acalmava de um jeito todo maravilhoso.
– Regina, você saiu de sua casa no meio da noite e sozinha?
– Queria sair de lá o quanto antes. Pensei em avisar ao meu pai ou até August, mas eu teria que dar mais explicações e isso só causaria uma outra confusão, principalmente com meus pais. Então decidi sair sem comunicar a ninguém.
– Então quer dizer que agora divideremos meu apartamento? — perguntou fazendo carinho nos cabelos de Regina.
– Se não for um incômodo para você. — respondeu bocejando. Os carinhos de Emma a estavam deixando tão relaxada que já estavam deixando-a sonolenta.
– Claro que não sua tonta. — Emma beijou o topo da cabeça de sua amiga com um enorme sorriso no rosto.
Regina sorriu se pegando mais ainda em Emma.
– Você lembra da primeira vez que me chamou de tonta?
– Como eu iria esquecer? Foi onde tudo começou.
Emma puxou o cobertor e envolveu as duas com ele.
– Você era tão cabeça dura. — a voz de Regina já estava pesada, deixando claro que logo dormiria.
– E você era muito chatinha.
Lentamente as duas foram embaladas pelo sono enquanto algumas lembranças de quando eram crianças lhes vinham a mente.
"«FLASBACK — 10 Anos atrás.»
Gostosas risadas de crianças enchiam a casa Mills naquela agradável manhã de 1° de Setembro. Uma menininha de dez anos usando um vestido violeta corria por toda a sala da casa tentando escapar de seu primo que igualmente corria em busca dela. Seus longos cabelos negros as vezes atrapalhava sua visão quando este mesmo caía sobre seus intensos olhos castanhos. Adorava correr por toda a casa, mesmo que continuamente fosse repreendida por sua mãe. Atravessou pela porta de entrada da biblioteca do andar de baixo da casa e saindo pela porta que dava acesso ao escritório de seu tio.
– Gina, eu estou cansado. Não quero mais brincar disso. — gritou o menino parando e tentanto recuperar o fôlego. Quando se tratava de correr, sua prima sempre o deixava para trás buscando ar.
– Não seja fraco, Gust. Você é pior que as meninas da minha escola e elas são me-ni-nas. — provocou a pequena parando no meio do corredor que ficava entre a cozinha e o salão de jogos da casa.
– Eu desisto, corri por toda uma vida só nesses minutos que corremos pela casa. — ele disse segurando suas calças que ameaçavam cair. — Estou com fome. Quer assaltar a cozinha?
– Não sei, acho que ainda não é o horário para fazer lanche. — respondeu ela caminhando de uma maneira toda graciosa. — Acho que a mamãe vai brigar se ela ver agente comendo agora.
– Tia Cora é chata. — disse August revirando os olhos.
A Pequena Regina olha para o primo com um olhar zangado.
– A mamãe não é chata.
– Você diz isso porque é filha dela. Só o tio Henry que é legal, ele me deixa brincar no carro dele.
– Besteira, ele também me deixa brincar no carro dele e ele disse que quando eu for bem grandona, ele vai me dar um carro. — disse toda orgulhosa.
– Oh Besteira, ele também disse que quando eu for um rapaz bem grandão, ele vai me dar uma moto.
Ele lançou um beijinho no ar para Regina também em uma forma provocativa.
– Uma moto? Para quê uma moto?
– Para mim conquistar as mulheres. — ele estufou o peito se sentindo maravilhado. — Todas as mulheres vão querer ser minha namorada.
Regina soltou uma gargalhada empurrando de leve o primo com sus mãozinhas.
– Você vai ser um mané, isso sim.
Um barulho vindo da sala chamou a atenção dos dois. Ouviram vozes desconhecidas e um choro infantil soar pela casa.
– O que é isso? — perguntou o garoto.
– Não sei, acho que vem da sala.
