Notas iniciais
Cheguei, calma, respirem. E nem demorei tanto assim (nem deu uma semana gente kkkk) O capitulo tá ENORME são mais de 15 mil palavras, então boa sorte com isso (e desculpa). Se eu puder indicar uma música eu diria pra vcs ouvirem é Vulnerable - Tinhashe - Dave Luke Remix (link nas notas) agora se vocês quiserem o clima completo podem ouvir a playlist que eu fiz especificamente pra esse capitulo com várias outras músicas, o link vai estar nas notas também. Acho que é só isso, Boa leitura!

O ambiente todo cheirava a nicotina, a fumaça de cigarro subia no ar, se mesclando aos tons das luzes que piscavam frenéticas como se acompanhassem o ritmo da batida da música, que fazia com que os corpos se mexessem por toda a parte, se amontoando na pista, se encostando, dançando juntos. A animação era quase obscena e o lugar inteiro, — ao menos pra Bucky Barnes, — parecia claustrofóbico, mesmo que ele estivesse afastado do conglomerado de pessoas, apoiado no balcão do bar, com um copo de whisky nas mãos.

Não era assim que se lembrava de festas.

Claro que, como Soldado Invernal, já estivera em lugares exatamente como aquele, porém, naquela época, Bucky não conseguia se importar com o que acontecia ao seu redor, não tivera oportunidade de realmente entender o que estava vendo...

Um caos completo. Aquela barulheira era mesmo música?

Estava vestido de acordo, uma exigência de Sharon para que ninguém chamasse a atenção, não que Bucky realmente visse algum problema em se vestir bem. Estava completamente de preto; calça jeans, botas, uma camiseta justa e um terno por cima. Não usava luvas, ali em Madripoor não havia necessidade de esconder quem era, além disso, ninguém prestaria atenção nele, porque estavam todos ocupados demais dançando, bebendo e se entretendo de outras formas por toda a parte...

— Como você consegue ficar com essa cara no meio de uma festa? — Sam questionou, estava parado ali ao lado com uma cerveja na mão, batendo o pé no chão e movendo a cabeça mais ou menos no ritmo do que tocava.

— Não estamos aqui pra festejar. — Bucky se limitou a responder.

Para ele era quase um ultraje terem que ficar uma noite inteira parados ali, esperando, enquanto haviam super soldados soltos no mundo e um cientista produzindo um soro que não devia mais existir. Barnes só queria resolver tudo aquilo de uma vez.

— Eu sei, mas enquanto esperamos podemos aproveitar o tempo. — Wilson deu de ombros descontraidamente.

Bucky não respondeu, apenas se limitou a tomar um gole de seu whisky e encarar tudo ao redor com olhos críticos. Vários casais se beijavam na pista da forma mais indiscreta possível, a aura sexual do lugar era evidente, mesmo em bordeis, preparados para receber soldados no meio da guerra, o clima não era tão libertino quanto aquele ali, naquela festa de Madripoor.

— Olha só, cara, se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que, se esperamos a hora certa pra nos divertimos um pouco, não vamos nos divertir nunca. — Sam comentou neutro, atraindo o olhar de Barnes por um segundo. — A vida não vai parar pra você festejar, temos que aprender a fazer isso entre um problema e outro, e então, depois de um tempo, a coisa toda deixa de ser uma sucessão de problemas e passa a ser alguns contratempos no meio de toda a diversão.

— Seu otimismo é irritante... — Bucky declarou, porque não conseguia ter aquela visão tão leve da vida.

— Alguém tem que ser otimista aqui, porque você com certeza não vai ser. — Wilson rebateu como se fosse a coisa mais óbvia.

Barnes desconsiderou isso, mesmo sabendo que era a pura verdade. Nunca seria do tipo otimista, já vivera merdas demais pra acreditar nessa ilusão... Tudo sempre dava errado e, cedo ou tarde, acabava em uma luta.

— Devíamos aproveitar e falar com as pessoas. Conseguir informações. — Sugeriu, ficar ali parado vendo o tempo passar lhe tirava do sério.

— Sharon vai fazer isso. — Sam respondeu simples.

— Quando? — Bucky estava um tanto irritado. Mais que o normal talvez.

— Quando a oportunidade surgir. — O outro rebateu de forma calma e ponderada. — Por enquanto estamos em uma cidade estranha, sendo caçados por um assassinato que não cometemos e procurando um cara que é o protegido do rei desse lugar. — Ele focou os olhos em Barnes para dar mais ênfase ao seu ponto. — Não podemos criar uma guerra na ilha, temos que ser discretos.

— Estamos perdendo tempo... — O suspiro pesado e frustrado era o reflexo de tudo que Bucky sentia naquele momento.

— Não vai ser perda de tempo se você fizer algo útil com a sua noite. — Sam rebateu com um encolher de ombros casual.

— Então qual é o plano? — A esperança brilhou nos olhos azuis de Barnes, talvez pudessem conseguir as informações e ser discretos ao mesmo tempo, quem sabe até acabassem com tudo aquilo aquela noite mesmo. — Podemos tentar voltar naquele prédio e...

— Eu não estava falando disso, cara. — Sam ergueu um dedo em riste para interromper. — Esquece a missão. Divirta-se. Você provavelmente precisa, porque está sempre estressado.

— Eu não estou sempre estressado. — Bucky rebateu, engolindo um pouco mais de whisky de forma irritada.

— Sim, você está, James... — A outra voz masculina veio de sua esquerda. Zemo também estava ali com eles, bebericando um drink qualquer daquele jeito pomposo que tinha sempre.

— Ninguém está falando com você. — Barnes retrucou um tanto grosso e seco.

— Viu? Estresse! — Sam apontou, com o mesmo entusiasmo de quem ganha uma aposta. — Quanto tempo faz que você não vai a uma festa, Buck?

Barnes não respondeu, apenas encolheu os ombros com desdém como quem diz “sei lá”, porém é claro que ele sabia exatamente quanto tempo fazia. E, infelizmente, Sam também adivinhou...

— Espera... você não foi a nenhuma festa desde que conseguiu sua mente de volta, certo?

— Eu não gosto de festas. — Bucky respondeu com desdém, escondendo seu rosto no copo de whisky quase vazio.

— Besteira. Steve dizia que você sempre amou festas. — Wilson rebateu acusatório e Bucky se limitou a fazer uma expressão ainda pior e mais séria.

Quando Steve Rogers tinha virado um fofoqueiro?

— No tempo do James as festas não eram assim. — Zemo opinou, como se fosse o detentor de toda a verdade do mundo. — As pessoas também não eram, imagino que isso seja intimidador.

— Não sou do tipo que fica intimidado. — Barnes retrucou, enfrentando o Barão com um olhar gelado.

— Quando se trata de sedução, não importa o seu tamanho ou a sua força, algumas coisas serão sempre intimidantes. — O sokoviano devolveu com aquele jeito educado e didático demais.

— E quem é que está falando de... — Bucky ainda estava no meio da frase quando foi cortado por Sam.

— Espera. Esse é um bom ponto! Com quantas pessoas você esteve desde que recuperou seu corpo e sua mente?

Estava bem claro o rumo que a conversa estava seguindo e isso era a última coisa que Barnes queria.

— Isso não interessa. — Respondeu de cabeça erguida, fazendo um sinal para que o barman lhe trouxesse outro whisky, virando o último gole em seu copo e o batendo no balcão, indicando que a conversa estava encerrada. — Você tem a sua vida pessoal e eu tenho a minha, não vamos ter essa conversa.

Sam o analisou com um olhar perspicaz, para então abrir um sorriso debochado.

— Você não esteve com ninguém, não é?

— Claro que estive, fui em encontros e tudo. — Bucky retrucou, encarando Wilson nos olhos com a convicção de quem estava falando a verdade. Tinha ido mesmo em um encontro, acabou mal, verdade, mas ele foi, isso que importava.

— Não acho que é desse tipo de “estar” que o Sam está falando. — Zemo opinou, como se tivesse sido chamado na conversa e é claro que isso irritou Barnes além do limite.

— Eu, com certeza, estive com mais pessoas que você, que estava trancado em uma prisão de segurança máxima. — Enfrentou o Barão com certa presunção misturada a sua acusação.

Zemo, no entanto, em nada pareceu ofendido com aquelas palavras, na verdade o homem se encontrava no auge de sua calma.

— Ficaria chocado com as coisas que acontecem nesses lugares. — Respondeu apenas, sorvendo sua bebida com a pose de um lorde inglês.

Bucky e Sam trocaram um olhar repentino, mas negaram no mesmo momento, como se ambos compartilhassem do mesmo desejo de não entender ou imaginar aquilo.

— Eu não vou ter essa conversa com vocês. Não mesmo. — Barnes decretou com o dedo em riste, recebendo sua nova dose de whisky.

Ele voltou a se encostar no balcão quando os dois homens ao seu lado ficaram em silêncio finalmente. Em algum momento de sua vida Bucky tinha sido o cara divertido que com certeza riria daquela conversa e provavelmente teria o humor igual ao de Sam. Suas piadas costumavam deixar Steve encabulado... Mas essa parte de si havia se perdido no tempo, Barnes gostava de dizer a si mesmo que estava velho demais pra isso, porém, se fosse honesto, talvez nada tivesse a ver com a idade e sim com a vida em si; o gelo, o sangue, as mortes e a dor tinham transformado Bucky em algo tão áspero e seco quanto um cacto.

Encheu o pulmão de ar e soltou lentamente, enquanto sorvia um gole de bebida e encarava as pessoas na pista... A festa de Sharon estava movimentada; o lugar era enorme, localizado em uma cobertura duplex com um ostensivo salão de festas que se dividia em alguns ambientes distintos, ali no piso principal havia a pista de dança e os bares. A direita de Bucky, uma escada levava ao mezanino onde várias obras de arte estavam expostas, além disso dali seria possível acessar algumas salas privativas que, se Bucky havia contado bem, eram sete ao todo, era também dali que se encontrava a entrada do lugar, de modo que qualquer pessoa que quisesse acessar a pista de dança ou o bar teria que descer pelas escadas. Todo o ambiente era enorme e ele não podia deixar de se questionar como Carter havia alcançado tudo aquilo...

Aquelas obras de arte eram coisa de gente poderosa, não de uma simples traficante.

— Então você não transou com ninguém desde os anos 40? — Sam perguntou do nada e só então Bucky notou que estava sendo observado por todo aquele tempo. Sua surpresa com aquela ousadia acabou fazendo com que seus pensamentos sobre Sharon se perdessem.

— Isso explica muita coisa... — Zemo declarou, movendo a cabeça de forma afirmativa, como alguém que finalmente entende um enigma.

— Não estou ouvindo vocês. Nenhum dos dois. — Bucky se limitou a dizer, encarando a pista como se houvesse algo ali que fosse mesmo capaz de capturar sua atenção.

Agora eu entendo o mal-humor, o estresse, a chatice crônica... — Wilson enumerou enquanto ria. — Buck, sem ofensas, você precisa transar, cara, sério.

— E você precisa cuidar da sua própria vida. — Barnes retrucou irritado.

— Eu cuido, pode ter certeza que eu não fiquei na seca todos esses anos, na verdade nem nesses seis meses. — O sorriso de Sam era pura presunção. — Eu sou muito popular com as garotas.

— E eu não ligo a mínima. — Outra resposta atravessada, Bucky considerou sair dali, mas isso daria a vitória para os dois intrometidos, por isso permaneceu onde estava.

— Eu falo sério... — É claro que Wilson não desistiu. — Sexo casual é a melhor coisa desse século, melhor que Ifood.

— Eu não gosto do Ifood. — Barnes declarou seco, cogitando as implicações de quebrar o nariz de Sam, será que ele ainda poderia lutar com super soldados com a cara toda inchada?

— Viu? É desse comportamento que eu estou falando. — Wilson apontou divertido. — Você tem a oportunidade de ouro aqui, Buck, Madripoor é tipo uma Vegas. Vamos lá, vamos te arranjar um rolo de uma noite sim! Prefere mulheres ou homens? — Ele bateu as costas da mão no ombro de Bucky e ganhou um olhar assassino em resposta, mas não ligou nadinha pra isso. — Ah menos que você realmente esteja apaixonado e nesse caso prefira a Makayla.

