Swan Lake
15 O Teste de Fogo
Notas iniciais
Capítulo 15: O Teste de Fogo
O tempo voa no Texas quando se está construindo um império e amando na mesma proporção. Quase cinco meses haviam se passado desde que eu assumira as rédeas da Swan Lake. O que antes era uma propriedade à beira da falência agora se erguia como o projeto turístico mais audacioso do estado. Sob o comando implacável de Rosalie na engenharia e o toque de mestre do Garrett Parker no paisagismo, o Swan Lake Fazenda Hotel estava nos seus últimos detalhes. Os chalés rústico-chiques ostentavam as cortinas de linho egípcio que Alice tanto cobiçara, a piscina de borda infinita reluzia sob o sol refletindo o verde dos vinhedos, e a Capela de Santo Antônio exibia suas pedras coloniais completamente restauradas.
Mas se a obra avançava a passos largos, a minha relação com Edward Cullen corria na velocidade de um cavalo de corrida. Já faziam dois meses desde aquela madrugada em que cruzei a porta do meu quarto com o meu cowboy. Embora namorássemos há quase cinco meses, havíamos esperado o momento certo para a nossa primeira vez, e desde aquela noite pele na pele, sem barreiras, nós havíamos nos tornado verdadeiramente insaciáveis. Éramos como dois coelhos. Não existia canto seguro na Swan Lake: nos pegávamos nos chalés ainda em obras aproveitando o horário de almoço dos operários, nos fundos do estábulo principal, na cachoeira isolada e, claro, no meu quarto toda vez que o meu pai saía para resolver negócios na cidade vizinha. O desejo era constante, urgente e parecia se renovar a cada toque.
Naquela tarde de sábado, eu estava trancada no escritório do casarão revisando os contratos de fornecedores de alta gastronomia para o restaurante principal. O mormaço lá fora era pesado. A porta se abriu e Charlie entrou, arrastando as botas com uma das mãos massageando as têmporas e a testa franzida em uma careta de dor.
— Bells... minha menina, você tem algum analgésico por aí? — meu pai resmungou, a voz mansa de quem estava com uma enxaqueca daquelas. — O sol forte do meio-dia na lida com o gado acabou com a minha cabeça. Sinto como se um trator estivesse manobrando dentro do meu crânio.
— Tenho sim, pai — respondi sem tirar os olhos da tela do notebook, apontando com a caneta na direção da porta interna do escritório. — Está no banheiro. Abre a portinha embaixo da pia, está logo na segunda gaveta, dentro de uma necessaire vermelha. Pode pegar.
— Obrigado, Bells. Vou tomar um copo d'água e deitar uns trinta minutos antes que os Cullen cheguem para o balanço final da semana — ele murmurou, caminhando a passos lentos para dentro do banheiro e fechando a porta.
Continuei digitando por mais alguns segundos, focada nos números do orçamento. Lá fora, o som distante de uma britadeira terminando o calçamento da capela era o único ruído. Até que, de repente, o silêncio de dentro do banheiro se tornou denso demais. Passou-se um minuto. Dois minutos.
— Pai? Achou o remédio? — chamei, erguendo os olhos.
A porta do banheiro não se abriu; ela foi praticamente arrombada com o impacto do corpo de Charlie. Quando meu pai pisou de volta no escritório, o meu coração deu um solavanco violento dentro do peito. A enxaqueca dele parecia ter sido curada por um choque de eletricidade pura. Charlie estava completamente estático, com o rosto vermelho como um pimentão, os olhos cinzentos injetados de sangue e a respiração saindo pelas narinas de forma pesada e audível. Na mão direita, erguido como se fosse uma arma do crime, ele segurava um pequeno bastão de plástico branco que ele havia acabado de pescar do topo da lixeira.
Um teste de farmácia simples. Com dois risquinhos rosa-choque, perfeitamente nítidos e brilhantes. Positivo.
— Pai... — comecei a me levantar da cadeira, sentindo um frio glacial congelar a minha espinha ao processar a cena.
