Sweet And Bitter.
4 Compras da Madrugada
Notas iniciais
3 dias depois...
–Duncan, se você encostar essa mão nojenta em mim de novo eu vou fazer você engolir o próprio braço, entendeu?! – Gritei impaciente pro garoto insistente sentado ao meu lado no sofá enquanto algum episodio de Os Simpsons passava na TV e ele se afastou um pouco, assustado.
–Não acho que isso seja possível.
–Quer experimentar? – Lancei meu sorriso e olhar mais maquiavélicos e ele pareceu tremer. Tive que conter minha vontade imensa de rir.
–Acho que não. Obrigado.
–É uma pena. – Dei de ombros.
–Simpsons?! – Uma voz rouca soou atrás de nós e eu me virei espantada.
–Não. É Shrek, mas ele ta pintado de amarelo. – Disse sarcástica e ele pareceu nem ligar, apenas deu de ombros e continuou encarando a tela.
Chase era o tipo de pessoa mais indiferente ao mundo que eu já tinha conhecido. Você poderia estar morrendo, que ele simplesmente daria de ombros e continuaria a te encarar como se você precisasse urgente de um psiquiatra. Isso me irritava. Como eu já disse antes, odeio ser ignorada. Se eu faço uma provocação, é por que quero que a pessoa se irrite e demonstre essa irritação. Essa é a melhor parte de provocar as pessoas. Ver as reações delas. Mas Chase não tinha reação alguma. A não ser, é claro, o tão famoso “dar de ombros”.
Susan passou pela sala, indo em direção a porta. Já devia ser umas 22 hrs e ela estava vestida como uma puta de esquina de bairro rico. A saia curta, dourada e brilhosa, cheia de lantejoulas, mal conseguia cobrir a bunda; uma batinha preta e super decotada de alça; um salto que mais parecia as torres gêmeas e uma maquiagem escandalosa.
–Nossa, Susan! Pretende pagar o ano todo da faculdade com essa noite é? – Soltei sarcástica e ela revirou os olhos.
–Ai Jonah, você é tão patética querida. Não se esqueça de que estamos falando de mim, não de você. É você que frequenta essas esquinas. – Respondeu, tentando soar superior.
–Oh sim! Desculpe-me. Tinha me esquecido que as pessoas não precisam pagar pra isso. Você se entrega a qualquer um facilmente de qualquer jeito...
–Eu não vou ficar aqui perdendo meu precioso tempo com você. – Bufou e bateu a porta com violência.
–Nossa, acho que se continuarmos assim precisaremos de outra porta não muito tarde. – Belly apareceu na sala com seu típico pijama cor de rosa com a estampa de aliens fofinhos.
–Belo pijama. – Duncan disse.
–Obrigada. – Sorriu meiga. – Sabe, acho que deveríamos ir dormir. Temos que estar cedo na faculdade amanhã.
–Concordo totalmente. Por que não vem dormir comigo no meu quarto? – Duncan sorriu malicioso e Belly bufou e marchou revoltada em direção ao quarto dela, com ele a seguindo.
Parei de prestar atenção nos dois e desabei no sofá. Chase suspirou e desabou ao meu lado. A televisão exibia um episódio qualquer de Friends, mas eu não estava prestando atenção.
–Estou me perguntando como você e Belly podem ser amigas. – A voz de Chase cortou o silencio entre nós e me fez sobressaltar. O encarei confusa. – Quer dizer, ela é tão fofa e responsável, e você...
–Uma ogra que não tá nem ai pra nada? – Completei e ele concordou. – É, eu também não entendo. Mas simplesmente dá certo. As vezes eu penso que se não fosse por ela eu nem estaria viva. Se tiver que culpar alguém pela minha presença, culpe ela.
Ele ficou em silencio encarando a televisão, como se realmente prestasse atenção.
–Susan não é uma má pessoa. – Falou do nada e outra vez eu me assustei. – Só gosta de chamar atenção.
