Notas iniciais
Olá lindezas! Aqui estou de volta! Eu disse dia 13, mas resolvi vir um pouco antes, já que é dia dos namorados, e achei que vocês gostariam de um capitulo Importante dizer que esse capitulo contém alguns GATILHOS, (para ataque de pânico e temas relativos ao suicídio) são leves, mas gosto sempre de avisar, e, se ele ficar confuso em algum ponto saibam que a intenção era essa. Boa Leitura!

O coração de Bucky ainda disparado, seu corpo relaxado demais, mesmo que uma estranha euforia ainda tomasse conta dele. Toda aquela noite fora insanamente deliciosa. Ele era incapaz de se lembrar a última vez que tinha ficado tão excitado daquela forma... Talvez porque nunca tivesse chegado naquele estado.

Mas tudo isso estava ficando para trás muito mais rápido do que Barnes queria, ele vestia seu terno enquanto Makayla tirava os saltos. Se tivesse que escolher ficaria ali com ela, no entanto o dever chamava, o mundo não pararia e os problemas não deixariam de existir apenas porque ele queria passar a noite abraçado com uma garota bonita...

Além disso nem estava tão de noite assim, aos poucos o Sol despontava no horizonte, e logo o dia raiaria em Madripoor. Porém, se havia algo que aprendera com aquelas últimas horas era que, protelar ou negar aquilo que sentir por Makayla Devinne não o levaria a lugar algum. Talvez fosse hora de aceitar que aquela garota, que tinha entrado na sua vida tão repentinamente, era importante demais para que ele apenas ignorasse.

Seja por coincidência, acidente ou destino, eles estavam conectados de alguma forma inegável e intensa... E Bucky na verdade gostava disso.

Gostava demais até.

Makayla fazia parte de sua vida agora, e talvez isso fosse uma das poucas coisas boas que haviam lhe acontecido naquela última década. Bucky decidiu que não estava disposto a deixar aquilo escapar por entre seus dedos...

Sendo assim teriam que encontrar um pouco de equilíbrio entre os sentimentos que nutriam um pelo outro e o caos que suas vidas eram.

— Desculpa... eu tenho que ir. — Ele declarou, enquanto via Makayla andar pelo lugar, prendendo o cabelo, depois de achar um elástico, e pegando os tênis no chão.

— Eu vou com você. — Ela disse simples, sentando-se novamente para calçar seus all stars surrados, mesmo que ainda usasse o vestido roxo-azulado.

— Não vai não. — Bucky rebateu de forma óbvia.

— Vou sim. — A jovem devolveu, se colocando de pé.

— Makayla. — Barnes disse o nome dela de forma repreensiva. Não queria começar uma briga, não quando ainda estavam envoltos no delicioso clima de momentos antes.

— Bucky. — Ela retrucou, como se ambos estivessem apenas falando o nome do outro ao acaso.

Ele respirou fundo em frustração, passou os dedos pelos fios castanhos e a encarou, mas não teve tempo de pensar em nada para dizer, porque Makayla cortou o espaço entre eles e pousou as mãos nos ombros masculinos.

— Olha só... eu preciso ir, Nagel desenvolveu uma cura em duas etapas para as minhas habilidades, eu tomei apenas a primeira dose, preciso da segunda. — Ela explicou em uma calmaria que era inversamente proporcional ao pânico que estava começando a bater no coração de Bucky.

— Já falamos sobre essa coisa de drogas criadas por cientistas loucos. — Ele procurou ser sensato e ponderado em seu tom.

— Não... nós falamos sobre meu DNA nas mãos de cientistas loucos. Eu nunca disse que ia abrir mão da minha cura. — Makayla rebateu ainda em um tom neutro, envolvendo o pescoço de Bucky e praticamente se pendurando nele.

— Você não estava doente pra precisar de uma cura. — Ele devolveu, tentando manter o foco, mesmo quando os lábios de Makayla estavam tão próximo aos dele.

— Vamos discutir analise morfológica das palavras agora? — Ela sorriu travessa, agindo como se tudo aquilo fosse menos importante do que era de verdade.

Bucky com certeza não entendia a obstinação, mas sabia que Makayla não desistiria...

— Se eu achar a tal dose eu trago pra você. — Decidiu, tentando fazer com que ela ficasse ali. Se Makayla queria tanto aquilo, talvez fosse melhor dar a ela, antes que suas tentativas desesperadas de conseguir isso a colocassem cara a cara com a morte.

— Você tem outras prioridades. — A jovem rebateu de forma simples. — Eu vou, resolvo meu problema, você resolve o seu e depois vamos embora desse lugar.

Naquele instante Bucky tinha certeza que nunca havia conhecido uma garota tão teimosa e obstinada quanto Makayla. Apenas Steve conseguiria bater de frente com ela naquele quesito.

— A segunda parte do seu plano? Ótima! A primeira parte? Sem chance. — Ele ergueu o dedo em riste e se afastou um passo. — Tem assassinos atrás de mim, do Sam e do Zemo. Você vai ficar aqui onde é seguro.

Ele encerrou a conversa ali e deu as costas, mas Makayla entrou no seu caminho com um olhar sério em suas íris tempestuosas.

— Olha só, Bucky, eu entendo. Você é esse cavalheiro clássico dos anos 40, um herói virtuoso que precisa desesperadamente proteger a mocinha. E eu acho adorável da sua parte, até sexy em alguns momentos. — Ela discursou em seu tom calmo, porém havia uma determinação impassível em sua voz. — E tudo bem por mim se você der as ordens às vezes. Mas você não é meu pai, você não vai me mandar ficar aqui quietinha e não vai decidir o que é melhor pra mim.

Era bem óbvio que, talvez pela primeira vez, Makayla estivesse colocando um limite claro para a forma como Bucky agia com ela.

— Então, tem duas maneiras de fazermos isso. — Ela indicou com os dedos. — Podemos brigar, o que claramente não vai dar certo porque eu não vou discutir com você, vou apenas te deixar dizer o que você quiser e em seguida, assim que você sair por essa porta, eu vou fazer exatamente o que eu quero, que nesse caso é seguir vocês, usando o treinamento do Soldado Invernal, cujas lembranças nós dois temos na cabeça agora. Ou... podemos chegar em um consenso e sair por essa porta juntos e ver o que acontece depois. De um jeito ou de outro eu vou chegar onde eu quero, com você ou sem você. Simples assim.

Bucky sentiu um misto peculiar de frustração e atração naquele instante. Gostava de ter tudo sob controle, porém era bem evidente que Makayla nunca faria parte desse “tudo”, ela sempre estaria um nível acima, e ele teria que aprender a respeitar e se adaptar a isso.

— Oh Deus, você é impossível. — Ele exclamou em um misto de diversão e exasperação, erguendo as duas mãos em rendição. — Tudo bem, você venceu.

Se aproximou dela os passos que faltavam, tirando seu terno e colocando sobre os ombros femininos, já que Makayla ainda usava o mesmo vestido perturbadoramente excitante de antes.

— Boa escolha, Sargento. — Ela respondeu, se erguendo na ponta dos pés para que os lábios de ambos se tocassem rapidamente.

Antes que ela se afastasse Bucky segurou o rosto feminino entre as mãos de forma delicada, aprofundando o beijo por um instante, se permitindo ter aquele segundo de paz, porque sabia que, quando saíssem por aquela porta, tudo seria incerto.

— Makayla... — Sua voz era quase uma súplica, ele ainda segurava o rosto dela entre as mãos, mas se afastou um pouco para encarar os olhos tempestuosos. — Por favor...

— “Não faça nada estúpido até eu voltar?” — Ela brincou com um sorriso bonito nos lábios, e é claro que Bucky conhecia aquela frase muito bem.

— Não tem graça. — Ele retrucou com um revirar de olhos, mas no fundo queria rir.

Era estranhamente confortável ter com quem compartilhar velhas piadas internas.

— Meio que tem sim. — Makayla devolveu e enrugou o nariz de um jeito adorável, enquanto colocava os braços nas mangas do terno e fechava os botões.

— Eu ia dizer pra você não sair de perto de mim. — Bucky declarou, abrindo a porta para que eles passassem.

— Sim, senhor. — O sorriso que Makayla deu fez parecer que eles estavam prestes a dar um simples passeio casual. — Essa é uma ordem que eu vou gostar de seguir...

Já dentro do elevador, eles encostaram em lados opostos, mas seus olhares se encontraram, Barnes nunca saberia explicar que tipo de impacto as íris tempestuosas tinham nele, ou por qual motivo era tão fácil e confortável mergulhar ali e apenas esquecer do mundo.

Era como se Makayla Devinne tivesse um tipo de feitiço, do qual, contra todas as probabilidades, Bucky não tinha a menor intenção de fugir...

Quando a porta do elevador abriu novamente, já no térreo, Zemo, Sam e Sharon aguardavam ali.

— Ah, vocês finalmente estão aqui. — O Barão foi o primeiro a se pronunciar. — Peço desculpas, Sharon insistiu que fizéssemos isso logo na primeira hora da manhã.

O Sokoviano olhou de um para o outro de forma educada e Bucky, apesar de sua birra, realmente acreditou que Zemo não desejava ter feito aquela ligação naquele momento.

— Que demora, onde vocês estavam? — Sharon tinha os braços cruzados em clara impaciência.

Bucky viu Sam abrir um sorriso que certamente antecederia uma piadinha, porém Makayla foi mais rápida, passando pela loira e respondendo da forma mais casual e despreocupada do mundo:

— Transando.

Barnes perdeu a voz em algum lugar no fundo da garganta, Sam franziu as sobrancelhas, olhou de um para o outro e não pareceu encontrar nenhuma resposta.

— Agora fiquei confuso... — Ele coçou a parte de trás da cabeça. — Ela está brincando ou falando sério?

