Notas iniciais
Olá, leitores. Capítulo dedicado às minhas leitoras que recomendaram a fic: Gabriela Kastell e J Lannister. Obrigada meninas, suas palavras foram incríveis e de grande incentivo. Espero que gostem desse capítulo e que ele me renda mais recomendações e comentários maravilhosos. Boa leitura!

“Somos fáceis de decifrar quando bebês. Um choro significa fome… Outro choro, significa cansaço. A coisa dificulta quando viramos adultos. Começamos a esconder os nossos sentimentos. Erguemos barreiras. Chegamos ao ponto de não sabermos o que as pessoas sentem. Sem querer, nos tornamos mestres do disfarce.

Não é sempre fácil se expressar. Às vezes, você precisa ser forçado. Mas, às vezes, é melhor não se expressar. Fazer-se de mudo. Mesmo quando todo o seu corpo implora para se libertar. Então, feche a matraca, guarde o segredo, e encontre outros meios para ser feliz”.

Grey’s Anatomy

Quando eu era criança, eu costumava brincar de boneca. Assim como qualquer outra garotinha da minha idade. Mas, diferente da outras meninas, eu não ninava os supostos “bebês”, dava mamadeira, trocava fraudas perfeitamente limpas ou cantava para elas “dormirem”. Não, eu gostava das bonecas por outra razão. Se elas fizessem algum barulho, se mexessem de alguma forma... Então o mundo acabara de tornar-se um lugar melhor.

Eu tinha uma fascinação totalmente incontida por aquelas peças de borracha que imitavam seres humanos. E, o principal, eu queria saber o que havia dentro. Queria ver onde ficava o coração, como ela fazia xixi de mentirinha, para onde ia o leite roubado da geladeira... É claro que, quando a minha mãe via em que estado ficavam as bonecas que eu ganhava de presente, levava séculos para eu ganhar uma nova. Ela até que entendia a minha curiosidade, mas para ela os fins não justificavam os meios.

Continuei definitivamente abrindo ao meio as minhas bonecas para descobrir de onde saía o choro que eu ouvia... E decepcionava-me ao constatar que ele era oriundo de um objeto estranho de plástico movido à pilhas. Entretanto, continuei procurando, até que meu pai, cansado das reclamações da minha mãe sobre eu ser “uma criança estranha que estraçalhava bonecas para saber o que tem dentro”, deu-me meu primeiro boneco com órgãos removíveis. Foi um dos dias mais felizes da minha infância. A verdade era que eu sempre quis conhecer o corpo humano, saber como ele funcionava, porque não paramos de respirar quando dormimos, ou porque as pessoas morrem de uma hora para a outra, sem motivo nenhum. Foi então que descobri o que queria se quando crescer. Médica. Cirurgiã.

Enquanto eu via minhas amigas sonhando com o primeiro beijo, namoros, festas, vestido de casamentos e filhos, eu queria ser a melhor cirurgiã que o mundo já viu. Nunca pensei em me casar, filhos jamais. Eu queria ser a melhor na profissão que eu havia escolhido já tão jovem. Rejeitei namorados, brinquei com os homens, irritei-me com a maioria deles, gostava de sexo, mas tinha pavor de compromissos. Eu amava bebês, mas, graças a Deus, eles tinham mães, e, obrigada, eu não era uma delas.

Nada iria me desviar do topo.

Eu gostava de festas sim. Bebidas e diversão. E eu me divertia, muito. E diverti-me para valer nos seis anos de faculdade. Nunca me apaixonei. Tinha horror à palavra amor. E não confiava em nenhum homem que com quem eu trocasse saliva. Como recompensa nunca chorei por amor à um homem ou falei coisas que não devia para o sexo oposto, nunca tive que enfiar a cabeça dentro de um pote de sorvete ou me empanturrar de chocolate para aliviar a dor de um fora. Porque eu nunca, jamais, senti nada além de uma atração física por um homem. Nunca dei o meu número de telefone para nenhum deles, e, se eles achavam que conseguiam, juro, era o número errado. Ou o de Ino. O que eu fazia com frequência porque adorava me vingar dos encontros idiotas em que ela me metia. E que sempre, sempre, davam errado.

