Surrender
8 Ainda há amor
Notas iniciais

— Foi uma bela surra que eu te dei, hein, Cap — Tony comentou, dando uma risada. Essa foi a primeira coisa que ele dissera a Steve desde que haviam chegado a SHIELD.
— Cala a boca, Stark — Clint reclamou, massageando suas têmporas.
— Estou falando a verdade. Se fosse pra valer ele teria perdido feio — o bilionário se virou para Wanda, que estava atrás dele e usava seus poderes para checar sua mente. — Vai demorar muito?
— Mais um pouco — a morena tinha os olhos fechados e suas mãos brilhavam em um tom vermelho claro. — Está limpo, assim como os outros.
— Já cansei de ter minha mente controlada. De agora em diante, quero a garota Maximoff do meu lado em todas as missões — Clint se levantou e andou para fora com certa irritação. Ele parou ao ver Natasha parada ao lado da porta.
— Como estão? — a ruiva perguntou.
— O Tony tá mais chato que antes, já o Steve não falou nada desde que acordou.
— Espero não ter acertado a cabeça dele com força a ponto de tê-lo deixado mudo — ela deu um leve sorriso, tentando esconder sua real preocupação.
A pior parte de ser controlado pelo Purple Man era quando você saia do controle, pois as lembranças das coisas que ele o mandara fazer enchiam sua mente. Ele sabia o que havia feito com ela e se sentia culpado. Pensando assim, Natasha tentava afastar a sensação de que devia conversar com ele sobre o assunto.
— Ele logo volta ao normal — Clint assegurou. — E só pra deixar claro, eu não erro um tiro, muito menos quando estou perto do alvo. Não acertei o Stark porque estava um pouco consciente do que estava fazendo.
— Todos estavam. Do contrário Tony teria uma flecha no olho, Steve teria um buraco no meio do peito e eu estaria como rosto desfigurado.
— Ele te machucou? — Barton e Romanoff começaram a caminhar pelo corredor.
— Só uma lesão em duas costelas, vou sobreviver.
— Uhum... — Clint parou na frente de uma porta, mas segurou a mão da ruiva para que ela não a abrisse. — Quando isso aconteceu?
— Quando o que aconteceu? — ela o encarou com certa curiosidade.
— Esse lance entre você e o Capitão — ele cruzou os braços e sorriu quando a viu negar com a cabeça.
— Não sei do que está falando.
— Qual é, Tasha, qualquer idiota perceberia. Vocês estavam quase se batendo por sentirem ciúmes um do outro lá no carro.
— Não estava com ciúmes da Sharon, foi ele quem me tirou do sério — se defendeu, bufando ao vê-lo dar uma risada cínica. — Sério, ele ter uma namorada não me incomoda. Steve é um cara legal, merece uma pessoa boa ao seu lado.
— Você é boa, e tenho certeza de que não sou o único que pensa assim.
— Minha vida já está muito complicada no momento, discutir meus sentimentos é o último tópico da minha lista.
— Então a espiã com coração de pedra finalmente admitiu que tem sentimentos? — ele sorriu e se encolheu quando a ruiva desferiu um soco em seu braço.
— Entra logo — assim que Nat abriu a porta, Clint deu dois passos largos para dentro e foi logo surpreendido por sua esposa com um abraço apertado.
— Papai! — Lila e Cooper gritaram e se agarraram nas pernas do Gavião, levando o herói a sorrir e fingir que iria cair em cima deles junto com Laura. — A tia Nat falou que salvou seu traseiro de novo.
— Ela disse isso? — ele olhou na direção da porta e a ruiva deu de ombros, um leve sorriso no canto dos lábios. — Sua tia Nat é uma convencida.
Romanoff continuou olhando o amigo matar a saudade da família e só aquela cena lhe fez sentir um enorme alívio e uma sensação de conforto e alegria dentro de si. Um minuto foi o suficiente para ela voltar a ser A Viúva Negra de sempre e fecha a porta.
Ela não mentiu quando falou sobre ter tópicos, o primeiro deles seriam tomar uma ducha fria e dormir por longas horas. O segundo era encontrar Yelena e matá-la. Depois se resolveria com Steve, diria para ele seguir com a vida dele e deixá-la sozinha por um tempo. Por esse e outros motivos a ruiva havia pensado muito antes de deixá-lo se aproximar, mas não pôde evitar, pois o loiro significava muito para ela.
"Você não é uma adolescente inconsequente", pensou. "Steve será feliz com a Sharon, como ele mesmo disse. Volte para sua vida, você trabalha melhor sozinha."
Passando direto pela ala médica e por um Stark irritado discutindo com alguém em seu telefone, Natasha seguiu seu caminho para o lado de fora da base e se lembrou que seu carro havia sido completamente destruído. Yelena pagaria por isso também, ela amava aquele carro.
