Sweet Epiphany
1 World of Heroes
Notas iniciais
Eu estou trabalhando nessa ideia e nesses personagens faz alguns meses agora, e confesso que estou muito feliz por TFAWS ter me dado espaço para adaptar meu enredo.
Então, espero que se divirtam tanto lendo essa minha "Epifania", quanto eu me diverti escrevendo.
Vou deixar link de trailer, playlist e artes no final, mas não se esqueçam de ler as notas na pagina inicial.
Boa leitura!

Makayla Devinne cresceu em um mundo de heróis.
Isso devia ser reconfortante. E foi... por um tempo. Por toda a infância ela ouviu histórias sobre esse homem extraordinário, um nobre soldado que se tornou um herói, um símbolo de esperança para o seu país. Peça decisiva na segunda guerra, ele se sacrificou para que os Estados Unidos vencesse, se perdendo para sempre em um mar congelado.
Capitão América.
Makayla dormia com suas histórias, colecionava suas figurinhas e tinha uma pelúcia com a forma de seu escudo. Ela comparecia a eventos para veteranos com a família e perguntava aos mais velhos sobre ele...
Aos onze, no entanto, Makayla encontrou um novo ídolo, um herói moderno, um bilionário com uma armadura super tecnológica que arriscava a vida para reparar os danos que ele mesmo tinha causado, quando era ingênuo e inconsequente o bastante para financiar guerras.
Homem de Ferro.
As histórias para dormir se tornaram entrevistas e vídeos no youtube, as figurinhas deram lugar aos pôsteres e fotos autografadas compradas no e-bay com a ajuda de seu irmão mais velho. A pelúcia passou a repousar ao lado de alguns funkos. E os eventos de veteranos se tornaram fóruns com outros fãs.
A vida era boa. Era um mundo de heróis afinal. As notícias sensacionalistas de um robô gigante e um martelo mágico no Novo México sequer assustavam, sequer recebiam crédito. Teoria da conspiração e pegadinhas.
E então vieram os aliens...
O céu de Nova York se abriu e o caos tomou conta da cidade, a verdade inegável foi escancarada para o mundo. Eles não estavam sozinhos no universo...
Os heróis apareceram para salvar o dia. Capitão América regressou triunfante no momento em que o mundo mais precisava dele, ele estava lutando lado a lado com o Homem de Ferro, os dois ídolos da pequena Makayla, juntos, e haviam trazido amigos.
Os Vingadores...
Nada poderia dar errado, com certeza eles salvariam todo mundo.
E eles salvaram, eles venceram.
Mas naquele dia Makayla perdeu.
Ela e o irmão estavam em Nova York, ele tinha acabado de voltar de uma incursão muito bem sucedida no Iraque. Estavam comemorando, tomando sorvete de coco na sorveteria preferida da menina quando o céu se abriu.
Cameron Devinne-Kennedy morreu naquele dia.
Seu corpo ficou jogado no meio da rua, atravessado por uma lança alienígena, enquanto os heróis que Makayla tanto amava estavam há apenas alguns quarteirões dali.
Eles nunca estiveram tão perto. Mas nunca ficaram tão longe.
Os Vingadores falharam com ela...
A pequena garota de apenas treze anos esqueceu as histórias, apagou as entrevistas, jogou fotos e posters no lixo, abandonou pelúcias e funkos em uma caixa velha no sótão.
Quem se importava com heróis afinal?
O mundo tudo se importava. Mais do que nunca.
Enquanto a popularidade deles crescia, Makayla tentava superar e seguir em frente. Mas aquela família estava quebrada demais pra isso...
Makayla começou a desconfiar que eles já estavam quebrados desde sempre... E era culpa dela. Como não seria? Ela era o fruto de um relacionamento extraconjugal. A filha de uma mulher qualquer que apareceu quando um casamento estava em crise, embora ela não fosse a prova de uma traição, Makayla era o lembrete de tempos ruins e, acima disso, ela sempre seria criança que matou a mãe ao nascer e que teve que ser criada pela esposa.
E por mais que Emma Kennedy cuidasse da garota como sangue de seu sangue, sobrevivia ali uma ferida não cicatrizada que se abriu com a morte do filho pródigo.
Porém Makayla não a culpava, como ela poderia culpar a única mãe que conheceu?
