Survivor
22 Capítulo 22
“Em primeiro lugar vou dizer tudo que estou pensando: Estou irritado e cansado do jeito como as coisas têm sido, oh-ooh. O jeito como as coisas têm sido, oh-ooh. Em segundo lugar não me diga o que você acha que eu poderia ser...” Believer
Castelo de Artena
Afonso estava sentando em seu quarto, no castelo de Artena. Tudo estava preparado para a guerra que iria se iniciar no dia seguinte, quando uma pequena escuridão apareceu e Brice saiu de dentro dela caindo no chão.
“Maldição! O que aconteceu?” Ele perguntou amparando a mulher. Ela estava com uma aparência horrível. Devia estar usando muito de sua magia para estar daquele jeito.
“Eu consegui ir até Catarina.” Ela sussurrou, quando Afonso a deitou na cama. “Consegui ajuda-la, curei a maior parte de seus machucados.”
“Catarina? Você foi até Catarina pessoalmente?” O rei perguntou, esperança e medo em sua voz. “Como ela, Brice, como Catarina está?” Ele perguntou angustiado. Ela tocou seu braço, fraca demais para levantar-se.
“Eles estão aqui Afonso.” O rei a olhou sem entender, franzindo a testa. “Quem Brice, quem está aqui?”
Foi quando ouviram o som do sino tocando nos muros do castelo. Aquele era o aviso de que o exército inimigo estava à vista, mas eles deveriam chegar somente de noite. “Como?” Ele perguntou olhando pela janela.
“A cavalaria, eles mandaram a metade do exercito na frente. Vão tomar o vale de Laios e montar o acampamento lá!” Falou por fim. Afonso sabia que uma parte de seus homens estavam no vale, fincando estacas afiadas no chão para dificultar a chegada do inimigo, tinham aldeões que estavam ajudando no processo, mas a grande maioria deles não estavam armados. Seria uma chacina.
“Mandarei que Lucíola venha aqui, e lhe prepare algo. Você parece estar a ponto de desmaiar. Apenas me diga. Catarina está bem?” perguntou aflito.
“Eu curei a maior parte de seus machucados, mas Otávio está pegando pesado com ela, precisamos resgata-la o mais rápido possível.”
“Aquele bêbado infeliz, eu vou cravar minha espada em seu peito, e vê-lo agonizar até morrer, e nem isso será suficiente para que ele pague por tudo o que está fazendo a minha mulher.” Afonso falou pegando sua armadura e vestindo. “Nos vamos resgata-la, no primeiro dia da batalha, Rodolfo vai liderar o grupo de resgate. Amanhã ela estará conosco!” Falou convicto, aquele plano não podia falhar, eles não teriam outra chance tão boa assim.
“Fique deitada, Lucíola virá lhe ajudar.” Falou já saindo do quarto.
XXX
Todos na cidade estavam ajudando de alguma forma, adultos e crianças trabalhavam na confecção de espadas, mulheres estavam nos campos recolhendo comida para abastecer a cidade. Soldados de todos os reinos andavam pelos ruas do castelo, ocupados em alguma coisa. Até que o som do sino ecoou por todo o lugar, todos pararam o que estavam fazendo e quando o sino voltou a tocar, eles sabiam o que era.
O exército inimigo estava à vista.
Uma grande agitação deu-se início, os cidadãos que estavam fora dos portões correram para dentro do reino, mães carregavam seus filhos nos braços, tomadas pelo medo. No vale de Laios os aldeões foram mandados em direção ao castelos, os soldados que não estavam devidamente armados também correram. Apenas alguns arqueiros e soldados ficaram e logo avistando a poeira se levantar. Eles ainda estavam longe, mas os cavalos logo chegariam, e mesmo a distância eles sabiam, estavam em grande desvantagem.
Dentro do arsenal de armas todos entravam e saiam de forma rápida, pegando sua espada, escudo e armadura. Alguns dos generais já estavam ali, organizando a situação. Afonso entrou e foi direto a um dos general, “Petcro, a cavalaria está pronta?” o homem entregou uma lança a um dos soldados que entrava antes de responder. “Eles já estão se colocando nos portões da cidade senhor.”
“Ótimo, estou indo para lá.” Procurou um dos generais principais e o encontrou armando os soldados que entravam. “Elissan, e o nosso exército?” o homem desceu alguns degraus, ele já trajava sua armadura completa.
“Alguns ainda estão voltando do campo, precisamos arma-los e dividi-los entre os oficiais.” O rei o cortou impaciente. “Quanto tempo?” o homem ponderou por alguns segundos antes de responder. “Meio-dia”
“Quero mais cedo!” Deu a ordem e continuou a caminhar, mas parou depois de dois passos “Elissan, eu quero patrulhas vasculhando a cidade. Quero cada casa em Artena vistoriada. Todos os artenianos devem ser trazidos para dentro das muralhas. Se não puderam andar os carreguem!” O general concordou e seguiu para o meio dos soldados que estavam ali dentro se equipado.