Depois de pegar sua moto e dirigir até seu apartamento, a espiã tomou um banho demorado e relaxou cada músculo de seu corpo. A dor na lateral de seu corpo a fez se lembrar do escudo a acertando, seu corpo voltando a ficar tenso. Lembrou-se do que sussurrou para Rogers na tentativa de distraí-lo; Claro, não havia sido mais do que isso, uma distração. Pelo menos foi o que ela disse a si mesma, sabendo ser uma mentira.
A agente terminou o banho e foi dormir, passando, porém, a próxima hora encarando o teto. Sempre que fechava os olhos via os dele; Serenos, gentis, amáveis, perfeitos. Não podia simplesmente deixar pra lá e fingir estar bem com toda essa história.
§
Ele achou que ficaria mais calmo depois de um belo banho, mas estava errado. Centenas de coisas passavam por sua cabeça no momento, e a pior delas era o fato de ele quase ter machucado seriamente Natasha.
O soldado olhava para o chão, pensativo sobre o que deveria fazer. Conversar com ela? Se desculpar? Dizer o quanto prezava a amizade dos dois e o quanto não queria que ela acabasse, principalmente por causa de uma discussão boba? Steve não sabia por onde começar.
O som da campainha o fez voltar ao mundo real e ele se levantou, vendo pelo olho mágico da porta a ruiva parada do outro lado. Um nó se formou na garganta dele imediatamente. Se não abrisse ela certamente acharia outro jeito de entrar, conhecia Natasha o bastante para saber disso. Ele girou a maçaneta e respirou fundo antes de abrir a porta por completo.
— Oi — ela estava séria, mas seu tom era descontraído. — Trouxe pizza.
Só então ele notou uma caixa de tamanho médio nas mãos dela.
— É de calabresa, sua favorita — ela balançou levemente a caixa de um lado para o outro com um olhar divertido. Steve não pôde deixar de dar um sorriso, ainda que fraco.
Assim que o soldado fez um sinal com a cabeça para ela entrar, Nat caminhou para dentro, deixando a pizza sobre a mesa de centro na frente do sofá e se sentando. Os dois começaram a comer em silêncio, pois estavam famintos e a pizza estava muito boa, conseguiram terminar tudo em menos de uma hora.
— Barton me falou que o Tony está mais chato ultimamente — ela puxou assunto, bebendo um gole do refrigerante que o loiro trouxera para eles.
— Ele disfarça a preocupação com humor. É o jeito dele, não podemos culpá-lo — Steve passou a mão na nuca, se recostando no sofá e sem olhar para ela.
— Sabe que não precisa fazer isso — ela pôs a lata quase vazia sobre a mesa e se virou para ele. — Se torturar com essa culpa, o que aconteceu hoje foi por causa do Purple Man, Rogers. Clint tentou matar o Tony, e o Tony a você. Nenhum deles está se sentindo culpado por isso.
— Não é a mesma coisa — ele murmura, trincando o maxilar.
— O que importa é que estou bem — Natasha segurou o rosto dele em suas mãos e o virou para poder encarar seus olhos. — E cá entre nós, você não me ganharia em uma luta mesmo se quisesse.
A convicção da ruiva o faz dar uma leve risada. Ele então voltou a ficar em silêncio, apenas admirando cada traço do rosto dela.
— Me desculpe... Pelas coisas que falei no carro, eu só estava frustrado com tudo.
— Tudo? Seja mais específico — ela franziu o cenho, fazendo-se de inocente.
— Você se afastar de mim depois do meu encontro com a Sharon, a chegada repentina do Bruce... — o loiro suspirou. — Acho que vocês pareceram tão próximos que me senti excluído por um momento. Mas você tinha razão, sua vida não é da minha conta. Vocês dois tem todo o direito de quererem ficar juntos.
Natasha ficou séria por um minuto inteiro e então deu uma risada discreta, voltando sua atenção para a caixa vazia de pizza a sua frente.
— Ele encontrou alguém quando voltou à sua cidade natal, — ela começou. — Uma velha amiga, Betty Ross. Um velho caso, pra ser mais exata. Me disse que com ela, finalmente, não sentia medo, pois estava feliz. Ele quis conversar comigo para garantir que tudo estava bem.
Apesar de estar surpreso e contente com a notícia, Steve permaneceu com a expressão neutra.
— Sinto muito.
— Não sinta, eu achei ótimo — ela sorriu. — Quero dizer, ele e eu... Não era para acontecer. Bruce é um ótimo amigo, merece ser feliz.
— Assim como você — Steve a viu negar com a cabeça como se aquela fosse uma ideia absurda. — Nat, você é linda, divertida e mais do que isso, é forte. Já passou por mais coisas na vida do que eu posso imaginar, mesmo depois de tudo ainda escolher fazer o bem e ajudar as pessoas. Ainda sente compaixão, alegria, amor — ele encarou com um sorriso a expressão atônita dela enquanto ouvia tudo o que ele dizia. — Você, mais do que ninguém, merece ser feliz.
