Sweet And Bitter.

3 Novos "Coleguinhas"


Notas iniciais
Olá :) Pois é, eu não morri... Desculpa mesmo pela demora (se tiver alguem lendo isso). Explicações nas notas finais. Boa leitura ;)

Acordei assustada. Ai meu Deus. É hoje. Ignorei o fato de que a luz queria derreter meus olhos e que a cama parecia ser areia movediça, levantei-me e me arrastei até o banheiro. Tomei um banho gelado pra me espertar e saí. Vesti a roupa que tinha separado no dia anterior. Um short jeans lavado, uma blusa preta e folgada – com “EFF”, “YOU”, “CEE”, “KAY” escrito em letras de forma coloridas e posicionado um em cima do outro –, uma meia calça preta e rasgada, um coturno preto.

Pra maquiagem, nada demais. Só base e pó pra esconder minhas inúmeras imperfeições – o que não adiantava muito – lápis de olho preto marcando bem, nada de batom e muito menos de blush. Odeio blush. Não me pergunte por que. Ajeitei meus cabelos rapidamente, passando só um óleo reparador de pontas, e pronto.

Desci as escadas com o sorriso do Gato de Cheshire (É o gato de Alice no País das Maravilhas, pra quem não sabe) e encontrei minha linda e maravilhosa vacadastra fazendo o café da manhã.

-Jon! Nossa! Acordou cedo! – Exclamou surpresa e só de ouvir aquela voz enjoada dela meu humor foi por água abaixo.

-Talvez seja por que a minha viagem é hoje. – Respondi sarcástica.

-Oh, é mesmo! Venha tomar café! – Revirei os olhos pra ignorância dela e neguei o convite, subindo as escadas novamente de volta pro meu quarto. Nem sei por que desci.

Olhei o relógio no visor do celular. 7:27. Eu realmente acordei cedo. Praticamente de madrugada. O voo seria as 9 hrs e meu pai nem tinha acordado ainda pra me deixar lá. E nós ainda tínhamos que passar na casa da Belly. Suspirei e fui até o quarto dele, implorando mentalmente pra que ele estivesse devidamente vestido. Abri a porta lentamente e... Graças! Ele tava vestido. Mas como eu previ, ainda fazendo cosplay de defunto.

-ACORDA CRIATURA QUE FEZ QUESTÃO DE FAZER PARTE DO PROCESSO DE ME TRAZER A ESSE MUNDO TERRÍVEL!!!! – Gritei pro ser jogado na cama que nem sequer se mexeu com o doce e melodioso – Cof! Cof! – som da minha voz. Fui até ele e comecei a espanca-lo com um travesseiro.

-Jonah!!! Mas que merda tem na sua cabeça??!! Por que ta fazendo isso?! – Dei de ombros já dando meia volta pra sair daquele quarto o mais rápido possível.

-Não sei se é tão insignificante assim pra você, papai. Mas eu viajo hoje. E não vou de táxi nem que estivesse trancada em um caixão.

-E não dava pra me acordar como uma pessoa normal?! – Bufou ao se levantar e ir em direção ao banheiro. Ignorei sua barriga peluda e gordurenta e tentei me concentrar na sua cara amassada.

-Não. – Dei de ombros e fechei a porta.

***

Respirar fundo.

-AAAAAAAAAAHHHH MANHEEEE!!! EU QUERO SAIR DAQUIIIII!!!! VAI CAIR, VAI CAIIIIIRRRR!!!!

Inspira. Expira. Inspira. Expira.

-SOCORROOOO!!!! AAAAAHHH!!!POR FAVOOOOORRR!!!!

Será que um pequeno acidente com ácido (...)num suco de laranja seria considerado assassinato?

-O AVIÃO VAI CAIR!!! MÃÃÃEEE!!! ME TIRA DAQUIIII!!! VOCÊS SÃO LOUCOOOOSSS!!!!