Os dois começaram a correr novamente pelo corredor e ao chegarem na sala de estar, viram um casal de jovens que nunca tinham visto. A mulher tinha a pele clarinha como papel, cabelos negros bem curtos e olhos verdes em um tom quase esmeralda e junto dela de mãos dadas, estava um homem loiro e de olhos azuis profundos. Um casal realmente belo e este mesmo homem tentava acalmar uma menininha loira. Seus longos fios dourados lhe cobriam praticamente o rosto, a franjinha era longa e provavelmente tinha a mesma idade que Regina e August. Ela chorava sem parar agarrada nas pernas do homem que logo eles poderam perceber ser o pai dela.
– Oh vejam. — a voz de Cora despertaram os dois menores que observavam a cena ao longe. — Regina, August venha até aqui.
Cora estava sentada em uma cadeira, mal conseguia levantar-se pela imensa barriga que carregava. Em seus 30 anos, Cora se encontrava mais uma vez grávida de um menininho que junto com seu marido resolveu nomeá-lo com o mesmo nome do pai, Henry.
Regina e August se aproximaram dos mais velhos um pouco receosos, não gostavam muito de estar no mesmo meio que os adultos pois nunca entendiam o que eles falavam, chegava a ser tedioso.
– Mary Margareth e David, apresento a vocês a nossa filha mais velha, Regina. — com todo o cuidado Cora levantou-se da cadeira e pegou na mão de Regina a fazendo ficar de frente ao casal. — E Regina, esta moça bonita chama-se Mary Margareth, filha do seu tio Leopold e este homem ao lado dela é o seu esposo, David Nolan,cumprimente-os conforme eu te ensinei.
Regina estendeu sua mãozinha para Mary.
– Olá, bom dia, é um grande prazer conhecê-la, tudo bem? — ela assumiu uma postura ereta e de uma forma toda elegante, poderia se dizer.
Mary ficou maravilhada com aquela menina. Era toda uma mocinha educada.
– Oh meu Deus, que coisa linda, Cora. — Mary disse apertando a mão de Regina. — Olá Regina, é uma grande prazer pra mim também conhecê-la. Quantos anos você tem?
– Eu tenho dez, senhora. — respondeu segura de si.
– Oh, minha filha também tem dez aninhos. — Mary abaixa-se um pouco, só o suficiente para ficar na mesma altura que sua filha que ainda estava chorando abraçada á David. — Emma, veja... Regina também tem a mesma idade que você, não quer conversar com ela?
– NÃO. — gritou a menina entre o choro. — EU QUERO IR PRA CASA.
– Nós já conversamos sobre isso meu amor. — disse David também abaixando-se para ficar na mesma altura que a menina.
Regina e August trocaram um olhar confuso e ambos deram de ombros, não estavam entendendo nada daquilo e preferiam nem entender.
– Emma, não chore... Você logo verá que Storybrooke é uma das melhores cidades para se viver. — disse um homem de cabelos grisalhos, aparentando ter uns cinquenta anos. Este descia as escadas da casa acompanhado de seu fiel amigo Henry Mills.
O homem caminhou até Mary Margareth e lhe entregou uma pasta amarela.
– Obrigada, papai. — agradeceu Mary sorrindo para Leopold.
– Por nada minha filha, apenas façam um bom trabalho em Roma.
Mary assentiu colocando a pasta dentro de sua bolsa.
Leopold passou sua mão pelo ombro da filha e logo mirou sua neta que estava encolhida nos braços de David.
– E quanto a você Emma, não chore, você vai adorar morar aqui. Veja, tem dois amiguinhos aqui para você brincar.
– É verdade Emma, Regina e August vão adorar brincar com você. — reforçou Cora.
Mary e David eram arquitetos e sempre se viam em projetos grandiosos e naquele 1° de setembro, eles estariam de partida para Itália em mais um projeto promissor e juntos decidiram que dessa vez não levariam a filha, pois não tinham uma data prevista para o retorno e não queriam ter que obrigar a filha á aprender um outro idioma em cima da hora. Decidiram que enquanto estivessem fora, Emma iria morar com o avô, Leopold White, pai de Mary Margareth e atual Prefeito de Storybrooke.
