Sweet Happiness
1 Capítulo 1 A Desilusão
Notas iniciais
– Regina, desse jeito nós vamos nos atrasar, sai logo daí. — disse uma jovem loira de olhos verdes de frente a porta do banheiro de seu apartamento com uns 3 livros na mão e uma bolsa lateral. Trajava uma blusa branca de mangas longas e uma calça Jeans azul, fechando com um par de botas pretas de cano longo.
Já fazia mais de 30 minutos que sua amiga havia entrado dentro do banheiro e eram exatamente 07:15 da manhã, e se não estivem na faculdade até as 08h00, teriam grandes problemas. E isso Emma sabia perfeitamente. Não gostava de se meter em problemas, principalmente com o diretor que era mais conhecido por seu jeito rígido e duro do que por seus feitos. E Emma sabia que ela estava na lista das alunas que menos agradava ao diretor, simplesmente pelaYu enorme lista de loucuras que ela fazia com Regina nas dependências da faculdade.
– Regina. — chamou novamente batendo a porta do banheiro um pouco mais forte que antes. — Você já está me preocupando.
Antes que Emma pudesse dizer mais alguma coisa ou tomar qualquer atitude, ela ouve a porta sendo destrancada e aos poucos sendo aberta dando visão a uma Regina com os olhos marejados, e segurava algo que Emma demorou a notá-lo, não deixava de fitar os olhos da Morena.
– E-eu... Eu estou grávida. — disse quase como em um sussuro mostrando o que trazia nas mãos. Emma arregalou os olhos ao ouvir o que sua melhor amiga havia dito, nem sabia se tinha ouvido direito.
– O que você disse? Eu acho que não ouvi bem. — disse Emma estática ainda parada de frente a Regina que também não estava muito diferente da loira, só que bem mais emocionada e assustada.
– Não... Você ouviu corretamente. Deu positivo. Euu comprei esse teste de gravidez ontem. — Sinalizou com a mão esquerda o teste que segurava na mão direita. — Emma, eu estou esperando um bebê. — disse quase sorrindo querendo acreditar nas próprias palavras que lançava.
Emma por sua vez respirou fundo abandonando os livros em cima de uma mesinha que se encontrava por perto, constatando que nem que quisesse poderiam comparecer na faculdade hoje. Pegou Regina pela mão a arrastando até o sofá mais próximo sentando com a morena a sua frente.
– Tem certeza Regina? Olha, nem sempre isso é 100% confiável. Não vamos fazer alarme com isso...
– Isso? Por um acaso ISSO é o seu modo de se referir ao meu bebê? — disse a morena cruzando os braços em torno de sí, deixando claro que o comentário de sua amiga não foi nenhum pouco agradável.
– Regina, seja racional, pelo amor de Deus. E se for um falso positivo? Você não tem garantia de certeza que isso, e eu me refiro ao teste, que esteja certo.
– Eu sei que está certo, estou com duas semanas que meu ciclo menstrual está atrasado, sinto meus seios um pouco maiores que o normal, e sem falar dos enjôos que venho sentindo a dois dias, Emma. Eu tou grávida. — disse tudo agora sorrindo, estava assustada e isso era um fato pois nunca imaginou que em seus plenos 20 anos de idade iria ser surpreendida com uma gravidez não esperada, mas estava contente, afinal sempre amou crianças e sempre desejou ser mãe. — Eu estou louca para contar para o Graham.
– Não se precipite, Regina. Não conte nada a ninguém até termos certeza se essa gravidez é de fato real. — disse Emma pegando uma das mãos de Regina apertando-a. — Eu vou agendar uma consulta médica para você com a Dr° Zelena, o que me diz?
– Acho ótimo, mas ela só vai confirmar o que eu já sei. — disse se levantando do sofá, pegando sua bolsa que antes de tudo isso acontecer, havia deixado em cima da mesa de Jantar da cozinha de Emma.
– Aonde vai? Já perdemos o horário para irmos a faculdade. — perguntou a loira seguindo a outra com o olhar ainda sentada no sofá.
– Eu sei, eu não iria mesmo de qualquer forma hoje. Eu vou me encontrar com Graham, vou contar-lhe que iremos ter um bebê.
– Regina..
– Emma, Graham me ama tanto quanto eu o amo e eu tenho certeza que ele vai amar saber que estou esperando um filho nosso. — disse piscando o olho e já se aproximando da porta de saída do apartamento da Loira.