Entretanto, como um tornado que bagunça toda uma vida e nos deixa desnorteados sem saber o que fazer após o abalo, Sasuke apareceu e, depois de esgotar todas as minhas tentativas de escapar, e, falo sério, eu realmente tentei, mas acredite, Uchiha Sasuke quando quer algo ou alguém não desiste, vi-me presa por algum tipo de sentimento até então estranho para mim. E, pela primeira vez, senti medo do futuro. Porque, se eu seguisse o meu objetivo de vida, que claramente não incluía Sasuke, o futuro parecia um pouco menos deslumbrante. E um pouco chato.

– Hinata, acha que... Nada, esquece.

Ela levanta a cabeça, deixando o livro que estava lendo de lado, e me encara com aqueles olhos de um azul tão claro que quase parecem branco perolado.

– Fale logo, Sakura-chan.

Cruzo as mãos sobre minhas coxas e percebo que elas estão suando. Ótimo, estou nervosa. Simplesmente perfeito. Como uma adolescente que vai falar para os pais do primeiro namorado.

– Você ama o Naruto? – certo, sou uma covarde.

Ela cora. Mas seus olhos brilham e nem preciso que ela pronuncie em voz alta a resposta, porque está claramente estampado em sua face e brilha como os letreiros de Las Vegas. É claro que ela o ama. Aquele loiro estúpido com o coração do tamanho do mundo. Até eu gosto daquela criança que Hinata insiste em chamar de “namorado”.

Suspiro. Certo. Não deve ser tão difícil.

– Acho que o negócio com o Sasuke não é só sexo. – minha voz sai hesitante.

Hinata e Ino sabem como sou, como tenho pavor de relacionamentos e que odeio conversar sobre esse tipo de coisa. E aqui estou eu falando exatamente disso. Contraditório, não?

– Não vai me dizer que está...

– Não ouse pronunciar essa palavra, Hina.

Hinata, a doce Hinatinha, meiga, compreensiva e discreta, começa a rir. E muito. Tanto que sai lágrimas de seus olhos que estão fechados devido ao ataque de risos.

– Ah... Você está... Sim! – ela me acusa entre uma risada e outra. – Não acredito! Finalmente Ha... Haruno Sakura está apaixonada!

Dessa vez, sou eu que fico com as bochechas pegando fogo. Totalmente sem graça.

– Não seja ridícula. – levanto-me do sofá rosa shoking claramente irritada com as conclusões dela. – Céus, você até parece a Ino. – coloco a mão na boca, horrorizada. Ino! – Kami sama! Prometa que não vai falar para ela!

– Falar o quê? – pergunta a loira escultural passando pela porta com um milhão de bolsas nos braços e salto quinze nos pés de unhas bem feitas.

Corro até Hinata, na vã esperança de separar seu pescoço do resto do corpo e evitar que ela abra a boca, mas ela já levantou do sofá prevendo minha intenção claramente assassina.

– Sakura está apaixonada pelo Sasuke.

Ino encara Hinata e, merda, não parece nem um pouco surpresa.

– Mas era óbvio que isso ia acontecer. – dispara ela enquanto solta suas sacolas pelo chão e se joga no sofá. – Qual é, Hina? É Uchiha Sasuke, o lindo, maravilhoso, cheiroso, gostoso, rico, misterioso e bom de cama, Uchiha Sasuke! Ninguém, nem mesmo a testuda, resistiria.

Jogo-me no sofá também. Claramente derrotada.

– É tão óbvio assim?

– Na verdade nenhum pouco. Mas como eu disse, é o Uchiha, você não tinha escapatória mesmo. Se não se apaixonasse por ele eu ia começar a desconfiar que você jogava no outro time. – ela arregala os olhos, alarmada. – Não que eu não goste de lésbicas, é que você sabe, elas me perseguem e...

