Swan Lake
14 Eu sou todo seu
Notas iniciais
Capítulo 14: Eu sou todo seu
A porta de entrada do casarão cedeu com um clique quase imperceptível. O interior da casa estava imerso em um breu denso, cortado apenas pela luz prateada da lua que entrava pelas janelas coloniais. O silêncio era absoluto, quebrado apenas pelo eco distante das brasas da fogueira morrendo lá fora.
Mas manter a compostura era uma tarefa impossível. O álcool da noite, o calor da reconciliação e a urgência acumulada de semanas estavam correndo pelo nosso sangue como uma corrente elétrica. No segundo em que a porta se fechou às nossas costas, Edward me puxou contra o peito dele. Suas mãos grandes foram direto para a minha cintura, levantando-me do chão enquanto sua boca encontrava a minha em um beijo abafado, sedento e cheio de dentes.
Uma risada rouca e contida escapou dos meus lábios entre o roçar das nossas línguas. Minhas botas mal tocavam os degraus de madeira conforme começamos a subir a grande escada em direção ao segundo andar, tropeçando um no outro, tropeçando no próprio desejo.
— Fica quieto, Cullen... — sussurrei contra os lábios dele, a respiração já completamente descompassada enquanto eu segurava os ombros largos dele para não cair. — Se o papai pega a gente aqui, ele atira em você. E eu acabei de postar que você é o meu namorado, não quero ficar viúva no mesmo dia.
Edward soltou uma risada baixa, aquele som vibrante e rouco que arranhava o meu pescoço enquanto ele distribuía mordidas de leve na minha mandíbula, subindo os degraus sem tirar os olhos de mim.
— Deixa ele atirar, patroa — ele murmurou, os olhos verdes brilhando no escuro com uma audácia perigosa. — Vale a pena morrer se o destino final for a sua cama.
Alcançamos o corredor do segundo andar quase sem fôlego. Abri a porta do meu quarto tateando na penumbra, empurrando Edward para dentro comigo. No segundo em que entramos, girei a chave na fechadura com um estalo seco e definitivo. O som da tranca parecia o sinal verde que estávamos esperando a vida inteira.
Virei-me para ele, com a mente flutuando exatamente no ritmo denso, hipnótico e quente. Olhei para o meu cowboy em pé no centro do meu quarto, iluminado pela luz da lua, e deixei toda a pose de diretora de lado. Dei dois passos deliberados e espalmei minhas mãos no peito dele, empurrando-o com firmeza.
Edward cambaleou para trás, os olhos fixos nos meus, até que seus joelhos bateram na borda do colchão e ele caiu sentado na minha cama.
Não dei tempo para ele processar. Avancei e subia no colo dele, cavalgando seus quadris por cima do jeans surrado, prendendo-o sob o meu corpo. Edward soltou um suspiro pesado, as mãos disparando instantaneamente para as minhas coxas expostas, apertando a minha carne com uma força possessiva que me fez arfar.
— Você está no meu território agora, Cullen — sussurrei, segurando os cabelos bronzeados dele e puxando a sua cabeça para trás, expondo o seu pescoço.
— Faça o que quiser comigo, meu amor. Eu sou todo seu — ele rosnou.
O que se seguiu foi um amasso de tirar o fôlego, uma colisão de corpos que parecia incendiar os lençóis antes mesmo de nos despirmos. Inclinei-me e tomei a boca dele em um beijo devastador, molhado e faminto. Minhas mãos desceram desesperadas pela camiseta branca dele, puxando o tecido para cima até arrancá-lo por completo e jogá-lo em algum canto do chão. Sentir a pele quente do peito dele contra a minha regata fina foi o estopim. Edward inverteu as posições com uma agilidade assustadora, girando nossos corpos na cama até ficar por cima de mim, prendendo meus pulsos acima da minha cabeça com apenas uma das mãos, enquanto a outra descia para rasgar a barreira das nossas roupas.
As preliminares foram uma sinfonia deliciosa de toques calejados e gemidos abafados. Edward desceu os lábios pelo meu colo exposto, mordendo a pele macia logo acima do meu sutiã de renda italiana , fazendo-me arquear as costas no colchão. Os dedos dele deslizaram por dentro do tecido, tocando-me com uma propriedade que me levou ao delírio. Ele sabia exatamente onde pressionar, como mover, torturando-me com uma lentidão sádica até que eu estivesse implorando por ele, completamente despida e trêmula sob o seu corpo.
Edward se afastou por um segundo, ajoelhado entre as minhas pernas, o peito subindo e descendo com força, o suor brilhando nos seus ombros esculpidos. Ele levou a mão ao bolso do jeans que já estava na metade das coxas, com o olhar subitamente tenso.