Emma sentiu naquele momento, após a saída de Regina, uma dor no coração e uma sensação de perda. Sim, iria perder a única pessoa que amava e pior de tudo, amava em silêncio. Foi inevitável deixar que algumas lágrimas brotassem olhando para aquela porta que acabara de ser fechada por aquela que desejava nunca ter saído. Suspirou pesadamente levantando-se do sofá. Não iria ficar em casa sofrendo por alguém que nunca seria sua, e que nunca saberia dos seus sentimentos. Sairia. Mesmo que fosse cedo, desejava beber, beber até esquecer seu próprio nome e de preferência em boa companhia. Pegou seu celular e discou um número já tão conhecido por ela.
Chamou uma vez
Chamou duas vezes
– Ora, Ora. — disse uma voz feminina do outro lado da linha. — O que devo a honra de seu chamado meu doce anjo?
– Cala a boca Elsa, só quero saber... Você está disponível para mim hoje? — disse Emma de forma seca enquanto pegava um casaco e as chaves de seu carro em cima do balcão da cozinha.
– Wow, vejo que minha loirinha doce amanheceu azeda hoje. — zombou sorrindo de forma descarada. — Mas respondendo sua pergunta querida, eu estou sempre disponivel para você.
– Ótimo. Estarei aí em 40 minutos. — disse a loira já fechando a porta atrás de sí.
– Estarei esperando-a ansiosamente. — disse lançando um beijo estalado que fez Emma revirar os olhos sorrindo ao escultar o sonoro beijo.
– Tchau.
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Regina mal podia segurar a ansiedade e a felicidade que carregava dentro de si, estava contente, muito contente. Queria fazer como as crianças que observava brincar no parquinho, queria sair pulando gritando sua felicidade a todos, mas na sua idade, mesmo que tivesse apenas 20 anos, iria parecer inapropriado e iria ser vista como uma louca. E de certo estava louca, mas louca de alegria, amava Graham desde seus 18 anos, mas namorava com ele ás escondidas de seus pais, porque Graham não se encaixava nos padrões de bom partido, segundo eles. Por ser filho de um banqueiro falhido e ser bolsista na faculdade onde estudava. Mas de nada valía isso ao amor que sentia por Graham, o amava como ele era. Um homem carinhoso, sincero, cuidadoso, honesto e livre de apegos materiais. Era o principe que Regina tanto pedia a Deus quando era apenas uma menina. Não se importava muito com a opinião de seus pais. Namorava escondido com Graham somente porque ele assim pediu dizendo que por hora não queria vê-la em problemas com a familia. Mas agora com a Gravidez que Regina estava certa que sim, que esperava um bebê, tudo iria mudar. Sorriu fechando os olhos passando suas mãos ao liso ventre por cima da blusa fina que o cobria. Morria de vontade de conhecer logo a criaturinha que estava se desenvolvendo dentro de seu últero.
De repente sentiu fortes braços envolvendo seu corpo com força, nem se assustou e nem precisou se virar para saber quem era o dono daqueles maravilhosos braços. Em nenhum momento deixou de lado seu sorriso.
– Não existe criatura mais bela no mundo que não seja você. — Disse Graham beijando suavemente o ombro de sua namorada.
– São seus olhos meu amor. — disse suspirando e agora virando-se para encarar aqueles olhos que tanto gostava.
– Os meus e de toda a população residente do planeta terra, tenho até medo que você seja abduzida algum dia, porque os Etês se apaixonarião por você de cara se te vissem agora com esse lindo sorriso.
– Ai deixa de ser bobo. — disse a morena dando um leve tapinha do braço esquerdo do rapaz. — E esse sorriso lindo como você diz é totalmente por sua causa.
Graham sorriu puxando pela nuca sua namorada aproximando seus lábios em um doce beijo que logo foi tornando-se mais profundo. Regina enlaçou seu braços ao pescoço do namorado buscando mais intensidade no beijo. Graham quebrou o beijo afastando-se poucos centímetros dos lábios da morena.
– Creio que temos que nos comportar. — disse sorrindo acariciando o rosto de Regina. — Há muitas crianças aqui e eu não quero ser agredido pelas mães ofendidas. — sussurou ele como se estivesse contando um segredo.
Regina sentiu seu coração desparar ao ouvir Graham pronunciar a palavra "crianças", sentiu a necessidade de contar logo de imediato sobre sua gravidez, mas um repetino medo se fez presente a fazendo recuar por um instante. Graham que havia notado a forma perdida que Regina desenhava no rosto, preocupou-se.
– Gina, está acontecendo algo? — perguntou se afastando para olhá-la melhor.
Regina inspirou profundamente enchendo seu peito de coragem. Deixou o ar sair lentamente junto com suas seguintes palavras.
– Graham, precisamos conversar. Eu tenho algo para te contar. — disse ela se fixando naquele olhar do rapaz que a derretia de mil e umas maneiras.
