Notas iniciais
Garotas, obrigada pelos comentários. Espero mais ainda e algumas recomendações hein... Desculpa pela demora, eu estava sem um pingo de criatividade. Boa leitura!

Caminho pelos corredores do hospital profundamente irritada pela conversa com Gaara. Não me impressiona que ele apóie Sasuke, afinal, eles eram amigos antes de tudo acontecer. Mas naquela época eu precisava partir, fugir de todo o poder do Uchiha e de sua fúria. Ino jamais permitiria que eu a deixasse e Gaara seguiria Ino para onde quer que ela fosse. Foi assim que acabamos aqui, oito anos depois. Não que eu não ame Gaara, mas possuímos opiniões diferentes sobre os mais variados assuntos e isso inclui Uchiha Sasuke.

Tsunade sai de um dos quartos e, ao me ver, caminha ao meu encontro. O cabelo loiro sedoso costumeiramente amarrado, os seios avantajados que chamam a atenção por onde quer que ela passe, a postura imponente e orgulhosa que esconde um grande coração já muito ferido. E os olhos, grandes e expressivos olhos amendoados, vermelhos e cansados, que ela se desculpa dizendo que é sobrecarga de trabalho, mas que sei que apenas ocultam uma noite de apostas regada a muita bebida. Tsunade é a minha chefe, mas também uma grande amiga, apesar de sua personalidade explosiva e nenhum pouco paciente.

– Achei que você tinha parado com isso. – falo logo que ela se aproxima e caminha ao meu lado.

– Você tem os seus fantasmas, Sakura, e eu tenho os meus. Cada um se vira como pode.

– O que está fazendo vai acabar com você.

– Bem, eu não tenho mais nada a perder, tenho? – ela não olha para mim, parece estar muito longe. – Soube que Daisuke estava febril pela manhã. A febre cedeu?

Sei que ela usa meu filho para me fazer mudar de foco a conversa. Tsunade odeia falar sobre o seu passado. Eu a respeito, porém, seus olhos de ressaca me provam que ela ainda vive nele.

Lembro há oito anos quando ela me ligou e ofereceu-me a saída que estava desesperada por encontrar. Uma proposta de trabalho boa demais para recusar. Outro país, outras pessoas, longe de Sasuke. Uma chance de esquecer e começar de novo. Não pensei duas vezes.

– Ele está aqui, Tsunade.

– É, eu soube. Ele fez mesmo o transplante. Talvez não seja tão mal assim.

Tsunade sabe de tudo. Assim como conheço toda a sua história, ela conhece a minha. Desde contei para ela que estava grávida, não ouve mais segredos entre nós.

– Não se engane. Sasuke não mudou nada.

– Como pode ter tanta certeza?

– Eu o conheço, Tsunade. Sasuke está aqui porque quer alguma coisa, só não sei ainda o que é.

– Talvez ele só queira conhecer o filho.

Eu rio com a ridícula possibilidade.

– Não mesmo. Ele me perguntou quem era o pai quando falei para ele que tive um filho. E teve a ousadia de fazer um teste de paternidade. – suspiro contrariada por todas as ações de Sasuke. – Ele não veio pelo filho.

– Talvez tenha vindo por outra pessoa. – os olhos amendoados me fitam de uma maneira muito sugestiva.

– Ah, não, você ainda está bêbada? Porque me recuso a acreditar que ouvi essas palavras mais uma vez em um dia. Ainda mais de você. Sasuke me odeia, quantas vezes tenho que repetir isso?

Tsunade ri, completamente alheia ao meu aborrecimento.

– Ah, querida, às vezes você é tão ingênua. Se Dan me odiasse como esse homem a odeia, eu não teria esses olhos vermelhos, pode ter certeza. – ela continua andando calmamente enquanto analisa os papéis que, só agora percebo, estavam em sua mão.

Permaneço parada no meio do corredor, ainda mais irritada do que antes.

Hoje é o dia de vamos deixar a Sakura maluca?

Não sei o que todos planejam, mas sinto como se eles quisessem que eu me reconciliasse com Sasuke, que esquecesse quem ele realmente é e deixasse o passado para trás. Mas não consigo e nem posso. Sasuke é uma ferida difícil de curar e ela pulsa cada vez que meus amigos insinuam a existência de um amor que nunca existiu.

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– Então, o que acham? – giro meu corpo lentamente para que minhas amigas possam ver melhor meu vestido.

Os intensos olhos azuis de Ino me avaliam com malícia.

