Sweet Epiphany
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Notas iniciais

A dor em seu corpo ainda era incômoda, mas nada insuportável. Seus braços ainda roxos, principalmente onde a agulha havia quebrado, mas não havia mais ardência e, o principal, não haviam mais poderes. O banho quente havia relaxado seus músculos e o vapor ainda se espalhava pela suíte enquanto Makayla, enrolada em uma toalha felpuda, encarava algumas peças de roupa sobre a cama...
Estavam em Riga, a capital da Letônia, era ali que Bucky, Sam e Zemo esperavam encontrar Karli, os outros super soldados e o soro que ela havia roubado. Pelo que parecia uma mulher importante para a garota havia falecido ali por perto muito recentemente.
Zemo possuía uma propriedade na cidade, um casarão bem localizado e estupidamente bem abastecido, onde agora Makayla escolhia uma roupa limpa entre as peças disponíveis. Saiu da suíte vestindo as coisas mais casuais que conseguiu e logo encontrou Sam, sozinho, sentado em frente a bancada que separava a cozinha da sala.
— Bucky ainda não voltou? — Ela questionou, se aproximando alguns passos.
Logo que chegaram ali, Makayla observou uma mudança na postura de Barnes, ele parecia ter notado algo que nenhum deles foi capaz de perceber e simplesmente disse que precisava dar uma volta, mesmo antes de entrarem na casa.
A jovem estava tentando não se preocupar com isso, mas seu coração e sua mente não pareciam dispostos a colaborar.
Sam apenas negou de modo simples.
— E Zemo está no banho... — Ele declarou, apontando um frasco sobre a bancada. — Mas deixou analgésicos pra você.
Makayla dispensou o remédio, mas se serviu de um copo de água, observando Wilson com cautela enquanto bebia. Sam era um homem que sempre parecia ter tudo sob controle, alguém de quem era fácil ficar perto, sempre com um sorriso aberto e uma palavra amiga. O pai de Makayla também era assim...
E talvez por isso ela soubesse que nem sempre quando uma pessoa parecia bem, ela de fato estava bem.
— Como você está, Sam? — Perguntou, atraindo a atenção dele para si.
— Bem. — Wilson sorriu de forma leve e então gesticulou para ilustrar suas próximas palavras. — Tô inteirinho, olha.
— Só porque estamos fisicamente inteiros, não significa que estejamos bem... — Makayla encolheu os ombros em resposta.
Sam lhe deu um olhar surpreso, mas a forma como o sorriso dele morreu aos poucos fez com que a jovem soubesse que estava certa. Ele não estava inteiramente bem. Como estaria afinal?
— Eu sinto muito pelo escudo. — Ela se encostou nos armários atrás de si e ofereceu a ele um sorriso reconfortante.
Sam respirou fundo fechou o notebook e a encarou por alguns segundos.
— Bom, você leu a mente do Bucky, então também deve achar que foi estupidez da minha parte entregar o escudo pra outra pessoa, não é? — Dava pra notar o leve amargor por trás de seu tom.
— Eu li a mente do Bucky, o que significa que eu entendo porque ele acha as coisas que acha. — Makayla explicou de forma simples. — Mas de qualquer forma, eu penso com a minha própria mente, nesse caso eu sei que você não “entregou o escudo para outra pessoa” você só fez o melhor que podia com aquilo que sabia, e o deixou sob os cuidados de um museu.
Sam piscou devagar, suas sobrancelhas se franzindo minimamente, enquanto um sorriso surgia em seu rosto; claro que ele lembrava de ter dito uma parte daquilo para Makayla no dia anterior.
— Além disso... quantas vezes alguém do governo procurou você nesses últimos meses? E-mails, telefonemas, visitas, encontros casuais no seu ambiente de trabalho...
As palavras da jovem pareceram surpreender Wilson.
— Você usou exemplos bem específicos e espantosamente certeiros. — Ele declarou estreitando o olhar.
Makayla respirou fundo, nunca tinha parado para pensar no quão antagônica ela era se comparada com Sam. Era filha da mulher diretamente responsável pela dor dele naquele momento. Todos os sentimentos amargos que Wilson ainda estava digerindo tinham sido um golpe de alguém relacionado a ela.
Toda a dor, a humilhação... A percepção de que fora usado. Makayla seria um lembrete de tudo isso.
— Infelizmente eu conheço o governo muito melhor do que eu gostaria... — Encolheu os ombros. Temendo o que aquela verdade causaria.
Sam teria todo direito de ficar com raiva.
— Como? — Ele questionou curioso e intrigado.
— Longa história... — Makayla tentou desconversar.
— Bom, eu não estou fazendo nada agora. — Wilson gesticulou casual.
Ela pensou em mentir, em contar uma meia verdade ou ser evasiva, porém não pareceu justo. Tudo que Sam havia feito desde que a conheceu foi ser gentil e amigável, muito mais do que qualquer outra pessoa seria. Talvez devesse a verdade a ele, mesmo que isso fosse fazer com que o homem se arrependesse de cada pequeno gesto afável que havia dirigido a ela...
— Posso? — Makayla apontou o notebook, se tinha que contar, pelo menos que fosse com a menor quantidade de palavras possíveis, para que fosse rápido como tirar um curativo grudado no machucado.
Abriu a tampa do aparelho e se deparou com uma página sobre como arrumar motores de barcos e várias guias procurando um modelo seminovo para compra, o que era um tanto estranho para o momento, mas desconsiderou isso e digitou um nome na barra de buscas, virando a tela na direção de Sam assim que o google mostrou os resultados:
— Essa é a minha mãe. Madrasta... Já nem sei mais.
Sam encarou a foto de Emma Kennedy na tela do notebook e seu olhar foi claro o suficiente para que Makayla entendesse que ele sabia quem aquela mulher era.
— Essa foi a Senadora que trabalhou diretamente na criação do Tratado de Sokovia... — Ele declarou surpreso.
— Ela também foi a influência chave para convencer o Governo a dar seu escudo para John Walker, que acontece de ser um velho conhecido da família. — Makayla contou, sabendo que mesmo que não falasse nada seria apenas uma questão do tempo até Wilson descobrir.
Ele respirou fundo, comprimindo os lábios e assentindo diversas vezes, como se estivesse pensando em algo para dizer.
— Bom, John é...
— Um idiota presunçoso. — A jovem completou antes que Sam pudesse terminar a frase.
— Dizem que ele é um bom Soldado. — Wilson comentou neutro.
Makayla sorriu, aquele simples comentário dizia muito sobre o homem que Sam era. Uma pessoa tão boa e justa que nunca falaria mal de alguém, que tentaria ver o melhor mesmo em um idiota usurpador como John Walker....
Um homem admirável.
— Isso não significa que Walker seja digno do manto que está carregando... — Makayla respondeu de forma crítica.
Afinal, sim, John era um bom Soldado, isso era inegável sobre ele, mas ser bom aos olhos de um governo que manipulava seu povo e usava e abusava de pessoas baseado na cor de suas peles, não valia de muita coisa, certo?
Sam não disse nada de imediato, e Makayla preferiu dar a ele o silêncio necessário para que aquelas verdades fossem processadas.
— Bucky sabe disso? — Foi a primeira coisa que saiu dos lábios de Wilson, depois de alguns curtos instantes.
