Sweet Blood
20 Capítulo 20 - Being Honest.
Notas iniciais
Capítulo 20 — Being Honest.

Narradora.
Isabella acordou com a luz do sol batendo em seus olhos, revirou-se na cama, perguntando-se, por um segundo, por que diabos não tinha fechado a porra da janela.
Foi então que se lembrou de que não tinha dormido em casa.
Abriu os olhos rapidamente e passou a mão pela cama, como se procurasse algo. Apenas quando percebeu que não havia ninguém ao seu lado, que o pânico cresceu dentro de si.
E se tivesse sido apenas um sonho? Não. Estava real demais pra ser apenas mais um daqueles flashes.
– Bom dia, Bella adormecida. — ouviu uma voz vindo da porta.
Levantou os olhos rapidamente e então tudo dentro de si se acalmou. Lá estava ele, Damon Salvatore, apoiado contra o batente da porta, apenas de calça jeans e de braços cruzados, a analizando.
Sorriu instantanêamente com aquela visão.
– Dormiu bem? — ele perguntou, chegando perto.
– Aham. — ela confirmou, sentando-se na cama e sentindo o colchão deslizar sobre o corpo.
Estranhou não ter sentido frio e então percebeu que havia algo a cobrindo. Uma blusa. Mas ela era grande demais para ser classificada como sua.
– Coloquei em você durante a noite, estava morrendo de frio. — Damon explicou, quando sentou na cama. — Precisamos conversar.
– Sobre? — questionou, franzindo o cenho.
– Eu ouvi Bonnie falando sobre a mensagem, achei que fosse querer vê-la. — respirou fundo, tirando o celular do bolso detrás da calça e entrando para ela.
Bella segurou o celular e desbloqueou-o com facilidade, indo diretamente para as mensagens. Rolou a tela até chegar a última mensagem, abriu-a e se assustou ao ver apenas uma frase.
"Eu te amo, nunca se esqueça disso."
– Você nunca foi de demonstrar seus sentimentos por mensagens. Sempre me disse que era do gênero que faz, então quando eu vi aquela mensagem, óbvio que soube que havia algo de errado. — o Salvatore explicou, pegando o celular e bloqueando-o, jogando o de lado ma cama logo depois.
Isabella respirou fundo. Aquela situação era nova. Ninguém, nem Edward, muito menos Jacob, havia sequer chego perto de olhá-la da mesma forma que Damon a olhava naquele instante.
Foi então que ela percebeu que ele estava fazendo aquilo por que ela exigiu explicações, mas o que ele não sabia era que ela, sozinha, já havia percebido que ele também era mais de fazer do que de falar.
– Não precisa fazer isso, Damon. Eu compreendo por que fez aquilo. — Bella chegou mais perto dele e tomou seu rosto nas mãos dela. — Eu realmente compreendo. Você não quis me perder e, por mais que tenha sido da forma errada, quis me afastar de tudo por uns instantes, para me manter segura. E por mais que eu queira ficar com raiva de você, não consigo, por que você é um idiota e eu te amo. — ela sorriu e o beijou.
Foi um beijo simples, apenas a melhor forma que Isabella encontrou de demonstrar que realmente entendia o lado dele.
– Eu já entendi que foi burrice da minha parte. Você e Bonnie não precisam ficar repetindo isso de cinco em cinco segundos. — Damon respondeu e revirou os olhos, quando eles quebraram o beijo. — O que acontece é que eu quis te falar isso pra que você entendesse que eu faço qualquer coisa pra te manter segura e que nada, nem ninguém, vai me impedir de ficar com você. Vamos até os confins da terra para achar uma forma de tirar essa cura de dentro de você, por que eu já disse uma vez e repito, você é minha vida, e eu sou egoísta o suficiente para te transformar apenas para tê-la ao meu lado. — quando ele terminou, seus olhos azuis brilhavam de tão intensos e cada palavrinha dita fez com que borboletas aparecessem no estômago de Isabella, que abriu um sorriso enorme no rosto.
Realmente, Damon Salvatore era sua melhor e única escolha.
– Agora venha, eu estou com sono. São sete horas ainda. — Bella reclamou, jogando-se contra o colchão.
– Sério? Acho que hoje é segunda, não tenho muita certeza. — Damon ergueu a sobrancelha esquerda.
