Notas iniciais
Olá, leitoras maravilhosas tão minhas. Obrigada por todos os comentários, foram maravilhosos. MAASS, estou tão carente de recomendações, leiam este capítulo e me digam se mereço, combinado? Tenham uma ótima leitura.

"Nos hospitais, dizem que você sabe... você sabe quando você vai morrer. Alguns doutores dizem que é um tipo de olhar que os pacientes ficam. Alguns dizem que há um cheiro, um odor de morte. Alguns dizem que é apenas um tipo de sexto sentido, quando o lado de lá está destinado para você, você sente ele chegando. O que quer que seja, é assustador. Porque se você sabe, o que pode fazer sobre isso? Esqueça o fato que você vai estar assustado demais pra raciocinar: SE VOCÊ SOUBESSE QUE ESSE É O SEU ÚLTIMO DIA DE VIDA, COMO GOSTARIA DE PASSÁ-LO?"

Grey’s Anatomy.

– Mãe, olhe isso! – os olhos negros de Daisuke brilham. Felizes. – Estamos tão rápido! Isso é tão legal!

Os cabelos dele voltaram a crescer assim que suspendemos a quimioterapia. O vento ricocheteia nos fios sedosos enquanto eu abraço seu corpo em meu colo, feliz em perceber que ele ganhou alguns quilos. Ele quase pula em meus braços de tanta felicidade.

Sasuke dirige ao meu lado. Concentrado na estrada, o pé fundo no acelerador. O sorriso em seus lábios é de tirar o fôlego. A empolgação de Daisuke por estar em um carro tão veloz é contagiante.

– Mais rápido, pai. Vamos voar! – ele ri, deliciado com a velocidade proporcionada pelo motor potente do carro em que estamos.

Ainda sorrindo beijo suas bochechas coradas. Ele parece tão saudável agora. Não parece um menino com os meses contados.

O câncer ainda está lá, avançando ferozmente em seu corpo. Haverá uma hora em que o corpo de meu filho padecerá. Uma hora voltaremos para o hospital. Porém, dessa vez, Daisuke não irá voltar conosco para casa. Nunca mais.

Estou tentando me preparar para quando ele partir. Não é fácil fazer isso quando ele está tão feliz e vivo em meus braços.

Para Sasuke também tem sido difícil. Eu vejo, mesmo que ele tente parecer forte. Ele dorme muito pouco. Ele acha que estou dormindo, mas eu vejo ele sair de nossa cama e ir até o quarto de Daisuke. Todas as noites. Ele observa nosso filho dormir até o amanhecer. Arruma os cobertores que nosso menino insiste em afastar durante seu sono agitado. Acaricia os cabelos negros. Vela o sono dele... Há um amor tão grande em seus olhos quando o espio nessas madrugadas que não consigo observá-lo por muito tempo e me afasto, atordoada e temerosa do que será de nós quando nosso filho nos deixar.

Daisuke voltou para escola. Ele pediu e nós aceitamos, é claro. Levamos a vida o mais normal possível, tentando, de alguma forma, esquecer os dias contados do nosso filho. Daisuke vai para a sua nova escola, eu para o meu novo emprego no hospital local e Sasuke se desloca até sua empresa em Tóquio. Há seguranças em toda a parte. Eu tento ignorá-los. Daisuke acha o máximo. Seu pai é uma pessoa importante.

Sasuke está largando do tráfico aos poucos. Não pode fazê-lo repentinamente ou tudo viraria um caos. Estou feliz com isso, ele realmente está se esforçando. Sei que não deve ser nada fácil e, provavelmente super perigoso e arriscado, mas ele está dando tudo de si. Estou orgulhosa dele, de como ele se dedica a nossa família, de como nos protege e nos ama. Isso não significa que ele transformou-se em uma pessoa dócil e sociável. Não. Sasuke ainda é um grosso estúpido às vezes. Então, Uchiha Sasuke ainda é Uchiha Sasuke. E isso não me faz amá-lo menos.

– Sasuke, vamos chegar atrasados no almoço de Hinata.