A ruiva, pela primeira vez, estava sem palavras. Não esperava mesmo por essa.
— Se for assim você merece ser o homem mais feliz do mundo, Rogers — ela comentou, apoiando o cotovelo na parte de cima do sofá e ficando se frente para Steve.
Ele ergueu sua mão até tocar a bochecha dela, seus dedos quentes contra a pele levemente fria, parecendo acordar cada célula do corpo dela com um choque delicioso.
— Nesse momento, eu sou — ele sussurrou, acariciando o queixo de Natasha com seu polegar.
Ela segurou a mão de Steve, ainda a mantendo perto do seu rosto e o encarou por alguns segundos antes de falar.
— A Sharon é uma ótima garota, vocês formam um casal bacana — essa fora a melhor palavra que ela encontrou para descrever o que pensava, ainda que estivesse pensando em muitas outras nada agradáveis.
A ruiva não viu a expressão dele mudar, seus olhos claros e quase inocentes pareciam tentar decifrar as palavras dela.
— Ela é incrível, mas não é quem escolhi.
Ele se inclinou para frente, encurtando a distância entre eles e deixando suas bocas a centímetros de distância, porém fazendo-a esperar por algo que não veio quando parou e pensou por um segundo.
— Espera, — Steve se afastou um pouco. — Por que não me falou sobre o Banner antes?
— Eu estava sem cabeça para discutir isso com você antes, e além do mais, foi engraçado te ver com ciúmes — Romanoff sorriu quando o soldado fez uma expressão engraçada de descoberta.
— Como você ficou por causa do meu encontro com a Sharon? — ele provocou, fazendo-a dar uma risada seca. Foi então que ele pareceu perceber algo. — Por isso você estava tão fria comigo naquele dia, porque estava com ciúmes.
— De onde tira essas ideias? Não, eu não ligo se você saiu com a Sharon — ela sabia que negar seria pior, mas sua resposta fora automática e típica de alguém culpada.
— Eu consegui fazer a Viúva Negra sentir ciúmes — Steve gargalhou e logo sentiu as mãos dela empurrando seu peito, com isso ele caiu de costas no sofá.
— Não abusa da sorte, Rogers — ela tinha um olhar assassino no rosto que era extremamente sexy.
Ele estendeu a mão para segurar a dela e a puxou para si, deixando a ruiva sobre seu corpo. Um dos braços dele foi envolvido ao redor da cintura esbelta da espiã, as mãos dela sobre o peito forte do herói. Steve usou sua outra mão para segurar o rosto de Natasha delicadamente e então aconteceu. Tão rápido quanto a queda de um raio ainda que tão suave quanto uma brisa de verão. Seus lábios macios se uniram aos dela em um beijo terno, seus corações começando a bater fora de ritmo conforme o mesmo se aprofundava.
As duas mãos dela subiram por seu corpo forte até uma chegar a sua nuca e a outra a lateral do pescoço, as do loiro foram para as costas cobertas por uma jaqueta preta que o impedia de sentir mais da pele macia da ruiva. Ele puxou o material de couro para baixo lentamente e ela baixou os braços para que conseguisse fazer isso com mais facilidade. Natasha o viu deixar sua jaqueta ao lado do sofá e se sentou no colo de Steve, puxando-o consigo e fazendo-o se sentar também. Ela envolveu os braços ao redor de seu pescoço, acariciando as costas largas do soldado e movendo seu quadril para frente, unindo ainda mais seus corpos e o fez arfar contra o pescoço dela.
Quando Steve segurou firmemente as coxas dela, que estavam uma de cada lado de seu corpo, a ruiva mordeu levemente o lábio inferior do herói. Ele sorriu com a ação e começou a distribuir pequenos beijos por seu queixo, pescoço e colo, a sentindo acariciar seus fios loiros. Sua respiração contra a pele da espiã a fazia estremecer e mover o quadril para frente e para trás de forma vagarosa, o provocando e deixando seu corpo mais tenso por conta da excitação.
Nat sentia o calor dentro de si aumentar, queria mesmo andar rápido com tudo aquilo para tê-lo, mas Steve não. Ele queria ter certeza de que ela aproveitaria cada segundo daquilo, que ela sentisse cada toque e cada beijo devagar. Com as mãos trabalhando para tirar o cinto do loiro, Romanoff levantou-se de seu colo e o levou consigo, sem parar de beijá-lo durante todo o trajeto até o quarto. Ele a segurou pelas nádegas redondas e a ergueu, de modo a deixá-la pressionada contra a parede ao lado da porta e mantendo o beijo quente e apaixonante. Sentir sua parte inferior pressionada contra a dele fez a ruiva dar um gemido baixo contra os lábios macios de Rogers.