Charlie não disse uma única palavra para mim. O curto-circuito mental no cérebro do patriarca dos Swan havia sido instantâneo. Na cabeça dele, a matemática era simples: Bella e Edward namoravam, estavam se pegando pelos cantos e agora havia um teste positivo no lixo do banheiro dela. O ar faltou nos pulmões dele por um segundo antes de se transformar em pura fúria texana. Ele girou nos calcanhares e saiu do escritório batendo a porta de madeira com tanta força que o vidro decorativo quase estilhaçou.
— Pai! Espera! — gritei, jogando a prancheta de lado e saindo em disparada atrás dele.
Charlie desceu as escadas do casarão como um rolo compressor em alta velocidade e cruzou a porta dos fundos em direção ao celeiro antigo. Lá fora, o cenário parecia em câmera lenta. Edward estava em pé perto do cercado de treinamento, conversando tranquilamente com Carlisle, Emmett e Jasper. Os quatro homens debatiam com algumas plantas de engenharia nas mãos, rindo de alguma piada que Emmett havia feito sobre as cortinas da Alice. Edward exibia aquele sorriso torto e descontraído, com o chapéu de cowboy jogado para trás na cabeça, relaxado.
Charlie não gritou. Ele não deu aviso prévio. Ele simplesmente correu a distância que faltava, jogou as plantas de papel para o alto e, com o peso do próprio corpo e o impulso da fúria, voou para cima de Edward.
PÁ!
O primeiro soco de direita de Charlie pegou em cheio na mandíbula de Edward, fazendo o veterinário cambalear para trás com o impacto, completamente pego de surpresa. Antes que Edward pudesse entender o que estava acontecendo ou erguer as mãos em defesa, Charlie avançou novamente com os dentes travados, descarregando uma sequência brutal de golpes.
— Seu desgraçado! Tarado! Animal chucro! — Charlie esbravejou, a voz rascante de puro ódio paterno, desferindo o segundo e o terceiro murro direto na cara do genro.
O quarto soco pegou em cheio no supercílio de Edward, abrindo a pele instantaneamente. O sangue vermelho e vivo começou a escorrer pelo lado esquerdo do rosto do veterinário, sujando o canto do seu olho e a bochecha. No quinto soco, os dois rolaram no chão de terra batida do pátio, com Charlie montado em cima do peito de Edward, descontrolado, tentando esmurrar o rapaz de qualquer jeito.
— Pai! Pelo amor de Deus, para! Larga ele! — cheguei correndo, me jogando de joelhos na terra e tentando puxar o braço pesado do meu pai com toda a força dos meus braços.
— Mas que porra é essa, Charlie?! O que eu fiz?! — Edward conseguiu berrar, a boca já inchada e sangrando, cuspindo um pouco de sangue enquanto tentava segurar os pulsos do sogro para não levar mais um soco na cara.
— O que você fez, seu cafajeste?! Você sabe muito bem o que você fez! — Charlie berrou de volta, tentando se soltar de mim para acertar mais um golpe.
— Charlie, afaste-se dele agora! Você vai matá-lo! — Carlisle assumiu o tom médico e autoritário, correndo para segurar o amigo pelos ombros por trás.
— Sai da frente, Carlisle! Segura o seu filho ou eu busco a espingarda! — Charlie gritava, debatendo-se.
Emmett e Jasper finalmente saíram do estado de choque e avançaram na lama. Emmett usou sua força bruta para enlaçar a cintura de Charlie por trás, erguendo o velho Swan do chão com facilidade para tirá-lo de cima do irmão, enquanto Jasper ajudava Edward a se levantar. Edward ficou de pé cambaleando, limpando o sangue do supercílio com as costas da mão, os olhos verdes arregalados em puro choque, respirando de forma sôfrega.
— Emmett, me solta! Me solta que eu vou quebrar os dentes desse veterinário de bosta! — Charlie esbravejava no ar, as pernas chutando o vazio enquanto Emmett o segurava firme como se segurasse um bezerro bravo. — Eu confiei em você, Edward! Eu te dei a mão, abençoei essa palhaçada de namoro, achei que você era um homem de respeito! E você vem e desgraça a minha filha antes do casamento?!
— Do que você está falando, Charlie?! — Edward exclamou, limpando a boca rasgada com o dorso da mão, completamente zonzo pelos socos. — Eu sempre respeitei a Bella!