— Eu não estou apaixonado por ela, somos apenas amigos. — Barnes negou com um mover de ombros, ainda não sabia qual das indiscrições de Sam era pior, além disso, como todo mundo simplesmente adivinhava que ele também gostava de caras?

Não era tão óbvio assim...

E, mesmo que Sam estivesse certo em suas duas teorias, Bucky preferiu negar. Sim, estava apaixonado por Makayla, sabia disso, mas não era hora nem lugar para lidar com aquilo. Além disso, não queria pensar nela, não confiava em si mesmo quando estava com aquela garota na cabeça.

— Uau, você tem amigos? Isso é novo pra mim. — Wilson riu, mas logo sua expressão virou um sorriso ardiloso. — Quer saber outra coisa muito legal desse século?

Bucky respirou fundo e virou o copo de whisky de uma só vez, fazendo um sinal para conseguir outra bebida com o barman. Queria que pelo menos o álcool fizesse efeito.

— Você vai falar de todo jeito, não vai? — Encolheu os ombros derrotado.

— Se chama “amizade colorida”. — Sam explicou e seu sorriso já dava indícios que nada bom viria dali. — Você pode ser amigo de alguém, dar uns bons pegas nessa pessoa e continuar amigo, sem neura, sem compromisso, sem ficar estranho. Não é perfeito?

Bucky viu exatamente qual era o ponto e sua mente fez questão de lhe dar uma imagem bastante didática sobre a ideia, algo que ele descartou imediatamente.

— Eu sei onde você quer chegar, engraçadinho. — Deu um sorriso irônico para Sam. —Makayla e eu não temos e nem vamos ter nada, além disso, ela é muito nova pra mim.

Talvez Barnes estivesse dizendo aquilo em voz alta apenas para convencer a si mesmo, porém ninguém precisava saber disso...

— Todo mundo é muito novo pra você, James, você tem mais de cem anos. — Zemo se meteu de novo e antes que Bucky pudesse retrucar a altura, Sam foi mais rápido.

— Ele tem um ponto. — Apontou divertido. — A menos que você resolva virar amante da rainha da Inglaterra, você sempre vai ser muito mais velho.

Wilson caiu na gargalhada por causa da própria piada, mas Bucky não compartilhava desse humor.

— Não tem graça. — Declarou, revirando os olhos e se virando para o outro lado, esperando que isso fosse o bastante para colocar um fim naquela conversa tosca de uma vez por todas, já que os outros dois homens tinham ficado em suas costas, assim como as escadas.

— Na verdade tem sim, ela é muito velha. — Sam, obviamente não desistiu, e logo já tinha dado alguns passos para ficar na frente de Bucky.

— Eu sei quem é a rainha da Inglaterra. — A resposta irritada fez apenas com que Wilson risse ainda mais.

— É claro que sabe, essa é a prova de que ela é muito velha! — Ele devia se achar muito engraçado, mas causou apenas outro revirar de olhos em Bucky.

Na verdade, se tivesse que colocar em palavras, Barnes nem saberia qual era exatamente o problema. Estava de fato muito mais irritadiço e tenso do que era normalmente, e mesmo seu mau-humor havia alcançado níveis alarmantes. Preferiu aceitar que era apenas um efeito colateral da missão, de Madripoor, dos super soldados e, é claro, de ainda ter um idiota andando por aí com um escudo que não lhe pertencia.

Afinal, se não fosse isso, ele teria que dar razão a Sam e admitir que talvez o problema fosse a tensão sexual acumulada por todo aquele tempo... O que provavelmente era mesmo uma explicação muito boa, a julgar por todos os efeitos catastróficos que Makayla Devinne causava em seu corpo.

Mas não queria pensar nela ou em nada daquilo naquele momento, talvez quando voltasse para Nova York, quando todos os problemas urgentes estivessem resolvidos, Bucky finalmente se permitiria ponderar o que devia fazer com os sentimentos conflitantes que nutria por aquela garota, antes disso não. Precisava focar na missão.

Deu um gole em seu whisky, sentindo o amargor no céu de sua boa e o ardor queimar sua garganta, encarou o liquido dourado no copo então, o cotovelo apoiado no balcão de forma displicente, e apenas um dos pés segurando seu peso, por que ainda bebia aquelas merdas se sabia que não fariam efeito?

— Mas então, a Makayla... — Sam começou, como se tivesse puxado a garota da mente de Bucky. — Ela é bonita, por que não investe?

— Já falamos sobre isso. — A resposta veio em um tom cansado, Barnes sequer se deu ao trabalho de erguer o olhar de seu copo.

— Então você não está afim dela? — O interrogatório continuou, Bucky teve a noção que algo havia mudado no tom de Wilson, mas não deu real atenção para isso.

— Não. — Respondeu, embora sua mente tenha dito o exato oposto.

— Então mesmo que ela aparecesse aqui vestida de Afrodite, você não ficaria balançado? — A hipótese fez com que Bucky franzisse as sobrancelhas, sua mente se perdendo em uma imagem de Makayla em um lugar como aquele.

Graças a Deus ela havia negado o convite de Sharon.

— Claro que não. — Repetiu tentando passar uma convicção que não tinha.

Imaginar Makayla ali, com aquelas calças extremamente coladas que ela usava normalmente, fez com que a boca de Bucky ficasse seca de repente. Ele bebeu um longo gole de whisky, como se quisesse afogar os próprios pensamentos.

— Tem certeza? — Sam sem dúvida estava se divertindo com aquelas hipóteses. — Se ela estivesse tão linda que todos os homens do lugar quisessem tentar a sorte com ela, você não ia ficar morrendo de ciúmes?

— Isso não tem o menor cabimento. — Barnes rebateu, sentindo todo seu corpo ficar tenso com a simples possibilidade. — Já falei, somos amigos, não faria nenhum sentido ter ciúmes dela.

E ele sabia disso, de verdade, entendia que ter ciúmes era ridículo, ainda mais quando não havia sequer um relacionamento para embasar essa atitude, no entanto, saber e impedir a si mesmo de sentir isso eram duas coisas completamente diferentes.

— Se você está dizendo... — Sam moveu os ombros em displicência no mesmo instante em que Bucky erguia a cabeça. — Só mais uma pergunta, como anda a saúde do seu coração?

— O que? — As sobrancelhas de Barnes se franziram de modo confuso e só então ele se deu conta que Sam tinha os olhos presos em um ponto atrás de si.

— Porque acho que você é velho demais pra isso e com certeza vai precisar de um cardiologista... — Wilson apontou e Bucky seguiu aquela direção com a cabeça, virando um pouco o corpo para o lado oposto.

Não foi preciso procurar muito, porque seu olhar foi atraído para a figura feminina que descia as escadas naquele instante. Bucky parou de respirar. As luzes iluminaram Makayla Devinne como se fosse um anjo descendo do céu, o que era muito irônico e contraditório, porque ela era própria tentação encarnada naquele momento.

Barnes podia jurar que a garota tinha o poder de desacelerar o tempo, porque essa era a única percepção que cabia no instante, tudo lento, desfocado, apenas Makayla no centro do mundo, uma deusa entre mortais. Sua pele brilhando sutilmente, e cada parte do corpo exposta ainda mais evidente no contraste com o vestido.

Se é que aquela peça poderia ser chamada de vestido...*

Bucky nunca tinha colocado os olhos em nada tão erótico em toda a vida, ou talvez fosse apenas o fato da peça estar no corpo de Makayla, contornando cada curva com a suavidade de uma carícia, que fazia tudo parecer deliciosamente obsceno. Seu tom levemente metálico, ora roxo, ora azul, a depender da incidência da luz, aumentava ainda mais o fascínio que o vestido exercia; era curto o bastante para que fizesse Barnes questionar sua própria sanidade e, pra piorar, havia uma fenda do lado direito, deixando ainda mais exposta uma das coxas femininas.

Se as calças extremamente apertadas de Makayla eram uma coisa difícil de ignorar, suas pernas nuas eram quase tortura.

Os tênis surrados haviam dado lugar a uma sandália de salto altíssimo, um pouco mais fechada na frente e no calcanhar, em um tom de prata suave e, por algum motivo, Bucky achou a delicada tira que contornava o tornozelo feminino e fechava o calçado um detalhe extremamente sensual...

Porém, toda a parte de baixo foi um tanto ofuscada quando os olhos azuis gélidos se ergueram um pouco mais; o vestido subia apertado na medida certa, marcando a cintura até se soltar em um decote profundo composto pelo caimento do tecido. E, se o contorno dos seios perfeitos de Makayla já não fosse motivo o bastante para atrair todas as atenções para aquele ponto, ainda havia um tipo de joia adornando aquele lugar, pequenas correntes prateadas, finas e delicadas, que desciam entre o vale dos seios e se se perdiam em algum lugar abaixo deles.

Puta merda! O fluxo sanguíneo de Bucky estava indo para o lugar errado naquele momento, ele podia sentir partes bem específicas de seu corpo formigarem.

— Eu suponho que isso será algo muito divertido de ver. — Zemo murou de repente, mas Bucky estava tão focado em Makayla caminhando na direção deles que sequer ouviu.

— Se você quiser um babador eu posso te arrumar... — O cotovelo de Sam empurrou o braço de Barnes depois de um sussurro, e só então ele notou que estava com os lábios parcialmente abertos.

Teve tempo apenas de fechar a boca, respirar fundo e engolir em seco antes que os olhos tempestuosos encontrassem os seus. Makayla usava uma maquiagem escura que destacava o azul de suas íris e deixava seus cílios ainda mais compridos; seus lábios estavam tingidos em um tom sutilmente mais escuro que o natural... Ela estava maravilhosa.

Se Bucky já tinha, alguma vez em toda sua longa vida, pousado os olhos em uma pessoa mais linda, ele simplesmente esqueceu disso naquele momento. Só havia Makayla ali, ele era incapaz de tirar os olhos dela.

Conforme a garota se aproximava sua atenção foi de Bucky para Sam, ela parou longe demais, há uns dois metros de Zemo, ali no balcão do bar.

— Oi. — Acenou para ninguém em particular.

— E aí? — Sam correspondeu casualmente.

Bucky não conseguia se mover, seu estômago estava estranho, congelado e afoito ao mesmo tempo, ele achava que, se tentasse qualquer coisa, simplesmente cederia a ideia insanamente tentadora de cortar o espaço até Makayla apenas para grudar os lábios nos dela, sem se importar com quem estivesse vendo. O desejo avassalador em suas veias mandava mensagens confusas para a mente dele; lamberia cada parte exposta daquele corpo se pudesse.

Makayla passou seus olhos tempestuosos por Barnes, devagar, intenso e sedutor, aquilo fez com que as calças dele começassem a ficar incômodas de uma forma que não era certo, não tão rápido, não em público, não por causa de um vestido e um olhar... Bucky fechou os dedos contra a borda do balcão em que estava apoiado, como se isso pudesse lhe salvar de se jogar direto no fogo do inferno, mesmo que naquele instante fosse bastante tentador se queimar.

— Senhorita... — Zemo cumprimentou também e os olhos azul-acinzentados da jovem abandonaram Barnes para focarem no Barão, segundos antes que ela abrisse um sorriso.

Uma revolta amarga tomou conta do peito de Bucky sem qualquer motivo aparente

— Acho que vou dar uma volta. — Sam disse de repente, tentando reprimir um sorriso. — Cuidar da minha vida...

Ninguém prestou atenção de verdade quando ele fez um movimento com a cabeça para que Zemo lhe acompanhasse, e o Barão chegou a se mover para sair dali também, porém a voz feminina o deteve.

— O que você está bebendo, Zemo? — Ela perguntou casual e sorridente.

Bucky teve que piscar duas vezes, por um instante pensou que estivesse alucinando com aquela interação, porém a reação surpresa do próprio Barão e o olhar confuso de Sam provavam que aquilo era real. Revoltantemente real.