Makayla achou curiosamente adorável que a primeira preocupação dele tenha sido o Bucky.
— Sobre minha mãe ser do governo, sim. Sobre todo o resto... ainda não. — Ela respondeu e pela primeira vez se deu conta que talvez fosse algo que os dois teriam que conversar em breve.
— Boa sorte com isso... — Sam riu de forma divertida, como se estivessem falando de um assunto casual e não do homem que estava andando por aí posando de Capitão América. Por que ele não estava irritado com o envolvimento de Makayla em tudo aquilo? — Inclusive, melhor esperar um pouco pra contar, não precisamos do mau-humor do Bucky enquanto procuramos a Karli. E se tem alguma coisa que deixa aquele velho rabugento de mau-humor é o John Walker.
Com certeza fazia sentido não querer que Bucky ficasse abalado no meio de uma missão envolvendo super soldados. Mas o que fez Makayla franzir as sobrancelhas foi a forma casual e leve como Sam estava encarando tudo aquilo.
— Você está bravo?
— Por que eu estaria? — Ele devolveu a pergunta de forma simples.
— Você tem sido legal comigo esse tempo todo, e eu sou a filha da mulher que arrancou algo que era seu por direito, e deu pro primeiro idiota branquelo que ela encontrou na esquina. — Makayla gesticulou enquanto explicava.
Sam sorriu de forma pacífica e fraternal. Quase como se estivesse ouvindo uma criança falar de seu medo do bicho papão.
— Sabe, eu tive a sorte de ter bons pais, gente que eu me orgulho de seguir os passos, mas não é assim pra todo mundo e, às vezes, é bom lembrar que somos indivíduos únicos, não somos nossos pais. Você não é sua mãe, Makayla, não é responsável pelas atitudes dela. — Ele declarou compassivo. — Além disso, você deixou sua opinião sobre tudo isso bem clara, e eu devo dizer, que tendo essa mulher como mãe, é um grande mérito seu ser sensata.
Makayla respirou em profundo alívio e acabou sorrindo. Sam era incrível.
— Eu tive um pai maravilhoso pra equilibrar. — Ela declarou, se debruçando sobre a bancada e digitando o nome de Danniel na barra de pesquisas e mostrando os resultados para Sam.
— Esse é seu pai? — O reconhecimento nos olhos dele não era algo que a jovem havia esperado ou previsto. — Não brinca!
A animação de Wilson era evidente e isso fez com que Makayla ficasse imediatamente curiosa.
— Ouvíamos o podcast dele enquanto estávamos fugindo do governo. — Ele explicou em seu tom animado. — Steve adorava, principalmente quando seu pai puxava sardinha para o lado do Bucky... que geralmente eram as partes chatas, mas enfim...
Ele riu alto da própria piada e Makayla se sentiu contagiada por isso, amou imaginar Steve ouvindo o podcast e comentando com os amigos sobre, Danniel com certeza amaria saber disso.
— Eu acho que esse vai ser o primeiro caso de sogro que fica genuinamente feliz com o genro. — Sam brincou e essa piada inocente, aliada ao último pensamento de Makayla, fez com que a jovem ficasse repentinamente melancólica.
Seu pai nunca saberia que era admirado por Steve Rogers e Sam Wilson... E ele com certeza nunca teria a alegria de conhecer Bucky Barnes.
— Isso seria uma coisa muito interessante de ver. Mas ele faleceu... — Ela declarou, encarando as próprias mãos, não queria ficar triste com isso, mas era inevitável.
— Oh.... eu sinto muito. De verdade. — Sam declarou de forma afável, então depois de analisar Makayla por alguns segundos, ele se colocou de pé. — Vem aqui, acho que você precisa de um abraço.
Não era o que a jovem esperava, mas foi reconfortante ser acolhida nos braços de Wilson quando ele deu a volta no balcão e a puxou para perto. A forma como ele abraçava, como um urso carinhoso, a fez lembrar de Cameron e isso foi comovente de certa forma.
Ainda estavam abraçados, quando duas portas se abriram ao mesmo tempo; a do banheiro primeiro, de onde Zemo saiu em um roupão junto a uma nuvem de vapor, e a porta da frente, de onde logo uma voz conhecida se espalhou pelo ambiente.
— As Wakandanas estão aqui, elas... — Bucky parou por um segundo, quando bateu os olhos em Sam e Makayla que estavam se afastando normalmente naquele momento, mas logo prosseguiu: — Querem o Zemo. Mas eu consegui mais um tempo.
— Você foi seguido? — Wilson questionou e, enquanto Bucky negava, a mente de Makayla trazia algumas das memórias dele em Wakanda.
Barnes amava aquele lugar e tinha profundo respeito por seu povo e cultura, seu sentimento de imensa gratidão para com T’challa, Shuri e uma Dora Milaje chamada Ayo fez com que Makayla estimasse cada um deles de forma genuína, mesmo sem nunca tê-los conhecido.
— Como tem tanta certeza? — Zemo perguntou caminhando para perto deles ali na bancada.
— Por que eu sei quando estou sendo seguido... — Bucky respondeu para o Barão, mas seus olhos estavam fixos em Makayla, um sorriso sagaz no canto de seus lábios.
— Se vai começar com as indiretas, devia criar um twitter. — A jovem respondeu com uma risada divertida, passando por ele para se sentar no sofá ali perto.
É claro que ninguém mais ali entendeu o real significado daquela pequena piada interna, e de toda forma aquilo se perdeu na seriedade da conversa e na nova informação que a internet trouxe sobre Karli; ela havia atacado um dos pontos de suprimentos do CRG e isso causara a morte de trabalhadores inocentes.
Makayla conseguia entender que os rapazes estavam ficando sem tempo, precisavam achar Karli e as outras doses do soro e precisavam fazer isso rápido, não só porque a garota estava se tornando perigosa, mas também pois as Dora Milaje queriam Zemo, o assassino do rei delas.
Enquanto o Barão discursava sobre os ideais supremacistas inerentes ao desejo de se tornar um super soldado e Sam tentava argumentar que Karli era apenas uma garota ainda, Makayla encarava Bucky tentando decifrar pela postura dele como o encontro com a pessoa vinda de Wakanda tinha sido...
Foi assim que ela soube que ele estava cansado e que, seja quem fosse a pessoa, tinha dito coisas que o haviam atingido. Isso ficou ainda mais evidente quando Barnes sentou-se ao lado dela e apoiou a cabeça no encosto do sofá, enquanto Sam fazia um paralelo entre o funeral de sua tia — ou melhor, sua “titi” — e o de Donya, a mulher com que Karli tinha contato.
Bucky estava exausto. E já que Makayla sabia que qualquer tipo de cansaço físico era algo extremamente difícil de abater o organismo dele, então aquela exaustão era emocional. Ele estava no limite.
Enquanto a conversa prosseguia ela distraidamente apoiou a mão no mesmo encosto, apenas para que seus dedos brincassem com os fios castanhos de Bucky, na intenção boba de que isso transmitisse a ele algum conforto.
Os olhos gélidos encontraram os dela por um instante e um sorriso mínimo surgiu nos lábios masculinos, fazendo com que o coração de Makayla saísse do prumo sem aviso. Nunca deixaria de ser surpreendente a intensidade do que sentia por aquele homem...