– Apenas deite aqui comigo e vamos dormir. Um dia a mais, um dia a menos de aula não fará grande falta. Eu só preciso ir para casa antes de Charlie chegar, estou preocupada com ele, tem acontecido tanta coisa ultimamente. — respirou fundo.
– Okay, você venceu. — Damon riu e deitou-se ao seu lado.
– Ótimo, obrigada. — Bella agradeceu e aconchegou-se em seu peito, voltando a dormir logo depois.
(...)
Já passava do meio dia quando Damon estacionou o carro ma frente da casa dos Swan. Bella, ao seu lado, estava sorridente por ter esclarecido tudo, mas ao mesmo tempo preocupada, afinal, não é todo o dia que você descobre ser a cura para a imortalidade.
– Bem, aqui estamos... — Damon parou de falar por dois segundos, e então sorriu de lado — Charlie está em casa, provavelmente vendo o jogo. Eu deveria ir conhecer meu sogro. — ele riu.
– Damon... ainda não... — Bella pareceu levemente tensa. — Eu... quero muito que você vá, mas eu quero conversar com Charlie antes e explicar pra ele... apenas o possível, lógico. Ele precisa saber que o buraco que Edward deixou, não é mais nada e que ele foi só um idiota que passou pela minha vida. E então, quando eu explicar para Charlie que você é um idiota convencido, mas que eu amo você e não dá pra mudar muita coisa nisso, farei questão de marcar algo para se conhecerem, okay? — perguntou e o beijou rapidamente. — Agora eu tenho que ir, nos falamos depois.
Dito isso, a Swan saiu rapidamente do carro e foi até a porta.
Assim que a abriu o barulho da TV alcançou seu ouvido e ela soube na hora que seu pai estava na sala. Respirou fundo e sorriu, indo até ele.
– Oi Charlie. — cumprimentou e sentou ao seu lado no sofá.
– Bella. — ele apenas disse.
Aparentemente, Damon ou Bonnie haviam enviado alguma mensagem para Charlie, provavelmente avisando de sua demora. Foi fácil perceber isso uma vez que não levara uma bronca.
– E então, como foi com Bonnie? Ela disse que você dormiria lá e vocês iriam a biblioteca logo depois. — questionou, parando de olhar a TV e encarando a filha.
– Foi bem, não achei muita coisa que me agradasse, mas...
– Eu sei aonde você estava. — Charlie interrompeu.
– Oi? — Bella alarmou-se, se arrumando no sofá e encarando Charlie devolta.
– Jacob chegou aqui com raiva e disse algo sobre você estar numa casa na propriedade dos Swan... eu confirmei pois na hora soube do que se tratava... — o tom do Sr. Swan parecia levemente magoado.
– Pai eu...
– Filha, se quiser ir para lá, não precisa pedir para Bonnie mentir, okay? Eu entendo como é, na sua idade eu também ia para lá... difícil de acreditar, mas ia...
Bella sorriu, não deveria ter mentido para Charlie, não teria sido nada demais ter contado aonde ia, afinal. Estava tão ansiosa para mostrar aquele lugar a Damon que se esquecera do resto.
– Sinto muito, prometo que da próxima vez contarei. — prometeu.
– Ótimo, me deixa mais tranquilo. — Charlie voltara a sorrir normalmente.
– Mas... quando eu falei do lugar você disse que nunca tinha ido lá. — franziu o cenho, completamente confusa, encarando a TV que se encontrava ligada, mas sem som.
– Por que achei que você não gostaria de saber do que passei por lá, mas sim, eu já visitei e muito... inclusive, levei sua mãe lá uma vez, tinha que ver, Renée ficou completamente encantada com o lugar, principalmente ao anoitecer.
Bella sorriu, o anoitecer era realmente lindo, queria ter parado para observar com Damon, mas tudo fora tão depressa...
– E então, o que fez por lá? Não tenho certeza de que levou Bonnie ou mais alguém para lá, quando eu levei Renée para conhecer o local eu demorei bastante, precisei criar certa confiança antes de contar a ela. — Charlie questionou.
E ele estava certo, ela não tinha levado Bonnie para lá, tinha levado Damon... quem sabe, quando ele soubesse do relacionamento deles, ela contasse a ele quem realmente havia levado ao lugar, por hora era melhor mentir um pouco.
– Não, fui sozinha, precisava de um tempo para pensar... Jacob descobriu e como nós não estamos nos melhores termos ultimamente, foi uma catástrofe. — riu fraco, aquilo apesar de tudo era verdade.
