Sweet Blood
14 Capítulo 14 - And the days go by.
Notas iniciais
Capítulo 14 — And the days go by.
Narradora.
Acordou no quarto, em cima da cama, levantou-se rapidamente e olhou ao redor, tudo arrumado, como se nada tivesse acontecido, respirou fundo.
– Talvez tenha sido apenas um pesadelo. — murmurou.
– Não creio que você tenha tanta sorte. — uma voz soou repentinamente.
Assustada, olhou para o lado e viu Damon perfeitamente apoiado contra a janela.
O vento batia contra ele, jogando, além das cortinas, seu casaco para frente e ele parecia excepcionalmente sensual e misterioso naquela posição.
– O que está fazendo? — questionou.
– Te salvando de si mesma, tudo bem ter um ataque de nervos, mas quem em sã consciência faz isso e quase se mata? — ele riu.
Bella revirou os olhos.
– Cale a boca, Salvatore, não sabe o que...
– Sei sim. — ele a interrompeu. — Soube que a casa dos Cullen foi posta a venda.
– Já? — soltou, surpresa.
– Eles são quase nômades, Isabella. — deu de ombros. — Cedo ou tarde iriam embora, sinto te dizer.
– Esse não é o problema... — engoliu em seco. — Sabe que eles foram, mas não sabe como foi a despedida.
– Gostaria de me contar? — ele ergueu a sobrancelha esquerda e saiu da janela, sentando-se na poltrona, que ficava no canto da parede.
Ela não respondeu.
– Foi o que pensei. — riu seco. — Bem, acho que você está melhor, vou indo... a propósito, Bonnie te ligou e disse que mais tarde passará aqui. — avisou, se levantou e começou a andar em direção a sua saída (mais conhecida como a janela).
– Não, espera! — gritou, antes de ele sair. — Edward terminou comigo, no meio da floresta, disse que eu não era boa o suficiente para ele, que eu era apenas uma humana. — respirou fundo.
Damon voltou a encará-la e a garota levou um susto ao ver que ele estava com... raiva?
Seus olhos azuis estavam escuros, semicerrados e as mãos em punhos.
– Continue. — pediu, fechando os olhos e abaixando levemente a cabeça.
– Ele disse que eu não servia para ele e depois ainda pediu para que eu não fizesse nada de estúpido. — engoliu em seco.
O Salvatore se aproximou um pouco e ficou a poucos milímetros da cama, Bella sentou-se e pediu para que ele fizesse o mesmo.
A luz do dia apenas ressaltava sua beleza, mesmo com os olhos escuros pela raiva, o sol conseguia clareá-los e torná-los mais belos do que já eram, seus cabelos pretos balançavam com o vento e o seu perfume já havia se instalado no quarto.
– E eu... eu disse tudo o que eu queria, que eu não precisava mais dele, que ele era o idiota, covarde da história e desejei a ele uma eternidade miserável... — suspirou e terminou a história.
– Pretende acatar ao pedido dele? — ele parecia sério ao perguntar, levantou os olhos e encarou com uma intensidade que ela nunca tinha visto antes, era como, como se a próxima resposta fosse definir o destino de milhares de pessoas.
– Se eu fosse, faria isso? — Ela se aproximou e, posicionando as duas mãos na nuca de Damon, aproximou-o de sí, fazendo algo que o surpreendeu, logo depois.
Ela o beijou.
O Salvatore se aproximou mais de Isabella, e colocou as mãos em sua cintura, ela não queria admitir, mas até que sentira falta de beijá-lo, de uma forma que nunca havia sentido com Edward.
A necessidade urgente de sentir seus labios contra os dele é que a levara a fazer isso, não o desespero por estar sozinha, como muita gente poderia achar.
– Está dizendo que me beijar é estupidez? — ele riu, quando separaram o beijo.
As testas grudadas, respirações se misturando, ofegantes e ambos os corações levemente descompassados, um, talvez, mais do que o outro.
– Não seja idiota. Estou dizendo que me envolver com outro vampiro é que é estupidez. — ergueu a sobrancelha esquerda e voltou a apoiar as costas contra a cama.
Damon jogou a cabeça para trás, rindo e ela odiava confessar, mas gostou do som da risada dele.