–Eu percebi. Mas não acho que seria necessário sair quase pelada por ai. – Fiz uma careta e ele riu. O riso dele era bonito e discreto. E eu me toquei de que era a primeira vez que o via sorrir.
–Também não acho. Mas não posso fazer nada quanto a isso. – Deu de ombros.
–Estou com fome. Onde a comida se esconde nessa casa hein? – Reclamei.
–Não tem comida. – Falou simplesmente, como se estivesse falando que dia é hoje e não uma tragédia.
–Como assim não tem comida?! Eu preciso de nutrientes pra sobreviver! – Desesperei-me. A maioria das pessoas comia pra viver. Eu era do tipo que vivia pra comer. Comer era a minha vida, uma das poucas coisas que me fazia feliz. – Chase! Eu preciso de comida!
–A gente não compra comida pra cá. Cada um se vira. – Deu de ombros de novo.
–Eu vou morrer se não comer... – Choraminguei, quase entrando em depressão. Ok, talvez não tanto.
–Amanhã vai no supermercado e compra alguma coisa. Só não te aconselho a guardar nos armários da cozinha. Mesmo que ninguém os abra, corre o risco de comerem sua comida.
–Eu preciso comer agora. – Falei como se estivesse falando com uma criancinha burra ou demente. Mais a segunda opção, mesmo. — Tem algum supermercado aberto?
–Não sei. É quase meia noite.
–Dane-se. Vai se arrumar. Vai ser meu motorista esta noite. – Levantei-me decidida e andei em direção ao meu quarto.
–Han? – Arqueou uma sobrancelha e eu revirei os olhos com a lentidão da criatura.
–Vamos ao supermercado. Se arrume! Vai me levar lá! – Expliquei impaciente.
–Não vou não. – Retrucou calmamente.
–Vai sim! Eu preciso comer e você vai me levar! Não quero saber, nem que pra isso eu tenha que chamar um guincho pra te tirar daí!
Chase’s POV
Eu queria saber... O QUE ESSA PIRRALHA TEM NA CABEÇA PRA ME FAZER ESTAR UMA HORA DA MANHÃ NO ESTACIONAMENTO DO SUPERMERCADO ESPERANDO PELA BOA VONTADE DELA DE ACABAR LOGO ESSA MERDA DE COMPRA???!!!!
Vamos lá Chase... Acalme-se. Mantenha a calma. Eu não estaria dormindo se estivesse em casa de qualquer jeito. Pelo menos estou sendo útil pra alguma coisa. Certo?
Respira...
É. Certo.
Eu só me pergunto como uma pessoa consegue demorar duas horas fazendo compras de madrugada.
Vi ela saindo pelas portas de vidro carregando – ou tentando – duas sacolas cheias e um funcionário do supermercado que a seguia carregando mais três sacolas. Observei-a xingar quando alguma coisa de dentro da sacola caiu e ela não conseguia pegar. Era uma criatura interessante. Ela se irritava com qualquer coisa, mas ao mesmo tempo, parecia não ligar pra nada.
–Resolveu fazer as compras pro mês inteiro? – Perguntei assim que ela chegou até o carro com um sorriso largo. Parecia ter esquecido que um momento atrás estava matando meio mundo.
–Quem dera. Isso é só pra essa semana. – Deu de ombros e o cara do supermercado me olhou espantado. Tentei não demonstrar nenhuma reação, mas aquilo realmente era assustador. Nem eu comia tanto. – Vamos ficar aqui olhando um pra cara do outro ou vamos guardar isso e ir pra casa?
–“Vamos guardar”?! – A olhei sarcástico. Até parece que eu ia guardar as compras dela. – Você comprou, você guarda. Agora não demora muito, ainda temos aula de manhã.
Entrei no carro e esperei que ela entrasse. Quando chegamos em casa a única coisa que fiz foi ir direto pro quarto, tirar a roupa e me jogar na cama.
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