Sweet Blood
23 Capítulo 23 - Meetings
Notas iniciais
Narradora.
A tensão presente no ar era tão grande que Bella conseguia sentí-la enforcando-a cada vez mais, tornando a casa dos Swan minúscula.
Não adiantava o quanto tentasse, o clima continuava estranho, tenso, mas a garota também não poderia deixar de entender o lado de seu pai.
Talvez, mas só talvez, se Damon não tivesse dado-a aquele mísero selinho quando ela abrira a porta, o clima naquele momento fosse melhor.
Porém, aquela situação toda já estava criada e não adiantava chorar sobre o leite derramado. O que restava era aceitar o ocorrido e, principalmente, retirar as facas de perto de Charlie, caso o contrário, poderia haver uma próxima ao coração de Damon nos seguintes minutos.
Isabella tentava de tudo para que Charlie e Damon mantessem uma conversa: desde falar sobre carros –o que acabava acarretando em uma conversa entre ela e Jeremy-, até mesmo sobre faculdades, assunto esse que era extremamente ignorado e encerrado assim que começava.
Estava começando a pensar sobre desistir, jogar a toalha e encarar a realidade de que Charlie jamais iria se dar bem com Damon... foi então que algo veio em sua mente.
Ela nunca iria ganhar aquela batalha se continuasse daquela forma, ela estava tentando fazer tudo do seu jeito. Sutilmente fazer Charlie saber mais sobre o Salvatore e talvez até estivesse dando certo, mas estamos falando de Charlie Swan.
De quem, afinal, teria herdado sua teimosia?
O Chefe Swan nunca daria o braço a torcer, não antes de ver as coisas irem conforme ele queria. E como, as vezes, para ganhar uma batalha ou até mesmo uma guerra, você precisa jogar conforme seu oponente, Bella faria isso e acabaria com aquilo.
Ela já tinha em mente o que Charlie queria. Ele não queria que a filha escondesse mais as coisas dele, então era hora de mostrar que tudo aquilo que estava acontecendo era proposital e dar a volta por cima.
Arrumou-se na cadeira e chutou levemente a perna de Jeremy, que estava sentado a sua frente. O mais sutilmente que pôde, a Swan indicou com a cabeça para a cozinha e então repetiu o ato com Bonnie, garantindo-se de que os dois haviam entendido o que deveriam fazer.
– Vou pegar a sobremesa... Bonnie, pode me dar uma mãozinha? – Bella questionou, sorrindo.
– Claro, até por que eu também trouxe algo. – a Bennett mentiu. – Jer, pegue minha bolsa na sala e traga para nós, sim? – pediu, ao que o Gilbert assentiu.
E assim que Jeremy pegou a bolsa de Bonnie, os três andaram até a cozinha.
– Okay, esse não está sendo o melhor dos jantares... – Jeremy cochichou, apoiando as costas contra a bancada.
– Oh, você acha? – Bella arregalou os olhos, o cinismo perfeitamente notável em sua voz. – Por isso chamei vocês aqui. – diminuiu o tom de sua voz. – Preciso concertar as coisas, acho que sei por que Charlie está se negando tanto a conversar com Damon...
– Talvez, por que ele é um idiota? – Bonnie sorriu, abrindo a geladeira.
Era óbvio que a Bennett sabia que o Salvatore podia escutá-la.
– Também... – Bella riu e mordeu o lábio inferior logo depois. – Acontece que Charlie é teimoso, ele quer as coisas de seu jeito e nesse caso, o jeito dele é que eu formalmente diga quem Damon é.– revelou, abrindo o pote de sorvete em cima da bancada, afastando Jeremy bruscamente.
– Então, você basicamente tem que fingir que tudo isso está acontecendo conforme um plano para introduzir Damon ao seu pai? – Jeremy questionou, confuso.
– Exato, amor. – Bonnie respondeu-o, pegando os pratos e a tigela com o bolo. – E nada melhor do que bolo com sorvete para fazer isso. – trocou um sorriso cúmplice com Isabella.
– Disse tudo... mas eu queria algo. – disse com insegurança. – Será que tem como vocês... você sabe, inventarem algo e deixarem-me a sós com os dois?
– Sério? Não podemos ao menos comer a sobremesa? – Jeremy implorou.
– Jeremy! – ralhou a namorada.