O que Makayla estava fazendo?

Zemo voltou o passo que tinha se afastado e sorriu para a garota cordialmente.

— É um drink típico de Madripoor, feito à base de dois tipos de rum, vodca e limão, se chama Beracun¹. — Ele explicou de forma polida. — Significa Veneno no idioma nativo da ilha que acabou se perdendo por causa da grande imigração de criminosos de diferentes países. Atualmente eles usam o inglês pra tudo, por ser mais prático.

Bucky revirou os olhos para a forma como o idiota foi tão didático e solicito, ainda assim não conseguia tirar os olhos da cena.

— Vamos querer dois, por favor. — Makayla apontou para o barman que assentiu prontamente com um sorriso ridículo.

Bucky quase quebrou os próprios dentes, de tanto tensionar o maxilar, quando notou o olhar indiscreto que o homem dava para o decote da garota enquanto fazia os drinks.

— Vou querer outro. — Ele declarou em alto e bom som, quando bateu seu copo sobre o balcão apenas para atrair a atenção do barman abusado.

O homem alcançou a garrafa e serviu a bebida rapidamente, recebendo um olhar tão assassino de Bucky que não mais voltou sua atenção para o decote alheio. Depois disso, Makayla e Zemo receberam seus drinks, seus copos logo estavam erguidos no ar, seus olhares cruzados e um sorriso amigavelmente casual em seus lábios.

Barnes achou que poderia vomitar a qualquer momento.

— Um brinde, às possibilidades de Madripoor. — Makayla declarou animada, logos antes dos copos se tocarem no som característico de vidro se chocando.

Do que infernos ela estava falando? Que possibilidades?

O Barão virou seu copo em um gole comedido, mas Makayla sorveu o liquido quase todo em uma única virada, sorria naquele momento, tão linda que era impossível desviar o olhar, mesmo que a cena causasse uma dor quase física em Bucky.

O que ela estava fazendo bebendo com aquele idiota pomposo?

O misto confuso de emoções e sensações no corpo de Bucky era frenético e incontrolável, ele ordenou a si mesmo que esquecesse Makayla e voltasse a focar em sua própria vida, mas a verdade é que havia esquecido totalmente o que estava pensando antes. E isso era um tanto irritante.

Makayla apoiou seu copo de volta no balcão, ainda sorria quando pousou a atenção em Zemo, porém, por Bucky estar em um ponto atrás do Barão, é claro que seus olhares se cruzaram...

Barnes desejou ser ele a ler mentes, só assim seria capaz de decifrar a expressão no rosto da jovem, era instigante e ao mesmo tempo frustrante, disparava reações contraditórias por todo o corpo dele. Ao mesmo tempo em que estava com uma raiva sem sentido, também se afogava em um desejo turbulento.

Que tipo de poder Makayla tinha sobre ele?

Quando ela virou de volta para o balcão, desviando os olhos de Bucky com um sorriso ainda brincando no canto dos lábios, ele também virou o rosto, o maxilar tenso de forma quase dolorida.

Sua troca de foco fez com que ele notasse que Sam ainda estava ali, havia uma expressão de puro divertimento no rosto do homem e Bucky foi capaz de prever a piada antes mesmo que ela viesse.

— Você quer que eu chame o cardiologista agora, Buck? — Wilson se aproximou alguns passos pra poder murmurar aquilo. — Eu sinto que você está bem perto de infartar. — Riu, como se fosse incapaz de se conter, a expressão no rosto de Bucky era a pior de todas. — Eu vou lá ver umas obras de arte, mas acho que você não quer vir junto, não é?

Nenhuma resposta, Barnes desejou se mover, ir com Sam para não ter que ver aquela cena revoltante acontecendo ao lado, porém o simples pensamento de deixar Makayla sozinha com Zemo era incabível em sua mente... Não iria a lugar nenhum.

Enquanto Wilson se afastava uma conversa paralela acontecia, Bucky franziu as sobrancelhas quando notou que não conseguia entender, e isso nada tinha a ver com o barulho da música alta, Makayla tinha acabado de falar algo em um dialeto que ele desconhecia. Franziu as sobrancelhas, o treinamento da Hydra incluía uma gama bem grande de idiomas e, embora houvesse algo de familiar da construção de palavras que tinham acabado de sair da boca da garota, Bucky era incapaz de traduzir, talvez fosse uma língua eslava...

Zemo também pareceu surpreso, porém isso se manifestou nele através de um sorriso aberto e satisfeito.

— Você fala Sokoviano... — Ele afirmou com um misto de fascínio e orgulho na voz.

— Só um pouco, sei que minha pronuncia não é perfeita. — Makayla encolheu os ombros de forma casual. — Passei uns meses lá depois da queda.

“A queda”, era o evento envolvendo Ultron, que havia mandado todo o país para os ares e depois feito com que caísse do céu, foi nesse dia que a família de Zemo havia morrido, e foi isso que culminou na separação dos Vingadores, na morte do rei de Wakanda e no envolvimento do Soldado Invernal em tudo aquilo. Era um tanto estranho para Bucky se dar conta que ele e Makayla estavam envolvidos indiretamente naquilo tudo. O mundo pareceu muito pequeno.

— Por que? — O Barão questionou e era bastante evidente que estava interessado.

Barnes também queria saber o que uma garota rica estava fazendo em uma cidade destruída...

— Trabalho voluntário nos destroços. — Ela respondeu simples, como se lhe fosse algo perfeitamente natural.

Bucky teve que parar por um segundo para processar aquela informação, saber que a mesma garota impulsiva que parecia não se preocupar com nada, também se voluntariava para ajudar pessoas em um país distante assolado pela tragédia, fez com que ele se perguntasse o que havia acontecido. Como alguém podia se importar tanto e de repente não se importar nada? Não fazia sentido.

— Você é mesmo alguém digna de apreço. — Zemo elogiou e Barnes notou a admiração crescer nele. — Muita gente sequer se preocupou em perguntar como ficou a cidade, quem dirá se voluntariar para ir até lá...

Makayla pousou os olhos no Barão e, por um instante, foi como se ela se compadecesse dele. Bucky sabia que a família toda do homem havia morrido naquele dia, então com certeza a jovem também sabia disso... Os dois haviam perdido pessoas muito importantes com quem compartilhavam laços sanguíneos.

Ele sentiu, naquele momento, que ela tinha feito essa conexão e algo em seu coração bateu um tanto desesperado. E se Makayla se apaixonasse justo por Zemo?

Algo ruim se espalhou pelas veias de Bucky, amargo, corrosivo, não era raiva no entanto, era despeito, talvez inveja... Gostava de pensar que possuía uma conexão inexplicável com Makayla e sentiu que estava perdendo isso naquele momento. Virou todo o conteúdo de seu copo de uma vez só, sentindo que o gosto do whisky combinava muito bem com cada um de seus sentimentos atribulados.

— Devíamos dançar... — Ele ouviu a voz feminina e só então se deu conta que tinha saído do foco por alguns instantes. — Vem.

A garota tocou o braço de Zemo em um convite. Bucky tremeu, “dançar” era algo bastante intimo em sua época, ele fechou o punho de vibranium tentando conter a revolta que abateu seu corpo e apenas quando os cacos voaram, enquanto o barulho de vidro se quebrando fazia Makayla se sobressaltar de susto, foi que ele se deu conta que o copo ainda estava em sua mão.

— Está tudo bem, James? — O Barão perguntou, pousando os olhos em Barnes calmamente.

— Está! — Ele respondeu entredentes.

Zemo alternou o olhar entre Makayla e Bucky, a jovem mantinha suas sobrancelhas levemente franzidas e suas íris tempestuosas presas no azul gélido.

— Eu vou indo na frente. — O Barão falou apenas, caminhando em direção a pista, depois de não obter qualquer resposta.

Foi apenas quando Bucky se moveu, para limpar os cacos em seu terno, que a jovem reagiu, piscando algumas vezes como se saísse de um transe.

— Cuidado pra não se cortar. — Ela disse casual, enquanto fazia menção de dar meia volta e seguir Zemo.

— O que você está fazendo? — Bucky questionou, antes que ela desse outro passo.

— Indo dançar...? — Makayla apontou, franzindo as sobrancelhas como quem diz algo óbvio.

— O que você está fazendo aqui? — Barnes corrigiu, incapaz de conter a exasperação na voz.

Ele deu um passo na direção da jovem, seus olhos sendo atraídos para o decote dela como metal é atraído para um imã. Tinha dito a Zemo que nada lhe intimidava, mas, caramba, aquele par de seios talvez tivessem esse poder sim... Bucky notou que sua mão direita suava frio.

— Me divertindo. — Makayla respondeu e Bucky se forço a manter o foco, erguendo os olhos em direção aos dela. — Você não esperava que eu ficasse trancada no quarto a noite inteira enquanto rolava uma festa, certo?

Droga, era exatamente o que Bucky esperava... Ele se sentiu péssimo e absurdamente ridículo por isso. Procurou algo mais coerente pra dizer então:

— Esse lugar não é seguro.

Makayla sorriu de forma calma, quase como se achasse adorável a preocupação de Barnes. O coração dele falhou uma batida de forma tola e desavisada.

— Na verdade as festas de Cidade Alta são absolutamente seguras. Rola muita negociação ilegal é claro, e pegação despudorada também, mas violência é proibido, o turismo dessa parte de Madripoor depende disso. — A jovem moveu os ombros em displicência. — Esse é exatamente o lugar para onde os jovens ricos vêm se divertir, sabia?

A imagem de Makayla, ali naquele inferninho, em uma pegação despudorada com quem quer que fosse, fez com que Bucky tensionasse o maxilar automaticamente.

— Zemo é um criminoso. — Advertiu irritadiço.

— Eu sei. — A garota retrucou de forma óbvia e divertida. — Eu vou dançar, não me casar com ele.

Barnes acreditou que fosse ter uma sincope ali mesmo, seus pensamentos e emoções entraram em curto, Makayla deu um passo para se afastar, como se a conversa estivesse encerrada e a única reação dele foi agarrar o braço dela e puxá-la de volta.

Seus olhares se encontraram, os dedos de Barnes formigavam de encontro a pele dela, o impulso de acabar de uma vez com a distancia que faltava e cobrir os lábios femininos com um beijo foi avassalador, Bucky se assustou com isso, porque seus anseios não findavam ali, as coisas que queria fazer com Makayla eram imorais.

— Qual o problema, Bucky? — Ela questionou, com um sorriso brincando no canto da boca. — Por acaso você está com ciúmes?

Os dedos dele se abriram e Barnes deu um passo para trás.

— Não. É claro que não. — Mentiu descaradamente.

Afinal o que diria? A verdade era tão intensa e insana que até o próprio Barnes ficava assustado. Já fora uma loucura muito grande dizer todas aquelas coisas para Makayla na escadaria, mas aquilo... aquilo era diferente.

Bucky sabia que o desejo avassalador que dominava seu corpo era inapropriado, mulheres tinham que ser cortejadas; flores, bombons, passeios no parque e danças românticas, era isso que alguém como Makayla merecia. Mas naquele momento tudo que ele conseguia pensar era no gosto que a pele dela teria na ponta de sua língua.

Não parecia um jeito respeitoso de lidar com os sentimentos recém descobertos por ela...

Além disso não tinha direitos sobre ela, não podia simplesmente dizer que aquele vestido era tão absurdamente erótico que não queria que mais ninguém colocasse os olhos nela, apenas ele.

Não possuía qualquer poder sobre a vida ou escolhas de Makayla, que moral tinha para dizer o que ela devia ou não fazer, com quem ela tinha ou não permissão pra conversar, onde ela podia ou não estar?

Tinha que se colocar em seu lugar.

— Então, eu já posso ir? — A jovem perguntou, vendo que Bucky havia recuado.

Ele devia ter dito que sim, sabia bem disso, entendia todos os motivos pelos quais não lhe cabia ser controlador. Porém pensar em Makayla dançando com Zemo fez sua garganta travar e sua mente procurar por motivos falhos para usar de argumento.