— Bem-vindo a minha vida. — Bucky se limitou a dizer, enquanto também caminhava para o carro. Raramente conseguia entender quando Makayla estava falando sério ou quando estava brincando. — Aperta o cinto porque a viagem é turbulenta.

Antes que chegassem aos veículos, porém, Sharon deteve Makayla:

— Você vai com a gente? Não acho que isso é seguro, Kayla.

Bucky observou com atenção enquanto a mais jovem encarava a loira com muito menos boa vontade do que costumava encará-lo, mesmo quando ele já tinha dito coisas bem piores.

— Não se preocupe, eu vou ficar bem. — Ela respondeu simples, passando por Carter sem grande comoção, no entanto a loira a impediu de continuar, lhe segurando pelo braço.

— Eu queria dizer que não é seguro para nenhum de nós. — Sharon argumentou um pouco mais fria do que qualquer um teria esperado dela. — Levar uma garota sem preparo pra plano aberto, quando tem vários mercenários atrás da cabeça de vocês, não é uma boa ideia. — Ela disse aquilo diretamente para Sam e Bucky, porém seus olhos pousaram em Makayla no fim. — Sem ofensa...

Foi perceptível a forma como aquilo atingiu a mais jovem, Bucky se deu conta que nada que ameaçasse a própria segurança de Makayla seria um argumento bom o bastante para que ela recuasse em suas decisões teimosas, porém, a simples menção de algo que podia ser um risco para outras pessoas — um risco para ele — fez com que a garota desse um passo para trás.

E, por mais que Barnes quisesse Makayla em segurança, aquele parecia o jeito errado de força-la a fazer qualquer coisa.

— Ela está comigo, Sharon. — Ele disse por fim, focando seus olhos gélidos na loira. — Você não precisa se preocupar com a segurança dela. Nem com a de ninguém aqui. Todo mundo sabe se cuidar, certo? — Encarou Zemo e Sam.

Wilson foi o primeiro a se mover, abrindo a porta de trás de um dos carros e acenando para a garota entrar. E no fundo Bucky agradeceu por isso, porque o Falcão era o único ali que poderia fazer com que ele pensasse melhor naquilo. Se Sam tivesse dito que levar Makayla era uma ideia ruim, com certeza ele ouviria.

Sharon não pareceu nada satisfeita com aquela decisão, porém acabou por dar de ombros e seguir para o próprio carro. Ela iria na frente, os outros quatro atrás.

Foi Sam quem assumiu o volante daquela vez, Bucky ao lado dele no banco do passageiro, Zemo e Makayla atrás. Em um primeiro momento Barnes imaginou que haveria alguma piadinha sobre a noite passada, talvez sobre as cenas um tanto intimas que haviam rolado na pista de dança, porém nenhuma única palavra sobre esse assunto foi dita, seja porque Wilson e o Barão eram discretos — o que Barnes duvidava muito — ou porque ambos estavam preocupados demais com suas próprias vidas e assuntos. para terem dado atenção a um único casal no meio da pista, que, se alguém fosse analisar, não estavam fazendo nem metade do que as outras pessoas lá...

De uma forma ou de outra Bucky percebeu que não se importava, não estava fazendo nada errado... dentro dos padrões de Madripoor e do século XXI pelo menos.

Seus olhos seguiram para o retrovisor central, observando a figura de Makayla no banco de trás, ela tinha a atenção em algum ponto lá fora, porém, como se tivesse sido chamada, seu olhar focou no reflexo de Bucky...

E naquele segundo ele não precisou ter a habilidade de ler mentes para saber que, talvez pela a primeira vez desde que haviam se encontrado ali em Madripoor, ela estava preocupada.

Bastou aquele simples olhar para que Barnes entendesse que não podia permitir que nada desse errado naquele encontro com Wilfred Nagel...

★☆ • ★☆ • ★☆

Os carros ficaram estacionados antes das docas, dali todos seguiram a pé, eles passaram pela parte pública do lugar e seguiram para a área privativa, tudo ali pertencia ao Mercador, um grande espaço cheio de contêineres dos mais diversos tipos. Enquanto Sharon, Zemo e Sam comentavam sobre a festa, o coração de Makayla batia em um ritmo estranho.

E se alguma coisa desse terrivelmente errado por causa da presença dela?

Quando se impôs para estar ali, julgou apenas o risco para si própria, afinal todos os outros eram completamente preparados para aquela situação. Mas e se Sharon estivesse certa? E se sua presença acabasse fazendo com que outra pessoa se ferisse?

As mãos de Makayla suavam frio, sua garganta estava travada e seus pulmões quase não eram capazes de puxar a quantidade mínima de ar que o corpo dela exigia. Em sua mente a jovem repassava todas as vezes que seu envolvimento causou a morte de alguém...

Como naquele fim de semana quando Kaleb insistiu que eles ficassem na Georgia, porque um dos garotos do time de futebol daria uma festa... Mas Makayla não queria ficar perto de casa, não queria passar dois dias inteiros debaixo do mesmo teto que os pais, não queria ouvir as brigas e ser puxada para elas. Ela precisava fugir e arrastou o namorado e todo o grupo de amigos direto para a morte.

E se estivesse fazendo isso outra vez, impondo sua presença em uma situação que acabaria machucando alguém?

Talvez Emma estivesse certa o tempo todo, Makayla não tinha um bom histórico quando se tratava de tomar decisões importantes.

Ela tentou respirar fundo e se manter focada, os outros pareciam tranquilos, trocavam comunicadores que Sharon havia trazido, a loira ficaria do lado de fora para dar cobertura caso os mercenários chegassem.

— Eu trouxe apenas quatro, não sabia que você vinha. — Carter comentou neutra, ao encarar Makayla.

Era evidente que não queria a garota ali, e na verdade Makayla estava começando a pensar que Sharon estava certa nisso, não era pessoal, é claro que ninguém ficaria satisfeito em saber que sua vida estaria em risco por causa de uma menininha rica e mimada...

O novo laboratório de Nagel ficava em um dos contêineres, segundo informações que Sharon havia conseguido, ela apontou o local e os três homens sacaram suas armas. Se separaram ali, Carter para um lado e eles para o outro, Makayla sempre dois passos atrás de Bucky, seu coração batucando freneticamente no peito a ponto de doer, suas mãos trêmulas e seus pensamentos erráticos. Quanto mais focada ela se obrigava a estar, pior as sensações em seu corpo se tornavam.

Sam e Zemo entraram no lugar primeiro, aparentemente era apenas um contêiner vazio e nada mais, isso deixou os rapazes confusos. Bucky estava na entrada, o maxilar tenso, a postura atenta, defensiva, seu olhar alternava entre Sam dentro da caixa de metal, os arredores e Makayla.

A jovem soube que ele estava desfocado, porque tentava proteger Sam, a retaguarda e ela, tudo ao mesmo tempo, ou seja, não estava preocupado consigo mesmo. A receita perfeita para uma tragédia. Uma dor aguda cortou o peito de Makayla no instante em que esse pensamento mórbido criou raízes em sua mente e algo em sua respiração irregular chamou a atenção de Barnes, enquanto Zemo tateava o fundo do contêiner.

— Você está bem? — Bucky murmurou, a olhando com muita atenção.

Makayla achou que não parecia bem, provavelmente sua testa tinha gotículas de suor, e seu rosto exprima a dor que lhe assolava o peito, mesmo assim ela se esforçou muito além do máximo para dar um sorriso tranquilo e casual.

— Estou, não se preocupe comigo. — Ela teria movido a mão no ar em um gesto displicente, porém sabia que estava tremendo e não queria que Bucky visse isso.

Seus dedos se remexiam desconfortáveis dentro dos bolsos do terno preto masculino que cobria seu ombro, mas Makayla fez o possível e o impossível para fingir uma calmaria que não possuía.

Barnes não podia focar nela e esquecer de si mesmo.

Logo Zemo descobriu que o fundo do contêiner era na verdade uma passagem para uma instalação secreta, Bucky e Sam se entreolharam, sacando suas armas em sincronia, enquanto o Barão tinha apenas uma lanterna. Certamente não dariam algo letal na mão de um criminoso internacional em uma situação como aquela.

Uma música começou a tomar conta de tudo enquanto eles seguiam as escadas, Sam na frente com a arma firme em punho, Zemo em segundo, iluminando o caminho, e Bucky fez questão de colocar Makayla logo depois, para que ele próprio fechasse a fila.

Ela sabia que aquela formação específica era para sua proteção.

Logo um laboratório se abriu diante deles, muito maior que aquele instalado no prédio de Cidade Alta, muito mais completo também. Bucky assumiu a dianteira esquerda, enquanto Sam lentamente caminhava para a direita, os dois trocavam olhares táticos sobre o lugar estar vazio e, foi naquele instante que Makayla se sentiu estranhamente desconfortável sobre isso...

Se Nagel havia sido removido da localização anterior, já que o tal Mercador do Poder sabia que Sam, Bucky e Zemo estavam na cidade, e, se o cientista era tão valioso, por que não havia uma escolta armada com ele naquele instante?

Por que tudo estava tão fácil e calmo?

Makayla tentou espantar esse pensamento como quem espanta uma sensação de mau-agouro. Talvez estivesse paranoica...

Zemo desligou a música e Sam assumiu o primeiro contato com o cientista. Wilfred Nagel tentou se esquivar, Makayla era capaz de vê-lo com perfeição de onde estava, porém não podia ser vista de imediato, foi assim que ela observou o exato instante em que os olhos do Doutor encontraram Bucky.

O reconhecimento foi imediato, o temor na face de Nagel deixou isso explícito. Makayla se sentiu enjoada, tudo rodou. Ele conhecia o Soldado Invernal...