Charlie se debateu com tanta força que Emmett foi obrigado a colocá-lo no chão. No segundo em que seus pés tocaram a terra, meu pai esticou o braço e jogou o teste de plástico branco com os dois risquinhos vermelhos na minha direção. O objeto bateu no meu peito e eu o segurei no ar.
— Estou falando disso aqui, Isabella! — Charlie apontou o dedo na minha cara, a voz trêmula de decepção e raiva extrema. — Olhe bem nos meus olhos e me diga que é mentira! Eu achei essa porcaria no lixo do seu banheiro! No seu escritório! Você está grávida desse moleque!
Olhei para o pedaço de plástico na minha mão. Olhei para os dois risquinhos rosa que indicavam o positivo mais óbvio do mundo. E então, após dois segundos de processamento, a realidade da situação bateu na minha mente e eu percebi o tamanho do absurdo daquele mal-entendido. Uma risada nervosa, limpa e completamente fora de hora escapou da minha garganta. Eu comecei a rir alto, no meio do pátio, cobrindo a boca com a mão livre.
— É isso, pai? — perguntei entre os risos, a voz esganiçada de nervoso.
— Você está rindo, Isabella?! Ficou maluca de vez?! — Charlie deu um passo na minha direção, o rosto quase explodindo de indignação. — Isso é assunto sério! O meu nome, o nome da fazenda...
— Pai... pelo amor de Deus, se acalma e escuta — respirei fundo, tentando conter a gargalhada enquanto Edward me olhava com uma cara de quem achava que eu tinha perdido o juízo de vez após vê-lo levar uma surra. Ergui o teste de plástico no ar, balançando-o. — Pai... isso aqui não é meu.
— Como não é seu, Bella?! Estava no seu banheiro! — Charlie rebateu, cruzando os braços e batendo o pé na terra. — Quem mais usaria o banheiro do seu escritório privado para fazer um teste de gravidez caseiro? O Emmett por acaso?!
— Não olha para mim, eu sou estéril de ideias, mas de corpo estou bem — Emmett brincou de fundo, levando uma cotovelada violenta de Jasper nas costelas para calar a boca.
Antes que Charlie pudesse berrar novamente com Edward, o som de passos lentos vindo da lateral do casarão chamou a atenção de todo o pátio. Pelo corredor de oliveiras, três figuras surgiram caminhando juntas: Sue, Garrett Parker e Leah Clearwater. Sue vinha com uma expressão levemente preocupada, segurando um copo de água na mão. Garrett caminhava ao lado de Leah, mas o arquiteto estiloso de Jacksonville parecia ter perdido metade da sua habitual marra urbana; ele estava pálido, com as mãos enfiadas nos bolsos da calça de alfaiataria e engolindo em seco a cada dois passos.
E no centro deles estava Leah. Ela vestia sua camisa jeans de sempre, os braços definidos cruzados sobre o peito e aquela postura altiva, durona e inabalável que era a sua marca registrada. Ela olhou para a confusão no pátio, fixou os olhos no Edward com o supercílio sangrando e a boca inchada, e depois mirou diretamente no meu pai.
Leah soltou um suspiro longo, revirou os olhos escuros e deu três passos à frente, parando bem no centro do círculo de homens.
— Pode soltar o pescoço do Cullen, Charlie. E abaixa essa voz antes que o condado inteiro ache que o celeiro está pegando fogo — Leah disparou, a voz mansa, firme e absolutamente fria. Ela apontou com o queixo para o pedaço de plástico que estava na minha mão. — O teste é meu. Eu estou grávida do Garrett.
O silêncio que se instalou na Swan Lake no milésimo de segundo seguinte foi tão violento que o barulho do vento nas parreiras pareceu um trovão.
O queixo de Charlie Swan caiu de forma tão literal que achei que a mandíbula dele fosse encostar no chão de terra batida. Ele abriu e fechou a boca três vezes, olhando de Leah para o teste, e depois virando o pescoço de forma robótica para encarar Garrett Parker. Carlisle arregalou os olhos, Jasper deu um passo para trás em choque e o Emmett... bom, o Emmett colocou as mãos nos joelhos e começou a gargalhar tão alto que os cavalos nos estábulos relincharem de volta.