– Bem, testuda, se eu curtisse mulheres eu com certeza estaria na sua.

– Ah, Ino, cale a boca. – olho para Hinata que até agora não se pronunciou. – Hinata, pode dar sua opinião? — Ela olha bem para o vestido longo e preto de cortes ousados e parece pensar bem no que irá dizer.

– Está perfeita.

Ino olha para Hinata ofendida.

– Perfeita? Perfeita? Sakura vai a maior festa de Tóquio com o Sr, Gostosão! Qual é! – ela suspira. – Sabem que odeio admitir quando alguém está bonito, mas a testuda aqui caprichou hoje. Você está um arraso, garota!

Sorrio, finalmente satisfeita. Vindo de Ino, isso é um grande elogio.

Vou até o espelho e verifico se a maquiagem está em perfeita ordem. Meus olhos verdes estão destacados com uma sombra preta e meu cabelo solto cai em ondas pelo meu ombro direito. Pisco nervosa. É a primeira vez que vou a um evento dessa magnitude com Sasuke. Passo as mãos pelo vestido para me certificar de que tudo está onde deve estar. O tecido negro tem um caimento incrível no corpo e as costas nuas devido ao grande decote em V que termina na base da minha coluna me dão um ar sexy e ousado, mas nenhum pouco vulgar.

Ainda me observo no espelho, os olhos brilhantes, os quais não consigo disfarçar, e lembro daquela garotinha que eu costumava ser. A sonhadora garotinha que nunca quis se apaixonar e que agora está toda produzida para impressionar um homem pelo qual está completamente envolvida. Completamente entregue.

Dou as costas ao espelho e vou até o elevador, pois sei que Sasuke já deve estar me esperando e odeia atrasos.

Quando as portas metálicas se abrem sinto o perfume dele. Nem preciso olhar para saber que ele está com o semblante irritado apertando o botão para chamar o elevador.

– Você é muito impaciente, Sr. Uchiha.

Seus olhos negros encontram os meus. As sobrancelhas levemente franzidas, sinal que ele realmente estava irritado, vão, aos poucos, relaxando. E seu olhar torna-se tão quente que começo a ficar excitada.

Ele veste um smoking negro como a noite, o que o deixa ainda mais belo e misterioso, combinando harmonicamente bem com seus olhos escuros penetrantes. Não usa gravata, como sempre. A camisa preta de seda tem o botão do colarinho aberto, evidenciando que ele não está nem aí com as conveniências. Kami, sinceramente, Sasuke podia se vestir de pato e ainda parecer um deus grego.

– Você está atrasada. – a voz rouca dele, no entanto, não parece mais se importar com esse fato. Conheço-o tão bem que já sei pelo seu tom de voz quando ele está duro.

Meus olhos descem descaradamente para as suas calças e o volume ali presente confirma apenas o que eu já sabia.

Eu rio, deliciada pelos efeitos que posso causar no corpo do Sr. Indiferente. Completamente satisfeita por saber que não é apenas eu que sou atingida quando nos encontramos. Que sou eu a pessoa capaz de quebrar aquela fachada impenetrável e fazê-lo sorrir.

– Nem vem, Sasuke-kun. Estamos atrasados, lembra?

Ele então parece lembrar que temos um compromisso. Seus olhos famintos deixam meu corpo relutantes e sua mão puxa minha cintura enquanto caminhamos até o carro.

Todo trajeto até a festa é realizado em silêncio. Percebo que há algo errado. Sasuke está mais calado que o normal, e confesso que fiquei surpresa por ele não ter me agarrado dentro do carro, o que seria normal devido às circunstâncias. Ele bebeu seu uísque calmamente e, mesmo estando ao meu lado, pude perceber que seus pensamentos estavam há quilômetros de distância. Seguro seu braço antes que ele saia do carro e ele finalmente volta seus olhos para mim. Está irritado, sempre irritado.

– Está tudo bem? – minha voz é hesitante e baixa, mas sei que ele é capaz de ouvir.

– Está. Vamos.

Puxando meu braço saímos do carro e, imediatamente, sou atacada por flashes oriundos de diversas direções. Se não fosse a mão de Sasuke firme em minha cintura me guiando eu, com certeza, não saberia para onde ir devido à cegueira momentânea que me atingiu por tanta luz direta em meus olhos sensíveis.