– Por que? Sempre vi a amizade de vocês como uma das melhores. — desta vez Charlie fora quem virara para a TV.
Era como se eles não quisessem se encarar para que a magia daquele momento não se quebrasse. Quem diria? Charlie e Isabella Swan sentados em um sofá conversando.
Quando era pequena eles até faziam isso, mas depois que a garota conheceu os Cullen, a comunicação com o pai nunca mais fora a mesma.
– Digamos que Jacob elevou a nossa relação a um ponto cujo qual eu não queria. — ela explicou de forma vaga, esperando que Charlie compreendesse.
– Você está dizendo que o garoto se apaixonou por você? — o Swan captou a mensagem, mais claramente do que ela imaginou que ele fosse.
E isso, de certa forma, a chocou.
– É, basicamente é isso mesmo. — Bella deu de ombros.
– E por que você não dá uma chance ao rapaz? Quero dizer, vocês sempre se deram tão bem e agora, depois que... ele foi embora, eu sei que você não quer saber disso por um tempo, mas talvez Jacob seja uma boa opção, garanto que Billy e eu não nos oporíamos a isso.
– É complicado. Primeiro por que não vejo Jacob desta forma... — "Segundo por que eu já estou envolvida com outra pessoa" completou mentalmente. — E segundo por que, bem... não tem segundo, eu somente não o vejo desta forma e tentar algo sem sentir nada por ele poderia machucar a nós dois. Então é melhor que ele se irrite agora comigo, do que depois.
– Entendido. — Charlie riu fraco. — Espero que se entendam.
– Sabe que eu também? Gostava de conversar com Jacob, é uma pena que isso tenha acontecido... sei que não mandamos nos nossos sentimentos, mas... — respirou fundo e fechou os olhos por alguns instantes. — Vou subir um pouco, talvez até tire um cochilo, mais tarde desço para fazer o jantar, tudo bem?
– Tudo certo. Bom cochilo. — Charlie concordou.
Bella levantou-se do sofá com um sorriso no rosto, tinha gostado daqueles breves segundos de conversa, fazia tempo que eles não ocorriam.
Enquanto subia os degraus da escada, pôde escutar o volume da TV aumentar, não conseguiu segurar o riso anasalado.
Andou pelo corredor pequeno, enquanto pensava nas coisas que haviam acontecido.
Querendo ou não, havia descoberto a verdade.
Era a cura para a imortalidade... E Edward com medo de que ela perdesse a alma... Isso a fez pensar em qual seria a reação do Cullen caso ele soubesse em que ela estava metida desde que nascera.
Enquanto pensava na resposta, finalmente chegou a frente da porta de seu quarto.
Encarava o cômodo, ainda imaginando a cara da família de vampiros quando e caso eles soubessem de todo o meio sobrenatural que envovia-a...
Percebeu que a cama ainda estava arrumada uma vez que não havia dormido lá, a janela permanecia aberta, enquanto o vento fazia com que a cortina balançasse violentamente.
Porém, Isabella apenas conseguiu focar-se no chão, que de repente começara a escurecer e num piscar de olhos foi como se tudo estivesse engolindo-a... não tinha como explicar, parecia que a escuridão estava a tomando lentamente.
Até que o quarto todo ficou escuro e não conseguia ver mais nada...
(...)
Isabella.
Não sei ao certo o por que, mas imediatamente eu soube que se tratava de um daqueles sonhos, cujos quais agora eu sabia que eram flashes de minha memória.
Respirei fundo e esperei tudo começar, mas percebi que desta vez era diferente.
Eu estava em um corredor. Haviam várias portas por ali, mas as mais perto eram duas afrente e mais duas atrás, meio distantes. As paredes do corredor eram por inteiro amarelo, apenas com uma faixa branca embaixo, que separava a parede do chão de madeira, eu não o reconheci de cara, mas ainda assim me pareceu muito familiar.
Entrei em um dos quartos, da mesma maneira este também me parecia familiar. Os móveis, assim como a cama, eram de madeira maciça, havia uma janela ao lado esquerdo da cama e suas cortinas azuis claras estavam paradas. Ao lado da mesa aonde permanecia um notebook, havia uma cômoda com vários livros. Do outro lado, ao lado direito da cama, tinha a mesinha de cabeceira com um abajur por cima e um livro aberto.
Estava tão distraida a observar as coisas, que nem percebi quando duas pessoas entraram no quarto e fecharam a porta, trancando o cômodo.