Esse fugaz momento foi interrompido por Zemo, que ofereceu aos dois algumas unidades de Manjar Turco.
— Eu tenho cara de Edmundo Pevensie por acaso, Feiticeira Branca? — Makayla soltou sarcástica, colocando o doce embalado em celofane no braço do sofá.
— Isso é daquele filme do guarda-roupa? — Sam questionou, desistindo de morder seu próprio Manjar Turco.
— Na verdade é uma série de livros, mas sim, é. — A jovem assentiu e talvez tenha sido a primeira vez que ela viu Zemo fazer algo nada educado como revirar os olhos.
— Do que vocês estão falando? — Bucky perguntou confuso, encarando cada um deles por um segundo.
— Manjar Turco é tipo uma armadilha que a vilã da saga usa pra conquistar a lealdade de uma pobre criança. — Makayla explicou da forma mais rápida e prática que conseguiu. — Vilanias e afins.
Barnes encarou o Barão por alguns instantes e também desistiu de seu doce, movendo a cabeça em negativa de forma crítica, enquanto dizia:
— Uau, quando eu penso que você não pode ficar mais óbvio.
— Na verdade, foi o Edmundo quem pediu o Manjar. — Zemo tentou argumentar em um tom quase ofendido.
— Dá na mesma. — Makayla retrucou com um dar de ombros e Sam concordou, enquanto Bucky continuava a encarar o Sokoviano como se ele tivesse oferecido veneno puro a cada um deles.
— Honestamente... — Os lábios de Zemo se moveram em desgosto evidente antes que ele arrumasse a postura de forma distinta. — Vou me trocar para irmos atrás da Karli.
Ele deixou o cômodo em direção a um dos quartos e Makayla acabou rindo.
— E eu vou aproveitar pra ligar para a minha irmã enquanto isso. — Sam também se colocou de pé, mas seus passos estavam direcionados ao lado oposto. — Espero vocês lá fora.
Logo Bucky e Makayla estavam sozinhos na sala. Ele olhou para ela por alguns segundos e então assumiu uma postura totalmente casual.
— Então... você e Sam... — Começou, parecendo desinteressado. — Parecem bem íntimos, com abraços, piadas e referências...
Makayla riu de, dentre tantas coisas, aquela ter sido a primeira preocupação de Bucky. Era fofo até.
— Está com ciúmes de mim ou dele? — Ela perguntou insinuativa e riu mais ainda quando Bucky revirou os olhos.
— Não estou com ciúmes. — Ele cruzou os braços como faria uma criança emburrada, mas quando seus olhos encontraram os de Makayla respirou fundo e acabou cedendo. — Só um pouco. O nível normal pra qualquer pessoa.
— Se você está dizendo... — A jovem devolveu com um sorriso travesso. Seus dedos ainda brincavam com os fios castanhos masculinos. — Sam me lembra meu irmão, então nada mais que uma amizade vai rolar. Você ainda pode tentar uma chance com ele, não se preocupe.
Enquanto Makayla ria, Bucky revirava os olhos um tanto indignado, dizendo o quão boba era ela, mas por fim acabou cedendo e sorriu também.
Se arrumaram um pouco melhor no sofá, ela estendendo a mão para recuperar o Manjar Turco e desembrulhar um.
— Achei que era coisa de vilão... — Barnes declarou, suas íris gélidas acompanhando cada movimento da jovem.
— É, mas eu sempre quis comer isso pra ver o gosto que tem. — Makayla encolheu os ombros despreocupadamente.
Deu a primeira mordida, oferecendo para Bucky logo depois, enquanto ainda mastigava lentamente, absorvendo os sabores. Ele fez o mesmo, seu nariz franzindo de um jeito desinteressado.
— Já comi coisas melhores. — Declarou sem grande comoção e Makayla acabou assentindo totalmente decepcionada.
Esperava uma iguaria quase mágica, mas o gosto era bastante familiar até.
— Tudo isso por uma bala de goma? — Ela encarou o doce e deu mais uma mordida. O gosto frutado, misturado ao açúcar de confeiteiro, não era nada particularmente especial. — Prefiro Fini.
— O que é Fini? — Bucky puxou a mão dela para roubar o último pedaço do Manjar.
Makayla sorriu, podia ficar pra sempre ali com ele, fazendo coisas simples como explicar vilões de sagas literárias, comer doces novos, mas nem tão especiais, e contar de seus gostos para guloseimas modernas.
— Eu vou comprar pra você quando voltarmos pra casa. — Respondeu, confortável com planejar futuros próximos com Bucky Barnes.
Ele sorriu de uma forma que fez o coração dela acelerar, pareciam compartilhar do exato mesmo sentimento naquele instante. Plenamente confortáveis um com o outro, mesmo que, se fossem pensar bem, se conhecessem há tão pouco tempo.
Era uma daquelas coisas na vida que não são sobre o fluxo temporal e sim sobre conexão.
— Falando em voltar pra casa... — Bucky começou em um tom cauteloso, se ajeitando no sofá. — Eu sei que você vai ser contra, mas eu preciso tentar pelo menos... será que você podia ficar aqui enquanto lidamos com Karli e os outros Super Soldados? Eu entendo que...
— Tudo bem. — Makayla concordou, antes mesmo que ele precisasse argumentar mais.
O pânico que havia sentido no meio de todo o caos daquela manhã não era algo que queria sentir outra vez. Além disso, tinha percebido que sua presença podia ser uma distração para Barnes e a última coisa que ela queria era colocar a vida dele em perigo.
E eram super soldados afinal, Makayla sabia muito bem que não tinha qualquer treinamento e capacidade de lidar com aquilo. Tinha conseguido a cura que queria, daquela vez não havia nenhuma necessidade de impor sua presença na situação. Pela segurança de todos os envolvidos era melhor que ficasse ali quietinha.
Bucky pareceu surpreso, talvez tivesse pensado que ela seria teimosa e se imporia para fazer o que quisesse...
— Só me promete que você vai tomar cuidado, certo? — Makayla pediu em um tom preocupado e logo os dedos de vibranium tinham envolvido a mão dela.
— Eu prometo, princesa. — Bucky garantiu, depositando um beijo carinhoso nos dedos femininos. — Além disso, tenho mais de cem anos, não é qualquer coisa que me mata não.
Eles sorriram um para o outro e Makayla deitou a cabeça no encosto do sofá, enquanto mergulhava nos olhos gélidos. A esperança de voltar para Nova York em breve era reconfortante, mas por algum motivo o coração dela não achava que isso aconteceria tão cedo assim...
Teriam que lidar com um problema de cada vez.
— Como você está, Bucky? — Ela questionou, vendo as sobrancelhas dele se franzirem em confusão.
— Bem...
Era evidente que Barnes não havia entendido o sentido da pergunta, por isso Makayla resolveu deixar sua preocupação mais clara:
— Eu sei o quanto Wakanda significa pra você e agora as Dora Milaje estão aqui... bravas porque você soltou o homem que matou o rei delas.
Bucky entendeu finalmente qual era o assunto e isso o fez respirar fundo. Era evidente que toda a situação o havia abalado.
— Eu tive que fazer uma escolha, mas sempre soube que nem todo mundo ficaria feliz com isso. — Respondeu, desviando a atenção de Makayla e deixando que seu olhar vagasse para longe enquanto continuava: — Estou pronto para arcar com as consequências disso, se assim elas desejarem, quando tudo isso acabar.
