Surtos Da Meia-noite
1 Capítulo 1 - Espírito de Bridget
Notas iniciais
Acordei cedo, comecei à escolher minha roupa. Confesso, que peguei várias e várias roupas, mas nenhuma ficava bem em mim, mas finalmente achei uma roupa decente: um vestido de rendas brancas meio beje, um casaco de couro marrom claro, uma bolsa meio rosada e uma sapatilha marrom. Hoje era segunda-feira do dia 22 de outubro, as aulas estavam quase acabando, se estendiam até o dia 1 de novembro, quando chegava perto do dia de ações de graças, e se estendia até o ano novo.
Fui diretamente para o banheiro, onde me observei no espelho enorme, e fiquei mexendo em meus cabelos ruivos, tentando ajeitá-los, mas desta vez estava completamente lisos, e caiam de forma perfeita sobre meu rosto. Os meus olhos castanhos-esverdeados cintilavam, meus lábios rosados mexiam-se para tentar fazer uma pose igual de modelo. Por fim, eu sussuro para mim mesma "Você está linda, Annie..." Então, dou um sorriso, e desço a escada, indo diretamente à cozinha. Percebo uma falta: Meus pais, cadê eles?
Abri a porta da casa, e observei que o carro deles ainda estava por ali, o que soava muito estanho, pois eles sempre iam aos locais de carros. Então virei-me para a porta novamente, para entrar, e dei de cara com ela fechada. Eu comecei à bater na porta com o punho, tentando empurrar, mas minha chave estava por dentro da casa, e não tinha como eu abrir. Comecei a gritar como uma louca "ABRE LOGO ESSA PORTA!", mas ninguém parecia me ouvir. Até que quando eu fui dar um soco, a porta simplesmente abriu e me fez cair. Ao eu andentrar novamente no local, tudo estava diferente... Parecia uma visão do passado, algo assim. Os móveis, na maioria eram de mogno, o corrimão estava completamente lixado, o sofá da sala era feito do couro mais legitimo, e pintado em uma coloração bordô. Então, eu observei a cozinha, e vi os armários mais bonitos e mais novos de madeiras pintados em uma cor beje. Mas, algo que realmente me assustou foi o sangue que havia na escada. O barulho que via do andar de cima. Dei passos leves no local, tentando não fazer barulho. Quando cheguei ao segundo nível, percebi que o rastro do sangue vinha de meu quarto, e lá encontrei uma mulher morta. Ela tinha cabelos loiros, olhos azuis-esverdeados, usava um vestido azul com um casaco grosso acizentado por cima, e um chapéu frances. O que realmente me assustou foi a separação que havia entre seu pescoço e seu corpo, havia sido devidamente dessepada. Então, eu empurrei a cabeça dela com meu pé, e então seu membro começou a rolar até parar fora de meu quarto preso na grade que divide o andar de baixo e de cima, a grade de segurança entre os andares. O sangue que havia entre seu corpo, era realmente enorme. Uma mulher havia morrido em meu quarto...De repente, eu sai correndo pela minha casa, e no andar térreo, encontrei a mesma mulher só que em uma cor azul meio transparente, com certeza a moça era um espírito. Seu pescoço estava em seu corpo, mas dava para ver um risco que dividia seus membros. O sangue ensopava sua roupa, e ela flutuava à minha frente com um olhar assustado. Os seus olhos estavam arregalados, com uma olheira funda. Sua boca estava um pouco aberta, de maneira que seus dentes aparecessem, e seus cabelos voavam junto ao ritmo do vento... Ela então apontou seu dedo para a escada, onde havia um homem segurando uma caixinha japonesa com desenhos antigos, e letras em grego antigo. Nada que eu pudesse identificar.
O homem então passou perto de mim e derrubou-me, tentando me matar. Eu então comecei à me arrastar para fora da casa, até que a porta se abriu junto à meu ritmo, e eu comecei à rolar por dois degraus, até a rua. Quando cheguei lá, eu bati no carro de meus pais. Agora tudo estava completamente confuso.Levantei-me com uma dor na costela, e corri para dentro de casa. Observei meus pais e disse:
— Mu-mu-ulher... quar-r-to... mor--r-rr-te! — Eu disse sem folego, mas os dois se olharam no mesmo momento, e pareciam esconder algo de mim.
Eu então olhei para eles por uma última vez, e fiquei tonta, até cair no chão e desmaiar. Em meu sonho, eu estava na rua de minha casa, aparecia minha mãe e uma outra mulher ao seu lado, só que era uma visão muito, muito antiga, só reconheci minha mãe quando pequena (10 anos) por causa das fotos preto-e-branco que ela havia guardado em um album de fotos cheio de mofo. Ela me fazia ver esse album uma vez por mes, para eu valorizar as coisas que eu tenho, porque na época dela não existia, mais um drama materno.