Levantei subitamente. Se eu continuasse ali ouvindo aquela aberração – vulgarmente conhecida como “criança” – chorar e gritar desesperadamente que o avião ia cair eu ia acabar sendo presa por homicídio doloso. Deixei “Belly Adormecida” dormindo milagrosamente na poltrona ao lado da minha e caminhei lenta e contidamente até o banheiro. Tomando bastante cuidado para lançar um olhar mortal para o garoto de provavelmente uns 7 anos que estava banhado em lágrimas ao lado da mãe que usava um fone de ouvido e lia calmamente uma revista de moda.

-Com licença. – Um homem – com uns 21 anos, cabelo loiro escuro e olhos castanhos esverdeados, quase o dobro da minha altura e maravilhosos músculos – chamou minha atenção. – Eu vi que você quer, tanto quanto eu, matar o garoto da poltrona B5, mas que provavelmente tem medo de ser presa por homicídio e pegar uma prisão perpétua. Então, pensei que poderia, talvez, querer beber alguma coisa comigo e tentar ignorar os gritos irritantes.

-Oh... – Abri a boca, mas não consegui extrair nenhum som dali. Respirei fundo e desviei o olhar daquelas orbes brilhantes para a porta do banheiro que acabara de se abrir e revelar um gordo careca com um moletom verde do Zelda. – Eu não bebo.

-Ah. É uma pena. – Ele deu um sorriso sem graça e deu meia volta. Mas antes que pudesse dar mais de um passo, criei coragem e o chamei de volta.

-Espera! – Ele virou pra mim de novo, com um olhar curioso e um pouco animado. – Quer dizer, eu não bebo. Mas não me importo de te acompanhar com um refrigerante.

-Isso é realmente ótimo. – Sorriu largo, e eu pude observar como seu sorriso era de fato bonito.

***

-Sabe, eu acredito que os anões de fato vieram de algum outro mundo paralelo. Nárnia, talvez. – Eu disse, tomando mais um gole do refrigerante enquanto Doug me olhava rindo e concordando.

-Concordo totalmente! Assim como aquele pessoal que tem cabelo colorido!

-Ah, não fale mal do pessoal de cabelo colorido! Eu já tive cabelo azul.

-Então você é de Farytopia ou Atlantis?!!

-Idiota! Eu sou de Wonderland!

-Ah claro! Como eu não percebi antes?! Você é parente do Chapeleiro Maluco não é?

A conversa com Chris estava super divertida, mas do nada a voz de uma das agentes de bordo – ou sei lá o que – soou nas caixas de som, avisando que tínhamos chegado finalmente em nosso destino e as luzinhas mandando colocar os cintos acenderam.

-Bom, parece que é a minha deixa. – Disse sorrindo e piscou, indo sentar na sua poltrona novamente. – Até mais Jon.

Eu me perguntei como nós iriamos nos ver depois se nem sabíamos os telefones um do outro, mas não discuti e apenas concordei com a cabeça e voltei pra minha poltrona, onde Belly já estava acordada e com uma cara nada amigável.

-É serio isso?! Que tipo de amiga é você?! – Reclamou antes mesmo que eu me sentasse e simplesmente revirei os olhos como resposta. Belly Dramática mode on. – Como você é capaz de me deixar aqui abandonada enquanto fica no maior papo com o gostosão lá atrás?!

-Belly, você estava dormindo profundamente enquanto eu sofria com a tortura de ficar ouvindo os berros esganiçados de algum viadinho com medo dessa droga de avião cair. Eu estava quase fazendo o avião cair de verdade pra ver se assim ele calava a boca. Chris simplesmente estava incomodado com a mesma coisa e resolvemos conversar. Só isso. – Falei indiferente, mas isso não fez desaparecer o sorriso malicioso grudado nos lábios dela. – Quer parar com esse sorriso, droga?!

-Ok, ok. Eu só estou surpresa por você não ter quase enforcado o cara ou o jogado da porta de emergência do avião durante esse tempo de diálogo. Ou que ele mesmo não tenha feito isso. – Debochou e eu mandei língua.