Sam usou a presença de Zemo e Barnes como um argumento intimidador, pelo olhar que trocaram ficou um tanto óbvio que Sharon tinha dito algo no comunicador e que a situação não era das melhores, Makayla não precisava ouvir a conversa para entender que estavam ficando sem tempo... A forma como Bucky arrastou o cientista para uma das cadeiras deixou isso bem claro.

— O que você está fazendo com eles? — Foi a primeira coisa que Nagel disse, no instante que seus olhos perceberam Makayla ali.

— A gente faz as perguntas, você só responde. — Bucky declarou seco, a arma em punho apontada para a cabeça do cientista.

A jovem deu dois passos para trás, estava ali por um propósito, e apesar do mal estar crescente em seu corpo ela precisava encontrar a segundo dose da tal cura, inibidor, vacina ou seja lá o que fosse...

Enquanto Nagel era atingido com perguntas pontuais, ela começou a andar pelo laboratório a procura do que queria, no entanto, ouvir que aquele homem já havia trabalhado no programa Soldado Invernal, a mando da Hydra, e saber de todas as coisas que ele tinha feito para reproduzir o soro, fazia com que Makayla se sentisse fraca, enjoada, doente.

Tinha mesmo deixado aquele cientista megalomaníaco fazer experiencias e estudos com ela?

Saber do envolvimento do cientista com a Hydra, formou uma visão muito mais clara de toda a problemática que o próprio Bucky tentara apontar no dia anterior. Talvez tivesse ido longe demais por aquela cura.

Makayla teve que se apoiar em uma das mesas, sua mente era bombardeada com lembranças de Bucky sofrendo nas mãos de cientistas, tudo rodava, ela tinha certeza que podia vomitar a qualquer momento. Como pôde ser tão estúpida?

Sua consciência começou a apontar todas as coisas que poderiam dar errado, coisas que não envolviam a sua própria segurança, mas a de todos ao redor. Emma estava certa, Sharon estava certa... Makayla era um risco para outras pessoas.

Ela nunca tomava a decisão certa. Estava sempre colocando alguém em risco. Era por isso que todos que se envolviam com ela acabavam mortos cedo ou tarde.

Sentiu que seus joelhos cederiam, teve noção que Zemo estava ali perto, olhando outras mesas, mas não conseguiu raciocinar as ações dele, porque seu nome em uma frase solta acabou capturando sua atenção:

— Não está aqui, Kayla. — Aparentemente o interrogatório havia acabado ou sido pausado, porque Nagel falava direto com ela.

A jovem forçou suas pernas a obedecerem, mesmo que as palavras do cientista só fizessem sentido no fundo de sua mente naquele instante. Seus nervos pareciam em curto, seu coração trabalhando no máximo, seus pulmões falhando, seu estômago revirando de forma nauseante.

— O que é que não está aqui? — Sam questionou confuso.

Makayla parou por perto deles, podia sentir os olhos gélidos de Bucky lhe queimando, mas não teve coragem de encará-lo, com medo do que ele poderia ver se examinasse o rosto dela.

— O Mercador não quer que você receba a segunda dose agora, então você não vai receber. — Wilfred Nagel explicou e ela finalmente entendeu que falavam da cura.

É claro que era isso.

Naquele instante Makayla não tinha capacidade o suficiente para raciocinar sobre o tema, ela só processou que não completaria o tratamento e, a possibilidade de ter que lidar com aquelas malditas habilidades de novo, fez com que uma quantidade anormal de pânico corresse por seu sistema nervoso.

Não queria estar ali. Não queria estar em lugar nenhum. Queria apenas se esconder debaixo das cobertas como faria uma criança medrosa. As coisas saiam e voltavam de foco, palavras ditas a ela, eventos da própria vida, lembranças do Soldado Invernal, era como se os traumas se misturassem todos de uma vez só. Seu peito parecia prestes a se partir em dois, Makayla queria gritar, mas apenas apertou mais os punhos para que nenhum pingo de seu descontrole escapasse em sua fisionomia.

Ela estava ali parada, mas não estava ali de verdade.

— O Mercador não está aqui agora, está? — Bucky apertou sua arma contra a cabeça do cientista. — Diga onde está o que ela quer.

Makayla não saberia dizer por qual motivo Barnes estava indo a extremos para conseguir algo que ele não concordava que ela tomasse... Porém o fato é que Nagel apontou um cofre refrigerado e teve medo o bastante para cooperar e dizer a senha, além de alertar que sem a temperatura correta todas as propriedades da cura se perderiam e os efeitos colaterais poderiam ser incalculáveis.

Aquele foi o único momento em que Bucky saiu de sua posição, enquanto Sam perguntava ao cientista se haviam mais frascos do super soro ali no laboratório, Barnes fez um movimento com a cabeça e Makayla o seguiu por puro impulso, tudo ao redor estava um tanto desfocado.

Bucky abriu o cofre, não havia nada mais ali além de uma seringa pronta para uso. Ele pegou o objeto com a mão de vibranium e o encarou por alguns segundos, antes de realmente tirá-lo da proteção do refrigerador para estendê-lo a Makayla.

— Se é o que você realmente quer... — Os olhos azuis gélidos puxaram a jovem, por um segundo curto ela teve um lapso de clareza que lhe permitiu respirar, como se Barnes fosse toda a paz que ela precisava.

Olhou da seringa pra ele, a pergunta rondando sua mente: era isso que ela queria? Pensou na noite passada, em todas as coisas que jamais teriam acontecido se ainda tivesse as habilidades.... Pela primeira vez Makayla quis ter tempo pra pensar melhor, mas sabia que não tinha esse luxo.

E, se não fizesse aquilo acabaria se arrependendo.

Sob o olhar atento de Bucky ela estendeu o braço direito e puxou a tampa que protegia a agulha, e a partir desse microssegundo tudo simplesmente aconteceu ao mesmo tempo, em uma sucessão caótica de eventos aleatórios, mas perfeitamente conectados.

— Gente, temos que ir, estamos ficando sem tempo. — Sharon invadiu o lugar correndo, seu tom de voz indicava urgência. Ela bateu os olhos em Makayla e pareceu irritada e nada satisfeita.

Mas a jovem já colocava a agulha contra pele, apertando o êmbolo da seringa. A primeira gota da cura penetrou sua veia...

Um tiro cortou o ar. Zemo com uma arma em punho. O grito irritado de Sharon. Sam e Bucky se movendo instintivamente para deter o Barão. As veias de Makayla queimando como se houvesse ácido em seu sangue. Um terço da seringa. E, por fim, uma explosão.

Tudo ao mesmo tempo. Um segundo. Rápido demais e ainda sim incrivelmente devagar.

Makayla sequer teve tempo de piscar antes que seu corpo fosse arremessado no ar. O caos completo engoliu o ambiente. Fogo, fumaça, o vermelho de um alarme do qual era impossível para jovem ouvir o som.

Atordoada e em agonia ela olhou para o próprio braço, a agulha quebrada em sua veia, a seringa no meio do fogo, dois terços da cura completamente perdidos. A dor vinha de toda a parte, de dentro e de fora. Suas veias em ebulição, sangue em seu rosto, a cabeça rodando e rodando, latejando, tudo saindo de foco, nenhum som e então todos eles, uma dezena de imagens e vozes...

O plano. O plano tinha dado errado. Wilfred estava morto e o laboratório destruído. Não era pra ser assim. Não era pra garota estar ali. Não era para que ela chegasse até a cura. Sam, Bucky e Zemo tinham que conseguir apenas as informações para achar Karli e então iriam embora. Nunca imaginou que os mercenários destruiriam o laboratório... Tudo deu errado. Makayla não entendia o fluxo confuso daquelas informações, que plano era esse? Por que ela sentia aquela raiva visceral de tudo?

Você não pode morrer aqui. Não ainda. Não agora. Vinte soros espalhados, isso não pode acontecer. Finalize seu trabalho. Uma obstinação amarga oprimiu o peito de Makayla, sua cabeça estava prestes a explodir, doía, ela teria gritado se pudesse, mas talvez seu corpo não tivesse capacidade de corresponder a esse comando simples.

As vozes continuavam a vir; algumas dezenas de aparelhos de rádio sintonizados em diferentes estações. Longe, perto. Tudo ao mesmo tempo. Nada compreensível, não de verdade. Ela piscou, sua visão turva, ali, mas também em outros lugares ao mesmo tempo, como se estivesse vendo pelos olhos de outras pessoas... Que merda estava acontecendo?

Ao fundo alguém chamava seu nome. A jovem não sabia dizer se era real ou se estava apenas acontecendo dentro de sua cabeça, mas a agonia era opressora e sufocante, a preocupação era esmagadora de um jeito que fazia o coração dela se contorcer no peito.

Ela fechou os olhos, as veias queimando como se transportassem soda cáustica, o corpo cansado demais, as costelas doendo, a cabeça latejando, nenhum de seus comandos fazendo com que ela se movesse. Porém, mesmo com as pálpebras fechadas continuou a ver por entre a fumaça e o fogo. Correndo. Desviando das coisas. Procurando no meio dos destroços. Por um instante ela teve a impressão te ter visto o próprio corpo caído no chão, coberto de fuligem e sangue.

Estava morta?

O alivio que ela teria sentido estava afogado em um desespero tão cru e agonizante que a jovem simplesmente soube que não podia ser um sentimento dela. Nunca se sentiria tão culpada, desamparada e furiosa com a própria morte.

Eram pensamentos e sensações intrusas, todas aquelas desde o começo.

— Makayla! — Seu nome cortou o ar, perto o bastante para que parecesse real.

Bucky...

Ela sentiu o tranco de sua própria preocupação, ao reconhecer a voz. Toda a realidade se tornando clara de uma vez só. Uma explosão havia acontecido.

Bucky. Onde estava o Bucky?

O desespero imediato que tomou conta dela fez com que as coisas se tornassem drasticamente mais pesadas. Makayla sentiu que sua mente estava sendo forçada a voltar para o próprio corpo quando se obrigou a abrir os olhos.