Respirando fundo, mordeu o lábio inferior e voltou a falar.
– É tudo tão estranho na minha vida, Damon... — seu tom tinha se tornado distante.
Ele sorriu de canto e acariciou a bochecha dela com o polegar.
– Eu imagino, mas logo, logo tudo vai fazer sentido, acho que eu pelo menos posso te prometer isso. — riu fraco.
– Posso te fazer uma pergunta? — ela desencostou da cama e se aproximou dele, seus olhos vagando a cada milímetro do rosto perfeitamente desenhado do Salvatore.
– A vontade. — tombou a cabeça para o lado.
– Se eu te pedisse, me transformaria?
Ele engoliu em seco e riu nasalmente, deixando um sorriso torto aparecer em seus lábios.
– Adoraria fazer isso, agora mesmo, Isabella... não sabe o quanto. — respirou fundo e voltou a adquirir a postura séria de outrora. — Mas não posso.
– Por que? — ela riu sádica. — Já sei! Não quer que eu desperdice minha vida humana, quer evitar que eu perca minha alma, quer que eu tenha uma vida plena e feliz! — revirou os olhos.
– Acho que você pode ter tudo isso, ao meu lado, como vampira. — ele retrucou com a voz rouca e pegou-a de surpresa ao continuar a frase. — Não sabe o quanto eu queria te transformar e torná-la minha de todas as formas possíveis, mas eu não posso, não por essa palhaçada toda de alma, Isabella, não, sou egoísta o suficiente para te tirar toda uma vida normal, apenas para tê-la ao meu lado, todos os dias de uma eternidade, não sou idiota, porém, por mais que eu queira tudo isso, a porra do destino não está a meu favor. — levantou-se da cama e ficou de costas para ela.
– Por que? — ela questionou, alarmada, extremamente curiosa.
– Logo você descobrirá, sozinha, sem a ajuda de ninguém... é uma garota inteligente, Isabella, prove-me isso. — ele explicou vagamente e sumiu pela janela.
Desesperada, Bella se levantou e foi até a janela, mas tudo o que pôde ver, foi um corvo voando por entre o céu de Forks.
– É Isabella, não queria aventura, perigo, paixão? Acho que desta vez eu escolheu o vampiro certo... certo demais. — respirou fundo e voltou para a cama, disposta a dormir.
(...)
– Bonnie! — soltou, surpresa, ao ver a mesma na porta. — Damon me disse que viria...
– Sim, eu imaginei. — ela disse amigável, mas depois semicerrou os olhos. — Sabe o quanto me deixou preocupada, mocinha? Nunca mais faça isso denovo, okay? — pediu.
Bella riu.
– Tudo bem, Bonnnie. — sorriu. — Entra. — deu espaço para que ela passasse.
– Obrigada, bem, se não se importa, trouxe algumas coisas para fazermos uma noite das meninas, soube que Charlie viajou para Port Angeles, então estou me aproveitando deste pretexto para fazer uma festa do pijama e ver se você está bem. — sorriu com ternura e entrou, enquanto Bella fechava a porta. — Vou deixar a pizza e os refrigerantes na geladeira, junto do sorvete. Trouxe um monte de filmes clichês, para a gente assistir enquanto conversamos, até por que, se fossem filmes interessantes, não conversaríamos e prestaríamos atenção, mas, como eu não sou tão fútil assim, trouxe um interessante para vermos depois. — explicou o plano.
Bella gargalhou.
– Tudo bem, Srta. Não sou tão fútil assim. — debochou.
Bonnie revirou os olhos.
– Vou fazer pipoca, vá pôr um pijama, única regra que eu vou impôr e então começaremos a conversar. — pediu e foi para a cozinha, guardar as coisas e começar a fazer a pipoca.
Bella subiu com um sorriso na cara, achara definitivamente ótima a iniciativa de Bonnie, fazia séculos que fora numa festa de pijama, Alice nunca fizera uma.
Decidiu tomar um banho, foi até o banheiro, despiu-se e entrou no box.
Deixou que a água morna caísse em seu corpo e livrasse-a da dor e sofrimento que passara algumas horas atrás.
