Susan of Narnia

2 Lábios Vermelhos


Notas iniciais
Susana está prestes a ter outros encontros com Nárnia. Ela ainda não percebeu, mas alguém está tentando falar com ela. Boa leitura!

Quando Dick voltou de viagem Susana já havia se forçado a deixar Nárnia de lado. Afinal, era bobagem. Ela sabia que se insistisse naquilo ficaria mal como quando o acidente aconteceu.

Dick era um menino da vida, assim Susana o classificava. Ele gostava de belas garotas, bebidas fortes e festas quando conheceu Susana. Na verdade, ele a conheceu numa festa. A anfitriã era colega de faculdade de Susana e conhecida de Dick.

Os dois conversaram boa parte da festa. Ela estava com seu batom favorito, num tom intenso de vermelho. Dick mais tarde admitiu gostar muito quando Susana usava batom, tirando o fato de ela recusar beijos para não borrar a maquiagem. Porém além de ser um menino da vida Dick também era um tanto mimado e mimava Susana. Eles comiam em restaurantes caros, ele comprava roupas ainda mais caras para ela e sempre atendia aos caprichos da noiva imediatamente.

Quando Susana entrou em depressão ele tentou ajudá-la da mesma forma de antes: presentes. Mas não adiantou, Susana se afastou dele e o namoro terminou.

Três meses depois ela começou a se esforçar para esquecer tudo e melhorou. Arranjou um emprego, mudou de endereço e começou a ir a festas de novo. Dick a viu na rua e então resolveu tentar mais uma vez.

— Richard & Susana. – Dick leu com sua voz masculina. – O que você acha, baby?

— Acho que meu nome ficaria melhor no começo. – Susana admitiu.

Dick, Susana, Gertrude e Ethel encontravam-se no restaurante do hotel Park Lane Sheraton. Era um ambiente glamoroso com um teto altíssimo, um lustre brilhante enorme e decoração de muito bom gosto. Lá eles estavam tendo uma reunião com uma das melhores planejadoras de casamento do Reino Unido.

Susana fumava um cigarro caro, exalando a fumaça de maneira elegante. Gertrude e Dick haviam terminado os seus há pouco tempo. Uma servente vinha empurrando um belo carrinho com chá que seria servido naquele momento. As xícaras e o bule eram extremamente bonitos, com detalhes de flores em alto relevo.

— E que tal se o fundo for casca de ovo? – Gertrude sugeriu.

— Ficará divino. Com detalhes prateados na borda. – Susana sugeriu.

— O que você quiser, baby. – Dick beijou a mão de Susana.

— Ok, mudaremos então para casca de ovo com detalhes prateados nas bordas. – a planejadora anotou com suas enormes unhas.

— Casca de ovo? Mas já é branco. – disse Ethel.

— Ah, quem diria que eu teria uma filha tão sem gosto. Ele está em branco horizonte. – Gertrude acendeu um novo cigarro.

— Richard, o que você acha? – Ethel perguntou.

— Desde que seja de bom gosto não interessa muito se for casca de ovo ou horizonte. – ele admitiu.

Ethel desistiu de falar. Sabia que ela não realmente entendia nada do que se passava ali.

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Mais tarde, no mesmo dia, todos já estavam em carros da família indo para a casa de inverno da família Showell. A casa era, na verdade, uma mansão antiga herdada pela família do pai de Dick. Lá eram sediados muitos eventos beneficentes importantes da Inglaterra. O mais próximo era o de Natal que aconteceria naquela mesma noite.

Foi uma viagem de carro um pouco cansativa. Três horas, sem nenhuma parada. A longa e reta estrada tinha somente vegetação ao redor. A maioria debaixo de um cobertor de neve que só aumentava. A neve insistia em lembrar Susana de Nárnia. E ela insistia em deixar aquilo de lado.

Quando finalmente chegaram à casa de inverno Susana agradeceu a Deus. Só a ideia de parar de ver toda aquela neve lhe aliviava.

Dick segurava sua mão enquanto eles caminhavam do jardim até a porta. Alguns empregados foram tirar as malas dos carros. Uma vez dentro da casa ele disse que precisava fazer uma ligação, Gertrude aproveitou para trocar de roupa e Ethel foi para o escritório ler algo. Susana ficou sozinha, o que ela odiava.

Perambulando pela casa ela viu uma linda pintura de uma paisagem. Era uma floresta linda e colorida. Cheia de vida. Também causava a mesma sensação que a neve: familiar, mas distante.