A imagem dela própria caída ali foi substituída por Barnes correndo em sua direção, quase como se a jovem voltasse a enxergar pelo próprio ponto de vista. Ele se agachou na frente dela, seu rosto um misto de dezenas de emoções misturadas e por um instante Makayla realmente acreditou que podia ler todas elas. Em especial o alivio intenso.

Porém talvez aquilo fosse apenas um reflexo de seu próprio sentimento naquele instante, afinal ver Bucky bem, depois de uma explosão caótica e inesperada, era de fato um alívio intenso. Ela tentou perguntar se ele estava bem, mas talvez seu cérebro não tenha correspondido a esse comando.

— Consegue levantar? — Ele apoiou ambas as mãos no rosto dela.

Makayla moveu a cabeça de forma afirmativa muito devagar, as veias ainda queimando, sua mente se enchendo de uma infinidade de sentimentos mistos, medo, urgência e preocupação acima de todos eles. Junto com isso uma infinidade de imagens... Todas dela própria.

O interessante é que a jovem nunca pensaria em si mesmo daquela forma... Nunca tão intenso, tão sublime, tão... prioritário. Ela piscou confusa e tudo simplesmente sumiu, a ardência em suas veias diminuindo aos poucos.

Bucky a puxou do chão, e Makayla usou toda sua força e concentração para se colocar de pé e não ser apenas um peso morto, ela sabia que o lugar logo iria pelos ares, mesmo que não soubesse disso de fato. Era uma certeza estranha, quase intrusa talvez.

Barnes a apoiou para que andasse, caminhando para a saída enquanto ainda ajudava Sharon e Sam no caminho. Zemo não estava ali em lugar algum, Makayla notou, olhando ao redor, e por um segundo curto ela teve um vislumbre de um lugar acima dos contêineres e de uma máscara roxa, junto com a certeza estranha de que o homem não os havia abandonado ou traído.

O que aquilo significava?

— Makayla? — Bucky a apertou um pouco mais forte nos braços e ela percebeu que basicamente não fazia nenhum esforço para andar, porque ele apoiava todo o peso dela. — Você não pode desmaiar agora, certo?

Mas ela não ia desmaiar... ou ia?

Tentou dizer isso em voz alta, que estava consciente, com dor, mas consciente, porém novamente seu cérebro não correspondeu aos seus comandos, era como se sua mente estivesse dividida, indo e voltando. Seria um efeito colateral do que ainda ardia em suas veias ou apenas consequência da explosão?

Seja o que fosse, ela não teve tempo de formar uma teoria, porque nem bem haviam colocado os pés pra fora do laboratório e tudo foi pelos ares. O corpo de Bucky desestabilizou por um instante, mas ele protegeu Makayla de qualquer impacto ou destroço que voou por toda a parte, quando a abraçou apertado e firme.

O olhar dos dois se encontrou no meio da fumaça, Makayla teve uma certeza epifânica que eles significavam muito mais um para o outro do que as palavras seriam capazes de expressar... e foi assim, com essa mesma certeza, que ela soube exatamente o momento de empurrar Bucky para a esquerda antes que um tiro o atingisse, porque, por um instante ela foi capaz de ver pelo ponto de vista de alguém que segurava a arma...

Durou apenas um segundo, podia ser reflexo apenas ou um acidente bem-vindo, mas não era, Makayla soube que não era. Talvez fosse um efeito colateral daquilo que ainda queimava suas veias, uma evolução de suas habilidades.

Ela não sabia quanto tempo duraria, não podia explicar de forma lógica, sequer entendia se era mesmo o que ela achava que era. Mas o fato é que estava acontecendo, era como se pudesse ver pelos olhos de outras pessoas, quase como se sua mente deixasse o corpo por um fragmento de segundo... Isso era possível?

Suas teorias se esvaíram, enquanto eles corriam para um conglomerado de contêineres que havia ficado amontoado por causa da explosão, e que daria uma boa cobertura. Os tiros voavam por toda a parte. Sharon, Sam e Bucky tinham as armas em punho.

— Fica abaixada. — Barnes mandou, sem pousar os olhos em Makayla.

Ela obedeceu, afinal não tinha muita certeza que poderia permanecer de pé ou ser minimamente útil naquele momento.

Os tiros voavam por toda a parte, Sam e Sharon de um lado, Bucky de outro, Makayla abaixada ao lado dele, protegida por um pedaço de contêiner. Ela teve uma certeza amarga de que era impossível ter uma boa visão do alvo por causa da fumaça, e no mesmo instante também soube que aquele pensamento não era dela, não tinha como ser.

Fechou os olhos e respirou fundo, tentando ordenar a própria mente, sua cabeça latejava ainda, as veias queimavam um pouco menos, porém continuava a ser extremamente incômodo. Tudo doía, como se seu organismo estivesse travando uma batalha e perdendo. E ainda assim, uma clareza estranha iluminou seus pensamentos, como se ela se dividisse em pequenos fragmentos de onisciência e soubesse, com toda a certeza, onde estava cada pessoa em um raio de cem metros.

— Alvo às nove horas. — Ela disse em voz alta, sem pensar, apenas instinto, usando as exatas palavras que seriam entendidas por Bucky, afinal ele era um soldado e o posicionamento das coisas era baseado na direção do ponteiro de um relógio em qualquer ação militar.

Por um micro segundo os olhos gélidos de Barnes encontraram os de Makayla, era evidente que havia uma pergunta na ponta da língua dele, porém, ao invés de verbalizar sua dúvida ele apontou a arma para a direção indicada e atirou.

— Sete horas. — Makayla disse em seguida, embora não entendesse exatamente como estava fazendo isso. Ela apenas sabia onde os homens estavam, quase como se pudesse ver através dos olhos deles.

Essa certeza trazia também uma leva de pensamentos intrusos; a ganância era o sentimento mais fácil de identificar, o resto eram apenas fragmentos soltos que significavam tudo e nada. Ela decidiu focar apenas em identificar a posição de cada pessoa e ignorar o resto...

Quanto mais se concentrava mais sua cabeça doía, latejava, rodava e, ao mesmo tempo, com o passar dos minutos, conforme o ardor em suas veias abrandava aos poucos, ficava cada vez mais difícil enxergar ou sentir qualquer coisa ou pessoa. Talvez a cura estivesse fazendo efeito...

Alguns alvos depois, a munição de Bucky acabou e, por algum motivo que Makayla não foi capaz de raciocinar totalmente, ele e Sam começaram uma discussão caótica. A jovem esfregou ambas as laterais da testa com dois dedos, sua dor de cabeça atingindo níveis alarmantes, sua mente flutuando entre pontos de vista conflitantes e perguntas sem resposta. Ela não sabia como controlar, estava apenas pulando de estação em estação e as vozes eram somente chiado, como um rádio que não tem mais bateria o bastante pra transmitir o som como se deve. Seu corpo também não colaborava, seu coração ainda batia fora do ritmo e seus pulmões prosseguiam incapazes de capturar ar o bastante...

Makayla queria silêncio, calmaria e paz, no entanto, segundo a segundo tudo ficava ainda mais caótico. O vislumbre dos canos de gás, por um instante curto ela chegou a acreditar que estava apontando uma arma naquela direção, mas sabia que sequer havia se mexido, ainda estava no chão, escondida atrás do pedaço de um dos contêineres e esfregando as têmporas.

— Abaixem... — Ela disse, prevendo o que aconteceria, como se ela própria tivesse planejado aquilo. Mas ninguém prestou atenção, então Makayla teve que reunir toda a forma que ainda tinha para erguer a voz. — Abaixem agora!

Bucky foi o primeiro a obedecer, Sam o fez logo em seguida, Sharon ainda estava abaixando quando a explosão veio, espalhando mais fumaça e fogo por toda a parte e desestabilizando os inimigos que restavam. Makayla não tinha que olhar para saber que o responsável era Zemo, porém se tivesse erguido a cabeça teria visto o homem com o rosto coberto por uma máscara roxa, lidando com alguns dos mercenários.

Ele realmente não havia fugido.

— Vamos, vamos! — Barnes incentivou, acenando para Sam e Sharon, depois puxando Makayla do chão.

A jovem não teve muita certeza de como suas pernas obedeceram para que eles corressem por entre os contêineres, talvez fosse porque Bucky apoiava todo seu corpo com o braço direito.

Zemo ficou para trás, enquanto Sam abria o caminho, mas Makayla sabia que ainda haviam mercenários atrás deles. Três. Tinham acabado de virar à esquerda quando o primeiro, uma mulher, apontou na frente e um segundo veio da direita.

— Buck! — Sam gritou, puxando a porta de um dos contêineres para servir de proteção e entrando ali com Sharon

Barnes empurrou Makayla para o lado no impulso, sua mão de vibranium impedindo um dos tiros da direita e puxando uma barra de metal que compunha a trava do contêiner. A jovem sentiu suas costas se chocarem contra a superfície irregular atrás dela, suas pernas cedendo ao peso de seu corpo, fazendo com que ela escorregasse para o chão.

Bucky usou a barra de metal como arma pra parar os dois inimigos, tudo acontecendo rápido demais para os olhos de Makayla acompanharem; primeiro ele derrubou o homem da direita e depois lançou a barra que atravessou o ombro da inimiga a frente. No instante seguinte já tinha se abaixado junto a garota no chão.

— Desculpa. — Pediu, tocando o rosto dela com a ponta dos dedos.

Uma sucessão de pensamentos invadiu a mente de Makayla de uma vez só, mas vieram fracos como uma fumaça que desvanece até não mais ser notada, ela não foi capaz de decifrar nada com clareza, havia apenas a culpa esmagadora e a preocupação latente.