Um pânico imediato se espalhou pelas veias da jovem.
— Bucky... — Seu tom preocupado e tenso vez com que as íris gélidas pousassem nela outra vez.
Barnes pareceu decifrar cada micro expressão de Makayla.
— Eu não vou morrer, os Wakandanos não são assassinos, eles têm um rei justo e sensato demais pra isso. — Ele disse aquilo de forma casual que em nada acalmou a jovem. — Porém pode ser que eu fique preso por um tempo...
— Isso não tem graça, Bucky. — A forma conformada como ele agia começou a deixar Makayla irritada. — Você não pode me pedir pra te escolher em um dia e depois sumir da minha vida no outro.
Barnes se moveu para um pouco mais perto, seu polegar da mão direita deslizando pela bochecha feminina.
— Às vezes nem tudo acontece como a gente planejou, mas olha... — Ele sorriu para tranquilizá-la. — Não importa o que vai acontecer daqui pra frente, o que importa é que fizemos um acordo, certo? — Ele tentou conseguir uma resposta afirmativa de Makayla, mas ela ainda estava muito tensa para sequer se mover. — Não importa onde eu estiver, não importa a distância; juntos ou separados. Você não morre, eu não morro. Simples assim. E, se tivermos que nos separar por um tempo, eu quero que você viva o mais plenamente que puder, certo?
— Odeio como isso parece uma despedida. — A jovem respondeu, sentindo que seu coração estava apertado e seus olhos ardiam. De repente era como se tudo estivesse escapando entre seus dedos como areia seca.
— Não é, princesa. É só precaução. — Bucky a tranquilizou uma vez mais, seu tom de voz calmo começou a influenciar um pouco Makayla. — Quando eu entregar o Zemo, Ayo e Wakanda vão entender que ele era apenas um meio para um fim e tudo vai ficar bem.
Ela assentiu, mas seu movimento não tinha qualquer convicção. Sabia muito bem que Bucky não se colocaria contra uma decisão de Wakanda, ele era grato demais por sua liberdade mental para pensar em se opor a qualquer ato deles.
Makayla tentou se acalmar com o fato de que Wakanda não era como os Estados Unidos, T’challa era um rei justo, ele não exigiria nada terrível de Barnes, ainda mais sabendo de tudo que o Sargento havia passado na vida.
Tudo ficaria bem. Ou ao mesmo foi isso que ela tentou repetir a si mesma tantas vezes quantas fossem necessárias para que se convencesse disso.
— Hey, nós temos uma conexão, lembra? — Bucky declarou, sorrindo de forma leve ao ver a preocupação ainda estampada no rosto da jovem. — E mesmo que nada fique bem, não importa quanto tempo demore ou quão longe seja, eu encontro você de novo. Eu prometo.
Makayla assentiu novamente, um pouco mais calma. Sabia que Barnes não era o tipo de homem que fazia promessas em vão. Acabou sorrindo também.
— A menos que você se apaixone por algum melhor amigo bonitão no caminho. — Alfinetou divertida, para que o clima pesado daquela conversa tensa se dissipasse.
— Mas é boba mesmo... — Bucky revirou os olhos, enquanto ela ria.
No entanto as íris azuis focaram em Makayla por um instante longo, de forma intensa o bastante para fazer com que um arrepio quente cortasse o corpo da jovem e ela desejasse saber exatamente o que ele estava pensando.
Bucky levou as duas mãos ao pescoço, tirando dali a corrente que segurava suas plaquetas de identificação.
— Aqui... — Ele colocou a peça em Makayla. — Nesse caso, eu ainda te encontro pra pegar isso de volta.
Ela abaixou os olhos para as plaquetas que agora estavam penduradas em seu pescoço.
— Mas isso é importante pra você... — Alternou o olhar entre Bucky e as peças. Aquilo tinha um significado tão grande que nem ela própria conseguia entender totalmente.
— Você também é, e vai ter que acabar aceitando isso. — Barnes segurou o rosto dela com ambas as mãos, se aproximando dela para que apenas um sopro os separasse e para que seus olhares ficassem completamente presos. — Você é minha garota agora, princesa. Não vai se livrar de mim tão fácil assim.
Makayla sorriu; deslumbrada, derretida, apaixonada. Se qualquer outra pessoa no universo se referisse a ela usando um pronome possesivo, com certeza haveria uma resposta irritada, irônica e mal-educada na ponta de sua língua, porém, quando se tratava de Bucky... ela gostava da sensação de pertencer a ele.
Porque afinal, sequer era preciso pensar muito pra saber que Bucky Barnes era a melhor coisa que já havia acontecido na vida de Makayla. E ela encontrou um sentimento absolutamente satisfatório em aceitar que ele também era dela...
Tudo que sempre quis na vida foi um pequeno momento de paz e felicidade, e, naquele instante, Makayla estava mais feliz do que nunca.
Fechou os olhos, prestes a sentir a boca de Bucky cobrir seu sorriso, no entanto o gosto dele não chegou em seus lábios, pois alguém limpando a garganta exigiu atenção.
— Sinto interromper. — Zemo se desculpou, recebendo um revirar de olhos irritado de Bucky. — Estou pronto.
O casal trocou um último olhar.
— A gente volta em breve. — Barnes garantiu, depositando um beijo na testa de Makayla e se colocando de pé.
O Barão abriu a boca para dizer alguma coisa, porém o indicador de vibranium erguido em riste o cortou.
— Nenhuma palavra. — Ordenou enquanto os dois caminhavam para a porta.
Makayla riu sozinha, apoiando as pernas no sofá e tocando as plaquetas em seu pescoço. A prova irrefutável de que ela era a garota de Bucky Barnes...
Podia se acostumar com isso, com certeza.
★☆ • ★☆ • ★☆
Aquela busca fora uma inútil perda de tempo, interrogatórios sem resposta e Zemo dando doces para crianças aleatórias, Bucky não poderia estar mais frustrado... No caminho de volta ele chegou a se perguntar por que quando fazia as coisas a mando da Hydra tudo parecia mais fácil? Porém tão logo a resposta lhe ocorreu ele percebeu que fora um erro dar espaço para esses pensamentos.
Com a Hydra parecia mais fácil porque ele não tinha emoções ou escrúpulos, o Soldado Invernal não precisava perguntar nada gentilmente, ele chegava a qualquer extremo para conseguir o que queria... Não importava quantos inocentes estivessem no caminho.
Bucky preferiu deixar isso de lado com um suspiro frustrado, a pior parte é que ele parecia o único com o gosto amargo de derrota na ponta da língua. Zemo estava calmo demais — principalmente para alguém que logo estaria nas mãos das Dora Milaje — e Sam estava conformado, talvez porque não achasse Karli um inimigo de verdade, apenas uma garota que perdeu seu caminho.
Quando entraram na casa do Barão a primeira coisa que Barnes notou foi a sala vazia e a ausência de qualquer som.
— Makayla? — Chamou, mas não obteve qualquer resposta.
Enquanto Sam se jogava em um dos sofás e Zemo seguia para a cozinha, Bucky foi direto para os quartos, a preocupação batendo apressada em seu peito de um jeito ilógico. Sua aflição desmedida e exagerada só ficou ainda mais evidente quando ele encontrou Makayla perfeitamente bem, adormecida em uma das camas com o celular nas mãos.