“Você não pode ir, porque eu não quero” era escroto e ridículo, mas talvez pudesse dizer algo coerente e menos egoísta.

Por que estava tão nervoso? Por que ela tinha que ser tão bonita? Desde quanto sua mente era tão confusa daquele jeito?

— Você não... — Bucky limpou a mão direita na calça porque ela suava de forma incômoda. — Devia estar andando por aí depois de tudo que aconteceu hoje.

Tão logo as palavras saíram de sua boca ele soube perfeitamente que tinha dito a coisa errada, isso ficou explicito na expressão de Makayla; no modo como os olhos dela perderam o brilho, no sorriso morrendo em seus lábios. Ela murchou como uma flor que é arrancada da terra.

Bucky entendeu que tinha feito merda, e ninguém seria capaz de odiá-lo tanto quanto ele próprio se odiou naquele momento.

A jovem respirou fundo, por um instante Barnes chegou a acreditar que ela perderia a paciência de uma vez e diria verdades duras que o colocaria em seu devido lugar. Ele merecia isso. no entanto, quando as palavras vieram elas foram calmas e ponderadas, quase tristes talvez.

— Olha só... Eu entendo que você está preocupado, entendo que se sinta responsável por mim até.... E agradeço por ter salvado minha vida, de novo. E você tem razão, o dia foi uma merda, eu devia estar quieta processando isso, mas a minha vida tem sido uma merda constante desde que eu me lembro, então hoje eu quero esquecer de tudo e fingir que sou só uma garota normal de vinte anos, bebendo todas e dançando com um cara qualquer. — Ela respirou fundo, Bucky se sentiu péssimo, uma pessoa horrível. Por que nunca dizia a coisa certa? — Então será que eu posso ter apenas esse pinguinho fugaz de felicidade passageira, nessas poucas horas de diversão, sem a gente ter que entrar em outra discussão sobre o quão quebrada, irresponsável e egoísta eu sou? Por favor?

— Eu nunca disse que... — Ele tentou consertar, porém Makayla lhe deteve com um sorriso compassivo.

— Você é educado demais pra dizer algumas coisas.

Bucky respirou fundo, era um grande idiota, talvez devesse simplesmente deixar a garota em paz.

— Me desculpa. Não queria atrapalhar sua noite. Eu não vou mais incomodar você. — Declarou, tentando soar neutro, então deu meia volta e se afastou dela.

Talvez Makayla estivesse melhor sem ele...

★☆ • ★☆ • ★☆

Ela observou Bucky se afastar, seu coração se partindo em pequenos cacos como aqueles que estavam caídos no chão. Devia saber que nada daquilo funcionaria...

Quando ouviu o conselho de Sharon e colocou aquele vestido, Makayla Devinne esperava ter uma noite diferente. Esperava roubar o ar de Bucky, acender fogo nas íris gélidas, fazer com que o coração disparasse e suas mão suassem.

Esperava ser ardentemente desejada.

Queria que fosse mútuo, porque ver Barnes naquele terno preto tinha causado exatamente todas aquelas sensações nela. Suas mãos formigavam para tocá-lo, seu corpo pedia pelo dele. Um tipo de desejo explosivo que para Makayla era novo, porque, claro que já estivera com outros homens antes, mas nenhum deles teve o poder de fazer com que ela perdesse a linha de raciocínio.

Nenhuma paixão fora forte o bastante para fazer com que seu corpo tremesse de desejo.

Mas talvez estivesse romantizando tudo outra vez, talvez Barnes só lhe visse como a menina que ele se sentia impelido a proteger. Talvez todo aquele papo de “eu me importo com você” e “você está sempre na minha cabeça” fosse isso. Apenas Instinto de proteção.

Às vezes, por alguns segundos, ela pensava que realmente tinha sido capaz de afetar aquele homem, porém, no momento seguinte ele dizia algo que em nada condizia com a interpretação de Makayla. E ela não entendia...

Encheu os pulmões de ar e soltou tudo aquilo de forma exausta. Estava cometendo um erro atrás do outro, uma lista sucessiva e autodestrutiva, estava cansada, talvez fosse apenas uma garotinha estupida de vinte anos que nunca aprende a lição que a vida está tentando ensinar.

E que porra de lição era essa afinal?

Se encostou no balcão, o barman lidava com os cacos do copo que havia quebrado e lhe lançou um olhar de pura luxúria, era aquilo que Makayla desejava ver em outros olhos... E algumas vez o esboço disso passava pelas íris de Bucky, no entanto havia raiva também. Era muito difícil entender se estava confundindo as coisas...

Mesmo que já tivesse lido a mente dele uma vez.

— Não deu muito certo, não é? — Assim que a voz masculina cortou o ar, Makayla olhou por cima do ombro a tempo de ver Zemo se aproximar.

— O que não deu certo? — Ela questionou, enquanto ele também apoiava as mãos no balcão do bar.

— O seu plano de deixar o James com ciúmes. — Respondeu com uma naturalidade quase irritante.

— Eu não estava tentando deixar ninguém com ciúmes. — Makayla rebateu com uma mentira simples.

— É claro que não... Perdão por entender errado. — O sokoviano tinha uma certa ironia na voz, provando que não havia acreditado nela.

Porém Makayla não se importava com o que aquele homem pensava ou não. Sim, tentou fazer Bucky sentir ciúmes, o que obviamente foi a coisa mais infantil e ridícula de todas. Não estava no ensino médio e aquilo não era um livro clichê de romance... Barnes era um soldado treinado com mais de cem anos, preocupado com uma missão muito mais importante que ela. Seguir o conselho de Sharon fora idiotice.

E ela também devia estar focada em algo mais importante que Barnes, como por exemplo a segunda dose do inibidor, aquela que acabaria de uma vez por todas com os genes responsáveis por suas habilidades. Se o trio de rapazes tinha que encontrar o Doutor Nagel, Makayla precisava disso ainda mais...

Viu Zemo fazer um sinal para o barman, porém não se importou com ele, ao menos não até que houvesse um copo na sua frente, com um liquido de cor vermelha, várias rodelas de laranja e muitas pedras de gelo.

Pensou ser outro drink exótico típico da ilha e deu um gole, encher a cara parecia um ótimo jeito de lidar com os fracassos sucessivos de sua vida. Porém, assim que o liquido doce e levemente cítrico invadiu seu paladar Makayla fez uma careta confusa.

— Não tem álcool aqui. — Ela reclamou alternando o olhar entre Zemo e o copo.

— Não tem, é só um suco de cranberry com laranja. — Ele explicou calmamente. — Não pretendo lhe embebedar. Não acho que álcool seja a forma apropriada para a senhorita lidar com as fortes emoções do dia de hoje.

— Uau, que cavalheiro. — Makayla revirou os olhos entediada, afinal não precisava mais ser legal com Zemo. Bucky não estava por perto. — Vai me entregar um currículo para ser meu terapeuta ou meu Sugar Daddy?

O Barão estreitou os olhos por um segundo e então acabou por dar um sorriso mínimo.

— Você não gosta muito de mim, não é? — Ele comentou pouco preocupado, sorvendo um gole de seu próprio suco.

A jovem respirou fundo. Sabia algumas coisas sobre Zemo, aquilo que estava na mente de Bucky e os fatos que toda a internet também conhecia. Ele era um criminoso, um assassino, um manipulador que havia usado Bucky da pior forma, e ele também era um homem que havia perdido toda sua família no mesmo dia, porque os heróis cometeram um erro. Makayla podia entender a dor dele.

— Não sei... — Ela respondeu por fim, encolhendo os ombros e tomando seu suco, porque afinal até que tinha um bom sabor.

— Eu posso viver com isso. — Zemo declarou conformado e Makayla ergueu os olhos para encará-lo por alguns segundos, o analisando como não tinha parado para fazer por um só instante desde que haviam se conhecido.

Era um homem elegante, traços europeus, sua postura e sua educação pareciam contraditórias com o histórico de crimes em sua ficha. Mas, quando olhava nos olhos castanhos dele Makayla reconhecia um sentimento que lhe era muito frequente.

Helmut Zemo estava cansado.

— Posso fazer uma pergunta? — Ao ouvir as palavras da jovem o Barão também focou a atenção nela, movendo a cabeça de forma afirmativa. — Valeu a pena?

Ele franziu as sobrancelhas, provavelmente não havia entendido o questionamento...

— Toda a sua família morreu e ao invés de ficar de luto por eles você transformou isso em sede de vingança, você dedicou cada um dos seus dias a isso. E você conseguiu. Você chegou onde ninguém mais havia chegado, você destruiu os Vingadores... No caminho você também matou um rei, dezenas de inocentes, usou um homem que em nada tinha a ver com isso e causou dores que nunca serão reparadas. Tudo isso valeu a pena? — Makayla deixou a pergunta bem mais explícita. — Quando você coloca a cabeça no travesseiro a noite, você parou de sentir falta deles?

O Barão não respondeu, mas ele não precisava, era possível ver a verdade em seus olhos. Ele provavelmente já se fizera aquela pergunta nos últimos anos...

— Quer saber o que eu sinto por você, Zemo? — Makayla ofereceu a ele um sorriso compassivo. — Pena. Porque eu sei que a dor não vai embora, nenhum ódio ou vingança vai preencher o vazio, nenhuma “justiça” vai trazer sua família de volta... E agora você está aqui, tentando caçar super soldados, porque afinal, você foi tão longe que, se não fizer deste o objetivo da sua vida, então qual outro objetivo sua vida vai ter?

Ela soube que tinha atingido o ponto, queria que Zemo não parecesse tão transparente, mas talvez fosse inevitável, afinal os dois haviam perdido tudo.

— E como você sabe de tudo isso? — Ele questionou, sua cabeça tombando um pouco para a direita, como se tivesse um tipo de tique.

— Porque eu também já destruí quem um dia eu fui, tentando ficar inteira de novo. — Makayla respondeu de modo simples.

Zemo costumava ser respeitado, estava no exército de seu país, era um Barão, e no fim se tornou apenas um criminoso, condenado a viver para sempre em uma prisão e tudo isso pra quê? Ele nunca teria a família de volta.

Talvez a principal diferença entre Makayla e ele fosse simples, ela havia percebido que culpar os outros pelas tragédias de sua vida não adiantaria de nada...

O Barão ponderou aquelas palavras por alguns momentos, um tipo de entendimento mútuo parecia ter sido criado entre os dois.

— E agora, o que você está tentando fazer? — Ele perguntou como se ainda estivessem tendo uma conversa casual, sem o peso de suas vidas e seus erros.

— Nesse instante eu estou tentando me divertir, pra fingir que tudo está bem e que nada está desmoronando ao meu redor. — Makayla respondeu com uma sinceridade sarcástica, e riu de si mesma.

— É uma péssima estratégia. — Zemo devolveu neutro, bebendo mais de seu suco.

— É, eu sei... — Ela murmurou pra si mesma.

Às vezes queria esquecer do mundo e ser apenas uma garota de vinte anos sem quilos de dor e trauma nas costas. Dava pra entender porque todos os jornais diziam que Wanda Maximoff havia criado uma realidade própria para viver com o marido morto e uma família imaginária... quem é que não faria isso se pudesse?

Encarou o gelo em seu próprio copo e pensou em pedir algo alcoólico. Já que não podia criar uma realidade paralela, talvez pudesse ficar tão bêbada que sua cabeça simplesmente esquecesse sua realidade atual...

— Onde você vai? — Perguntou, quando viu Zemo pousar seu próprio copo no balcão e se afastar alguns passos.

— Dançar. — Ele disse simples. — Talvez essa seja minha última noite na terra, alguém pode me matar amanhã ou então eu vou acabar voltando pro mesmo cubículo onde passei os últimos anos. — Gesticulou de forma displicente. — Dançar é a única coisa que eu posso fazer hoje.

— É uma péssima estratégia. — Makayla devolveu com a exata frase que o Barão havia usado antes.

— É, eu sei. — Ele também reproduziu as palavras dela antes de dar as costas.