Forçou seu corpo a obedecer e levantar, as veias quase não ardiam mais, porém a dor física estava em toda parte e o cansaço mental era quase insuportável, ela tinha certeza que se fechasse os olhos não abriria mais.

Sam os chamou de dentro do contêiner, dando um passo pra fora para puxar Bucky, foi nesse momento que tudo aconteceu...

Makayla não saberia dizer se ela viu com seus olhos ou com sua mente, o terceiro mercenário, uma metralhadora de calibre pesado em mãos, saindo do meio de alguns contêineres metros a frente. A jovem soube que os tiros acertariam todos eles, e o pânico se espalhou por todo seu sistema nervoso de um jeito descontrolado, fazendo com que suas veias voltassem a arder intensamente, como se algo dentro delas lutasse para vir à tona, enquanto sua cabeça latejava, prestes a explodir.

Ela não pensou nisso, seus instintos agiram sozinhos, ela empurrou Bucky com o próprio corpo, mesmo que isso a colocasse diretamente na linha de tiro, Sam caiu para dentro do contêiner, Makayla prendeu a respiração, esperando pelos disparos, os olhos focando no homem com a metralhadora.

Tudo acontecendo em um segundo...

Um grito de profunda agonia cortou o ar, nenhum tiro foi disparado, a arma foi parar no chão quando o mercenário caiu de joelhos, segurando a cabeça como se seu cérebro estivesse prestes a explodir.

Makayla teve certeza absoluta que podia tocar a dor dele como quem toca um instrumento de corda. Por um instante ela teve a sensação vívida que todas as pequenas particularidades que compunham aquele ser humano estavam na palma de sua mão. Ela podia ver tudo. A felicidade e a tristeza. Passado e Presente. Desejos, sonhos e, principalmente os medos...

Não era como com Bucky, não eram anos de memórias invadindo sua mente e ficando impressas em suas sinapses nervosas. Era diferente disso.

Se a mente humana era um complexo sistema operacional, como em um computador de última geração, com Barnes Makayla fora um simples pendrive, algo que se conectou a ele e fez um backup de todas as memórias, sem causar dano algum. Mas ali, naquele instante, com aquele mercenário, ela era um vírus, indetectável e destrutiva, ela podia ver tudo e manipular informações conforme sua vontade, corromper dados com um simples piscar de olhos e então sair limpa, sem memórias intrusas...

E ela sabia, dentro daquele pequeno segundo que pareceu se estender pela eternidade, Makayla sabia de tudo.

Os medos daquele homem estavam enterrados bem fundo, pavores ocultos. Monstros sem forma em uma jaula. Makayla podia tocá-los, manipulá-los, brincar com eles. Ou simplesmente soltá-los.

O homem gritou de novo, mais agudo. A jovem sentia que estava em dois lugares ao mesmo tempo, parada ali em frente ao contêiner e lá dentro da mente do mercenário. Era um tipo de projeção mental talvez.

Ela ignorou a própria dor, a cabeça latejando e o liquido quente escorrendo de seu nariz, desejou abrir a jaula, libertar todos os medos mais profundos daquele homem na mente dele, e talvez ela tivesse feito isso, se seu corpo não houvesse sido bruscamente puxado para dentro do contêiner.

A conexão mental se foi assim que o contato visual foi quebrado, a única certeza que ficou com Makayla foi que o homem havia atingido a inconsciência e seu corpo ficara desmaiado ali no chão.

— O que foi que acabou de acontecer? — Sam questionou um tanto exasperado, logo depois de Bucky fechar a porta do contêiner e deixá-los no completo escuro.

— Eu acho que... acho que fui eu... — Makayla murmurou quase pra si mesma.

Seu corpo estava um tanto mole, fraco e dolorido, tudo rodava, a cabeça latejava e os olhos estavam pesados, porém a ardência em suas veias era apenas um suave formigar incômodo naquele momento.

— Achei que tinha tomado um tipo de cura... — A voz de Bucky vinha de muito perto, de forma que era quase reconfortante.

— Eu também. — Foi só o que Makayla disse.

— Será que podemos parar de conversar no escuro e sair daqui? — Sharon se pronunciou, sua entonação um pouco tensa e ansiosa parecia totalmente normal para o caos completo que os cercava, porém Makayla podia sentir algo mais vindo dela.

Um tipo de frustração misturada com raiva talvez, mas naquele momento aquilo era tão fraco que a jovem achou que estava alucinando, ou apenas interpretando tudo errado. E, de toda forma, tudo isso ficou para trás quando Bucky atravessou o contêiner, abrindo uma saída do lado oposto com seu punho de vibranium, fazendo com que a claridade repentina cegasse Makayla por um momento e ela cambaleasse para trás.

— Você está bem? — Sam questionou, segurando a jovem pelo braço.

Makayla franziu as sobrancelhas, sua primeira reação foi olhar para a mão de Wilson sobre o tecido do terno que ela vestia. Aquilo era estranho... Não era como se estivesse lendo a mente dele, longe disso até, não haviam memórias ou pensamentos intrusos, ainda assim ela podia sentir o que emanava de Sam, mesmo que suas peles não estivessem se tocando.

— Está lendo minha mente agora? — Ele questionou com um sorriso de curiosidade surgindo nos lábios.

— Não exatamente... — Makayla teve que piscar algumas vezes. — É mais como... sentir conforto e paz emanando de você.

Sam sorriu de forma genuína, o tipo de coisa que não parecia combinar com o contexto que os cercava.

— Esse é meu lance. Conforto e paz, sou quase um spa. — Ele encolheu os ombros de forma displicente, outras pessoas podiam interpretar aquilo como um gesto presunçoso, mas Makayla soube de forma epifânica que Sam Wilson tinha o hábito de usar uma boa dose de humor para esconder o quanto ficava sem jeito com elogios.

Ela sorriu também, no mesmo instante em que o som do motor de um carro os fazia olhar pra fora...

Zemo parou um conversível ali na frente, se gabou do carro com um gracejo que fez Bucky revirar os olhos. Makayla apenas ficou agradecida por poder se jogar no banco de trás e encostar a cabeça em qualquer lugar. Estava exausta.

Sam queria levar Zemo de volta para a prisão. Bucky achava que eles precisariam de reforços para lidar com Karli, afinal eram vinte super soros por aí e ninguém tinha certeza de quantos deles estavam nas veias de alguém. O Barão ainda era útil.

Barnes entrou no banco da frente e Sam no banco de trás, Sharon por sua vez não pretendia ou podia voltar aos Estados Unidos antes de ter um perdão. Eles se separariam ali...

Makayla sequer teve chances de se despedir, porque a loira saiu apressada, como se tivesse um mundo de problemas desabando em sua cabeça. Sharon Carter era uma mulher cheia de mistérios.

Quando Zemo acelerou, logo depois de dar a jovem um lenço, para que ela limpasse o sangue que havia escorrido de seu nariz, Bucky teve um pequeno momento de vingança envolvendo o banco do carro, Makayla riu disso porque é claro que sua mente lhe deu a outra parte da lembrança. Barnes e Wilson espremidos em um fusca vendo Steve Rogers beijar Sharon Carter.

Por um instante a jovem se perguntou se alguém tinha dito a Sharon que seu antigo peguete havia voltado no tempo para se casar com a tia-avó dela. Os jantares de família deviam ser um tanto constrangedores para Steve Rogers...

Com esse pensamento idiota em mente, Makayla fechou os olhos, suas veias finalmente haviam parado de arder, qualquer sensação intrusa havia ido embora, mas ela ainda não sabia o que tinha acontecido com suas habilidades. Teria que descobrir depois.

Naquele instante a única coisa que podia fazer era dizer adeus para Madripoor...

Como se soubesse que estava sendo observada, Makayla abriu os olhos e encontrou os de Bucky no retrovisor, a preocupação nas íris gélidas era visível, ela moveu os lábios em um sorriso na intenção de tranquilizá-lo, mas não teve certeza se deu certo.

Nada foi dito durante o percurso que os levou para fora de Madripoor, todos pareciam tensos com seus próprios pensamentos, talvez porque ainda podiam ser atacados por mercenários em qualquer esquina. Quando finalmente passaram pela ponte e saíram dos limites da ilha Sam suspirou de alivio.

— Esse é um lugar em que eu nunca mais vou voltar. — Ele declarou com um tanto de humor na voz.

Makayla concordava, mesmo que tivesse deixado duas malas para trás não tinha intenção alguma de colocar os pés em Madripoor outra vez, eram apenas algumas roupas e documentos falsos. Nada realmente importante ou de valor...

Algumas horas depois eles estavam em um pequeno aeroporto clandestino, onde Zemo tinha um jato particular e um mordomo esperando por eles. Todos estavam exaustos a seu próprio modo, porém, mesmo que não quisesse pensar em absolutamente nada, Makayla não pôde deixar de reparar que a aeronave era muito familiar.

A mesma que ela tinha visto em seu “sonho”, quando tomou a primeira dose do inibidor...

Uma teoria começou a se formar em sua mente, porém, mesmo quando se acomodou na poltrona estupidamente confortável do jato particular, a jovem ainda estava exausta demais para fazer a cabeça trabalhar. Ela fechou os olhos, dizendo a si mesma que seria apenas um instante, porém, quando os abriu de novo, em um sobressalto por causa dos pesadelos que haviam invadido seu subconsciente, eles já estavam no ar, Sam dormia na poltrona ao lado, Zemo na de trás e Bucky na que estava a frente dela, todos trajando roupas limpas.

Por quanto tempo havia apagado?

Tentando não fazer qualquer barulho ela se levantou, seu corpo estava dolorido em vários lugares, porém a dor de cabeça e a ardência em suas veias tinham sumido finalmente. Ela seguiu para o banheiro no fundo da aeronave, entrou no pequeno cubículo e fechou a porta, encarando a si mesma no espelho sobre a pia.

