Surtos Da Meia-noite
2 Capítulo 2 - Torno-me uma vítima.
Notas iniciais
Eu ainda tinha a certa impressão de alguma coisa que Bridget me escondia, sei que fantasmas não são seres que gostam de conversar, ou algo do tipo. Mas, eu sabia, que de alguma maneira, que não eram só os fantasmas. Sabia, que em
vários locais por essa cidades haveriam seus males. Acordo, mais ou menos meia-noite, e vou dando alguns poucos e míseros passos. Bridget está parada à frente de meu quarto, talvez meu quarto fosse o dela em sua vida. Por que, pelo o que vi em sua morte, tinha uma decoração tão simples quanto suas roupas.
Eu estava com meu pijama mais confortável, era de seda rosa, uma pantufa com alguns ponpons bem peludos em suas pontas, usava também uma máscara de dormir beje que combinava com o tom claro da seda. Meu cabelo estava preso
em uma trança espinha-de-peixe, mas do modo em que eu dormi, simplesmente teria deixado meu cabelo completamente amarrotado. Fiquei à frente do fantasma, e tentei cutucá-la, mas antes disso me lembrei de que atravessaria, apenas. Ela virou-se rapidamente, parecia mais assustada, mas nervosa, ela rangia seus dentes, de seus olhos saia sangue que pingava no chão e em alguns segundos desaparecia instantaneamente. Da sua boca, nariz e orelha também começou à sair sangue, além de que sua cabeça estava se movimentando, e quase caindo. Seu pescoço até seu vestido estava completamente cheio de sangue... A imagem me assustava. De repente, seu corpo foi sugado até a parede, e pareceram um tipo de corda bem grossa que se entrelaçou à seu corpo, prendendo-na, mas o detalhe mais estrado era que, a corda era também como o seu corpo, meio transparente, parecendo um tipo de fantasma.
Observei o primeiro andar, e vi novamente o homem que havia lhe matado (SUA — Spirit Undetermined Assassin). Ele corria para os lados, e o que eu vi: foi a caixa em seus braços. Forcei minha visão para ver o que ele tentava fazer, mas daí percebi que ele subia as escadas. Ele chegou à minha frente, seus olhos que mal pude ver, que estavam por de baixo de seus cabelos amarelo-areia e seu chapéu-coco preto.
Achei que os dois tinham algum tipo de pacto, ou ele fosse um ser muito perigoso, que quando sua vitima chegasse muito perto dele, digo à alguns metros, daria algum tipo de agressão física não muito boa. Bridget estava ficando com sua pele pálida, cada vez mais vermelha, parecia que sua cabeça iria explodir, mas só saia mais e mais sangues das várias aberturas de sua face. Logo, abriu-se ferimentos um tanto graves em seu rosto, e começou à aparecer seus ossos e músculos, e à cada minuto que se passava me deixa com mais nojo.
O homem que subia as escadas, agora estava ao meu lado. Fez me ser jogada contra a parede mais longe da casa, e fez um grande estrondo. Minha mãe, havia acordado e estava correndo para a porta de seu quarto, mas na hora que ela está quase saindo, a porta fecha e se tranca rapidamente. Eu era uma refém. Estava sem saída. Tinha duas opções: Morrer ou me suicidar. Ouvi um barulho de uma janela se batendo, alguma coisa estava acontecendo, e eu não queria saber, porque coisa boa não era. Aliás, estava caindo uma tempestade, e se algo mexia na janela era apenas o vento, eu não tinha o porquê de temer, não seria nada, mas se fosse algo... eu estava completamente ferrada.Um trovão abateu minha casa, me deu um pouco de susto, e deixou o clima um pouco mais soturno do que já estava. Virei minha cabeça bem devagar, desviando meu olhar do homem, e vi uma janela do andar de baixo. Na hora que meu olhar penetrou nela, ela simplesmente quebrou em milhares de pedaços.