E por isso, dois anos depois, quando a organização secreta mais importante do país foi exposta pelo Capitão América como um antro de nazistas, a guerra estourou dentro da casa dos Devinne-Kenedy também. Emma, a mãe, ainda era rancor e raiva, enquanto Danniel, o pai, era perdão e compreensão para com aqueles que vestiam máscaras e tentavam salvar o mundo. Dois lados de uma mesma moeda, nenhuma trégua nas brigas diárias.
O inimigo era apenas uma sombra dentro daquela casa, os heróis de alguma forma conseguiram se tornar o centro da vida de Makayla — de um jeito muito ruim — e ela estava farta. Quinze anos. Ela precisava desesperadamente de outros ares; intercambio, viagens, qualquer coisa que lhe afastasse do lugar que ela devia chamar de lar.
Talvez o conflito fosse evitado se Makyla não estivesse lá como lembrete constante das maiores dores daquela que ela sempre amaria como sua verdadeira mãe...
O tempo passou rápido demais, prestes a fazer dezessete, Makayla tinha encontrado um jeito de honrar seu irmão e fazer algo pelo mundo; casas populares na costa Africana, sempre nas férias e fins de semana prolongados, ela e alguns amigos muito próximos se dividiam entre os estudos e esse serviço comunitário. E Makayla amava. Assim como amava seu primeiro namorado Kaleb. Paixão adolescente cheia de hormônios e planos.
Pena que nenhum daqueles planos juvenis previu o que estava por acontecer. Nenhum deles imaginou que os heróis estariam tão perto em uma missão para deter um robô homicida e super inteligente... Também não imaginaram que algo pudesse descontrolar o Hulk.
Makayla sobreviveu, mas perdeu todos os amigos mais próximos naquele dia, e perdeu o namorado também...
Não foi culpa direta do Hulk, nem do robô gigante que o Homem de Ferro usou para parar o amigo, foi um efeito colateral. Um prédio desabou por causa dos tremores.
Quem poderia prever?
Naquele ano ela assistiu do hospital enquanto os Vingadores tentavam salvar uma cidade inteira que flutuava no ar, prestes a despencar, depois de eles mesmos serem responsáveis pela criação de uma inteligência artificial assassina. Mas Sokovia teve suas baixas também, e assim Emma Kennedy encontrou uma oportunidade de afundar no trabalho, para resolver um problema que até aquele momento só existia na cabeça dela...
Enquanto isso, pelos anos seguintes, Makayla mergulhou fundo da autodestruição e no pior que a adolescência tinha para oferecer; péssimas companhias e álcool; qualquer coisa que afogasse a culpa de ter sobrevivido enquanto todo mundo que ela amava parecia morrer ao seu redor. Ao mesmo tempo, Danniel Davinne, se esforçava para ser a salvação que aquela família destruída precisava, lutando para manter tê-los unidos por quanto tempo fosse possível.
Não demorou tanto para que os esforços dele se provassem inúteis...
O estopim foi externo, veio do mundo heróico que lá fora era exaltado por todos, e que causava diariamente uma guerra dentro de casa. Um andar inteiro explodiu em um incidente envolvendo os Vingadores, enquanto a mídia culpava Wanda Maximoff, Emma culpava todos os que tinham qualquer habilidade.
Makayla viu dois lados se prepararem para a guerra, dentro de casa e fora dela.
Danniel Devinne era contra o governo, defendendo os Vingadores em seu podcast semanal e no programa de televisão do qual era apresentador. Emma Kennedy naquele momento era o governo, trabalhado direta e incansavelmente em algo chamado "Acordo de Sokovia", uma lei que obrigaria todos os indivíduos com habilidades ou equipamentos especiais a prestarem contas diretamente para os políticos no poder.
Enquanto os Vingadores brigavam sobre assinar ou não o acordo, Danniel e Emma se preparavam para assinar o divórcio. Quando a mídia começou a noticiar a separação dos heróis, Makayla já estava bem no meio do fogo cruzado.
Pelos próximos anos ela foi bombardeada com argumentos vindos dos dois lados; Emma, a única mãe que ela conheceu e amava, dizendo que todas as pessoas com poderes eram perigosas. Danniel, o melhor pai do universo, se desdobrando para explicar para a filha — e para todos os seus espectadores assíduos — porque o Capitão América estava certo e por qual motivo o homem conhecido como "Soldado Invernal", acusado de estourar a segunda bomba em Lagos, era inocente.