Ele sabia que se preocupava exageradamente com ela, mas era inevitável. Gostava demais daquela garota...
Sua garota.
Talvez fosse cedo demais, para as juras de amor, as promessas apaixonadas e os planos futuros, Bucky entendia isso em sua mente, mas seu coração não raciocinava assim... Para seus sentimentos não era cedo, não depois de décadas sendo desperdiçadas com dor e sangue, para simplesmente negar aquela pequena coisa incrivelmente boa que havia acontecido por acidente com ele.
Não estava disposto a fingir que não se importava com Makayla apenas para seguir qualquer convenção social que, sendo honesto, ele sequer sabia se era ou não válida. Todas as vezes que tentou negar o que sentia ou então protelar viver aquilo isso só lhe causou dor. Estava cansado disso...
Verdade que uma parte de si questionava cada mínima decisão ou palavra, apontava que Bucky não era digno, que nada daquilo era certo ou duraria, mas ele tinha decidido não escutar essa parte. Porque se tudo acabava em luta, então preferia lutar contra a parte amarga de si mesmo do que contra aquele sentimento doce que só crescia a cada momento.
Além disso, tudo que envolvia Makayla era tão intenso e surreal que Barnes tinha certeza que qualquer tentativa de parar, calar ou impedir isso seria falha e perda de tempo.
Tinha mais de cem anos, estava cansado de perder tempo.
Então suas decisões estavam focadas em viver o que sentia e manter Makayla segura, lidariam com o resto conforme fosse acontecendo...
Caminhou até a jovem em passos silenciosos, ela provavelmente havia caído no sono enquanto mexia no celular, porque o aparelho estava em sua mão, e o pior, conectado ao carregador.
Bucky acabou rindo da falta de cuidado de Makayla, — ela estava pedindo pra levar um choque, — pegou o aparelho com cuidado para não acordá-la e o colocou sobre o móvel ao lado da cama, para então puxar em edredom e cobri-la o mais delicadamente que podia.
Analisou o rosto feminino por alguns instantes. Era como se, a cada vez que olhava para ela, aquilo em seu peito crescesse e ficasse ainda mais forte. Deixar o quarto e voltar para sua mente e para todos os problemas que precisavam ser resolvidos acabou sendo muito mais difícil do que Bucky esperava.
No entanto, logo ele estava sentado na sala, tentando arrancar de Zemo a verdade sobre a conversa que ele tivera com aquelas crianças, logo depois de Sam ter deixado claro que entendia porque os Apátridas estavam tão bravos.
Wilson sempre entendia o lado de todo mundo. Por isso seria o Capitão América perfeito...
Sim, Bucky tinha dito que pegaria o escudo para si, mas eram apenas palavras vazias causadas pelo choque de ouvir Sam dizer que destruiria a última lembrança de Steve. Barnes queria que aquela ameaça tola causasse alguma reação em Wilson. Afinal ninguém em sã consciência ficaria confortável em saber que um ex-assassino semi-estável estava carregando aquele manto.
Mas Sam sequer se abalou com essa possibilidade, o que deu a Bucky a noção de que havia algo naquela história que ele certamente estava falhando em enxergar... Devia ter um motivo muito forte e sério para Wilson não ter ficado com o escudo.
No entanto aquela analise ficou de lado, principalmente quando Zemo revelou que tinha sim conseguido informações sobre a mulher que eles buscavam, e o idiota ainda teve a ousadia de dizer que não entregaria sua única “vantagem”.
Bucky não pensou, apenas agiu por instinto, logo estava de pé, cara a cara com o Barão, o ódio correndo solto em suas veias e uma xicara de porcelana espatifada contra a parede. Sam teve que intervir antes que Barnes acabasse quebrando os dentes de Zemo.
— Gente? — A voz de Makayla atraiu toda a atenção da sala. — O que aconteceu?
— Apenas uma xícara quebrada, nada demais. — Zemo foi o primeiro a responder.
Bucky se voltou na direção da garota, os olhos dos dois se encontrando e a raiva se esvaindo dele de forma automática, assim que reparou o quanto ela estava evidentemente sonolenta ainda. Era adorável.
— Acho que eu peguei no sono, por que não me avisou que vocês chegaram? Deu tudo certo? Vocês estão bem? — A preocupação de Makayla era evidente e Barnes acabou sorrindo com isso. Era o tipo de coisa com a qual poderia se acostumar.
— Você estava dormindo, não quis te acordar. E estamos bem. — Ele respondeu de forma apaziguadora, ganhando um sorriso que fez seu coração errar uma batida.
— Zemo conseguiu informações com crianças dando uma de Feiticeira Branca, você estava certa. — Sam se meteu na conversa, usando um tom divertido, atraindo a atenção da jovem para si.
— Sério, Barão? — Makayla riu um tanto sarcástica, pousando seus olhos em Zemo. — Bem que o Bucky disse que você não podia ser mais óbvio...
Ao falar o nome de Barnes ela procurou o olhar azul, focando nele e ignorando a reação do Sokoviano para a provocação. Logo Sam se meteu entre eles com um sorriso enorme no rosto.
— Agora que você está aqui pra impedir uma guerra interna e controlar o velhote aí, eu vou ligar para Sharon. — Ele apontou para Bucky e o deboche implícito de sua piada era evidente.
Barnes se limitou a revirar os olhos. Sabia que pelas próximas duas horas estariam de mãos atadas, já que a única pista que tinham sobre Karli era que a garota estaria no velório da mulher chamada Donya Madani. Odiava ter que esperar, mas era o melhor que podiam fazer, afinal se procurassem demais e alertassem os Apátridas a líder deles podia desistir de aparecer naquele velório e perderiam o rastro dela outra vez.
Teria que esperar, não tinha outro jeito.
— Querem comer alguma coisa? — Zemo perguntou, caminhando para a cozinha com uma naturalidade que não combinava com a cena de segundos antes.
— Você gosta muito de alimentar as pessoas. Eu nunca sei se você está bancando o papai ou se está só se fazendo de Bruxa de história infantil. É meio bizarro. — Makayla retrucou ácida e Bucky acabou rindo.
— Como anfitrião não posso permitir que meus convidados passem fome. — O Barão se limitou a responder.
Barnes e Makayla apenas negaram, ignorando o Sokoviano e seguindo para um dos quartos juntos. Bucky se jogou na cama primeiro, na transversal, os pés ainda calçados para fora do colchão, a jovem se deitou ao lado dele, deixando que o silêncio confortável os consumisse por algum tempo.
Ele estava tentando não pensar que o tempo estava passando e Ayo estaria ali com as Dora Milaje em breve, e não poderia se opor a elas quando quisessem levar Zemo... Na verdade entregaria o Barão naquele mesmo instante se ele não tivesse em posse da localização do velório.
O idiota era esperto o bastante para fazer um seguro que ainda o tornasse útil, ou seja ele não estava disposto a voltar para a cadeia antes de ter certeza que o soro e os super soldados não eram mais um problema... E, mesmo assim, Zemo ainda estava calmo demais com a situação toda... Não podia ser bom.
Makayla se apoiou em um dos cotovelos e o encarou por alguns instantes antes de perguntar:
— O que vai acontecer quando vocês encontrarem a garota?