A estranha criatura do chapéu-coco tinha o estranho desejo de virar meu rosto, mas eu insisti em virar para o lado oposto, mas agora, eu estava começando à sentir dores cervicais, e eu teria de virar, ou se não meu pescoço poderia quebrar-
se por causa da pressão que eu mesma estava fazendo. Virei-me, e quase vi seus olhos. Não queria olhar à sua face. Fechei então meus olhos e comecei à me mexer, fazer escândalo, até que uma corda envolveu-se em meu corpo e fiquei
presa à parede, assim como Bridget. Agora, eu só poderia rezar para que ele não me fizesse ter hemorragias. Continuei de olhos fechados, tentei locomover minhas mãos para tentar fazer uma oração simples, mas não deu. Ouvi passos, sabia
o que o homem/monstro havia se afastado de mim, e eu teria que descobrir um modo de sair dessa corda. Passou-se alguns segundos até que ouvi um grito aterrorizado de meu pai no quarto ao lado da parte do corredor em que eu estava. Me mexi com toda força, e a corda arrebentou. Cai de cara com o chão, e meu nariz simplesmente doeu para caramba. Levantei-me, e abri meu olho devagar, observei a porta ao meu lado, e estava trancada. Comecei à bater de maneira forte para que despencasse, mas não houve sinal algum. Andei para trás, e depois peguei impulso, e corri batendo meu ombro de modo lateral na porta, porém não houve resultado, por fim, continuei com esse movimento várias e várias vezes, até que a porta caísse.
Quando tudo havia dado certo, a porta já havia sido derrubada, adentrei dentro do quarto, e apenas vi meu pai acordado, um tanto assustado. A janela do quarto estava aberta, e as cortinas voavam para dentro, assemelhando-se com aqueles filmes de terror. O assoalho de madeira estava começando à se encharcar de tanta água que caia da chuva incontrolável que despencava do lado de fora. Quase tudo estava molhado por ali, o que deixava o clima um pouco mais medonho. Observei meu pai, eu também estava assustada, porém não iria chorar, eu tinha que ser forte, não poderia demonstrar o quanto eu era fraca.
Havia dito para que meu pai permanecesse ali, só que ele precisava ficar quieto, não poderia se movimentar, respirar alto ou falar alguma coisa. Logo depois, corri imediatamente para o corredor, e o aspecto que a Bridget estava me deixou completamente assustada: Ela permanecia toda machucada e amarrada, e isso significava que o homem ainda estava ali. Corri até a grade de proteção e observei atentamente o andar térreo, mas simplesmente eu não vi nada. E de repente senti um calor atrás de mim, então eu virei-me rapidamente para observar, mas vi apenas um vulto preto, que logo me empurrou do andar, confesso que quase morri, mas por sorte eu segurei-me na grade de proteção, e percebi que quem estava ali, era o homem do chapéu-coco.
Agora, eu comecei à sentir falta de minha mãe, que primeiramente não estava no quarto dela junto à meu pai, que havia desaparecido quando ela ia me salvar no começo de tudo, quando a porta fechou-se algo havia acontecido com ela. Isso deixava o clima mais misterioso, e me deixava com medo do homem que talvez matou Isobel (minha mãe). Rangi de tanta raiva, mas me lembrei que se eu me movimentasse eu simplesmente cairia para a morte. Do nada, a porta do andar de baixo se abre, e de lá entra uma mulher completamente ensopada, era minha mãe. Ela me viu aqui em cima, viu meu estado, que estava completamente pendurada por alguns dedos, e o homem que tentava me derrubar. Eu apenas me perguntava se ela sabia da existência dele, sabia que ele tentava me matar, ele quem havia matado minha tia. Talvez sim, se era ela, a única pessoa que acreditava na morte de minha tia, mas, tinha que me lembrar que quando Bridget morreu, estava apenas ela em sua casa, sozinha.