— Do Garrett?! O engomadinho das plantas?! — Emmett berrava, chorando de rir. — Rapaz, o cara de linho azul não perdeu tempo! Levou dois meses de sol no lombo e já plantou a semente na horta! Que absolute cinema!
— Cala a boca, Emmett! — Charlie rugiu, embora o seu cérebro ainda estivesse tentando processar a informação na velocidade de uma internet discada. Ele olhou para a enteada, o pânico paterno sendo substituído por um choque cultural completo. — Leah... você... com o arquiteto? Mas vocês se conheceram há dois meses! No dia em que o Edward teve aquele surto!
— Pois é. O tempo voa quando a gente está se divertindo, Charlie — Leah deu de ombros com a maior naturalidade do mundo, sem perder a sua pose de durona por um único segundo. — Eu ia contar para a família hoje à noite, durante o jantar, mas o seu surto dramático e a sua mania de revirar o lixo do escritório da Bella estragaram a surpresa. Usei o banheiro de lá porque era o único lugar reservado enquanto a obra do hotel estava cheia de peões.
Garrett deu um passo à frente de forma desajeitada, limpando o suor invisível da testa e ajeitando a gola da camisa de linho azul. Ele olhou para o tamanho dos braços do Charlie, depois olhou para o rosto destruído de Edward pelos socos, e ergueu as duas mãos em sinal de paz na direção do meu pai, gaguejando levemente.
— É... Charlie... Senhor Swan... por favor, não se preocupe — Garrett soltou um sorriso amarelo, tentando usar a sua lábia de Jacksonville no meio do pátio rural. — Eu vou assumir a criança, vou casar com a Leah, vou fazer tudo o que o protocolo exige. Eu estou completamente apaixonado por essa mulher selvagem. Só... por favor, não me bate. O meu rosto é o meu marketing de arquiteto, eu apareço na capa das revistas e eu não tenho o maxilar bruto e resistente do Cullen aqui... Um gancho de direita seu me quebra em quatro pedaços. Eu sou um homem de apartamento.
Edward soltou um suspiro pesado e dolorido, usando os dedos para estancar o sangue que ainda pingava do seu supercílio aberto. Ele olhou para Garrett com uma mistura de ódio mortal e puro alívio por ter sobrevivido à caçada.
— Foi mal, cunhado... — Garrett sussurrou para Edward, dando de ombros com uma cara de "sobrevivi por pouco".
— Quando eu me recuperar desses socos, Parker, eu mesmo vou quebrar a sua cara no meio daquele jardim suspenso — Edward resmungou com a voz fanhosa por causa do lábio inchado, arrancando mais uma gargalhada do Emmett.
Caminhei até o Edward, passando o braço pela cintura dele para ajudá-lo a caminhar em direção à varanda do casarão. Carlisle já estava abrindo a sua maleta médica para começar o atendimento e limpar o corte no supercílio do filho. Olhei para o meu pai, que continuava parado no meio do pátio com o teste na mão, olhando para o Garrett como se estivesse tentando decidir se o paisagista merecia uma surra ou um abraço de boas-vindas à família Swan.
O gerenciamento de crises da Swan Lake tinha acabado de atingir o nível máximo de complexidade, e o nosso Hotel Fazenda mal havia aberto as portas para o público.
Apoiei as mãos nos quadris, observando Carlisle limpar o sangue que insistia em escorrer pelo lado esquerdo do rosto de Edward. Estávamos sentados na varanda dos fundos, o silêncio tenso do pátio sendo substituído pelo som suave da agulha e do fio de sutura cirúrgica. Edward estava com o maxilar tão travado que a musculatura do seu pescoço parecia de pedra, os olhos verdes fixos no chão, bufando a cada puxada do fio.
— Tente relaxar o rosto, meu filho. Só faltam dois pontos — Carlisle pediu com aquela paciência angelical de médico, concentrado no corte perfeitamente aberto acima do olho de Edward.
— Eu estou relaxado, pai — Edward resmungou, a voz saindo abafada e arranhada por causa do lábio inferior que já estava do tamanho de uma fivela de cinto. — Só estou tentando processar o fato de que fui espancado em praça pública por um crime que o mauricinho cometeu.
