Surpresas da vida

26 Unindo as pontas soltas


Notas iniciais
Olá, minhas leitoras dedicadas e tão presentes. Agradeço a todas os comentários tão queridos e empolgados. Sei que vocês estão tristes com a história e, até mesmo, furiosas comigo. Desculpem. Mas garanto que a fic não ficará mais tão depressiva a partir do próximo capítulo. Aguardo-as nos comentários e espero que, caso eu consiga agradá-las, vocês me presenteiem com algumas recomendações. Sim, estou carente delas. Obrigada mais uma vez, tenham uma ótima leitura.

“Quando algo começa, você geralmente não tem ideia de como vai terminar. A casa que você ia vender torna-se seu lar, os colegas de quarto que você foi forçado a aceitar, tornam-se sua família. E a “ficada da noite” que você estava determinado a esquecer, torna-se o amor da sua vida.
[...]
Nós passamos toda nossa vida nos preocupando com o futuro, planejando para o futuro, tentando prever o futuro. Como se imaginar fosse, de alguma forma, amortecer o impacto. Mas o futuro está sempre mudando. O futuro é a casa dos nossos medos mais profundos e de nossas esperanças mais selvagens. Mas uma coisa é certa… Quando ele finalmente se revela, o futuro nunca é do jeito que imaginávamos.”

Grey’s Anatomy

– Soubemos dos resultados dos exames. Eu... sinto muito, Sakura.

Continuo olhando para a parede branca a minha frente. Há algumas pequenas rachaduras nela. São quase imperceptíveis, mas eu as vejo. São cinco. Cinco pequeninas rachaduras.

Quisera eu ter tão poucas.

A verdade é que, no momento, prefiro encarar aquela parede absurdamente branca com cinco pequenas rachaduras do que olhar para o meu filho que dorme há poucos metros de mim no quarto ao lado.

Olhar para Daisuke é encarar de uma maneira cruel a maior de minhas rachaduras. É aquela que vai quebrar toda minha estrutura. Eu sei. Tenho certeza. Por isso prefiro encarar a parede branca a minha frente do que encarar a realidade que grita a minha porta. Admitir que você não é capaz é algo extremamente difícil. Admitir que você não foi capaz de salvar seu filho doente é... a morte.

– Sakura?

– Alguém tem que falar para a Tsunade que há rachaduras nessa parede. Alguém precisa repará-las. – minha voz é monótona, tranquila. Concertar aquelas paredes é algo que pode ser feito. Concertar o meu filho, não mais.

O toque quente da mão de Gaara segura meu braço. Não me afasto, sinto-me tão fria que seu toque gentil é a melhor coisa que senti desde que acordei nessa manhã.

– Sakura... você está me ouvindo? – sua voz é carregada de preocupação.

– Acalme-se, Gaara. Não estou louca. – eu rio, um riso sem graça alguma, mas que logo tem seu fim. Assim como todas as outras coisas. Como todos os momentos bons e ruins. Como todas as vidas. Como a curta vida de meu filho. – Pelo menos, não enlouqueci. Bem, não ainda.

Eu suspiro e encaro aqueles olhos verdes tão intensos de Gaara. Eles carregam um brilho triste, porém, são calorosos, assim como seu toque em meu braço.

– Onde está a Ino?

Meu amigo tão presente suspira e passa seu braço sob meus ombros. Aconchego-me em seu abraço e ele se encosta no sofá, comigo ainda em seus braços.

– Bem, Ino achou que você não ia querer vê-la... depois de sua última conversa.

Ah, sim. Quando ela resolveu enfim me contar sobre as fotos minhas junto com Itachi. Sobre sua crença de que eu era uma vadia que traia o único homem que amei com o irmão dele.

– Não estou brava. Não mais, pelo menos. Eu me senti traída, sabe? Vocês achando aquelas coisas horríveis de mim por todos esses anos... Eu pensei que vocês me conhecessem melhor.

– Sakura, eu...

Seguro a mão dele. É quente, um contraste gritante com as minhas tão frias.

– Está tudo bem, Gaara. Não importa mais. Sasuke agora sabe a verdade. Isso que importa. E ele me perdoou, acredita? Uchiha Sasuke me perdoou.

Seus abraço se torna mais forte. Uma maneira de me confortar. Uma maneira de dizer que sente muito.

– Obrigada por estar aqui, Gaara. Obrigada por vocês sempre estarem comigo. – eu sorrio e bagunço seu cabelos ruivos que sempre parecem estar despenteados. – Obrigada por amarem meu filho.

Os olhos verdes ficam cheios de lágrimas. Assim como os meus. Nós dois temos olhos verdes, mas os de Gaara sempre foram mais intensos. Da cor da grama. Enxugo suas lágrimas assim como suas mãos quentes enxugam as minhas.