Minha mãe correu para a cozinha, o homem do chapéu apenas começou à rir, e dizer coisas como: Como um ser humano pode ser tão covarde como esta? — Eu simplesmente fiquei com muita raiva, mas muita mesmo, que eu cheguei à fuzilar o olhar. O homem então, começou à bater seu punho em cima de meus dedos, e me fazia soltá-los toda hora, e me sentia cada vez mais insegura, e pensando que hoje era minha morte. Havia até feito um depoimento para eu falar quando eu morresse, para ficar comigo para sempre. Talvez, eu aparecesse para algumas pessoas, e declarasse meus sentimentos, ou fizesse emboscadas para pessoas que eu não gostasse, só sei que eu seria um daqueles fantasmas mais comuns: brincalhões, aterrorizadores e travessos. Quem sabe hoje não fosse o última dia de minha vida? Eu tinha que aproveitar de alguma maneira. Mas como? Não tenho como fazer nada, além de olhar para o andar inferior e pensar nas várias maneiras de como eu iria espatifar-me no chão, e virar omelete.
Mas, do nada, Isobel apareceu correndo de maneira rápida da cozinha até o andar que o homem estava, e que eu quase estava.... Quando a atenção do estranho espírito de chapéu-coco foi levada por minha mãe, eu comecei à me movimentar, colocando toda minha força em meus dedos, assim, levando-os para o lado da escada. Tentando chegar lá. Seria uma jornada difícil e dolorosa. Meus dedos ardiam, e eles iam passando à cada pedaço do corrimão da grade de proteção. Olhei para minha mãe, e para o fantasma, para perder meu medo de cair. Eles estavam brigando, de alguma maneira, minha mãe estava em desvantagem. Do nada, o homem havia perdido toda sua atenção, e seus pensamentos, para se concentrar apenas na luta, e desse modo, a dor de Bridget aliviou-se, e ela pode sair sobrevoando o andar. Eu estava quase perto do corrimão da escada, quando uma de minhas mãos escorregou da grade, e eu fiquei pendurada por apenas uma. Agora sim era um bom momento para rezar e pedir perdão à todos, e não podia me esquecer da minha frase de tensão ''adeus mundo cruel'', mas não, eu teria que ser positiva e não tanto pessimista quanto eu era.
Respirei bem fundo, e com toda minha força, fui levantando meu braço aos poucos, até eu encaixar os meus dedos novamente na grade. Suspirei, e logo coloquei uma de minhas mãos no corrimão de madeira, quando coloquei as duas juntas, eu forcei meus braços para deslizar até o andar de baixo sem cair. Minhas mãos foram deslizando, até chegar em um nível bom, onde eu conseguia colocar meus pés no chão. Confesso que agora minha mão estava completamente dolorida, eu estava soada, e mesmo assim não iria desistir. Caminhei pelos degraus sem cair, até chegar ao andar superior, onde avistei Bridget e Isobel dando vários golpes malucos no outro fantasma. Mas, a maioria que acertavam em cheio era da minha tia fantasma. Corri até ele, e me joguei em cima do corpo dele, mas nesse momento ele desapareceu, e reapareceu correndo no andar de baixo. Eu rangi de raiva, e comecei à correr pela escada. Mas, por fim, ele saiu de minha casa, e eu fui junto, mas quando eu sai, não havia mais nada. Ele desapareceu, como sempre. Observei Bridget e minha mãe.
— Ele se foi... — Eu disse comemorando internamente, mas com raiva.
— Sim, a porta é o limite. — Disse Bridget assentindo.
— Que diabos! Nunca ouvi falar sobre um fantasma tão covarde quanto esse. — Disse Isobel (minha mãe)
— Pois é... — Eu disse triste. E logo comecei à ficar tonta, e minhas dores musculares aumentaram...
— Mãe... Está doendo. — Eu disse com uma cara triste.
— Onde? — Ela perguntou.
— Tu-tudo.. — Eu disse.
Logo ela ficou completamente louca, e me carregou no carro. Tivemos uma despedida breve com a Bridget, e minha mãe levou-me para o hospital mais próximo. Precisava de explicações, as que eu não tive, e que precisava, sobre tudo, e sobre um pouco mais. Apesar disso, minha curiosidade estava indo-se embora, por que, de algum modo, eu estava morrendo de medo, de tudo, e talvez não precisasse ser de meu interesse, e eu não precisasse me esforçar, à não ser que eu queira quase morrer. Ah sim, prefiro me envolver.
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