Terminou o banho e foi se trocar, colocou um pijama azul escuro com alguns detalhes em branco, secou os cabelos e desceu as escadas; encontrou Bonnie devidamente sentada no sofá, coberta com um lençol roxo e uma tigela verde de cerâmica em mãos, cheia de pipoca, enquanto trocava aleártoriamente de canal.
– Espero que não se importe, peguei esse lençol no quarto de hóspedes. — explicou.
– Sem problemas. — assentiu e logo postou-se ao lado da amiga. — Bem, Bonnie, eu quero te contar o que houve quando ganhei, além desse colar lindo, os chupões no meu pescoço e também outras coisas que aconteceram comigo nesses dois dias, sinto que eu preciso te contar, eu quero, então me escute, pode ser? — riu.
Bonnie assentiu.
– Eu e Damon nos beijamos naquele dia, Bonnie, eu não sei como explicar, mas eu me senti... bem, bem não, ótima! — explicou, assustada consigo mesma. — Paramos por que meu celular tocou, mas o jeito que ele me beijou, me fez sentir de uma forma inexplicável, quer dizer, Edward sempre foi tão restritivo e quando beijei Damon me senti como se estivesse dando meu primeiro beijo, de uma forma totalmente diferente, era quase como se ele soubesse exatamente como me beijar. — respirou fundo. — Depois, na quadra da escola, fui pedir para ele esquecer o beijo daquela manhã, mas ele acabou me beijando novamente, eu me senti como se ele nunca tivesse me beijado, mas me senti tão bem ou melhor do que antes. — suspirou.- Sei que deveria me censurar, mas acho que soube da novidade, certo? — riu cínica. — Os Cullen foram embora, Edward foi o único que se despediu de mim... Me levou para uma floresta, me desprezou, disse que eu não era boa o suficiente para ele. — Colocou a mão no pote de pipoca com raiva, por relembrar aquela situação e depois de comer, voltou a falar. — Ele disse o que queria, ouviu o que não queria, joguei em sua cara que ele era um covarde, um idiota, então Edward foi embora e eu fui para casa, depois de chegar, assim que entrei no quarto, tive um surto e quebrei coisas, quase como se estivesse em uma novela, me machuquei feio e desmaiei, quando acordei de novo, eu estava na cama e Damon apareceu lá. Acho que eu estava tão desesperada que esqueci a porta aberta. — inventou uma desculpa qualquer, não sabia se Bonnie estava a par da condição de vampiro do Salvatore, então mentiu, por mais que não quisesse, mas não queria arriscar contar o segredo dele.
A outra, por sua vez, achou fofo que Bella tenha tomado o cuidado de não contar o segredo de Damon para ela, por mais que fossem amigas. A bruxa sorriu e pegou a mão de Bella.
– Não precisa mentir, Bella, eu sei o que Damon é, ele me disse que tinha te contado, então acho que você deveria saber algo sobre mim. — sorriu sincera.
A Swan a encarou curiosa e fez sinal para que ela continuasse a falar.
– Bella, eu sou uma bruxa, creio que Damon tenha te contado da nossa existência, certo? — ela questionou e a outra apenas assentiu. — Ótimo, só queria te esclarecer, somos amigas, não queria que soubesse disso por outra pessoa. — explicou.
Bella abriu um sorriso que ia de uma ponta até a outra do rosto e abraçou Bonnie.
– Acho que eu preciso te contar como foi que os Cullen decidiram ir embora... — respirou fundo.
– Damon já sabe?
– Ainda não, pretendia contar hoje, mas não deu tempo. — sorriu de canto.
Bonnie respirou fundo e ouviu atentamente cada detalhe contado por Isabella, desde os presentes, até ela ser jogada por Edward contra a mesa de vidro.
– Meu Deus! — exclamou assustada.
– Pois é. — suspirou — Bem, aonde eu parei mesmo? — riu fraco. — Ah, sim! Bem, eu e Damon começamos a conversar, até que ele perguntou se eu acataria ao pedido de Edward, se não faria nada de estúpido e eu o beijei, ele riu e questionou se estava dizendo que beijá-lo era estúpido e então eu disse que a estupidez era me envolver com outro vampiro, entende aonde quero chegar, Bonnie? — ela parecia exasperada. — Eu não tenho certeza, mas acho que eu... que eu gosto dele, de um jeito que me assusta! Não por ele ser um vampiro, não pelas coisas que já fez, mas a intensidade dos meus sentimentos é tão grande, tão grande, que parece que eu já o amava desde antes de sequer conhecê-lo!