Makayla olhou para o próprio copo outra vez, então para o barman que ainda lhe observava a distância com olhos predatórios. Seu comportamento padrão seria ficar tão bêbada que sequer se importaria com o homem que tocasse seu corpo, porém, naquele dia, embora parecesse tão fácil apenas sair de órbita para esquecer de tudo, ela resolveu ser um pouco mais responsável e tentar uma técnica diferente...

Ficar sóbria e apenas dançar parecia a opção menos perigosa e mais equilibrada que poderia escolher aquela noite. Pelo menos era melhor que voltar para o próprio quarto para ficar sozinha e sofrer por coisas que não podia resolver.

★☆ • ★☆ • ★☆

Os gélidos olhos azuis estavam em uma pintura qualquer, porém Bucky sequer conseguia distinguir os traços porque sua mente estava longe. Quer dizer, não tão longe assim, porque seu foco era uma jovem que estava ali por perto...

Ainda estava se martirizando por dizer todas as coisas erradas no momento errado. Com raiva de si mesmo por cada pequena idiotice que parecia apenas uma fraqueza boba. No começo parecia tão fácil estar com Makayla, o que havia mudado?

Bucky se deu conta que o clima leve e descontraído que os tinha envolvido em Nova York não existia ali em Madripoor, que ele estava preocupado demais com a missão e com a segurança de todo mundo — a dela em particular — para simplesmente agir de forma casual. E, além disso, haviam todos os sentimentos conflitantes em sua mente.

Makayla não estava facilitando muito com suas atitudes irresponsáveis, verdade, mas aquilo não era sobre ela. As coisas estavam diferentes porque ele estava complicando tudo demais, adiando e escondendo pequenas verdades, mascarando seus desejos, porque não queria lidar com eles naquele momento... Talvez fosse um hipócrita.

Afinal havia julgado Makayla por adiar verdades e encobri-las com mentiras e estava fazendo exatamente a mesma coisa... Quando tinha passado de odiar mentir para fazer isso por conveniência?

Tinha passado a cometer um erro atrás do outro como um idiota, e estava cansado disso.

— Pra quem não é um casal vocês têm muitas DRs. — Ouviu a voz de Sam e só então se deu conta que ele estava ali ao lado. — Uma DR é basicamente “discutir a relação”, caso não saiba.

Pensou em dizer qualquer coisa pra negar, porém se não parasse de contar pequenas mentiras naquele momento, então continuaria a cometer um erro atrás do outro. Tinha mais de cem anos, era hora de assumir o controle da própria vida.

— A gente não tem discussões. — Respondeu, porque aquela era de fato a verdade.

— Não? Certeza? — Sam desconfiou. — Porque toda vez que vocês ficam sozinhos dá pra ver na cara de vocês que não acabou bem.

— Mas não são discussões, na maior parte do tempo são monólogos. — Bucky explicou neutro.

— Ela fala, você escuta... — Wilson riu como se tivesse entendido tudo, mas Barnes negou com um movimento simples.

— Não, eu falo, sempre a coisa errada pelo que parece, e ela escuta. — Ele respondeu, mesmo que não achasse que era um detalhe que devia compartilhar, no entanto era algo que ele não conseguia entender sozinho e talvez pudesse se beneficiar de uma opinião externa. E Sam Wilson era muito bom lidando com pessoas. — Makayla está sempre calma e controlada, nunca ergue a voz, nunca...

Bucky ainda não havia terminado quando as palavras sumiram de sua garganta, seus olhos, distraidamente seguindo um dos feixes de luz, foram parar da pista, diretamente na figura feminina se destacando de todo o resto com aquele vestido roxo-azulado. Makayla e Zemo estavam dançando bem perto um do outro.

E embora Barnes soubesse que ela voltaria para dançar com o Barão quando a deixou próximo ao bar, imaginar isso acontecendo e ver acontecer eram duas coisas bem diferentes...

— Então você queria que ela brigasse com você e dissesse que você um idiota? — Sam questionou, mas Bucky não conseguiu tirar os olhos da cena.

— Deixa pra lá... — Disse apenas, vendo que talvez Wilson não tivesse entendido o ponto.

Além disso seria muito difícil explicar quando sua mente estava presa na visão do corpo de Makayla balançando ao som da música, ela parecia tão... leve.

— Ela leu a sua mente não foi? — Wilson questionou de repente e a forma como ele acertou em cheio fez com que Bucky se surpreendesse.

— Por que acha isso? — Devolveu, franzindo as sobrancelhas e tirando seus olhos da pista de dança por um instante.

— É só um palpite. — Sam encolheu os ombros de forma displicente. — E isso explicaria tudo.

— Tudo o que?

— Quando você convive muito tempo com alguém você sabe exatamente que palavras vão magoar essa pessoa. Então é de se esperar que, quando você lê a mente de alguém, você saiba melhor ainda, entende? — Wilson explicou, mas Bucky ainda não era capaz de processar o que aquilo significava. — Ela sabe o que dizer pra te fazer parar de encher o saco, mas também sabe que, se disser, você é quem vai sair magoado. Então ela não diz nada. Mesmo quando você fala merda, e aposto que você faz muito isso.

Algo simplesmente se encaixou na cabeça de Bucky, suas últimas interações com Makayla fazendo muito mais sentido, seu olhar a procurou na pista outra vez...

— Eu faço... — Declarou mais para ele mesmo do que para Sam de fato.

Os olhos de Makayla estavam focados em Zemo que fazia um passinho na pista, ela sorriu, tão descontraída e divertida que o coração de Bucky saiu totalmente do prumo. Ele queria aquilo, queria ser a razão dos sorrisos dela, era um sentimento um tanto egoísta talvez, mas ele não foi capaz de impedir que se espalhasse por todo seu corpo.

Foi nesse instante que, seguindo o movimento da música, Makayla se virou na direção em que Bucky estava e, como se algo invisível os conectasse, os olhos tempestuosos focaram exatamente na direção dos azuis gélidos, mesmo que ele estivesse parado no mezanino, tão distante dela.

Aquilo foi tão natural e ao mesmo tempo tão inesperado, que algo dentro de Barnes ardeu em um desejo repentino e incontrolável. Estava cansado de esperar o momento certo, do jeito que as coisas estavam acontecendo ele sequer sabia quando voltaria para Nova York... Estava farto de criar empecilhos e de negar tudo aquilo que estava acontecendo.

Antes da Hydra e de toda a merda costumava ser o tipo de homem que corria atrás do que queria, que lutava por isso quantas vezes fossem necessários. Não permitiria que o Soldado Invernal matasse mais essa pequena coisa dentro dele.

— Me avisa se a Sharon descobrir o paradeiro do Nagel. — Disse, sem lançar outro olhar a Sam. — Eu tenho que resolver uma coisa.

— Graças a Deus! — Ainda conseguiu ouvir Wilson rir, mas não se importou com isso.

Só havia uma coisa em sua cabeça naquele momento...

Ele desceu do mezanino, abrindo caminho por entre a multidão que se amontoava na pista de dança, no ritmo de uma batida um tanto frenética e sensual. Não foi difícil achar Makayla, seja porque Bucky era um pouco mais alto que a maioria, ou talvez porque ele poderia encontrá-la onde fosse, por causa daquele estranho magnetismo que os unia.

Seu olhar encontrou o dela, algumas dezenas de pessoas entre eles, ambos se moveram na direção um do outro. Makayla o viu se aproximando, a curiosidade brilhando em suas íris. Bucky não parou para pensar no que estava fazendo, apenas continuou caminhando na direção dela.

Quanto mais se aproximavam mais Makayla parecia confusa, ela parou no meio da pista quando apenas alguns passos os separavam, analisando o rosto de Barnes, esperando que dissesse algo, mas isso não aconteceu, ele apenas continuou a caminhar na direção dela.

— O que você está fazendo? — A jovem perguntou finalmente, tentando falar acima da música, quando Bucky chegou tão perto que invadiu seu espaço pessoal.

Era possível ver a confusão no olhar tempestuoso.

— Você disse que queria dançar com um cara qualquer. — Bucky se aproximou ainda mais, curvando um pouco o corpo para poder sussurrar no ouvido de Makayla. — Eu sou um cara qualquer.

Ela tremeu, foi perceptível, suas bochechas gradativamente ganharam tons mais quentes, notáveis por causa da proximidade e da luz amarela e azul que estava sobre eles naquele momento.

Bucky mediu o corpo feminino de cima a baixo, sem pudor, olhou para ela como queria desde o segundo que a viu descer aquela escada. Os seios de Makayla subiam e desciam em uma respiração descompassada, ela abriu a boca para dizer alguma coisa, mas a fechou novamente, analisando o rosto masculino a procura da resposta para uma pergunta não dita. Isso durou pouco mais de três segundos, até que ela enfim respirou fundo e ergueu o nariz em uma postura mais fria.

— É, mas eu estou dançando com Zemo... — Ela apontou para trás sem olhar.

Barnes sequer precisou seguir o movimento para saber que o Barão não estava mais ali, e mesmo que estivesse, isso não fazia a menor diferença.

— Eu não quero você com ele. — Declarou, sendo brutalmente honesto, mesmo que aquela verdade fosse a mais egoísta de todas.

Makayla paralisou por um segundo ao ouvir aquilo, uma dezena de sentimentos distintos brilhando em seus olhos como estrelas, por um instante Bucky pensou ter visto um sorriso prestes a nascer nos lábios dela, porém ele nunca chegou a se formar de fato porque a jovem piscou algumas vezes e espantou aquilo, parecia em uma batalha interna, por isso Barnes esperou a próxima reação dela com paciência...

Por fim a jovem deu outro suspiro pesado e um passo para trás.

— Acho que essa coisa de tentar me proteger está indo um pouco longe demais, sério. — Acusou, e embora sua voz fosse calma, havia um tanto de mágoa ali.

Bucky entendia, é claro que depois das pequenas mentirinhas que ele havia contado para esconder tudo que estava acontecendo de verdade, Makayla jamais acreditaria na primeira coisa que saísse da boca dele.

Estava preparado para uma reação negativa, por isso a seguiu calmamente de volta para o bar, apreciando cada curva do corpo de Makayla enquanto ela caminhava na frente. Quando ela se apoiou no balcão e acenou para o barman pedindo um drink, Bucky fez o mesmo.

Ela evitou olhar para ele até que as bebidas fossem servidas e mesmo assim Barnes continuou a esperar, analisando a curva do pescoço feminino e a forma como o cabelo castanho refletia as luzes do lugar. Makayla ainda estava com o brinco de gato na orelha e isso fez com que Bucky sorrisse involuntariamente.

— Posso falar agora? — Ele perguntou, quando o barman se afastou, depois de deixar os copos no balcão, se surpreendeu um pouco por Makayla ter pedido suco, mas nada disse sobre isso.

Ela o encarou por alguns instantes, preocupada, mas assentiu brevemente, deixando que Bucky prosseguisse.

— É, eu quero proteger você, Makayla. Porque tudo aquilo que eu disse antes, naquela escadaria, é completamente verdade. Eu me importo e me preocupo com você. — Ele declarou, dando um passo para mais perto dela, porém permanecendo encostado no balcão. — Mas esse não é o motivo pelo qual eu não te quero com o Zemo, ou com qualquer outro idiota desse lugar.

Bucky bebericou seu whisky, colocando o copo de volta sobre a madeira, perto o bastante da mão de Makayla que estava apoiada ali, apenas para que seus dedos de vibranium roçassem os dela.

— E qual é o motivo então? — A garota questionou, mas não olhava para ele, porque sua atenção tinha sido atraída para o balcão.

Barnes tocou o anel em um dos dedos dela com o indicador, e então como se traçasse um caminho imaginário, ele deslizou o toque lentamente em direção ao dorso da mão feminina. Makayla tremeu, absolutamente perceptível, só nesse momento ele se curvou um pouco para sussurrar perto do ouvido dela:

— Eu não quero você com eles, porque te quero pra mim.

Os olhos tempestuosos seguiram para os azuis no mesmo instante, a surpresa se alastrou pelo rosto bonito de Makayla junto com o rubor, estava óbvio que ela não esperava que Bucky dissesse aquilo.