— Amor... espera — a voz dele saiu arranhada, os olhos verdes fixos nos meus. — Você tem camisinha aqui? Eu... no pânico de vir para cá, esqueci as minhas no jipe.
Olhei para ele, a mente completamente ébria de desejo, sentindo o meu corpo clamar pelo toque dele sem barreiras. Segurei os quadris dele, puxando-o milimetricamente mais para perto.
— Não tem problema, meu amor... — sussurrei, a voz manhosa e convicta. — Eu sou limpa, e eu sei muito bem que você também é. Não tem problema... depois eu tomo o remédio. Eu quero você. Sem nada entre a gente.
Edward paralisou por um milésimo de segundo, processando as minhas palavras. No momento em que a ficha caiu e ele percebeu que nos entregaríamos da forma mais crua, visceral e íntima possível, os olhos dele dilataram de pura luxúria. Um sorriso imensamente selvagem, empolgado e possesso dominou o rosto do meu cowboy.
— Porra, Bella... você tem certeza disso? — ele perguntou, a voz descendo para um tom brutalmente rouco, os músculos dos braços se contraindo conforme ele se inclinava sobre mim, a testosterona emanando de cada poro. — Você vai ser minha desse jeito? Pele na pele? Minha nossa... eu vou te deixar louca, patroa. Você não tem noção do que você está fazendo com a minha cabeça agora. Eu vou te amar até você não lembrar de mais nada.
Ele não esperou mais nenhum segundo. Edward segurou as minhas coxas, erguendo-as e encaixando-se perfeitamente no meu centro quente e necessitado.
A entrada foi lenta, profunda e absurdamente romântica. Ele uniu nossas mãos, entrelaçando os dedos sobre o travesseiro, enquanto empurrava o quadril para frente, preenchendo-me por inteiro. Soltei um gemido agudo, o som ecoando pelas paredes do quarto, enquanto enterrava o rosto no pescoço dele, sentindo a perfeição daquele encaixe. Era quente, úmido e avassalador.
O ritmo que se seguiu foi puro Romance. Edward se movia com uma intensidade rústica, mas com uma doçura que me fazia flutuar. A cada estocada profunda, ele procurava os meus lábios, cobrindo-me de beijos apaixonados e declarações sussurradas em meio à respiração ofegante. O som dos nossos corpos colidindo, o roçar das peles suadas e o calor inexplicável daquela entrega sem proteção transformaram o meu quarto em um santuário de paixão. Eu arranhava as costas dele, puxando-o para mais perto, sentindo os espasmos do prazer começarem a tomar conta do meu ventre de uma forma muito mais intensa do que na cachoeira.
— Bella... olha para mim — ele suplicou, o rosto colado ao meu, os olhos verdes transbordando amor e uma possessividade deliciosa. — Você é minha mulher... Minha...Só minha...
— Sua... eu sou sua, Edward — respondi, entregando-me completamente ao ritmo dele até que o ápice nos atingiu juntos, uma explosão que nos fez tremer e nos segurar um ao outro como se o mundo estivesse desabando lá fora.
Edward desabou com cuidado sobre o meu corpo, enterrando o rosto nos meus cabelos molhados de suor, o coração dele batendo feito um cavalo chucro contra o meu peito. Ficamos ali por longos minutos, apenas ouvindo o som das nossas respirações voltando ao normal no silêncio do quarto.
Lentamente, ele se moveu para o lado, puxando o lençol fino para cobrir os nossos corpos e me trazendo para o seu abraço. Encostei a cabeça no peito dele, ouvindo a batida reconfortante do seu coração. Edward beijou o topo da minha cabeça, os dedos longos acariciando o meu braço com uma ternura infinita.
— Essa foi a melhor noite da minha vida, amor— ele sussurrou na penumbra, a voz mansa e preenchida por uma paz que eu nunca tinha ouvido antes. —Quero que todas as noites do resto das nossas vidas sejam assim...
— Pode deixar, meu cowboy — respondi, fechando os olhos.
E ali, embalados pelo som suave do vento nas cortinas e protegidos pelas trancas da porta, nós dormimos abraçados, com a certeza de que as linhas de fronteira da Swan Lake haviam sido redesenhadas para sempre.
Toc! Toc! Toc!
— Bells! Isabella! Abre essa porta, minha filha! — A voz estrondosa de Charlie ecoou pelo corredor, acompanhada por uma batida violenta que fez a madeira da porta tremer.