Do lado de fora dos muros de Artena os soldados da cavalaria começaram a se colocar em fila, com suas laças em mãos, espadas na cintura e seus escudos nas contas. Afonso e Rodolfo se colocaram em frente aqueles homens que já estavam prontos, não tinham tempo a perder.
“Guerreiros, toda a minha vida vivi sob um código: Defender minha mulher e o meu país acima de qualquer coisa! Eles sequestraram a rainha e agora querem invadir nossas terras. Não vamos permitir que isso aconteça. Lutem por seus reinos, lutem por suas vidas, lutem pela vida da rainha Catarina!” Afonso gritou, todos os guerreiros levantam suas lanças gritando em apoio e guiados pelo rei e seu irmão saíram em direção ao vale de Laios, para ajudar seus irmãos que já estavam ali.
No vale os arqueiros estavam em suas posições, e quando os soldados ficaram ao alcance de suas flechas, começaram a disparar de forma sincronizada derrubando dezenas de uma única vez, entretanto eles não eram suficientes para parar o inimigos, apenas atrasa-los. Os que conseguiram avançar assim mesmo, ficaram ao alcance das lanças de Artena. Os guerreiros não perderam tempo e começaram a lançar as mesmas, derrubando mais alguns homens, até que a lutar física chegou.
Os homens lutavam bravamente defendendo as terras de Artena, mas eram muitos os seus inimigos, mesmo matando uma dúzia deles, muitos outros ainda estavam chegando, usando flechas, ou descendo de seus cavalos avançando pelo vale, fazendo os soldados de Artena recuar aos poucos.
Quando Afonso chegou, seus homens que estavam ali, tinham sido praticamente dizimados, diversos corpos estavam espalhados pelo local, avaliou a situação de forma rápida e percebeu que estavam em uma desvantagens de pelo menos um homem dele para quinze do exército inimigo, o que não fez com que recuasse. Precisava salvar pelo menos os que ainda resistiam bravamente. Avançou direto para o exercito de Otávio, ceifando várias vidas no processo, até que seu cavalo foi atingindo e seu corpo foi jogado no chão, um soldado avançou em sua direção, mas com um chute o jogou para trás onde estava uma estaca fincada no chão, atravessando o mesmo. Cortou a perna do outro que se aproximava, para enfim conseguir se levantar e corta a garganta de outro que estava a sua frente, e assim seguiu, com golpes firmes e precisos. Adrenalina passando por seu corpo, ele claramente era o melhor guerreiro ali, tinha nascido para aquilo, mas nem mesmo isso seria suficiente. Já tinha matado uma dezena de homens quando Rodolfo aproximou-se montado em um cavalo e segurando outro ao seu lado.
“Afonso, precisamos bater em retirada, não podemos perder mais homens.” Ele atacou mais um homem que se aproximava e rapidamente subiu no cavalo, tendo assim uma visão geral da situação. Se continuassem ali, mais de seus homens morreriam.
“BATER EM RETIRADA!” Gritou, passando por onde seus homens estavam, e seguiu gritando a mesma ordem, até que tivesse certeza que todos tinham ouvido. Aos poucos eles conseguiram recuar, até que enfim saíram do vale em segurança, rumo aos muros de Artena.
“Otávio mais uma vez foi mais rápido!” Afonso falou ao lado do irmão, enquanto ainda cavalgavam. “Perdemos um ponto estratégico, fora nossos homens que morreram antes mesmo de a guerra começar” Ele estava irado, pela segunda vez seu inimigo mexeu as peças e saiu ganhando.
“O rei de Lastrilha não é um inimigo que podemos subestimar, ele vem se preparando a anos para isso. Perdemos o vale de Laios hoje, mas venceremos essa guerra Afonso, disso não tenho dúvidas.” Rodolfo falou de forma feroz e avançou em direção aos portões do reino.
Afonso estava furioso, ele tinha perdido mais de cem de bons guerreiros seus em uma embocada em seu próprio território. Tivera que fazer uma última reunião de emergência, até que enfim todos se recolheram, afinal precisavam descansar. Otávio tinha se instalado no Vale de Laios e no dia seguinte a guerra que tanto ansiou daria início, mas as coisas não estavam como ele desejava. Otávio era o melhor adversário que já enfrentou, e se isso não fosse bastante ele estava com Catarina.
Catarina estava tão perto, mas ao mesmo tempo estava tão longe. Ele não podia entrar em uma guerra distraído, então estava depositando toda a sua confiança em seu irmão, Delano e os guerreiros que foram selecionados a dedo para resgatar sua esposa. Tinha que ter completa certeza que eles iriam conseguir, só assim conseguiria se concentrar na batalha.
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