Decidi virar-me para vê-las, uma vez que eu estava de costas para a porta e então levei um susto:
Uma delas era Bonnie, a outra era eu.
Franzi o cenho, o que estava acontecendo? Eu não conseguia entender nada.
Então uma voz soou fraca próxima a meu ouvido:
“Apenas observe.” Ela dizia lentamente, como se estivesse conversando com uma garotinha de 5 anos de idade.
Decidi fazer o que a “tal voz” mandava e comecei a prestar atenção a conversa que eu tinha com Bonnie.
– ... E eu te chamei aqui pois preciso te contar algo... – havia um certo receio em minha voz.
– Pode falar, Bella... você está tensa e isso não é muito legal, mas tudo bem. – Bonnie riu fraco.
– Okay, Bonnie eu... você sabe que eu nunca me dei bem com Damon, não é? Sempre que nos esbarramos em algum lugar, acabamos trocando xingamentos. E viam que quando eu pudia, provocava ele retrucando os comentários desnecessários dele e vice e versa... Então, você, Elena e Caroline sempre souberam que minha relação com o Salvatore mais velho nunca foi um exemplo de bons modos e civilidade. – eu, do sonho, comecei.
O estranho foi que enquanto eu ia falando sobre minha relação com Damon para Bonnie, algumas coisas começaram a vir em minha mente. Coisas tipo certa vez, quando estávamos no bar e Damon estava jogando sinuca, eu fiz questão de jogar e ganhar dele, ou da vez em que ele atrapalhou minha conversa com um cara em uma festa, dizendo que era meu namorado e que eu não deveria fazer essas ceninhas de ciúmes. Ele amava me irritar e eu irritava de volta.
Continuei com meu papel de platéia e voltei a ouvir o que eu dizia para Bonnie.
– E, eu sei que parece que estarei me contradizendo ao dizer isso, mas... Eu vou sair com Damon. – falei rapidamente.
– Você o que?! – Bonnie arregalou os olhos.
Okay, então essa memória é da primeira vez que fui sair com Damon e resolvi contar para Bonnie sobre isso... Mas por que contar para Bonnie?
Ah claro, por que Caroline e Elena foram as primeiras a aconselharem que eu me afastasse do Salvatore.
Franzi o cenho.
Como é que eu lemb...
– Eu sei que vocês três não fazem parte do fã clube oficial “Amamos o Damon”, eu também não! – mal tive tempo de concluir meu pensamento, pois “eu” continuei a falar, percebendo a surpresa de Bonnie — E dizer isso pra você me surpreende mais do que você pensa, mas aconteceu.
– Como? – foi apenas o que a Bennett conseguiu me perguntar, enquanto fechava os olhos e respirada fundo.
– Eu estava no Grill, sentada no bar, ele se aproximou. Trocamos sorrisinhos irônicos, aqueles famosos sorriso que trocamos que significam “Não gosto de você, particularmente espero que morra, mas acho que já sabe disso”. Então meu celular tocou, e eu saí do bar para ter alguma privacidade. Era Renée, querendo saber quando eu iria voltar, expliquei que demoraria mais alguns dias, mas que estava tudo certo; desliguei o aparelho e voltei para dentro, nisso Damon me abordou e com o sorriso mais filha da puta de todos disse algo como “Então, a garotinha tem bom gosto musical”, retruquei dizendo que garotinha eu só via as tolas, que topavam sair com ele e que sempre tive bom gosto musical... acho que ele decidiu ignorar meu primeiro comentário e apenas disse que já tinha ido em um concerto da banda, me surpreendi e fiquei levemente frustada, uma vez que eu não tive essa oportunidade. – respirei fundo e foi minha vez de fechar os olhos. – A partir daí, todas as vezes que nos encontrávamos no Grill, sem querer, devo dizer, conversávamos civilizadamente...
– Quer dizer então que todas as vezes que eu ou Caroline e até mesmo Elena te chamávamos para sair e você dizia que não... – Bonnie abriu os olhos, surpresa diante da própria teoria.
– Não! Não é assim, também! – exclamei. – Algumas vezes eu realmente estava estudando, mas em outras sou obrigada a confessar que sim, eu já estava no Grill conversando com Damon. – minha voz foi diminuindo de tom aos poucos.