Ele sorriu de canto, sabia que estava no controle, sabia exatamente o que estava fazendo. Nos anos 40 Bucky costumava ser um cafajeste charmosos com todas as palavras certas na ponta da língua, ele sempre conseguiu quem queria por isso, sabia que era bom nesse tipo de coisa, no entanto essa parte sua havia se perdido no gelo com as décadas, ou pelo menos Barnes havia pensado isso.

Ele só teve que se permitir ser aquele cara outra vez e tudo estava lá, intacto, era como andar de bicicleta, uma vez que se aprende, nunca mais se esquece. Bucky Barnes ainda sabia exatamente como fazer as pernas de uma mulher bonita tremerem. E foi particularmente excitante se dar conta disso.

Makayla tinha poder sobre ele com um simples olhar, mas se Bucky usasse as palavras a seu favor, com certeza podia equilibrar as coisas...

— Você estava completamente certa, eu estou com ciúmes. — Ele admitiu, dando um passo para trás e interrompendo qualquer contato, mantendo apenas os olhos na jovem. — O que quer que você esteja fazendo, está dando certo...

Observou enquanto os seios dela tremiam em uma respiração entrecortada.

— Eu não estou fazendo nada. — Ela declarou, claramente na defensiva.

Bucky deu mais um gole em seu whisky, um sorriso de canto brincando em seus lábios quando o copo voltou a ser apoiado no balcão.

— Sim, você está. — Ele afirmou com uma calma que não condizia com o frenesi em seu corpo. — Você meio que está me matando agora.

Makayla piscou devagar, franziu as sobrancelhas de modo confuso.

— Está sim, você está me deixando louco. — Barnes explicou de forma pacifica.

Os olhos tempestuosos brilharam, todas as feições da jovem suavizaram, por um segundo pareceu que ela tinha ouvido um elogio, ela prendeu o sorriso entre os dentes para contê-lo, mas era tarde demais para disfarçar. Bucky percebeu que finalmente havia dito a coisa certa.

Ele se desencostou do balcão, a diferença de altura entre os dois ficando ainda mais evidente, mesmo que Makayla usasse salto alto. Se aproximou alguns passos, de modo que ela também acabou se movendo, as costas contra o balcão, Bucky bem na sua frente. Ele se curvou um pouco, os olhos azuis gélidos no mesmo nível que as tempestades cinzentas. Ambas as mãos masculinas se apoiaram no balcão, uma de cada lado do corpo feminino.

— Mas o que você esperava afinal? Achou que ia aparecer aqui linda desse jeito e eu não notaria? — Questionou de forma retorica, encarando fixamente as íris a sua frente.

Makayla prendeu o ar, seus olhos focando nos lábios de Bucky enquanto ele se aproximava cada vez mais. A barba dele roçou na bochecha dela, os dedos de vibranium soltaram o balcão para afastar uma mexa do cabelo castanho que estava no caminho da orelha, apenas para que Barnes pudesse sussurrar com a voz rouca:

— Você está gostosa demais nesse vestido, princesa, está acabando com a minha sanidade, e me matando suavemente.

Quando ele se afastou, erguendo normalmente o corpo, Makayla estava adoravelmente corada, mas com um sorriso travesso nos lábios.

— Você está bêbado? — Ela questionou em um tom que era um misto de divertimento e malicia.

— Você sabe que é fisicamente impossível pra mim ficar bêbado. — Bucky acabou rindo, enquanto voltava para seu lugar no balcão e recuperava seu copo, dando outro gole no whisky. — Se bem que você tem um efeito embriagante em mim, e eu gosto disso...

Seus olhares se encontraram e assim permaneceram, mesmo quando Barnes abaixou o copo, Makayla sorriu abertamente, tombando um pouco a cabeça para o lado e fazendo com que seu longo cabelo castanho escorregasse por seus ombros. Ela se moveu por fim, pegando o copo da mão dele e fazendo questão que suas peles se tocassem o máximo possível no caminho, seus dedos escorregando pelo vibranium por um simples instante, fazendo com que Bucky agradecesse pela incrível tecnologia de Wakanda, que era capaz de reproduzir parte das sensações de tato humano, coisa que o braço da Hydra jamais poderia fazer²...

Ela virou a bebida e pousou o copo sobre o tampo de madeira. Olhando fundo nos olhos gélidos, antes de abrir um sorriso travesso e simplesmente se afastar do balcão para longe dele.

— Onde você vai? — Bucky questionou um tanto confuso, assim que viu Makayla dar as costas, não era bem o que esperava.

— Voltar pra pista. — Ela o olhou por sobre o ombro, as tempestades cinzentas reluzindo os feixes de luz do lugar, como se fossem relâmpagos atravessando o céu noturno. — Você vem ou não?

— Você quer que eu vá? — Ele devolveu, se movendo um passo na direção dela.

Makayla não respondeu, mas o sorriso que surgiu em seus lábios era uma promessa tingida de luxúria. Bucky a seguiria até o inferno se fosse preciso...

★☆ • ★☆ • ★☆

Podia ouvir seu próprio coração bater tão frenético que era como se acompanhasse o ritmo da música, suas pernas ainda tremiam um pouco, mal conseguia acreditar em tudo que tinha acabado de ouvir, era como se todos os seus desejos estivessem virando realidade.

Makayla não era o tipo de garota que perdia oportunidades, por isso ela calou qualquer dúvida que pudesse atrapalhar sua mente. Se tudo aquilo fosse durar apenas algumas horas, uma noite ou alguns dias, ela não se importava, ainda valeria a pena. Naquele instante havia apenas Bucky Barnes...

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Ele estava alguns passos atrás dela enquanto eles abriam caminho por entre a multidão, ela olhou sobre o ombro, mesmo que pudesse sentir perfeitamente o olhar gélido lhe queimar. Bucky se portava como um predador seguindo a presa, nunca perdia o foco, não se distraía com nada mais ao redor, Makayla se sentia desejada da forma mais pura de todas, não havia como duvidar disso.

Se virou na direção de Barnes, dando passos lentos de costas para o centro da pista enquanto seu corpo começava a se mover no ritmo da música, a batida sensual e grave não era difícil de seguir. Ela moveu a mão direita, os dedos flutuando no ar, antes de passarem distraidamente sobre seus seios, os olhos azuis de Barnes acompanharam o gesto tão intensamente que Makayla sentiu um arrepio quente cortar sua coluna e culminar em seu baixo ventre.

Um movimento sinuoso dos quadris e um olhar ardente, ela se sentiu despida, exposta, trêmula, e Bucky sequer havia lhe tocado ainda... Ele a rodeou em passos lentos cada vez mais perto, por um instante pareceu que cada pequena coisa acontecia no ritmo sensual da música.

Mais um passo, as duas mãos de Barnes deslizaram para a cintura de Makayla e a puxaram para mais perto. Ela sorriu, rebolando cadenciadamente sob o toque dele, os olhares presos um no outro, os corpos cada vez mais próximos, os dedos de vibranium tocando a pele feminina na parte das costas que o vestido deixava exposta.

Ainda mais perto, Bucky sorriu, mas Makayla não teve tanta certeza se era apenas um reflexo do próprio sorriso que ela tinha no rosto. Suas mãos ainda se movimentavam no ar conforme a música pedia, o toque masculino estava um pouco mais pesado em seus quadris.

— Sabe que eu não faço ideia de como se dança isso, não é? — Barnes teve que falar um pouco mais perto do ouvido dela, já que ali a música estava no volume máximo.

Makayla riu, uma das mãos deslizando pelo peitoral de Bucky, por sobre a camiseta preta que ele usava, até que ambos os braços estivessem apoiados nos ombros masculinos.

— Não se preocupe, é fácil. — Ela devolveu, e então fez com que seus olhares se encontrassem novamente. — É como sexo, se você acompanhar o ritmo do corpo do seu parceiro no final tudo dá certo.

Viu as pupilas de Bucky dilatarem e por um instante, enquanto seu corpo seguia se movendo com a batida, ela se perguntou como podia um azul tão gélido arder como fogo...

— Então me mostra como você gosta... — Ele meio pediu, meio ordenou, as testas coladas, os lábios contra os dela em um quase toque tentador.

Naquele instante tudo que cada poro de Makayla implorava era por um beijo, queria sentir o gosto de Bucky na ponta da língua, porém antes que ela conseguisse erguer um pouco os calcanhares para provocar o contato definitivo das bocas deles, o próprio Barnes a segurou firme e a fez dar meia volta, as mãos saindo por um segundo da cintura dela, para voltarem ainda mais possessivas, fazendo com que eles se chocassem. As costas dela contra o peitoral dele, os corpos encaixados nos lugares certos.

— Rebola pra mim, princesa. — Ele sussurrou no ouvido dela, daquela vez foi realmente uma ordem.

Um arrepio de puro tesão cortou as terminações nervosas de Makayla, atingindo seu baixo ventre em uma pontada prazerosa que a fez se mover exatamente como lhe foi ordenado. Balançou os quadris na cadência que a música exigia, ora lento e sensual, ora mais intenso e enérgico. A mão direita de Bucky, apoiada na cintura dela, mantinha os corpos ainda colados, enquanto ele se movia no ritmo que o rebolar dela demandava.

Makayla pousou uma das mãos sobre a dele, sentindo cada veia sob seus dedos, enquanto sua outra mão era envolvida pelo toque gelado do vibranium e erguida. Ela seguiu sua vontade, tateando a barba masculina e trançando um caminho até os fios curtos, deixando que seus dedos se infiltrassem ali, enquanto ela fechava os olhos e guardava todas as texturas e toques simultâneos em sua mente como um tesouro.

Bucky desceu a mão de vibranium pela lateral do corpo feminino, os dedos gelados tateando cada curva, incluindo o contorno externo de um dos seios e, mesmo que não tenha sido um toque de fato, foi o bastante para fazer as terminações nervosas de Makayla entrarem em um curto de puro prazer.

Ela pôde sentir a respiração masculina em seu pescoço, quente, pesada, arrepiando seu corpo por inteiro. Barnes trocou seu toque, apoiando a mão de vibranium na cintura feminina para subir a outra através do caminho oposto, dessa vez deixando que o contato com cada curva fosse maior e mais ousado. Os corpos ainda se moviam, uma sincronia perfeita entre eles.

O cabelo castanho da jovem foi afastado pela mão direita de Bucky que envolveu os fios no punho antes de abaixar um pouco mais a cabeça para encaixar seu nariz na curva do pescoço dela.

Makayla entrelaçou seus dedos nos de vibranium, no mesmo instante em que notou Bucky sorver seu perfume, ela tombou um pouco a cabeça para trás e encontrou apoio no peitoral dele, foi nesse momento que sentiu os lábios masculinos tocarem sua pele, muito suave primeiro, nada mais que um roçar leve, e então outra vez, um beijo de fato, enquanto os quadris dela continuavam a se mover e era impossível não notar o volume pressionado contra sua bunda, tal percepção só serviu para deixá-la ainda mais molhada...

Quando o segundo beijo veio, em um contato ainda mais prolongado, Makayla agradeceu a música alta ao redor, porque ela teve certeza que deixou um gemido escapar de seus lábios quando sentiu a língua de Bucky em sua pele.

Ele fez com que ela se virasse, ou talvez a decisão de fazer esse movimento tenha sido dela, impossível saber, já que ambos estavam completamente sincronizados. Seus corpos ainda se balançavam no ritmo da música, os rostos quase colados, os olhares cativos. As mãos de Makayla subiram por ambos os braços masculinos, tateando o caminho todo até os ombros e continuando em direção ao pescoço. Enquanto isso, a mão direita dele apoiava na base do quadril dela, puxando seu corpo um pouco mais perto. Estava deliciosamente quente ali.

Os dedos de vibranium subiram através das costas de Makayla, se infiltrando nos fios castanhos até estarem firmes na nuca dela. Bucky a puxou mais perto, testa e nariz se tocando, a respiração desconexa fazendo com que seus hálitos se misturassem. Uma batida mais grave da música marcou o exato instante que as bocas se uniram em um desejado beijo...

