Notas iniciais
Oii gente. Primeiramente já esclareço que não tive tempo de postar ontem, mas dei uma escapulida dos estudos e vim o postar o #3. Tenho a impresão que minha leitura esta ficando cansativa, por que uso outro tipo de letra. Me avisem se sim, okay? Espero que gostem.

Capitulo 3

A escola foi normal. Algumas aulas chatas, outras legais. Mas não eram exclusivamente os exercícios de matemática, que me preocupavam. Lorenzo disse que iria me distrair estar na escola, mas tudo em consigo pensar é nele, em como deve estar sendo difícil. Eu não estava preocupada com as notas, trabalhos ou reclamações dos professores, pra falar a verdade, seria bem mais fácil se esses fossem meus maiores lamentos.

Eu estava tentando me concentrar nos exercícios, mas não conseguia calcular nada. Bateu o sinal quando estava na metade do calculo, joguei a folha de rascunho no lixo e sai da sala. Era intervalo, então eu teria uma trégua de matemática. O dia estava calmo, ninguém veio conversar comigo. Acho que perceberam que não estou muito a fim.

Nunca mais eu vi o idiota que derrubou meus livros, talvez tenham acontecido tantas coisas na minha vida, que pensar em um garoto estranho, cheio de esquisitices, incluindo me chatear, seja uma das últimas coisas que tenha passado pela a minha cabeça. Eu não tive mais tempo de pensar sobre ele, mas também por que pensaria? Mesmo qualquer coisa é melhor do que pensar no câncer, ele era uma das ultimas preocupações em minha cabeça.

Ainda perdida nos meus pensamentos, escutei o sinal tocar. Já ia me levantar quando ouvi alguém me chamar, achei que fosse impressão, foi quando eu o vi, olhando pra mim. – “Vai ficar tudo bem.” — escutei sua voz em meu pensamento. Fiquei estática não acreditando. – “Pare de invadir meus pensamentos!” – Retruquei mesmo não sabendo se ele podia ouvir. Ele sorriu e respondeu agora silabicamente. – “Pare de ser louca e vai pra sua sala!” – Mesmo não sabendo se era minha imaginação, eu respondi mentalmente. – “Pare de me encher! Eu sei que você me escuta, mesmo não sabendo como, nem por que! Não me chame de louca, se foi você quem me provocou! Caso não se lembre da ultima vez, fui eu quem ganhou!”- Ele gargalhou e eu me vi irada. Eu me virei e segui pra sala, pressentindo que podia estrangula-lo assim que passasse na minha frente, ou a menos de 1 km.
Com tantos problemas eu ainda tinha que me preocupar com isso? Com alguém que fica insistindo em joguinhos? Um idiota como esse merecia morrer num hospício. Fui pra sala, me esforçando ao máximo para não pensar no que aconteceu. No fundo eu estava me apegando ao fato de estar imaginando coisas, pra fugir da realidade. Mas algo me dizia que não. Ficar doida não está nos meus planos. Pelo menos não ainda.

Quando o sinal bateu resolvi ficar um pouco mais, eu deveria ir pra casa já que fui liberada cedo, mas não queria isso. Não agora. Precisava clarear meus pensamentos, caso contrario iria fazer bobagens.

Caminhei a passos lerdos pra fora da escola e me sentei em um dos bancos da praça, abracei meus joelhos. – “Eu sabia que ia te encontrar aqui. Digamos que o banco da praça, não é lá um bom esconderijo.” – Ele era a última pessoa que eu esperaria me consolar. Ele era a ultima pessoa que queria ver, parece que ele não escutou a parte do 1 km e estrangular. Fui evasiva. – “Cansou de jogar com meus pensamentos ou só veio tripudiar com sua ‘vitória’?” – Ele sorriu, sem humor. Ele esperava o que? Que eu não tivesse orgulho e ficaria morrendo de medo só por que ele conversa com pensamentos? Se fosse isso estava enganado. Talvez se eu não tivesse tantos problemas faria isso, mas não tenho paciência nem pra me afastar de problemas. – “Eu não sabia que me considera um problema!”

Eu suspirei. Meu ódio começando a correr em minhas veias. – “Se você é ou não é tanto faz, só quero que saia do meu caminho.”.