Eu não pude deixar de rir um pouco. Estava com vergonha de admitir a Bonnie que iria sair com Damon, imagina se a “eu” de antes soubesse o que eu fazia com ele hoje em dia... Se soubesse que ele conseguiria chegar ao ponto de me salvar da morte... Bem, do jeito que “eu” falo de Damon, acho que riria e não acreditaria nem vendo.
– Enfim, aconteceu, Bonnie... Depois de uma semana conversando, ele perguntou se eu não queria fazer algo diferente, eu disse que sim e ele me disse para esperá-lo as 20hrs, em casa, no sábado. – expliquei.
Bonnie respirou fundo e virou-se de costas, fechando os olhos logo depois. Era fácil deduzir que ela estava preocupada com o fato de Damon ser um vampiro e eu uma humana e ele querer me fazer de “próxima refeição”.
– Damon não é a melhor das companhias, Bella... – Bonnie começou a falar. – Temo que você descubra o por que em breve... – sussurrou, enquanto se virava para mim.
– Como assim? Bonnie, eu sei, já disse que sei que ele é um idiota, mas tirando isso, que outro mal há?
– Bella, eu... Damon não é confiável, então apenas se cuide okay? E prometa que não irá tirar o bracelete que Elena te deu, pode ser? – o tom de voz de Bonnie indicava desistência, pois é, eu faria o mesmo se estivesse falando comigo, sou teimosa demais.
Mas eu também não tinha culpa alguma nesta situação, não sabia da condição de vampiro que Damon possuía, não estava escrito na carteira de motorista dele, oras!
– Bem, agora vejamos, o que está feito, está feito. Vamos encarar a realidade, vai sair com Damon amanhã, precisamos fazer duas coisas. – começou a listar. – A primeira, por mais infernal que seja, contar para Elena e Caroline.
– Não eu... Eu, na verdade, pretendo contar para elas no domingo, quando não houver risco de elas taxarem-me de louca e me trancarem em casa contra a minha própria vontade. – debochei.
Não pude deixar de rir da minha própria piada, não me lembrava de ter esse senso de humor e se tinha, Edward fez com que ele se esvaísse por completo.
– Está bem, não direi nada, a vida é sua Bella, espero que saiba o que está fazendo. – o sorriso nos lábios de Bonnie era quase maternal. – Agora, temos que achar uma roupa para você, certo?
– Por favor... nada ao estilo Caroline, não sei pra onde ele vai me arrastar, mas também não vamos a uma noite de gala e é Damon, afinal. – dei de ombros e revirei os olhos.
– Verdade... – Bonnie riu e então me arrastou para o armário.
Enquanto “eu” sentava na cama, a Bennett a minha frente abria o meu armário e vasculhava-o, a procura de alguma roupa que ela julgasse “boa”, para que eu usasse.
E aos poucos, como se eu estivesse assistindo a cena final de um filme, tudo começou a ficar escuro: primeiro sumiram as cores e então as formas, até sobrarem apenas vozes, que aos poucos se transformaram apenas em ecos indefinidos.
E então eu me vi na escuridão plena e completa.
Achei que fosse acordar, mas pelo visto estava errada.
Um flash, e de repente me vi no Grill, sozinha, sentada no bar, um copo de uma bebiba a qual não pude reconhecer estava postada na minha frente e pelo visto eu havia bebido-a quase toda, pois estava na metade.
– E quem não tem estado estranho ultimamente, Matt? – minha própria voz soou ao meu lado esquerdo.
Virei-me bruscamente e pude observar enquanto “eu” brincava com um o líquido no copo, girando-o em sentido horário, minha face demonstrava tédio puro enquanto apoiava-me no braço esquerdo e Matt a minha frente que enxugava alguns pratos possuía um sorriso um tanto quanto... brincalhão em seu rosto.
Então, mais uma vez eu seria a telespectadora.
– Fazer parte do mundo sobrenatural não tem mais graça quanto antes? – ele riu.
– É, parece que a “Máquina de Mistério” vai estacionar por alguns dias, Salsicha e Scooby-Doo resolveram tirar férias. – debochei, entrando na brincadeira.
– Com Salsicha e Scooby-Doo, você diz...
– Eu... Ninguém... Não sei, não quis fazer analogia nenhuma, Matt. – “eu”ri fraco, voltando a colocar o copo a minha frente.
– Entendo. – foi a vez de Matt rir, enquanto voltava a por o pano de prato por cima do ombro direito e virava-se de costas.