Bucky respirou fundo, seu rosto virando na direção dos olhos tempestuosos.
— Pra ser honesto eu ainda não sei... — Ele respondeu de forma honesta. — O que eu sei é que temos que recuperar as doses restantes do soro e que o Sam acha que pode convencê-la a ceder, talvez tudo termine bem.
— Você acredita nisso? — Makayla devolveu em um tom levemente preocupado.
— Você sabe no que eu acredito, princesa. — Bucky declarou com um suspiro pesado.
— Que tudo sempre acaba em uma luta... — Ela completou certeiramente.
Barnes queria acreditar em Sam mas, assim como Steve, Wilson tendia a ver sempre o melhor das pessoas e Bucky sabia, por experiencia própria, que na maior parte do tempo as pessoas não eram tão boas assim... Era péssimo admitir que talvez a visão de Zemo sobre Karli fosse a mais próxima da verdade.
Mesmo que no fundo Bucky quisesse estar errado., ele achava que não havia um jeito de acabar com tudo aquilo de forma pacífica...
Ele se sentou na cama, se colocasse todas as coisas que estavam acontecendo em uma lista era muito fácil ver que eram variantes demais para que tudo simplesmente acabasse bem. Barnes já havia atravessado violência demais na vida, por isso ele sabia que o sangue de alguém sempre acabava sendo derramado.
— Você está preocupado, não é? — Makayla se sentou também.
— Um pouco... — Bucky tentou não incomodá-la com seus pensamentos pessimistas.
A jovem por sua vez se ajoelhou na cama, se posicionando atrás de Barnes e tirando a camisa preta de manga comprida que ele usava.
— Por que não fala comigo? Duas cabeças pensam melhor que uma... — Ela sugeriu, apoiando as mãos nos ombros dele, fazendo pressão com os polegares em formas circulares, como se soubesse exatamente onde toda a tensão do corpo masculino estava acumulada. — Além disso, é uma via de mão dupla, se eu não tenho que passar pelas coisas sozinhas porque posso falar com você, então você também pode falar comigo, não importa o que seja.
Bucky relaxou aos poucos, fechando os olhos e deixando a cabeça tombar para trás, encostando na barriga de Makayla que continuava ajoelhada na cama, movendo as mãos dos ombros para a nuca dele em movimentos ritmados e certeiros que eram uma mistura de massagem e caricia.
— Zemo está calmo demais para alguém que sabe que logo vai estar nas mãos das Dora Milaje. — Barnes falou finalmente, cedendo à ideia de que talvez duas cabeças pensassem mesmo melhor que uma só e aceitando que ele não estava sozinho. Não mais.
— É claro que ele está calmo, o que mais ele tem a perder? — Makayla devolveu como se fosse a coisa mais óbvia de todas.
— A liberdade e a vida? — Bucky argumentou também de forma óbvia.
— Ele já nem tinha liberdade alguma antes de hoje, além disso, essa liberdade e essa vida serviriam de quê pra ele sem ter com quem compartilhar? Olha, pelo pouco que eu conheço do Zemo acho que a morte seria um alivio pra ele. — A garota explicou e suas mãos agora contornavam a barba masculina, subindo por ali até os fios castanhos.
— Acho que você entende as pessoas melhor que eu... — Ele concordou, percebendo que fazia muito sentido.
Os dedos de Makayla estavam em seu couro cabeludo, exercendo a pressão perfeita a cada movimento circular e sincronizado.
— Uau, isso é bom... — Ele soprou, ainda de olhos fechados, ouvindo a risadinha feminina cortar o ar.
Makayla se curvou sobre ele, tendo que se esticar um pouco para que seus lábios se unissem em um beijo rápido, dado praticamente de ponta cabeça por causa da posição de ambos.
— Tira isso aqui e deita. — Ela tocou na camiseta que ele ainda usava e então se colocou de pé.
— Sim, senhora. — Bucky respondeu divertido, sem ter a menor ideia do que Makayla tinha em mente. Mas com certeza disposto a fazer o que ela quisesse.
A camiseta ficou em um canto qualquer, enquanto a jovem seguia para o banheiro conectado ao quarto, e ele se acomodava entre os travesseiros com os braços atrás da cabeça. Logo Makayla estava de volta com um frasco do que parecia creme nas mãos.
— De barriga pra baixo, espertinho. — Ela riu quando o olhar deles se encontrou, dando uma olhada nadinha discreta para o abdômen de Bucky.
— Poxa, que pena... — Ele também riu, se arrumando na cama da forma que Makayla pediu.
Talvez se qualquer outra pessoa tivesse pedido, Barnes sequer teria tirado a camiseta, mas havia algo de reconfortante e libertador em saber que, não importa o que fosse, Makayla já conhecia, e, se eles ainda estavam ali, ela aceitava isso. Não era apenas sobre as cicatrizes e o braço metálico, era sobre ele como um todo. Qualquer defeito, falha, pecado... Makayla Devinne sabia de tudo.
Talvez por isso fosse tão fácil estar com ela, sempre parecendo que se conheciam por toda a vida... De fato haviam pulado anos de convivência com aquela conexão mental. Bucky realmente havia ficado com as melhores partes.
Ele sentiu as mãos femininas em suas costas, o creme gelado fazendo com que o toque deslizasse com facilidade. Fechou os olhos, os pulmões soltando o ar devagar, todos os pontos de tensão na linha de sua coluna sentindo o alivio imediato cada vez que os dedos de Makayla colocavam pressão no local exato.
Bucky nunca tinha vivido nada parecido com aquilo, havia uma cumplicidade implícita naquele momento, e ele gostava disso. Sentiu Makayla se mover, logo os lábios dela depositavam um beijo casto na base da nuca dele, fazendo com que um arrepio quente cortasse o corpo masculino e atiçasse pensamentos nada puritanos.
— Sabe que tem gente ali na outra sala, não é? — Ele comentou, ainda de olhos fechados, totalmente relaxado.
— Eu só estou te fazendo uma massagem, quem está pensando besteira é você... — Makayla devolveu em um tom divertido.
— Não estou não, como você sabe? — Ele riu de si mesmo.
— Por que eu te conheço, Sargento Barnes. — Outro beijo foi deixado na base de sua nuca e a risada despreocupada dos dois se misturou no ambiente.
Bucky nunca havia se dado conta do quanto de tensão havia acumulada em seus músculos, até que as mãos delicadas de Makayla estivessem tocando aqueles pontos com destreza.
— Caramba, isso é bom de verdade, acho que vou ficar mal-acostumado... — Declarou, sorvendo aquela semi-letargia relaxante.
— Não tem problema eu alimento seus costumes. — Pelo tom da voz feminina dava pra notar que Makayla sorria.
Eles estavam fazendo vários planos envolvendo um futuro ultimamente, podia parecer um tanto precipitado, principalmente porque não haviam falado sobre compromisso ou sentimentos, no entanto Bucky não achava que precisavam colocar essas coisas em palavras por enquanto, talvez deixar que tudo seguisse o rumo natural fosse o melhor que poderiam fazer. Além disso, as palavras eram um tanto desnecessárias, porque tudo que ele precisava saber e sentir estava sempre explicito nos olhos de Makayla e naquele momento isso era a única coisa que importava.