Quando adentramos o salão, começo a sentir-me incomodada. Há algo errado, não consigo deixar de pensar nisso. Sasuke está estranho. Nem ao menos me beijou, o que definitivamente atípico de seu comportamento comigo. Mesmo ele me apresentando a todas aquelas pessoas importantes e incrivelmente ricas como sua namorada, não consigo deixar de pensar que alguma coisa aconteceu, ou vai acontecer. Chame de sexto sentido ou o que for, mas há algo errado, tenho certeza disso cada vez que encaro aqueles olhos negros que nem me transmitem a luxúria sempre ali contida.

Estremeço quando ele me puxa para pista de dança e desliza comigo pelo salão como se tivesse nascido já sabendo conduzir. Sua mão quente acaricia minhas costas nuas enquanto ele me embala no ritmo da música.

– Você está tensa.

Eu sei que estou. Mesmo tendo tomado três taças de champanha ainda não consegui aliviar minha tensão, ou pelo menos, deixar de transparecê-la.

– Não é nada. – murmuro, nem um pouco preocupada que ele perceba que estou mentindo, já que, evidentemente, nada está bem. – Meu último plantão foi exaustivo. – isso, pelo menos, era verdade.

Aproximo meu rosto do seu pescoço e inalo seu perfume na esperança de que seu aroma maravilhoso acalme meus ânimos. Mas isso também não resolve.

– Você está linda.

Eu rio levemente, certa de que agora há algo mesmo errado.

– Uchiha Sasuke me chamando de linda? – indago ele enquanto afasto um pouco meu rosto de seu pescoço para observá-lo. – Se falasse que eu estava gostosa eu não ficaria tão surpresa.

Ele dá um giro perfeito comigo, digno de um dançarino profissional e continua a dançar no ritmo lento e romântico da música.

– Não seja irritante.

Mais um giro, um afago em minhas costas, e a melodia tem um fim.

Enquanto Sasuke me guia para fora da pista de dança eu observo ao meu redor. Tudo é muito fino e adornado de luxo e riqueza. As pessoas estão vestindo suas roupas mais caras e sorriem discretas. Homens conversam, provavelmente falam de negócios e seus empreendimentos, enquanto suas mulheres estão sentadas nas mesas elegantemente decoradas conversando sobre a última bolsa Prada que adquiriram, ou em qual colégio de prestígio devem matricular seus filhos. Na verdade, há tanta riqueza e soberba naquele lugar que começo a ficar enojada em como tanto dinheiro pode ser desperdiçado com indivíduos tão fúteis. Observo as pessoas, procurando algo interessante, enquanto Sasuke conversa e, finalmente, encontro um rosto conhecido. Mas, espere, o que diabos Ino faz aqui?

Olho para a cabeleira ruiva ao seu lado e, imediatamente, compreendo. Gaara está aqui. É claro que Ino estaria com ele.

Ela está deslumbrante em um vestido de azul intenso que combina com seus olhos. Com o cabelo preso em um penteado bem feito e uma maquiagem discreta, Ino atrai olhares enquanto vem ao nosso encontro.

– Olha só, testuda. Gaara deixou um pouco de ser antissocial e resolveu me trazer em um lugar interessante. – exclamou ela com os olhos brilhantes quando parou em minha frente com Gaara em seu encalço.

– Menos, Ino. – murmura ele, parece tão entediado quanto eu em meio à todo aquele luxo.

– Gaara, cuide de Sakura para mim. Preciso resolver uma coisa. Volto logo. – Sasuke se pronuncia e sai assim que Gaara acena para ele concordando. Ele nem sequer olhou para mim.

– Vocês brigaram? – Ino pergunta, totalmente discreta como sempre.

Observo Sasuke sumir em meio a todos aqueles convidados, com olhares femininos cheios de desejo o seguindo enquanto ele passa. Há algo errado, não consigo tirar isso da cabeça.

– Não, não brigamos.

– Ele está estranho. Não está com aquele olhar de “quero comer você”, com sempre.

– Ino! – Gaara a repreende, mas ela não parece se importar.

Um garçom passa por nós e pego mais uma taça. Tomo tudo em um gole só. Estou cada vez mais tensa.

– Vou ao banheiro.

– Vou com você. – Ino fala enquanto solta o braço de Gaara.

– Não precisa. Aproveita e dança com Gaara antes que ele tenha um colapso com tanta gente metida reunida no mesmo lugar.

Não espero que ela se pronuncie novamente e saio seguindo em direção ao lavabo. Mas tomo a direção oposta quando vejo que estou fora do alcance dos olhos atentos de Gaara.

