Susan of Narnia
7 Susana de Nárnia - parte II
Notas iniciais
Tinha algo muito errado. Susana estava correndo atrás de Aslam há quanto tempo? Ela não sabia dizer. O tempo era algo que ela havia perdido a noção.
— Vamos, Susana. – Aslam disse.
Por algum motivo, mesmo muito longe dele ela conseguira ouvir perfeitamente bem.
Os dois continuavam a correr até que finalmente Susana viu Aslam parar no topo de uma colina. Um homem começou a andar na direção do leão. Ele era alto, muito bonito. Assim como Emeth ele era infinitamente mais bonito que os outros homens que ela conhecera. Ele tinha uma barba rala, olhos azuis bonitos e uma expressão corajosa.
Susana aproximou-se sem medo ou vergonha dessa vez.
— Rainha Susana. – ele disse assim que a viu.
— Sim, quem seria o senhor? – ela disse gentilmente.
— Eu sou Tirian. O último rei de Nárnia, minha bela senhorita.
Se ele era o último rei de Nárnia, como ele poderia saber quem Susana era? Ela não compreendeu.
— Como sabia quem eu era? – ela ficou confusa.
— Seus irmãos. A senhorita tem as feições muito similares às deles.
— Meus o que? – Susana se alterou. – Aslam... Pedro, Edmundo e Lucia estão aqui?
— Sim. – o leão respondeu.
— Por favor, queira me dar licença, Tirian. – ela aproximou-se de Aslam. – Por favor... Leve-me até eles, Aslam. Eu preciso vê-los.
— Tudo no seu tempo. – ele disse.
— Imagino como você se sente, bela dama. – Tirian sorriu para ela tentando confortá-la. – Mas acredite, há muito tempo para isso.
— Se Aslam diz, eu esperarei. – ela disse. – Mas diga-me, Tirian, o que quis dizer com último rei? Nárnia não tem mais reis? Ou foi invadida novamente como quando foi por telmarinos?
Tirian olhou para Susana, confuso, depois para o leão que simplesmente fez que não para ele.
— Oh, minha bela dama. Nárnia não existe mais.
— Como?!
— Foi destruída. Há... Não sei dizer há quanto tempo atrás, mas Nárnia não existe mais. Estávamos lá. Eu, seus irmãos, Eustáquio e Jill. Além de Polly e Digory. Um gigante enorme, maior do que todos os outros, tocou uma trombeta que tinha um som sinistro, porém belo. As estrelas caíram do céu, como uma chuva, bestas terríveis surgiram e devoraram Nárnia, cada árvore cada centímetro de floresta ate tudo ficar deserto e horrendo. A água inundou a terra e depois o sol ficou enorme e vermelho. O Grande Rei Pedro então fechou a porta, por ordem de Aslam.
— Mas... Nárnia era algo tão maravilhoso. Aslam, por que permitiu isso? – ela perguntou confusa.
— Pois aquela Nárnia tinha início e fim. Estava determinado. – Aslam respondeu de maneira direta.
— Também sofri muito com o fim de Nárnia, minha bela dama. – Tirian admitiu parecendo prestes a chorar. – Mas há mais do que sonhamos aqui. Mais do que qualquer olhou viu ou ouvido ouviu.
— Então... Se aqui não é Nárnia... – Susana estava confusa novamente.
— Você saberá num instante. Vamos, Susana. – Aslam começou a andar.
— Logo voltaremos a nos ver, querida jovem. – Tirian se despediu.
—-
Depois de andar mais um pouco com Aslam Susana finalmente viu alguém parecia familiar. Era um menino loiro, com sardas no rosto e olhos azuis. Era alto, não parecia tão jovem quanto o menino que Susana conhecia. E era muito mais bonito também. Assim como Emeth e Tirian eram lindos.
— Susana? – ele a viu muito de longe. – Edmundo! Venha rápido!