Levantei-me caminhando alguns passos pra longe dele, estou gostando cada vez menos desse garoto. Desse problema que parece me seguir. – “Não me chame mais assim. Apenas Lucas, soa melhor quando você pensa.” – Disse se pondo em minha frente, ele era mais alto que eu. – “Oh, me desculpe! Esqueci que meus pensamentos não são mais privados!”– Disse tentando passar, mas ele me impedia. – “Não fique tão amargurada. Eu estou aqui, tentando pedir desculpas!” –

Agora estava me insultando. Amargurada? Era isso que eu parecia? – “Eu desculpo, perdoou. Faço o que quiser apenas saia da minha frente! Agora!” — O Empurrei e corri o mais longe que pude. Tinha a impressão que algo ir dar errado se eu continuasse com ele. Eu talvez fosse ficar ainda mais louca.

Cheguei em casa, estava tudo calmo. Meus pais ainda deviam estar trabalhando e meu irmão fazendo os exames. Fui à geladeira, mas não encontrei nada que agradasse meu estomago, quando ia subir a escada, vi meu irmão colocando as chaves do carro em cima da mesa. – “Oi.” – Eu disse tentando esconder minha sede por informações. – “Oi. Voltou mais cedo?”- Eu desci as escadas e fui ao se encontro. Ele já estava esparramado no sofá. — “Sim. Eu não tinha as últimas aulas.” – Ele concordou olhando pro chão. – “Foi tudo bem com os exames. Um pouco cansativo, mais bem.” – Eu queria saber dos resultados. Por isso não me segurei. – “E os resultados?” – Ele levantou, espreguiçando-se. – “Depende. Alguns saem em alguns dias, outros em semanas. Depende do laboratório.” – Eu fiquei meio decepcionada, estava ansiosa e agora ele me diz que nenhum resultado saiu. –“Então nenhum resultado saiu?” – Ele sorriu. E disse –“Claro que sim, Megan.” – Fiquei apreensiva. – “O de urina. Falaram que eu tenho que tomar mais agua.” – E foi para seu quarto. Que ótimo, mais um engraçadinho.
*

Sabe quando nada parece dar certo, e você fica pensando nisso dia e noite? É assim que estou agora. Já esta sendo difícil, quanto ao meu irmão e quando me vejo, está envolvida em conversas mentais com alguém que eu mal sei o nome, ou de onde saiu. Eu devo estar ficando Louca.

Eu devo ter, ficado louca. Eu sempre fui cética quanto a poderes sobrenaturais. Sempre achei bobagem quando via na televisão, alguém que afirmava ter visto ou conversado com espíritos ou aliens. Grande Bobagem, eu dizia. O mundo dá voltas, e eu devo ter ficado louca.

Eu devo ter, não há outra possibilidade, mesmo que remota. Eu odeio aquele garoto com todas as forças. Ele está me confundindo cada vez mais. Eu devo ter ficado completamente louca.

Um paradoxo ambulante. É isso que ele é. Alguém de que não se sabe nada...

Ele é louco, alguém completamente louco. Alguém que gosta de jogos mentais, e me coloca nisso! Alguém que está tripudiando da minha fragilidade que eu tento esconder do mundo, mas que esta aqui! E por mais que pareça obsessivo, agora sou que quero jogar. Se ele quer um problema então vai ter. E por isso eu reafirmo: EU.DEVO.TER.FICADO.COMPLETAMENTE.LOUCA!!

Acabei caindo no sono. Só fui acordar quando mamãe chegou, eu estava cansada – fui o que eu disse a ela quando me perguntou. Apenas omiti a pequena parte de que eu devo ter ficado completamente louca.

Subi as escadas e encontrei Lorenzo assistindo TV no meu quarto. Ele tem seu quarto, mas como foi embora, seu quarto acabou virando um deposito de caixas e pó. Quem iria imaginar que ele voltaria tão cedo? Agora seu quarto está limpo e arrumado, não há necessidade dele ficar no meu, mesmo assim, ele assim o faz.
Eu estava tão longe, que nem percebi, quando ele acenou para sentar ao seu lado. – “Megan, saia da lua e vem aqui.” – Eu não pude deixar de sorrir, sempre fui a viajante lunática da família. Sentei-me ao seu lado, acompanhando seu movimento de abraçar os joelhos. E lá estávamos, sentados aos pés da minha cama, com televisão ligada, mas ninguém prestando atenção. Minhas paredes já viram tanta coisa, que se fossem vivas já estariam cheia de rachaduras, assim como estou eu.

Cheia de rachaduras, invisíveis por fora, mas que me estilhaçam por dentro. – “Aqui estamos nós. Pensando em nossos problemas, em silencio.” — Como quando éramos pequenos, eu pensei, mas não falei. Preferi ficar lá, abraçada ao momento. Tentando fugir dos medos reais. Por que a imaginação sempre foi segura. Mas até hoje, ela esconde mais segredos e medos do que a realidade.