De um lado a lei e o governo na imagem de uma mãe. Do outro um pai, suas convicções ferrenhas e tudo aquilo que parecia mais justo. Era como se a batalha para convencer Makayla de suas próprias verdades fosse torná-los vitoriosos naquela guerra interna que não terminou mesmo com o divórcio.
E como Makayla escolheria entre duas pessoas que amava? Como escolher um lado sendo que aquela era a única família que ela ainda tinha?
As inúmeras perguntas sem resposta eram tudo que existia em sua mente...
A destruição e perigo causados pelos Vingadores compensava aquela proteção limitada que não foi capaz de salvar o seu irmão, seu namorado ou seus amigos?
O risco e prejuízo que aquelas habilidades e aparatos representavam para pessoas e patrimônio público, justificava o fato de haver uma lei que os tratava como objetos e tirava-lhes a liberdade?
O que era justo? O que era certo?
Mesmo com vinte anos completos, Makayla ainda não sabia responder essas questões. Então ela nunca tomou partido... Ela não queria saber do governo, não queria saber dos heróis.
Ela só queria paz e quem sabe um pouquinho de felicidade...
Foi então que invadiram o planeta de novo. A Terra devia saber que uma hora ou outra os alienígenas voltariam. A população teria que confiar nos Vingadores outra vez, mas será que um grupo quebrado podia proteger todo o universo?
Makayla estava na estrada, fugindo da cidade por uma rota alternativa com seu pai no banco do passageiro quando aconteceu...
A sensação estranha começou no centro do seu peito, ela pôde ver suas próprias mãos virando pó sobre o volante, ela ainda conseguiu ouvir os pneus e ver o carro capotar antes que tudo ficasse escuro.
Um piscar de olhos.
E simples assim Makayla estava na estrada outra vez, sozinha no meio da rodovia deserta. Foram cinco segundos pra ela, mas foram cinco anos para todo o resto.
Uma vez mais os Vingadores tinham vencido, uma vez mais eles tinham salvado o mundo. E uma vez mais Makayla Devinne havia perdido.
Seu pai não foi blipado junto com ela. Danniel permaneceu no carro. O mesmo carro que capotou sem uma motorista. Ele não resistiu aos ferimentos.
Ele estava morto há cinco anos. Mas para Makayla era como se tivesse abado de acontecer...
Emma Kennedy teve todo aquele tempo para lidar com luto e pra trabalhar contra qualquer ser considerado diferente. Makayla teve apenas algumas horas pra processar tudo aquilo, antes de descobrir que o blip havia feito muito mais do que apagá-la da existência por cinco anos.
Algo estava diferente dentro dela.
Mutação genética? Efeito colateral? Magia? Destino? Maldição? Loucura?
Mil perguntas e nenhuma resposta, a única coisa que Makayla sabia é que podia vislumbrar a mente alheia com um toque.
Um simples toque...
Ela se tornou aquilo que a única pessoa restante de sua família caçava.
Ela se tornou diferente.
Sozinha, assustada, perdida. Makayla estava totalmente sem rumo... E então ela o conheceu.
Uma coincidência tola. Um toque desavisado. Uma conexão instantânea. Uma vida inteira que não lhe pertencia dentro de sua mente. Um par de olhos gélidos.
Bucky Barnes.
De repente Makayla não estava mais perdida, de repente ela não tinha mais dúvidas sobre certo e errado.
Como em uma Doce Epifania as coisas se tornaram claras como nunca.
Tudo por causa dele.
Se um dia alguém decidisse escrever uma história sobre isso, com certeza começariam dizendo que um único toque foi capaz de mudar tudo...
Makayla Devinne cresceu em um mundo de heróis, mas sua vida só começou a fazer sentido, quando ela conheceu um homem que não se considerava e nem queria ser um herói.
Notas finais
Playlist: https://open.spotify.com/playlist/0NtahbVzrhEmJaI4gJXGbS
Cast e artes: https://ibb.co/album/fQRjPK
E começamos bem (mal) com a coitada da Makayla mergulhada na tragédia. Se você me conhece de outras histórias sabe que eu só tenho um lema: Sofrimento garantido ou seu dinheiro de volta kkkkkk.
Esse primeiro parece apenas um compilado de uma vida bem atribulada, mas acreditem muitas dessas informações são o guia da motivação de alguns personagens durante toda a história.
No próximo vamos fazer nosso futuro casalzinho se conhecer nas esquinas da vida...
Nos vemos em breve!
Beijos e até!
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