Sweet Blood
24 Capítulo 24 - Danger Magnet
Notas iniciais
Narradora
Naquela manhã, Isabella acordou com o primeiro toque do despertador e, ao contrário do esperado, não jogou o mesmo do outro lado do quarto. Ela apenas esticou a mão esquerda para o lado da cômoda, alcançando o objeto e desligou-o, mantendo os olhos fechados. Respirou fundo, bocejando logo em seguida e, finalmente, sentando-se na cama.
Os olhos castanhos foram abertos com calma, enquanto ela ajustava-se a claridade do Sol, que entrava diretamente por sua janela. Xingou-se mentalmente por ter aberto a mesma no meio da noite, por outro lado, caso não o tivesse feito teria derretido por conta do calor que fizera, uma vez que o ar-condicionado havia quebrado alguns dias atrás.
Esticou os braços, alongando-se e, suspirando, levantou-se da cama, deixando outro bocejo escapar ao que ia para o banheiro. Despiu-se, jogando as roupas de qualquer jeito sobre o chão do banheiro e entrou no chuveiro, tentando não demorar no banho.
Após terminar de lavar o cabelo a Swan fechou o registro e enrolou-se na toalha. Foi aí, enquanto andava até o quarto e vestia sua roupa, que a ficha de Isabella caiu e ela reparou que não tinha a companhia de ninguém hoje. Bonnie viajara para Mystic Falls, parece que Caroline intimou uma visita e rapidamente Damon compreendeu que eles queriam, mais uma vez, saber o que acontecia em Forks. O Salvatore, por sua vez, havia sido formalmente convidado por Charlie para ir a um jogo de futebol. É lógico que nem ele e nem Bella eram idiotas e, logo, entenderam que o Swan queria saber sobre o moreno e suas intenções. O que era completamente compreensível.
Já Jeremy tiraria o dia para si, ao menos foi isso que ele comentou com a garota ao telefone, quando ela perguntou o que ele faria num dia tão tedioso. Disse até que, talvez, passaria pela cidade mais tarde, mas não era certeza. Respirando fundo, enquanto secava os cabelos, ela parou na frente da janela de seu quarto e começou a pensar em quanto sua vida havia mudado.
Digo, voltado ao normal, eu diria? Se considerasse o fato de que a Swan, na verdade, vivia aquela vida em Mystic Falls. Foi então que ela decidiu que, assim como Jer, tiraria o dia para ela. Terminou de abotoar os shorts jeans, arrumou a blusa e passou os dedos pelos cabelos molhados. Rapidamente, ela alcançou as chaves e o celular na mesinha de centro e saiu do quarto, descendo as escadas com agilidade, porém cuidado para não cair. Assim que chegou a sala pôde ver um pequeno pedaço de papel colado a TV, um post it, na verdade. Aproximou-se e identificou a caligrafia apressada de Charlie em um recado dizendo que saíra mais cedo para o trabalho e que o turno seria curto, por isso chegaria um pouco antes do jantar.
Sorriu e tirou o papel amarelado de lá, não sabia se já estaria em casa quando o pai chegasse. Quer dizer, não pretendia demorar, mas caso o fizesse queria ao menos demonstrá-lo que lera seu bilhete; passou os olhos castanhos pela superfície da televisão e focou na caneta de tinta azul ali em cima, apoiou o papel ali e escreveu, apenas para avisar o pai e deixá-lo despreocupado:
Estou saindo. Não pretendo demorar, contudo há lasanha no forno.
Beijos, Bella.
Não quis se alongar muito, então voltou a prender o papel ali, calçou os all-stars e finalmente saiu de casa. A primeira coisa que fez ao deixar o conforto de seu lar foi varrer as ruas com seus olhos e sorrir, sorrir ao perceber que, de certa forma, ela estava em paz consigo. Tanta coisa havia acontecido e agora ela percebia que todas elas foram para seu próprio bem. Edward saíra de sua vida, mas em compensação Damon voltara em questão de segundos, fazendo-a cair na realidade de que, talvez, seu relacionamento com Edward não tivesse sido tão... perfeito. Ou, na verdade, tivesse sido perfeito demais.
