Notas iniciais
Nárnia é real. Mas será que Susana aceitará isso novamente? Tem uma música logo no início do capítulo. É só clicar com o botão direito e abrir em uma nova aba/guia/janela. Boa leitura.

— A festa foi um saco. – Dick reclamou acendendo seu quinto cigarro. – Odeio essas meninas que acham que fazem parte da alta sociedade.

— Precisamos mostrar que temos consideração, querido. – Susana contestou. – Não podemos simplesmente esnobar as pessoas.

Os dois encontravam-se na casa de Dick em Londres. Na sala ele tinha um bar e eles estavam sentados ali, ao som de God Bless the Child, de Billie Holiday. Alguns outros amigos do casal estavam pela casa conversando, bebendo e dançando de maneira romântica.

— Você é gentil demais, baby. – ele soltou a fumaça no rosto dela.

— Acenda o meu. – ela pediu ao pegar um cigarro.

— Não quero chamar a Becky para nosso casamento. – Dick admitiu. – Ela é pobre e mal educada.

— Dick, eu não nasci rica também.

— Mas você é educada, querida. – ele beijou os lábios dela.

— Eu estou de batom. – ela riu.

— Vai sair mesmo. – ele continuou a beijá-la.

— Agora chega, Richard. – ela o empurrou rindo. – Temos convidados. Isso é indecente.

— Estamos em 1952. Você tem vinte três, eu vinte e cinco. As pessoas sabem muito bem que nos beijamos.

— Elas não precisam ver. – Susana beijou o rosto dele.

— E quando nos casarmos? Vou poder beijar você? – ele brincou.

— Quando nos casarmos vai poder me beijar em casa, Caspian. – ela disse sorrindo.

Caspian? – Dick franziu o cenho. – Quem é Caspian?

Dick não estava exatamente com raiva, mas confuso. Ele nunca ouvira aquele nome antes e muito menos já tinha sido chamado de outro nome por Susana.

— Eu... Eu não... Eu não sei. – ela admitiu confusa. – Desculpe, Richard. – ela sorriu sem jeito.

— Esse nome é estranho.

— Eu sei. Acho que... Acho que bebi demais. – Susana deduziu. – Deve estar na hora de eu ir para minha casa.

Dick estranhou o comportamento de Susana, mas a levou para casa sem nenhuma resistência. Talvez esteja cansada, ele pensou, ou bebeu demais mesmo.

Sozinha em casa, Susana respirou fundo tentando entender o que havia acontecido. Depois de acalmar os pensamentos ela acendeu a luz de sua sala e lembrou-se do dono do nome. Um príncipe. Um príncipe de Nárnia. O Príncipe Caspian.

— Essa baboseira tem que parar agora! – ela disse estressada para si mesma. – Eu... Eu vou me casar, tenho um bom emprego, tenho uma ótima vida. Lembrar disso vai me prejudicar!

Susana não aguentava mais aquilo. Fazia tanto tempo que ela nem mesmo pensava na morte da família e dos amigos. Por que agora ela não conseguia simplesmente esquecer?

Quando Susana ia tirar a maquiagem em seu banheiro ouviu o som de passos em sua casa. Aquilo era assustador, já que não havia ninguém com ela ali. Ela rondou a casa com uma frigideira na mão e não encontrou ninguém.

Aliviada, por estar de fato sozinha e cansada ela foi dormir, para no dia seguinte ouvir na rádio de notícias que havia uma tempestade de neve chegando. Todos eram aconselhados a permanecer em casa. A luz elétrica poderia ser cortada e a neve estava prevista para chegar a quase um metro de altura.

— Logo hoje? – Susana resmungou. – Belo dia pra isso acontecer. Eu ia ver vestidos de casamento.

Indo preparar chá ela simplesmente desistiu da ideia de passar o dia com alguém. Sabia que ficaria sozinha o dia inteiro e que não adiantava tentar sair para morrer congelada. Ficaria em casa, vendo vestidos de noiva nas revistas, talvez até revisasse alguns artigos da revista pra qual ela trabalhava.

Susana tomou chá lendo uma revista em frente à janela. Ela observava a neve cair rápida e de maneira continua. Mais tarde o telefone tocou. Era Dick preocupado com o bem estar de sua noiva.

Então você não sabe mesmo o que aconteceu?

— Não. Eu simplesmente disse um nome qualquer. – ela mentiu. – Devo ter lido num desses livros de criança e lembrei de repente.

Mas, baby, não foi só o nome. Você parecia... Diferente. Distante.

— Ah, não exagere, Richard! – ela o chamou pelo nome ao invés para parecer mais séria. – Estou bem, acredite em mim.

Tem certeza?

— Toda.

Então tudo bem. Minha mãe pediu para avisar que a prova do vestido foi adiada para semana que vem.

— Tudo bem. Lembre-se de relembrar a cor dos convites para a planejadora, por favor. – Susana pediu.

O que você quiser, baby. – Dick tinha voltado ao seu eu normal.

—-

De noite a energia foi cortada e Susana acendeu várias velas e a lareira de sua sala. Era aconchegante ficar em frente ao fogo, bebendo chá. Mas ao mesmo tempo Susana preferiria que suas amigas estivessem ali para elas poderem conversar sobre algo para ela se esquecesse de Caspian e Nárnia.

Ela olhou pela janela e ainda havia neve caindo. Forte e rápido.

— Que inverno horrível. – ela comentou.

De repente a imagem de uma mulher muito alta, bonita e com expressão severa surgiu em sua mente. Ela tinha um bastão bonito e sinistro que era longo e tinha extremidades pontudas. Usava um vestido longo e parecia com raiva.

— Feiticeira... – ela sussurrou. – Branca...

Susana sacudiu a cabeça. Estava ao ponto de bater em alguma coisa e aquilo era realmente incomum para ela. Para acabar com a agonia ela resolveu dormir. Já era tarde o bastante para encerrar o dia.

Enquanto lavava o rosto sentia um vento quente atrás de si mesma. Virou-se rapidamente não viu nada nem ninguém. Continuou a lavar o rosto e a sensação do vento quente continuava a vir, mas toda vez que ela tentava ver de onde vinha não via uma fonte.

Já em seu quarto de camisola ela afofava seu travesseiro. Estava sentada na cama quando ouviu uma voz grave, agradável e familiar. De repente havia um calor aconchegante no quarto. Susana estava começando a achar que estava maluca. Maluca de verdade.

Susana... – a voz estava mais audível.

Ela se levantou com medo.

Por que estás assustada? — a voz perguntou com tom de voz firme, porém preocupado.

Susana ficou muda. Deitou rapidamente e se cobriu até a cabeça, virando e fechando os olhos com toda a força que tinha. Tudo que ela queria era parar de se sentir louca, deixar de ser tão... Obcecada por algo que era tão real e irreal ao mesmo tempo.

Eu estou te esperando. – a voz disse por último.

A sensação quente sumira e a voz também. Não havia som nenhum além do vento contra as vidraças.

Uma vez rei ou rainha de Nárnia, sempre rei ou rainha.

A voz então sumiu por completo e Susana sentiu como se fosse morrer. Um ataque cardíaco ou algo do tipo, pois ela se lembrou. Finalmente ela havia se lembrado.

— Aslam. – ela disse chorando.

Notas finais
O que achou da visita? O que você acha que acontecerá agora? Comente e divida comigo o que achou!