Estava péssima.

Extremamente abatida, o cabelo todo bagunçado, sangue e fuligem por seu rosto, hematomas aqui e ali... Ela ligou a água e tentou se limpar o máximo possível, com os dedos alinhou os fios castanhos e logo estava apoiada na pia, olhando para uma versão mais apresentável de si mesma, porém se sentindo péssima...

Todo o peso daqueles últimos dias caiu sobre seus ombros de uma vez só, Makayla nunca se sentiu tão perdida quanto naquele momento. Teve que encarar a pessoa que era, as decisões erradas que havia tomado em prol daquela cura... Todas as pessoas que havia colocado em risco.

Ela tentou não chorar. Não ali. Porque sabia que se começasse não pararia mais. Porém quanto mais segurava tudo isso dentro dela, mais vontade tinha de gritar. Percebeu que tremia, a possibilidade e o pavor de alguém ter morrido por causa dela se infiltrando em seus ossos de forma irreversível.

Segurou o ar, os pulmões ardendo com o esforço de conter o choro, os olhos vermelhos. Makayla se sentia terrível, pior que um lixo, indigna, egoísta, irresponsável, estúpida. Emma estava certa sobre ela...

Uma leve batida na porta fez com que a jovem reagisse em um sobressalto.

— Makayla... — A voz de Bucky, mesmo em um tom baixo, era perfeitamente reconhecível. — Você está bem?

Ela se olhou no espelho uma vez mais e colocou um sorriso falso no rosto antes de abrir a porta.

— Sim. — Respondeu casual, saindo do banheiro e passando por Bucky.

Ele não permitiu que ela fosse muito longe no entanto.

— Você teve um pesadelo?

— Achei que você estava dormindo. — Makayla olhou por sobre o ombro.

Com certeza ela tivera um sono agitado pelos pesadelos já costumeiros e é claro que Bucky não estava dormindo mesmo. Ela devia saber.

— Você não respondeu minha pergunta... — Ele deu um passo na direção dela, os olhos tensos e preocupados.

— Foi só um pesadelo, nem lembro mais. — A jovem encolheu os ombros, tentando colocar casualidade em sua mentira.

Ela lembrava perfeitamente. Afinal como esqueceria da agonia de Bucky toda vez que o Soldado Invernal puxava um gatilho que ele não desejava puxar?

Tentou se esquivar dele. A verdade é que estava sempre tentando poupar Barnes das piores verdades, a vida já o havia machucado demais, Makayla não precisava colaborar com isso...

Estavam nesse pequeno espaço antes da área comum da aeronave, mas Bucky não deixou que a jovem passasse, ao invés disso ele puxou a porta de correr que os separaria do resto do jato, fazendo com que ficassem presos naquele cubículo que antecedia os dois banheiros.

— Makayla... — Os olhos azuis procuraram os dela. — Você tem os meus pesadelos?

— Não. — Ela mentiu e fez seu melhor para colocar convicção naquela curta palavra.

Barnes não acreditou, isso ficou explícito em seu rosto, na respiração cansada, na forma como seus dedos de vibranium passaram por seu cabelo expressando frustração.

— Eu acho que você está mentindo... — Ele disse de forma simples. — Mas tudo bem... Podemos deixar isso de lado um pouquinho. Você quer falar sobre o que aconteceu lá em Madripoor? Sua cura não funcionou, não é?

Makayla deu um passo para trás, seu corpo se encolhendo automaticamente no terno um pouco maior que ela. Ela não sabia, mas temeu que a volta de suas habilidades mudasse tudo. Bucky podia querer repensar as coisas que tinham feito naquela noite... Sequer poderia culpá-lo por isso.

Os olhos azuis gélidos analisaram a garota por um instante e ele pareceu entender exatamente o que se passava na cabeça dela.

— Hey... Eu só estou perguntando porque estou preocupado com você. — Bucky avançou os dois passos que Makayla havia se afastado, e estendeu a mão direita, pedindo pela dela.

A jovem levou alguns instantes para reagir, seus dedos deslizando pela palma masculina com cautela, temendo o que viria desse contato... Mas nada aconteceu.

— Eu não tenho medo dos seus poderes, princesa. — Bucky puxou a mão dela em direção aos lábios e depositou um beijo terno ali. E talvez nenhum outro gesto do mundo teria expressado tão bem suas palavras quanto aquele simples beijo. Makayla sentiu o pânico em seu coração abrandar. — Eu só tenho medo do que minha mente pode fazer com você. E por isso estou fazendo todas essas perguntas.

— Acredite, nada que venha de você é pior do que as coisas que a minha própria cabeça já faz comigo. — Ela se aproximou o pequeno passo restante e pousou a outra mão no rosto de Bucky.

— Você pode me contar qualquer coisa. Não precisa fazer isso sozinha. Nem os pesadelos, nem os poderes... — Barnes declarou com os olhos fixos nos dela.

Makayla não soube o que dizer, não de imediato, talvez não houvessem palavras para realmente expressar o que aquilo significou pra ela. O conforto imediato que abateu seu corpo e a emoção crua que entalou em sua garganta e fez seus olhos encherem de lágrimas contidas.

Queria dizer a Bucky o quão quebrada ela estava, o quão indigna era, o perigo eminente de estar ao seu redor, que ele não devia se preocupar ou se importar, que ela não valia a pena. Porém sabia que jamais conseguiria falar aquelas coisas em voz alta sem desmoronar diante dele, por isso preferiu focar em tentar explicar o que tinha acontecido com suas habilidades.

— Por que você tem meu nome no seu caderninho? — Ela questionou, fazendo com que Bucky franzisse as sobrancelhas confuso. Era uma pergunta retórica no entanto, apenas um jeito de começar a contar. — Eu vi... Você aqui nesse avião, furioso com Zemo por causa do meu nome na sua lista de reparação. Eu acho que durante o tempo em que o inibidor estava agindo isso descontrolou e aumentou meus poderes, era como se eu pudesse enviar minha mente para outras mentes... Não sei explicar. Aconteceu quando eu tomei a primeira dose e acho que aconteceu de novo agora. Mas sumiu. Eu não consigo ver mais nada.

Colocar sua teoria em palavras ajudou Makayla a enxergar as coisas com um pouco mais de clareza. Com certeza o efeito inicial era esse descontrole de seus poderes, era uma droga afinal, e talvez seu organismo tentasse a todo custo combater os efeitos daquilo, por isso suas habilidades atingiam um potencial mais alto... Fazia sentido.

— Foi assim que você soube onde aqueles homens estavam e todo o resto... — Bucky pareceu compreender com precisão aquela linha de raciocínio.

— Isso. Eu não sei porque foi tão diferente da coisa com o toque que eu tinha inicialmente... Mas Nagel disse que essas habilidades podem mudar, desenvolver. Eu sinto que li a mente de todo mundo, mas as memórias não ficaram comigo, elas só se foram como fumaça. Eu sequer consigo decifrar qual pensamento era de quem. — Makayla tentou explicar, embora ela mesma não entendesse completamente. E odiava isso. — E talvez nem importe, porque agora acabou. Eu não vejo ou sinto mais nada.

Não podia mentir, era um certo alivio ver que não havia mais rastro daquelas habilidades em parte alguma. Já tinha coisa demais acontecendo com ela, não precisava de poderes inexplicáveis pra completar o combo do trauma.

— Talvez sua conexão com as outras pessoas não seja como sua conexão comigo. — Bucky declarou casualmente, encarando Makayla com um sorriso de canto.

— Você está se gabando? — Ela perguntou, tentando não rir da forma como ele estava encarando aquilo.

— Seria tão ruim assim? — Ele devolveu, tocando o rosto dela com a mão de vibranium e afastando uma mecha teimosa do cabelo feminino.

— Não. Não seria... — Makayla respondeu, mergulhando nos olhos gélidos como se Bucky fosse sua escapatória dos terrores e de todo o caos do mundo.

Ou ao menos ela tentou... porque sua mente fez questão de apontar tudo que podia ter dado terrivelmente errado naquele dia. Todas as pessoas que teriam morrido por causa dela.

De novo.

Não sabia o motivo de estar pensando nisso naquele momento, talvez porque podia ver nos olhos de Bucky o quanto ela era importante pra ele. E todas as vezes que suas peles se tocaram naquelas últimas horas tinha deixado exatamente essa impressão.

Makayla era a prioridade de Barnes.

E por mais que isso parecesse bom, reconfortante e adorável, naquele instante a mente da garota não interpretava assim, ela fazia uma lista de tudo que podia ter acabado em tragédia apenas porque estaria, outra vez, no local errado e na hora errada...

Até quando suas atitudes irresponsáveis colocariam a vida das pessoas em risco?

Seu peito se contorceu em uma dor aguda, o ar se extinguindo em seus pulmões, ela tentou engoliu o próprio desespero, assim como tentava a todo custo impedir as lágrimas de transbordarem de seus olhos.

— Hey... o que foi? — Bucky perguntou, apoiando o indicador abaixo do queixo de Makayla e analisando o rosto dela com evidente preocupação.

Ela tentou dizer que estava tudo bem, mas não conseguiu formar uma única palavra coerente. A primeira lágrima rolou por seu rosto e os olhos de Barnes se encheram de angústia, ele puxou Makayla para perto de si, a escondendo em seu peito e a abraçando forte, apertado e ao mesmo tempo carinhosamente.

Um soluço ficou estrangulado na garganta da jovem, ela tentou não chorar, tinha sido ensinada por Emma a não fazer isso na frente de ninguém, porque era inoportuno. Quando criança chorar perto da mãe era sinônimo de levar uma bronca. Emma Kennedy odiava lamurias de criança.

Porém naquele momento Makayla foi incapaz de engolir as próprias emoções, então se permitiu chorar, escondida no peito de Bucky, enquanto sentia os dedos dele lhe acariciarem o cabelo lentamente.