Bucky sabia que, dado tudo que os cercava e o confronto eminente contra Karli, aquela situação talvez não fosse apropriada. A leveza de um momento tão suavemente intimo parecia um tanto errada para a guerra que ele estava prestes a travar... No entanto talvez Sam estivesse certo; talvez os momentos leves no meio de todos os problemas fosse o que faria a vida valer a pena.
Ao puxar Wilson no pensamento outro assunto veio junto, Bucky cogitou deixar que aquele questionamento recorrente se fosse como todas as outras vezes, mas decidiu pedir a opinião de Makayla. Talvez ela enxergasse aquela situação por um prisma diferente...
— Por que acha que o Sam desistiu do escudo? — Perguntou finalmente.
— Ele acreditou que estava fazendo o melhor que podia. — Ela respondeu de imediato, sem sequer parar um instante para pensar.
Talvez fosse óbvio mesmo e Bucky era quem, de fato, estava fazendo de fato um caso sobre algo que não lhe dizia respeito...
— Isso foi o que ele disse, mas eu queria entender... — Ele respirou fundo, se virando de frente para Makayla e encostando na cabeceira da cama, parcialmente sentado. — Sinto que tem algo que eu simplesmente não estou enxergando.
Os olhos tempestuosos o observaram por alguns instantes, como se Makayla estivesse procurando uma forma adequada de dizer o que precisava.
— Olha... — Ela se sentou melhor e um pouco mais perto dele. — Não sou a pessoa que devia te explicar isso, porque não é meu lugar de fala. Mas você se lembra de todas as questões raciais da sua época, não é? — Barnes assentiu, porque afinal certas coisas não havia como esquecer e a injustiça daquela época era uma delas. — As coisas não mudaram tanto assim de lá pra cá, Bucky.
Ele franziu as sobrancelhas, incrédulo e desacreditado.
— Não... A segregação acabou, fomos pra guerra juntos. Todo mundo entendeu que era errado discriminar as pessoas por sua raça ou credo, porque era exatamente isso que os nazistas faziam, e eles eram os caras maus. — Retrucou convicto, as coisas não podiam ser iguais ainda, o mundo havia mudado evoluído, porque senão do que teria valido todas as vidas perdidas nas trincheiras.
— Pois é, talvez o mundo não tenha aprendido tanto assim com a guerra, e os Estados Unidos menos ainda. — Makayla deu um suspiro pesado e decepcionado. — Não viu o que aconteceu com o Isaiah?
Bucky não se surpreendeu da jovem saber do outro super soldado, porque afinal ela tinha suas memórias, mas parou um segundo para pensar naquilo; nunca havia cogitado a história de Isaiah por esse ponto de vista. Era ultrajante, repulsivo. Ele não podia acreditar... porque acreditar seria admitir que ele e Steve haviam ariscados suas vidas por um país podre que não aprendia com a história.
— Mas o diretor da SHIELD...
— O diretor da SHIELD não era um símbolo desse país, Bucky. Era um super espião, um segredo, por isso sua cor de pele não deixava o governo puto, ele não vestia as estrelas e listras. — Makayla interrompeu a linha de raciocínio dele. — Nosso governo é racista, e isso está tão enraizado e normalizado na nossa sociedade que as vezes pode passar despercebido. Mas só porque não existem mais placas de “proibido a entrada de negros”, não significa que a injustiça racial acabou, ela existe, de formas ainda mais cruéis por estar disfarçada e escondida. Acredite em mim, o Sam com certeza sente isso na pele todos os dias.
Barnes se deu conta que seu tempo em Wakanda provavelmente o tinha cegado para a verdade, porque no país de T’challa as coisas eram justas, as culturas eram honradas e as pessoas eram admiradas por seus feitos e por sua honra.
Ele devia ter adivinhado que os Estados Unidos não era nada como Wakanda, talvez nenhum lugar no mundo fosse como aquele país, e provavelmente era por isso os Wakandanos tinham certa relutância em aceitar estrangeiros...
Muitas coisas começaram a se encaixar na mente de Bucky e ele realmente não gostou da imagem completa. Cem anos haviam se passado e a injustiça sobrevivia, que tipo de povo eles eram afinal?
— Isso está errado. Sam é o homem certo pra erguer aquele escudo, a cor da pele dele é irrelevante. — Ele declarou, ainda atordoado e enojado com o que conseguia finalmente enxergar.
— Eu sei. — Makayla concordou. — Mas o fato é que, talvez, para o Sam a cor da pele seja a coisa mais relevante de todas, porque é a pele dele. E isso envolve coisas que eu e você talvez sequer consigamos compreender aqui do topo do nosso privilégio. Coisas que só ele sabe ou entende. O que eu sei com toda a certeza, é que o governo não facilitou ou apoiou que ele mantivesse aquele escudo. Eles não queriam o Sam usando esse manto, acredite em mim. Então, no fim do dia, eu acho que não é tão difícil assim entender porque ele não quis assumir o legado de um heroí que é o símbolo de um país que tem um governo que o não respeita e não o quer...
Barnes se sentiu mal, as coisas que dissera pesando ainda mais, se arrependeu das palavras impensadas, das mensagens não respondidas, do descaso. Talvez se tivesse apoiado Sam, se estivesse lá por ele naqueles seis meses, nada daquilo teria chegado a acontecer. Porém Bucky sequer desconfiada das batalhes que aquele homem estava travando...
— Ele podia ter me falado isso. — Disse, mais para si mesmo do que para Makayla.
Ela se aproximou um pouco mais dele e colocou a mão em seu rosto de forma reconfortante.
— Você falou pra ele tudo que sofreu nas mãos da Hydra? — Perguntou em um tom pacífico, mas não precisou que Bucky respondesse, pois é claro que ela já sabia. — Nem sempre a pessoa quer falar de suas dores. Mas isso não significa que ela não tem nenhuma. Pra mim e pra você essa luta é nova, mas pra pessoas como o Sam esse é o dia a dia, a única realidade, deve ser exaustivo, revoltante e frustrante, aposto que um dia ele simplesmente abriu o olho de manhã e decidiu que não iria, e nem tinha que ficar explicando pra todo branco que cruzasse o caminho dele como é nascer com uma cor de pele não-caucasiana. Se queremos mesmo aprender e melhorar, desconstruir e nos educar, então cabe a cada um de nós fazer o dever de casa. Os Sams do mundo não têm nenhuma obrigação de ficar ensinando a mesma lição pra todos os branquelos iguais a gente que tem por aí...
— Eu acho que devo um pedido de desculpas pra ele... — Bucky disse enfim, talvez fosse outro nome que teria que adicionar a sua longa lista de reparações.
Ele não fazia ideia... Será que Steve fazia? Talvez não, talvez Rogers fosse otimista demais sobre a humanidade para ver que mesmo depois de cem anos as pessoas ainda cometiam as mesmas atrocidades, apenas haviam encontrado formas menos explicitas de fazer isso... Ou talvez ele soubesse e por isso entendia que era justamente Sam quem precisava carregar o manto e inspirar as pessoas a serem melhores.
No fim Sam Wilson merecia o título de Capitão América, mas talvez o mundo não merecesse aquele homem, embora, com certeza, precisasse urgentemente dele...
Mais do que nunca era uma questão de honra estar ao lado de Sam para arrancar aquele escudo de John Walker, para que ele finalmente ficasse em posse de seu verdadeiro dono, e foda-se o que o governo pensava disso.