-Ele é legal, só isso. – Dei de ombros com ela ainda me olhando desconfiada. – Uma das poucas pessoas existentes nesse mundo que você pode falar sobre qualquer coisa idiota e ainda assim esse assunto vai parecer uma coisa altamente interessante.

-Sei...

***

Pagamos o táxi e descemos em frente ao prédio cinzento em uma rua qualquer de Nova York. Ele parecia... Velho. Caindo aos pedaços, pra ser mais sincera. Subimos no elevador, que fazia barulhos estranhos, como se ameaçasse cair a qualquer segundo. Belly estava quase chorando ao meu lado. Enfim, já em frente a porta do nosso mais novo “lar”, tocamos a campainha.

-Hum? – Uma morena, de olhos castanhos claros e mais alta que eu (bom, isso não é difícil...) atendeu a porta com um olhar desinteressado.

-Er, oi. Sou Isabelle, e essa é Jonah. – Belly começou. – Não se foram avisados, mas somos as novas inquilinas.

-Ah é. Eu fiquei sabendo. – Fitou-nos com desprezo de cima a baixo e eu me segurei pra não arrancar os olhos esbugalhados dela naquele mesmo instante. – Já estava na hora de chegarem mais garotas. Duncan já estava ficando insuportável.

De repente um garoto, com uns 16 anos, aparece ao lado dela com um olhar malicioso. Não gostei dele.

-Oh! Susan! Suas coleguinhas?! – Perguntou interessado, com os olhinhos brilhantes. – Entrem meninas. Deixe-me mostrar-lhes a casa! A minha parte favorita é onde ficam os quartos. Temos dois livres se quiserem usar...

-Eu passo. – Olhei com nojo pra ele. – Somos as novas inquilinas. Já era os seus dois quartos livres.

Ele nos encarou com um misto de felicidade absoluta e desapontamento. Não me pergunte como é isso. Eu não sei.

-Agora se sair da frente, eu gostaria de entrar. – Bufei e Belly me deu um cutucão, avisando pra que eu fosse um pouco mais educada. Dane-se a educação. Vamos morar juntos e um dia eles teriam que ver meu monstro interior de qualquer jeito.

O apartamento parecia grande, mas meio mal organizado. Uma grande sala, com dois sofás e uma TV gigante em uma estante com livros, DVD’s, Cd’s e inúmeros aparelhos tecnológicos; Uma cozinha em estilo americano, com um balcão de mármore separando-a da sala e algumas cadeiras altas na frente; Mais adiante, um corredor com várias portas, o que eu supus serem os quartos e no fim deste, uma porta solitária que eu supus ser o banheiro. Um único banheiro pra seis pessoas parecia ser o fim do mundo.

De repente, uma das portas dos quartos no corredor se abre e dela surge um cara de cabelos pretos, mal cortados – de forma que ficavam caindo nos olhos de vez em quando – e lisos, olhos verde escuro, uns 20 cm mais alto que eu e um corpo bem “uau”, mas nada exagerado.

-Ah, esse é o Chase! Diga “oi” Chase! – Duncan falou animado pro garoto, que simplesmente ignorou e seguiu pra cozinha, pegando um copo de água e agindo como se nem estivéssemos ali.

Não gostei daquilo. Odeio ser ignorada. Ele poderia ter pelo menos olhado em nossa direção. Não gostei dele. Na verdade, não gostei de nenhum deles ali. Mas agora parecia ser tarde demais pra desistir. Já estávamos ali. E agora aqueles seriam os nossos novos “coleguinhas”.

Notas finais
Enfiim... Vamos as explicações: O meu pen drive onde estava toda a minha vida resolveu quebrar, os capitulos que eu ja tinha escrito da fic estavam lá e eu não tinha inspiração pra escrever outros. Quando eu finalmente consegui, vim direto postar, mas adivinha? A internet não queria pegar. A tecnologia não gosta mesmo de mim. Mas não pretendo demorar mais desse jeito.
Espero que tenham gostado do cap e comentem..
xoxo