De repente um jovem lindo, e cabelos negros e olhos cor de avelã surgiu ao lado do loiro.
— Susana? – Edmundo disse.
Edmundo estava completamente maravilhoso. Usava lindas roupas de Nárnia, seu rosto parecia menos adulto comparado a última vez que ela havia o visto. Um sorriso lindo ocupou os lábios dele.
— Susana! – ele correu a abraçou. – Você veio... Eu não acredito. – ele limpou as lágrimas da irmã. – Estávamos esperando você há tanto tempo... – ele a abraçou novamente. – Não sabíamos se você viria...
— Edmundo, você esta tão diferente... – ela disse.
— Você também. – ele olhou nos olhos da irmã por alguns instantes. – Mas o ar de Nárnia sempre nos fazia ficar diferentes. Por que não seria ainda melhor aqui?
— Onde é aqui? – Susana perguntou, não aguentando mais ficar sem saber.
Edmundo olhou para Aslam, que fez que não com a cabeça para ele.
— Susana, você saberá quando for hora. – disse Edmundo.
— Senti sua falta, Susana. – Eustaquio a abraçou também.
— Também senti a sua, primo. Como você cresceu. Não parece mais aquele menininho chato que eu conhecia. – ela brincou.
— Eu mudei. Ou melhor, Aslam me mudou.
— Ei, eu ajudei. – Edmundo o empurrou de leve.
— Claro que ajudou, Ed. – Eustaquio riu.
— Edmundo! – uma voz doce e conhecida chamou ao longe. – Edmundo...
Lucia não acreditava no que via. Começou a chorar assim que viu a irmã e saiu ao seu encontro já soluçando.
— Susana... Você... Deu um susto e tanto. – Lucia disse. – Graças a Aslam. Você se juntou a nós. Sentimos tanto a sua falta que... Que achávamos que você não viria.
— Eu sei que errei. Sinto muito. – Susana limpou as lagrimas da irmã.
— Não se preocupe. Olha quem está vindo. – Lucia apontou para o horizonte.
Ao lado de Aslam uma figura majestosa surgiu. Ele falou com Aslam, que novamente fez não com a cabeça. Ele havia dito "ela não sabe?" e Aslam confirmado.
Um homem loiro, com rosto heróico e bonito andava na direção deles. Seu rosto resplandecia, não como o de Aslam, mas ainda assim brilhava. Ele sorriu um belo e sincero sorriso e caminhava com calma, mas logo estava ali.
— Susana Pevensie. – Pedro disse quando finalmente estava perto da irmã.
— Pedro Pevensie. – ela o abraçou.
— Finalmente... Sentimos sua falta. – o mais velho limpou as lágrimas da irmã e a segurou pelos ombros.
— Senti muita falta de vocês também. Estão todos tão diferentes!
— Bem, estamos todos diferentes... Tudo se fez novo. – ele disse.
— Novo? – Susana estava confusa.
Ela olhou para sua família. Ver seus irmãos ali era maravilhoso, até mesmo Eustaquio que não era exatamente seu primo favorito. Era mais alegria do que ela conseguia pensar.
— Sim. Olhe ao redor. Aqui não é a Nárnia que você conheceu. Essa é a verdadeira Nárnia.
Aquilo fez algum sentido para Susana, mas não completo sentido.
— Não se preocupe. – Aslam disse. – Fará sentido quando for hora. Agora vamos, sigam-me.
Todos seguiram Aslam, Lucia estava de mãos dadas com a irmã e as duas tagarelavam como sempre. Mas dessa vez sobre quão maravilhoso Aslam era, quão linda a verdadeira Nárnia era, de como estavam felizes de estar juntos.
Susana passou por vários conhecidos, como senhor Tumnus ou Ripchip. Todos faziam ficavam extremamente felizes quando encontravam com ela. Todos sempre diziam algo que não fazia total sentido para ela. Todos diferentes, melhores.