– O que? É o bolo que você e Bella fazem, achou que eu fosse perder isso algum dia da minha vida? – explicou-se.
As duas gargalharam.
– Tudo bem Jer, podem ficar para a sobremesa, mas então forjam algum compromisso e então saem, tudo bem? – revezava o olhar entre os dois amigos na sua frente.
Jeremy assentiu, Bonnie pareceu mais contrariada, entretanto.
– Tem certeza? – a morena perguntou, preocupada.
– Tenho. – Bella afirmou, totalmente convencida do que faria.
– Então tudo bem, vou fingir receber uma ligação de alguma amiga e então eu e Jeremy saímos... tudo bem pra você, Jer? – a Bennett olhou para o namorado, que apenas assentiu.
– Ótimo, hora de pôr o plano em prática. – confiante, Bella ergueu a cabeça enquanto saia da cozinha, sendo seguida pelos outros dois.
Apenas esperava que tudo fosse dar certo.
(...)
O bolo fora devorado em menos de meia hora sobre um silêncio horroroso, porém Bella já sabia que ele não duraria.
Quando os pratos ficaram vazios e todos pareciam satisfeitos, Bonnie arregalou os olhos e tirou o celular da bolsa, colocando-o no ouvido imediatamente.
– Sim... sim, eu entendo... – murmurava rapidamente. – Okay, eu e Jeremy estamos indo para casa e depois te ligo, tchau. – desligou o celular e sorriu amarelo para todos na mesa.
Damon, que percebera imediatamente que não havia ninguém do outro lado da linha, franziu o cenho. Mas então, lembrou-se do que Bella havia falado na cozinha, aquilo era tudo um plano.
– Com licença, Bella, mas eu e Jeremy precisamos ir. Elena precisa que olhemos uma coisa na bolsa do Jeremy que ele, provavelmente, trouxe errado de Mystic Falls. Sinto muito Bells, Sr. Swan. – desculpou-se enquanto se levantava.
Jeremy repetiu o ato e os dois andaram até Bella, abraçando-a ao mesmo tempo e sussurando “boa sorte” para a garota. Depois de se despedirem dela, o Gilbert ainda trocou um aperto de mãos com Charlie e então, finalmente, os dois saíram pela porta.
Foi então que Charlie se viu confuso, uma vez que Bonnie e Jeremy haviam ido embora, mas aquele ser que havia dado um beijo em sua filha na porta permanecia ali, sentado em sua cadeira, na frente da mesa, com um sorriso irônico no rosto, como se nada estivesse acontecendo.
– Pai... será que podemos conversar? – Bella respirou fundo e levantou-se, os dois homens ao lado dela repetiram o ato e isso a assustou levemente.
– Diga. – Charlie murmurou, encarando Damon, que fazia o mesmo.
Era quase como uma guerra, um encarava o outro e nenhum dos dois iria desistir.
– Chega! Os dois! – a garota berrou, quando percebeu que aquilo estava indo longe demais. – Pai, eu fiz tudo isso por que você, uma vez, me disse que não queria mais segredos entre nós, pois bem, chamei Damon aqui para apresentá-lo e você o trata desta forma? – mentiu e surpreendeu-se quando não gaguejou e ainda conseguiu manter a raiva em sua voz.
O Salvatore não conseguiu segurar uma risadinha anasalada, pois sabia perfeitamente bem que aquilo tudo era mentira.
– Sinto muito, Bella. – Charlie prontamente se desculpou, virando-se para encarar a filha que, por sua vez, apenas assentiu.
Alguns segundos de silêncio e então a Swan decidiu apresentá-los.
– Charlie... pai, este é Damon, Damon Salvatore, meu namorado. – a palavra saiu perfeitamente por seus lábios, sem nenhum vacilo e um sorrisinho ainda a acompanhou.
– Prazer em conhecê-lo. – Damon, sendo Damon, manteve o sorriso irônico em seus lábios, mas pelo menos estendeu a mão para Charlie.
– Digo o mesmo rapaz. – foi tudo o que o Chefe Swan respondeu, chacoalhando a mão de seu genro.
– Agora, vocês podem ser menos hostís um com o outro? – a morena implorou. – Vocês dois podem até se dar bem... eu acho. – riu fraco no fim da frase.
– Certo, eu acho que posso tentar. – mais uma vez, Charlie virou-se para a filha e trocou um sorrisinho com a mesma.