— Tudo deu errado por minha causa. — A voz da jovem saiu estrangulada pelo choro. — A Sharon estava certa, eu era um risco pra segurança de vocês.

— Isso não é verdade, Makayla... — Bucky rebateu de imediata, puxando o rosto dela com cuidado para que se encarassem. — Nada deu errado. Estamos aqui. Estamos bem.

— Você se distraiu comigo e isso quase te matou pelo menos umas três vezes hoje. — Ela retrucou com convicção, tentando espantar as lágrimas com as costas das mãos, embora elas continuassem rolando. — Nagel está morto, porque eu te tirei do seu posto e...

Barnes não permitiu que Makayla continuasse a falar.

— O cientista está morto porque Zemo atirou nele. Isso não tem a ver com você. Ele nunca permitiria que alguém que podia produzir o soro ficasse vivo, é do Zemo que estamos falando. — Ele limpou o rosto dela de forma carinhosa.

Makayla riu de forma fraca e seca.

— Você não entende... É isso que eu faço, todo mundo ao meu redor acaba morto porque eu sempre tomo a decisão errada. — Tentou explicar, porém ela já sabia que Bucky nunca seria capaz de ver a realidade.

— Isso não é verdade. — Ele repetiu, ainda segurando o rosto dela entre as mãos.

— É sim. Você só não me conhece o bastante pra saber disso. — Ela se esquivou de Bucky e deu um passo para trás, limpando o rosto da melhor forma que podia.

— Eu te conheço o suficiente. E você salvou a minha vida, lembra? — Ele ainda tentou argumentar.

— Isso não conta. — Makayla rebateu, porque afinal em sua cabeça ela mesma havia colocado Bucky naquela situação. Se não estivesse lá as coisas seriam diferentes.

Era nisso que ela acreditava, era o que sua vida havia mostrado todas as vezes, com todas as mortes que a cercavam.

— É claro que conta... — Barnes ainda estava tentando convencê-la.

Makayla sabia que aquela conversa não os levaria a lugar algum, ele nunca entenderia o que se passava no coração e na mente dela, por isso apenas assentiu com um movimento curto, esperando que isso desse a ele um pouco de paz.

Não tinha porque preocupar ninguém com seus sentimentos, pensamentos e problemas.

Tentou dar a conversa por encerrada e voltar para sua poltrona, porém Bucky lhe impediu de passar quando segurou a porta de correr com a mão de vibranium.

— Você está fazendo aquilo outra vez...

— Fazendo o que? — Makayla franziu as sobrancelhas de forma confusa.

— Concordando comigo só pra que a conversa acabe. — Ela jamais teria esperado que Bucky fosse tão assertivo.

Geralmente ninguém se importava com isso. Era confortável para todos ao redor simplesmente aceitar que tinham vencido, por isso a tática de apenas concordar sempre finalizava a conversa. As pessoas não se preocupavam com as outras de verdade, ainda mais quando se tratava de sentimentos, elas se importavam apenas consigo mesmas, queriam estar certas e, acima disso, queriam ficar em paz com sua consciência e dizer “mas eu ajudei”.

Makayla já lidara com isso muitas vezes, com aqueles que diziam se importar, mas na verdade só queriam que ela dissesse que estava bem, assim poderiam seguir suas vidas com a sensação de que tinham feito o que era certo. Queriam pagar de bons, mas não queria ser bons de verdade.

E por isso a atitude de Barnes de confrontá-la daquela forma a deixou um tanto desnorteada.

— Eu não sei o que você quer que eu diga...

Bucky também pareceu um tanto surpreso e desnorteado com a resposta.

— A verdade. Só a verdade. — Ele devolveu de forma simples e direta.

Makayla piscou algumas vezes, era estranho ouvir aquilo. As pessoas raramente queriam a verdade, elas só diziam isso, mas no geral a verdade crua machucava. Era assim com todas as pessoas com as quais ela havia se relacionado...

— E se for uma verdade feia? — Questionou, porque mesmo tendo lido a mente de Bucky algumas coisas sobre ele sempre entrariam em conflito com as convicções e crenças enraizadas nela.

Algumas coisas sobre aquele homem simplesmente nunca fariam sentido para Makayla, estavam acima da compreensão dela talvez...

— Principalmente se for uma verdade feia. — Barnes afirmou convicto.

Makayla respirou fundo, piscando algumas vezes enquanto fazia uma analise interna. Qual era a verdade dela?

— Bom... então a verdade é que eu me sinto amaldiçoada. Todo mundo ao meu redor morre e eu estou de saco cheio disso... — Ela começou, porque talvez aquela fosse a coisa entalada em sua garganta há tempo demais. — Eu tenho só vinte anos e não sei pra onde eu estou indo e nem o que eu estou fazendo. Eu nunca soube. Mas continuo andando por aí como se soubesse, quando a única verdade é que todos os dias eu me questiono sobre o motivo pelo qual eu continuo de pé, tentando fazer tudo funcionar. Pra que? No fim vai todo mundo morrer mesmo... Eu estou exausta. Essa é a verdade.

— Hey, hey. — Bucky segurou o rosto dela em um misto de desespero e carinho, era possível o pavor tingir as íris gélidas dele. — Você tem uma vida inteira pela frente, princesa. Uma vida pela qual vale a pena lutar. Não fala assim. Você é única e perfeita, e você merece o mundo. Felicidade, paz e tudo que você desejar. As vezes parece difícil, mas eu juro que vale a pena lutar por isso.

Makayla piscou devagar, pensou em engolir seu primeiro pensamento, mas se estavam sendo honestos, então talvez fosse hora de perguntar:

— Se vale tanto a pena lutar por isso, porque você fica pensando que é melhor desistir dessa luta?

Bucky se afastou um passo, ficou claro que não esperava ser confrontado por aquela verdade. Mas era tarde demais para voltar atrás...

— Eu sei o que sua lista significa, eu já estive na sua mente, lembra?

Ele respirou fundo, os dedos correndo pelos próprios fios castanhos de forma nervosa.

— Eu tenho cem anos, você tem vinte. — Devolveu na defensiva. — É completamente diferente, porque eu vivi minha vida.

Makayla riu de forma sarcástica e seca.

— Viveu? Porque de onde eu vejo você viveu a vida que escolherem pra você por anos e anos, e agora que você tem chance de fazer uma escolha própria, você fica dizendo a si mesmo que é melhor escolher a morte. — Ela apontou de forma certeira, mas ainda calma.

Bucky dizia querer a verdade feia e crua de Makayla, quando se tratava da própria verdade ele era esquivo... E a jovem havia evitado o assunto também, porque fora ensinada a evitar confronto por toda a vida, não queria cutucar as feridas dele, porém, quando ambos estavam machucados de forma tão parecida, não havia como desviar de um ferimento para lidar apenas com o outro.

— Eu escolhi paz. — Bucky respondeu e sua certeza era convincente apenas até certo ponto, porque, depois dos últimos dias, Makayla o via melhor do que nunca.

— Mesma coisa com palavras mais bonitas. — Ela retrucou em um tom calmo. — A única diferença entre você e eu, é que você tem uma lista, você tem um propósito, mesmo que você pense que não tem. Você não quer morrer, Bucky. Só decidiu isso na sua cabeça porque você acha que é a coisa certa, não porque é o que você quer de verdade. Você quer viver, quer fazer coisas boas. Você quer ser o herói que te impediram de ser. Você ainda acredita no mundo. Mas, na sua cabeça, você nega tudo isso, porque você não acha que merece nada de bom que posso conquistar. E sua negação é tão convincente e frequente que você realmente acredita, e por um tempo eu acreditei também.

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Makayla respirou fundo, finalmente se dando conta do motivo de ter saído de casa atrás de Bucky naquela primeira noite. Ela achou que se pudesse salvá-lo, também poderia salvar a si mesma. O que ela ignorou naquele dia foi o óbvio; Barnes havia decidido morrer, mas nunca quis isso de fato, já ela nunca tinha decidido, mas era isso o que mais queria. Eram iguais e totalmente diferentes...

Esperou que Bucky ficasse irritado, ofendido ou magoado por ser confrontado com verdades tão íntimas sobre si mesmo, porém, ele apenas se encostou na parede atrás de si ficou pensativo por um longo momento.

— Talvez você esteja certa, e eu nunca tinha sido capaz de ver isso. — Ele disse por fim, erguendo os olhos da direção dela.

Makayla levou alguns instantes para absorver aquelas palavras calmas.

— Por que você não está bravo com isso? Por que não está bravo comigo?

Bucky encolheu os ombros de forma displicente.

— Principalmente a verdade feia, lembra? — Ele repetiu simples. — Acho que depois do que eu passei, depois de viver anos em uma mentira, mesmo a verdade mais terrível de todas ainda é melhor e mais confortável. E quando se trata de coisas sobre mim mesmo é ainda melhor ser confrontado com a realidade crua e clara...

O olhar dos dois se encontrou novamente, Makayla ainda não era capaz de entender completamente a amplitude do que Bucky estava dizendo.

— Eu não sou estúpido, princesa. Sei que tudo que eu vivi ferrou com a minha cabeça, sei que aqui dentro nada funciona exatamente como deveria. Mas saber disso não torna mais fácil entender ou controlar o que eu penso e sinto. É por isso que no fim do dia a única coisa realmente relevante é que eu entendo que não posso confiar na minha mente. — Ele explicou e seu tom de voz deixava bem claro o peso que aquilo tinha em sua vida. — Então quando você olha pra mim e me diz uma verdade tão profunda sobre mim mesmo, como se pra você fosse fácil decodificar tudo que eu luto pra distinguir, é... a melhor coisa que alguém podia fazer por mim.

Makayla piscou, surpresa com aquela revelação.