Só percebi que estava chorando quando Lorenzo me acalentou nos seus braços. Ele não me perguntou nada, nem mesmo um por que. No fundo ele sabia que eu estava quebrada. Ele também estava, mas mesmo assim, ele podia me dar forças. Tenho tanto medo de ficar sozinha. Tenho tanto medo de não poder continuar. Eu não tenho medo da morte, não da minha morte. Eu tenho medo de que a morte aconteça, com aqueles que amo.

A morte simplesmente acontece e todos, um dia, teremos que morrer. Mas essa certeza, não diminui em nada, a dor de uma perda. A morte é simples, rápida. Mas quando acontece deixa um rastro de destruição, ela é a pedra jogada no vidro. Rápido, simples e nem sempre acidental. Mas tudo que sobra é estilhaços. Cacos que temos que juntar, e colar um a um. E quando isso não dá certo, joga-los fora e recomeçar. Mas nunca vai ser a mesma coisa, sempre que olharmos a janela, vamos lembrar que ali tinha outro vidro. Por que por mais que trocamos o vidro, a janela, sempre lembraremos o que tinha ali antes. Sempre vai haver vazio. Uma lembrança. Nem sempre feliz.

Eu me levantei. Não posso me deixar abater. – “Esta tudo bem, eu só... já estou bem agora.” – Lorenzo me encarou com os olhos negros e profundos, e sorriu. – “Você pode enganar a qualquer um, Megan. Menos a mim, pode me contar o que esta acontecendo?” – Eu não podia contar. Ele me acharia louca. Mas era tão tentadora a proposta... E além do mais, eu sempre contei quase tudo pra ele. – “Não é nada, eu só não estou me sentindo bem, só isso.” – Agora ele se levantou e me encarou. Tudo menos isso! Tudo menos isso! – “É por minha causa, não é?” – Tarde demais, pensei. — “Você está estranha desde que eu te contei. Me diz, Megan!” – Era por isso também, eu estava triste pelo meu irmão. Mas eu estava tão confusa, e ainda tinha Lucas, o problema. – “Eu só estou confusa, esta bem? É uma situação difícil pra mim. E agora ainda tem a escola...” – Por que eu sempre falo demais? Arrependi-me no mesmo instante. – “Como assim, a escola?”.

Eu falei a primeira coisa que veio a mente. Ou seja, não funcionou. – “Não é nada de mais. Eu só estou com problema nas matérias!” Ele riu abertamente, me deixando vermelha. Talvez de vergonha, talvez de raiva. – “Você é uma péssima mentirosa. Você nunca teve problemas com notas ou matérias. Fala logo o que esta acontecendo!” – Tomei coragem por alguns minutos, e respirei. Encarei-o. – “Não tem nada haver com você. Então você não precisa saber!” – Ele ergueu uma sobrancelha e suspirou. – “Quem é o cara? Tem haver com homem, não é?” – Eu me sentia envergonhada até o ultimo fio de cabelo, afinal ele era meu irmão, e estava aqui falando comigo, sobre isso. – “Eu entendo que você se sinta envergonhada, mas ele te fez alguma coisa? Eu preciso saber.” – Ele estava calmo, eu não sabia onde enfiava a cara, mas disse – “Eu estou bem. Não tem nada haver com menino...” – O som saiu quase inaudível. Eu não queria falar sobre isso. Não com meu irmão! Pra falar a verdade com ninguém! Estourei. – “Eu não quero falar disso com você! Sai daqui!” – Eu gritei, atropelando as palavras. Eu estava sendo rude, mas eu não queria continuar aquele assunto. – “Ei! Eu só queria ajudar!” –

Empurrei-o até a porta e bati com força. Era demais pra mim.

Depois daquele surto, tranquei-me no quarto e chorei. Eu estava sendo imatura insensível e estupida. Eu me odiava por isso, eu me odiava por ser quem eu sou eu me odiava por ser infantil. Era muita coisa na minha cabeça, eu estava cansada, nervosa, estressada. Eu me odiava cada vez mais, tudo por culpa de Lucas. Eu ia me afastar era minha decisão, eu ia me esforçar para não pensar, mas nele, eu ia pra qualquer outro lugar que não fosse o mesmo em que ele estava. Eu tentaria ser uma irmã melhor, menos emocional e imatura, mais racional e madura.

O extremo oposto do que estava sendo agora.