– Podemos. – Damon afirmou, fazendo com que o olhar de Charlie voltasse a cair sobre ele. – Olhe pelo lado bom, Sr. Swan, pelo menos eu não vou obrigar sua filha a trocar o carro dela. – riu, tirando sarro de todas as vezes que Edward tentou fazer Isabella trocar seu carro.
– Filho, só pelo fato de não ser um Cullen, você já ganhou pontos comigo. – Charlie entrou na brincadeira.
Enquanto isso, Bella não pôde deixar de se ver feliz, uma vez que a tensão havia se quebrado em vários pedacinhos e agora, Charlie e Damon tiravam sarro de tudo o que Edward já a obrigara a fazer.
– Bom, a noite foi um tanto quanto agradável, mas tenho que ir dormir e a senhorita também, Bella. – Charlie avisou.
– Tudo bem... Ah, pai, eu e Damon vamos ficar mais um pouco, temos que terminar de lavar a louça, podemos? – pediu, enquanto os três levantavam-se para arrumar a mesa.
– Não sei, vocês não têm aula amanhã cedo? – Charlie advertiu.
– Temos, mas não será por muito tempo... garanto, Sr. Swan. – Damon explicou.
– Charlie, por favor. – pediu, virando-se para Damon. – E tudo bem, desde que não demorem mesmo... boa noite para os dois. – dito isso, subiu as escadas, e depois de alguns instantes, o Salvatore ouviu a porta do quarto se fechar.
– Como você consegue? – Bella riu, indo para a cozinha e começando a lavar os pratos.
– O que? – o outro se fez de desentendido, ajudando-a.
– Você conseguiu fazê-lo gostar de você, algo que Edward tentava desde que me conheceu. – explicou, terminando de lavar um garfo.
– Eu tenho esse efeito nas pessoas. – vangloriou-se, guardando os pratos que estavam na pia e indo apoiar as costas contra a bancada.
– Idiota. – Isabella revirou os olhos e riu.
Faltavam poucas coisas as quais a Swan rapidamente lavou e enxugou. Os pratos e talheres que sobraram foram rapidamente guardados em seus devidos lugares e, logo que ela terminou, voltou para a pia, lavou-a e secou.
Então, sentiu o corpo do Salvatore atrás do seu, beijando seu pescoço, as duas mãos em sua cintura, segurando-a possessivamente.
– Charlie está lá em cima. – ronronou, sentindo as mãos dele acariciando-a levemente.
– Eu sei. – disse, contra o pescoço da garota.
– Não vai querer perder pontos com seu recém adquirido melhor amigo, vai? – desdenhou, tombando a cabeça para trás. Não queria admitir, mas estava adorando a situação.
Com esse comentário, o moreno riu em seu pescoço, causando-lhe cócegas em seu pescoço e um leve arrepio por seu corpo.
– Está certa, não vou. – afastou-se bruscamente e foi para a sala, fazendo Bella soltar um grunhido em protesto.
– Eu te odeio. – afirmou, seguindo o Salvatore.
– Não odeia, não. – retrucou e, mesmo que Bella não o estivesse vendo, sabia que ele sorria vitorioso. – Você me ama, sabe disso, é impossível não me amar. – disse e parou na porta, virando-se novamente para a garota e apoiando-se no batente.
– Já te chamei de convencido, hoje? – erguendo uma das sobrancelhas, ela perguntou, cruzando os braços.
– Bella, entenda, eu só sou convencido, por que sei que posso. – piscou, fazendo a Swan gargalhar.
– Boa noite, Damon Convencido Salvatore. – semicerrou os olhos e segurou a lateral da porta, para fechá-la, assim que ele saísse de vez por ela.
– Boa noite, Bella. – ele respondeu com a voz intensa, mas não saiu da porta antes de puxar a garota pela cintura e beijá-la.
Meio atordoada, ela viu o Salvatore piscar novamente e entrar no carro. Esperou o mesmo desaparecer de sua vista, no fim da rua, antes de fechar a porta, com um sorriso bobo nos lábios.
Suspirou e apagou as luzes, subindo as escadas logo depois e entrando em seu quarto.
Passou os olhos pelo cômodo e jogou-se na cama após vestir seu pijama.
O sorriso bobo voltou a seus lábios quando ela dormiu e não saiu de lá pelo resto da noite.
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