Perdera os Cullen, e com eles Alice, sua melhor amiga. Mas recuperara Bonnie, que se demonstrava muito mais compreensiva do que a outra. Perdera Emmett e até mesmo Jacob, mas tinha Jeremy, quem ela considerava um irmão mais novo e mais velho ao mesmo tempo. E, se não estivesse errada e suas recém recuperadas memórias não estivessem traindo-a, ainda haviam todos aqueles que ela deixara em Mystic Falls.
Entrou no carro e ligou o mesmo enquanto permitia-se lembrar de Elena e Caroline e todas as loucuras que passara com as mesmas. Sentiu o peito apertar-se levemente e se deu conta de que estava sentindo saudades. Sem esquecer-se de Matt... E até mesmo Tyler! Suspirou enquanto começava a dirigir o carro pela longa estrada de Forks até a cidade.
(...)
Cerca de quarenta minutos depois, Bella estava em Port Angeles.
O carro havia sido estacionado em alguma rua a qual ela não havia memorizado o nome, contudo, conseguia lembrar-se de alguns pontos de referência. Haviam algumas sacolas em suas mãos, não podia negar, Bonnie havia a ensinado uma coisa ou outra sobre moda e ela não conseguira se controlar enquanto passava por algumas lojas.
Era estranho admitir seu gosto pelas compras, não é como se ela fosse uma daquelas malucas que adorava o som das máquinas de cartão ou das carteiras sendo abertas, junto com o cheiro do dinheiro e de roupas novas, ela simplesmente havia aprendido a gostar de passar algum tempo sozinha experimentando roupas que, realmente, valorizavam seu corpo e aumentavam sua autoestima. Não era como com Alice, que ela apenas tinha de vestir o que a vampira queria e não podia protestar. Bonnie havia, inclusive, dito uma vez para ela que as roupas que a Cullen a fazia usar não faziam jus algum para seu corpo, na verdade, era como se Alice estivesse vestindo Bella como se quisesse se vestir. "Basicamente como uma boneca, você diz?" foi a resposta da Swan, com um sorriso triste no rosto, ao que a Bennett apenas assentiu.
Suspirando, ela finalmente passou pela porta da loja, umas cinco sacolas ao total em suas mãos e, de certa forma, um sorriso satisfatório no rosto. Passou os olhos castanhos pelas lojas ao seu redor, como se estivesse mapeando tudo e registrou uma biblioteca, seus olhos brilharam e rapidamente ela seguiu em direção ao local, o sorriso ainda no rosto.
Suspirando, ela finalmente passou pela porta da loja, umas cinco sacolas ao total em suas mãos e, de certa forma, um sorriso satisfatório no rosto. Passou os olhos castanhos pelas lojas ao seu redor, como se estivesse mapeando tudo e registrou uma biblioteca, seus olhos brilharam e rapidamente ela seguiu em direção ao local, tomando cuidado enquanto passava pelas pessoas e atravessava a rua. Pensou que poderia ir até o carro antes e guardar todas aquelas sacolas rosa-choque, mas então uma onda de preguiça invadiu seus pensamentos e a ideia fora rapidamente excluída de sua cabeça. Poderia perfeitamente voltar ao veículo assim que saísse do estabelecimento.
Deixou uma pequena risada escapar dos lábios rosados e levemente feridos de tanto morde-los enquanto o sino da porta tocava, anunciando sua entrada. Adorava o fato de aquele ser o único lugar em que pessoas entravam e saíam e, mesmo com um sino anunciando cada vez que o mesmo acontecia, nunca haviam cabeças se virando na direção da porta, curiosas a saber quem era. Por isso aquele era seu lugar favorito. Passou as mãos brancas, quase pálidas na verdade, pelos livros na cômoda apoiada a parede e leu os títulos calmamente, quando se deparou com um livro de mistérios sobre vampiros, segurou uma risada e permitiu-se lembrar da última vez em que estivera em uma biblioteca para, de fato, procurar mais sobre aquele tipo de livro.