Sigo o mesmo caminho que vi Sasuke fazer até sumir de vista. Passo pelas pessoas sorrindo simpática, mesmo que por dentro eu esteja quase tendo um colapso. Preciso descobrir o que está acontecendo. Chego a um corredor vazio e sigo por ele. O silêncio predomina e meus saltos parecem ecoar como se fossem tambores. Com uma mão me apoio na parece enquanto tiro os saltos altíssimos barulhentos. Continuo caminhando, estou nervosa e minhas mãos tremem levemente. Chego a uma grande porta e a abro, encontrando um outro salão de festas, este vazio, apenas iluminado pela luz que passa pelas grandes janelas. Respiro fundo e tento analisar o lugar enquanto meus olhos se acostumam com a escuridão repentina. Procuro por portas, mas o que encontro é uma escada que leva para o andar de cima. Sinto algo. Um aperto, como se eu não pudesse respirar. É um pressentimento tão forte e tão certo. Toda mulher já teve ou terá essa sensação. É como um radarzinho embutido no cérebro feminino. Toda mulher sabe quando está sendo traída. Subindo aquelas escadas, eu sabia. Mas, mesmo assim, continuei caminhando, continuei procurando por ele. Porque eu precisava ver com os meus olhos, sentir de verdade. Porque mesmo sabendo, enquanto me dirigia para o cômodo de onde eu podia ouvir o som claro e distinto de dois corpos se chocando, os gemidos estridentes, eu precisava olhar nos olhos dele e procurar o por quê.

Mas, mesmo sabendo o que eu ia encontrar, abrindo aquela porta eu senti como se tivesse levado um soco em cheio na minha face. Sasuke puxava os cabelos de uma ruiva de corpo escultural enquanto a penetrava com força por trás. Ela se apoiava com as duas mãos na parede, os grandes olhos verdes, mais claros que os meus, revirando-se pelo prazer proporcionado pelo membro de Sasuke a invadindo repetidas vezes. O cômodo muito bem iluminado, as roupas jogadas pelo chão, o cheiro de sexo. Sasuke vira a cabeça em minha direção, penso ver surpresa em seus olhos, mas tudo é muito rápido, posso ter imaginado, ele continua a estocá-la, ela continua gemendo, e ele só para quando finalmente goza, dando um soco na parede devido a intensidade do clímax.

Continuo parada na porta. Não sinto minhas pernas, nem meus braços, não sinto nada. Absolutamente nada. Sasuke só sai de dentro dela quando sua respiração volta ao normal, retira a camisinha, dando um nó e jogando em um canto qualquer do quarto, e só então volta seus olhos para mim. Naqueles poços profundos também não encontro nada.

– Não me olhe como se estivesse surpresa. Eu nunca prometi exclusividade. – a voz rouca enche o cômodo e só então a sua acompanhante percebe minha presença.

Ela cora, se ainda é possível depois daquele sexo intenso, e busca por seu vestido. É verde, de seda, é lindo. Os cabelos beijados pelo fogo estão um pouco desalinhados, mas ainda assim, são belíssimos, caindo em cascatas por suas costas nuas.

Eu nunca prometi exclusividade.

Porém, prometeu-me que se eu tivesse outro me mataria.

Porém, apresentou-me a todos como sua namorada nessa festa ridícula.

Porém... Porém eu resolvi acreditar em um homem que eu sabia que não podia confiar.

Dei as costas para ele, finalmente encontrando minhas pernas. Caminhei calmamente. Não havia nada mais a ser feito. O mármore sob meus pés era gelado. Parei. Respirei fundo. Coloquei novamente meus sapatos. Os saltos faziam um barulho imenso enquanto eu descia as escadas, mas eu já não me importava mais. Afinal, não havia mais nada a ocultar.

Entrei novamente no salão onde a festa transcorria em seu ápice, sorri novamente para aquelas pessoas vazias e ri, percebendo, que me sentia tão fazia quanto. Sai pela porta da frente, não me importando nenhum pouco com os fotógrafos que poderia encontrar. Desci mais escadas. Tudo com uma calma imensa, que até me assustou. Nada. Vazia. Mais um degrau.

Cheguei até a calçada. Um carro negro tinha acabado de parar na minha frente. Um homem de smoking negro, com os cabelos pretos como os de Sasuke, mas mais compridos, saiu dele. Seus olhos ônix se prenderam em mim imediatamente. A semelhança entre ele e Sasuke era imensa, fazendo-me lembrar novamente do Uchiha. O que, logicamente, lembrou-me da cena que eu presenciara há minutos atrás. Deixei o estranho conhecido para trás e fiz parar o primeiro taxi que passou pelos meus olhos.

