Sweet Bad Girl
2 Capitulo 1
Notas iniciais
Capitulo 1
Era 7 da manhã quando acordei, e o sonho doce que havia sonhado ainda estava fresco como alecrim na minha mente. Já estava se tornando normal sonhar com garotos. Minha mãe falava que era da idade. Mas o que ela não sabia era que eram garotos perfeitos, sem nenhuma cicatriz ou marca, com uma pureza de criança. Anjos. Por mais que não falassem uma palavra, e nem me tocassem estavam lá todo sonho, transformando-os em sonhos bons e sem sentido também.
Às vezes eu achava que meu psicológico estava ficando afetado por isso, mas eram apenas sonhos, então não havia problema. Se for pra ser louca que eu fosse à noite, no privado dos meus sonhos.
Olhei pra cama ao lado e meu irmão ainda estava dormindo, nos dávamos bem a maior parte do tempo, principalmente quando ele não estava por perto, coisa muito comum ultimamente já que estava sempre de namorada nova e agora na faculdade do exterior, ou estava dormindo como agora, de ressaca. Não que eu não gostasse de meu irmão, mas o que ele fez não foi certo, e meu pai mesmo não admitindo não o perdoou de verdade. As vezes pareço ser a única, não hipócrita, nessa família.
Levantei, sai do quarto e fui até a cozinha. Minha mãe ainda não tinha acordado, então resolvi me sentar na varanda para tomar um ar.
"Bom dia, irmãzinha." –Guilherme se sentou ao meu lado.
"Parece que você já está aprendendo a não ficar de ressaca." – Disse em desdém.
''Por que você tem tanta raiva de mim? Eu nunca te fiz nada.''
Eu me levantei. – "Pode até ser que para mim, você não tenha feito nada. Mas para nossa família, você fez. – Não escondi minha desaprovação."
– "Mas se até eles me perdoaram, por que você não? – Questionou doce — Que eu me lembre, você era muito pequena e não entendia nada, contanto você é a única que ainda não me perdoou."
–"Eu vou te perdoar quando achar que tiver, e por enquanto com essas suas bebedeiras Guilherme Lorenzo Petrucelli, está muito difícil.''
Ele fez um bico de criança e estendeu os braços para que o abraçasse. Apesar de tudo, ele ainda era meu irmão mais velho, aquele que me defendia quando mexiam comigo, aquele que me atazanava sempre que podia, contudo ainda meu irmão. Eu o abracei, eu podia não admitir, o orgulho não deixava, entretanto, já o tinha perdoado no fundo. Bem no fundo.
Quando nos separamos do abraço, ele fez sinal para que sentasse em seu colo, como fazíamos quando eu era criança e eu estava triste por algum motivo.
– E você Srta. Marjorie Megan Petrucelli, como anda a vida?
– Bem. – Respondi simplesmente.
– Esse bem está mais para ‘não, está um tédio!’, anda conte tudo para mim. Eu ainda sou seu confidente.
– Eu não. Do jeito que você é... Melhor não falar nada.- Desviei do assunto.
– Então a senhora está escondendo coisas de seu irmão mais velho? – Fez-se de ofendido.
– Não estou. Só acho que não devo te falar. – Ignorei sua cara de cachorro que caiu da mudança, e seus olhos brilhantes.
– Tudo bem então eu não te conto o que eu sonhei ontem! – Virou o rosto.
– Tudo bem então! Eu não quero saber! – Ficamos em silêncio. Acho que o único problema da nossa família, fora a hipocrisia, era a curiosidade. Poderíamos ficar dias sem nos falar, envolvendo segredos? Já era. – Se você contar primeiro eu te conto. – Ofereci vencida pela curiosidade.
– E como eu vou saber que você vai mesmo contar, Megan? – Ergueu uma sobrancelha.
– Sabendo. Eu tenho palavra. – Soltei a indireta.
– Okay. Senhora ‘Eu tenho palavra’! – Se acomodou melhor — Eu tenho sonhado que estou num campo verdejante correndo com um garoto e que você aparece. Então ele diz que não era pra você estar lá que é perigoso e ele vai te levar para um lugar seguro.
– E como é esse garoto? – Perguntei por perguntar, nem sabendo disfarçar a curiosidade, queria saber se era ao menos parecido com o que aparecia toda noite em meu sonho.
– Não sei explicar, mas é alto, loiro, olhos castanho-esverdeados, e sempre quer te proteger.
– E daí o que acontece em seu sonho?