A minha mãe, sussurava para a outra menina. Então, eu olhei para meu lado, que sentia um calafrio, um bafo em meu pescoço, e vi o que não queria ver: o fantasma novamente. Tentei não me mover, mas não aguentei eu comecei à gritar, até eu acordar na cama de meus pais, me levantando rapidamente. Minha pele estava grudenta, talvez pela adrenalina do sonho havia suado. Levantei-me, então, sai correndo para fora de minha casa. Olhei para meu pai e disse:
— P-a-ai.. Ten-nho que sai-ir... — Disse ainda em estado de choque.
— Não.. Você tem que se recuperar... — Ele disse com grande quantidade de razão.
— Só me deixa uma vez escolher o que eu quero fazer.. — Eu disse, tentando convencê-lo, mas por fim ele concordou em me deixar ir.
Corri até fora de casa, e parei no ponto de onibus mais próximo. Com meu dinheiro ainda guardado em meu bolso, que talvez tenha sido de outro dia, eu entro no onibus, e dou cinco dólares ao homem, sem ao menos esperar o troco. Ele tenta me dar, mas eu nego, pois minha pressa é imensa, então apenas passo pela catraca e me sento em um banco almofadado, e fico um tanto inquieta. Uma idosa, usando aquelas roupas de veludo me observou, e percebeu que eu estava estranha, suada...
— Queridinha, quer um cházinho para acalmar? — Ela disse estendendo o braço
— Nã-não... obrigada. — Disse meio gaga.
O onibus então parou à frente de uma biblioteca antiga. Eu desci do ônibus rapidamente, entrando no local. Cheguei ao balcão, e perguntei onde ficava a sessão de lendas e contos. A mulher apontou para a parte mais escura do local, no corredor C4. Então eu fui andando confiante. Quando cheguei lá, observei a enorme pratileira. E achei "Lendas recentes: 1892 até 1999 — Winchester", então eu segurei o livro e levei para uma mesa qualquer. Observei no sumário "Capítulo 20: Almas — Página 1752". Mexi no livro, até achar, confesso que demorou um pouco. Quando abri o capitulo, li de forma rápida cada palavra, à procura de algo sobre a região de meu bairro, então achei algo parecido " Na rua St. Louis, acredita-se que na casa 2571 haja uma mulher, que talvez já morou ali, que fora assassinada de forma brutal. Um homem, até hoje não identificado por ninguém, colocaram o nome dele de "SUA" — Spirit Undetermined Assassin. Conta a lenda, que ele usava um chapeu preto e um terno, e seus cabelos cor de areia saiam levemente para fora. A mulher que morreu ali, não foi a única, mas foi a que morreu mais brutalmente, seu nome era Bridget Stafford" Meus olhos se arregalaram, ela era talvez uma parente minha, não sabia quem era, mas a visão antiga de minha mãe, estava claramente ela, e além do mais, Bridget morreu na minha casa. Aquela é ela.
Levantei-me da cadeira, e sai correndo para fora da biblioteca. A mulher do caixa tentou me convencer à pagar-lhe uma quantia por ler um livro daqueles. Eu sai andando pela calçada de maneira rápida, pelo menos a biblioteca ficava em meu bairro, e era meio próxima de minha casa. Fui correndo até minha casa, até encontrar minha mãe sentada na mesa de jantar, apoiando sua testa. Olhei ela, e disse:
— Eu sei sobre..... sobre.... Bri-bridget!
— Eu.... e-eu... er-ra irm-ã dela.... Bridget fo-oi mor-ta... e nin-nin-guém acredita em mim-im.... Dizem que é len-d-da, que ela nun-un-ca existiu... — Disse ela com muitas lágrimas descendo de seu rosto.
— Eu acredito! Eu a vi... eu vi como ela morreu... — Disse para ela, sentindo a mesma tristesa que ela.
— Vá-á para se-e-eu quarto... Não quero falar sob-bre isso... — Disse minha mãe.
Eu subi meu quarto, e no segundo andar, observei o espírito de Bridget próximo ao lustre, sobrevoando o local... Eu observei ela e disse "Eu sei..." Ela me observou, pensou tão profundamente que eu pude ouvir o que se passava por sua cabeça transparente "Eu te mostrei tudo" Então ela sorriu, e se jogou, com sua cabeça desgrudando de seu corpo, caindo no assoalho de madeira do primeiro andar, e assim desaparecendo. O primeiro mistério, talvez até uma das melhores lendas de minha cidade
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