Aquela fora a primeira vez que eu vira Uchiha Itachi. Mas eu estava longe demais, vazia demais, para analisar as consequências daquele primeiro encontro.

Cheguei em casa e tirei os sapatos dos meus pés. Surpresa por não sentir dor nenhuma. Fui até os quartos das meninas e, graças a kami, Ino ainda não tinha chegado e Hinata não estava.

Caminhei até o meu quarto e assim que passei pela porta a tranquei. Tirei o vestido com pressa, com tanto asco e desespero que pensei quem estava vivo era ele, e eu, morta. Joguei-me sobre a cama e encolhi-me imediatamente. A única peça de roupa ainda em meu corpo era minha calcinha preta rendada. Eu tremia, mas não sentia frio, apesar de ser uma noite gelada.

Mas a dor veio. Rápida e violenta, explodindo em uma sucessão de soluços incontroláveis e lágrimas pretas que manchavam o lençol de linho branco. Veio forte, impiedosa, pegando-me desprevenida e assustando-me com a intensidade das minhas emoções. Veio com um travesseiro abafando um grito de pura agonia.

Mas, assim como as lágrimas vieram, o riso também resolveu tornar-se presente. E eu ria. E as lágrimas tristes tornaram-se lágrimas risonhas. Eu fora tão tola. Tão teimosa. Eu realmente acreditei que poderia confiar nele. Eu realmente acreditei. Tão tola. Tão teimosa. Tão ingênua. Bobinha, caíra na maior armadilha, a mais velha do mundo, o amor. Tola. Tolinha. Idiota. Fraca.

Então veio o silêncio. Um silêncio sagrado. Que durou algumas horas e só foi quebrado por batidas hesitantes na minha porta.

– Sakura, testa, você está aí? – a voz baixa de Ino era carregada de carinho. – Saky?

Levantei, coloquei a primeira camiseta que encontrei jogada pelo quarto e verifiquei o meu rosto no espelho. Graças a Deus não estava inchado.

Eram quatro e meia da manhã.

Abri a porta em um rompante. Bocejei. E encarei uma Ino ainda vestida com seu belo traje de gala de semblante preocupado.

– O que foi? Aconteceu alguma coisa? – perguntei tentando imitar a voz de quem tinha acabado de acordar.

Ela me encarou confusa.

– Não, é que você sumiu, e Sasuke estava sozinho... Eu e Gaara pensamos... Está tudo bem?

Sorri. O sorriso mais falso da história, mas que era convincente o suficiente para driblar Ino.

– Sim, é claro.

– Mas... eu pensei... O Sr. Gostosão estava sozinho...

– E vai ficar se depender de mim.

Eu quase podia ouvir a confusão no cérebro daquela loira desmiolada.

– Mas...

– Acabou, Ino. E não é por nada não, mas tenho um plantão de lascar amanhã, então...

Ela segura a porta antes que eu a feche completamente.

– Você está bem mesmo?

– Claro! – meu Deus, eu devia ganhar o Oscar de melhor atriz. – Estou bem mesmo, Ino. Não se preocupe.

– Mas, Saky, você disse que amav...

– Eu sei o que eu disse. Eu estava errada.

Ela sorri tímida.

– Bem que eu desconfiava, você tem um coração de aço, garota. Sorte sua. Alguma de nós tinha que ter juízo para o amor.

– Chega, Ino. São quase cinco da manhã, sabe que odeio essa palavra.

– Tudo bem, tudo bem.

Ela gira, o vestido esvoaçante farfalhando enquanto ela caminha em direção ao seu quarto.

Enquanto fecho a porta do quarto ainda posso escutar ela falar.

– Ela está bem, Gaara. Nunca vi sangue tão frio. Está para nascer o cara que vai fazer a Saky abrir aquele coração de gelo. Sasuke não fez nem cócegas nele.

Meu corpo desliza pela porta.

Ah, Ino, você é outra tolinha.

Eu nunca prometi exclusividade.

Realmente, não prometeu.

Porém...

Porém...

São tantos mas e entretantos. Mas há o pivô de toda essa confusão. Um porém que se sobressai e ganha destaque entre todos os outros.

Eu me apaixonei.

Maldita idiota.

Notas finais
E aí? Mereço recomendação?