Sutton Hoo - Interativa
15 Capitulo 14
Notas iniciais
Quando dei por mim os lábios frios de Elliot já cessavam a pressão por sobre os meus, mas nenhum de nós dois nos afastamos um do outro.Podia ainda sentir o calor de suas mãos fixas em minha cintura e sua respiração se misturando com a minha.
– Eu devo ter batido minha cabeça muito forte...- Ele sussurrou.
– Eu também... — Acariciei os cabelos de sua nuca. — Muito forte...
– Che conosceva e amava solo sua moglie, conoscere più donne che uno che conosceva mille. (*Aquele que conheceu apenas a sua mulher,e a amou, sabe mais de mulheres do que aquele que conheceu mil.) Meu pai costumava dizer isso.
– Eu não entendi nem uma única palavra do que você disse. — Sorri para ele, rindo.- Fale minha língua.
– Você é linda.- Ele deu-me um sorriso aberto, me puxando para junto dele novamente. Seus lábios eram macios e o gosto de seu beijo era... Doce. Tal como um pirulito.
– Posso dizer que isso não era menos que o esperado. — A voz de Jun fez com que nós dois nos separássemos rapidamente. Ao seu lado estava Marry e Alois, que não conseguiam tirar o sorriso do rosto.
– Não é o que vocês estão pensando. — Foi a primeira coisa que me veio já cabeça. Santo Deus! Era óbvio que era o que eles estavam pensando.
– Eu estava morrendo. — Elliot tentou arranjar uma desculpa convincente. — Ela apenas me fez respiração boca a boca. — Obviamente não conseguiu. Lhe dei uma cotovelada na barriga.
– Você vai morrer agora mesmo se não calar a boca. — Suspirei após sussurrar isso para ele.
– Era mais que previsível. — Jun pegou a prancheta da prateleira onde eu a havia deixado. Marry e Alois seguraram os braços de Elliot e o começaram a girar.
– Então vocês estão juntos? — Marry sorriu para Elliot, que olhou desesperado para mim. Ambos respondemos ao mesmo tempo.
– Não!
– O quê? — Alois puxou o braços e Elliot com força, o fazendo reclamar. — Vocês estavam quase se engolindo e dizem que não estão juntos?
– N-Não estávamos nos engolindo! — Cruzei os braços e abaixei a cabeça. — Não exagere.
– É... Eu só vim aqui ver Jun... E quando eu cheguei a Lucy estava aqui. — Elliot começou a contar a história.
– E então vocês começaram a se beijar? — Alois sorria maliciosa, como sempre.
– Não! — Revirei os olhos. — E então ele viu que eu estava aqui.
– Isso. — Elliot bateu uma mão contra a outra. — Então ela caiu e eu a segurei, certo Lucy?
– Isso! — E então vocês começaram a se beijar?
– Alois! — Cobri o rosto com as mãos e suspirei. — É, nós nos beijamos. — Elliot me encarava confuso. — O que? Não tem como esconder algo que eles já viram. — Bufei.
– Se você diz. — Ele pegou um pirulito do pacote que estava na prateleira atrás de mim, quase se jogando sobre meu ombro. Ao se afastar me mostrou o pirulito com a sobrancelha arqueada.
– Estúpido.
– Grazzie Signora. (*Obrigado, senhorita.)
– Gr. — Lhe rosnei com os olhos cerrados.- E você Marry, não tinha nada para falar? — Queria de qualquer maneira fugir daquele assunto e fazê-los esquecerem daquela situação.
– Ah... Capitão? — Ela deu a mão para Jun e abaixou a cabeça. — Preciso te dizer algo. — Não posso dizer que sei como ele irá reagir, mas tenho uma ideia.
– Então diga logo. — Ele bocejou. — E seja rápida. Notícia ruim tem que ser dada logo.
– Hm... Bom...
– Diga. — Ele tirou o doce da boca e o encarou, logo depois subindo os olhos para Marry.
– Eu estou grávida. Depois de Marry lançar tais palavras, não demos nem cinco segundos para que Elliot caísse desmaiado no chão.
(...)
– Ah! — Elliot acordou em um pulo sobressaltado. Todos viramos para ele, afinal, a grande maioria estava preocupada. Eu não faço parte desta, claro.
– Capitão? — Marry se ajoelhou ao lado dele, que estava deitado em sua cama com o peso apoiado sobre os cotovelos. — Você está bem?
– Você esta grávida?! — Ele foi direto ao ponto. Marry assentiu com a cabeça, um pouco receosa. — Então eu não estou bem!
– Mas...
– Ahn! — Ele resmungou manhoso ao se levantar, começando a andar de um lado para o outro.
– Qual o grande problema nisso tudo, Lindo? — Alois suspirou, cruzando os braços.
– O grande problema, meus queridos... — Elliot veio até mim e me segurou pelos ombros. — Vejam só. Essa é Lucy.
– Mas que diabos você...
– Lucy é gorda. — Ele levantou minha camisa mostrando parte de minha barriga e desviou antes que eu lhe desse uma cotovelada. — Ela come, vocês comem, eu como. Uma boca a mais para alimentar é demais!
– De onde você tirou isso? Você praticamente caga dinheiro, Elliot. — Revirei os olhos.
– O problema não é dinheiro! O problema é, além de tudo, educação, distração, diversão, comida, bebida e, como dito, dinheiro!
– E você odeia crianças. — Jun completou.
– E eu odeio crianças. Mais que tudo! — Elliot continuava andando. — Elas gritam, correm, quebram coisas, choram, comem doces demais, birrentas, mimadas.
