Sweet Carollina.
3 Does not have exit.
Notas iniciais
Com certeza não era um bom momento pra emoções, mais tudo que a menina achou foi uma casa revirada e dois corpos indo em sua direção.
Sua mãe estava tão pálida e seus olhos eram amarelados, estava com os cabelos todo bagunçado, também havia ali outro corpo, que antes costumava ser seu pai, estava com a barriga aberta e alguns orgãos saltavam dali, seus dentes estavam horripilantes e então Lucca golpeou-os na cabeça com o machado. Ele mandou ela entrar logo e fechou a porta.
A menina estava em prantos e enquanto chorava, tremia, as pernas bambas e sentia que estavam apertando com as duas mãos seu pequeno coração. Caiu ajoelhada ao lado do corpo de sua mãe, chorava, soluçava e sentia o chão sobre seus pés sumir. O garoto a abraçou e não falou nada, achou que não era o melhor momento.
Então ele lembrou que eles tinham que ir.
– Vamos pegar suas coisas, agora é tarde! — A garota se colocou a correr pelos comôdos e ele a seguiu, mesmo sem seus pais junto, sentiu que devia viver. Por eles. Ela imaginou que seria isso que eles iriam querer.
Ela entrou no seu quarto e começou garimpar coisas que julgava importante. Umas duas camisetas, blusa, uma calça e peças intimas. Colocou seu antigo coturno, correu no banheiro pegou sua necessaire de maquiagem, seu shampoo e o condicionador que já estavam em uso.
Lembrou de sua escova de dente e uma pasta meio usada, jogou tudo em uma bolsa grande e velha que estava no canto do quarto.
Parou um pouco pra ver se não havia esquecido nada importante.
No momento não se lembrou de nada, agarrou a mão do menino e o puxou. Os dois correram atravessando todo o caminho em poucos segundos, finalmente sairam da casa, a menina fez questão de fechar a porta, imaginando que um dia voltaria ali. Cautelosamente seguiram para a pirua, entrando em um salto.
Haviam algumas pessoas andando pela rua, mas não pareciam representar perigo. Lucca buzinou e seu pai seguiu com o carro.
Algumas ruas dali eles passaram por uma multidão, onde humanos e pessoas infectadas estavão juntas, e tudo que se podia ouvir eram gritos desesperados de socorro.
A menina voltou a chorar, na sua cabeça as imagens de seus pais, no seu coração uma dor quase insuportável, sua vontade era cessar aquela dor. Morrendo.
E então ela começou imaginar como seria seus pais sendo infectados, pensando se eles sofreram... pensando que se ela não tivesse passado mal e encontrado Lucca e seu pai. Ela se desesperou na chance que ela tinha de estar morta essa hora.
Pois ela podia muito bem ter sido mordida na sua rua enquanto chegava em casa, ou então pelos seus pais... ela não queria pensar nisso, eram inúmeras possibilidades e... ela já estava com Lucca. Pra tirar aquilo da cabeça Carollina começou a conversar com o menino.
– Eu vi que seu pai tem umas armas, ele é um bandido serial killer ou algo do genêro?
Lucca riu, e suas covinhas se aprofundaram fazendo com que a menina esqueceçe tudo.
– Não, ele pegava esse tipo de gente.
– Era um Policial???
– Ele era sargento das Forças Unidas. Claro, antes dessa droga toda começar.
– Oh! Que sorte a minha! — A menina só conseguia pensar no que poderia ter lhe acontecido caso não encontrasse os dois homens.
– Quê ?
– Nada... é que eu estava pensando, no que poderia ter me acontecido se...
– Não! Mas não aconteceu não é?
– Mas e se...
– Chega! Me conte um pouco sobre você. — O garoto mantinha uma serenidade que preocupava a garota.
– Por quê?
– Porque você esta no meu carro e você pode muito bem ser uma psicopata e eu posso estar correndo perigo de vida.
Os dois riram.
– Ok, te garanto que não sou psicopata... mas nunca se sabe né? — Ela fez seu olhar mais ameaçador e o garoto riu. — Sabe, seu pai é todo estranho, desculpa se for uma ofensa, ele não parece policial.
- É o que todos dizem. — Eles sorriram, mesmo que fosse errado sorrir nesse momento, do lado dele, ela queria sorrir.
Então um zumbi pulou na frente da pirua e Carollina soltou um grito, quase morreu de susto.
Lucca ligou o parabrisa tentando o tirar dali mais não funcionava. Começou a acelerar o carro e virou com toda a força pra direita. O zumbi escorregou rapidamente caindo pelo esquerda da pirua.
Os dois estavam tensos mas continuaram, agora com mais velocidade, a percorrer o caminho que os levariam, a quem sabe, a salvação.
– Sabe, lá é um lugar legal. — Carol não entendeu — Lá na fazenda, onde estamos indo sabe? Já estive lá com meu pai.
– É mesmo? — fingiu interesse. Mais qualquer lugar naquela hora seria bom pra ela.
– Sim. Lá é muito bom.
Os dois foram conversando durante um longo tempo. Carollina se sentia conversando com um velho amigo. Ele disserá que estavam quase na metade do caminho, o que surpreendeu a menina que não tinha idéia da distância até o destino final.
Quando o assunto finalmente cessou a garota pois-se a observar pelo vidro, o que estava acontecendo lá fora, assustada com tudo aquilo, ela piscava os olhos como um tique, observava familias correndo e pessoas deformadas, algumas até sem membros, outras cobertas de sangue, algumas com buracos de tiro e outras atropeladas ainda viviam. Era terrível, o coração da pobre menina pulsava como se podia pulsar em pessoas desperadas, se pudessem medir a sua dor naquele momento ficariam assustados.
Lágrimas quentes desciam pelo seu rosto refletindo agora sua tristesa. Era doloroso e terrível. Seus olhos se arregalaram quando viu uma pequena garota, muito pequena, sendo devorada por um bando. A garota berrava e Carollina tampou os ouvidos tentando não escutar.
– Nós não podemos salvar todos. — disse Lucca. Mais a menina apenas continuou em silêncio observando o que outrora foste uma cidade tranquila, e agora estava dominada pelo caos. Ela tinha um sentimento de abominação e o que mais queria era tirar de sua cabeça as imagens de seus pais tentando matá-la.
– Talvez você deveria ter me pra deixado morrer. — Ela disse pausadamente e baixo, as lágrimas impediam que a menina falasse mais alto que aquilo.
– Você está louca? É isso que você queria? E como eu ia ficar depois disso, sabendo que eu deixei você morrer? — Dizia o garoto berrando.
– E como eu me sinto vendo todas essas pessoas morrendo? — Os dois ficaram em silêncio. O menino prestava atenção na estrada a sua frente e a garota mesmo sofrendo, não conseguia ficar sem olhar a desgraça mundana. Saltava os olhos e até virava o pescoço pra observar sem perder nenhum detalhe.
Até que eles chegaram em uma barreira de carros militares. Carros fortes e zumbis se debatendo para passar. As ruas estavam todas fechadas e os zumbis começaram a ir até o carro deles.
– Ferrou. — Lucca disse colocando a mão num revólver que estava do seu lado no banco.
– Mas o que é isso? — Carollina começou a observar.
– Não tem saída.
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