Eu e Naruto voltamos a nos aproximar, após eu e Sasuke resolvermos todo o mal entendido que nossa vida fora durante oito anos. A verdade era que Naruto tinha um coração tão grande e cheio de amor que ele não conseguiu ficar muito tempo afastado, e também houve os resultados dos exames de Daisuke que fizeram ele, definitivamente, ficar colado em nós. Ele sempre estava lá oferecendo-se para ajudar em qualquer coisa, fazendo Daisuke rir e, consequentemente, distraindo-me.

Hinata não tardou a aparecer. Foi uma ligação, depois de oito anos, cheio de desculpas mútuas e lágrimas. Desde esse dia passamos a conversar pelo telefone todos os dias e, quando chegamos em Tóquio, era como se nunca tivéssemos nos separado. Também conheci seus filhos, Boruto e Himawari. A garotinha, tão parecida com a mãe, era adorável. Boruto também era, de certo modo. O problema é que o menino era o Naruto cuspido, tendo em seus genes a mesma personalidade agitada e travessa.

Daisuke e Boruto tornaram-se amigos imediatamente. Não me surpreendi nenhum pouco, afinal, seus pais era melhores amigos, nada mais natural seus filhos seguirem o mesmo caminho. Partia-me o coração saber que aquela amizade tão pura e sincera teria um caminho tão curto, delimitada pelos poucos meses que ainda tínhamos.

Olho para Sasuke, tentando decifrá-lo. Ele está feliz, os olhos negros brilham e o sorriso de canto que deixa minhas pernas momentaneamente bambas está em seu lábios. As mãos fortes seguram com confiança o volante. As mangas da camisa branca de linho arregaçadas até os cotovelos, dando-me a oportunidade de ver as veias sobressaltadas em sua pele pálida. Kami- sama, Sasuke é um homem muito bonito. E quente. Demais. Quando está dirigindo então... Ele nota meu olhar, e sinto um arrepio quando seus olhos negros faíscam de luxúria para mim. Aquele homem sexy, carrancudo e misterioso me olha com fome e paixão. Ele me quer e, agora, ele é finalmente meu. Ele só quer a mim e ele é o suficiente para mim também. Finalmente, o equilíbrio.

O motor ronrona quando Sasuke acelera um pouco mais. Meu filho ri, deliciado pela adrenalina proporcionada pela velocidade.

Ele pisca para mim.

– Não vamos não.

E ele mostra para nosso filho e para mim que, por uns instantes, voar é possível.

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– Sakura! Sakura, acorde! – Sasuke balança meu corpo, acordando-me abruptamente.

Tento abrir meus olhos, mas estão pesados. Viro-me e tento me afastar daquele que perturba meus sonhos.

Quando ele insiste, já irritado, eu tento dar-lhe alguma atenção.

– O que foi? – minha voz sonolenta é apenas um sussurro no meio da madrugada.

– Daisuke não está bem, acho que está com febre. – a voz de Sasuke é urgente enquanto seus braços ainda me chacoalham tentando me despertar.

Assim que compreendo suas palavras levanto da cama em um salto e corro até o quarto de meu filho enquanto visto um robe.

O rosto de Daisuke está levemente suado quando coloco minha mão sob sua testa úmida e quente. Uma febre sim, nada além do esperado. Respiro um pouco aliviada.

Olho para Sasuke, ele está praticamente encostado na parede, tentando mostrar-me aquela fachada costumeira de indiferença, mas sei que está muito preocupado. E com medo.

Na verdade, eu e Sasuke estamos apavorados com a ideia de voltar ao hospital. Sabemos que se Daisuke for para lá, será a última vez. Será a nossa última vez.

– Não é nada grave, Sasuke. Uma febre rotineira. Elas se tornarão cada vez mais comuns até que... – eu não termino a frase. E Sasuke não precisa que eu a termine também.

Os sinais que o câncer está avançando estão aparecendo aos poucos. Por enquanto é a febre. Mas, não tardará muito, a dor virá, sinalizando que o fim está próximo e que é hora de voltar para o hospital.

Sasuke assente e sai do quarto enquanto eu acordo Daisuke para que ele tome um banho morno e tome a medicação para aniquilar a febre.