O som cortou o silêncio do quarto como um tiro de espumante. Acordei em um sobressalto, meu coração disparando na caixa do peito. Ao meu lado, Edward deu um pulo na cama, os olhos verdes arregalados de puro pânico erótico, os cabelos bronzeados espetados para todos os lados.
— Bells! Por que diabos essa porta está trancada? — Charlie berrou do lado de fora, girando a maçaneta com força, fazendo um barulho infernal. — Você nunca tranca a porta! Bells!
O desespero se instalou no quarto em menos de um segundo.
— Meu Deus do céu, é o meu pai! — sussurrei em um fio de voz histérico, pulando da cama.
Edward saltou para o chão como se o colchão estivesse pegando fogo. Ele começou a girar em círculos pelo quarto, completamente nu, catando suas roupas em um desespero cômico.
— Minhas botas... Cadê a porra da minha bota direita?! — ele sussurrou alto, segurando a calça jeans com uma mão e tateando o tapete com a outra.
Toc! Toc! Toc!
— Isabella! Eu sei que você está aí dentro! Estou ouvindo passos! — Charlie gritou, batendo o pé no corredor, visivelmente estressado.
Olhei para o Edward, que tentava enfiar a perna no jeans ao mesmo tempo em que recolhia a camiseta manchada de poeira e o cinto de fivela. Ele parecia um malabarista desajeitado. A pose de cowboy indomável e macho alfa havia sumido por completo; ele era apenas um homem apavorado com a possibilidade de enfrentar uma espingarda de cano duplo.
— Não vai dar tempo! Entra ali! — apontei desesperada para o vão embaixo da minha cama de casal antiga.
— O quê? Ali embaixo? Bella, eu não caibo... — ele começou a protestar, o rosto vermelho de nervoso.
— Entra logo, Cullen! — dei um empurrão firme nas costas dele, fazendo-o deslizar direto para o chão.
Edward se arrastou como um recruta no meio de um bombardeio, puxando suas roupas para junto do corpo e se enfiando debaixo do estrado de madeira no exato momento em que Charlie deu mais um soco na porta.
Corri até o guarda-roupa, puxei um roupão de seda, amarrei o cinto de qualquer jeito e baguncei ainda mais o meu cabelo. Respirei fundo, tentando desacelerar o coração, e girei a chave na fechadura, abrindo a porta apenas o suficiente para colocar metade do meu corpo para fora. Fiz a minha melhor cara de quem havia acabado de acordar de um sono de cem anos, piscando os olhos contra a claridade do corredor.
— Pai... — fingi uma voz sonolenta e arrastada. — O que foi? O que aconteceu?
Charlie estava parado na minha frente com os braços cruzados, vestindo sua camisa de estampa xadrez habitual. Ele bufava como um touro reprodutor, com as sobrancelhas cinzentas quase coladas de tanta irritação.
— O que aconteceu é que eu quase derrubei a casa! Por que você trancou essa porta, Isabella? — ele reclamou, cruzando os braços de forma severa. — Você sabe muito bem que eu odeio portas trancadas nesta casa. Se acontece um incêndio, uma emergência, ou se você passa mal, como é que eu entro? Vou ter que arrombar a madeira?
— Ai, pai, desculpa... — soltei uma risada nervosa, limpando um canto do olho falso. — É força do hábito, sabe? Em Jacksonville eu morava em apartamento, no centro da cidade, então eu sempre trancava tudo antes de dormir. O meu cérebro deve ter agido no automático ontem à noite após a fogueira.
Charlie estreitou os olhos cinzentos, olhando por cima da minha cabeça para o interior do quarto. Meu estômago deu três voltas; eu tinha quase certeza de que o cheiro do perfume amadeirado do Edward ainda estava flutuando no ar.
— Hum... força do hábito — meu pai resmungou, parecendo ligeiramente desconfiado, mas o estresse logo deu lugar à sua habitual preocupação paterna. — Pois trate de perder esse hábito aqui na fazenda. Não quero ver essa tranca batida de novo.
— Pode deixar, não vai se repetir — garanti, segurando o riso que queria escapar da minha garganta pelo absurdo da situação.
— Ótimo. A Sue fez panquecas e o café já está servido na mesa. Todo mundo já acordou, até os Cullen já apareceram por lá. Só falta você e o Edward. Não demora, minha menina — ele disse, dando um tapinha carinhoso no meu ombro antes de girar nos calcanhares e descer o corredor em direção às escadas.
— Já estou descendo! — avisei em voz alta.
Fechei a porta devagar, trancando-a novamente por precaução. No segundo em que o clique da tranca ecoou, as minhas pernas fraquejaram de puro alívio. Soltei uma lufada de ar e me joguei de joelhos no chão, levantando a colcha da cama que caía até o tapete.