– Me parece ser sério pelo jeito que você falou. — disse ele puxando-a para sentar em um banco próximo deles e um pouco afastado dos demais olhares das pessoas do parque.
– E é. Muito sério. — disse.
Ele carinhosamente pegou suas duas mãos e as beijou para logo olhá-la com ternura.
– Estou aqui meu amor, estou aqui te ouvindo.
Aquilo foi a força e a coragem que Regina precisava, sorriu para ele com alegria. Ela aproveitou que suas mãos estavam entrelaçadas e então puxou uma das mãos do rapaz levando-a até sua barriga, ele olhava aquilo com estranheza.
– Durante essa manhã... — começou ela sentindo seus olhos se umidecerem. — Durante essa manhã eu descobrí que carrego um símbolo do nosso amor aqui... Aqui dentro de mim. — disse ela pressionando a mão do rapaz em seu ventre como se pudesse fazê-lo sentir algo.
– Regina. — disse ele hesitante tomando uma cor pálida agora. — O que você está querendo dizer com isso? Um símbolo?
– Meu amor. — disse ela acariciando o rosto do rapaz, sorrindo e deixando algumas lágrimas deslisarem por seu rosto. — Eu.. Eu estou grávida. Nós vamos ter um bebê.
Ele arregalou os olhos puxando imediatamente sua mão que estava ainda por cima do ventre de Regina. A atitude do rapaz causou estranheza em Regina, afinal não era bem essa reação que ela estava esperando.
– Quê? — disse quase gritando. — Regina.. Isso não pode ser. Você? Grávida? Como isso... Aconteceu?
– Graham eu...
– Não podemos ter um filho Regina, você tem certeza disso? — disse ele se levantando de súbito e apontando para a barriga da morena transparecendo nitidamente sua confusão.
– Como não podemos? — disse ela olhando seriamente para o rapaz a sua frente. — E é claro que eu tenho certeza, fiz um teste essa manhã e deu positivo. Porque diabos você está assim?
Ele abriu a boca em um "O" caminhando de um lado para o outro passando suas mãos por seus curtos cabelos.
– Regina meu amor, não podemos ter esse bebê. Você só tem 20 anos e eu 22, eu ainda tenho muito pela frente... Eu.. Eu não posso botar tudo a perder por causa de um bebê de última hora. — disse ele nervoso.
– Perdão? Eu não estou entendendo o que você está querendo dizer. Poderia ser mais claro? — perguntou levantando-se igualmente como fez seu namorado minutos atrás. Cruzou os braços a espera da resposta dele. E sentia cada vez mais que de todas as reações, essa era a que ela menos imaginou.
– Eu vou ser um futuro advogado, estou estudando arduamente para isso... E esse bebê nesse momento só irá atrapalhar o meu futuro, o nosso futuro Regina. Pensa bem, você com essa gravidez teria que interromper seu curso de gastrônomia. É isso o que você quer?
Ignorando a pergunta do rapaz e ficando já bem estressada pela atitude dele, Regina se aproxima perigosamente de Graham abandonando completamente a expressão relaxada que trazia no rosto antes daquela conversa. Seu olhar agora trazia outros sentimentos, e nenhuma delas era alegria.
– Vejamos se eu entendi, você não quer ter um filho comigo é isso?
– Sim. Quero dizer, não. — disse ele dando dois passos para trás.
– Não? — disse de forma quebrada ao ouvir as palavras do homem que via como um principe perfeito.
– Não agora. — disse voltando a se aproximar da morena a tomando nos braços em um abraço apertado, ela não recusou mas também não correspondeu. — Temos um futuro brilhante pela frente e esse bebê será um peso, entenda meu lado meu amor. — disse agora se afastado e segurando seu rosto com as duas mãos. Ela o olhava sem expressão alguma, como se agora estivesse de frente a um desconhecido. — Olha... Ainda temos tempo, já que pelo visto a gravidez está no começo e...
– Está sugerindo que eu aborte? — perguntou Regina incrédula.
– Será o melhor a fazermos meu amor.
Ela não conseguia acreditar no que estava ouvindo, não podia, não queria acreditar que o homem que amava tanto estava sugerindo aquilo, propondo um assassinato, porque pra ela seria um assassinato. Afinal estaria tirando a vida de um ser indefeso que não teve culpa da inresponsabilidade dos pais. Ela não faria isso, nem que pra isso criasse aquela criança sozinha.
– Eu não vou tirar a vida do meu filho.
– Regina.. — disse ele tentando se aproximar da morena novamente mas logo foi impedido por um empurrão da mesma.
– Não me toque. — gritou ela atraindo assim alguns olhares.