— Nárnia... – ela sussurrou.

O quadro parecia ir ganhando vida, parecia mais próximo, mais real. Susana inclinou-se para tocá-lo e quando estava prestes a tocar com a ponta do dedo ouviu Dick falar com ela.

Baby, você pode ir se arrumando. – ele olhou seu relógio de pulso. – Faltam apenas duas horas para a festa. Eu vou ter que ver umas coisas com o meu pai. Você ficará bem sozinha?

— Claro que sim, Dick. – ela o deixou beijar os seus lábios.

— Use seu batom vermelho, você fica uma boneca com ele. – Dick disse segurando o queixo dela com uma das mãos e depois saindo.

Algumas empregadas passaram por Susana com vários doces. Uma estava a limpar o cômodo em que ela se encontrava. Duas distantes carregavam talheres.

Susana sorriu. Uma festa estava prestes a acontecer. Finalmente algo em que ela não era somente boa, mas também algo que lhe ajudaria a esquecer as bobagens de sua infância.

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"Ela é mesmo uma beleza."

"Você viu aqueles lindos lábios?"

"O sorriso mais bonito que já vi."

"É tão inteligente e tem um corpo muito bom."

"Richard Showell, seu sortudo sem vergonha, conseguiu a mulher mais bonita da Inglaterra."

Comentários como esses, muitos vindos de membros do parlamento ou pessoas importantes, deixaram a noite de Susana ainda mais prazerosa.

— Nunca vi você sorrir tanto assim, baby. – Dick disse para Susana quando subiam as escadas para os quartos.

O evento passou rápido para Susana, já que socializar era algo que ela fazia bem e lhe divertia. E Nárnia simplesmente deixou de existir. Todos olhavam para Susana que usava um lindo vestido branco e lábios vermelhos.

— Eu sorri muito? – ela ficou preocupada.

— Não está pensando em rugas de novo, certo? Você tem apenas 23 anos, baby. Não há real motivo para pensar nisso.

— Claro, claro. – ela sorriu brevemente e ele beijou as costas da mão de sua noiva.

No final do evento Susana foi para o quarto que haviam lhe cedido. Ela se trocou e tirou a maquiagem, olhando-se no espelho como sempre, inspecionando sua pele. Nenhuma ruga pensou aliviada.

O sonho daquela noite foi um tanto diferente. Ela conversava com um garoto jovem, de cabelos castanhos até os ombros. Ele com uma besta, ela com um arco e flecha. Ele falava para ela o quanto ele estava feliz por seus irmãos e ela estarem ajudando. Susana então admitiu estar feliz por ele estar lá e ele concordou sorrindo. Era como se os dois se conhecessem. Como se gostassem um do outro.

Num susto Susana acordou no meio da noite. O relógio na parede indicava que ainda eram duas da manhã. Ela havia dormido pouco mais de uma hora. E o sonho era tão... Distante e diferente. Quem era aquele jovem ao qual ela se sentia tão conectada? Quem era o dono do nome...? O nome que ela não conseguia se lembrar. Nada vinha a sua mente, além do fato dele estar conectado a Nárnia.

Se virando na cama ela voltou a dormir, estressada e cansada por estar ficando cada vez mais perturbada.

—-

No dia seguinte Susana colocava maquiagem logo depois de um banho. Eles voltariam para Londres e ela teria uma festa em seguida. Precisava estar arrumada. O último toque foi o batom vermelho, que ela tinha como marca registrada agora.

— Baby? – Dick a chamou do corredor.

— Sim?

Falta muito?

— Por acaso você esqueceu que nós vamos à festa da Becky quando voltarmos para Londres? Eu tenho que estar apresentável, Dick.

O que você quiser, baby.

Susana fez uma careta. Às vezes ficava claro que Richard não estava a ouvindo, só dizia "o que você quiser" como uma forma de fazê-la calar a boca.

Passado o perfume, já vestida e com suas coisas guardadas, Susana finalmente deixou seu quarto, com Dick ali fora a aguardando. Ele pegou sua mala e desceu com ela.

— Ah, querida Susana. – Gertrude já estava ao lado da porta. – Vamos marcar de tomar chá assim que você tiver tempo. Temos muito que decidir para o casamento.

— Mas é claro! – Susana abraçou a futura sogra.

— Richard, cuide bem da minha mais nova filha.

— Gertie, deixe os meninos irem. – Bob reclamou.

Notas finais
Mais uma vez, gostaria muito de saber sua opinião sobre o que leu até agora. Por favor, deixe um comentário!