– Mudamos de lugar você aparece num penhasco, abraçada ao garoto e ambos se jogam. Eu vejo a queda e começo a gritar, nada sai, então acordo.
– Que sonho estranho! – Não pude deixar de dizer.
– Também achei. Mas e você, qual é o seu sonho?
– Eu sonho que estou feliz e sempre tem um garoto do meu lado, ate parecido com o que você descreveu.
– Hummmm... – Me olha malicioso.
– Lá vem você! Depois reclama quando não conto nada para você, Guilherme! – Levantei de seu colo, irritada. Ele apenas riu.
– Tá bom, tá bom. Mas acho melhor você se arrumar, eu vou te levar para escola hoje. Não me chame de Guilherme!
– Ah não, tudo menos este castigo!
– Que foi? Pensei que suas amigas me adorassem?!
– E “adoram”, este é o problema!
– Uhum sei! Tá é com namorado e não quer me falar! – Cutucou minha barriga.
– Vai se lascar, vai! – Sai batendo o pé e fui tomar banho. Eu adorava meu irmão e estava disposta ao menos a ter uma boa convivência com ele.
**
Já no carro fomos escutando rock, e sem conversarmos chegamos à escola.
– Bom acho que é isso. – Disse engatando o carro.
– Você só se dá bem não é irmãzinha?
– Por que você diz isso? – Perguntei, não entendendo.
– Por que quando não é no carro do Pai, é no meu que você chega à escola. Além da minha companhia, é claro. – Sempre metido.
– Como se eu me importasse Lorenzo. E a sua humildade me cativa. – Ele fez que não fosse com ele. Sai do carro, e ajeitei meus óculos, infelizmente já havia reparado um burburinho, como sempre meu irmão virava assunto.
– Fica na sua, Lorenzo. – Eu disse assim que ele reparou o que fez.
– Você me trata tão mal, maninha. — Beijou minha testa. — Tenho que ir. Boa aula.
– Obrigada, e vai anda, anda! Chispa!– Ele sorriu e entrou no carro, acelerando.
Caminhei poucos passos e ainda sentia os olhares sobre mim, coisa que eu odiava. Ignorei, e segurei minha vontade de falar para que me errassem.
– Desculpe. – Acabei trombando em um menino, mesmo não olhando para a cara dele, me levantei.
– Eu te ajudo!- Ofereceu atraindo minha atenção e surpresa. Não era sempre que eram gentis comigo.
– Não precisa isso sempre acontece comigo.
– Sim, se você tivesse mais cuidado eu não precisaria te ajudar... Agora. – O jeito como falou deu a entender que falou demais, estranho já que nunca o tinha visto antes, apesar de algo dentro de mim, estar ligado dizendo que sim.
– Não se sinta obrigado, eu sei muito bem me virar sozinha.
– Eu não duvido disso, senhorita. Apenas... Foi um prazer conhece-la novamente. – Virou as costas – Se tiver próxima vez, ficaria feliz se não fosse sempre tão dura comigo.
Deixou-me atônita, quem ele pensava que era? O próprio Lorde Inglês? Só por que me ajudou a pegar meia dúzia de livros, já se achava no direito de me julgar? Pro Inferno se achava isso, eu ainda não virei à patética garota romântica que se apaixona pelo primeiro tonto que aparece derrubando seus livros.
– Algum problema? – Senti alguém me cutucar, me tranquilizei em ver que era apenas Mariah.
– Vários, Mariah. Pena que nenhum lhe diz respeito.
– Algum referente ao garoto que acabou de derrubar seus livros, como nos filmes? – Infelizmente Mariah era mais uma patética que acreditava naqueles filmes. Uma Patética Amável, que me faz atura-la sempre que se apaixona.
– Você o conhece? Se não, posso apresenta-los. Vão formar um lindo casal “rainbow”.
– Claro que sim, tenho certeza que você vai adorar sentir inveja de nós. – Coloquei o dedo na boca, insinuando que ia vomitar.
– E o que ele faz aqui? – Perguntou Mariah, ainda nesse assunto.
– A mesma coisa que você e eu. Estudar. Acho que todos vêm pra esse inferno pra isso, acho que ainda não deixou de ser uma escola, pra você me perguntar uma coisa dessas.
– Mas não é possível. – Disse desconsiderando toda minha frase anterior. — Da onde você o conhece?
– De um sonho que tinha unicórnios e arco-íris. – Ela revirou os olhos. – Eu não conheço aquele idiota, estupido! Agora por favor, faça meu dia feliz, e pare de falar nesse incidente horrível e detestável.