– As vezes eu sinto inveja de você... – respirei fundo e alto. – Tão humano, levando sua vida, provavelmente vai se formar na faculdade que quiser e levar sua vida pra frente, enquanto isso eu estou aqui, a solução do problema de metade das pessoas dessa cidade, caçada por mil pessoas e ainda amo um cara que tem mais do que o dobro da minha idade e se eu quiser ficar com ele, vou ter que ser igual a ele... Não que isso seja um problema, mas o grande problema está em me tornar igual a ele. – revirei os olhos e debrucei-me sobre o balcão. – Odeio minha vida. – reclamei.
– Hey, poderia ser pior, pelo que eu sei, Bonnie e Damon estão fazendo o possível e o impossível pra te ajudar a sair dessa e eu sei que você vai. Vamos lá, mostre quem Isabella Swan é! – Matt começou a falar e voltou a virar-se para “mim”. – Sabe, eu sempre achei você e Elena dois lados tão diferentes da mesma moeda... Elena nunca quis ser vampira, você precisava ver o quanto demorou para aceitar a atual situação, mas você, você mesma já me disse que não teme as barreiras que terá de enfrentar pra ficar ao lado de Damon, que não pensaria nem duas vezes antes de tomar o sangue dele e quebrar o próprio pescoço...
– Não entendo aonde quer chegar com isso... – franzi o cenho, arrumando-me no banquinho.
Fiz a mesma coisa que “eu”, a diferença é que dentro da minha memória, algo me dizia que eu já sabia a resposta que Matt me daria...
– Você está deixando essa essência se perder, lembra das barreiras que disse que quebraria, aí estão elas, hora de calcular a velocidade exata e pular sobre elas, vencê-las e vencer a corrida... Até por que, me diga, qual seria a graça de participar de uma corrida sem obstáculos algum, sabendo que você tem potêncial para vencer uma bem mais complicada? Se você está nessa, é por que pode vencer, lembre-se disso, Bella. – Matt piscou.
E tanto eu, quando a “eu” que estava ao meu lado, sorrimos genuinamente.
Consegui lembrar-me do quanto as palavras de Matt me ajudaram naquele dia... E ao mesmo tempo fiquei mais confusa, como eu conseguia lembrar daquilo?
Só havia uma resposta...
– Espero não estar atrapalhando a conversa de ninguém... – uma voz soou atrás de mim.
Observei enquanto eu virava automaticamente ao som daquela voz e segundos depois fiz o mesmo.
E então congelei.
Não conseguia escutar nada do que era dito, era como se tudo estivesse mudo. Minhas mãos foram automaticamente para minhas têmporas, enquanto uma dor de cabeça terrível surgia.
Aquele cabelo loiro, aquele sotaque... Ele era...
Aquele era Klaus!
– Meu Deus... – sussurrei e olhei para baixo.
Era como se tudo tivesse fazendo sentido, essas memórias voltando, aquilo ali não era um simples “flashback”, eu estava assistindo a minhas memórias, enquanto recuperava-as pouco a pouco...
Quando o som ao meu redor voltou, pude me ver olhando assustada para Klaus, de pé, frente a frente com ele, enquanto Matt encarava fixamente a porta do Grill...
– Mas fique tranquila, Isabella, não vou te machucar... Ao menos, não agora. – dito isso, Klaus afastou-se e virou-se de costas, deixando o Grill.
Virei para me olhar, meus ombros tinham caído e meu rosto estava pálido, eu estava mais do que tensa, entretanto não haviam palavras em minha mente que pudessem descrever minha feição naquele instante.
E no segundo seguinte, vi Damon me abraçar.
Desci do banquinho, enquanto observava Matt sorrir de canto perante a cena que ele via.
De certa forma, acho que ninguém esperava uma reação daquelas vindo de Damon Salvatore, exceto eu, tanto a “eu” que ele estava abraçando naquele instante, que estava assustada e com um medo terrível de morrer, quanto a eu que estava assistindo a tudo e já tinha passado por coisas piores do que encarar frente a frente Klaus Mikaelson.
Mais uma vez tudo começou a ficar escuro e eu não sabia o motivo, mas foi bem mais depressa do que antes.
As cores se esvaindo, o som das pessoas ao redor se foi rapidamente, não fora como da outra vez, que viraram eco. A escuridão tomou tudo em poucos segundos e eu fiquei me perguntando o por que de tudo ter sido tão rápido desta vez.
Mas ao contrário da primeira memória, eu me deixei levar pela sensação de que ainda não havia acabado.
E eu estava certa.
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