Bonnie engoliu em seco e por sorte o gesto não fora capturado pelos olhos castanho-chocolates da outra.
– Bella, acho que se gosta dele tanto assim, deveria ignorar o que os outros acham e se entregar ao que sente. — sorriu compreensiva.
– Não é esse o problema, eu não ligo para o que os outros irão achar, o ponto é que eu tenho medo de me machucar outra vez, de ficar cega, de ser abandonada, eu não suportaria! — sua voz se tornou um sussurro ao confessar a última parte.
– Conheço Damon e posso afirmar com todas as letras que ele nunca faria isso e se ele sequer sonhar em fazê-lo, eu o mato antes, coisa de bruxa. — piscou cúmplice, fazendo a Swan rir.
– Obrigada, Bonnie, de verdade, ninguém nunca tinha me escutado e me ajudado dessa forma antes, com Alice eu era apenas uma boneca de pano em suas mãos frias e ágeis, ela sempre falava, desabafava quanto a seus problemas com Jasper e sua falta de controle quanto ao sangue humano, mas quando eu queria falar, nunca havia tempo, ou ela tinha que caçar, ou tinha que arrumar o closet, tudo era mais importante do que retribuir a atenção que eu dava a ela, em momentos os quais eu, as vezes, não podia ou nem queria! — seu tom tinha se tornado raivoso, o ódio era quase palpável em sua voz, de tão presente.
– Acalme-se, Bells, eu nunca vou fazer isso contigo! Isso não é amizade, amizade é saber abrir mão das próprias necessidades, apenas para ver o outro feliz, é escutar e ser escutado, é amor e acima de tudo respeito, quero que saiba que eu te considero minha melhor amiga e não tem problema se você não achar o mesmo. — sorriu, sincera.
Sem ter mais o que falar, Bella a abraçou e sussurrou em seu ouvido.
– Eu também te considero minha melhor amiga, Bonnie.
As duas se separaram com lágrimas nos olhos. Começaram a conversar sobre outros assuntos, falaram sobre Jéssica, Lauren e suas manias chatas de se intrometerem nas conversar alheias, sobre livros e a urgente vontade que Bella tinha de ver a biblioteca particular dos Salvatore, falaram sobre as bruxas, assunto que Bella teve o maior prazer de discutir com Bonnie e fazer perguntas.
E então, as duas começaram a falar da cidade e acabaram chegando ao tal assunto que vinha movimentando bastante as fofocas em Forks, a famigerada festa de aniversário do prefeito, a qual já haviam cartazes e faixas anunciando, a propósito.
– E quanto a essa festa que vai ter por aqui? — a Bennett comentou.
– Olhe, é algo novo, estranho eu diria. — Bella riu. — Por que eu nunca ouvi falar de festas nessa cidade, é tudo tão monótono e ridiculamente normal...
– Uma vez que não se tem acesso a uma vida sobrenatural, você quer dizer.- Bonnie terminou a frase, fazendo com que as duas rissem.
– Isso... — parou de rir. — Você vai?
– Acho que vou sim, vai ser divertido, faz tempo que não vou para uma festa e olha que em Mystic Falls o que mais tem são bailes, em qualquer ocasião do ano. — debochou.
– Acho isso legal, deve ser bem agitado.
– E caro, Caroline que organiza todas elas e sempre nos obriga a comprar roupas novas e nos vestirmos de modo diferente. — elas gargalharam juntas.
– Faça assim, se for me avise antes para não irmos sozinhas, feito? — Bella propôs.
– Não acho que você corra riscos de ir sozinha. — a outra riu maliciosa. — Mas, feito.
Isabella havia entendido perfeitamente o que Bonnie queria dizer, mas ignorou e coçou a garganta.
– Que tal agora virmos o filme que presta? — a Swan perguntou, tentando mudar de assunto.
– Acho ótimo. — Bonnie sorriu e foi trocar o CD.
Fale com o autor