A língua de Bucky deslizou por entre os lábios de Makayla, seus dedos apertando um pouco mais os cabelos dela como se isso fosse fazer com que eles ficassem mais próximos. Os movimentos eram gentis, mas tinha uma urgência que transpirava luxúria. Cada toque parecia mais quente.

O corpo todo de Makayla estava arrepiado, sua pele hipersensível a qualquer estimulo, suas pernas trêmulas, cada vez que a língua de Bucky acariciava a dela era diferente e mais intenso, ele tinha gosto de whisky e gelo, viciante e único. A barba masculina lhe arranhava o rosto de um jeito enlouquecedor. Poderia beijar aquele homem para sempre, mesmo que morresse sem ar bem ali...

E onde era ali afinal? Makayla não sabia mais, porque sequer importava, havia apenas a música que embalava seus movimentos e Bucky Barnes. Tudo era ele, cobrindo o corpo dela com seus músculos, seus lábios e suas mãos, que pareciam saber exatamente como e onde tocar. Todo o resto havia deixado de existir; as pessoas, a pista de dança, Madripoor... passado, presente e futuro, nada importava mais. Todos os problemas haviam sucumbido ao fogo que aquele homem havia ateado em seu corpo.

Makayla estava totalmente a mercê dele. Daria sua alma para sacrifício por Bucky Barnes. Nada importava a não ser ele. Ela tinha completa certeza que aquilo era o mais próximo de algo sagrado que encontraria na vida.

A cada segundo tudo se tornava mais intenso e apaixonado. A noção de temo se perdeu totalmente. Cada vez que as línguas se tocavam havia um pequeno novo detalhe para guardar, uma sensação diferente causada em seu corpo...

— Temos que sair daqui... — O sussurro de Bucky contra os lábios dela foi quase uma súplica.

— Por que? — Makayla protestou um tanto aérea, o beijando de novo, mordendo os lábios dele de leve.

Sequer sabia como estava se mantendo em pé, porque suas pernas tremiam e toda sua mente estava nublada de desejo.

— Por que eu preciso ficar sozinho com você, princesa. — Bucky respondeu e o tesão em sua voz foi tão absolutamente palpável que Makayla friccionou as próprias coxas por puro instinto.

Eles se separaram por um instante, os olhos se encontrando numa intensidade hipnotizante antes que a jovem assentisse e desse o primeiro passo em direção a saída, com Bucky logo atrás dela, as duas mãos no bolso do terno, puxando o tecido um pouco pra frente, porque é claro que ele tinha muito o que esconder...

Makayla não viu ninguém no caminho dali até o elevador, nem Zemo, nem Sam ou Sharon, não que tivesse pensando em procurar. Se toda forma o lugar era grande, podiam estar do outro lado do salão, na pista ou na parte oposta do mezanino.

Quando chegaram no hall haviam alguns homens ali, um deles um figurão engravatado e os outros seguranças ou algo assim. Vários pares de olhos indiscretos se voltaram na direção de Makayla, como se seu decote fosse a atração da noite. A forma como a postura inteira de Bucky mudou imediatamente para algo sério e irritado foi perceptível, ele tirou uma das mãos do bolso e puxou a jovem para mais perto de si, a protegendo com o próprio corpo de qualquer possível olhar não autorizado. Ela se moveu para ficar na frente de Barnes, escondendo o rosto no peitoral dele antes que caísse na risada, seus dois braços envolveram o corpo dele, por dentro do terno. Ele a envolveu também, protetor e acolhedor.

Makayla notou que era a primeira vez que se abraçavam e se aconchegou ali, enchendo os pulmões como perfume de Bucky, ele ainda cheirava a lar por algum motivo que ela não saberia explicar.

Logo o elevador chegou, mas Barnes não se moveu, deixou que os homens fossem sozinhos, e continuou parado, esperando o próximo, exatamente na mesma posição com Makayla, ambos em silêncio. Os dedos de vibranium traçavam caminhos imaginários nas costas da jovem, lento e suavemente, uma caricia que tinha pretensão de ser inocente, mas fazia uma dezena de micro arrepios abater o corpo feminino...

O elevador enfim voltou para aquele piso e os dois se separaram para atravessar as portas metálicas. Makayla apertou o andar de seu apartamento alugado e se encostou em uma das paredes, no instante seguinte estava cercada pelo corpo de Barnes, uma das mãos dele apoiada em um ponto acima dela, a outra seguindo direto para uma das mechas do longo cabelo castanho. Seu toque contornou a orelha feminina e seus olhos azuis focaram ali por um instante.

— Você ainda está usando... — Tocou o brinco em forma de gato, claro que já vira a peça ali em Madripoor e Makayla sabia, porém era o primeiro comentário direto que ele fazia sobre isso. — E não ficou verde.

— E nem vai. — Ela respondeu, tocando o abdômen de Bucky distraidamente, contornando os músculos por cima da camiseta preta que ele usava. — Eu cuido do que eu gosto.

Os gélidos olhos azuis mergulharam nas tempestades cinzentas pro um instante, Makayla sentiu seu coração saltar algumas batidas, sensações que estavam bem longe de ser apenas o tesão acumulado em cada terminação nervosa dela.

— Eu também... — Bucky murmurou, mas Makayla piscou confusa, sem saber exatamente o que aquilo significava, ela teria perguntado, porém antes que pudesse os lábios dele tocaram o dela de forma doce.

Uma vez e de novo, eles sorriram um para o outro antes de suas bocas se encontrarem pela terceira vez. O corpo masculino pressionou o de Makayla contra a parede enquanto a língua de Barnes invadia a boca dela de forma deliciosa, mas aquilo não durou tanto quanto ambos gostariam, porque o leve sacudir do elevador indicou que estavam parados no andar de destino.

Bucky se afastou um passo, o sorriso no canto de seus lábios podia ter um milhão de significados naquele momento, e Makayla sabia que gostaria de cada um deles. Caminharam pelo corredor lado a lado, a mão de vibranium dele alcançando as costas dela e parando ali como se fosse sem pretensão alguma, porém sendo capaz de causar uma dezena de micro arrepios cada vez que ele simplesmente deslizava um dos dedos pela coluna dela despretensiosamente.

A porta do apartamento foi aberta, em algum ponto enquanto eles passavam pelo batente, um após o outro, seus olhares se encontraram, a tensão sexual absolutamente palpável, seja pela forma totalmente quente que Bucky mediu todo o corpo feminino, ou pelo evidente volume nas calças dele.

Makayla fechou a porta trás de si. Ela acendeu apenas uma luz no ambiente oposto, de modo que ali, na sala, os dois permaneceram na penumbra. Estavam completamente sozinhos no silêncio. O desejo nos olhos de Bucky fazia o baixo ventre feminino doer em expectativa, porém ele piscou algumas vezes, como se estivesse tentando espantar os próprios pensamentos e instintos, lutando contra si mesmo.

— Você... — A rouquidão em sua voz não condizia com o tom casual que ele estava usando. — Quer conversar?

— Conversar? — Makayla repetiu quase incrédula. Aquilo era o completo oposto do que ela queria fazer. — Sobre o que?

Bucky levou alguns segundos para responder, seus olhos azuis perdidos no decote da garota por um instante, até que ele piscou de novo e deu um passo para trás. Em um momento parecia prestes a agarrá-la e no outro era como se estivesse em uma batalha para não fazer isso.

Makayla estava curiosa, confusa e levemente preocupada.

— Sobre tudo isso... — Ele respondeu finalmente, apontando de um paro o outro. — Sobre o fato de eu não ter te levado para encontros, te comprado flores ou... Eu sei lá, sobre eu ter matado seu tio-bisavô.

Ela não aguentou, acabou rindo, mas o olhar no rosto de Bucky deixava claro que ele estava falando sério. Makayla entendeu finalmente, ele estava tentando ser um cavalheiro. Eram adultos ali, sabiam exatamente para onde estavam caminhando, e é claro que para Barnes devia ser uma ideia extremamente nova fazer aquilo tudo com alguém com que ele não tinha um compromisso.

Era fofo. E isso era uma contradição bem interessante considerando todo o fogo dos últimos momentos...

— Desculpa... — Ela controlou a própria risada e se aproximou dele alguns passos. — Olha, nós fomos a encontros, dois deles. Você foi cavalheiro e perfeito. E é, eu até gosto de flores, mas sejamos honestos, elas morreriam de qualquer jeito. — Apoiou os braços nos ombros dele e sorriu apaziguadora. — E quanto ao JFK... A Hydra matou ele, e isso nem importa, porque eu não tinha qualquer conexão com esse homem, nunca vi ele a não ser por fotos, não tenho um único vinculo sanguíneo ou afetivo, nada. Você não precisa se preocupar com essas coisas.

Beijou-lhe o rosto com carinho, como se estivesse indicando que estava tudo bem.

— E tenho que me preocupar com o que então? — Bucky lhe envolveu pela cintura e focou os olhos nos dela.

— Que tal com... nada? — Makayla murmurou contra os lábios dele.

— Tentador... — Barnes sorriu, um instante antes de beijá-la.

Não era como o beijo no meio da pista, tampouco como aquele curto do elevador, havia algo de muito intimo e sensual na forma como as línguas se moviam, e em como cada toque evoluía progressivamente, se tornando mais ousado ao explorar o corpo do outro. Makayla deslizou ambas as mãos pelos braços de Bucky, até os ombros e fazendo o caminho de volta, levando o terno que ele usava junto, e logo a peça estava no chão.

Esse foi o único momento em que as mãos dele deixaram o corpo dela, para logo em seguida voltarem em toques mais urgentes. Estava ali na forma como os dedos de vibranium apertavam os fios castanhos, ou no toque da mão direita descendo pelas costas dela, passando pelo quadril e parando sobre a bunda feminina. Instintivamente o beijo se tornou mais voraz e descontrolado.

Makayla deixou um som involuntário escapar de sua garganta, quando Bucky lhe apertou com luxúria. As mãos femininas desceram para barra da camiseta dele, se infiltrando ali, sentindo cada musculo do abdômen definido na ponta dos dedos, ela puxou um pouco a peça, mas a forma tensa como Barnes reagiu a fez parar imediatamente com tudo, incluindo o beijo.

— Você sabe que... — Ele engoliu em seco quando os olhos dos dois se encontraram. — Você pode não gostar do que vai ver, certo?

Ela sorriu de forma pacífica, sabia que Bucky tinha alguns problemas com as cicatrizes, mesmo que Wakanda tivesse feito um trabalho muito melhor que a Hydra na junção da pele com o metal.

— Você pode ficar com a camiseta se isso te deixar mais confortável. Mas sabe que não faz diferença pra mim, certo? — Ela o beijou de forma doce, porém ele franziu as sobrancelhas, como se não estivesse acompanhando a linha de raciocino de forma correta. — Já se olhou no espelho, Bucky?

— Só porque eu sou bonito aqui, não quer dizer que... — Ele tirou uma das mãos dela para apontar o próprio rosto, mas Makayla não permitiu que terminasse.

— Não. Eu não estou falando isso com uma pergunta retórica pra elogiar sua beleza física. E não me leve a mal, você é muito gostoso, mas não era exatamente essa a intenção agora. — Ela sorriu para a própria piadinha, suas mãos ainda poiadas no abdômen dele, paradas embaixo da camiseta. — Era mais sobre... você já se viu no espelho, certo, quando estava nu, por exemplo?

Barnes franziu ainda mais as sobrancelhas em clara confusão, porém meneou a cabeça em concordância.

— Se você já viu, então eu também vi... — Makayla explicou de forma simples. — Eu já sei como você é Bucky, a diferença é que agora eu vou poder tocar... A menos que você não queira que eu faça isso.

Ela fez menção de tirar as mãos de onde estavam, mas Bucky foi mais rápido em segurá-la

— Não ouse tirar as mãos de mim. — Ele disse levemente divertido, mas deu pra ver que ainda estava processando o que havia acabado de ouvir.

