Survivor

21 Capítulo 21


"E ficarei acordada durante a noite, sejamos honestos, não fecharei meus olhos. E sei que posso sobreviver, vou andar através fogo para salvar minha vida, eu quero isso, quero muito a minha vida. Estou fazendo tudo que posso e então mais um vai ao chão." Elastic Heart

"Afonso você precisa ter calma, não podemos agir por impulso." Virgílio tentou acalmar o rei. Mas Afonso estava irado, virou em direção ao seu conselheiro o agarrando pelo pescoço empurrando seu corpo até a parede para assim aumentar o aperto. "Impulso? ELE SEQUESTROU CATARINA!" gritou, Rodolfo correu e puxou o braço do irmão, livrando o homem do aperto, que apenas tossiu tentando puxar o ar.

"Você está louco? Quer mesmo matar seu conselheiro?" Rodolfo perguntou com fúria. Todos os homens daquela sala estavam com humores alterados. Afonso fechou os olhos, tomando uma longa respiração. Para depois olhar seu fiel conselheiro.

"Você está bem?" Perguntou por fim, o homem apenas assentiu com a cabeça. Estavam certos, ele não podia agir pela emoção, e sim como estrategista, algo importante estava faltando.

"Otávio não se arriscaria a sequestrar a rainha sem estar com o exército todo reunido, e temos homens vigiando Lastrilha." Delano falou.

"Você disse que viu uma floresta correto?" Afonso perguntou de Brice, que estava sentada no canto da sala de reuniões.

"Sim, uma floresta de pinheiros." Ela falou cansada.

"Droga, Afonso eles estão em Correrrio! É o único castelo que fica ao lado de uma floresta de pinheiros" Rodolfo falou andando até o mapa e apontando para o local.

"Aquele bastardo deveria saber que estávamos o vigiando." O rei de Montemor falou tomando a postura necessária para aquele momento. "Virgílio, mande cartas para todos os reinos aliados, precisamos reunir todos os exércitos agora, mande soldados até Correrrio, para avaliarem o local. Precisamos antecipar seu próximo passo." Com isso o conselheiro saiu da sala.

"Uma coisa ainda não bate, como tiraram ela do castelo sem que ninguém visse? Já que o castelo está reforçado." Brice falou levantando-se, estava desesperada.

"Apenas alguém que conhece bem o castelo poderia fazer isso, tem algumas entradas secretas, para que sejam usadas em emergências, como uma possível invasão. Ela sai direto na floresta. Mas quase ninguém sabe disso." Afonso falou.

"Amália conhece essas saídas." Rodolfo lembrou o irmão.

Os olhos de Brice ficaram tempestuosos, e a janela de vidro atrás dela quebrou.

"Eu mesma vou matá-la." Ela falou.

"Então terá que entrar na fila." O rei de Montemor falou sombrio. Entretanto os irmãos ainda estavam assustados pelo súbito ataque de raiva dela. Tentando imaginar qual seria toda a extensão de seu poder.

"Você consegue ir até o quarto dela fisicamente? Da mesma maneira que fez para entrar no castelo?" Afonso perguntou olhando sério para ela. Brice balançou a cabeça frustrada.

"Não é assim que funciona, eu tenho que ter ido pessoalmente ao local pelo menos uma vez, não posso fazer viagens pelas sombras sem nunca ter estado lá, e isso suga muito da minha energia, quanto mais longe o local mais cansada irei ficar" Ela explicou para os irmãos.

"Tudo bem, vamos trabalhar com o que temos. Sabemos onde eles estão. Mas porque Correrrio? Para um ataque a Montemor o reino ideal seria ao de Jardim de Cima, que entre os reinos do Oeste é o mais próximo daqui" Rodolfo falou analisando o mapa.

"Não é Montemor o alvo dele. É Artena." Afonso disse apontando para o mesmo mapa. Era apenas três dias de viagem, para ele levar todo um exercito até aquelas terras. "Seu objetivo sempre foi ter Artena e Catarina."

Ouviram ao longe o som que anunciava a chegada de algum rei. "Brice, é melhor que ninguém saiba que você é uma bruxa." Rodolfo falou segurando no braço da mulher. "Partiremos para Artena assim que o sol raiar e todos os reis e regentes estiverem aqui. Você pode nos encontrar lá?"