Não aguentei e soltei uma risada baixa, cruzando os braços. Passo a mão de leve pelo ombro dele, sentindo a tensão berrando sob a camiseta cinza.
— Olha pelo lado positivo, Cullen — provoquei, inclinando o rosto para que ele me olhasse com o olho bom. — Meu pai mostrou que realmente se importa com a minha reputação. Ele só errou o alvo por alguns metros e uma árvore genealógica.
Edward soltou um som ranzinza pelo nariz, mas não se moveu para não atrapalhar o pai.
— Pronto. Terminamos por aqui — Carlisle anunciou, cortando o fio com uma tesoura cirúrgica e guardando os utensílios na maleta. Ele deu um tapinha de leve no ombro saudável do filho e olhou para mim com um sorriso cúmplice. — Bella, passe essa pomada antisséptica nas escoriações da bochecha e da boca. Vou lá dentro ver se a Sue conseguiu acalmar o Charlie com um chá de camomila... ou algo mais forte.
— Deixa comigo, Dr. Cullen. Obrigada — respondi, pegando o tubo de pomada e um pedaço de gaze limpa.
Assim que Carlisle entrou no casarão, puxei uma cadeira de ferro e sentei bem de frente para o Edward. Ele continuava com aquela expressão emburrada de menino que levou bronca sem ter feito nada. Comecei a espalhar a pomada com toda a delicadeza do mundo pelas marcas vermelhas na bochecha dele, limpando o canto da boca rasgada.
Examinei o estrago de perto, tombando a cabeça para o lado com um sorriso de canto.
— É, o negócio tá feio... — brinquei, dando um sopro leve no supercílio recém-costurado para aliviar a ardência. — Mas olha, pela obra de arte que ficou o seu rosto, podemos ver que o velhinho ainda é muito bom de briga. Cinco murros certeiros e você nem viu de onde veio o vento.
Edward soltou um gemido dolorido quando passei a gaze na boca dele, mas os olhos verdes se cravaram nos meus com uma seriedade quase cômica de tão desesperada.
— Seu pai quase me matou, Bella! Eu juro por Deus que ele ganha de qualquer touro bravo daquela lida — ele desabafou, segurando o meu pulso com firmeza, mas sem machucar. O olhar dele era puro trauma de genro. — Eu juro que eu nunca mais vou tocar em você antes do casamento, Swan. Nunca mais. Da próxima vez que eu passar perto do corredor do seu quarto, vou de joelhos rezando o terço. Minha integridade física não aguenta outra confusão dessas.
Soltei a gaze na mesinha lateral e mudei de postura no mesmo segundo. Dei um sorriso manhoso, o olhar carregado daquela malícia deliciosa que eu sabia que desarmava qualquer rastro de bom comportamento dele. Aproximei o meu corpo do dele, apoiando as minhas mãos nos joelhos do jeans dele e inclinando o corpo para a frente, fazendo manha de propósito.
— Eu duvido, cowboy... — sussurrei bem perto do ouvido dele, deixando o meu hálito quente roçar na pele do seu pescoço. — Você não aguenta dois dias me olhando passar por aquele pátio de short jeans. Vou fazer a sua vida um inferno absoluto se você não fizer amor comigo... Quero ver se essa sua promessa aguenta a patroa testando os seus limites.
Edward fechou o olho bom, soltando uma lufada de ar pesada. O peito dele subiu e desceu com força, os dedos cravando-se na minha cintura com aquela mesma urgência possessiva de sempre, esquecendo completamente a dor dos ferimentos.
— Então casa logo comigo... — ele implorou, a voz descendo para aquele tom rouco, denso e necessitado que me arrepiava por inteira. Ele abriu o olho verde, fixando-o na minha boca com uma devoção absurda. — Santo Antônio disse que isso ia acontecer esse ano, lembra? A brincadeira da fita não falha, patroa. A Leah já está grávida... Falta só a gente casar, meu amor. Para de me torturar e aceita logo esse pedido.
Sorri contra os lábios dele, dando um selinho casto e cuidadoso para não machucar a sua boca inchada, sentindo o meu coração transbordar com a certeza de que o caubói mais marrento do Texas já era, irremediavelmente, o dono do meu futuro.
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