Ele está sonolento e cansado enquanto eu o ajudo a vestir um outro pijama. O pequeno cenho franzido, o biquinho característico de uma criança louca para fazer manha. Ele me abraça e eu respiro fundo sentindo seu cheiro de criança. Sento em sua cama, com ele ainda em meu colo, seus pequenos braços ainda envolvendo meu pescoço. Acaricio seus cabelos, sabendo que logo ele dormirá novamente. Penso em dormir com ele ali mesmo, com ele agarrado a mim, porém sei que Sasuke também precisa do meu apoio e amor.

– Mãe? – a voz sonolenta e infantil de Daisuke desperta-me.

– Sim, campeão?

Ele fica quieto por um longo tempo. Tempo suficiente para eu acreditar que ele foi vencido pelo sono. Beijos seus cabelos negros, idênticos aos do pai, e cubro nossos corpos. Meus olhos se enchem de lágrimas quando me vem à mente que resta muito pouco a ele e que esses beijos e caricias também partiriam, assim como ele.

– O que acontece com a gente depois que... depois que a gente morre? – sua voz é tão baixa que por um momento penso que ele não disse nada. Mas ele insiste, levantando a cabeça e me fitando com aqueles olhos tão negros que guardam todo o amor do mundo. Todo o meu coração.

– Mãe?

Eu pigarreio, tentando engolir o choro e dar-lhe uma resposta. Mas que resposta? Eu sempre acreditei que quando morremos, morremos. É o fim. Não existe nada além da morte. O corpo morre. A alma padece. Não existe mais um eu. Não existe mais um ser. Tudo tem um fim, a vida não poderia ser diferente. Entretanto, apesar das minhas concepções, eu sentia que não era a coisa certa para dizer ao meu filho. Ele era só uma criança, muito inteligente, mas, ainda assim, apenas um menino. Ele nunca seria um homem. Isso rasgava-me e me enchia de ódio e rancor. É um sentimento que faz você culpar Deus e perder toda a fé. Meu filho era jovem demais para criar suas próprias ideias a respeito do que acontece depois que morremos. Ele acreditaria no que eu dissesse.

– Eu não sei ao certo, meu amor. Acho que... quando morremos, podemos escolher para onde ir, onde queremos passar a eternidade. Talvez possamos criar nosso próprio mundo, um lugar só nosso, do jeito que acharmos que deve ser.

Ele aninha o a cabeça no meu pescoço e suspira.

– Não parece ruim.

Aperto meus braços ao redor de seu corpo pequeno, como se de alguma forma isso o mantive-se ali para sempre, amado e seguro. A respiração dele torna-se mais lenta e ritmada aos poucos, um sinal de que o mundo dos sonhos já o alcançou.

Com ele ainda em meus braços divago sobre tudo o que aconteceu até eu chegar aonde estou, com meu filho precoce me perguntando sobre um dos maiores mistérios da humanidade. O que acontece depois que morremos?

Nesse momento, ninando meu filho em meus braços, tento imaginar o cenário de uma vida sem meu filho.

Meu coração bate forte, o corpo inteiro fica tenso. Uma reação física para um futuro desolador. A única coisa que penso ao tentar saber o que acontecerá com Daisuke depois que ele partir é que eu não vou mais ser mãe.

O sentimento é desesperador.

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Quando volto para o nosso quarto, encontro Sasuke sentado na beira da cama em meio a penumbra. Seu rosto está apoiado em suas mãos e seus cotovelos estão sob suas pernas. Vou até a cama e abraço suas costas sentindo seu corpo tremer sob meu toque.

– Eu queria mais tempo. – ele diz.

Eu sei. Eu também queria. Mas, infelizmente, não podemos fazer mais nada.

Em meus braços o impenetrável Uchiha Sasuke desaba.

Um choro silencioso. Um choro de um pai que sente por seu filho. As lágrimas de um pai que tem muito pouco tempo para compartilhar com seu primogênito. O corpo tremendo. Os ombros tensos. Não é vergonhoso. É o esperado.

– Ainda temos tempo, Sasuke. Não é muito, mas ainda temos.

Isso parece acalmá-lo um pouco. Apazigua um pouco a sua dor. Ou apenas a retarda.

Ele vira bruscamente e me derruba sob o colchão. As mãos grandes e firmes seguram meu rosto. Seus lábios procuram desesperados os meus enquanto suas mãos experientes descem ao longo do meu corpo despindo meu robe, a única peça de roupa que visto.