Finalmente eles chegaram a uma mesa enorme, cheia de comida. Havia frutas suculentas. Peixes, carne e frango todos muito cheirosos. Pães e bolos de todos os tamanhos e tipos. Queijos lindos e maravilhosos. Sucos e vinho mais atraentes que Susana havia visto. Tudo numa cor diferente, tudo totalmente melhor do que Susana já havia visto antes. Nem Nárnia tinha mesas tão lindas e deliciosas só de olhar. Era o melhor banquete que Susana havia visto.
Lá ela viu seus pais e mais um encontro cheio de prantos, sorrisos e abraços aconteceu. Depois Digory, Polly e Jill se juntaram a eles, com mais sorriso, abraços e prantos com Susana.
— Aslam... Eu notei agora que meus irmãos, pais, Eustáquio, Jill, Digory e Polly estão...
— Mortos, como dizem nas Terras Sombrias. – Aslam completou.
Emeth chegou em seguida com uma cesta cheia de maçãs cheirosas e extremamente vermelhas. Susana pode perceber então que estavam quase todos ali. Todos que ela conhecera em Nárnia.
— Então eu também estou morta?
— Você nunca esteve mais viva, Susana. – Aslam respondeu. – No ônibus quando você me pediu perdão aquela era hora de você voltar. Você se redimiu. Mas houve um acidente. A parte em que você estava foi destruída na batida.
— E o que é esse lugar? Quero dizer, se não é Nárnia... – Susana perguntou.
— Essa é a verdadeira Nárnia. – disse Tumnus.
— Aquela antiga Nárnia era como uma sombra. – Digory explicou. – Ou até mesmo um reflexo.
— Por isso que essa tem uma sensação tão diferente. Tão mais forte, melhor. – disse Polly. – Este é o lugar verdadeiro.
— Você herdou esse lugar quando voltou a ser amiga de Nárnia. – disse Pedro.
Susana começou a chorar. Não por estar triste, mas de alegria. Estava mais do que feliz por ter encontrado com Isaac naquele dia, por ter perdido perdão, por estar ali...
— Para que esse banquete maravilhoso? – Susana disse sorrindo.
— Para comemorar a sua vinda. – Pedro respondeu.
— Aslam nos disse para prepararmos algo especial. – Lucia disse.
— Então pegamos as melhores comidas que encontramos. – Edmundo continuou.
— Aslam trouxe essa deliciosa comida. – Jill disse.
— Mas eu... Não entendo. Vocês disseram que não sabiam que eu voltaria. – disse Susana.
— Nós não sabíamos, Susana. Mas Aslam sabia. – Digory respondeu.
— Fazemos festa porque alguém se reconciliar assim com Nárnia definitivamente merece uma. Certo, Aslam? – Polly perguntou.
— Sim. – Aslam disse com um sorriso em seus olhos.
Susana foi abraçada pela família, inclusive os pais. Depois de receber boas vindas de todos os outros, ela finalmente abraçou o leão.
— Muito obrigada, Aslam. Por tudo. – ela agradeceu afastando-se e juntando-se a sua família e amigos novamente. – Nunca conheci um leão como você.
— Leão? – Edmundo perguntou.
— Que leão? – Pedro perguntou em seguida. – Ah...
Aslam de repente começou a mudar de forma. A cada instante ele parecia muito menos com um leão... Uma luz que poderia encher toda a terra brilhou. E a partir daqui as coisas ficaram além do que as palavras podem expressar.
E depois? Bem, o resto você saberá se for para a verdadeira Nárnia também. Basta dizer que Susana nunca mais teve que se importar com coisas frívolas lhe afastando de quem realmente era. Ela viveu eternamente com seus irmãos, família e amigos. Muito mais do que podemos pedir ou sonhar. Ela voltara a ser de fato Susana de Nárnia.
Uma vez rei ou rainha de Nárnia, sempre rei ou rainha...
Aslam
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