– Por um momento pensei que estava descrevendo a si mesmo, capitão. — Fiz um comentário que todos aprovaram com riso. Elliot franziu as sobrancelhas e me lançou um grunhido.
– Então, o capitão já acordou? — Arkane e Luria chegaram com os braços entrelaçados, saltitando.
– Sim. — Elliot se jogou de costas na própria cama e cobriu o rosto com um travesseiro.
– Capitão, não posso tirar essa criança e eu não vou. — Marry disse firme e decidida. — Por favor, preciso que aprove isso...
– ... — Elliot tirou o travesseiro do rosto e encarou Jun por alguns segundos. — Certo....
– Yay! — Alois ficou toda animada e se jogou na cama com Elliot, quase o agarrando. — Oh, desculpe, Lucy! Esqueci que ele já é seu. — Ela me mandou uma piscadela. Senti meu rosto ficar totalmente vermelho.
– Cale a boca, Alois. Quer morrer? — Cruzei os braços e desviei o olhar. Vi de soslaio Elliot me sorrindo.
– Obrigada Capitão. Não sei o que faria se você não aprovasse isso. — Marry fez questão de abraçar Elliot, que já estava sentado na cama ao lado de Alois, que mantinha um braço sobre seus ombros me olhando de forma como se de alguma forma eu fosse me importar com aquilo.
– Vamos avisar Drew e a Carly! — Luria puxou Marry por um braço. — Eles vão ficar tão animados!
– Você acha? — Claro. Drew vai cozinhar pra essa criança até ela explodir. — Luria arrastava a outra morena para fora da cabine. Com ela foram Arkane e Jun, deixando apenas eu, Elliot e Alois no quarto.
– Que dia. — Alois puxou Elliot para mais perto dela, o fazendo reclamar.
– Está me sufocando, Alois.... — Ele tentava se livrar do braço dela.
– Relaxa, gostoso. — Ela deu um beijo na bochecha pálida dele, deixando uma marca intensa de batom em sua pele. — Lucy não vai te deixar morrer tão cedo. — Se levantou e saiu correndo, saltitante antes de bater a porta. Pude ouvir seu riso até pelo menos chegar na escadaria.
– Arg! — Elliot tentava tirar a marca de batom do rosto com a manga do sobretudo. — Ew. Odeio batom. Ainda bem que você não usa, certo? — Me lançou um sorriso malicioso, o qual eu ignorei e cruzei os braços.
– Isso que aconteceu hoje... — Começaria meu discurso, mas o senti segurar minha cintura e afastar meu cabelo de meu ombro.
– O que tem? — Perguntou em um sussurro próximo ao meu ouvido, fazendo com que eu sentisse um arrepio.
– Nunca mais vai acontecer. — Me virei de frente para ele e o afastei com um sorriso convencido no rosto.
– Oh, não. Claro que não, imagina. — Ele disse tentando parecer sério, mas estava na cara que estava sendo sarcástico.
– Elliot.
– Lucy.
– Vamos falar sobre outra coisa. — Me sentei no baú na ponta de sua cama e ele brincava com a espada, rodopiando a lamina com a ponta do dedo.
– Como desejar, Senhorita.
– Você fez bem em aceitar o bebê.
– Jun parecia querer isso. Ele me ajudou muito desde que meu pai morreu, por isso acho que devo demais para com ele.
– Minha nossa, isso vindo de você é realmente assustador. — Me levantei. — Existe algum tipo de sentimento de gratidão no coração de Elliot Pettil?
– Existe, claro. — Ele guardou novamente a espada na bainha e tirou um cigarro do bolso o acendendo com o isqueiro próximo.
– Sério mesmo?
– O que? Você quer?
– Já que ofereceu. — Estiquei o braço para pegar, mas ele afastou o objeto de meus dedos. — Ué. O que é?
– Meus pulmões antes dos seus.
– Ahn... Eu não ia realmente aceitar. — Fiquei um pouco confusa com sua frase. Ele realmente parecia... Se importar.
– Nunca se sabe o que pode vir de você. — Soprou a primeira lufada de fumaça. — E além do mais, sei que não faz bem, mas é um vício que adquiri já de meus 15 anos. Não é algo que possa parar.
– Você pode se você quiser.
– Eu não posso. — Sorriu. — Confie em mim.
– Uma tarefa um pouco complicada.
– Nem tanto. Costumo honrar minha palavra.
– Não me lembro de nenhuma promessa que já me cumpriu. — Cruzei os braços e me sentei em sua cama, sentindo como o colchão era macio e lembrando que teria de dormir no chão por alguns dias.
– Isso porque não lhe fiz promessa alguma até hoje.
– Apenas que dormiremos no chão por dois dias. — O Relembrei na esperança que ele cancelasse esse fato.
– Ah, claro. E será mais uma das que eu irei cumprir. — Me sorriu debochador. — A não ser, claro, que durma comigo.
– Engraçado. — Desviei o olhar de seu sorriso malicioso. — Que horas são, meu querido capitão? — Perguntei com ironia. Ele subiu os olhos para o relógio e me respondeu.
– Quase oito da noite. — Parou de pé na minha frente.
– Então se me der licença, preciso arrastar meu colchão até o porão. — Fingi uma referência á ele, já me retirando de seus aposentos.
– Boa sorte com isso.
– Você vai se arrepender, Pettil. — Disse brincando, mas tirei o sorriso do rosto ao ver Jun entrando no quarto com o rosto sério.
– Uma carta para você Elliot. Ela respondeu.
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