– David, já está na hora, vamos nos atrasar. — disse Mary.
– Claro. — David deixou escapar um sorriso triste, estava de coração por deixar sua pequena para trás. — Emma, não chore, será por pouco tempo e quando você menos esperar, já estaremos de volta.
August e Regina estavam sentados juntos em um sofá. Já haviam compreendido o que estava acontecendo. Vez ou outra August brincava dizendo que Emma seria mais uma para ele irritar dentro da casa.
– Não, eu quero ir com vocês, eu não quero ficar papai, não me deixa.
– Meu amor, não estamos deixando você... É para o seu bem. Veja bem, você sempre quis ficar perto da natureza não é mesmo? Aqui em Storybrooke é o lugar perfeito e ainda mais, seu avô vai está aqui para cuidar de você. — ia dizendo Mary carinhosamente limpando as lágrimas da filha.
– Isso minha pequena... Você vai poder explorar seu lado aventureiro como você diz. — disse David tentando soar animado.
– E as escolas daqui são ótimas. — agora foi Leopold que entrou na conversa.
A pequena Emma olhou para cada um que falava. Nunca havia ficando longe de seus pais e isso a assustava muito e ainda mais vivendo com pessoas desconhecidas. E mesmo a contragosto, assentiu com a cabeça dando a atender que já havia compreendido. David e Mary sorriram aliviados e juntos fizeram um abraço triplo finalizando com cada um dando um beijo nas bochechas rosadas de Emma, ainda molhadas pelas lágrimas.
Minutos depois, Emma viu seus pais sairem por aquela porta que havia entrado praticamente arrastada.
– Seja bem-vinda, minha pequena. — Leopold tentou abraçar a neta, mas esta saiu correndo pela casa, sumindo por um corredor na parte lateral que conduzia direto para o jardim da casa.
– Essa aí vai dar trabalho. — disse Cora sentando-se e enconstando sua cabeça no ombro de Henry.
– Vamos dar tempo ao tempo, ela se acostumará. — falou Henry com sua voz mansa acariciando amorosamente a barriga de sua esposa. — Regina minha filha, venha aqui.
Regina interrompeu sua conversa com August e foi até seu pai.
– Procure Emma e tente fazer amizade com ela, acredito que isso deva ser fácil já que vocês tem a mesma idade.
Regina fez uma careta, demonstrando que não havia gostado nenhum pouco da idéia.
– Ela é chorona, papai. — disse a menina cruzando os braços.
– Ela só está confusa e triste. Se você também tivesse que ficar longe de nós, você também ficaria triste, agora não crie caso e vá falar com ela.
– Está bem. — ela disse se afastando um pouco de seus pais. — Você vem comigo August?
– Eu não, isso é conversa de meninas.
Revirou os olhos respirando profundamente seguindo o mesmo caminho que a loirinha havia tomado quando correu fugindo do avô.
Quando chegou no jardim, conseguiu ver a menina sentada de baixo de uma das macieiras que continham no jardim, e para a sua surpresa, a loira havia escolhido justamente "Lola", sua macieira favorita.
A loira estava chorando silenciosamente segurando uma maçã que provavelmente teria achado caída da árvore.
Emma ao perceber a presença da outra menina, ergue seu olhar para vê-la e então pela primeira vez seus olhos se cruzam e uma fica olhando para a outra por longos segundos até que Regina resolve sentar-se bem á frente de Emma.
– Onde achou essa maçã? — foi a única coisa que veio á mente de Regina para iniciar uma conversa.
– Não parece óbvio? — Emma respondeu com outra pergunta. Estava irritada e naquele momento queria ficar sozinha.
– Você não tem tamanho para subir em árvore.