— E eu sei que você vai encontrar um jeito de fazer a coisa certa e ser um amigo melhor. — Makayla se acomodou no ombro de Bucky e ele a abraçou, beijando-lhe o topo da cabeça.
— Obrigado por me ajudar a enxergar isso, eu vou ser mais atento sobre essas coisas agora. — Ele agradeceu ganhando um sorriso como resposta.
— Disponha. Você pode falar comigo, lembra? — A jovem respondeu e Bucky a puxou repentinamente fazendo com que seus corpos rolassem na cama e ele ficasse por cima.
— Fazemos uma boa dupla, pelo que parece... — Comentou, preso nos olhos dela, que ainda ria daquele movimento inesperado. — O problema é que a gente já falou demais e você ainda não me beijou nenhuma vez.
— Na verdade eu te beijei sim, espertinho, agorinha pouco, foi você quem não me beijou nenhuma vez desde que descemos daquele avião. — Makayla riu, cruzando as duas mãos atrás do pescoço de Bucky.
Não demorou mais que um segundo para que a boca dele cobrisse a dela, começou devagar, a língua masculina deslizando por entre os lábios femininos, lenta e apaixonadamente. As caricias seguindo um ritmo que parecia combinado, os toques sutis aqui e ali, no limite da inocência...
Barnes não queria que o desejo tomasse conta de seu corpo, não ali ao menos; às pressas, no meio de uma missão, com pessoas na sala ao lado. Não queria que fossem interrompidos outra vez, por isso estava se contendo.
Com um último beijo casto afastou um pouco o rosto, o peso de seu corpo apoiado no braço de vibranium, os olhos presos nas tempestades cinzentas e os dedos da mão direita brincando com alguns fios castanhos de Makayla que estavam espalhados na cama.
Ele não se lembrava de ter estado tão perfeitamente em sintonia com alguém daquele jeito. Tão feliz.
Algo transbordou do peito de Bucky, puro e intenso, um sentimento enorme que constantemente era colocado em uma palavra pequena. Ele sabia o que era, claro que sabia... E por um instante se perguntou se aquele sorriso nos lábios de Makayla queria dizer que ela também sabia.
Era muito cedo pra dizer aquilo?
— O que foi? — A jovem perguntou, franzindo levemente as sobrancelhas.
— O que foi o que? — Bucky devolveu a pergunta.
— Por que está me olhando assim?
Ele pensou em dizer, no entanto temeu que isso fosse parecer precipitado demais aos olhos de Makayla. Havia uma hora certa para declarar aquele tipo de coisa?
— Você é linda, sabia disso? — Usou uma versão mais leve, muito menos intensa e consideravelmente mais física, apenas um fragmento de tudo que sentia, mas isso já foi o bastante para fazer com que o rubor tomasse conta do rosto feminino.
Makayla desviou o olhar com uma risadinha constrangida e Bucky acabou por rir daquele jeito adorável que ela tinha.
— Ah, olha só... lembrou que é tímida. Ontem à noite você tinha esquecido disso. — Ele provocou, atraindo o olhar tempestuoso de volta para si.
— Ontem a noite? Sério? Não lembro. O que foi que eu fiz? — Makayla se fez de desentendida. O toque dela estava na barba de Bucky indo e vindo em uma caricia despreocupada.
Ele se aproximou um pouco mais, seus lábios roçando nos dedos femininos em um semi-beijo.
— Você fez mágica com essas mãos... — Sussurrou insinuativo, e a simples lembrança da noite anterior fez com que um arrepio de desejo se espalhasse por toda a parte.
Fazia apenas algumas horas, mas seu corpo sentia falta daquele toque como se o estivesse ansiando por dias e dias...
Makayla abriu um sorriso travesso, os instintos de Bucky previram que ela faria algo, mas ele deixou que acontecesse. Logo as coxas femininas se prenderam ao redor do quadril masculino e a jovem jogou seu peso para a esquerda, fazendo com que seus corpos rolassem na cama, ela ficando por cima dessa vez, montada sobre ele com os joelhos apoiados no colchão.
Barnes apreciou os fios castanhos deslizarem pelos ombros femininos enquanto Makayla se curvava em sua direção. Primeiro ela depositou um beijo suave nos lábios dele e depois foi seguindo pela barba, deixando um rastro com seus lábios por todo o caminho, até chegar na orelha dele, para então murmurar:
— Se você achou aquilo mágica, imagino como vai chamar o que eu sei fazer... com a minha boca.
É claro que Bucky entendeu a insinuação muito bem, tão bem que a parte interessada de seu corpo sofreu um espasmo involuntário, quando ele fez uma imagem mental daquilo.
— Isso é uma promessa ou uma provocação? — Ele perguntou, os dedos de vibranium afundando nos fios castanhos e o toque da mão direita encontrando uma forma de alcançar a pele de Makayla no espaço entre a calça e a camiseta.
Ela afastou o rosto para que seus olhos encontrassem os dele.
— Acho que isso você vai ter que descobrir sozinho... — Sorriu travessa e Bucky impulsionou o corpo para frente, se sentando na cama com a garota ainda em seu colo.
— Onde está sua timidez mesmo? — Perguntou divertido, perto o bastante para que seus lábios roçassem os dela em uma brincadeira perigosa.
Aquela convicção em não deixar que o tesão tomasse conta de seu corpo desvanecia aos poucos e Bucky já começava a ficar levemente embriagado de desejo.
— Eu deixo ela guardadinha quando convém. — Makayla riu divertida, quebrando um pouco o clima e trazendo um tanto de lucidez para a mente dele.
Era muito difícil ficar tão perto daquela garota sem ter pensamentos absurdamente impuros com ela...
Bucky acabou por rir também, um pouco por causa da piada infame e um pouco porque a situação como um todo era engraçada, tinha mais de cem anos, porém quando estava perto de Makayla a testosterona em seu corpo entrava em ebulição como se ainda fosse um adolescente...
Ainda estavam naquele clima misto de sensualidade e diversão quando um som grave cortou a residência. Parecia vir da porta da frente...
— Ouviu isso? — Bucky franziu as sobrancelhas e parou pra escutar com mais atenção. — Alguém bateu na porta.
“Bater” era um eufemismo, a pessoa em questão, seja quem fosse, estava esmurrando a entrada do lugar... E por mais que Barnes soubesse que Sam ou Zemo abririam, todo seu corpo já estava alerta, antes mesmo que ele pensasse nisso.
No entanto, a voz que cortou o ambiente, vinda da sala como se estivesse invadindo o lugar intempestivamente, fez com que a raiva gelada começasse a correr depressa pelas veias de Bucky... Aquilo não podia estar acontecendo.
— Inacreditável! Vocês são inacreditáveis! — O tom repreensivo de John Walker parecia cortar as paredes. — Onde está o Bucky?
Barnes já estava de pé, colocando as roupas com movimentos violentos, o maxilar travado e o corpo se enchendo de ódio. Não se preocupou em criar teorias que explicassem o surgimento do babaca que se achava Capitão América. Gente chata sempre aparecia pra atrapalhar, era um dom.
— Fica aqui. — Ordenou para Makayla, saindo do quarto antes que a jovem tivesse oportunidade de dizer qualquer coisa.
John Walker era pior que uma pedra no sapato...
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