Olhei para baixo e não consegui conter a gargalhada.
Edward estava totalmente encolhido no vão estreito, os joelhos quase batendo no queixo, segurando a calça jeans contra o peito nu e com os olhos firmemente fechados, como se o fato de não enxergar o mundo fizesse ele sumir dali de verdade. O contraste do veterinário musculoso e marrento do Texas espremido debaixo de uma cama de solteira antiga era a cena mais hilária que eu já tinha visto.
— Pode sair, cowboy. O perigo já passou — brinquei, rindo tanto que a minha barriga começou a doer.
Edward abriu um dos olhos verdes, encarando-me com uma expressão misturada de puro embaraço e indignação rústica. Ele começou a se arrastar para fora, batendo as costas no estrado de madeira no processo e soltando um resmungo de dor.
— Você me humilha, patroa... — ele disse, a voz saindo abafada enquanto ele finalmente se sentava no tapete, espanando alguns fiapos de poeira invisíveis dos ombros nus. Ele me encarou com um olhar semicerrado, mas o canto da boca dele subiu naquele maldito sorriso torto. — Vai ter vingança por isso, escreve o que estou te dizendo. O meu ego de cowboy nunca mais vai se recuperar desse vexame militar.
— Ah, para de drama. Você foi ótimo no treinamento de sobrevivência — brinquei, levantando-me e começando a pegar as minhas roupas no armário.
Edward vestiu o jeans com pressa, fechando o botão e ajeitando o cinto de fivela de prata. Ele pegou a camiseta branca, jogou-a por cima dos ombros e caminhou decididamente em direção à porta do quarto, esticando a mão para girar a chave.
— Onde você pensa que vai? — dei um passo rápido à frente, segurando-o firmemente pelo colarinho da camisa antes que ele pudesse abrir a fresta.
— Vou descer pela porta e tomar um café com o meu sogro, Bella. Ele acabou de dizer que a mesa está pronta — ele respondeu com a maior cara de paisagem do mundo, os olhos verdes brilhando com pura provocação.
— Você ficou louco, Edward Cullen?! — exclamei, a voz saindo em um sussurro histérico. — Se você descer por essa escada agora, vestindo a mesma roupa de ontem, todo mundo vai saber que você passou a noite aqui ! O meu pai vai ter aquele infarto dramático de verdade e vai buscar a espingarda! Você não pode descer se não vão te pegar no flagra.
Edward cruzou os braços largos sobre o peito, olhando para mim de cima para baixo com um divertimento escancarado.
— E qual é o plano genial então? Vou ter que morar no seu closet?
Apontei com o queixo diretamente para a grande janela de madeira do meu quarto, que dava para o telhado colonial da varanda dos fundos.
— Você vai sair pela janela.
Edward olhou para a janela e depois voltou a olhar para mim, a expressão mudando de diversão para um choque completo.
— Amor, eu não vou sair pela janela — ele declarou com toda a firmeza do seu orgulho texano, fincando as botas no tapete. — Eu sou um homem feito, tenho trinta anos, sou o veterinário chefe dessa fazenda. Eu não vou pular uma janela igual a um adolescente que corropeu a menininha do xerife.
— Vai sim — respondi, soltando uma risada deliciosa e segurando-o pelos ombros com firmeza, empurrando o corpo pesado dele em direção ao parapeito. — Vamos lá, cowboy, use as suas habilidades da lida. É só descer pelo telhado da varanda e pular na grama perto dos estábulos. Ninguém vai ver. Vai, anda!
Edward balançou a cabeça, soltando um suspiro pesado de pura derrota, mas não conseguiu esconder o sorriso rendido diante do meu gênio forte. Ele apoiou as mãos grandes no parapeito de madeira, passou uma das pernas longas para o lado de fora e virou o rosto uma última vez na minha direção, os olhos verdes faiscando com uma promessa silenciosa.
— Eu vou sair pela janela hoje, Isabella... — ele sussurrou com a voz rouca, puxando a minha nuca para um beijo rápido, estalado e ardente que me deixou sem fôlego. — Mas hoje à noite, eu entro pela porta da frente. E você vai ter que arcar com as consequências do meu orgulho ferido.
— Vou estar esperando, meu cowboy gostoso — sorri, dando um último empurrãozinho leve no peito dele.
Edward piscou para mim, pulou para o telhado de telhas de barro com a agilidade de um felino e começou a descer em direção à liberdade do pátio, deixando-me sozinha no quarto com o coração leve, o corpo quente e o sorriso mais bobo de todo o estado do Texas no rosto.
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