O episódio de Edward salvando-a dos homens enquanto ela retornava para casa repetia-se em sua mente como um disco no replay, de fato, ela realmente tinha de agradecer ao Cullen por tê-la salvo. E, ao mesmo tempo, revirou os olhos internamente ao lembrar-se do quanto havia sido burra em escolher aquele caminho para voltar. Lembrava-se do momento dos dois no carro e de quando ela constatou a frieza de sua pele, quando um livro em especial chamou sua atenção: "Jane Eyre", decidiu pegar o exemplar com cuidado em suas mãos e leu as primeiras páginas. Uma vez se vendo interessada, aproveitou para pegar também "Orgulho e Preconceito" e "Razão e Sensibilidade". Fazia muito tempo desde a última vez que lera e precisava variar um pouco, uma vez que havia acabado de ler "O Morro dos Ventos Uivantes" pela terceira vez somente naquela semana.
Sorriu e caminhou até a caixa, preencheu todos os detalhes necessários para o empréstimo dos livros e, por fim, acabou colocando-os na sacola de uma das roupas. Não havia necessidade de pegar outra sacola. Fez seu caminho até a porta e reparou que o dia ainda não havia caído, imediatamente seus olhos voltaram parqa o reflexo da estante de livros e uma ideia formulou-se em sua mente. Deu alguns passos para trás e achou uma mesa no canto do ambiente, tirou um dos livros da sacola e sentou-se, começando a ler logo depois de colocar as sacolas ao seu lado. Leria um pouco agora e o resto terminaria depois, em seu lar. Não estava muito afim de voltar para casa naquele instante e a biblioteca parecia tão confortável que era quase como se estivesse implorando de joelhos para que ficasse por ali. E Bella o fez de bom grado.
(...)
Algum tempo depois e cerca de 10 capítulos devorados com atenção e curiosidade, Isabella sentiu o sono se apossar de seu corpo. Ergueu o olhar e se assustou ao ver que já estava de noite. Apressadamente guardou o livro, pegou as sacolas e acenou um tchau a moça atrás do balcão, deixando a biblioteca logo após. Assim que o sino tocou novamente e ela se viu na rua, percebeu que deveria ter se preocupado com onde deixara o carro antes, tentou não se precipitar e lembrar mais ou menos a loja mais próxima. Lembrou-se de que pelo caminho passara pela loja dos pais de Mike e reparou que não estava muito longe. Suspirou aliviada e começou a andar na direção tão conhecida. Até hoje agradeceria a Mike por tê-la deixado trabalhar lá por uns tempos, ajudara bastante no dinheiro que estava juntando para a faculdade.
Poucos carros passavam por ela e não havia quase ninguém na rua. Um arrepio subiu por seu corpo, junto de uma sensação estranha; sentia-se vigiada. Seu coração acelerou levemente enquanto agarrava-se mais as bolsas que segurava e ela apressou os passos, o que fez sua respiração tornar-se irregular. Um dejavú a atingiu e automaticamente Bella voltou a lembrar-se da noite em que haviam perseguido ela e se Edward não tivesse aparecido com o carro o resultado não teria sido nada bom.
Desta vez ela obviamente não esperava que ele fosse aparecer, contudo um canto de sua mente torcia para que Damon se fizesse presente magicamente ao seu lado enquanto continuava a descer a rua. Virou a esquina e, sem saber o por que, sentiu-se segura. Era uma sensação ingênua e ela sabia que era estúpido também, mas preferiu acreditar que não estava em perigo e era tudo coisa de sua imaginação. Talvez pensar que, caso realmente alguém a estivesse seguindo, ela ainda possuía o spray de pimenta em sua bolsa tenha ajudado um pouco -por mais ridículo que isso soe.
Foi então que, enquanto atravessava a rua e já conseguia ver a placa de madeira pintada de verde escuro da loja dos Newtons, Bella sentiu o vento bater contra seus braços, arrepiando-a de novo e fazendo sentir pequenos calafrios, enquanto abraçava seu corpo da melhor forma que podia. Engoliu em seco e ouviu o assovio do vento, virou-se para os lados finalmente chegando ao outro lado da rua, e então quando voltou a olhar para frente tudo o que Isabella conseguiu fazer foi gritar.
A sua frente havia um homem, seus cabelos eram loiro escuro e sua barba por fazer apenas contribuíam para a imagem assustadora do mesmo, nem mesmo os olhos claros faziam alguma melhora, por mais que contrastassem com a pele clara. E foi só então que ela reparou que, nos lábios pálidos, no lugar de dentes brancos haviam dois caninos afiados e as veias ao redor de seu rosto estavam saltadas. Ele era um vampiro. A Swan deu um passo para trás, como se tentasse afastar-se do homem, porém com um sorriso sombrio na face ele rapidamente tornou a diminuir a distância entre os dois.