– Se continuar assim você vai virar atriz, rainha do drama.
– Por que será que eu não consigo acreditar nisso?
– Não sei, talvez esteja ocupada demais pensando no ‘incidente horrível e detestável’, de poucos instantes atrás! – Ela estava brincando, mas não entendi e odiei a piada.
– Vamos para aula, já bateu o sinal. – Disse mudando de assunto e a empurrando corredor adentro. Uma das poucas vezes que fiquei feliz pelo sinal ter batido.
Na aula prestei atenção nos exercícios, como sempre não me detive a conversas ao meu redor. No entanto os minutos demoravam a passar, e mesmo que eu não tivesse nada pra fazer em casa, sempre era melhor do que a escola. Finalmente o sinal tocou, depois de três aulas entediantes revezando entre matemática e química.
– Voltamos com os exercícios depois do intervalo. – Como se eu fosse faze-los, pensei. Mariah foi à frente e eu fiquei meio perdida olhando no celular, esperando a saída se tranquilizar. Infelizmente quando coloquei meus pés pra fora, dei de cara com o menino de mais cedo. Continuei meu caminho como sempre faço pouco me importando se alguém me observava ou não.
– Mas que demora! Parece que perdeu alguma coisa. – Enquanto eu não gostava de agitos, com exceção do rock que estourava meus tímpanos, Mariah era sempre agitada.
– Não eu não perdi. Apenas deixo os peões saírem primeiro, assim como no xadrez.
– Você fala como se realmente se importasse. – Ela tinha razão eu não me importava. Com nada, pra ser mais exata.
Na hora do intervalo enquanto Mariah conversava animadamente com Phillip, eu estava perdida em meus pensamentos, que consequentemente não era na conversa deles.
– Então o que você acha, Megan?
– Oh, sim. Concordo. – Disse sem me incomodar em olha-la.
– Concorda? Mas não era para concordar. – Phillip disse.
– Então eu discordo. – Olhei para o celular saboreando os últimos minutos de intervalo, que mesmo ficando sentada olhando pro nada, era melhor do que engaiolada na sala de aula, em meio á exercícios.
– Não está fácil falar com ela hoje, desista Phill.
– Percebe-se. — O sinal bateu eles levantaram, e se foram. Talvez me chamaram, mas eu não escutei, estava entretida demais no movimento constante de pessoas do que qualquer coisa a minha volta.
– Você não vem?
– Pra onde? – Levantei meu olhar para ele, o garoto de mais cedo, de olhos verdes enigmáticos. – Que eu saiba você ainda não tem nada que ver com minha vida, ou meu poder de ir e vir.
Ele sorriu, parecendo se divertir com minha acidez.- Assistir aula. E não estou contestando o direito de ir e vir de ninguém.
– Oh sim, vou sim. – Me levantei. – Assim que você sair da minha frente. – Levantei a sobrancelha em desafio.
Ele negou com a cabeça. – Você definitivamente não quer me desafiar.
– Falei uma vez com você e já percebeu? Então você ‘definitivamente’- imitei — não sabe nada sobre mim
– Sou observador. – Concluiu. – E sei muito bem que você não é essa bruxa má, que faz questão de parecer. Tão pouco, ganharia de mim em um desafio.
Eu sorri indiferente. – Já que é tão observador deve saber que assim que eu virar minhas costas, o zelador vai vir brigar com você. Portanto eu deixo com você o meu ‘adeus até nunca mais’, junto com seu novo apelido ‘novato otário’.
Foi dito e feito, dois passos após minha saída escutei o zelador ‘encaminhando’ o novato pra sua sala. Infelizmente, ele não me conhecia, para saber que não pode jogar comigo. Infelizmente exclusivamente para ele. Ainda pude sentir seu olhar queimando minhas costas, antes de chegar á sala.
As próximas aulas não foram mais iguais. O que já era ruim ficou pior. O tempo parou, e não queria passar. Filosofia já tinha feito metade da sala dormir, eu estava entre a resistência, mas a tentação era grande.
– Oi. – Tom me cumprimentou.
– Olá. – Sorri. Sorri entre aspas, meu sorriso nunca era de verdade, apenas educação, coisa que era difícil eu usar.
– Por que está tão distante?
– É o sono.
Ele segurou minha mão. – Dia difícil?
– Dia chato e inútil quer dizer?