– Está bem, Ino. – Hinata a interrompe enquanto se junta a nós no sofá. Ela suspira, finalmente parou de rir, e agora me encara totalmente séria e concentrada. Certo, preparando-se para o sermão em 3, 2, 1... – Sasuke, Sakura! Sasuke! Logo ele! Falei tanto para você se afastar!

– Eu tentei, está bem? Tentei mesmo. – começo a ficar irritada novamente. Qual é o problema de Hinata com Sasuke? – Afinal, porque você odeia ele?

– Eu... Não... Eu não odeio ele, Sakura. É só que... Ele não presta!

Bufo e bato minha cabeça no sofá.

– Ah, não, o histórico de mulheres que passaram pela mão dele de novo não! É outra coisa, algo que você sabe e nunca me diz! – acuso-a, apontando o dedo em riste para ela.

Ino vira-se para Hinata, também intrigada com a implicância dela com o Uchiha.

– Sakura tem razão. Não é só o histórico de mulherengo. Afinal, a testuda agora é a namorada dele. E Gaara disse que isso é novidade e...

– O quê? Meu Deus, vocês estão namorando? – Hinata agora está apavorada e olha para mim e para Ino claramente rezando para que eu negue.

– Ops...

Eu vou matar Ino. Juro. Ela havia prometido que não ia soltar a língua e contar para a Hinata. E o olha só! Tudo ao contrário! Ótimo.

Ah, dane-se!

– Bem, estamos. Pelo menos foi o que ele disse quando encontramos Sasori na festa do Sr. Hatake. – admito, já cansada de tentar evitar os ataques de Hinata quando ouve o nome Uchiha Sasuke e sobre meu envolvimento com ele.

Hinata coloca as mãos na cabeça. Está indignada, visivelmente desgostosa com a notícia. Ela volta a olhar para mim, e, por um momento, chego a pensar que ela vai falar logo o que tanto a perturba quando falo de Sasuke. Mas, vejo em seu olhos que ela já desistiu e levantando do sofá tenta alinhar as roupas que estão levemente amassadas e depois que, finalmente, consegue, volta sua atenção para mim.

– Essa porra vai dar merda. – dizendo isso ela pega a sua bolsa que estava na mesinha da sala e sai sem olhar para trás.

Ino e eu ficamos tão chocadas com a quantia de palavrões que saiu da boca da doce Hinata, em apenas uma frase, que nem me lembrei de ir atrás dela e fazê-la falar logo o que ela sabe sobre Sasuke que eu não sei, o que a deixa com tanto medo e irritação. Mas já é tarde e tenho outras coisas para resolver. Uma delas está ao meu lado naquele sofá estupidamente chamativo. Mas que eu, secretamente, acho lindo.

– Ino, você tem que me prometer que ele nunca saberá.

– Está me dizendo que o único homem que você já amou como mulher, não pode saber disso?

– Sim, exatamente.

Ela suspira e balança a cabeça tentando clarear os pensamentos confusos.

– Nunca vou te entender Sakura...

– Ino! Prometa! Prometa pelos seus novos Louboutins que estão nessas sacolas que eu sei!

Ela parece horrorizada.

– Como você sabe...

– Ino, você pode ser bem previsível ás vezes. – seguro sua cabeça e a obrigo a olhar para mim. – Agora... Prometa. E convença também a Hinata para não abrir o bico. Ameace ela se for preciso. Diga que vai queimar os livros de romance que ela tanto ama e...

– Nem preciso pedir isso para ela, testuda. Ela não gosta do Sasuke, está na cara que...

– Ino!

– Ok. Ok. – ela tira minhas mãos que seguravam o seu rosto e entrelaça nossos dedos. Nossos olhares estão cravados um no outro e sei que dessa vez ela cumprirá a promessa e não abrirá a boca para ninguém. – Juro que Uchiha Sasuke jamais saberá que você o ama.

Notas finais
E aí? Reviews? Recomendações?