– Tenho tamanho para fazer muita coisa, sua tonta. — Emma fez biquinho, sentindo novamente suas lágrimas descerem. Queria ir para a sua casa e não ficar ali em um lugar estranho e com pessoas estranhas.
– Vamos, não chore! Seus olhos são bonitos demais para estarem molhados desse jeito. Minha mãe diz que demonstramos nossa fraqueza quando choramos. Eu não acho você fraca, mas não sei, não gosto de ver você chorando. — disse a moreninha sem pausas, nem sabia o porque estava falando aquilo, principalmente com Emma a tratando de uma maneira grosseira.
– Eu só choro quando sinto dor. — Suspirou a loirinha largando a maçã e enxugando com suas mãozinhas seu rosto.
– Você está sentindo dor? Quer que minha mãe te leve ao doutor? Ele é bonzinho, dá até doce pra gente. — Regina sorriu com isso, odiava ir em médicos, mas tinha um em especial que a tratava com muito carinho.
– Você é uma menina tonta, não sabe do que eu estou falando e nem vai entender. — mais uma vez Emma falou de forma grosseira, mas algo no olhar daquela menina a fez se arrepender, viu nos olhos da morena á sua frente um rastro de tristeza.
– Eu não sou tonta. — disse enfantica levantando-se e ficando de pé.
– Sim, você é. — Emma já estava achando engraçado o fato de como era fácil irritar a menina morena.
– Não, eu não sou. Você é muito chata e quer saber, fique aí chorando sozinha, eu só queria ajudar, mas você é idiota e chata demais para aceitar ajuda de uma amiga. — disse zangada virando-se e começando a dar alguns passos.
– Hey, não vai não, fica. Por favor, fica. Me desculpa, eu só... só estou assustada. Nunca fiquei tanto longe dos meus pais. — Emma também levantou-se e segurou a menina pelo braço fazendo ela ficar de frente novamente com ela.
– Está bem, eu vou ficar, mas por que eu quero e não porque você pediu. — Regina sorriu.
– Você é muito boba.
– Já vai começar de novo com isso sua chata?
Emma rir, tinha que admitir que era adorável ver como aquela menininha ficava brava tão fácil e o jeitinho todo único e fofo que ela revirava os olhos para depois fazer aquele biquinho de zanga.
– Não fique brava, veja, eu já nem estou chorando. Vamos tentar de novo? — sugeriu
– Tentar o quê? Me chatear? Porque isso você já conseguiu.
– Não sua tonta, quero que começamos do zero.
– Como assim?
Agora é Emma quem revira os olhos.
– E eu que sou a loira né? — vendo como a carinha da outra declarava claramente que ela estava perdida naquela conversa, Emma prossegue. — Quando eu digo que devemos começar do zero, eu quero dizer que devemos começar tudo de novo. Você disse que eu sou chata e idiota demais para aceitar a ajuda de uma amiga.
– É, você é. — Regina provoca.
Emma semicerra os olhos, no entanto prossegue:
– Continuando... Quando você falou amiga, você se referia a você, certo?
– E tem outra por aqui?!
– Quer fazer o favor de responder direito?
– Sim, eu me referia a mim.
– Isso quer dizer que você quer ser minha amiga. Você quer ser minha amiga?
– Não sei se quero mais.
Regina estava adorando se fazer de dificil.
– Porquê? — perguntou Emma com o cenho franzido.
– Você é muito idiota e chata. — disse sorrindo.
Emma balançou a cabeça sorrindo também.
– E você é muito tonta.
Regina estendeu sua mão para Emma.
– Me chamo Regina.
– E eu me chamo Emma. — a loirinha recebe a mão da outra menina com a sua e aperta suavemente, só o bastante para que as palmas das mãozinhas se tocassem e houvesse aquele singelo balanceio. — Amigas então?
– Amigas."
«Fim do FLASBACK — 10 anos atrás»
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