— Eu sei que é um tanto injusto, porque bom, eu fiquei com toda a parte boa dessa conexão e você ficou com as memórias traumáticas e os pesadelos, mas, já que estamos dizendo verdades, então eu tenho que confessar que quanto mais o tempo passa e mais eu entendo tudo isso... mais eu gosto de ter você na minha cabeça, princesa. — Ele caminhou até ela, e tocou seu rosto. — Então, quando eu estiver sendo hipócrita, pedindo pra você fazer coisas que eu mesmo não faria, você pode me dizer. Quando minhas palavras incomodarem você, eu não quero que se cale e concorde com medo de me machucar. As verdades que vierem de você nunca vão me machucar, Makayla, você entende isso?

Ela assentiu devagar, hipnotizada com cada palavra e com tudo aquilo que estava por trás delas. Aceitação.

— Eu queria saber a coisa certa pra dizer agora, algo que realmente te ajudasse. Mas parece que o dom de ter uma epifania e entender as pessoas é só seu. — Bucky deu um sorriso um tanto melancólico. — Desculpa, não ser com Steve ou Sam que sempre sabem a coisa certa pra dizer no momento certo. Eu sou só...

— Um cara qualquer? — Makayla completou, fazendo alusão à noite anterior.

— Não parece tão ruim quando você fala. — Bucky acabou rindo de canto.

— E não é. — Ela concordou, erguendo a mão e permitindo que seus dedos corressem pela barba rala dele. — Nada contra Sam e Steve, eles são incríveis, cada um da sua própria forma. Mas eu prefiro você, Bucky.

Ele sorriu, talvez o melhor sorriso que já tenha dado e Makayla sentiu o coração palpitar em um ritmo descontrolado. A forma como os dedos masculinos acariciavam seu rosto era reconfortante, ela teve completa certeza que poderia ficar presa naquele momento para sempre.

— Quer saber porque coloquei seu nome na lista? — Bucky questionou de repente e Makayla assentiu lentamente. — Eu magoei você, então seu nome precisava estar lá, ou ao menos foi o que eu disse pra mim mesmo, mas não acho que seja inteiramente verdade.

— E qual é a verdade? — Makayla perguntou em expectativa.

— Eu acho que só queria um motivo pra te ver outra vez. — Ele confidenciou com os olhos focados nos dela.

— Pois eu acho esse o melhor motivo de toda a lista, se quer saber... — A jovem sorriu e Bucky se moveu, invertendo a posição de seus corpos e fazendo com que ela ficasse presa contra a porta de correr.

Os olhos azuis gélidos focaram no rosto feminino, medindo cada traço bem devagar, Makayla teve a nítida impressão que Barnes mergulhou em algum dilema enquanto analisava cada hematoma na pele dela.

— Você tem todas as minhas memorias e pensamentos, certo? — Ele questionou de repente, embora parecesse apenas uma forma de puxar um assunto.

— A maior parte. — Ela respondeu, franzindo as sobrancelhas em curiosidade.

Era evidente que Bucky queria chegar em algum lugar com aquela pergunta e, pelo olhar que ele tinha no rosto, era algo bem importante, ao mesmo tempo em que parecia conflitante. Quase como se Barnes estivesse prestes a fazer algo que era contra sua natureza.

— Sobre o Steve? — Ele questionou novamente e isso fez com que Makayla franzisse ainda mais as sobrancelhas, não apenas de curiosidade, mas também de clara confusão...

— Onde você quer chegar, Bucky?

Ele respirou fundo, seu corpo se curvando um pouco na direção do feminino, para que seus olhos ficassem no mesmo nível.

— Se você tem todos os meus pensamentos, sabe que eu nunca pedi pra ele ficar, certo? — Makayla não esperava aquele assunto saindo dos lábios de Bucky.

Mas sim, ela sabia... A partida de Steve era uma das maiores dores de Barnes, porque ele não havia perdido apenas o homem por quem fora apaixonado secretamente por toda a vida, ele havia perdido o melhor amigo, o irmão, a única família, o norte, sua base...

E, mesmo quando Steve expressou seu desejo de ver Peggy uma vez mais e talvez ficar no passado com ela, Bucky nunca havia dito uma só palavra para dissuadi-lo. Mesmo sabendo o quanto aquela separação doeria em sua alma, Barnes decidiu suportar.

Não era o certo ou justo e acima disso, ele soube que não tinha direito de pedir aquilo a Steve, seria egoísta...

— Nesse caso, você, melhor do que ninguém, vai saber exatamente o que significa, tudo que eu vou dizer a seguir... — Ele declarou, depois que a jovem moveu a cabeça de forma afirmativa. Um segundo de silêncio tenso os engoliu, Bucky respirou fundo e colocou as duas mãos no rosto dela. — Eu preciso que você lute, Makayla. Preciso que fiquei viva. Se não puder fazer isso por você, então faça por mim. Me escolhe, princesa. Me escolhe, ao invés da morte.

Makayla piscou devagar, absorvendo aquelas palavras e o real valor delas. Não eram apenas frases ditas ao acaso. Com certeza tinha peso, não apenas pelo pedido em si, mas porque era certo que Barnes havia aberto mão de alguns princípios para dizer aquilo...

Para a maioria das pessoas era absolutamente fácil ser egoísta ou simplesmente dizer coisas com aquela importância da boca pra fora, mas Bucky se esforçava todos os dias para não ser assim.

E aquela era a coisa mais egoísta que ele já tinha dito...

Ele estava pedindo que Makayla ignorasse as próprias dores, traumas e passado. Talvez que ela ignorasse até as próprias convicções, porque, problemáticos ou não, aqueles desejos eram dela, a exaustão com a vida era algo íntimo.

Bucky não era o tipo que se metia na vida das pessoas daquele jeito. Mesmo naqueles casos.

Talvez para quem não tivesse as memórias e os pensamentos dele fosse apenas um pedido um tanto desesperado. Mas Makayla entendia com perfeição todas as complexas nuances por trás daquela súplica, ela conseguia enxergar o que significava realmente...

Ela tomou algo como verdade em seu coração naquele momento, algo que ela tinha ouvido dele, mas não havia acreditado; algo que ela havia visto na mente dele em algum dos momentos caóticos horas antes; algo que podia ser encontrado nos olhos gélidos a qualquer instante em que eles pousavam nela. Algo que Makayla não aceitava, porque não se julgava digna ou merecedora.

Ela era realmente importante para Bucky Barnes. Muito importante.

Podia parecer estúpido até, mas Makayla nunca se enxergou como peça chave na vida de ninguém, nem na dos próprios pais. Sempre disse a si mesma que eles ficariam melhor sem ela...

Mas então Bucky estava bem ali na sua frente dizendo “eu prefiro abrir mão das minhas próprias convicções do que perder você...”, ou melhor, ele não estava dizendo isso, porque se ele tivesse usado palavras de forma tão direta, com certeza Makayla seria cética. Ele estava provando isso.

“Não morra, por mim, porque eu preciso de você.”

Talvez em outros ouvidos ou para outros pontos de vista, aquele pedido até parecesse problemático... Provavelmente outras pessoas diriam que haviam formas melhores de atingir o mesmo resultado, porém Makayla sabia que, mesmo que Bucky tivesse escolhido usar, quem sabe, três famosas palavrinhas, ela teria duvidado, e talvez ele também soubesse disso.

Então ele disse a única coisa que realmente a faria se sentir amada de verdade. A única coisa que seria capaz de convencê-la a lutar contra a vontade de morrer. A única coisa forte o bastante para fazê-la sobreviver.

Um motivo para continuar viva.¹

— Eu posso fazer isso. — Makayla respondeu finalmente, seu coração aos saltos e um misto de felicidade e euforia correndo por suas veias. — Se... você fizer o mesmo por mim.

As sobrancelhas de Bucky se uniram de forma confusa.

— Você não morre, eu não morro, simples assim. — A jovem explicou de forma simples e direta.

— Bom... eu também posso fazer isso. — Bucky afirmou e o mesmo sorriso satisfeito enfeitou o rosto dos dois.

— Então temos um acordo, senhor Barnes? — Makayla ergueu a mão direita e os olhos gélidos acompanharam aquele movimento antes de voltar para o rosto da jovem.

— Com certeza temos. Mas esse não é o tipo de acordo que se sela com um aperto de mão, Senhorita Devinne. — O tom dele deixava evidente suas segundas intenções.

— E como é, então? — Ela desafiou, mordendo os lábios de forma travessa.

— Eu mostro pra você, princesa... — Bucky declarou antes de segurá-la pela nuca e puxá-la para mais perto de si.

Logo suas bocas se uniriam em um beijo suave e apaixonado.

Pela primeira vez em muito, muito tempo, Makayla Devinne viu algo que fazia o futuro parecer um bom lugar para se conhecer...

Notas finais
¹ Acho importante dizer que essa conversa deles não é um indicativo de que o trauma vai desaparecer e a cura simplesmente aconteceu em um piscar de olhos pela força do amor, claro que amor é importante, mas se vc quebrou a perna, por mais que todo mundo ao redor te ame e te ajude a passar por isso você ainda precisa de acompanhamento profissional, o trauma é igual, um processo de altos e baixos. E por mais que os personagens acabem romantizando algumas coisas nas cabeças deles (porque estão em evolução e em processo de aprendizado) não significa que eu vou romantizar isso na narrativa. Makayla mostrando um pouco de seus poderes (basicamente um io-io a relação dela com essas habilidades, mas neh kkkkk) acho que deu pra pescar muitas coisas interessantes, neh? Mas será que agora acabou mesmo? E o casalzinho finalmente teve uma conversa decente, dá até pra considerar progresso... Mas o que será que vem por aí? Porque a gente sabe que o arco do episódio 04 é pesado... Nos vemos no próximo sábado. Beijos e até!