– Preciso de você, Sakura. – ele diz entre seus beijos afoitos. Os toques desesperados. Necessitados.

Eu o livro das roupas também. Tirando com pressa a calça de moletom negra frouxa em seus quadris. Acompanhando seu ritmo, e já tão necessitada quanto ele, puxo seus cabelos trazendo seus lábios novamente para os meus.

– Eu estou aqui, Sasuke-kun. Não vou a lugar nenhum.

Seus lábios descem sob meu pescoço e sinto-me arrepiar inteira. Sou viciada em seu toque. Em seus lábios. Em sua pele. Em seu cheiro. Em seu sexo.

Quando seus lábios quentes sugam meu mamilo eu gemo, deliciada com a carícia. Todo meu corpo se arrepia em deleite. As mãos dele seguram meu rosto e sua face volta-se sob a minha. Meus olhos, já acostumados com a escuridão, conseguem agora ver seus traços. Os orbes negros ainda marejados, repletos de desejo e tristeza. Em minha pele sinto os pelos de sua barba já começando a crescer, irritando-a levemente, fazendo-me, estranhamente, desejá-lo ainda mais.

– Preciso que você diga. – ele diz e me beija com quase violência. – Sei que você não gosta, mas eu preciso de você agora. Só mais uma vez.

Seu toque é urgente. Seu peito firme e definido pressionado nos meu seios desnudos me excita. A glande de seu pau acaricia meus tecidos sensíveis, deixando minhas pernas bambas. Eu tento em vão movimentar meu corpo para que ele una nossos corpos e aplaque um pouco o meu desejo. Mas ele me provoca, masturbando-me com membro extremamente duro e inchado, levando-me ao limite.

Quando passo a acreditar que aquela tortura deliciosa jamais terá um fim, ele puxa meus cabelos enquanto me penetra com força e só os solta para segurar meus braços acima da minha cabeça enquanto investe contra o meu corpo com uma ferocidade que beira ao seu próprio desespero. Ele investe com força, com estocadas precisas e furiosas. Através de nossos corpos em uma sincronia quase animalesca, Sasuke demonstra, mesmo de uma forma tanto quanto obtusa, que necessita de mim. Que precisa de mim. Que é no meu corpo que ele encontra aconchego.

Sei que ele está no seu limite, louco para gozar, porém, ele só se permite libertar seu corpo ao clímax quando eu alcanço o meu próprio ápice de prazer, apertando seu membro inchado de tesão com espasmos involuntários, o resultado de um orgasmo intenso. Seu gozo quente em meu interior, seus lábios chupando meu pescoço. Nossas respirações rápidas. O suor compartilhado entre nossos corpos unidos pelos nossos sexos.

– Amo você, Sasuke. – sussurro ofegante entre seus lábios, quando ele fixa aqueles orbes negros em mim, cheios de paixão e mistérios. – Amo tanto você que me assusta. Você me deu meu maior presente. Você é o pai do meu filho, o meu marido. Você me deu o que eu nunca esperei, sem eu saber que era o que eu mais desejava. Você me fez perder o medo de dizer porque você provou ser capaz. – fecho os olhos e abraço seu corpo. – Não sei como vai ser depois... depois que Daisuke... Mas sei que, aconteça o que acontecer, uma hora ficaremos bem... Bem, eu espero que sim...

Ele acaricia meu rosto, em nenhum momento afasta nossos corpos. Beija-me lentamente. Sua língua acaricia minha boca sem pressa.

– Deus, sou louco por você.

Eu rio. E ele sorri também.

Não sabemos o que será do amanhã, mas de uma coisa eu tenho certeza.

Quando a dor vier, dessa vez, finalmente, estaremos juntos. Não inteiros, provavelmente estaremos tentando juntar nossos pedaços. Reparar as rachaduras que a perda de Daisuke deixará em nossa vidas.

Entretanto, sei que ainda estaremos juntos.

No fim, é o que mais importa.

No fim, será a única razão para não padecer à loucura e voltar, aos poucos, a viver.

Notas finais
E aí? Estou merecendo recomendações? Kissus