"Estarei descansando no mesmo quarto que fiquei na minha última estadia no castelo." Ela falou para os irmãos então fechou seus olhos enquanto as palavras fluíam de sua boca. "suscipe me in arce". Os homens olharam quando um vento forte rodou o corpo da mulher e ela foi puxada pela escuridão.

"Essa mulher me assusta." Rodolfo sussurrou olhando para o local vazio a sua frente.

5 dias depois

O medo corta mais profundamente do que as espadas, dizia Catarina para si mesma, aquela era uma frase antiga que todo guerreiro aprendia em seu treinamento e ela acabou levando essa frase para sua vida, mas aquilo não fazia com que a sensação de temor desaparecesse. Fazia tanto parte de seus últimos dias como pão bolorento e as bolhas nos pés, depois de dois longos dias de caminhada pela estrada dura, já que não se dignaram nem de lhe dar um cavalo. Seus pés estavam cheios de bolhas, algumas tinham estourado, deixando ainda mais dolorosa a caminhada.

Antes de tudo isso ela achava que sabia o que era estar assustada, mas tinha aprendido melhor, em todas as noites que Otávio passava a mão por seu corpo, beijando-a contra sua vontade, desejando saber os planos de Montemor, o desespero tomava conta de si, sentia-se imunda e chorava suplicando a ajuda de Brice, demorava apenas alguns segundos e ele desmaiava ao seu lado, o alivio era apenas momentâneo pois quando o dia amanhecia e ele acordava irado ao perceber que tinha dormido novamente, seu corpo era duramente castigado. E o medo de que alguma dessas surras a fizesse perder seus filhos, bem, isso a apavorava mais que qualquer outra coisa. Ela nunca sentiu tanto medo em toda a sua vida.

"Diga pequena bruxa, diga o que você faz para que em um minuto eu esteja aqui para possuir seu corpo e no minuto seguinte estou acordando ao raiar do sol?" Otávio perguntou em mais uma manhã, franzindo a testa. "Mataria você, mas seria um grande desperdício, você é a herdeira legitima de Artena, e vários reinos são leais a sua coroa. Ainda não consegui usufruir do seu corpo maravilhoso, mas vou puni-la por isso, até que você pare de fazer essa maldita bruxaria. AIRES" Gritou pela brecha da tenda onde estavam, chamando seu escudeiro. Ela já sabia o que viria a seguir. "Bata nela." Catarina rezou enquanto o suor escorria por seu rosto e pela parte da frente do seu já surrado vestido.

"Não toque em seu rosto" Otávio ordenou. "Já basta esse corte em sua boca, e eu prefiro o rosto dela bonito."

Aires atirou um punho contra a barriga de Catarina, deixando-a sem ar. Quando se dobrou tentando de alguma maneira proteger seus filhos, o cavalheiro agarrou-a pelo cabelo e puxou a espada, e por um hediondo instante ela teve certeza que de que pretendia abrir sua garganta. Quando bateu com a parte lateral da lâmina nas suas coxas, pensou que suas pernas se quebrariam com a força do golpe. E gritou. Lágrimas cobriram seus olhos. Terminará em breve. Mas depressa perdeu a conta dos golpes.

"Basta" Catarina ouviu Otávio falar firme. "Agora diga-me querida Catarina, qual é a estratégia que Afonso planeja usar? Qual é o ponto fraco de Artena?" Falou apertando seu braço com força, mas Catarina apenas ergueu sua cabeça e logo em seguida cuspiu no rosto do homem a sua frente, hábito que tinha adquirido desde que foi sequestrada. "Pode fazer o que quiser comigo, me bata, deixe-me sem comida, me mate. Mas você nunca saberá de nenhuma dessas coisas. Posso dizer apenas uma coisa, Afonso lhe matará, e quando esse momento chegar eu irei sorrir para seu corpo no chão." Falou firme.

Otávio olhou para mulher, sabia que não adiantava insistir, a dias que tentava extrair qualquer informação que pudesse ser valiosa, mas ela nada disse até agora. Virou para seu escudeiro e ambos saíram da tenda que foi montada na noite anterior deixando Catarina sozinha, só assim ela cedeu. Fechou os olhos com forças, grossas lágrimas escorrendo. Brice por favor, não aguento mais.