– Você precisa se acalmar.
– Me acalmar? — riu ela de forma sarcástica. — Você praticamente pede para que eu tire meu filho e quer que eu me acalme?
– Você não entende.. É que...
– Calado. — voltou a gritar. — Eu acreditei que com a noticia de que teriamos um bebê você ficaria feliz e que agora iriamos tomar um rumo diferente na nossa relação, mas pelo visto me enganei redondamente. Meu Deus, quão ingênua eu fui. — disse com a voz embargada pelo choro.
– Regina não fique assim.
Graham tentou novamente se aproximar de Regina levando sua mão ao rosto dela, mas que recebeu em troca outro empurrão.
– Eu já disse, não me toque. Não se aproxime de mim, nunca mais. Pois quem não quer a meu filho, não quer a mim também.
Graham por sua vez sentiu lágrimas rolarem por seu rosto.
– Gina, eu te amo... Me entenda.
– Me ama? — disse ela rindo irônica. — Não me faça rir.
Um policial que estava passando em uma viatura vendo aquela gritaria resolve se aproximar para ver o que se passava com aqueles jovens.
– Há algo de errado? — perguntou o policial atraindo a atenção dos dois.
– Não.
– Sim. — respondeu a morena não desviando o olhar do de Graham. — Eu acreditei em contos de fadas, e cai de cara no chão da pior forma desse sonho. — disse Regina deixando visivel sua mágua.
– Gina, pare com isso. Já chega!
Regina levantou a sobrancelha direita olhando para o Graham.
– Não temos mais o que conversar. — disse se virando para ir embora porém Graham correu segurando o seu braço.
– Ainda não terminamos.
– Terminamos sim, não só esse assunto, mas como todos os que se diz respeito a nós. Me solte. — ordenou ela.
– Não.
– Me solta.
O Policial puxou Graham pelo braço o fazendo soltar Regina de imediato.
– Se a moça não quer conversar com você, respeite-a, ou você prefere ter uma conversinha comigo dentro de uma delegacia?
O Rapaz engoliu em seco, assentindo e vendo ao longe Regina tomando um táxi e partindo. Seu coração estava quebrado, mas não podia e nem queria ter um filho agora.
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Dentro do táxi, Regina não conseguia parar de chorar. Seu coração doía de uma forma que nunca havia doído na vida. Seu cérebro dava nós em confusão. Seus sonhos de menina, foram destruidos da pior forma. Queria morrer naquele momento, só não o fazia por seu bebê que já amava muito. Como podia ter se iludido tanto com Graham? Como podia ele ter dito palavras tão dilacerantes? Como ele podia dizer que a amava e no entanto rejeitava o simbolo desse amor que ele dizia sentir? Como? Essas perguntas davam voltas e voltas na cabeça de Regina sem parar. Sua maquiagem tão impecável já nem mais existia, em seu rosto só havia rastros de suas lágrimas e o tom vermelho da dor que sentia.
– Moça, está tudo bem com você? — perguntou o taxista que a mais de 15 minutos ouvia sem parar os soluços da morena. Ela nada respondeu, porém ele prosseguiu. — A Senhora ainda não me disse para onde devo seguir.
Ela como não queria e nem conseguia dizer uma palavra, abriu a bolsa entregando um cartão com um endereço escrito, e ele logo entendeu que era naquele lugar que ela queria ser deixada. Voltou seu olhar para as avenidas e seguiu o caminho.
O Percusso durou cerca de 20 minutos. Regina desceu do táxi deixando algumas notas para o taxista que dizia que aquilo era mais do que a corrida pedia, mas ela nem se importou. Entrou dentro do prédio, sem se importar com alguns olhares que lhe recairam. Tudo o que ela queria naquele momento era um abraço da pessoa que ela amava tanto. Sentir-se protegida. Entrou no elevador pulsando o número do andar desejado. Uma músiquinha insuportável começou a tocar a fazendo ficar mais irritada. Deu graças a Deus quando as portas metálicas se abriram.
Procurou por dentro de sua bolsa uma chave. Ao encontrar, destrancou a porta e fechou com cuidado após entrar. O apartamento estava em silêncio, o que era quase raridade.
– E-Emma? — conseguiu chamar caminhando por todo o apartamento. — Emma? Você está aqui?
Recebeu somente o silêncio como resposta. Entrou no quarto da Loira e deitou-se na cama da garota Swan respirando aquele perfume aromatizado com chocolate e canela. Desatou a chorar novamente, desejando muito ter sua melhor amiga abraçando-a.
Resolveu esperá-la deitada mesmo. E depois de muito chorar, desabou em um sono apertando em seus braços, a coelhinha de pelúcia de Emma.
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