— Você não tinha parado pra pensar no tipo de informação íntima que eu tenho sobre você, certo? — Makayla adivinhou, recebendo outro movimento afirmativo como resposta. — Quer um minuto pra lidar com isso?

Bucky piscou devagar, focando os olhos azuis no rosto feminino, suas duas mãos ainda mantendo as de Makayla no corpo dele. Ela conseguia imaginar que devia ser estranho, porém Barnes apenas sorriu como se achasse aquilo estranhamente reconfortante.

— Não preciso de um minuto... — Ele respondeu, envolvendo a cintura dela repentinamente e a puxando do chão. — Eu já processei tudo isso demais.

Voltaram a se beijar, as coxas de Makayla ao redor da cintura de Bucky enquanto ele caminhava em direção a um dos sofás. Logo ele estava sentado, as pernas femininas ainda ao redor de seu corpo, os joelhos dela apoiados no estofado...

O beijo seguia descontrolado, Bucky apoiou as duas mãos na cintura de Makayla e a puxou, fazendo com que se encaixasse em seu colo, ela podia sentir a ereção masculina abaixo de si, perceptivelmente dura contra o tecido dos jeans dele.

Enquanto a mão de vibranium seguia para a nuca dela, a outra explorava a coxa feminina, subindo cada vez mais. Makayla rebolou no ritmo do beijo, o tecido inoportuno da calça sendo um empecilho para um contato que ela tanto ansiava. Seu corpo fervia, seu baixo ventre dava pontadas doloridamente prazerosas.

Ela soltou os lábios de Bucky para descer os beijos por um caminho imaginário que ia da barba até o pescoço, ele encostou a cabeça no sofá e fechou os olhos, um palavrão desconexo escapando de seus lábios e sua mão subindo um pouco mais, se infiltrando por dentro do vestido dela. Cada toque se tornando mais ousado e instintivo.

Quando Makayla parou por um instante, apenas para tirar o cabelo do caminho, Bucky fez algo que ela não esperava; com uma só mão ele tirou a camisa, seus olhos azuis focados no rosto dela em um misto de ansiedade e tensão.

Aos olhos da jovem aquela apreensão era descabida, Bucky tinha uma beleza de tirar o fôlego, sim haviam cicatrizes na junção da pele com o metal, mas mesmo aquilo conseguia se tornar atraente no conjunto da obra... Ele era perfeito.

As mãos femininas tocaram o peitoral dele devagar, os dedos brincando com as plaquetas de identificação do exército que ele sempre usava no pescoço. Uma pequena gama de memórias preencheu a mente de Makayla; primeiro o motivo das cicatrizes, não era culpa do braço em si, mas sim de todas as vezes que Bucky tentara arrancá-lo de seu corpo em todos os pequenos lapsos de controle que teve nos primeiros anos sob domínio da Hydra; depois as plaquetas, não eram as mesmas com a qual ele havia caído no gelo, eram mais antigas, de sua primeira incursão, antes de ser promovido a Sargento, essas haviam ficado guardadas por anos, e Steve as havia encontrado, era a última coisa que dera ao amigo antes de partir e Barnes as mantinha com ele todo o tempo, para se lembrar de quem era...

Makayla se curvou na direção dele, primeiro beijou-lhe os lábios de um jeito terno e depois desceu, deixando um caminho de carinho e ternura por toda parte dali até as cicatrizes, e depois de volta, passando pelo exato lugar onde o coração dele estava.

Bucky segurou o rosto dela e ambos se encararam por um instante, havia algo não dito ali, mas que não precisava ser colocado em palavras para sem sentido. Ele buscou os lábios de Makayla para outro beijo, esse muito mais doce e profundo do que qualquer outro, sem pressa, as mãos passeando pelo corpo dela, de uma forma lenta e quente, apertando os lugares certos, enquanto ela decorava cada músculo com a ponta dos dedos...

Seus quadris se moviam lentamente, em um ritmo torturante, principalmente por causa do jeans que os separava. Bucky a segurou firme e se moveu com ela, deitando o corpo feminino no sofá e se arrumando por cima. Os olhos gélidos a fitaram escuros de desejo, ele se curvou e depositou um beijo nas clavículas femininas, depois no pescoço, nos ombros e foi descendo mais, em direção aos seios, deixando um rasto quente de volúpia por toda a parte.

Makayla soltou um gemido incontrolável quando a língua de Barnes explorou sua pele na região do decote, a mão direita dele subiu por seu corpo, chegando em um de seus seios e lhe tocando por cima do tecido do vestido. Ela moveu os quadris buscando por contato, ele estava usando roupas demais ainda, suas mãos um tanto desesperadas seguindo para o cinto de Bucky e fazendo o possível para abrir a fivela mesmo naquela posição desfavorável.

Ela conseguiu desabotoar a calça jeans e ele conseguiu afastar o vestido o suficiente para ter acesso direto a um dos seios, os dedos masculinos encontrando o bico intumecido ao mesmo tempo em que os femininos se infiltravam por dentro das camadas de tecido.

Makayla teve algum trabalho, devido a posição, mas enfim conseguiu libertar a ereção de Bucky, no mesmo instante em que ele envolvia seu seio com a boca. Ela alisou todo o comprimento, punhetando lentamente, sentindo a textura de cada veia, o peso e toda grossura em sua palma enquanto ele lhe chupava de forma alucinante e explorava outras partes do corpo feminino com a mão de vibranium.

O gemido dos dois se confundiu no ar, junto com outro som um pouco mais estridente...

Bucky parou primeiro, erguendo a cabeça no instante em que o telefone celular tocava pela segunda vez.

— Não atende... — Makayla não tirou as mãos dele, apenas continuou massageando a ereção. — Por favor.

Bucky reprimiu um gemido, encostando a testa na dela, com a respiração descompassada, o telefone não parava de tocar ao fundo.

— Pode ser urgente... — Ele conseguiu dizer entredentes, tão rouco e excitado que parecia algo pornográfico.

— Mais urgente que isso aqui na minha mão? — Ela questionou de volta, com os lábios roçando nos dele de forma provocante, enquanto não parava de punhetar, muito pelo contrário, aumentava o ritmo.

Bucky gemeu, uma sucessão de palavrões escapando de seus lábios, o telefone ao fundo parou de tocar por um instante, então ele se apoiou no braço do sofá com a mão de vibranium, erguendo um pouco o corpo, porque isso lhe permitiria ver o que Makayla estava fazendo. A mudança de posição acabou dando a ela um pouco mais de liberdade e alcance, o que lhe possibilitou ir suavemente mais rápido.

A expressão no rosto dele era tão puramente excitante que fazia com que Makayla ficasse cada vez mais molhada. O telefone voltou a tocar, indicando ou que a pessoa era insistente, ou a iminência de algo urgente.

— Princesa... — Bucky pediu e era possível ver que ele mal conseguia controlar a própria respiração naquele momento.

— Quer que eu pare? — Makayla murmurou, subindo e descendo a mão em uma frequência cadenciada, aumentando um pouco a pressão que colocava em seu aperto. A cada movimento a ereção de Bucky roçava nas coxas dela, fazendo com que um arrepio cortasse sua coluna, direto para o ponto mais sensível de seu corpo.

A resposta de Barnes foi capturar os lábios femininos em um beijo voraz, descendo a mão direita por cada curva de Makayla da forma mais lasciva possível, apertando e acariciando todos os lugares certos pelo caminho, até deslizar por entre as coxas dela e tocá-la sobre a calcinha, apenas para afastar o tecido e dedilhar o lugar exato que a fez gemer contra sua boca.

O celular ainda continuava a chamar, fazendo com que cada movimento do casal se tornasse mais rápido e urgente, e com que os sons que eles emitiam fossem um tanto descontrolados, como se seu desejo procurasse calar qualquer outra coisa que houvesse no mundo além deles mesmos...

Bucky sabia exatamente o que fazer com a mão, a pressão certa, o lugar exato, cadência perfeita, ele usava a lubrificação natural feminina a seu favor de forma magistral, enquanto sua língua reproduzia aquele mesmo ritmo no beijo que compartilhavam. Makayla alinhou seus próprios movimentos, subindo e descendo pela ereção masculina, sentindo o pulsar quente que deixava as veias ainda mais evidentes sob seu toque.

No momento em que dois dedos de Barnes deslizaram para dentro dela devagar e firme, Makayla colocou um pouco mais de pressão no ir e vir de sua mão, punhetando no mesmo ritmo que era penetrada, de novo e de novo, mais rápido, mais intenso, tudo ao redor perdendo o foco e desmoronando enquanto eles pareciam flutuar com cada pequena parte de seus corpos mais sensíveis do que nunca.

Toda aquela tensão enlouquecedora foi se acumulando no baixo ventre de Makayla, construindo a promessa de um evento cósmico em seu corpo, cada vez mais perto do paraíso, e então explodindo em um clímax avassalador. Os gemidos se misturando no ar, um palavrão solto deixando tudo mais erótico. Sua mão podia sentir a prova do prazer de Bucky sob seu toque, conforme os dois paravam seus movimentos aos poucos...

Eles abriram os olhos e suas íris se encontraram; as testas coladas, as respirações desconexas e caóticas, seus sorrisos tingidos de excitação, malicia e uma pitada de travessura. Ao fundo o som irritante continuava a gritar por atenção, nenhum deles saberia dizer quantas vezes a chamada havia caído e então começado novamente.

Makayla sequer se lembrava da última vez em que estivera tão plenamente feliz.

— O telefone ainda está tocando. — Ela riu feito uma menina que sabe que fez arte e isso acabou contagiando Bucky a rir também.

Ele deu um último beijo terno no sorriso dela e se levantou, tendo que lidar com a bagunça que tinham feito antes de finalmente atender o celular depois de olhar quem era na tela...

— O que você quer, Zemo? — O tom de Bucky estava calmo, apesar de suas palavras diretas.

Enquanto ele ouvia o Barão, Makayla se sentou direito no sofá, arrumando o vestido e o cabelo.

Era evidente que aquela noite maravilhosa havia chegado ao fim... Ela acabou rindo porque não foi exatamente o que esperava. Mas foi delicioso mesmo assim.

Bucky logo desligou o telefone, olhando pra ela de modo tenso.

— Sharon conseguiu a localização do doutor.

Era hora de voltar para a realidade...

Notas finais
Música (no youtube): https://www.youtube.com/watch?v=G4LnHrj-WT4 Playlist (no spotify): https://open.spotify.com/playlist/7kjRkzs4d57ziAy56WHK7j Vestido: https://i.imgur.com/oulOuLW.png Beracun é uma palavra indonésia, o drink é fictício, mas eu o baseei na receita de um drink real chamado "Piratas do Caribe". ² O braço de vibranium não reproduz o tato canonicamente, isso é só algo que eu gosto de colocar nas minhas fics. Então tá... Alguém morreu do coração ou ficou tudo bem? kkkkkkkkk Amo que o Bucky é "não vou pensar nisso, não vou falar disso, não vou lidar com nada disso agora" e no instante seguinte é "ah quer saber? foda-se" kkkkkkkkkk Eu tenho tanta dó que nem na hora do vamo vê os dois tem paz, será que ainda vão conseguir fazer a coisa toda direito? Enfim, uma coisa importante agora: eu não vou aparecer por aqui semana que vem, gente, eu sei que vocês amam quando eu posto rapidinho, mas tô precisado de uma pausa do online um pouco porque esses dias foram particularmente difícil pra mim por algumas coisas (nada a ver com a fic, só a vida mesmo), eu só não tirei um tempo essa semana ainda porque tinha prometido esse capitulo e sei que vocês estavam muito ansiosa, Mas agora tô avisando antes, pra todo mundo ficar ciente. O próximo capitulo saí domingo dia 13 só (sem ser esse no outro), sei que é chato fazer vocês esperarem tanto, e peço desculpas por isso, mas realmente tô precisando de uns dias sem escrever pra colocar algumas outras coisas em ordem na minha vida e na minha cabeça. Mas não é um hiatus nem nada, é só uma semana de folga kkkkkk Enfim, a gente se vê me breve Beijos e até!