Sweet Carollina.
4 Hope.
Notas iniciais
A doce Carol estava confusa e espantada, não podia acreditar no que o destino havia lhe preparado.
Ah, o destino sempre pregando peças.
Fitou todo o lugar mas em vão, já que ali seria seu fim, não havia saída alguma. Não haviam becos livres, pessoas vivas e nada que poderia se tornar uma rota de fuga.
Os mortos-vivos invadiam todo o resto da rua, alguns já estavam em cima do carro, outros se empilhavam tentando conseguir uma vista privilegiada de sua janela. A perua era balançada e os vidros eram forçados a todo segundo.
A garota sentindo a senhora morte, pronta para seifar sua vida, se aproximando cada vez mais de seu corpo e a alma que nela habitava se evadia por cada vão.
Escorregou suas mãos trêmulas pelo banco da velha perua, em busca da mão de Lucca. O toque quente da garota o assustou puxando bruscamente seu braço.
– Não vou morrer sem lutar. — Disse o menino puxando a pequena trava do revólver. A garota por um pequeno espaço entre todos zumbies pôde ver o velho homem, pai de Lucca, saindo do carro atirando para todos os lados e sendo devorado pela multidão de malditos mortos-vivos.
– Por favor Lucca, fique aqui. — A menina em pânico tentava encontrar conforto em seus minutos finais como ser humano.
– Escute bem Carollina. Escute o que eu vou dizer! — Disse o garoto que estava gritando, fazendo o coração da menina pulsar ainda mais rapidamente. — Eu vou pegar esse revólver e atirar em mim. Você faça o mesmo logo em seguida.
– Lucca não, não faça isso! — Foi em vão tentar algum esforço. A menina pôde assistir em camêra lenta, Lucca com as mãos tremendo e suadas, respiração ofegante, olhos arregalados e com lágrimas que nessa hora escorriam.
Ele pegou o revólver que já estava engatilhado, sem muito esforço o pôs entre os lábios, encostando seu metal gelado na língua, exitou por um segundo e enfim escorregou seu dedo pelo gatilho e o empurrou.
O barulho ecoou por dentro do carro, fazendo com que a menina que assistia a tudo, pulasse. Como se fosse pouco o som forá tão alto que os ouvidos da garota era tomado por zumbidos.
Os errantes, nessa mesma hora conseguiram quebrar o vidro que os separava da pequena e doce Carollina, sentiam o medo dela, e o barulho da bala atravessando a cabeça de Lucca os fizerá desejar muito mais por carne fresca.
Era seu fim.
Carol tentou resistir, lutava com todas as poucas forças que tinha no momento, estando com as pernas bambas e os olhos transbordando medo, chutava, batia e gritava. Implorava por socorro e ajuda. O que provocava era mais desejo dos mortos vivos.
Sentiu sua perna sendo pega por mãos sedentas, mãos ásperas e frias.
Sentiu dentes encostando em sua perna, forçando contra sua fina pele que então se rompeu.
Sentiu cada milimetro de seus dentes podres e em decomposição penetrando sua carne.
E então sentiu os dentes se fechando.
Logo em seguida sentiu a pior dor que podia se sentir.
A dor era insúportavel.
Então sentiu por fim os dentes arregaçando todo o músculo que ali estiverá e toda a pele.
Sentiu, já atordoada, os ossos expostos ao ambiente fazendo com que um frio penetrasse.
Sentia um conhecido cheiro de ferrugem, embora agora estava misturado com odor de cadáveres em decomposição.
Sentia todo o seu sangue, gota por gota escorrer por entre sua pelugem, manchando a calça que ela tanto gostava.
Em meio a todo o zumbido do último tiro, em meio a todos os múrmurios dos mortos vivos, em meio aos seus gritos de agônia ela pôde ouvir ESPERANÇA.
Não à muitos metros dali, Rick atirava contra todos aqueles malditos errantes.
Killer of the undead.
O sheriff Rick Grimes, que ainda estava confuso sobre o que havia acontecido ali, ouviu gritos desesperados que pediam por ajuda.
Procurou por uma multidão e não encontrou.
Seguiu os gritos e pôde ver o pouco que restava de dois carros, agora eram tomados por zumbis que subiam nos carros e alguns já haviam adentrado-os.
Ainda ouvindo os berros, agora mais altos, notou que havia alguém vivo, e pelo som presumiu que fosse uma mulher.
Rick avistou uma escada em seu lado direito que o levava ao alto do prédio. Olhou para os lados esperando não ser seguido. A subiu rapidamente. Quando finalmente chegou no topo, se ajeitou no parapeitoe começou a mirar com seu riffle de cano logo, algumas cabeças de mortos-vivos.
Quatro tiros. Bum, bum... Bum... Bum.
Percebeu que no mesmo momento os zumbis notaram sua presença e começaram a se arrastar em direção ao prédio. Dúzias de pessoas em decomposição, mutiladas e malditos fedorentos se arrastando em sua direção.
– Isso! — disse Rick dando um soquinho no ar como gesto de vitória.
Esperou um momento. Seu coração disparára, havia esquecido como era a sensação de matar pessoas. Tinha evitado fazer isso, afinal, ainda eram pessoas.
Pessoas mortas e fedidas, mais ainda assim: pessoas.
Observou novamente o lugar e viu que havia outro prédio do lado do que estava e era quase da mesma altura e a distância entre eles era pequena.
Tomou distância para dar impulso e pulou. Caiu rolando do outro lado para diminuir o impacto.
Pela mira de seu rifle observou dentro do carro. O caminho estava livre, ele teria que agir rapidamente. Avistou uma menina deitada no banco da frente na pirua velha. As pernas saiam pela janela, pernas essas que estavam banhadas do líquido vermelho e viscoso, sem pele e com ossos à mostra.
Atravessou o prédio e saiu do outro lado, observou novamente e viu que não haviam zumbis ali. Desceu uma grande escada. Olhou denovo para os lados e notou que os mortos-vivos estavam todos amontoados no prédio que outrora Rick estiverá atirando.
Ele tinha certeza que era a hora e então num ímpeto correu até a pirua.
– Ei você está acordada? — Sem resposta mediu seu pulso. Encontrou veias pulsando. — Vou tirar você daqui.
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