— Isso é parte do treinamento? — Steve sussurrou, voltando a beijá-la logo em seguida.
— Pode ser... Hum... — ela não conseguiu conter outro gemido quando o sentiu acariciar todo o seu corpo com suas mãos habilidosas. — Sua treinadora acha que ainda está muito vestido.
A risada dele foi profunda e rouca, então se afastou o bastante apenas para arrancar a blusa azul sobre sua cabeça. Natasha tirou sua própria e a jogou no chão assim como suas calças jeans, para depois deslizar sobre a cama e observá-lo enquanto terminava de se despir.
Steve parou por um segundo para correr os olhos sobre o corpo esguio sentado em sua cama, e se juntou a ela quando a ruiva retirou o sutiã preto que cobria seus seios. Ele uniu seus lábios mais uma vez em um beijo longo, deitando-a de barriga para cima e percebendo as mãos dela puxando a malha fina que cobria sua intimidade para baixo.
Ele se afastou novamente, pensando em como ela era perfeita. Seu corpo, seus lábios... Não havia uma só parte dela que ele não desejasse tocar e beijar. Se perguntava como não havia percebido o quanto seus sentimentos por ela haviam evoluído, entre as missões, brincadeiras e conversas, ele havia se apaixonado por ela.
— Steve...? — ele saiu de seus pensamentos ao ouvir Natasha sussurrar perto de seu ouvido e morder levemente o lóbulo de sua orelha.
— Desculpe. Eu precisava ter certeza de que não estava sonhando — o sorriso no rosto dele era de genuína alegria.
Nat certamente pensou falar alguma coisa para deixá-lo envergonhado ou atrapalhado, ela amava quando ele ficava daquela forma. Dizer algo como "Então você tem sonhado que nós dormíamos juntos com frequência?", mas a frase foi substituída por um beijo quente e avassalador. A espiã envolveu, então, as pernas ao redor da cintura dele e uniu muito mais seus corpos, mostrando que ele poderia seguir em frente. Steve estremeceu com tal contato, sentir o âmago dela pressionado contra sua intimidade levava ondas elétricas dos seus pés até seu cérebro.
— Nat, eu nunca... — ele murmurou contra a boca da ruiva, sua voz contendo uma pitada de nervosismo.
— Confio em você, Steve. Não precisa ficar nervoso — aquela inocência era uma das coisas que ela mais gostava no herói.
Ele queria que ela se sentisse bem a todo momento, era protetor, honesto e uma das únicas pessoas que tinha sua total confiança. Não sentira isso durante muito tempo, portanto mal percebeu que havia se apaixonado por Steve Rogers.
Com aquela afirmação, o loiro depositou um selinho suave no ponto bem abaixo do queixo dela e se deixou mergulhar nela lentamente. Natasha fechou os olhos e jogou a cabeça para trás, aproveitando as ondas de prazer que vinham com cada estocada. Steve ofegava contra o pescoço dela e se movimentava em um ritmo perfeito para ambos.
Ela deixou uma das mãos cair para o lençol e apertou o pano com certa força, emitindo sons prazerosos repletos de êxtase que eram música para os ouvidos do soldado. Ele segurou essa mão dela e entrelaçou seus dedos, levantando o rosto para fitá-la nos olhos na escuridão do quarto iluminado apenas pelas luzes da cidade do lado de fora.
Chegaram ao ápice não muito tempo depois, ela gritando o nome dele enquanto ele sussurrou o dela em seu ouvido com a voz rouca de luxúria. Levaram algum tempo para assimilar tudo o que havia acontecido e não se arrependeram nem por um segundo.
— Esse treinamento fica melhor a cada dia — Natasha conseguiu dizer, arrancando uma risada deliciosa do loiro.
Ele se deitou ao lado dela na cama e continuou a encará-la com a respiração ligeiramente ofegante.
— Nat, aquilo que você me falou quando eu estava sobre o controle do Purple Man... — a frase dele foi interrompida quando ela o beijou, o surpreendendo.
— Estou exausta. Vamos falar sobre isso outra hora — ela sussurrou, acariciando a ponta do nariz dele com seu próprio e então puxando as cobertas sobre os dois.
Ela havia tomado analgésicos para sua dor nas costelas, mas na manhã seguinte estaria sentindo uma dor absurda. A heroína, no entanto, não ligava para um pouco de sofrimento matinal se estivesse com ele junto dela. Steve envolveu um braço ao redor do corpo esbelto e a manteve perto conforme os dois pegavam no sono. O perfume e a respiração quente de Natasha contra seu peito eram o suficiente para fazê-lo ter uma noite tranquila de paz e descanso.
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