Ele concordou e virou-se para seu lugar, na carteira á frente.
Depois de algumas horas, finalmente o sinal tocou. E finalmente me senti livre. Um daqueles que conseguem fugir mesmo sabendo que morreram assim que saírem pela janela.
– Seu irmão vai vim te buscar? – Mariah sempre perguntava de Lorenzo, estava na cara que ela estava caída por ele. Ela e todo o público feminino mundial. O que para mim não tinha nenhum sentido, já que ele era um idiota, pelo menos 80% do tempo.
– Não. Vou pegar o ônibus.
– Está bem. – Seu olhar se entristeceu.
Caminhamos até o ponto. Mariah animada (como sempre), contando dos planos que estava fazendo para o final de semana. Eu tentando me fazer presente na conversa. O ônibus não demorou a passar.
Passei o caminho inteiro espremida entre sacolas de uma senhora e um gordo que suava feito porco, meu pensamento estava no meu chuveiro, sabonete e TV. Antes que pudesse imaginar qual seria o programa que estava passando, alguém já deu sinal para o meu ponto, sofridamente me empurrei entre os “passageiros”, se é que pode se chamar assim as pobres pessoas que vão em pé durante todo percurso, e sai do ônibus.
Chegando em casa, vi na bancada um bilhete de meus pais – “Fomos ao mercado, seu irmão deve chegar logo, ao menos nós esperamos. Tem pão no forno, caso sinta fome.” – No final do bilhete, em letras cursivas um grande NÓS TE AMAMOS.
Pelo menos alguém se preocupava com a minha fome. No caminho pro meu quarto fui deixando pedaços de mim, Casaco, bolsa, juízo. Quando percebi já estava no chuveiro, era automático. Às vezes achava que curava tudo, mesmo sendo só agua quente e sabão. Essa era uma das várias ilusões as quais eu me apegava, e que no fundo já eram quase verdades, pois eu não queria não acreditar.
Vesti uma roupa velha, porém confortável, e me emaranhei nos cobertores, ligando a TV em seguida, esse era o meu refugio contra os pesadelos.
– Por que está toda embrulhada nessas cobertas? – Lorenzo estava encostado no batente da porta.
– Não sei. — Puxei mais as cobertas.- Mas está bom aqui.
– Você ainda parece àquela garotinha que tinha medo do escuro...
– Mas eu não sou mais “aquela garotinha”. – Ele se levantou.
– Claro que não é Megan. Infelizmente não é. – Ele soava amargurado.
– Pensei que você não gostava quando a mamãe te colocava como meu “guardião”.
– No fundo eu gostava, eu pensava que eu era aqueles heróis que protegiam as pessoas. – Ele se sentou do meu lado. – Mesmo sendo o mesmo garotinho estupido de antes.
– Você não era estupido, Lorenzo. Você apenas era um menino.
– Eu fui tão idiota com a nossa família, Megan. Quando entrei na adolescência, joguei tudo pela janela, quando o que vocês queriam era me ajudar. Eu entendo a raiva que você sente, que o papai sente.
Eu disse, colocando minha mão em seu ombro – “Não há mais raiva aqui Lorenzo. Sim você errou, mas continua sendo meu irmão e o primogênito.” — o abracei com verdade – “E isso ninguém pode te tirar, maninho!”
Ele sorriu me abraçando de volta – “Você não merece um irmão como eu! Eu sempre estrago tudo!”
– Mas sempre está aqui quando preciso. Você tem o maior coração do mundo, Lorenzo! Pare com isso!
– Eu não consigo! Eu fiz tudo errado de novo! Eu errei, e desta vez não tem volta! – Ele estava chorando desesperado, seus soluços eram altos.
– Não fale assim! Tudo tem um jeito!
– Não tem, dessa vez não!!- Coloquei sua cabeça no meu colo, tentando acalma-lo.
– Vai ficar tudo bem! Eu estou com você, vamos ficar juntos! Se você me falar eu posso... – Ele chorou ainda mais
– Eu tenho câncer! – A resposta me pegou de surpresa agora quem estava sem reação era eu, tudo que fiz após foi no automático, enquanto tentava acalma-lo parecendo sã por fora, eu estava chorando e me despedaçando por dentro. Lágrimas que não pude evitar, caíram. – “Vai ficar tudo bem!”. Foi o que eu disse, antes do meu mundo cair, e eu ficar num buraco sem fim, como aquele que Alice caiu pra chegar ao País das maravilhas. Uma única diferença era verdade.
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