Abri a porta do quarto procurando por qualquer sinal de Lorenzo, qualquer bagunça grito, choro. Até mesmo fumaça. Foi quando o vi, sentado de frente a escrivaninha, lendo um livro. Um pouco incapaz, visto que Lorenzo e lendo numa mesma frase era praticamente impossível. ‘Praticamente’, mas não ‘Impossível’. Pelo menos não nesses últimos meses, nada era impossível, e existiam tantos outros ‘Praticamente’ que se tornaram possíveis. Envergonhada pela minha imaturidade, bati três vezes na porta. Ele me olhou e disse: — “Vejamos quem temos aqui, minha doce irmãzinha. Não era você, que me expulsou do seu quarto?” – Foi quase um soco no estomago. Mas engoli, dizendo – “Sim, fui eu. Queria pedir desculpas pela minha... imaturidade.” – Era orgulhosa. Muito orgulhosa. Mas nada importava agora, só queria que ele me perdoasse, meu orgulho nos últimos tempos tinha se escondido num lugar longínquo, e pelo que parecia não iria dar as caras tão cedo. Enquanto isso me restava o olhar acusador de Lorenzo, sua mascara de indiferença me encarando agora. Ele suspirou, fiquei esperando uma reação, mas ele apenas fechou o livro.

Ele continuava me encarando, por um momento pensei em virar as costas e ir embora, foi quando ele disse finalmente: — “Eu sei que está sendo difícil pra você, ainda mais pra mim que vejo diariamente, você perdendo um pedaço de quem você é. Eu sei também que você tem seus problemas, e que nem tudo é da minha conta, mas eu sinto em dizer, você está perdida. Totalmente frágil abalada e sem rumo, tanto psicologicamente como fisicamente. Eu me culpo por ter parte nisso. Você tenta se mostrar forte, determinada, Megan. Enquanto por dentro você está em pedaços, em uma situação que nem mesmo você sabe quem se tornou. Você não tem que pedir desculpas por sua imaturidade, sou eu quem tem que me desculpar por colocar o mundo em suas costas. Sou eu que tenho que me desculpar, por não estar atento quanto aos SEUS problemas, despejando os meus em você sem nem me dar conta. Eu tenho que te pedir perdão por ser tão egoísta, Megan.”.

Infelizmente eu tinha que admitir que ele detivesse a razão. Não quanto á parte de que a culpa era inteiramente dele, mas sim pela parte de como eu estava.

Eu fui tola em subestimar meu irmão, ele não era cego. Ele percebeu nas entrelinhas das minhas atitudes forçadas tentando demostrar o que eu não era. Mas não era culpa de ninguém, agora eu percebo. Apenas foi acontecendo e acontecendo, tudo sendo jogado em nós sem nem saber se estávamos preparados ou não. Se por um lado eu era imatura demais, pelo outro ele se julgava culpado demasiadamente. Sendo que, ninguém tinha culpa de nada.

Foi assim que finalmente não chorei ou me desfiz em pedaços quanto essa situação, pois enfim percebi que ele estava igual ou pior do que eu. Mas ele tinha que saber que não tinha que se fazer forte o tempo todo. – “A Culpa não é sua. Muito menos minha.”- Ele que olhava para baixo se deteve em mim. – “A culpa não é de ninguém. Apenas aconteceu, Lorenzo. Tudo isso foi jogado no ventilador respingando em nós, sem nem ao menos saber se estávamos ou não preparados. Ninguém está preparado para uma situação dessas, admito. Mas não há do que se desculpar. Você é meu irmão, Lorenzo. Jamais se culpe por ter me contado, por que afinal mais dia menos dia eu ia descobrir. E já que você confiou em mim, vamos enfrentar isso juntos, pois ninguém tem que se desculpar ou culpar por alguma coisa.” – Nem mesmo eu acreditava da onde tinha tirado aquelas palavras. E mesmo não sendo religiosa, naquele instante acreditei que fui encaminhada por Deus ou o que quer que governe o infinito. Foquei-me no rosto de Lorenzo, agora suavizado graças as minhas palavras. E eu, mesmo sabendo que aquelas palavras tinham que ser repetidas indefinidamente até eu acreditar, naquele momento eu senti que tinha algo para me apegar. Uma ajuda nas horas em que eu estivesse sozinha, aterrorizada. O que eu sabia que ia acontecer muitas vezes. Por que por mais eu soubesse que estava sendo madura, eu sentia que ainda era imatura. Afinal, eu tenho 16 anos. E minha vida sempre vai ser um misto de Imaturidade e Maturidade.

Notas finais
Obrigada a fofa que me favoritou, meu primeiro favorito fiquei mega feliz. Estão curtindo o feriadão pessoal? Eu não to atolada em estudo! Bjss ate depois.