— Então, eu espero que facilite isso para nós dois, querida. — pronunciou-se, rindo roco ao fim. — Ele pediu para que te trouxéssemos a salvo, então se você colaborar, não tem por que se machucar.
— Ele? — Bella arregalou os olhos, tentando novamente afastar-se e pensando se valeria a pena, ou não correr.
— Não se faça de desentendida, garota. Sabes muito bem de quem estou falando. — o vampiro fechou a cara, pegando Isabella pelo pulso. — Agora vamos, quanto antes chegarmos ao aeroporto, mais rápido eu te entrego e me livro de minhas dívidas.
Sem ter como lutar, a Swan se viu arrastada pelo loiro através da rua escura e, sabendo que não conseguiria nocauteá-lo de forma alguma, começou a gritar. Logicamente os gritos agudos e histéricos da humana irritaram o vampiro que apertou mais suas mãos na garota e tampou a boca da garota com uma de suas mãos.
— Eu disse para me ajudar, menina! — seu tom era extremamente irritado. — Não me faça tomar medidas mais drásticas. — parou de andar repentinamente e aproximou-se de Bella, cheirando o pescoço da mesma. — Será que se impotariam se você chegasse com dois furinhos nesse seu pesco...
Porém, antes que ele pudesse sequer terminar a frase, Bella sentiu o aperto em seu pulso cessar e o homem a sua frente arregalou os olhos, caindo de joelhos logo após. Sua pele começou a dissecar em instantes e quando viu o corpo daquele que estava prestes a sequestrá-la jogado ao chão, a morena se viu em pânico.
Certo que ela estaria ferrada se continuasse com ele, mas sentiu-se ainda mais desprotegida e ameaçada agora que estava sozinha no meio da rua escura e com o conhecimento de que havia alguém a sua procura. Fechou os olhos e subiu a cabeça vagarosamente. Afinal de contas, aguém havia matado o vampiro mas quem? E foi apenas quando abriu novamente as órbes castanhas que o alívio percorreu seu corpo ao descobrir quem havia sido o assassino, quem havia salvo sua vida.
— Jeremy! — exclamou aliviada e correu na direção do caçador, abraçando-o.
— Isabella, o que está fazendo sozinha aqui?! — ele questionou, retribuindo o abraço.
Dando de ombros, Bella se afastou e revirou os olhos. Tombou a cabeça para trás, encarando o céu e respirou fundo antes de responder.
— Não sei, eu quis sair um pouco de casa, mas perdi a noção do horário e saí muito tarde da biblioteca em que estava. — explicou. — Então fui procurar meu carro até que ele apareceu... e você?
— Eu precisava comprar uma calça jeans e umas blusas de inverno. — deu de ombros, apontando para algumas sacolas jogadas ao chão próximas aonde eles estavam. — Bonnie ficou com o carro, então quando estava voltando para ir ao ponto de ônibus para ir para casa vi seu carro. — começou a contar. — Logicamente estranhei, mas apenas me alarmei quando ouvi os gritos. — explicou e suspirou. — Se eu tivesse chego alguns minutos mais tarde...
— Não vamos pensar nisso agora. — ela o interrompeu. — Vamos para casa, o que aconteceu aqui foi estranho demais.
— Eu ouvi algumas coisas do que ele te disse, Isabella... faz alguma noção do que significam? — questionou, mas assim que viu a garota dar de ombros e negar acabou bufando. — Bem, acho que está certa, vamos indo... sabe que teremos que contar para Damon e Bonnie, certo? — Jeremy ergueu a sobrancelha esquerda, enquanto abaixava-se para pegar as sacolas e voltava a andar.
— Puta merda... — Bella soltou, enquanto os dois entravam no carro e ela colocava o cinto, vendo Jeremy por as sacolas de roupas no banco detrás e arrumar-se no banco carona. — Isso não vai ser bom...
— Não mesmo. — foi tudo o que o Gilbert respondeu, enquanto ela dava partida no carro.
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