– Fale para aquela sua esposa burra que eu preciso dela. Não vou mordê-la.

Ele ri. E eu rio também. Um riso cansado. Discreto.

– Na verdade, ela está do outro lado da porta.

Eu rio ainda mais. Gaara me acompanha. Isso é tão... Ino.

Entretanto, meu riso logo morre. Gaara me aninha em seu colo alarmado. Não entendo o porquê. Seus braços envolvem o meu corpo e eu tento me afastar. Mas não consigo controlar meu movimentos. Percebo, assustada, que estou tremendo. Tremo tanto que meus dentes batem.

Os soluços me fazem tremer. Um choro forte e intenso me abate. Uma dor intensa me atropela sem dó. Não consigo controlar. É muito mais forte que eu.

A porta se abre em um rompante.

– Ah, meu Deus, testuda... – a voz da minha amiga é carregada de carinho. E dor.

Ela corre até nós e nos abraça. Com força. Com todo o seu amor. Com todo aquele amor que escorre daquele coração gigante. Não se importa que estou no colo do seu marido. Somos uma família. Gaara e Ino são meus irmãos. Daisuke é tão meu quanto deles. Eles também o amam. Eles também o criaram. Eles também estão perdendo uma parte de si

– Que droga, ah, testuda, que droga... – chora Ino entre os soluços.

É, realmente, uma droga.

Demora. Mas, enfim, o choro cessou. A sensação é nova. Há um alívio em meu peito. Um calmaria bem-vinda.

Estou sentada ainda no sofá, com Gaara e Ino, cada um de um lado, eles seguram minhas mãos que ainda tremem um pouco.

– Não sei o que fazer. – digo, depois de um longo tempo que permanecemos em um silêncio sagrado.

– Você sabe sim, querida. – Ino afaga minha mão. – Você tem que deixá-lo ir. Ele está cansado. Tem pouco tempo. Faça-o feliz nesses últimos meses que ele tem. Seja a mãe dele. Ele não poderia ter mãe melhor. Você é uma mãe maravilhosa.

Aperto sua mão de unhas bem feitas, envergonha-me agora as minhas roídas e lascadas. Beijo sua face, sentindo seu perfume doce e agradável.

– Obrigada, Ino.

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A porta do apartamento está aberta. Ela sabia que eu viria. Cretino presunçoso.

Ele não está na sala. Nem na cozinha. Nem no escritório.

Quando chego ao seu quarto ele está terminando de fechar uma mala de viagem.

Ele está indo embora.

Vira-se para mim e me encara. Deus, sou apaixonada por aqueles olhos.

Suspiro. Sei que lhe devo um pedido de desculpas. Ele também sabe e aguarda.

– Eu... fui uma cretina ontem. Não você. Me desculpe. – ele ainda me olha. Ainda esperando. – Eu... só não queria desistir.

– Eu sei.

Sua voz me deixa arrepiada.

Vestido com seu terno sob medida, todo de negro, ele parece inalcançável.

Olho para a mala sob a cama. Também negra.

– Você... vai nos deixar? – não consigo encará-lo quando pergunto.

– Não seja estúpida. – sua voz é rude e me faz tremer. Mas ele me abraça. Com seus braços fortes e seu cheiro de loção pós barba, perfume caro e Sasuke.

Ele me pega no colo e senta na cama. Sinto-o beijar meus cabelos.

– Eu não entendo... A mala...

– Eu estou indo embora, Sakura.

Tento falar, porém, seu dedo está sob meus lábios antes que eu possa contestá-lo, acusá-lo de ser um filho da puta que está abandonando o barco que está, claramente, afundando.

– Espere, deixe-me terminar. – suas mãos seguram meu rosto enquanto meus braços tentam em vão desvencilhar-me de seu corpo. – Eu vou embora deste lugar, Sakura, mas você e Daisuke irão também.

Eu pisco, confusa.

– Eu...

Suas mãos acariciam meu rosto.

– Você e Daisuke voltarão para Tóquio comigo. Vamos ficar lá. Ou talvez viajar. Fazê-lo conhecer outros lugares. Já falei com Shizune, ela disse que, enquanto Daisuke estiver estável, não haverá problemas. Está tudo pronto. Ele já sabe e adorou a ideia.

– Isso... – seus olhos negros estão determinados. Já está feito. – Isso significa que... vamos ser uma família.

– É, Sakura. Também. – percebo que há mais. Ele decidiu todos os nossos próximos passos. Ele aproxima seu rosto do meu. Seus orbes negros são tão profundos. Tão intensos e, contraditoriamente, tão frios. Eles me sugam. — Mas também significa que você vai se casar comigo.

Notas finais
E aí? O que acharam do capítulo?