"Meu senhor! Cat?" ouviu uma voz lhe chamar, mas não poderia ser verdade, ela não tinha como estar ali. "O que fizeram com você..." Ouviu a voz de sua amiga e uma mão tocar seu ombro. Lentamente levantou a cabeça, com medo de tudo não passar de sua imaginação. Mas ela estava na sua frente, com seu vestido roxo, o cordão no pescoço, seus olhos azuis pareciam cansados, ela tinha grandes olheiras. Mas era ela, Brice estava em sua tenda. Tentou dar alguns passo para se aproximar, mas suas pernas quase não aguentavam seu próprio peso.

"Brice" Ela falou em uma mistura de alegria e alivio. Sua amiga delicadamente a abraçou, ambas chorando. "Eu sinto tanto pelos últimos dias, não sabe como quis chegar até você antes, mas agora que vocês estão na estrada que leva a Artena consegui chegar até aqui. Me perdoe pela demora." Brice falou baixo em seu ouvido.

"Você tem como me tirar daqui?" Catarina perguntou com esperança depois de dias de sofrimento, mas o olhar de sua amiga respondia à pergunta. "Não tenho como lhe levar pelas sombras, e não estou forte o suficiente para enfrentar todo esse exército. Mas posso aliviar suas dores, e ver como seus filhos estão."

"Isso basta por hora." Só o fato de não sentir mais as dores era o suficiente, sabia que depois desses dias sua perna devia estar em carne viva. "Não posso cura-la por completo, eles saberiam que algo aconteceu e isso pode apenas piorar a sua situação. Então vamos começar por seus filhos." Sua amiga falou e colocou a mão em sua barriga, respirou fundo se concentrando e deixou a magia agir. Catarina sentiu quando uma pequena felicidade envolveu seu corpo, no começo concentrada apenas em sua barriga, e foi apenas isso que sentiu por um tempo, até que a cura começou a passar por todo seu corpo. Sentiu um alivio imediato em suas pernas, como se tivessem colocado algum emplastro refrescante, seus pés foram totalmente curados. Sentia-se bem melhor, mas o mesmo não podia se dizer de Brice, pois a mesma quase desmaiou antes de terminar o processo. Catarina a amparou apavorada.

"Brice, por favor. Chega, você precisa descansar." Falou guiando a amiga até a cama improvisada da tenda. "Eu me sinto bem melhor, obrigada." E ofereceu um pouco de água para a mesma, ver se assim a cor de seu rosto voltava ao normal.

"Seus filhos, Catarina." Ela falou fraca, e apenas com essa frase foi a vez de Catarina fraquejar, lágrimas encheram seus olhos. "Calma, eu consegui salva-los, mas isso custou muito de mim, não consigo cura-la mais que isso e ter energia para ir embora." Falou se desculpando. Um alivio invadiu o corpo da rainha, o que mais lhe importava era seus filhos. Eles estavam bem, seus pés estavam sem as bolhas e suas pernas não ardiam mais, nunca esteve tão bem em dias.

"Temos um plano de resgate, a noite vocês chegaram no território de Artena, e na manhã seguinte quando a guerra enfim começar Rodolfo com alguns soldados farão seu resgate. Aguente apenas mais um dia." Brice falou cansada, ela ainda estava pálida, alguns fios de seu cabelo estavam brancos e Catarina temia que ela fosse desmaiar a qualquer momento.

"Brice, a guerra já chegou a Artena, a cavalaria foi mandada na frente. Metade do exercito do Otávio foi para conquistar o vale de Laios. É lá que o acampamento será montado. Todos esses homens que você está vendo, é apenas metade do exército que aquele crápula conseguiu" Catarina falou preocupada. Brice encarou sua amiga por um tempo, processando toda a situação e entendendo a gravidade da mesma, eles não estavam esperando por um ataque surpresa.

Elas ouviram um barulho perto da tenda e logo em seguida Otávio entrou olhando ao redor. "Com quem você está falando Catarina?" Ela olhou para onde sua amiga estava e percebeu que estava sozinha de novo, Brice tinha partido.

Notas finais
Hello Lattle Candies, preciso da ajuda de você para uma coisa. Quem nasceu em Artena chamo de artenianos, mas quem nasce em Montemor e em Alfambres é o que? Idéias please. Estou escrevendo a próxima estória. (finalizei essa, e no último capítulo dela, posto o primeiro da próxima) mas precisa de uma ideia, só veio nomes ridículos na minha cabeça. HAHAHA Agora sobre o capítulo, as coisas não estão sendo algo fácil, e Otávio mais um vez está tomando o controle da situação.... Nossa Cat sofrendo. Dói, eu sei.